Sunday, March 25, 2007

Yokohama nimo attanda....(*)

ou: como é que eu vim parar aqui de novo!!!

Bom, hoje, domingo, dia 25 de março de 2007, dia nublado e tentando chover de novo em Yokohama. Todo dia de folga, principalmente quando resolvo tirar dois dias seguidos, resolve chover. Mas desta vez, mesmo com chuva, eu tinha que ir lá nem que fosse debaixo daquele temporal. Afinal, o Yokohama Arena é totalmente coberto.

Ah, explicando: novamente estava eu, saindo do nosso lar apertado lar pra ir ver meu ídolo (que vem depois do kinguio, claro). E daí que já fui até Saitama só pra três horas de show do Masaharu? Como a gente sempre diz, gosto é que nem traseiro, todo mundo tem o seu, então tá!

Voltando, estava eu no Yokohama Arena, ameaçando chover e um friozinho em plena primavera! Mas acham que iam me impedir de ir assistir o show "17 nen mono arena tour"? Nem que ficasse em pé! Bom, foi o que aconteceu, só restou ingresso pra ficar em pé, fazer o quê! A gente não tem culpa se o rapaz faz sucesso, né?

Duas horas e tanto plantada na frente do local, estava na esperança de passar um "scrapbook" pra ele, mas como não levo sorte pra essas coisas, o negócio foi esperar, esperar, esperar. E olha que o ingresso é numerado, vai por ordem mesmo, então não tinha porque chegar tantas horas de antecedência. Bom, sabe os souvenirs? Não precisa explicar mais nada, né?

A hora do show: claro que, quem foi nos shows anteriores, já sabia mais ou menos o repertório. Mas quando começou os primeiros acordes de "Niji", a mulherada quase desabou a Arena, isso porque era o último dia em Yokohama... Modo de dizer, pois o local estava lotado, lotado, lotado. E fora mais de 300 pessoas em pé, entre o balcão do "Stand" e "Arena". Em japonês se chama de "tatimi", ou "ver em pé". Só que, quem entende muito bem japonês, virou trocadilho com aquela dupla de gêmeos gordinhos, isso é outra história.

Claro que a Pepsi, patrocinadora do evento, trouxe de brinde no palco o ator Satoshi Tsumabuki (o preferido de uma amiga minha) e a Erika Sawajiri (a gente dispensa, ainda mais em um show em que 90% era da ala feminina). Mas como dizem, o show não deve parar!

Chorei novamente ao ouvir "milk tea" e "Tokyo nimo attanda". E no final, ao contrário que pensei, não encerrou com "sakurazaka" mas com "tooku e", acústico e com direito a gaita.

Se valeu ficar quatro horas em pé? Melhor do que ser espremida uma hora e pouco numa lata de sardinha, o qual chamo nos melhores dias o trem da linha Tokaido.


Arigatou novamente, Masha, pelas quatro horas de alegria!

(*) Trocadilho meio infame em cima do novo single "Tokyo nimo attanda"...

Saturday, March 24, 2007

Puxando pela memória

Estava lendo recentemente um dos meus blogs favoritos e deparei-me com o texto neste blog. Falava sobre os fatos acontecidos e o que a gente fazia naquele exato dia. Das coisas, às vezes lembro-me vagamente, mas se forçar um pouquinho daria para lembrar o que a gente estava fazendo naquele exato dia.

Tudo bem, eu não tinha nascido ainda quando o Brasil conquistou o Tri, nem meus pais pensavam em casar-se quando os Beatles conquistaram a América e houve o Golpe de 64, mas certos fatos que ocorreram permaneceram e permanecem na minha memória. Se naquele dia estava chovendo ou não, que roupa eu estava, nunca saberei dizer, mas o que estava fazendo, isso eu lembro...

O dia que o sonho acabou: Desde que comecei a assistir a TV, o que me interessava depois dos desenhos animados, eram os noticiários. Tinha acabado de jantar e eu estava deitada no sofá esperando o noticiário das oito na Rede Bandeirantes (a gente falava "canal 13"). Eis que antes do noticiário, sai na tela um fundo azul e a imagem dos Beatles atravessando a Abbey Road (naquela época não era tão fã como sou hoje) e o narrador dizendo que John Lennon tinha sido morto. E logo a seguir "depois do programa tal o especial 'O Sonho Acabou'". Isso porque naquela época contava com dez anos e tinha acabado de passar para o ginasial.

O Tetra só ficou para doze anos depois: Estava para completar doze anos e estava na 6a. série do ginasial. Naquela Copa de 1982 parecia que prometia: com Zico, Sócrates e companhia. A gente era dispensado das aulas nos dias em que a Seleção Brasileira jogava. E era aquela festança, com a família reunida na sala e assistindo aos jogos. Mas no dia em que a Seleção deixou escapar o título para o Azurra, só vi no dia seguinte o pessoal com aquela cara de enterro, a criançada queimando a figurinha do Paolo Rossi e aquela foto do menino triste na primeira página do "Estadão" me trazem às lembranças até hoje.

A Fórmula Um nunca mais foi a mesma: Até o dia primeiro de maio de 1994, domingo regado a macarronada com frango em casa, eu e meu pai costumávamos assistir a todas as provas. Ficava revoltada quando o Ayrton Senna perdia, afinal depois que ele conquistou o tri e mudou de escuderia, a temporada mal começou e tinha perdido duas provas. Ou três, agora a memória falhou. Isso porque nas vésperas da prova de San Marino, o Rubinho quase foi desta pra melhor e houve uma morte nos treinos. Nem me importei tanto e naquele dia sintonizei a TV e logo no começo a batida. Pensei que na prova seguinte o Senna estaria lá de novo, pronto pra outra, desliguei a TV e fui pra casa de uma amiga minha. Foi lá na casa dela que fiquei sabendo da morte do Senna. E depois disso nunca mais consegui assistir as corridas, porque já não tinha mais graça.

O pior terremoto depois de 1923: No dia 17 de janeiro de 1995 estava em casa. Naquela época, estava procurando emprego e tinha que me virar dando aulas em caráter excepcional pelo Estado e formulando currículos para os recém-formados. E meu primo, vizinho de casa, estava no Japão. Quando soubemos do terremoto na cidade de Kobe, minha tia entrou em desespero e tentou ligar para o meu primo, mesmo sabendo que a ligação pro exterior era (e continua) caro. Algumas horas depois ele ligou dizendo que estava tudo bem, pois onde aconteceu ficava a horas de onde ele morava. E pensar que quase quatro anos depois fui morar na província onde aconteceu, mas fui visitar a cidade onde aconteceu o hectacombe e parecia que nunca havia tido um terremoto, tamanha foi a força de vontade da população em reconstruir a cidade em tempo recorde.

O Penta foi perto de casa... Mas não conseguimos ingresso. Naquela final de Copa, no Yokohama Arena, em junho de 2002, era perto de onde morávamos, mas devido ao custo ser muito alto e meu kinguio detesta lugares apertados, com risco de passar mal e levar cotovelada, resolvemos assistir a final da Copa em casa mesmo, via TV mesmo. Estava indo tão bem, e justo no final do jogo, marido passou muito mal e acabamos por perder o resto da festa. Tivemos que assistir através do noticiário mesmo e depois ele me pergunta se perdeu alguma coisa...

A Queda das Torres: Estava no trabalho e só fiquei sabendo disso a noite, sintonizando o noticiário. Achei que fosse trêiler de algum filme-catástrofe até que vendo melhor e entendendo melhor (não temos TV a cabo, era tudo em japonês mesmo) o que eu pensei que fosse filme, era verdade. As torres da World Trade Center tinham desabado. Meu kinguio somente acreditou nisso depois de ter visto três noticiários em canais diferentes...

O Desabamento: Como aqui não tenho TV a cabo e só acesso a net a noite depois do trabalho, mal fiquei sabendo de que a Linha Amarela do metrô tinha desabado. Fiquei sabendo dias depois e tentei ligar para meu irmão - que trabalha como engenheiro eletrônico lá - mas não consegui. Consegui foi com minha mãe que disse que ele está bem e que ele não tem nada a ver com o que aconteceu. Só que pra ir na casa da família do kinguio via metrô pode contar mais alguns anos...

Todo tipo de gente

Sempre comentei nos meus textos que de casa-trabalho juntando ônibus e trem, levo cerca de uma hora e meia, dependendo do trânsito, do horário e se alguém não resolve fazer uma viagem somente de ida do lado de fora do Yamanote ou alguma outra linha. Justamente nestas viagens que faço quase que, se não sempre, diariamente, percebo os tipos de pessoas que vão-e-voltam de transporte coletivo.

Mesmo já plantada no ponto de ônibus, eu começo a perceber o tipo de pessoal que pega a mesma linha que eu pego diariamente. Isso depende do horário. Se for antes das oito da manhã, escreve embaixo: salarymen com seus ternos e pastas pretas, office ladies com terninhos preto com suas bolsas pretas, jovens donas-de-casa levando a prole pra escola, jovens estudantes de colegial com suas saias encurtadas a base de enrolar o cós e rapazes com as calças quase no meio das pernas, gente vestido normal indo pra trabalhar em alguma fábrica ou loja, que seja.

Agora, quando eu tenho que entrar ao meio-dia, entre nove e nove e meia da manhã é o pior horário pra mim. Trânsito? Acho que antes fosse. Deus-que-me-livre eu falar isso, que é até pecado, mas se envelhecer, espero nunca ficar caquética e chata como aquelas que encontro quase toda manhã. Tudo bem, podem ter tido uma vida sofrida, mas que não precise descontar nos mais novos.

Já começa pelo fato de passar na nossa frente da fila. Até aí eu levo em consideração, mas sem dizer obrigado aí a coisa muda. Coisa que eu odeio é gente mal-agradecida. Na hora de pagar, como já disse certa vez, ou é na entrada ou na saída, porém tem gente que ainda erra. E olha que eu, que nem nasci aqui, sei melhor que muita gente que nasceu e mora aqui... Na hora de sentar, elas ficam naquela disputa de senta-ou-não-senta. Depois que uma outra pessoa que não tem nada a ver com a conversa vai lá e senta, ainda ficam bravas!

Sem dizer o cheiro de naftalina. Já tenho problemas sérios com poeira e pólen nesta época do ano, imagine sentir aquele cheiro de roupa guardada no fundo do armário... Isso porque existem produtos que não soltam cheiro mas deixam as roupas conservadas. E também o péssimo gosto para roupas e acessórios... Pra não dizer que certa vez, deparei-me com uma senhora na casa dos setenta com o cabelo tingido de... azul!!! Não estou brincando, azul. Depois falam mal dos visual-kei por aí...

Mas dentro dos transportes coletivos, deparo-me diariamente com uma variedade de pessoas, não resta dúvida. Desde o mais simples, casual, de jeans e camiseta e mochilona nas costas, até o mais chique, de bolsa de marca famosa, salto alto, vestido de festa, indo ou voltando de algum evento. Mesmo sendo espremido dentro do coletivo em horário de pico.

Estou falando sério: quem pega a linha Tokaido todo santo dia como eu, encontra tudo o que é tipo de gente. Desde o salaryman empacotado no seu terno e quase sendo enforcado pela gravata, passando pelos estudantes do colegial, office-ladies com seus ternos pretos e bolsas idem, jovens com visual a la Ayumi Hamasaki ou Kumi Koda, que seja, com suas unhas postiças munidas do telefone celular e enviando e-mail, jovens senhoras com suas bolsas Louis Vuitton, Gucci e por aí vai, senhoras cheirando a laquê e naftalina... e por aí vai.

E quem achava que transporte coletivo é coisa de "baixa renda" como diria um colega meu, está muito enganado. Experimenta ir um dia no Tokaido no horário de pico ( oito da manhã ou cinco da tarde) e depois me contem.

Thursday, March 22, 2007

... e começa a primavera

Mesmo achando que a nova estação começou, ainda estou morrendo de frio, a ponto de ainda sair de casa empacotada. Quando era pra esfriar e cair aquela neve, cadê? Faltando alguns dias pra Primavera chegar, faz um frio de gelar ossos! Resumindo, cada vez mais acredito que tudo isso é o efeito estufa.

A Primavera no hemisfério norte (leia-se: Estados Unidos, Europa e Japão) começou no dia 21 de março. Geralmente, aqui, a gente já sente que houve mudança de estação, a começar pelas cerejeiras, que antes estavam peladas, agora ganhariam roupagem nova.

Sem falar pela mudança do clima: já não seria necessário mais usar casacos pesados nem botas. Mas uma blusa leve... E também na brisa fresca e o solzinho gostoso pela manhã e tarde e que os dias se tornam mais longos.

Tirando o porém de quem é alérgico ao pólen, a gente sente a primavera no ar.

Bom... Se bem que eu não percebi isso, a não ser as parcas flores de cerejeira e ainda estou sentindo frio!



Antes que me esqueça....
Quer divulgar seu blog? Um site que você achou legal e quer mostrar pra todo mundo? Quer encontrar gente legal como esta que posta ocasionalmente aqui? Então clica aqui e dá uma passadinha lá!

Saturday, March 17, 2007

Neve? Onde?

Este ano, diferente a do ano anterior (que, por sinal, quase não volto pra cá pois meu vôo havia sido cancelado devido a uma nevasca que tinha caído dois dias antes...), não nevou. Estou falando sério, ainda mais pra quem mora em Yokohama.

Tudo bem que aqui, não neva como Hokkaido, isso porquê a cidade fica mais pra perto de Tóquio. Mas quando neva, mal cobre a rua. Aliás, quando cobre, pois em questão de minutos, cadê a neve que estava aí? Bom, ao menos nevou, né?

Meu marido kinguio é quem sempre fala todo inverno que o sonho dele é morar num lugar onde neva. E muito. Tá, então a gente passa o final do ano em Niigata ou Hokkaido e depois não venha reclamar logo que chegar que quer ir embora.

Porém, este ano, eu achava que fosse nevar. Apesar que frio mesmo, nem fez direito. Mas que não impediu a gente de andar empacotado e pegando resfriado por aqui e ali.

O que muita gente agora está acreditando no efeito estufa...

Thursday, March 15, 2007

Desenterrando da Massa Cinzenta - Da série: "Não acredito que já gostei disso!" - Episódio 4

Os três episódios anteriores foram um festival do quanto já gostei do que hoje soa ridículo, mas era coisa considerada brega e hoje virou cult.

Desta vez é diferente: são vídeos que gosto e ainda continuo gostando, do tipo: pode tocar trocentas vezes que não enjoarei.

Cyndi Lauper, "Girls Just Wanna Have Fun": Nos anos 80, entre a Madonna e a Cyndi, preferíamos a última. Talvez pelo jeito engraçadinha e divertida nas músicas. Só não entendi porque ela não faz mais sucesso como antes, porém "Time After Time" continua fazendo sucesso aqui, em um comercial mas não pergunte qual. Porém este continua sendo um dos melhores dela. Afinal, a gente só quer se divertir, pôxa vida!



Suzanne Vega, "Solitude Standing": Muita gente vai lembrar desta cantora folk ruiva e de voz delicada pela música "Luka", mas pouca gente sabe que uma de suas músicas fez parte do filme "A Garota de Rosa Shocking". Mas esta música, faz parte do segundo álbum homônimo dela. Enjoy it!



Shonen Knife, "Riding in a Rocket": Apesar de hoje elas serem somente duas, este vídeo ainda trazia Michie Nakatani. Ainda relegadas ao circuito underground e usando o inglês como segunda língua, as japonesas do Shonen Knife estouraram em 1993 na MTV com esse clipe, que mistura desenho de massinha e animação tosca. Mas a música diverte, misturando inglês e japonês ("ikko, ikko, everybody let's go..."). Tem até um projeto de Godzilla, podem crer!



Hitomi Yaida, "Andante": Esta cantora de Osaka, continua fazendo sucesso, apesar de não aparecer tanto assim. Apresenta-se quase sempre descalça, tocando violão e guitarra. Este PV (promotion video) traz o lado rock da moçoila, com riffs de guitarra e batida rápida. (Desculpem pela baixa qualidade do vídeo, mas a gente faz o que pode).



My Little Lover, "Destiny": Uma das primeiras músicas que ouvi quando cheguei aqui, em 1998. Acho que era de uma novela, mas gostei tanto da música que não hesitei em me aventurar, na cara de pau mais lavada do mundo em uma loja de CDs (naquela época era analfa em japonês) e cantar a melodia ao balconista, pra comprar o single. O grupo não faz aquele sucesso de antes, porém o produtor e marido de Akko (a vocalista), Takeshi Kobayashi, é conhecido como o produtor dos grupos Mr. Children e Southern All Stars.



Le Couple, "Hidamari no Uta": Literalmente, em francês, "O Casal". Formado por Ryuji e Emi Fujita, o casal que traz baladas e músicas agradáveis, fez sucesso em 1996 com "Hidamari no Uta". De melodia cativante na voz delicada de Emi, esta música virou million seller graças a uma novela de grande audiência - "Hitotsu no Yane no Shita 2". Este vídeo é de um programa ao vivo. Recentemente, Emi apareceu em um programa de TV, aprendendo a cantar "Hidamari no Uta" em linguagem de sinais.

Wednesday, March 14, 2007

Chegou a nossa vez!

Depois de quase um mês (digo quase, porque fevereiro tem 28 dias e não estou disposta a quebrar a cabeça pra fazer contas, hoje), nós, mulheres residentes no Japão tivemos a recompensa.

Lembram do que eu falei sobre o Valentine's Day? Pois sim, hoje, 14 de março, tivemos nossos esforços reconhecidos. Agora, se teve alguém que ganhou marshmallows, não desista: existem outras pessoas que possam gostar de você sem precisar dar chocolates ou biscoitos.

Seja como for, feliz "White Day" para todas nós.

PS: Minha caixa de chocolate, metade já foi. Pensam que não dá fome na uma hora e tanto de viagem de trem?!

Saturday, March 10, 2007

Nova temporada



Te cuida, Ferrari!

A Lei de Murphy que nos persegue a toda hora

Todo mundo sabe da Lei de Murphy, aquela do "o que tem que dar errado, dá errado". Mas a gente nunca parou pra pensar que tudo o que acontece de errado no seu, no meu, no nosso dia-a-dia, é tudo Lei de Murphy.

Ah, estão duvidando? Então lá vai...

Pão com manteiga cai sempre com a manteiga pra baixo: isso já foi cientificamente comprovado, com a lei da gravidade. Mas não precisa ser necessariamente a manteiga, pode ser geléia, queijo derretido, manteiga de amendoim...

O ônibus acabou de passar quando você chega ao ponto: pra mim e pro meu kinguio encantado, essa é de lei: toda ida e toda volta do trabalho, a gente chega no ponto, o ônibus que passa perto de casa ou pro terminal, acabou de sair. Dependendo do dia e da paciência, a gente acaba pegando um que vai próximo de casa ou anda uns três quarteirões a mais para pegar o outro que também vai pro destino.

Aquela meia-calça recém comprada desfia na primeira usada: Coisa que mais me irrita é descobrir que aquela meia-calça que comprei no dia anterior, desfiou na hora de vestir. Além de ter gasto algumas moedas, vai pro lixo ou vira espanador. Isso depois explico.

...ou desfia no meio de algum evento: Pra ala feminina, atire a primeira meia desfiada quem nunca passou por isso. E só descobre quando vai ao banheiro retocar a maquiagem e vê aquele lindíssimo traçado no meio da perna. E não faz parte do modelo que você comprou, não....

Sempre tem um que empaca a fila: Quando a gente consegue pegar o ônibus no momento exato, na hora de pagar (dependendo do horário, aqui você paga a passagem na entrada ou na saída) sempre tem um ou uma infeliz que empaca na fila, perguntando se é pra pagar na entrada, quanto é, ou colocar o cartão. Ou os três juntos. Isso porque é da terra, imaginem se não fossem...
Uma outra variante seria no caixa eletrônico. Justo na sua vez, a pessoa empaca por não saber operar ou porque faz transações eletrônicas de saque, depósito e remessa para uma cidade inteira.
Uma outra terceira situação seria no supermercado. Você tem a cesta cheia e a pessoa que está na sua frente tem somente um pacote de açúcar e fica enrolando pra dar dinheiro trocado. Isso porque aqui, ninguém enche teus pacovás quando você tem que pagar algo de 100 ienes com uma nota de dez mil.

Chove sempre no dia de sua folga: Teve uma boa época que era fatal: chegava meu dia de folga, despencava aquela chuva, minando minhas possibilidades de dar uma saída de casa ou estender os futons pra tomar sol. Tudo bem que teve dia que não aguentei mesmo e saí. Mas neca de fazer compras, imagine carregar a compra da semana mais um guarda-chuva.

O produto que você estava de olho, a pessoa da sua frente pegou primeiro: Principalmente em liquidações. Perdi a conta de quantas vezes estava de olho naquele produto e vem um e leva justamente aquele em que eu estava cobiçando. Válido também em restaurantes em quilo, self-services e supermercados.

Surge uma espinha no meio do nariz no dia em que vai sair com o bem querido: E isso nem base resolve.

Seu PC trava na hora em que está no final de um grande projeto: Isso todo mundo que trabalha com sistemas, é usuário de algo, passou por isso. E se não fez backup, a situação se torna caso de calamidade pública.

Acaba acordando cedo no seu dia de folga: Seria uma forma mais sensata de... aproveitar melhor o dia?

Existem outros e muitos. Mas isso a gente nunca passa incólume por essa lei.

Thursday, March 08, 2007

O Nosso Dia

Oito de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Como de sempre, as lojas fazem promoçõezinhas, os jornais lembram dos feitos e conquistas delas... Mas só neste dia, porque os outros 364 (ou 365, se for ano bissexto) pouco se falam de nós, mulheres.

Tudo bem dedicar um dia somente para nós, porém não seria certo lembrar somente neste dia. E acabar esquecendo dos outros dias. Afinal, todo dia é dia da mulher, é dia das mães, dia dos pais...

De muitos séculos para cá, conseguimos muitas coisas: o direito de votar, o direito de guiar, de assumir grandes cargos. Claro que sem perder a feminilidade. Apesar de tudo isso, ainda somos discriminadas, somos tratadas como objetos. E fazemos as mesmas coisas que os homens fazem. E de salto.

Certo que vai ter muito homem e machista discordando de tudo isso, mas claro que existem certas profissões que realmente precisam da força masculina. Tal como ser estivador de porto e carregar peso, muito peso.

Aqui, felizmente, aos poucos, as mulheres nipônicas estão deixando de ser submissas. Uma das provas é o aumento de denúncia de violência doméstica. Já estava mais no que na hora de botar a boca no trombone, afinal, nem masoquista agüenta tanta pancada.

E também nos trens e metrôs os vagões para nós, nos horários de rush. Se bem que ontem, indo para Tateba, no horário em que o vagão do metrô é reservado para as mulheres, vi alguns suspeitos "dormindo". Sei...

E pensar que a data foi criada em cima de uma tragédia e levaram mais de um século para ser data oficial...

Não importa, lembrem-se de nós todos os dias do ano. Mas que seja uma lembrança boa.

Wednesday, March 07, 2007

Três mil e Quinhentos Dólares

Sete mil reais ou quatrocentos mil ienes. Isso que eu li hoje no blog do Gustavo Eto, no site da International Press. O furor que Michael Jackson causou nesta semana em Tóquio, daria mais pano pra manga. Sem falar que, além de ele ter ido numa loja de eletrônicos em Tóquio (nota: fica bem perto da agência do Banco do Brasil em Tóquio) no horário em que estava quase fechando as portas, resolveu fazer algumas comprinhas básicas...

E além disso, resolveu fazer um pequeno evento com alguns fãs doidos e dispostos a torrar 400 mil ienes (algo por volta de três mil e quinhentos dólares) para ficar trinta segundos ao lado dele e tirar uma foto...

Depois de tudo isso, fica impossível não perguntar: o que vocês fariam com quatrocentos mil (se tivesse dinheiro sobrando, claro)? Iriam desembolsar pro Wacko Jacko tentar sair da pindaíba? Se a resposta for negativa, como a pessoa aqui que posta regularmente neste sítio, listei no blog do Gustavo o seguinte:

(...) além de uma viagem Hokkaido-Okinawa (de avião, hotel dos bons com refeição, spa e tudo o que tem direito);
… o dia todo na Universal Studios incluso passagem de Shinkansen Tóquio-Shin Osaka-Tóquio;
… um PSP com os top de linha de opcionais;
… um iPod;
… um PC Vaio com Windows Vista;
… um anel ou colar da Tiffanny’s (ei! A gente não pode ter um pouco de vaidade, não??);
… e se sobrasse, iria comer até dizer chega em algum restaurante fino, ou alguma sorveteria, ou no “yakiniku tabehoudai”(...)


Ou também :
- Trinta sessões de massagem linfática;
- A coleção completa dos Beatles em CD;
- Uma caixa de chocolates de todas as marcas possíveis que houver nas lojas de departamentos, desde o mais simplezinho até aquele que só um custa o equivalente a quinze unidades do Kit-Kat;
- Uma bolsa de marca famosa, como Prada, Gucci ou Coach;
- Três dias em um onsen com refeição inclusa para duas pessoas, claro...

Nossa, se eu listar o que faria com quatrocentos mil, a lista vai longe.

Meu marido e kinguio já foi mais direto: passagem de ida e volta pro Brasil em classe executiva ou pagar uma boa parte em um carro zero quilômetro.

Bom, melhor do que correr o risco de ver alguma parte do rosto ou do corpo caindo por aí...

Saturday, March 03, 2007

E as águas de março vem fechando o... inverno!

Isso no que dá morar no hemisfério norte, a doze horas de diferença de sua terra natal. Enquanto muita gente está dormindo ou conseguindo ir pras baladas a esta hora, eu estou aqui tentando atualizar este sítio. Enquanto onde meus pais moram faz um calor de fritar ovo no asfalto, aqui está entre o frio e o morno, com chuvas ocasionais (mas neca de neve e não vai ser agora que vai nevar!). Por isso que duas de minhas músicas favoritas não dão muito certo em determinadas épocas do ano.

"Aguas de Março", de Tom Jobim e Elis Regina é um deles. Não tem sentido cantar "são as águas de março fechando o verão" sendo que aqui está é fechando o inverno. Mas que a seqüência "é a promessa de vida no teu coração" é verdade. Sim, março encerra um ciclo e inicia-se outro. Aqui termina um ano fiscal e começa um novo. Por isso chega-se abril muita gente entra em pânico por causa de procura de emprego, uma casa nova e o risco de ser descartado, como é o terror de muita gente que está aqui, a não ser que você seja funcionário-padrão, mas mesmo assim fica na berlinda.

Outra música também que gosto mas também perde-se o sentido de cantar na primavera é a primeira frase da música de Beto Guedes, "Sol de Primavera". Isso porque aqui, a primavera começa no dia 21 de março e não em setembro. Tirando "quando entrar setembro", o resto fica valendo. E muito. Porque primavera é linda do mesmo jeito em qualquer lugar do mundo. Só que no hemisfério norte começa em março.

Tudo bem, não importa quando começa-se a estação do ano, seja morando no Japão, Brasil, Estados Unidos ou Austrália. O importante é o conteúdo de suas canções.