Saturday, June 30, 2007

Metade do Ano

Ou: PQP! O ano já está acabando?!

Janeiro: ano-Novo, a mesma coisa. Ou quase. Nem vi sinal de neve neste inverno, que foi menos frio que os anteriores. Não, nada a ver morar a meia hora de Enoshima. Passamos a virada do ano em Tóquio, perto do Tokyo Dome e jantar num restaurante chinês perto dali. Isso porque também teve passeio na Tokyo Tower e rezamos num templo perto. Só mesmo na virada do ano ter trem 24 horas disponível pro povo que foi e estava indo aos templos mais cedo pra agradecer e pedir aos deuses um ano melhor. Ainda no mesmo trabalho e com mesmo kinguio, claro! Show do vitaminadíssimo Masha no Saitama Super Arena. Chorei na música "milk tea" e não levei copo d'água na cabeça porque fiquei no meio da arena. Kinguio fez entrevista. Final do mês novo trabalho. Agora não lembro se fui no shinnenkai.

Fevereiro: mês curto. Kinguio trabalhando numa panificadora. Muito bom, pão de graça! O lado ruim, pão faz crescer onde não se deve na gente. Nem lembro se neste mês fiz algo de útil. Mas acho que ganhei um monte de bolo e pensei que o kafunshoo fosse resfriado. Ah, lembrei: liguei em casa pra pedir documento pra renovar visto.

Março: a pauleira começa. Começa a época de renovação de contrato. Povo mudando de trabalho e muitas contas pra pagar. Ainda fiquei com kafunshoo e gastei uma nota com spray pra matar essas pragas que a gente não enxerga. Show do vitaminado e necessário Masha novamente, mas no Yokohama Arena. Fiquei quatro horas e meia em pé e ganhamos amostra grátis da Pepsi Nex só por causa do patrocínio. De leva, o ator Satoshi Tsumabuki veio pra divulgar também o produto. Sayonara Party em um pub em Ikebukuro e nunca passei tanto mal em toda a minha vida. E ainda tive que ir trabalhar no dia seguinte.

Abril: Caí na pegadinha do Primeiro de Abril com o roubo da estátua do Hachiko. Dor-de-cabeça e haja paciência pra pedir nova procuração no Consulado pro meu pai pedir outra documentação pra mim. O que deixei com ele não servia. Para vocês verem o quanto sofre morar no exterior. E no último dia fui na Imigração pra justificar porque ia atrasar cinco dias pra entregar o documento. Ainda bem que nesse ponto eles sabem que Polícia Federal quando entra em greve... Pra compensar, comprei novo single do Masha e ganhei brinde extra.

Maio: O tal do Golden Week é só pra quem pode. Como eu não posso porque não tenho, tenho é que ir trabalhar. O ruim é ouvir o povo falando que está curtindo todas. Mas como ri melhor quem ri por último, a sorte é que tenho reserva garantida no próximo salário. Final de semana, ao invés de ir pro Yamashita Koen pra esquecer que não temos esse tal de feriado prolongado, o que acontece? Uma 525 no estacionamento de nosso lar apertado lar. Com isso nem sei quantos quilos perdi, nem sei quantas noites consegui dormir direito, devido ao meu visto não ter saído ainda. Que documento faltou, minha Nossa Senhora do Sagrado Coração, a qual eu devoto? Falando em falta, perdi minha ídola-mor Izumi Sakai. E se certos políticos fizessem como o Ministro da Agricultura, não ia sobrar um. Lembrei: ajudei minha amiga Miss Doraemon a fazer mudança pra nova casa dela.

Junho: Aleluia! Meu visto chegou! E fomos buscar o carro. Nunca assinei tanto papel em toda a minha vida. Pra ter um segundo estacionamento no prédio onde moro. Aniversário do kinguio encantado! Recebi o imposto residencial e quase caí pra trás. Novo álbum do Macca vendendo no Starbucks Cafe, mas de tanto que ouvi quando vou lá, fico pensando se compro ou não. Queria ter ido prestar uma homenagem a Izumi Sakai, mas foi no dia que trabalho e soube que a fila daria mais que cinco voltas no quarteirão, deixei. Pensei que era surpresa, mas pensei em desvendar, mas na verdade não era o que pensei. O mistério das caixas brancas com pintas verdes desvendado, mas continua aquele dilema da propaganda dos biscoitos Tostines: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho por isso vende mais?

Wednesday, June 27, 2007

Os Beatles sabem e a gente entende

Quem me conhece sabe que sou fã dos Beatles há mais de duas décadas. Na verdade, eu é que não demonstro, mas deixei 90% da minha coleção no Brasil e tenho que me contentar com o pouco que trouxe e adquiri aos poucos. O pouco que trouxe, leia-se um CD do Macca, pois CD tinha muito pouco no Brasil, na época era artigo muito caro, meio inacessível para uma pão-dura... ops, uma pobre e honesta programadora de sistemas.

Mas... qual seria a fórmula dos quatro de Liverpool para continuarem sempre vivos mesmo depois de 37 anos terem encerrado as atividades como grupo e dois e meio terem ido para o outro lado da vida? (Digo meio, porque até hoje não sei o Macca é o verdadeiro Macca ou se é o genérico, brincadeira eh, eh, eh.) A fórmula seria como o da Coca-Cola ou o mistério dos biscoitos Tostines. Ninguém revela.

A verdade é que as músicas dos quatro contagiam até quem nunca ouviu falar deles. Só pra constar: quem consegue ficar parado com "Twist and Shout", quem nunca chorou ao ouvir "Yesterday"? Só os insensíveis mesmo...

Se forem pensar bem, as músicas que os Beatles compuseram/interpretaram, representam bem nosso cotidiano. Imagine acordar com "Good Morning, Good Morning" mesmo sabendo que tem que encarar transporte lotado e (às vezes) atrasado. Tem que ter ânimo nestas horas difíceis mesmo. Mesmo sabendo que foi uma noite de um dia difícil.

Se alguém ouvir alguma canção dos Beatles, por mais bobinha que seja (da época que pegar na mão de uma mina era motivo de desespero), no fundo, no fundo, tem um toque de nosso cotidiano.

Pra dizer a verdade, ainda choro quando ouço "Here, There and Everywhere" e "I Need You"...



Embaixo destas cabeleiras, tinham uma grande fábrica de imaginações cotidianas... de sucesso!

Thursday, June 21, 2007

Contas do Final de Mês

Lembro-me de uma piada (só não lembro se foi no programa do Jô Soares ou no Ary Toledo) que salário é que nem regra de mulher: demora um mês pra chegar e quando chega, dura cinco dias. Pode achar engraçado, mas o pior é que isso é verdade.

E também a gente chega a dizer que dia 15 (dia que eu recebo o salário) chega a cebola. Mais conhecido como holerite (ou "miserite", como queiram). Por que "cebola"? Por que o envelope é verde? Pode ser, mas quando a gente abre, a gente chora. Além da chegar a cebola, a gente logo diz que "chegou o dia da transferência". Sim, transferência de salário pra pagar as contas.

Let me tell you how it will be
There's one for you, nineteen for me

(Deixe-me dizer como será/ será um pra você e dezenove pra mim)

Isso porque as faturas das contas para pagar/debitar chegam um pouco antes. Já tenho até os dias certos! Antes do salário, as faturas de telefone. No dia do salário, já tem que fazer novo passe de trem. Comprar passe de ônibus. Alguns dias depois, chegam as faturas do cartão, provedora e já me preparando psicologicamente para ter o aluguel do nosso apertamento debitado quase no final do mês, portanto, do dia 15 ao dia 28, tem que segurar o saldo pra não dar pepino depois.

Ainda pra completar tudo isso, junho é o mês que chega o maldito imposto residencial em quatro suaves prestações bimestrais. Cada ano que passa, parece que aumenta! Tudo bem que trabalho pra caramba, mas não desconta dependente não? Bem que deveria ter formalizado o casório na prefeitura e incluido marido kinguio como dependente. Uai, pra ter desconto, vale qualquer loucura, até parece que não me conhecem... (tá, pra quem não me conhece, sou conhecida pelos mais íntimos como a maior mão-fechada que o departamento já conheceu.)

Pois bem, este ano o imposto chegou. E tal como caixinha de surpresa, quase caí pra trás. Imagine, dobrou o valor do imposto!!! Imagine que na hora, lembrei-me da música dos Beatles, de 1966, "Taxman" (ou cobrador de impostos).

If you drive a car, I'll tax the street
If you try to sit, I'll tax your seat
If you get too cold, I'll tax the heat
If you take a walk, I'll tax your feet


Traduzindo: "se você guiar um carro, vou cobrar a rua/ se você tentar sentar, vou cobrar seu assento/ se você sentir muito frio, vou cobrar o aquecedor/ se você for passear, cobrarei seus pés". Tá, vão pensar se isso era hora de pensar em Beatles quando se recebe um imposto no valor de um mês de aluguel. E eu ia pensar em quê? Humor negro de vez em quando é melhor do que ficar tacando fogo em algum lugar por aí!

E olha que tem gente aqui que quando recebe a fatura ou paga compra no supermercado, lá vem os cinco por cento obrigatórios do imposto:

Should five percent appear too small
Be thankful I don't take it all

(Cinco por cento deveriam parecer pouco/mas agradeça por eu não pegar tudo)

Bom, poderia ser pior mesmo. E ai daquele que não paga. Depois vai pedir um favor, olha no que dá:

Don't ask me what I want it for
If you don't want to pay some more

(Se você não me pagar um pouco a mais/nem me peça o que quiser)

E mesmo se for desta pra melhor a gente nem escapa desta:

Now my advice for those who die
Declare the pennies on your eyes

(Agora meu aviso pra aqueles que vão morrer/ declarem o valor em seus olhos)

Sunday, June 17, 2007

My Sweet Darling...De novo e sempre!

Para o marido kinguio que me agüenta há oito anos:

Lembra-se do dia em que você foi de surpresa no apartamento que eu morava, em pleno domingo, oito e pouco da manhã e nem esperou eu trocar de roupa e acabei atendendo você de pijama? Ainda bem que ao menos tinha lembrado de lavar o rosto antes. Tudo bem, eu sei que se era pra gente ficar junto, tinha que conhecer ao natural, mas ao menos poderia ter ligado antes. Daí dava tempo pra trocar de roupas, oras!

Pois é, depois daquele dia, muita coisa aconteceu. Certo que já tivemos alguns desentendimentos, mas são normais, pois senão a vida nunca teria graça. Já passamos por momentos muito difíceis, mas com muita coragem a gente conseguiu superar. A gente passou muita dificuldade, já enfrentamos coisas piores, mas a gente conseguiu sair da fase negra e agora estamos na fase de esperança.

Esperança de que todas as coisas melhorem daqui por diante. Como continuar trabalhando, garantindo nosso sustento, garantindo a comida na mesa. Podemos até ficar sem comprar naquele mês uma roupa nova ou ir comer um méqui na esquina de casa, mas ficar sem comida na geladeira e deixar as contas do mês pagas, como telefone, internet, aluguel da casa, isso você nunca deixou faltar.

Até mesmo uma volta no quarteirão de casa à noite, véspera de folga, faz com que a vida seja mais bonita. Mesmo sabendo o tipo de trabalho que levo e que você leva. Claro, não é fácil ouvir todo dia gente gritando no seu ouvido o tempo todo e amassar pão. Oras, a gente precisa se divertir também, não podemos?

Você também me ensinou a caminhar com minhas próprias pernas no sentido de "se virar" aqui nesta terra, não ter medo de se perder, porque o caminho de volta a gente sempre acha. Tanto é que hoje consigo pegar um trem e encontrar vários caminhos alternativos sem ficar com medo de que errou, pronto, e agora.

E também estimulou-me a voltar a estudar a língua local, a melhorar nosso padrão de vida, tanto que, apesar do nosso lar apertado lar, a gente conseguiu alugar um apartamento por conta própria, ter um emprego sem intermediário, comprar um carro. E também estimulou-me a tirar carteira de motorista aqui, pois na hora da emergência...


Claro, como disse, passamos por várias fases difíceis. Chegamos ao fundo do poço, mas a gente conseguiu sair dessa de cabeça erguida. Com nossa perseverança e na crença do Senhor, pois sem fé e esperança, sem crença nem força de vontade, hoje talvez nem estaria escrevendo aqui. Sabe que eu acredito em justiça divina e ela será feita.

Mesmo nos caminhos espinhosos, a gente consegue caminhar de cabeça erguida, pensando no futuro e vivendo o presente. O passado serve como lição para não cometermos os mesmos erros no presente e no futuro.

E mesmo assim, você nunca desanimou, nunca perdeu a esperança. Nem eu, pois se duas pessoas perdem a esperança, nunca conseguiremos encontrá-la. Seguimos em frente e estamos conseguindo, aos poucos, manter nossa vida digna como sempre mantivemos. Mesmo com pouco fundo no final do mês, se é que você entende.

E você me traz a alegria nas horas que estou "por baixo". Seja algum problema no serviço ou a maldita TPM que me aflige e tem horas que você esquece que tenho esse problema e vem você cutucar a onça com vara curta....

Lembre-se de que foi você quem apresentou as músicas do Masaharu, do Southern All Stars e da Zard. Lembrou? Depois fica tirando uma da minha cara quando o Masha aparece na TV. De quem foi a culpa? Quem? Quem? Mas felizmente, você tem bom gosto e respeita meu gosto pelos Beatles. Ora, nem tudo é perfeito.

Seja como for, este ano espero ser o melhor ano de nossas vidas.
E que seu aniversário seja um dos melhores até hoje.

Feliz Aniversário.

Thursday, June 14, 2007

Departamento Funerário Boa-Tarde!

Sempre disse que trabalho num departamento que um dia o presunto seremos nós, mas no sentido literal da palavra, claro, pois ninguém, em sã consciência teria a coragem de gastar dinheiro com transporte de muito, muito longe pra sujar desde a própria honra até o carpete do escritório. Bom, nunca se sabe, né?

Mas, de alguns tempos pra cá, recebemos pelo menos dois atestados de óbito por mês. Se bem que teve mês que nosso departamento recebeu quatro em uma única semana. Isso quando eu recebo, fora o que meus colegas de trabalho recebem e nada comentam.

Só que o mais engraçado é que o pessoal insiste em passar os atestados para mim. Daí tenho que gastar o pouco de japonês que tenho pra explicar pro meu chefe que esta pessoa foi desta pra melhor e o quê fazer com o cadastro dele. Cobrar falecido só se eu fizesse curso intensivo de mesa-branca.

E a maioria dos atestados estão em língua japonesa, pois até esse pessoal ter que pedir no Consulado, demora. Isso se lembrarem de informar que a pessoa já mudou de endereço. E cada caso que eu pego: jovem falece de politraumatismo devido acidente [automobilístico]; senhor ou senhora de infarto do miocárdio ou hemorragia cerebral... são os mais comuns.

O mais recente foi de uma jovem que foi assassinada. Saiu em todos os jornais, mas mesmo assim tive que pedir a família que enviasse o atestado de óbito. Expliquei que era para dar baixa no cadastro. Recebi no mesmo dia.

Só falta, um belo dia, eu sem querer atender o telefone e dizer "Departamento Funerário XXX bom-dia!!" Claro, do jeito que o pessoal anda entregando esses documentos para mim, um dia vai acontecer mesmo.

Mas espero que essas pessoas tenham feito algo de bom na terra para que tenham um bom descanso. Ao menos, a minha parte aqui estou cumprindo.

Tuesday, June 12, 2007

A Simplicidade nas Mensagens

Sempre disse que gosto é que nem traseiro, cada um tem o seu. Claro que assim como eu não gosto de música sertaneja (pra mim, tem que ser da raiz, como Tonico e Tinoco, mas daí é outra história), tem gente que não gosta de j-pop. Faz sentido. O que seria do azul se todo mundo gostasse do amarelo e por aí vai?

Não desista, aguente mais um pouco
Continue correndo até o fim
Não importa o quanto distante estejamos
Meu coração estará sempre perto de você
Procurava por aquele sonho distante


Pra quem está há muito tempo aqui, acostuma-se meio que a duras penas a gostar de música japonesa, mesmo porque pra onde você vai, a maioria das lojas, estabelecimentos e alguns restaurantes toca. Tá, cafeterias não contam. Um jeito mais fácil de aprender a língua local? Por que não? Se tem gente que escuta música americana ou britânica, e aprende o inglês "meio nas coxas"...

Quando cheguei aqui, nove anos atrás, quase nem escutava música japonesa. Comecei a ouvir pois as pessoas com quem eu dividia o apartamento, só ouviam música japonesa. Claro que tive que ouvir em doses homeopáticas, pois se fosse tudo de uma vez, seria meio chocante. Entre singles do SMAP, Tube e alguns outros que nem me lembro, uma de minhas colegas tinha um single de uma cantora. E o nome da música era "eien" (eternidade).

Lembro-me da capa, até hoje (só que como minha memória às vezes falha e como falha, não lembro se eu tenho ou não este single aqui). E quando cheguei, essa música fazia muito sucesso. Pelo menos nas lojas de CDs que andei freqüentando. Passado alguns meses depois, conheci o meu kinguio encantado que até hoje me agüenta. E quando chegou a época do aniversário dele, a gente indo bater perna naquela cidade minúscula de Hikami (Hyogo), paramos em uma loja de CDs (acho que era o Tsutaya), e eis que ele viu o seguinte CD....
Sim. A mesma cantora. Depois que (futuro) marido kinguio disse que ela é a banda. Quase não aparecia em mídia, quase não fazia shows. Comprei esse CD de presente de aniversário para o marido e depois disso quem acabou gostando da cantora, fui eu. Pra vocês verem como são as coisas...
A cantora se chamava Izumi Sakai. Compositora e líder vocal de um grupo chamado Zard. Só que ninguém sabia direito quem eram os integrantes. E nas capas dos singles e CDs somente Izumi aparecia. E sempre quase de perfil. Teve gente que diria que o grupo não existe. O mistério tinha sido, aos poucos, revelado: a vocalista era muito, mas muito tímida mesmo e tinha medo de fazer feio nos shows e apresentações em TV. Isso porque muito antes de ser cantora, Izumi foi modelo e chegou a fazer sessões de fotos que nada tinham a ver com a cantora que se tornou.
E sabe que ela foge totalmente do estereótipo das cantoras de ontem e hoje: discreta, sempre de roupas casuais (leia-se: jeans e camiseta), cabelo longo e quase sem maquiagem. Mas a voz e as canções eram pra ficar: simples, sempre com um toque de otimismo.
Porém, tamanho mistério mesmo ficou com sua partida em 27 de maio deste ano. Quem poderia imaginar que Izumi estava fazendo tratamento e planejava um show e novo álbum para provar que não estaria derrotada? Que estava se recuperando e voltaria em breve, pra nos brindar com um show surpresa, tal como ela fez no Budokan, ano passado, com o show "What a Beautiful Moment"? Restou-nos a saudade e o consolo em ouvir sua voz nas músicas que compôs para o grupo a qual ela pertencia e para outros, como Deen, Field of View e até para Teresa Teng.



Agora que estamos ao lado um do outro
Será que conseguiremos nos ver na eternidade?
Quando eu passo através deste portão
Procuro me apoiar em seus braços
Até o dia em que eu sonhar novamente


Em tempo: quando freqüentava um fórum sobre os Beatles, a foto do meu avatar era... de Izumi Sakai! (Bem como meu antigo blog que se perdeu no mundo louco da internet)

Saturday, June 09, 2007

Um feriado diferente

Tudo começou num dia de feriado do "Golden Week" (29 de abril a 5 de maio), acho que foi num sábado:

Ele: - Que a gente faz neste feriado que nem temos direito?
Eu: - Vamos passear?
Ele: - Então, vamos pro Yamashita Koen! (parque que fica no centro de Yokohama, próximo à Imigração e Chinatown)
Eu: - Então, vamos!

Só que resolvemos ir de ônibus, achando que iria dar ao menos alguns metros do parque, mas não: passa longe pra caramba! No meio do caminho eis que kinguio sugere parar próximo à estação de Bashamichi onde tem uma revenda de carros... da alemã BMW.
E naquela altura do campeonato eu ia dizer não? Ainda mais que andando mais um pouco, o Landmark Tower e suas lojas ficavam pertro dali.

(Em tempo: marido kinguio é doido em ter um carro dessa marca. Tem que ser doido mesmo, segundo fontes nunca confirmadas, dizem que a BMW tem os precinhos salgados, mas virou tão "carne-de-vaca" que parece que ter um carro destes não seria uma aberração. Bom, pelo menos entre os japoneses, claro....)

Eis que a gente olha aqui, olha ali e o vendedor, muito simpático, parecia um pouco com o vocalista do grupo TUBE, veio falar com a gente. E marido kinguio não desgrudando os olhos em um modelo sedã, preto-perolizado, com teto-solar e bancos de couro. Foi de um único dono. Pouca quilometragem rodada.

Tá, a gente tinha um carro, um Nissan Skyline, ano 94, modelo original. Mas sabe quando já rodou o que tinha que rodar e quatro pneus com os bicos pedindo conserto, sem falar que se fizer a vistoria bianual daria ao menos um décimo do valor do carro que marido kinguio estava de olho?

Conversa vai, conversa vem e em menos de um mês já estávamos com a chave na mão e uma BMW 525 preta, com teto-solar, navegador e até pedágio eletrônico no estacionamento do nosso lar apertado lar. (Pulei a parte da papelada, espera e correndo atrás de muita documentação porque senão a história vai longe.)

E isso porque já cheguei a conclusão que: toda vez que a gente combina de fazer uma coisa, a gente acaba terminando fazer uma coisa totalmente diferente do que a gente combina.

Agora, ida pro Yamashita Koen, só quando dar uma ida no Chinatown mesmo.
(Ou quando fizer sol novamente, pois junho sempre é época de chuva!)

Saturday, June 02, 2007

It was 40 years today....

Quem já ouviu aquela versão de "With a Little Help From My Friends", na voz rouca de Joe Cocker na abertura da saudosa série "Anos Incríveis", muita gente desavisada nem sabia que a música original pertence aos Beatles. Sim, estou falando sério, ou só porque sou fã confessa dos quatro de Liverpool, ficaria puxando a sardinha pro meu arenque?

Se for defender muita coisa do grupo, claro que sim. Na parte tangente que se trata que o melhor álbum de todos os tempos, nove entre dez revistas especializadas colocam o álbum "Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band" no topo delas.

Este álbum, gravado no final de 1966 e concluido em meados de 1967, é considerado o "divisor de épocas" nos anos 60. Os Beatles já tinham terminado as turnês, o movimento hippie tinha iniciado bem como os protestos contra a guerra no Vietnan. Onde tudo tornava-se colorido e alegre, seja pelas roupas ou efeitos do ácido, muito em moda naqueles loucos anos 60.

A começar pela capa, sempre imitada, nunca igualada. Feito pelo artista plástico Peter Blake e fotografado por Michael Cooper (que posteriormente fotografou os Rolling Stones para o álbum "Their Satanic Majesties Request"), a capa chega ao nível de controvérsia dos "convidados", nos quais os Beatles gastaram fortuna, papel, telefone e telegrama (fazer o quê se nos anos 60 internet era algo impensável) para conseguirem autorização para colocar a foto do distinto no álbum.

E como já se não bastasse isso, a dita capa era tida como um prato cheio pra descobrirem pistas sobre a possível morte de Paul McCartney - as flores, clima de funeral, o tal da guitarra de flores do lado canhoto formando "Paul D(ead)", a mão em cima da cabeça do Paul como se estivesse "abençoando", e por aí vai. Haja criatividade pra tanto, mas isso é outra história que se der na louca desta pessoa que vos posta, contarei a respeito. Da "morte" do Paul, claro.

E as músicas: desde ritmo de banda, passando por lisérgico (isso porque Lennon jurava e se puder em mesa-branca continuar jurando que "Lucy in the Sky with Diamonds" era um inocente desenho do filho sobre uma coleguinha na escola ao invés de sigla pra LSD. Táxi de papel e céus de geléia aí fica meio difícil...), dramas familiares, meditação hindu e música que só cães conseguem ouvir... Tudo isso um ligado ao outro sem perder o fio da meada!

Aliás, quarenta anos depois, a banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta continua emocionando muita gente....



Quer saber quem é quem? Acesse aqui e saiba quem faz parte da capa do mais famoso álbum de todos os tempos!