Saturday, September 02, 2006

Um "chopes" e dois "pastel"

Lembro-me dessa tirada na capa e contra-capa de um livro de língua portuguesa e gramática nos meus tempos de magistério - "Não erre mais". O pior que mesmo depois de formada na universidade, eu continuo pondo plural onde deveria ser um singular, mas isso não tem nada a ver com o que quero dizer.
A verdade é que hoje, no Meijikoen de Tóquio, teve a tarde o Festival Brasil, onde além de shows de música e dança brasileiras, o que nunca pode faltar são os quitutes e guloseimas típicas da nossa terra. Leia-se os famigerados, calóricos, engordurados, mas deliciosos e viciantes salgadinhos de boteco e feira. Já viram feira sem salgadinho nem caldo de cana? Seria o mesmo que os matsuris daqui não terem yakisoba e espetinho de frango, né? Pois bem, desde que eu me conheço por gente, feira livre era sinônimo de caldo de cana e salgadinhos de procedência duvidosa, mas a gente comia mesmo assim. Se ninguém até hoje foi parar no hospital... Uma das últimas vezes que frequentei uma feira livre, sabe lá quando foi, não resisti a tentação de comer um pastel de feira (mais massa que recheio, mas eu adoro massa de pastel, não sei, mas cada um tem seu gosto)e tomar caldo de cana com abacaxi. Olha, não existe coisa melhor quando se vai em eventos assim. Coxinha de frango com osso dentro? Quibe pra lá de pingando gordura de não sei quantas frituras? Risoles encharcado? Ah, mas isso é o que dá o toque final característico de um quitute de feira.
Nesse Festival, que perdi porque fui trabalhar, meus amigos foram e disseram que valeram muito a pena. Lotado, sim, pois japonês a-do-ra coisa diferente. A mesma coisa que os estrangeiros aqui vão em matsuris e resolvem encarar o yakisoba, o yakitori e até takoyaki (bolinho de polvo, típico da região de Osaka). Pode dar aquele piripiri depois, mas ao menos você encerrou a festa dizendo "comi algo diferente em minha vida hoje".
Comida também que não pode faltar em qualquer festival ou evento, ao menos no tempo de adolescente formando em magistério, eram os petiscos no Corpus Christi. Minha cidade natal, todo ano, em meados de junho, faziam a procissão do Corpus Christi. Passávamos a noite da véspera riscando e enfeitando as ruas com temas religiosos ou decorativos com pó de cana e calcário coloridos para no dia seguinte os turistas verem e tirarem fotos para posteriormente, no final do dia, a procissão passar por cima de todo aquele trabalho que levamos a madrugada toda fazendo. Boom, tanto esforço valia a pena e valia nota também na escola. E pensar que passamos trocentas noites trabalhando e vendendo vinho quente e quentão pra esquentar os ossos naquela madrugada para lá de gelada. Junho, no Brasil, queriam o quê?
Ah, sim. Os comes e bebes. Geralmente empanturravamo-nos de maçã-do-amor (doce que pra mim é pra lá de extremamente proíbido pra mim devido aos problemas que tenho nos dentes), churros ( o do treiler baurense dava de dez a zero!) e em cima de tudo isso, vinho quente e quentão, numa época em que o politicamente correto não caía em cima e as noites eram mais seguras. Claro que vendíamos bolinhos, doces e salgadinhos para arrecadar fundos para nossa formatura.
Festa do Doce todo 2o domingo do mês era de lei no tempo que estudei o magistério. Para arrecadarmos mais fundos para a formatura, apelávamos para um espaço no Mercado Municipal na faixa, cartazes feitos à mão por nós mesmas e também divulagação na rádio local e propaganda boca-a-boca. Isso no interior funciona que é uma beleza. E os doces que por nós mesmas eram feitos (numa classe de 20 e tantas mulheres, seria impossível alguém não souber fazer nem um brigadeiro de lata). Perdi a conta de quantas vezes enrolei brigadeiro ou fiz doce de batata-doce. Mas o doce que mais comum entre nós era o popular mas delicioso Pudim de Leite Condensado. Mas também era o primeiro que saía... Domingo, antes do almoço, as donas-de-casa enchendo as sacolas de verduras, ao menos leve a sobremesa. Afinal, domingo elas também precisam ficar um pouco longe da cozinha, certo?
Confesso: mesmo comendo a comida local, juro que não resisto a uma coxinha de frango com catupiry ou um risoles de carne... E acompanhado do famoso Guaraná Antarctica!
Ah, não esquecendo do "um chopes e dois pastel", por favor!

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