Tuesday, November 07, 2006

Por enquanto, pausa para o café

Estou pra conhecer gente que é mais viciada em café do que eu. Não parece, mas por dia, se contar em xícaras, tomo de três a quatro. Pelo menos a maioria eu vivo tomando no horário do meu serviço. Fora disso ou em é casa, ou em cafeteria. Quando me sobra alguns trocados, claro.
Não lembro de onde veio meu vício de café. Acho que no tempo que cursava o Magistério de dia e escola de Comércio a noite. Pra agüentar o tranco de levar dois cursos a nível colegial naquela época, era a base de... café! Extra-forte e com açúcar, do jeito que até hoje minha mãe faz. Dependendo da situação ia sem açúcar mesmo, na fase que estava tentando perder alguns quilos extras.
Quando entrei na Universidade, a coisa não mudou muito. Principalmente para encarar a aula de sábado de manhã. Ter aula no sábado já era um porre, imagine ter aula de... "Estudo dos Problemas Brasileiros", e tinha a parte I e a parte II. E dá-lhe um monte de pingado, que era mais café do que leite.
Na etapa final, passava noites e noites em claro, a base de café, para manter-me acordada e terminar o bendito do projeto de conclusão de curso, o que me custou noites mal-dormidas, meio ano sem trabalhar, consegui a média, mas quase tive uma gastrite. E perdi sei lá eu quantos quilos.
Aí fiquei algum tempo sem poder ver café na minha frente. E olha que na minha cidade natal, cafezal era o que não faltava. Isso porque nos áureos tempos em que o café era o que dava lucro, o que tinha de fazendas de cultivo cafeeiro não estava escrito. Devido à profissão de meu pai (comerciante), vivia indo para essas fazendas, entregar encomendas para os colonos. Se algumas casas de colônia eram grandes, para abrigar uma família de não sei quantas pessoas, a casa-grande (onde era a casa do dono da fazenda e administração) era de se perder lá dentro.
Tinha (e tenho, consegui voltar a ter contato com ela) uma amiga nikkei como eu que os pais moravam em uma fazenda. A se perder de vista. Quando eu ia passar minhas férias ou feriado prolongado lá, dormia na casa-grande. E era grande mesmo, dava para se perder lá dentro, sem falar na fazenda em si, conhecida pelos agrônomos, uma verdadeira fonte de pesquisa agrícola.
Há quase uma década que não volto pra lá, aliás, quando tirei meu um mês de férias, nem deu tempo pra fazer tudo o que precisava. Mas meu vício pela bendita fruta que torrado e moído o cheiro já hipnotiza, voltou.
Quando vim para o Japão, nunca tinha visto café gelado, quanto mais enlatado. Cheguei antes do início do verão, mas já estava abafado e quente. E ofereceram-me uma lata de café enlatado e gelado. Achei estranho, mas quando conhece e gosta, depois agüenta! Meu vício por café voltou, apesar que naquela época, café 100% brasileiro era o preço d'alma, como diria uma amiga minha do Sul. Café feito no Japão, com grãos de outros países ( principalmente Africa ), parece que tem mais água que café. Não chega a ser "água de batata", mas também não chega a ser aquele café pra lá de forte, daqueles que cura até ressaca. Com o tempo, fui acostumando a tomar café enlatado. E gelado.
O voltei ao dito vício quando resolvi "juntar os trapos" e mudar para Kanagawa. Meu kinguio, além de gostar (demais da conta) de Coca-Cola, tem que tomar café todo dia. Não importa se é feito na hora ou enlatado, tem que ser café! Com isso, voltei a tomar café, ao menos uma lata tomava diariamente. E olha que eu não fumo, mas também não sei a relação café-cigarro, alguém aí poderia me explicar?
Bom, muito tempo depois, mesmo com várias advertências do médico (todo ano faço exame anual e sempre acusa falta de ferro no sangue. Uma das conversas com a médica, ela me advertiu sobre a influência de cafeína na minha saúde), continuei a tomar café, dentro e fora do serviço. Mas não tenho jeito, parece que sou movida a cafeína. Diz uma piadinha que "você só percebe que está tão viciado em café que se ligar um rádio em você, funciona no modo AM", se é que entenderam.
Engraçado que uma bebida possuí cafeína mas nem ligo em beber é Coca-Cola e seus derivados. Será por causa do fato de elas serem cheias de gases e deixa seu estômago estufado? Bom, gasoso por gasoso, tomo quase todo dia água com gás e os efeitos colaterais mais drásticos são inúmeras visitas ao banheiro. Mas nada é mais poderoso que café mesmo. Sem açúcar e com leite.
Confesso que, teve uma época que resolvi fazer 15 dias de regime drástico ( mas depois recuperei quase tudo, adiantou?), e incluia... café preto sem açúcar nos intervalos das refeições. Imagine depois no ano seguinte o exame médico...
Bom, toda essa conversa de café, me deu vontade de tomar um capuccino. Daqueles de caixinha, em embalagens individuais...



Me vê um com muito creme! Mas não precisa de açúcar, não...

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