Sunday, September 24, 2006

Curtinhas

A relação álcool-carro nunca combinou desde que o mundo era mundo.
Um copo de cerveja + carro + batida policial = três meses de salário.

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Godzilla está em boa forma. No Japão, virou propaganda de máquinas fotográficas e nos Estados Unidos batendo inúmeros home-runs...


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Takuya Kimura, o Kimutaku do SMAP, se não faz novela, faz comerciais.
Alguém o reconheceu na propaganda da Fujitsu, em que ele parodia "Thriller" do Michael?

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Muita gente que mora aqui reclama do atendimento nas lojas.
Queriam que fosse no Brasil, em que as vendedoras te seguem como se fosse uma sombra e piando no seu ouvido?!

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Adoro sushi e sashimi. Mas dois pastel (sic) não faz mal a ninguém!

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Homem deveria saber que não se mexe em mulher nervosa.
Ou são tapados ou são masoquistas. Em 90% dos casos, fico com a segunda opção.

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No momento que você anda com uma roupa que não combina as cores, e ficam notando, não se esqueça que esse tipo de combinação (?) vale somente para Shibuya e Harajuku.
Ginza não dá certo!

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Pior de andar de salto alto, é enroscar o dito na fenda da calçada e deixar metade do salto lá.

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Falando em salto alto, aqui não sei como elas conseguem correr sem virar o pé e/ou levar um tombo. Ou eu que nunca parei pra perceber isso.

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O texto de hoje são somente fragmentos do dia a dia.
Aproveitando e por favor, na medida do possível, dêem um sinal de vida, postando um comentário, vai...


Ele voltou a atacar e agora acompanhado!!!

Thursday, September 21, 2006

O que foi notícia ( continuação)

Não sou de assistir a jogos de beisebol porque não entendo. Mesmo tendo marido que já foi jogador na adolescência nos tempos em que ainda os kaikans tinham grande força, nunca consegui entender como se joga. A não ser participando em um deles, mas como pra mulheres se chama softball, fiquei na mesma.
Ultimamente o que chama mais a atenção nos jornais, não é a eterna cabeçada do Zidane, nem as performances de Ronaldinho Gaúcho, mas duas personalidades que caíram no gosto do público...

O Príncipe dos Lencinhos: Geralmente jogos de beisebol de colégio revelam novos talentos para os grandes clubes. Ichiro, Shinjo e outros mais cotados começaram desta forma. Mas obtiveram fama depois de fazerem carreira nos grandes clubes, mas nunca antes. Exceção feita recentemente a um colegial de Waseda, que ganhou notoriedade nacional. Yuki Saito, jogador do clube colegial da Universidade Waseda, além de levar o clube a vitória no campeonato nacional, pela primeira vez, ainda ganhou fama pelo fato de usar ... lenços para enxugar o suor do rosto. Chegou ao ponto de ser idolatrado pelas donas-de-casa, derrubando o ator coreano Bae Young Joon na prefência delas, conforme lido neste artigo.
Detalhe: Saito não está nem aí com o barulho.

A Volta de Godzilla: Depois de ter conquistado Tóquio, agora ele está tentando conquistar os Estados Unidos. Com sua força, tamanho e inúmeros home-runs... Home runs??? Pra quem estava pensando que estava falando do monstrengo Godzilla, que pela enésima vez destrói Tóquio em seus filmes, enganou-se. Estou falando de Hideki Matsui, ex-jogador do Yomiuri Giants e agora batedor no New York Yankees. Famoso pelo tamanho e pela velocidade de rebater as bolas, ganhou o carinhoso apelido de Godzilla por motivos óbvios. Imagine receber uma bolada rebatida desse sujeito, que chega a uma velocidade de 140 km/hora. Ficar em coma seria pouco. Mas, em maio deste ano, ao pegar uma bola durante um campeonato, caiu de mau jeito e quebrou o pulso. Depois de muita reabilitação e merecido repouso, os rivais tiveram uma surpresa quando, este mês ele voltou. E com a mesma força de sempre.

Imagine levar uma bolada rebatida por ele!

Shinjo, o performancer: Fala que vai se aposentar, mas sempre está na mídia, seja na propaganda de agência de viagens seja em café enlatado. Tsuyoshi Shinjo, rebatedor do clube Nippon Ham de Hokkaido, sempre a cada início de partida, ele sempre está lá, fazendo alguma surpresa, ou mascarado ou aparecendo do alto em um globo de discoteca. Mais recentemente, deu de ser mágico - algemado em uma caixa, aparece depois pilotando uma moto! Será que os jogos são tão monótonos assim ou ele está ganhando alguns trocos por baixo?

Ichiro vai bem, obrigado: Acharam que depois de tudo isso, o famoso Ichiro Suzuki, do Mariners, estava fora de cena? Ele ainda está na ativa, continuando a defender o seu time ( e dá-lhes home runs) e também o oficial japonês. Sem falar da propaganda do energético Yunker, o qual ele aparece vestido com o uniforme oficial do time do Japão, claro.


Se depender dos fabricantes, este menino vai acabar impulsionando a venda de lencinhos pelo mundo afora...

Saturday, September 16, 2006

Here we come...

Que os Beatles pra mim continuam no topo do meu Pedestal de Bandas Favoritas, isso não nego. Bom, eles só perdem no meu top top das coisas favoritas que é meu kinguio encantado, mas isso é outra história.
Caham, voltando.
Além dos Beatles como Banda Favorita, tenho outras também. Quem me conhece, até hoje tem gente que não acredita que eu também gosto dos... Monkees! Sim, outro quarteto - que não é de Liverpool - que até hoje carrega o título de "banda pré-fabricada".
Tá, que os quatro foram escolhidos por testes e seleções, isso ninguém nega. Mas que eles demoraram pra provar que sabiam REALMENTE tocar instrumentos e compôr...
Muita coisa se confunde, se a série foi criada pra vender discos ou se os discos foram o que puxaram pra elevar o ibope do seriado. Sinceramente, não sei. Mas nunca neguei que, enquanto estava começando a descobrir os Beatles, a série dos Monkees passava semanalmente na antiga Rede Bandeirantes, nas tardes de sábado (faz tempo, hein?) e depois de mais de quinze anos fui encontrar as séries quando a Rhino relançou, mas encontrar novamente... E eu nos meus dez ou onze anos, escutando "She Loves You" e assistindo os seriados. Tudo a ver, né?
Poderiam os Monkees serem a "resposta americana aos Beatles"? Depende da interpretação de cada um, ou do gosto de cada um. Obviamente cada fã ia defender o seu peixe. Afinal, os anos 60 estavam aí e o que viesse de novidade era lucro. Claro que depois dos Beatles terem ido aos EUA em fevereiro de 1964, surgiram várias cópias, muitas delas "one-hit wonder" e depois sumiam, para depois aparecerem em sites alternativos, vamos dizer assim. Tá bom, Rolling Stones e The Who eram um caso à parte...
Voltando ao tópico. Podem dizer que os Monkees era uma cópia fabricada dos Beatles, devido ao critério de seleção, por serem quatro e usaram quase a mesma roupa, sem falar das músicas que um pouco se assemelhavam aos Beatles circa 1963. Mas, muita gente veio a descobrir que dois deles realmente tocavam de verdade e dois deles eram realmente atores. Por mim, os produtores já tinham as pessoas certas, fizeram a tal da seleção somente por puro marketing.
O que dizer das séries? Beirando ao nonsense e paródias de alguns sitcoms da época, de mais de 50 episódios, sempre um ou outro beira ao sono, não me pergunte quais. Só não fizeram paródia com "Star Trek" até onde eu sei porque os produtores da série, sabendo que ia perder ibope na onda dos Monkees, resolveram pôr o russo Chekov pra ver se a audiência levantava. Bom, é que ele, novo e com aquele cabelo a la Beatle, imaginem se não era pra competir com os Monkees, vai!
As músicas, bom, achei que foram compostas somente pra animar as séries, porém depois eram lançadas em disco, pra aumentar o cofrinho do Kirschner, o produtor que manipulava tudo, que depois de 1967 foi literalmente tirado de cena. Que os dois primeiros álbuns eram 90% compostas por outros artistas, era inegável, afinal, todo mundo fazia a mesma coisa. Mas tinham lá suas pérolas, como "I'm a Believer", "I Wanna Be Free", "Last Train to Clarksville" além da faixa título. A surpresa foi quando veio uma música composta por um deles, Michael Nesmith, "Mary Mary" (que depois foi regravada pelo grupo Run DMC), que foi também sucesso devido ter aparecido em um dos episódios.
Depois de 1967, eles nunca mais foram os mesmos. Quem escuta "Headquarters", o terceiro álbum, já dá pra notar o ínicio da independência do quarteto. A começar pelas músicas, que já não soavam tão grudentas no ínicio. Sem falar do encontro dos quatro com os Beatles durante as gravações de "Sgt. Pepper's", quando os Monkees foram à Inglaterra. Uma das provas está no vídeo "A Day In The Life", onde Michael Nesmith aparece ao lado de John Lennon, em uma das cenas. Passa rápido, mas usando o efeito quadro-a-quadro, dá pra ver nitidamente! Mas o álbum seguinte "Pisces, Aquarius, Capricorn and Jones Ltd." é o pico da carreira dos quatro, que apesar da série ter declinado um pouco, o álbum é tido como um dos melhores deles. O primeiro álbum a ter uso de sintetizadores Moog, o ínicio da psicodelia... Mas também marcou o fim da inocência dos episódios.
Mesmo depois do grupo ter se desmantelado no final dos anos 60, volta e meia eles aparecem pra vários shows ao vivo, pontas em episódios, participações de fã-clubes... E a reprise dos episódios ( até hoje não vi! ), relançamentos dos álbuns pela Rhino (especializada em resgatar raridades obscuras dos anos 60) e um box-set que reuniu canções inéditas.
Algumas curiosidades, pra quem não sabia e elevar (um pouco) a credibilidade desta banda:
- Micky Dolenz era filho do ator George Dolenz, que participou em filmes como "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse". Como um pouco era de esperar, Micky também foi ator aos 8 anos na série "The Circus Boy".
- Davy Jones estava no elenco de "Oliver" no papel de Artful Dodger, cujo musical esteve no "Ed Sullivan Show", no mesmo dia em que os Beatles iam fazer sua primeira aparição na TV americana!
- O mesmo Davy nasceu na Inglaterra, em Manchester. Notem bem quando ele fala, devido ao sotaque.
- Falando em sotaque, Michael Nesmith tem um sotaque muito bem acentuado. Tudo porque ele nasceu em Houston, Texas (precisa explicar mais?).
- O ano correto de nascimento de Peter Tork é 1942. Os produtores divulgaram 1944 para ninguém achar que ele é o mais velho dos quatro.
- "Daily Nightly", de 1968, foi a primeira música a usar sintetizadores Moog, pioneiro nessa área.
- "Randy Scouse Git" teve seu título mudado na Europa pois "scouse" é gíria para "pervertido", na Inglaterra. Quem comprar algum CD prensado na Europa, vem como "Alternative Title".
- Peter Tork é autodidata em música - aprendeu sozinho durante a adolescência a tocar banjo, piano e guitarra. E os produtores cismaram de pôr ele a tocar baixo!!
- Michael Nesmith é um dos três músicos do mundo a possuir a raríssima guitarra Gretsch de 12 cordas. Os outros dois eram Chet Atkins e George Harrison.
- O que Davy Jones e David Bowie têm em comum? O nome. Apesar de David Bowie se chamar David Robert Jones, foi obrigado a mudar de nome quando entrou na carreira artística para não ser confundido pela mídia.
- Sabe aquele corretivo Liquid Paper que a gente usava para apagar eventuais erros de escrita? Pois é, foi criado pela Bette Nesmith-Graham, que era a mãe de Michael Nesmith.
- Pouca gente sabia, mas existem poucas (e raras) fotos de um show que eles fizeram na Inglaterra em que Micky Dolenz e Michael Nesmith estão usando faixas pretas nos braços. Alguém de luto? Não, protesto contra a sentença dada a Mick Jagger e Keith Richards naquela batida policial, que muita gente do meio artístico diz que foi implicância das autoridades só porque eram os Rolling Stones.


Alô? Somos um quarteto querendo marcar hora pra uma gravação de um disco...
Não, nós não somos de Liverpool!

Thursday, September 14, 2006

Viagem musicada

Quem me conhece, sabe que todo dia vou e volto de trem sentido casa-serviço-casa, e a viagem dura uma hora, isso se não acontecerem incidentes (se bem que ultimamente, as linhas que costumo ir e vir não tiveram problemas, somente com as outras...). Viagem de trem, dependendo do dia, pra mim vira uma diversão ou vira uma monotonia. Fazendo o mesmo caminho todo dia e noite, dá nos nervos. Ainda mais se dá o azar de voltar ou ir em pé, sendo espremida feito limão e correndo risco de ter suas partes tocadas seja acidentalmente ou não (eu, na minha condição de mulher, fico com a segunda opção).
Bendito seja louvado o criador do walkman, do CD-player, do MD-Player e outros microportáteis que a gente pode ouvir nossas musiquinhas favoritas e nem ver o tempo passar (e a estação onde vai descer também). Nessas horas de correria, nada melhor que uma musiquinha pra relaxar ou pra detonar de vez mesmo, dependendo do gosto musical de quem está ouvindo através de minúsculos ou macros fones de ouvido.
Desde que eu me conheço por gente, sempre gostei de ouvir música. Quando consegui meu primeiro carro, não pensei duas vezes pra colocar um sonzinho mesmo sendo um radio-cassete (no meu tempo, CD-player era artigo de extremo luxo!), apesar de ter levado uns meses de meu salário pra comprar um. Haja fita-cassete e ter paciência para sintonizar uma estação de rádio FM decente. Quem andava comigo, teria que me agüentar ouvindo por um percurso inteiro somente músicas dos Beatles. Ou preferiam passar uma hora e tanto de viagem só ouvindo o barulho do motor roncando?
Mesmo viajando de ônibus quando estudava na faculdade,nunca deixava de ouvir música via cassete através de um projeto de walkman que eu possuía. Bom, quebrava o galho.
Hoje, não consigo ir ao serviço sem levar o meu MD-Player. Por mais que estamos na era do i-Pod ou MP3, ainda continuo com os MDs, que parecem disquetes de 3 1/2" que eu usava nos tempos de computação, mas que a qualidade do som é boa...
Repertório, bom, varia. Pode ser o "álbum azul" dos Beatles bem como o "álbum azul" do Masha. Claro que tenho gravado também David Bowie, Field of View e Legião Urbana.
Só que, tenho que tomar muito cuidado pra não acabar acordando em outra estação, como algumas vezes me aconteceu. Um dia posso acordar em Odawara (Kanagawa) ou Takasaki (Gunma).
( Em tempo: desde que me conheço aqui, nunca ouvi uma música dedicada a alguma linha de trem, até que o ano passado, um grupo chamado Qululi - escreve-se assim, mas pronuncia-se "kururi" - compôs uma canção dedicada à linha Keihin Kyuko chamado "Akai Densha", pois os trens desta linha são... vermelhos!!! Daí a homenagem...).

Thursday, September 07, 2006

O que foi notícia

Ultimamente não tenho acessado aos meus jornais on line, minha conexão com a internet está mais caindo que fruta madura devido às benditas obras de ampliação da rua de casa e vive um inferno. Só consegui postar este texto a duras penas, com risco constante de uma hora pra outra... pif e perder tudo!
Bom, como a net está mais pra lá do que prá cá nesta semana, o que pude acompanhar foi via TV mesmo em japonês (cá pra nós, uma forma mais rápida e original de se aprender a entender a língua local).

Reciclando tudo o que aprendemos em ciências: Pra quem não lembra, sempre estudamos na escola que "o Sistema Solar é composto por nove planetas...". Tudo isso foi por buraco negro abaixo pois Plutão, o nono planeta, foi rebaixado de categoria. Assim como nas empresas existe o "downsizing", no Sistema Solar a coisa não ficou diferente. Plutão agora é classificado como... planeta anão!!! O que o oitavo planeta ficava lá no fim da fila, num frio de lascar nos confins do espaço sideral, até aí a gente leva em consideração, mas rebaixar o planetinha recém-descoberto na década de 1930... Se ele evoluir e criar algum tipo de vida que puder, quem sabe ele volta a ser planeta de novo.

Cow Parade em Tóquio: Isso eu postei anteriormente!

Depois de quatro décadas, um menino! Quem nasceu, mora provisoriamente ou permanentemente aqui no Japão, sabe que o Trono do Crisântemo aguarda o sucessor, e se entre os filhos do atual imperador não tivessem um herdeiro homem, iria ver a possibilidade de ter de volta uma imperadora (imperatriz é a esposa do imperador, pra quem não sabe). Mas como a Princesa Kiko deu à luz um menino, tiveram que pensar tudo de novo. O "milagre" aconteceu por que talvez não pressionaram tanto ela?!

Tuesday, September 05, 2006

Muuuuuuuuuuuuuuuu (Ou: As Vacas foram para... Tóquio!)

Não me lembro se foi ano passado ou este ano que houve uma grande invasão de bovinos coloridos e exóticos na capital paulista, mas que foi um sucesso, isso foi. Entreteve muita gente, receberam muitas críticas mas muitos elogios, deu uma trabalheira pro pessoal mantê-los em ordem! Do que estou falando? Das vacas da Cow Parade!
Pra quem não lembra ou pra quem não sabe (fica valendo mais a segunda opção), a Cow Parade foi criada em 1999 com o intuito de liberar a criatividade artística de pessoas comuns e expor as obras para todos verem. Após a exposição as esculturas são leiloadas para arrecadação de fundos para entidades sociais da cidade onde estará sendo exposta. Sim, as vacas são esculturas de fibra de vidro e estão em três posições (sem duplo sentido, por favor!) - em pé, ruminando e descansando. Feita uma seleção de quem vai participar, cada vaca tem seu patrocínio. Imaginem mais de 60 vacas com patrocínio! Nem time de futebol ou escuderia de Fórmula 1 tem tudo isso!
O que vale a pena nessa exposição é que além de ficarem ao ar livre, é na faixa! Imagine andar na Avenida Paulista, no calçadão de Copacabana, nos jardins do Teatro de Arame e dar de cara em uma vaca colorida!
Pois sim, é o que vai acontecer dos dias 6 de setembro a 1o. de outubro em plena Marunouchi, centro financeiro e comercial entre as estações de Yurakucho e Tóquio.
Estou mentindo? Pois olha aqui e depois a gente conversa...



Uma amostra do que Tóquio espera....

Saturday, September 02, 2006

Um "chopes" e dois "pastel"

Lembro-me dessa tirada na capa e contra-capa de um livro de língua portuguesa e gramática nos meus tempos de magistério - "Não erre mais". O pior que mesmo depois de formada na universidade, eu continuo pondo plural onde deveria ser um singular, mas isso não tem nada a ver com o que quero dizer.
A verdade é que hoje, no Meijikoen de Tóquio, teve a tarde o Festival Brasil, onde além de shows de música e dança brasileiras, o que nunca pode faltar são os quitutes e guloseimas típicas da nossa terra. Leia-se os famigerados, calóricos, engordurados, mas deliciosos e viciantes salgadinhos de boteco e feira. Já viram feira sem salgadinho nem caldo de cana? Seria o mesmo que os matsuris daqui não terem yakisoba e espetinho de frango, né? Pois bem, desde que eu me conheço por gente, feira livre era sinônimo de caldo de cana e salgadinhos de procedência duvidosa, mas a gente comia mesmo assim. Se ninguém até hoje foi parar no hospital... Uma das últimas vezes que frequentei uma feira livre, sabe lá quando foi, não resisti a tentação de comer um pastel de feira (mais massa que recheio, mas eu adoro massa de pastel, não sei, mas cada um tem seu gosto)e tomar caldo de cana com abacaxi. Olha, não existe coisa melhor quando se vai em eventos assim. Coxinha de frango com osso dentro? Quibe pra lá de pingando gordura de não sei quantas frituras? Risoles encharcado? Ah, mas isso é o que dá o toque final característico de um quitute de feira.
Nesse Festival, que perdi porque fui trabalhar, meus amigos foram e disseram que valeram muito a pena. Lotado, sim, pois japonês a-do-ra coisa diferente. A mesma coisa que os estrangeiros aqui vão em matsuris e resolvem encarar o yakisoba, o yakitori e até takoyaki (bolinho de polvo, típico da região de Osaka). Pode dar aquele piripiri depois, mas ao menos você encerrou a festa dizendo "comi algo diferente em minha vida hoje".
Comida também que não pode faltar em qualquer festival ou evento, ao menos no tempo de adolescente formando em magistério, eram os petiscos no Corpus Christi. Minha cidade natal, todo ano, em meados de junho, faziam a procissão do Corpus Christi. Passávamos a noite da véspera riscando e enfeitando as ruas com temas religiosos ou decorativos com pó de cana e calcário coloridos para no dia seguinte os turistas verem e tirarem fotos para posteriormente, no final do dia, a procissão passar por cima de todo aquele trabalho que levamos a madrugada toda fazendo. Boom, tanto esforço valia a pena e valia nota também na escola. E pensar que passamos trocentas noites trabalhando e vendendo vinho quente e quentão pra esquentar os ossos naquela madrugada para lá de gelada. Junho, no Brasil, queriam o quê?
Ah, sim. Os comes e bebes. Geralmente empanturravamo-nos de maçã-do-amor (doce que pra mim é pra lá de extremamente proíbido pra mim devido aos problemas que tenho nos dentes), churros ( o do treiler baurense dava de dez a zero!) e em cima de tudo isso, vinho quente e quentão, numa época em que o politicamente correto não caía em cima e as noites eram mais seguras. Claro que vendíamos bolinhos, doces e salgadinhos para arrecadar fundos para nossa formatura.
Festa do Doce todo 2o domingo do mês era de lei no tempo que estudei o magistério. Para arrecadarmos mais fundos para a formatura, apelávamos para um espaço no Mercado Municipal na faixa, cartazes feitos à mão por nós mesmas e também divulagação na rádio local e propaganda boca-a-boca. Isso no interior funciona que é uma beleza. E os doces que por nós mesmas eram feitos (numa classe de 20 e tantas mulheres, seria impossível alguém não souber fazer nem um brigadeiro de lata). Perdi a conta de quantas vezes enrolei brigadeiro ou fiz doce de batata-doce. Mas o doce que mais comum entre nós era o popular mas delicioso Pudim de Leite Condensado. Mas também era o primeiro que saía... Domingo, antes do almoço, as donas-de-casa enchendo as sacolas de verduras, ao menos leve a sobremesa. Afinal, domingo elas também precisam ficar um pouco longe da cozinha, certo?
Confesso: mesmo comendo a comida local, juro que não resisto a uma coxinha de frango com catupiry ou um risoles de carne... E acompanhado do famoso Guaraná Antarctica!
Ah, não esquecendo do "um chopes e dois pastel", por favor!