Tuesday, January 31, 2006

Pequenos trastes, grandes negócios

Quando saio pra fazer compras com o kinguio encantado, imagine voltar pra casa com um monte de compras e ainda com a carteira meio cheia. Conheço pessoas que quando vão fazer compras (de supermercado, só pra exemplificar), voltam com uma sacolinha nada pesada e a carteira mais vazia que árvore em dia de inverno. Ou que voltam com o carrinho cheio e a carteira vazia também.
Nosso caso parece sui generis, quando chega nossa folga, pode ter certeza que o final do dia se encerra numa ida ao supermercado que fica a uns dez quilômetros de casa. O bom desse supermercado é que encontramos de tudo um pouco. E ainda que fica dentro de uma loja de departamentos que, antes de nos aventurarmos em corredores, prateleiras e ofertas tentadoras, fico vendo que tem de novidade. Ou oferta. Que seja, dificilmente compro algo lá mesmo (exceto se a Muji tem alguma camisa ou blusa com desconto de 70%...), mas vez ou nunca acabo comprando algum sal de banho naquela loja em frente ao Muji mesmo (raios! Esqueci o nome!!) ou alguma revista na Libro que fica no meio do predio do Seibu e Daiei (o supermercado que costumamos fazer nossos estragos semanais).
Em matéria de farejar preço abaixo, mas bem abaixo mesmo mas com validade a perder de vista é o kinguio. Estou pra conhecer homem que goste tanto de supermercado como ele. Isso quando não se perde no meio das prateleiras, como algumas vezes me aconteceu em pleno Carrefour, em Machida. Mas depois de sete anos de convivência, se perder dele, sei onde encontrar (na seção de carnes ou senão na banca de ofertas), a não ser que pode ter dado uma pontada no intestino e ter ido aliviar o corpo no primeiro otearai que encontrar.
Se kinguio é mestre em farejar preço baixo, ele diz que sou a mestra da cara-de-pau sem precisar passar óleo de peroba - sim, tenho a mania de toda dona-de-casa japonesa em juntar cupons e pontos e depois trocá-los na próxima compra. Sempre faço questão de lembrar o kinguio encantado que um CD que comprei pra ele dos anos 80 da j-pop saiu de graça. E a nossa geladeira que ganhamos desconto graças ao point card da loja que eu possuía? E quantas vezes não ganhamos três horas de estacionamento de graça no nosso supermercado favorito somente por ter o cartão da loja? E o desconto nas compras desse mesmo supermercado graças aos cupons juntados em cada compra?
Digo com certeza que em matéria de desfazer de coisas inúteis, bastaria falar comigo. Já me desfiz de um Celeron Dell 600 pifado e ainda recebi uma graninha por isso. Já vendi relógios de pulso que nem sei porque comprei e ainda deu pra garantir o jantar daquele dia. Costumo trocar meus mangás que já nem leio mais por outro do meu interesse. Só não faço isso com nossos CDs pois os mesmos foram comprados "de baciada" em uma lojinha capenga prestes a fechar.
Mas uma coisa que não consigo fazer é o tal de "mercado de pulgas", coisa comum aqui, todo domingo, alguma pracinha tem. Primeiro, tem que pagar uma taxa pra ficar o dia todo. Segundo, olhe bem pra mim e veja se tenho coragem de ficar sentada na lona azul, tentando barganhar coisas que nem uso mais. Cara de pau eu tenho, mas nem tanto assim.
Recentemente vendi um PC que nem sei que processador era, mas ao ver que era "Windows 95" já imaginei a carroça que seria. Maldita hora que aceitamos esse cavalo de Tróia que ficou empoeirado por meses na mesa que fica em nosso quarto. Ontem tive um ataque quando fui fazer a limpeza do nosso apertamento após meu retorno, resolvi enfiar aquele pesado monitor e aquela CPU que nem sei se funcionava no nosso pequeno carro e ir para uma loja que aceite usados. Foi isso e também um gravador externo de DVD pra computador que comprei e não funcionou!
Não é que o cara da loja pagou uma boa grana por aquele elefante branco? De quebra ainda ganhei um single de minha escolha por esse feito. Imagine se não levei o Masha pra casa!



Com essa revista, já lanchei pela metade do preço e fiz curso de rocambole na faixa!

Monday, January 30, 2006

Nevascas, eterno dia, volta pra casa.

Estou de volta no meu lar apertado lar. Depois de vinte dias longe de casa, do Kinguio, de minhas coisas, estou de volta. Bom, ao menos voltei inteira após 26 horas entre viagem e espera. Primeiro, que estava tudo certo embarcar na madrugada do dia 24 pela Japan Air Lines, destino Narita, parada em Nova York. Até que o vôo foi cancelado devido nevasca que despencou no sábado. Resumindo, tiveram que mudar todos os passageiros do vôo para outra companhia, uma hora mais cedo de embarque e tres horas mais tarde de desembarque! Contando seis horas de molho em Dallas, esperando a hora de voltar pra casa...
O que foi realmente incômodo nisso tudo é que, chegando nos E.U.A., além de passar na imigração, no detector de metais e raio-x, tem que retirar a bagagem e passar na alfândega! Coisa mais trabalhosa mesmo, mas mais trabalho eles teriam se abrissem a minha bagagem e procurar algo suspeito... Imagine, dois salames e oito quilos de arroz seriam algo suspeito??? Só se eles estariam a fim de ficar com minha lingerie, mas a troco de quê iriam querer roupa mais do que surrada?? Ave, existe doido pra tudo, isso tenho certeza. Não que tivesse acontecido comigo, mas imagine a situação perante aos funcionários...
Passado pela alfândega, incólume das mãos pesadas dos americanos, restou despachar as malas novamente para a esteira que levaria ao avião que me levaria para Narita, mas sem antes ficar quatro horas (só de ficar na imigração-alfândega, foram quase duas horas!!) esperando, andando e vendo o aeroporto inteiro. Felizmente, tinham livrarias e lojas de... hã... souvenires! Imagine se em Dallas (Texas) não teria algo relacionado com o presidente do país! Meu negócio era procurar uma cafeteria e uma livraria, não exatamente nesta ordem, mas que tinha um Starbucks Coffee no meio, isso tenho certeza.
Pra matar o tempo que restava, depois de ter feito um certo estrago financeiro em um duty-free, acabei ficando próximo ao portão de embarque e jogando Nintendo DS. Não, não era Nintendogs, pois não tenho paciência com cachorrinhos fofinhos. Era Mario and Luigi RPG 2X2, conforme já mencionei anteriormente. E empaco sempre na hora de chegar no Gendanko Kouba, onde sugam a energia dos pobres cogumelozinhos.
O eterno dia que diz no título, diria que a viagem levou mais de dezesseis horas, com esse maldito fuso horário que atrapalha aqueles que dependem de hora para tomar remédio. Resultado, não vi a luz da lua, mas o sol atrapalhava pra dormir, mesmo com a janelinha fechada. Azar puro: sentei ao lado da janela, quase no fundo e dois patrícios (pai e filho) me torrando indiretamente o saco. Enquanto o pai roncava...sim, roncava e feio ainda por cima! Teve americano (que seja! Patrício o cara não era) que esticou o pescoço para ver o que aconteceu... o filho ficava de cinco em cinco minutos abrindo a janelinha pra ver o que tinha lá fora. Depois se a gente pede pro pirralho ir passear lá fora junto com as nuvens, chamam-nos de revoltados! Ora...
Imagine viajar dentro de um 777, sem saber o que era noite.
Eu, desta vez, passei o dia sem dormir quase nada!
E dá-lhe acerto desse maldito fuso horário que até agora está custando pra ajustar!!!



John: Essa claridade está me cegando! Era noite quando saímos de Londres...
Paul: Esse friozinho está me dando sono...
Ringo: Minha nossa! Não acertei o despertador e o George está no maior ronco...

Monday, January 16, 2006

Saudades do lar apertado lar

Dizemos sempre que "damos valor às coisas quando nós a perdemos". No meu caso não perdi nada, mas neste período de vinte dias de [merecidas] férias, fazem falta muitas coisas, desde kinguio passando pro nosso lar apertado lar, nosso carro não lá zero quilômetro, mas é automático até kinguio. Não que a estadia na casa de meus pais não esteja boa, muito pelo contrário. Não troco a farofa de abobrinha de minha mãe por nada neste mundo, nem o sossego da vida de interior, mas que sinto falta do meu PC Hitachi, sinto. Sinto falta de poder sair com o kinguio, pra mostrar o quanto a nossa vida é feliz e não sabíamos. De poder ir a conveniência da esquina no meio da madrugada comprar sorvete e não ter risco de ser abordado...
Sem falar que justamente janeiro começaram os dramas novos na TV japonesa. Não acompanho mais novela por falta de tempo, mas novela brasileira, os radicais me perdoem, mas não estou perdendo tempo acompanhando a novela do mês, prefiro ficar jogando Super Mario e tentando passar de fase jogando com QUATRO personagens numa pancada só.
Também não estou acompanhando o Big Brother Brasil 6. Que graça tem ver quatorze pessoas presas em uma casa e todo mundo vendo o quê você faz ou deixou de fazer? Se pagassem um milhão de doláres pra ficar na casa, quem sabe?
O que estou fazendo nestes dias, além de ficar acessando a net, saindo. Indo ao centro da cidade para ver desde aquela loja caríssima só de respirar, até aquela barraquinha de camelô de esquina. Sempre tem algo interessante, desde o estilo da roupa até aquele colarzinho de miçanga que até uma criança de 10 anos faria (eu acho, do jeito que as crianças estão hoje...).
Esta semana será a última semana aqui. Farei uma viagem de quatro dias pro mais interior ainda e voltar pro lar apertado lar.
Pode ser que sete anos e meio longe da família sejam os mais longos dos anos, mas que a gente sempre sente falta da família, ah isso faz! Principalmente nos conselhos dos pais e das conversas (calorosas) dos irmãos. A gente dá valor nisso quando se está longe de casa. Se fosse uma viagem de quatro, cinco horas, basta pegar o carro e chegar, mas quando se trata em outro continente, que o fuso horário é uma desgraça, nem te conto.
Mas são pequenas coisas que a gente começa a dar valor pelas coisas que muitas vezes a gente nem dá tanta importância assim...

Tuesday, January 10, 2006

Filas, filas e mais filas

Coisa que mais irrita qualquer mortal, são as temidas filas. Aquela fileira de pessoas, em pé, esperando sua vez de ser chamado. Seja em bancos ou no caixa de supermercado. Ninguém gosta de ficar em pé, como estátua, esperando como um bobão. Salvo exceções quando se trata em conseguir o famigerado ingresso pr'um show bacana ou uma liquidação de queima de estoque.
Também como muita gente, odeio filas. Inacreditável que quando temos pressa, a fila empaca e não anda nem pedindo. Diariamente sofremos essa argura, mesmo sem saber. Desde a fila do banco até no McDonald's pra pedir um mísero milk-shake. E pra matar tempo? Melhor ir munido de walkman, livro, revista, game portátil... Como no Brasil ficar de walkman no ouvido ou jogando game portátil na fila pode correr risco [enorme] de ser limpado, melhor ficar com um livro mesmo. Dependendo, pode ser até qualquer um do Harry Potter. Revista não aconselho muito, pois o fulano ou fulana atrás de você fará qualquer coisa pra ficar esticando o pescoço na esperança de tentar ver a última moda ou as fofocas do dia, por trás do seu ombro. Se você for baixinho, a coisa piora...
Pior de ficar plantado na fila como se fosse a palmeira de enfeite na entrada de restaurante, é ficar ouvindo abobrinhas. Não aguentei no dia do embarque, em Narita, a fila dando volta na sala de espera e os passageiros falando mal de tudo e todos. Bleargh, se não gosta então porque está aqui? Vai entender... Nem deu pra pegar o meu nintendo nem o livro da Helen Fielding.
Quando se trata de algo que interessa, vale a pena ficar meia hora, uma ou até duas horas na fila. Especialmente quando se trata de liquidações. Segunda passada, não resisti, fui até outra cidade e fiquei uma hora na fila para pegar melhores ofertas. Frio do caramba e morrendo de vontade de tomar um café fervente, mas que valeu a pena... Mesma coisa quando se trata em lançamentos - comprei o game novo pra presentear meu irmão e como era lançamento, fiquei duas horas na fila para conseguir ter o dito jogo. Também vale a pena.
Não querendo comparar mas fila de espera no Japão é tão silencioso, que às vezes penso se o pessoal está vivo mesmo!

Monday, January 09, 2006

A Tragédia em um Jumbo 747-700

Depois de sete anos, a sensação que tive em fazer o caminho inverso diria que seria de raiva, muita raiva. Ao invés de estar feliz em estar de férias depois de três anos brigando pra tê-las, chorando pelos cantos de Narita por deixar kinguio encantado tomando conta da casa sozinho, ansiosa pra conhecer a familia do dito kinguio encantado pessoalmente e na expectativa de rever a família da leitoa-mor aqui depois de tanto tempo, o que me acontece??? Uma baita duma reiva, como dizia Adoniran.
Já começa em Narita pro check-in (a viagem foi tranquila, obrigada). Chega no balcão da Japan Airlines conforme indicado pela agência a qual comprei a passagem, a fila parecia mais uma centopéia perdida quando perde um de seus duzentos pares de sapatos, resumindo, não sabíamos onde era o maldito fim de fila!
Encontrado o fio da meada, uma coisa aprendi que nunca mais marcarei viagem em início de ano, pois como no Japão quase todos ficam dez dias de férias em dezembro-janeiro, imagine o caos que instala no aeroporto!! Daí aqueles passageiros (principalmente os brasileiros que estão voltando em definitivo ) que carregam a casa toda. Dentro da mala o senhor está levando aquele assento de privada que esquenta e solta aguinha, tá? Pra evitar isso, mandei metade das coisas (digamos, comida e doces tradicionais) via correio em dezembro. Se chegar enquanto estiver aqui...
Tá, mas ser constantemente ameaçados de sermos atropelados por aqueles sacolões que sabe lá Deus o quê contêm, acaba com o humor de qualquer mortal. Formiga que resolver passear por Narita nessa época, pode preparar o testamento antes no formigueiro que tem do outro lado da grama, sabem?
Sua vez no check-in chega a ser um teste pra ver se continua em boa forma, pois o caos que no aeroporto se instaurava, tive que fazer sozinha. Até aí, normal, mas levantar sozinha uma mala que pesa quase trinta quilos, vou te dizer... E os funcionários do aeroporto tentando conter a fila daqueles que chegam em cima da hora. Com essa bagunça toda no check-in, na hora de escolher lugar, a balconista informa que vai onde tiver lugar e pronto. A chance de conseguir um lugar no corredor cai pra 30%.
Na hora do embarque, vôo atrasado. E a fila longa. Nem deu pra me distrair com meu game comprado a duras penas no final do ano (fiquei duas horas e meia na fila do caixa, será assunto pra outra hora), pois se começasse, no melhor do jogo, teria que desligar pois dentro do avião nem pensar! E 90% pessoas como eu, voltando pra ver a familia, sendo que dentro desse percentual, 85% não voltam nunca mais (ou até que a grana acabe ).Então, imagine esses 85% levando toda a parafernália possível para lotar os bagageiros, a família toda, a prole... xiiiiiiiiii....
Falando em prole, nada mais agradável viajar com uma família que tem uma mãe relapsa e um rebento birrento. Escreve embaixo que é batata que em qualquer viagem coletiva, sempre vai ter um assim! Atire a primeira fivela do cinto de segurança quem não passou por isso!
Vôo atrasado por uma hora. Nessa altura do campeonato a raiva chegando e a impaciência idem. Tem que dar as mãos pro céu e agradecer por eu não estar de TPM. Kinguio fazendo falta pra contar as piadinhas mesmo que infames, mas que fazem rir.
E vocês pensam que depois que embarca, a situação melhora?
Azar pouco é bobagem, pois na mesma fileira que estava (sentada no meio, de novo!), a tal mãe relapsa (parecia aquelas vagabas de funk, que sabe lá como o pobre coitado do marido arranjou) com o filho birrento. Imagine encarar uma viagem de um dia todo com parada em Nova York e o filho berrando ? Haja fôlego, hein, minha filha? Somando tudo isso com banco de classe econômica, insônia e comida que me caiu mal desta vez, diria que o que valeu a pena foi a tela individual que o Jumbo Mágico te proporcionou para assistir aos últimos lançamentos - "Mr and Mrs Smith", "Four Brothers", "In Her Shoes" e "Madagascar", este por sinal assisti três vezes - e escutar as dançantes "Bold and Delicious" da poderosa Ayumi e "Hang Up" da mais-poderosa-ainda Madonna.
Espero que a volta seja melhor que a ida. Kinguio, me espere no dia 26 que vai ter muuuuuuuuuuuuita história pra ouvir desde a saída de Narita.