Saturday, April 28, 2007

Golden Week

Aqui, quase que mensalmente tem feriado. Seja para qualquer coisa. Ano-novo não conta, pois isso acontece em todo o mundo.

Falando em Ano-Novo, já começa o feriado por aí. Enquanto no Brasil, no dia 2 de janeiro a gente voltava ao batente morrendo de ressaca, a não ser que o feriado caísse numa quinta ou sexta e a gente já emendava de vez, aqui, o feriado já começa a alguns dias antes do dia 1 e vai até dias 4 ou 5 de janeiro, dependendo do lugar onde trabalha.

Aí chega março, no dia 20, o equinócio da primavera. Novo feriado. Dependendo do ano, se este feriado cai numa sexta ou numa segunda, vira alegria pra muita gente, desespero para uma outra parte. Bom, é aí que eu quero chegar.

Conforme num artigo meu do ano passado, o Golden Week ( que compreende os dias 29 de abril a 5 de maio) vira tremenda alegria pra muita gente, porque para uma boa parcela onde eu e meu marido kinguio nos encaixamos, a gente fica entre o "ainda bem, porque sobra mais dinheiro no final do mês" e "quem me dera ter uns dias a mais de folga".

Claro que, pra quem trabalha em um escritório, muita gente pensa que eu tenho férias quando tem feriado, bônus e ganho bem. Ledo engano - quando tem feriado, tenho que trabalhar, não ganho bônus e meu salário dá pra pagar as contas do final do mês e ainda sobra um pouco pra outros gastos, como engordar o cofrinho, por exemplo.

Mas eu fico pensando novamente que melhor trabalhar no feriado e tirar sua folga num dia normal do que tirar folga no feriado e passar nervoso. Sim, passar nervoso mais do que a gente passa trabalhando, dependendo do tipo de serviço. Até cantor(a) se estressa, afinal todos nós somos seres humanos, ora!

Sabe quando você quer bater perna e ir na loja de departamentos preferido e você não consegue entrar? Quer tomar um sorvetinho e está uma fila de dobrar quarteirão? Quer ir ao cinema e só tem sessão só pra semana que vem? Sem falar dos trens lotados de mala e gente? De pegar trem lotado já basta todo santo dia e noite quando vou e voltou do trabalho e cinema cheio quando resolvo ir no dia de estréia.

Pois bem, uma coisa eu digo: novamente fiz bem em marcar minha folga na minha quinta habitual, pois nessa época, sai caro viajar.

No sentido de ter que gastar uma fortuna com remédios e um terapêuta depois de ter passado muita raiva disso tudo.



Procura-se um quinhão de terra pra poder ver a paisagem em paz...

Thursday, April 26, 2007

Dois anos depois

No dia 25 de abril de 2005, nove e pouco da manhã de uma segunda-feira, os trens lotados de pessoas indo para o serviço (a grande maioria iniciantes devido ao novo ano fiscal que se iniciara), para as escolas ou para outras cidades fazerem compras e outros compromissos. E geralmente neste horário, os vagões lotados.

Quando eu mencionei no parágrafo anterior que alguns dos passageiros eram novatos, ingressando para o mercado de trabalho, esqueci de mencionar que também existem condutores novatos.

Só que quando se é novato, qualquer erro é motivo de cobrança. O condutor do trem tinha alguns meses de trabalho e já tinha levado várias advertências. Sabe como é aqui, pontualidade que daria inveja até aos britânicos. Os trens chegam e saem no horário em cima. Se atrasa, das duas uma: acidente (como queiram interpretar) ou condutor em experiência.

Eis o que aconteceu naquele dia 25 de abril de 2005. Nove e pouco da manhã. Segunda-feira apinhada, monte de pessoas indo para o trabalho, escola e outros compromissos agendados. Na província de Hyogo, próximo à estação de Amagasaki (da cidade homônima), o trem da companhia Japan Railway (JR) da linha Fukuchiyama, já estava meio que atrasado (questão de minutos) e o condutor, novato, resolveu fazer aquilo que muita gente faz quando se está atrasado e vai dirigir um carro: aumenta a velocidade pra ver se recupera o tempo perdido.

Tempo que para 106 pessoas e ele, parou às 9 e 18 da manhã daquele dia.

A matemática de excesso de velocidade mais curva, resultou em que o trem inteiro passou reto da curva, onde teria que ter diminuido a velocidade e foi parar em um prédio de apartamentos. Acreditem, o prédio não caiu, mas as pessoas que estavam nos primeiros vagões nunca mais retornaram para casa, nem chegaram ao seu destino.

Lembro-me deste acontecimento: estava ainda em casa quando os noticiários, ao vivo, transmitiam as imagens dos vagões retorcidos e a equipe de resgate tentando salvar os passageiros. Mas devido ao estado dos primeiros vagões (o segundo literalmente virou folha, quem sobreviveu neste vagão, provavelmente teve seqüelas), seria um milagre encontrar algum sobrevivente dentro deles.



Só pra vocês terem a dimensão da tragédia.

Dizem até hoje que houve inúmeras falhas, como falta de sistema de frenagem (que seria um dispositivo nos próprios trilhos, que faria o trem diminuir a velocidade), falta de treinamento no condutor e até agora dizem que não resolveram a situação.

Mas os familiares das vítimas perecidas sabem que tudo isso não será esquecido.



Dois anos depois, os familiares oram pelas suas vítimas.

Saturday, April 21, 2007

Hoje não, estou sem assunto

Estou pasmada. Recentemente fatos inusitados, se não bárbaros ocorreram nesta semana que passou. Faltando uma semana para as eleições para prefeitura nas cidades japonesas, um membro do yakuza (máfia) atirou e feriu mortalmente o prefeito da cidade de Nagasaki, da província homônima. Motivos políticos? Poderia ser, mas o real motivo era o descaso da prefeitura com o mafioso por causa de danos no carro dele devido a obras no meio da rua.
Para completar, o mafioso atirou pelas costas no meio da rua, na frente da estação de trem. Horário de pico, não sei como ninguém saiu ferido. E pegaram o demente em flagrante delito.
Em tempo: Nagasaki é tido como uma das cidades que lembram o estilo europeu, e foi o início do catolicismo no Japão bem como famoso pelo seu lámen "chambom". Apesar da cidade ter sida a segunda a ser quase eliminada na Segunda Guerra, ela ressurgiu das cinzas. Fica no extremo sul do Japão, ao lado de Kumamoto, província natal paterna.

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Falando em barbaridades, nove anos após o tiroteio numa escola secundária chamada Columbine, o qual posteriormente inspirou o Michael Moore num documentário chamado "Tiros em Columbine", novamente uma nova tragédia em uma universidade. Além do indivíduo despachar 32 pessoas pro outro lado, fez o mesmo em si. Mas no intervalo entre um local e outro, teve tempo de se filmar, fotografar e enviar tudo para uma emissora de TV.
Se estava cada vez mais difícil ir pra terra do tio Sam somente para trânsito, imagine agora.

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Mais barbaridades: mafioso mata rival e tenta suicídio em sua própria casa. Só que o cerco policial em Sagamihara (Kanagawa, o ruim é que esta cidade fica perto da minha!) durou quase o dia todo, impossibilitando os moradores do prédio onde o mafioso mora entrarem em suas casas.
O mais interessante: todos os moradores bairros sabiam quem ele era e inclusive foi o líder comunitário. Vai entender...

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Ah, sim. Lembra de uma vez que falei que aquele grupo KAT-TUN viraram cinco? Pois é, Jun Akanishi, que tirou seis meses de férias pra intercâmbio nos Isteites, voltou pro grupo.
Porém acho que não adiantou muito. Na hora de falar em inglês, melhor ter ficado com o bico calado...

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Bom, a verdade é que hoje estou meio sem assunto pro post de hoje.

Thursday, April 12, 2007

Lar doce lar

Até a fase em que você sonha sair de casa e ganhar independência financeira, quase tudo em sua casa parecia ter saído de fábrica ou sua mãe fazia por você. Quando você concretiza este sonho, para muitos começa o pesadelo: ter que fazer muitos afazeres domésticos, o que antes sua mãe ou empregada fazia por você.

Se você tem grana o suficiente para bancar uma empregada, muito bom. Mas como nem todo mundo tem a sorte de poucos, aprende-se muito na tentativa e erro. Claro que depois de muita comida queimada, muita roupa esturricada e alguns pratos e copos quebrados, a gente começa a tomar gosto pela coisa.

Como eu moro em um país que ter empregada doméstica é tido como coisa de outro mundo ou artigo de luxo para quem tem muita, muita grana sobrando pelas tabelas (aqui, até artista famoso faz questão de lavar as próprias roupas, limpar banheiro e cozinhar), o negócio é pôr as mãos na massa e deixar sua casa impecável, ou deixar sua casa como aquelas "gomiyasan" que volta e meia aparecem na TV, que vão acumulando lixo até no vizinho.

Portanto, como zelo pela saúde e bem-estar meu e do kinguio encantado, então eu faço. Boto o som e começo a fazer todo o trabalho doméstico. Quanto mais agitada a música melhor, mas alternando com algumas baladinhas. Porém, existem tarefas que nem a música mais legal do mundo fazem tirar meu mau humor. Principalmente se estou com o maldito da TPM.

As que fico pensando três vezes se faço ou não, mas precisa fazer senão já sabe, né, são:

1) Limpar o ar-condicionado: Semanalmente tenho que tirar as telas, passar o aspirador, lavá-las e passar um produto dentro do aparelho. O porém é que como o ar-condicionado desta casa é modelo meio antigo, não tenho como tirar a tampa e passar esse produto para lavar a parte que gruda a sujeira que o ar "colhe" para se tornar frio ou quente. E toca cobrir o que fica embaixo do aparelho para não ficar caindo um líquido preto.

2) A coifa do exaustor: Até limpar o fogão não ligo tanto, pois descobri um produto que tira até aquela crosta de queijo esturricado da encarnação passada, mas o que me deixa literalmente queimando de raiva é ter que limpar o exaustor. O de casa tem uma coifa que cobre o aparelho, coisa mais decente. Mas o que é indecente é de tempo em tempo, tirar o filtro, lavar as telas engorduradas e trocar o filtro. Adendo: o negócio é alto e preciso sempre usar um banquinho.

3) Passar camisa: Gosto de passar roupa, mas o que eu mais odeio é ter que passar camisa. Sim, eu uso camisa pra ir trabalhar, bem como marido kinguio só tem camisa no armário. Ele, nem liga, pois as camisas dele são de um tecido que não amassam, lavou, usou amaciante, estendeu direitinho, vai direto do cabide pro armário. Mas as minhas, não. Amassam que é uma desgraça! Se não passá-las, posso correr o risco de ser chamada de preguiçosa até a minha última descendência. Em tempo: infelizmente onde meu marido compra as camisas, não tem uma decente para as mulheres!

4) Tirar cabelo do ralo: Tenho cabelo farto e pra complicar, resolvi deixar crescer. Portanto, não posso reclamar quando tenho que tirar cabelo do ralo do banheiro. Pior quando tem dia que acabo esquecendo e só lembro quando a água demora para escorrer quando lavo o cabelo. E muitas vezes fico me perguntando, de onde vem tanto cabelo assim!

5) Lavar louça com sujeira difícil: Leia-se quando tem comida grudada e não sai nem com bombril. Isso acontece quando a gente deixa a louça suja na pia e esquece de deixar com água pra amolecer. Aí aquela visão dupla dos infernos: uma, a louça largada; a outra, aquele baita trabalhão pra tirar aquela maldita sujeira que teimou em querer ficar.

6) Lavar obento engordurado: Levo quase diariamente comida de casa. Os obentos daqui seriam as marmitas, mas com embalagens bonitinhas e com comida quentinha. Ou requentada, que seja. Mas a parte que mais me irrita é ter que lavar. Não que eu não goste de lavar louça, mas imagine lavar aquele negócio engordurado e se eu levo algo com molho de tomate... E olha que dou uma lavada na cozinha do escritório, mas com aquele detergente barato e aquela esponja que já nem sei quando compraram, prefiro lavar em casa, pois ao menos, o detergente que utilizo, além de dar conta do recado, não acaba com a pele de minhas mãos.

7) Tirar lixo da cozinha: Dentro da pia temos dois lixinhos: o que fica dentro do ralo pra não entupir e um cestinho onde a gente joga resto de comida e outras miudezinhas (leia-se toco de cigarro que marido joga com água junto, pra não pôr fogo na casa). Aí vem a parte que tenho que fazer de estômago vazio: ter que tirar o lixo do ralo ( que coloco uma redinha dentro da cestinha do ralo pra facilitar a retirada) e o da cestinha da pia. E jogar estes dois lixos em um outro saco pra não ficar cheirando o cestão de lixo geral. A parte bem pior é ter que lavar as duas cestinhas. Usando um produto que se não usar luvas, fica com um cheiro totalmente desagradável que nem lavando com sabonete resolve.

8) Tirar cabelo do tapete: Já falei que meu cabelo cai horrores e até agora não entendo como ainda como tenho volume? Pois é, muitas vezes eu me pego praguejando a mim mesma quando tenho que passar o aspirador na casa. Se bem que até passar aspirador não é problema para mim, o lado mais ruim é ter que passar o "coro-coro", um rolinho com papel aderente, no tapete para tirar o cabelo que o aspirador não consegue tirar. E olha que vai quase uma boa parte do rolo de tanto cabelo que gruda, viu?

9) Separar meia: Lavar roupa, quem faz é a máquina, ainda bem. Mas o lado ruim é na hora de estender, volta e meia a manga da camisa enrosca em alguma outra camisa e tem que tirar peça por peça antes de estender no varal, sob risco de na hora de tirar, cair no chão e ter que lavar de novo. O pior é quando eu lavo a roupa do marido e ter que descobrir que pé de meia pertence a qual par. Explico melhor: quase todas as meias que meu marido usa, são da mesma côr e quase da mesma padronagem! Se marcar, do mesmo material. Já teve uma vez que, distraída, estendi pares de meia de mesma côr, mas de padronagem diferente. Mas era tão semelhante que nem me toquei... Moral da história: ainda bem que neste ponto, marido prefere que ele mesmo lave as próprias roupas.

Sunday, April 08, 2007

Existem coelhos chocadores?

Quando eu era criança, achava que o dia da Páscoa era dia de ganhar ovo de chocolate. Todo ano, meu pai trazia um enorme, da Lacta, o de número 23, o maior que tinha no mercado, naqueles bons tempos em que era somente um tipo e vários tamanhos. Mas numa família em que comer doces era só no domingo ou quando vinha visita e olha lá, o domingo de Páscoa era aguardado para mim e pro meu irmão mais velho.

Só de abrir aquela embalagem dourada e descascar cuidadosamente o papel alumínio para descobrir aquele baita ovo de chocolate e recheado de vários bombons, já era uma alegria. Claro que, naqueles tempos em que a ditadura militar pairava no ar, a gente usava a embalagem do ovo para encadernar os livros de escola e a fita de cetim para enfeitar o cabelo. E ninguém ria da gente com essas coisas que hoje seria chamado de "coisa de pobre" ou "pão-durismo".

O tempo passa e a gente cresce. A época do catecismo e descobrir sobre o real significado porquê a gente não comia carne na sexta-feira santa e o domingo de Páscoa. O duro era entender e depois explicar nos tempos em que cursei o Magistério para as crianças a relação ovo de chocolate e coelho, já que coelho não bota ovos. Então por que o coelho entrega ovos de chocolate na Páscoa? Ai...

Mas para dizer a verdade, mesmo até hoje sabendo que a Sexta-feira Santa não se come carne devido a crucificação de Cristo e Domingo de Páscoa seria sua ressureição, e que a relação coelho e ovo seria a fertilidade e nova vida que chega, às vezes sinto falta de ganhar aquele ovo embalado e recheado.

Bom, é que morar num país cuja população é 99% budista, praticar o catolicismo e cultivar certos hábitos de nossa terra, fica meio difícil.

Até encontrar um ovo de chocolate igual aquele que meu pai trazia pra casa nos domingos de Páscoa.

Saturday, April 07, 2007

Festivais

O mais interessante aqui no Japão é a quantidade imensa de festivais - matsuri - que tem o ano todo. Tem festival pra tudo: festival das meninas, dos meninos, de agradecimento, de explusar demônio, do ano-Novo (ei, mas esse é o mais óbvio, né?)...

Vez em quando a gente costuma ir em um ou outro matsuri, lembrando que marido kinguio odeia lugar tumultuado, pois volta e meia a gente acaba levando um pisão no pé ou várias cotoveladas. Num lugar assim não é de esperar que você volte pra casa ileso, dependendo vira festival de hematomas. Acho que o último matsuri (não de hematomas, viu?) que fui era o de Hadano, o Tabako Matsuri ou os das cerejeiras mesmo? Nessas horas a memória falha, viu?

Volta e meia acesso o site de uma jornalista brasileira aqui e me divirto com os posts dela. E o que isso teria a ver com o meu post de hoje? Justamente, os festivais. Como disse, aqui tem festival pra tudo. Quando digo de TUDO é tudo mesmo, no sentido literal da palavra. Assim como tem um livro informando os mais importantes festivais, tem um livro informando os mais bizarros festivais.

Todo primeiro domingo de abril, tem o Kanamara Matsuri. O que muita gente desavisada diria, o Festival "Daquilo". Do "Bráulio". Ou no linguajar pueril, do "piu-piu" mesmo. Tem outro, mas não posso postar aqui por se tratar de um site família. Imagine você visitando o templo Daichi em Kawasaki (fica a 20 minutos, de trem, de onde eu moro) e de repente se deparar com muita gente carregando um troço cor-de-rosa e ter que passar a mão nele.

Leia a matéria e clique no vídeo aqui.

Pros turistas e desavisados, seria algo que varia do constrangedor pra engraçado, mas pros japoneses seria algo sério, que significa fertilidade e saúde. Então tá, ano que vem a gente vai e depois a gente conversa.

Adendo: na cidade de Komaki, na província de Aichi, também tem e este festival saiu até no "Jornal Nacional"!!!

(Bom, era pra eu pôr uma foto, mas como se tratamos de um site família, melhor clicar no link que mencionei ou procurar no gúgol ou iahu da vida por Kanamara, quem sabe mata a curiosidade desse povo...)

Sunday, April 01, 2007

Não perdoaram nem o cachorrinho...

Ultimamente, nos jornais e revistas e noticiários, corre uma onda de furtos na calada da noite de objetos nada convencionais. Sinos de corpo de bombeiros de bairro, postes que fecham os estacionamentos de lojas e algumas casas, guard rails, grades de esgoto, andaram sumindo. Mas quem poderia fazer isso e pra quê?

Segundo dizem, alguns sem-noção ou aqueles que não têm o quê fazer na vida, vendem para a China. Sim, a Olimpíada de 2008 está chegando e parece que falta material para as estruturas e medalhas. E como aço e bronze são materiais raros de se encontrarem na região, tem gente que daria até a mãe para ter esse material.

Com essa onda de furtos, a gente poderia até imaginar o sumiço de alguns monumentos importantes aqui, como a estátua de Sakamoto Ryoma, Musashi, entre outros. Até do Hachiko, o cachorrinho fiel ao dono que fica na frente da estação de Shibuya.

Pois bem, eis que hoje de manhã, antes de sairmos, resolvi dar uma olhada nos jornais on line que costumo ler antes de qualquer outra coisa, isso quando dá tempo, claro. E no "Japan Times", na primeira página: "Ladrões roubam a estátua do Hachiko". Comecei a ler e fiquei pensando como tem gente capaz de fazer uma coisa dessas? E como ninguém viu? Aquele lugar é ponto de referência pra marcar encontros.
Portanto, como é que alguém levaria uma estátua, pesando centenas de quilos, sem ninguém ver?

Neste dia tínhamos marcado um almoço em Shibuya mesmo. Falei pro marido kinguio que sumiram com o Hachiko. Ele não acreditou muito, pois nos noticiários nada falavam. Eu também achei estranho, mas fiquei tão surpresa com a notícia que fomos na churrascaria assim mesmo.

Tal minha surpresa, ao sair da estação de Shibuya, eis o cachorrinho em seu pedestal, em sua posição clássica: esperando o dono voltar.

Depois que me lembrei que hoje era Primeiro de Abril...



Hachiko, o cachorrinho fiel, ainda bem que continua em seu lugar!