Thursday, April 26, 2007

Dois anos depois

No dia 25 de abril de 2005, nove e pouco da manhã de uma segunda-feira, os trens lotados de pessoas indo para o serviço (a grande maioria iniciantes devido ao novo ano fiscal que se iniciara), para as escolas ou para outras cidades fazerem compras e outros compromissos. E geralmente neste horário, os vagões lotados.

Quando eu mencionei no parágrafo anterior que alguns dos passageiros eram novatos, ingressando para o mercado de trabalho, esqueci de mencionar que também existem condutores novatos.

Só que quando se é novato, qualquer erro é motivo de cobrança. O condutor do trem tinha alguns meses de trabalho e já tinha levado várias advertências. Sabe como é aqui, pontualidade que daria inveja até aos britânicos. Os trens chegam e saem no horário em cima. Se atrasa, das duas uma: acidente (como queiram interpretar) ou condutor em experiência.

Eis o que aconteceu naquele dia 25 de abril de 2005. Nove e pouco da manhã. Segunda-feira apinhada, monte de pessoas indo para o trabalho, escola e outros compromissos agendados. Na província de Hyogo, próximo à estação de Amagasaki (da cidade homônima), o trem da companhia Japan Railway (JR) da linha Fukuchiyama, já estava meio que atrasado (questão de minutos) e o condutor, novato, resolveu fazer aquilo que muita gente faz quando se está atrasado e vai dirigir um carro: aumenta a velocidade pra ver se recupera o tempo perdido.

Tempo que para 106 pessoas e ele, parou às 9 e 18 da manhã daquele dia.

A matemática de excesso de velocidade mais curva, resultou em que o trem inteiro passou reto da curva, onde teria que ter diminuido a velocidade e foi parar em um prédio de apartamentos. Acreditem, o prédio não caiu, mas as pessoas que estavam nos primeiros vagões nunca mais retornaram para casa, nem chegaram ao seu destino.

Lembro-me deste acontecimento: estava ainda em casa quando os noticiários, ao vivo, transmitiam as imagens dos vagões retorcidos e a equipe de resgate tentando salvar os passageiros. Mas devido ao estado dos primeiros vagões (o segundo literalmente virou folha, quem sobreviveu neste vagão, provavelmente teve seqüelas), seria um milagre encontrar algum sobrevivente dentro deles.



Só pra vocês terem a dimensão da tragédia.

Dizem até hoje que houve inúmeras falhas, como falta de sistema de frenagem (que seria um dispositivo nos próprios trilhos, que faria o trem diminuir a velocidade), falta de treinamento no condutor e até agora dizem que não resolveram a situação.

Mas os familiares das vítimas perecidas sabem que tudo isso não será esquecido.



Dois anos depois, os familiares oram pelas suas vítimas.

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