Thursday, July 12, 2007

Dia de Exame

Sim, eu entendo que anualmente um exame médico geral sempre é bom fazer, ainda mais na idade que estou, qualquer sintoma estranho pode ser caso de internação (espero que nunca seja). Porém, quando chega o dia do exame, pra mim começa o ritual tortuoso que, ao final, sempre digo que "da próxima vez vou pedir folga" (o que nunca faço).

Eu explico: na idade que estou, necessito fazer todos os exames necessários. Já começa pela coleta de material dois dias antes de ir pra clínica. Só que sempre neste dia, parece que meu intestino sabe que tem que coletar material e aí nem tomando chá de ameixa sai!

Na clínica, onde tenho que chegar o mais cedo possível, já tem fila. Claro, não é só eu quem marcou exame pro mesmo dia que vinte ou trinta pessoas na mesma situação. Fazer jejum é fácil, difícil convencer meu estômago que tenho que ficar até o final do exame sem comer nada. E água só em conta-gotas.

Um dos exames que não consigo ver é a coleta de sangue. Primeiro porque pra encontrar a veia pra ficar a agulha já é difícil. Segundo, como tenho problema de pressão muito baixa demais, se eu ver enfiando uma agulha na pele e tirando aquele líquido vermelho, acordarei no hospital. Portanto, quem me ver no banco de sangue, com o rosto virado ao contrário da visão da enfermeira, não se espantem: o que os olhos não vêem, o corpo não sente. Eu acho.

O tal do exame ginecológico, pra mim deveria estar no topo dos terrores de ir ao especialista. Dentista, ainda a gente agüenta, mas ginecologista... Já começa pelo fato de tentar explicar certas coisas, mas acho que é melhor nem explicar as certas coisas... Com medo de explicar errado, isso sim! Ah, esqueci: logo depois do exame de urina, você vai num quartinho e troca de roupa e fica somente com um camisolão com duas cordinhas do lado. E com a parte de baixo, se é que me entenderam.

Voltando, já achava um terror ir ao ginecologista na minha terrinha pelo fato de eu achar que ele vai pensar um monte de mim, sendo que ele encara coisas bem diferentes e piores todo dia. Imagine aqui. Tudo bem, a gente que é mulher, tem que ir periodicamente devido a prevenção de câncer de mama e de útero, aquela história toda, mas imaginem entrar numa salinha, onde ficam você, o médico e a enfermeira, presenciando tudo e vendo tudo. Imaginem então a vergonha que eu passo de ter que mostrar as partes púdicas pra uma pessoa que nunca vi em minha vida. Tá, ele é especialista, mas fica difícil relaxar deitada naquela maldita posição que se você quiser fugir, cai estatelada no chão. E sem calcinha.

E foi só rindo pra não sentir [tanto] o desconforto. E pensar que depois era o exame do estômago. Nessas alturas do campeonato, acho que se tivessem que me usar como cobaia pra dissecação, nem ia sentir. Nem sai o que é pior: ter sua intimidade invadida por uma mão enluvada e um cotonete enorme ou tomar um líquido parecendo gesso e sendo virada pra cima e pra baixo pra ver se você está com a digestão em dia.

No final, quando falo pra muita gente que de meia em meia hora tenho que ir ao banheiro pra tirar aquele líquido de mim, tiram um da minha cara! Haja purgante! Mas ainda bem que isso a gente encara uma vez por ano. Julho que vem tem mais.

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