Wednesday, October 04, 2006

Eleições e Descasos

Mês passado, setembro, foi a escolha do premiê japonês, para suceder Junichiro Koizumi. Obviamente, foi escolhido o candidato do mesmo partido, Shinzo Abe. O que espera-se do novo premiê? As mesmas coisas - reformas, como evitar que a Coréia do Norte lance um míssil aqui e faça de tudo poeira... Mas também a apreensão dos estrangeiros que aqui vivem e trabalham. Como ficaria o novo governo? Iria trazer algum benefício aos estrangeiros (legais) ou iria complicar ainda mais?
O que seria complicar mais a situação dos estrangeiros legais? O visto de permanência. Principalmente para aqueles descendentes que vieram com o visto de teijuusha ou visto de longa permanência. Todo mundo sabe que os japoneses consideram a descendência pelo sangue. Se for da terceira geração, é e não é considerado japonês, pois já seria neto da raça. Aí é que mora o perigo.
Quando começou o boom do movimento dekassegi, nos anos 90, quem era neto de japoneses, não tinha um visto específico, daí criaram esse tipo de visto que mencionei. Fazem meio que sem pensar, deu no que deu recentemente - um deputado que talvez tivesse parafusos a menos, resolveu bolar um projeto que terminasse o visto para essas pessoas. Qualificação, etc. Sinceramente, nunca entendi e não quero entender política, mas como há quase uma década vivo aqui, eu tenho que acompanhar o que acontece aqui, pois meu cotidiano gira tudo aqui neste país. Principalmente em se tratando de renovação de visto.
Sim, meu visto de permanência é o citado. Quase uma década aqui, já deveria ter dado entrado no visto permanente e acabava a via-crucis trianual de juntar a documentação e ir na imigração de Yokohama e enfrentar uma longuissma espera. Quando falo que pertenço à terceira geração, muita gente fica espantada. Será que engano muito bem na aparência ao ponto de muita gente achar que sou nissei?!
Assim como eu, muita gente corre o risco de ter o visto extinguido. E pra quem tem anos e anos de trabalho no mesmo lugar, isso não contaria? O lado ruim de qualquer país estrangeiro, dá nisso: quando um indivíduo faz uma besteira, acham que todo mundo faz a mesma coisa. Isso dá uma baita duma "réiva" como diria o saudoso Adoniran, mas quem não ficaria? A gente faz de tudo, dá o sangue, se submete a tanta coisa pra manter o orgulho e fazer a coisa certinha... vem um besta e põe tudo por água abaixo! Daí pra qualquer habitante da terra local tachar todo mundo sem exceção de que a gente é isso ou aquilo, culminando em restrições e até proibições! Já não bastava o que nossos antecendentes passaram na 2a. Guerra?!
Em resumo: ano de eleição, as mesmas promessas, nada de concreto. Na terrinha pensam que a coisa muda?!

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