Thursday, March 30, 2006

Final de mês

Chega final de mês, quase sempre a mesma coisa - ter que fazer o maldito balanço mensal das despesas de casa. E também é a época que tudo é descontado do meu salário - aluguel, fatura do cartão, conta do telefone... Sempre digo para muita gente que dia de salário é dia de transferência de pagamento. Um tal de pagar as contas, fazer o passe do trem que tenho que pegar todo santo dia (sim, nem no meu dia de folga escapo de ter que pegar trem para ir a tal lugar). Que seja, mas chega o final do mês, toca sentar na cadeira e fazer as contas. Tem dias que chego a conclusão de que:

- preciso parar de parar nas cafeterias e matar o tempo ocioso tomando café. Mas a verdade é que: peguei o maldito hábito dos japoneses de ficar estudando enquanto se toma café.
- preciso aproveitar as ofertas das lojas que tenho o "point card". Se bem que em uma farmácia, já juntei 500 pontos, então dá pra comprar dois refis do sabonete Dove e só precisaria dar uns 100 ienes para completar...
- preciso parar de comprar sucos ou chás no meio do caminho, dizem que o ideal seria você mesma fazer o seu chá em casa, mas cadê um pet bottle vazio quando a gente mais precisa???

Realmente, têm dias que penso em fazer algum servicinho extra nas minhas horas vagas. Na esquina de casa, tem uma loja de conveniência, que tem um cartaz que precisa de funcionários para trabalhar no horário das 6 as 9 da matina, mas quem aceitaria uma descendente como eu, mal fala direito o japonês e ainda precisa mexer na caixa registradora??? Olha, colocar os produtos nas gôndolas e receber mercadoria, limpar o banheiro e a loja, sem problemas, mas caixa registradora nem matando! Além de ter grande responsabilidade ( não que eu não tenha, mas aqui o povo é pra lá de desconfiado! ), olha minha cara de quem chega perto dessas coisas...
Uma quadra abaixo da minha casa, também tem outra loja de conveniência, mas cairia no mesmo dilema que comentei há pouco, então melhor remover essa idéia da cabeça.
Na avenida de casa, tem um "discount store" que fica aberto das 10 da matina as 5 da matina do dia seguinte. Vi um cartaz ontem, pois a loja fica no trajeto casa-ponto de ônibus, precisando de pessoas para trabalharem das 6 as 9 da manhã, horário que a loja fica fechada para limpeza e reposição de estoque, justamente para fazer esse serviço. Pensei nisso, mas será que implicariam na minha idade? E pedem rapidez. Bom...
Em janeiro, a revista Caz trouxe um artigo sobre "Como economizar". Uma das dicas que a consultora financeira indicou, seria fazer servicinho de um dia ou algumas horas, como lavar túmulos, ser extra de filmes e comerciais, ajudante de mudanças ou cargas, faxineira de apartamentos vagos...
Mas... será que valeria MESMO a pena???
Se bem que sempre deixo pra pensar depois, mas depois que olho a carteira, a caderneta bancária e lembrar que levarei mais quinze dias pra receber o próximo salário e começaria tudo de novo, começo a rever tudo isso.

Será que aceitariam uma mulher na casa dos 30 para alguma coisa extra???

Saturday, March 25, 2006

Reservado

Toda vez que chega o final de semana, fico pensando em mil coisas pra fazer, como limpar a casa, passar a roupa e pensar no que farei depois do almoço. Como hoje além de fazer tudo isso e ir ao médico, resolvi dar uma ida num salão de estética que consegui um cupom semana retrasada. Qual minha surpresa que teria que fazer reserva antes! Fui ver a fila que estava na prancheta do balcão de informações, tinha gente até seis da tarde!!! E ainda a gentil balconista pergunta pra mim se eu poderia esperar quatro horas. Ah, não, o negócio foi marcar pra semana que vem. Meio-dia.
O que um pouco mata a gente aqui, é ter que fazer reserva pra tudo. Quando digo tudo, é TUDO mesmo. Viajar para tal lugar e reservar hotel ainda vai lá, mas marcar hora pra ir jantar em um restaurante familiar, já vira o cúmulo!!! Uma vez, fui cortar o cabelo e nunca precisei marcar hora no salão que costumo ir, a cada três meses. Minha surpresa foi que justo naquele dia acabei por esperar mais de três horas no salão, lendo tudo o que era revista pra chegar a minha vez.
Depois é um tal de alugar um DVD pra assistir num final de semana modorrento. Vai na prateleira e cadê aquele filme que você quer assistir? Tem que reservar. Vai comprar um CD que acabou de ser lançado ( se bem que é a coisa mais difícil desde que descobri a Book-Off), tem que reservar. Felizmente, as revistas não precisam ser reservadas, porém livro...
Vai chamar a galera pra um happy hour? Toca ligar pro izakaya da esquina e ver se tem hora vaga. Vamos jantar fora com as amigas? Liga antes pro restaurante se dá pra reservar lugar pra dez. Caramba, têm certas coisas que irritam a gente ficar ligando e perguntar se tem lugar! Isso porque ainda meu japonês é razoavelmente compreensível, imagine aqueles pobres coitados que ainda confundem açúcar com sal.
Se bem que, quando é promoção de alguma coisa exorbitantemente cara, não tiro a razão de ter que ligar e reservar o seu. Quando fui tentar ligar em uma clínica de estética para ver se conseguia uma depilação a 90% de desconto, a atendente pediu desculpas mas não tinha mais nem vaga nem pra uma consultoria prévia! Isso no que dá eles fazerem promoção de curta duração e ficarem divulgando nos vagões dos trens...
Lembrei-me de uma outra coisa quando fui comer um simples lanche em um fast-food no centro de Shibuya - até as mesinhas estavam com a tabuletinha de "Reservado". Vai ver depois, vem uma cambada de gyarus devidamente paramentadas com quilos de maquiagem e se equilibrando em salto 15. Affffffe...
Pois é, quando se tem promoção, não esqueça de fazer sua reserva.
Pensando melhor, aprenda a falar "yoyaku shitai desu"....

Tuesday, March 21, 2006

Quem dá, tem que receber

Antes que o (a) leitor (a) mais desavisado (a) pense besteira mas já pensou ao ler o título, não é nada disso que vocês pensam!
Depois de quase uma semana de atraso, muito serviço e saindo cedo de casa pra encarar o maldito Tokaido, devido idas às reuniões marcadas em cima da hora, lembrei-me que tinha que escrever algo sobre o dia 14 de Março. Dia da Mulher? Quase isso.
Neste dia que passou, uma semana atrás, tivemos a retribuição, referente ao dia de São Valentima,se é que vocês ainda lembram...
Mas que seja: neste dia, ganhamos a volta. Não foi um Godiva da vida, mas qualquer chocolate pra nós é lucro! eheheh.
Mas também tem gente que ao invés de receber uma caixinha de chocolates ( nem que fosse da loja de 100 ienes ), ganha... marshmellow! Sim, aquele doce fofo, parecendo esponja. Como o dito é meio sem-graça comendo puro, acho que é por isso que têm rapazes que dão isso como sinal de que não quer compromisso com a menina. Ou do tipo "se manca que não tou a fim". Bom antes ganhar algo do que sair de mão abanando.
Ultimamente, as japonesas estão comprando pra elas mesmas! Sim, tem gente que paga vinte mil lascas pra uma caixa de vinte chocolatinhos - e não é Godiva! - de uma marca belga, sei lá.
Vinte mil pra um chocolate? Pensando bem, vinte mil em minhas mãos, compraria uma nova impressora, dava entrada num PC novo, viajaria, ah, tanta coisa faria do que comprar uma caixa de chocolates que depois a conseqüência final seria algo que não seria agradável descrever.
Mas, porém, contudo, entretanto, chocolate bom mesmo são aqueles baratinhos mesmo, sabem? Aquelas barras de 89 a 100 ienes da Morinaga, Meiji... que a gente compra a qualquer hora na conveniência da esquina.
Mas que ganhado é mais gostoso, isso não discordo!

Saturday, March 11, 2006

Alergia, alergia

Início de primavera, todo ano, ao menos aqui, sempre é a mesma coisa - as farmácias e lojas vendendo tudo o que é produto para kafunshoo - ou alergia ao pólen do cedro. E dá-lhe propagandas de produtos que diminuem a quantidade de pólen que se gruda em sua roupa, sprays para "matar" os pólens na casa (especialmente quem tem crianças e pessoas alérgicas), colírios, lava-olhos, remédios e... máscaras! Sim, aqui, se não é resfriado, é alergia, e todo mundo usa máscara, especialmente aquelas descartáveis. Sabem aquelas máscaras que os médicos usam? Pois é, aqui é normal para qualquer pessoa fora da área médica. Mas o turista mal-informado pode achar que todo mundo virou bandido ou fora-da-lei e não quer ser descoberto e nunca mais voltar. Se bem que, com essa alergia, não tiro a razão.
Tudo começou muitas décadas atrás quando o governo daqui resolveu reflorestar o interior do país. Bela iniciativa, se eles não tivessem a infeliz idéia de se plantarem cedro. O pólen dessa árvore tem um poder devastador de derrubar qualquer um a base de espirros e olhos coçando pior que se entrasse um cisco. E dá-lhe inalações, colírios e sair de casa de máscara (não, ninguém está imitando o infeliz do Wacko Jacko). E lencinhos de papel. Pior que não pode ser qualquer papel, não. Aqueles lotion tissues são muito bons, mas o precinho... Melhor isso do que ter o nariz literalmente assado. Quem fica com resfriado mais coriza, sabe do que eu falo.
Todo início de primavera, meados de fevereiro, março... já podem preparar o bolso e ir nas farmácias mais próximas e comprar seu arsenal de sprays anti-kafunshoo, colírios, lava-olhos (um líquido que você coloca em um copinho e coloca no olho pra lavá-lo. Quem não souber fazê-lo direito, corre sério risco de tomar um banho ) e máscaras. E máscara, pode comprar de pacote com 15 a 20 unidades, pois como ela é descartável, já sabe, né?
Sem falar nos remédios, comprimidos e vitaminas para amenizar kafunshoo, pois ela não tem cura 100% mas ao menos os efeitos são menos devastadores.
Hoje está um dia lindo, sol brilhando. Sinal que hoje o kafunshoo virá com tudo e terei que ir ao médico que não é especializado neste assunto...

Thursday, March 09, 2006

Sunday, March 05, 2006

Sessão Pipoca

Diferente do Brasil, ao menos na época que ainda lá morava, aqui, para ir ao cinema, exige bolso e paciência. Ainda mais se tratando de pré-estreia.
Nas minhas férias de janeiro, não fui ao cinema. Motivo: filme dublado pra mim, não funciona. Depois dos 18 anos, ir ao cinema, só se o filme fosse legendado. Não sei, pra mim, filme original com legendas me emociona e me entretem mais do que um filme dublado. Salvo os desenhos da Disney de alguns pares de décadas atrás.
Perdi Harry Potter? Tudo bem, não assisti os anteriores, pra mim não iria fazer diferença, a não ser que eu tivesse assistido os anteriores.
Crônicas de Nárnia? A pré-estréia foi ontem, mas como sei que semana que vem ainda estará em cartaz, então nem esquentei a cabeça (tanto assim).
Brokeback Mountain? Esse sim, tinha que ter passado em janeiro no Brasil! Nem que fosse até outra cidade ou ficado mais tempo em São Paulo, eu iria. A pré-estréia também foi ontem, mas imagine uma pré-estréia de um filme que ganhou o Leão de Veneza e grande forte concorrente a papar o Oscar este ano, passar em um cinema escondido no meio de Shibuya!!! Ah, ao menos uma Toho ou Warner, por favor... Mas um cinema cujo nome nunca ouvi falar, tive que andar pacas pra encontrar e quando encontro, todas as sessões lotadas. E olha que comprei ingresso antecipado.
Bom, o jeito é se conformar e ir assistir no próximo sábado, já que antes terei que dar uma passadinha no médico. Se chegar duas horas antes, já garanto minha poltroninha no meio e um balde de pipoca. E um refrigerante pra digerir.
E também uma caixa de lencinhos de papel. Não, não é por causa do (maldito) kafunshoo que estou tendo neste inicio de primavera!!!




Preciso assistir logo a este filme!!!

Saturday, March 04, 2006

Eu, Kinguio Encantado e Masaharu Fukuyama

Em sete anos de convivência em comum com meu Kinguio Encantado, cada vez mais cresce a vontade da gente ficar mais junto. Não importa se ele trabalha em uma cidade e eu em outra. Mas a gente divide o mesmo lar apertado lar, o mesmo quarto, as mesmas músicas...
Ops, eu disse músicas? Pois sim, antes de conhecê-lo, entendia muito pouco, se não quase nada, de música japonesa. Quando morei um ano e tanto em uma província bem longe de Kanagawa, escutava devido minhas colegas de casa que gostavam de assistir aos dramas japoneses e ia lá tocava uma música de fundo que posteriormente virava sucesso. Pouco a pouco eu ia procurando alguns artistas legais, comprava o single e ficava tentando transpôr para o romaji, a fim de não fazer feio em um karaokê, quando tivéssemos.
Quando conheci meu Kinguio Encantado, a procura por músicas japonesas aumentou, pois ele era e é um ávido fã de música japonesa, devido sua infância e adolescência indo em kaikans e karaokês da vida em São Paulo. E uns anos aqui aumentou tanto, que acabou levando pra casa trocentos singles e CDs. Quando resolvemos juntar as escovas de dente e a pouca bagagem pra mudarmos de vida e começar tudo de novo em Kanagawa, foi inevitável o estalo da gente ir procurar singles e CDs para ele me introduzir em um novo vício ( tirando o de chocolate...) - as músicas japonesas.
As músicas são variadas, desde o rock bestinha mas legal de curtir até as baladas açucaradas que dependendo enjoam de tanta sacarina. Não tínhamos ordem ou preferência de artista, o que a gente ouvia e via na TV nos programas noturnos de flashbacks, batata que no final de semana a gente estava indo em uma loja de segunda mão procurar o dito single de tal artista.
Foi numa dessas que entra o bendito Masaharu Fukuyama.
Tudo começou com dois singles que adquirimos em uma loja de segunda mão - "Good Night" e "It's Only Love". Eram dos anos 90, quando "ele era novinho ainda" (ahahah)e fazia muito sucesso quando era mais ator de novela que cantor. Se bem que só vi duas novelas e meia com ele. Meia, porque "Kajoo to Bijin" nem vi direito. Na verdade, tinha ouvido uma música dele - "Peach!!!" - em 1998 que foi música-tema de novela que uma amiga minha gostava. A música era legal, mas a capa do single... francamente, haja gosto! Mas quando ouvi "Good Night" e "It's Only Love", cai nas graças desse rapaz ( que é de Kyushu, como minha parte paterna ). Sem estrelismos, sem fofocas, fica muito na dele. Ah, e não usa pseudônimo como muitos por aí...
Um belo dia, em uma loja de CDs, meu Kinguio Encantado viu o CD duplo "Dear", custava caro pacas, tocou eu procurar em minhas idas e vindas de tratamento médico em tudo o que era loja de segunda mão que eu pudesse encontrar. Quando encontrei, era pegar ou largar. Tudo pelo Kinguio! O CD ficou meses e meses no nosso CD-Player do carro pra cima e pra baixo.
Pra quê, né? Pra começar a gostar do moçoilo, foi um pulo! De "Good Night" passei pra "It's Only Love", "Sakurazaka", "Heaven", "Niji"...
Pior que até hoje meu Kinguio Encantando fica me tirando sarro porque gosto do Masha.
Mas parte da culpa foi dele pois quem foi que ficou me torrando pra comprar o dito CD duplo que custava os olhos da cara???
Mas não troco meu Kinguio Encantado por ninguém deste mundo!!!


O primeiro single que começou tudo...

Este foi o segundo da coleção...

Este CD duplo, "the best of", me deu uma canseira de procurar...

Thursday, March 02, 2006

When I was young...

...I'd listened to the radio/ waiting for my favorite songs...

Ultimamente não ouço rádio direito, tampouco assisto TV. Não sei se é devido ao tempo corrido ou não encontrei até hoje alguma rádio com programação legal. Se fosse de carro todo santo dia pra Tóquio, pode ser que sim, mas na altura do campeonato, a distância e só de saber que estacionamento é caro pra dedéu, o jeito é pegar trem mesmo. E quem diz que hoje em dia se vendem radinho de pilha? Só os mais velhos ficam ouvindo, com um fone de ouvido. Um lado só! E com essa onda de MP3 e outras coisas mais ( que só não comprei o meu ainda, por falta de incentivo financeiro e meu PC mais pra lá que pra cá...), a gente se contenta quando passamos nas lojas e escutamos o último sucesso de fulano ou sicrano. Que também já nem sei mais quem está no topo das paradas daqui ou acolá.
Saudades dos tempos que eu sintonizava a Rádio Cidade de Bauru e ficava madrugadas insones ouvindo músicas do tempo que muita gente que eu conheço nem sabia... Saudades que a Rádio Transamérica era legal e não sabia... Saudades da Rádio Jovem Pan, que no antigo serviço, a gente tinha que jogar a antena FM (um fiozinho vermelho) do outro lado da janela e virar o rádio de cabeça pra baixo pra ver se pegava só pra ouvir "A Hora do Pânico", que era mais legal do que hoje....
Mas felizmente a internet é sábia e a gente consegue encontrar em alguns sites legais as músicas que gostamos até hoje.
Uma pena que meu PC ainda meio baqueado, senão meu HD estava perdido!

There's in your heart
Someting that's never changing
Always a part of
Something that's never aging
That's in your heart...


Esqueci de postar certas coisas no dia 25 de fevereiro, mas não esqueci daquele que nunca esqueceremos.
Principalmente a gente que é beatlemaníaco.
Happy Birthday George Harrison, wherever you are.

It's not the way you smile, that touches my heart...