Thursday, August 30, 2007

Das coisas pequenas

A gente pensa das coisas que fazemos diariamente, desde escovar os dentes até sentar à beira da praia para ver o mar, são coisas banais, mas depois a gente acaba por dar valor para elas.

Acabamos por dar valor para tudo o que achávamos sem importância alguma.

Porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. De repente, a gente pode nunca mais acordar e poder admirar o doce cotidiano que com criatividade, podemos fazer a vida cada vez mais bela.

Sunday, August 26, 2007

Navegando sem bússola, mas com dicionário

Uma das vantagens que tivemos ao adquirir nosso 525, além das quatro portas, porta-malas enorme (que digo na brincadeira que dá pra colocar dois presuntos de bom tamanho lá, se é que entenderam), temos um navegador, o que facilita muito nossa vida em quatro rodas. Claro que se a gente vai viajar para algum lugar desconhecido, bastaria colocar na programação alguma estação de trem e pronto!

Tudo bem que os mais puristas e mão-fechadas (como eu) vão bater o pé e protestar dizendo que "compensa ir de trem", mas acontece que temos dois poréns: moramos longe da estação e dependemos de ônibus pra ir até à estação. Se perder o último ônibus, eu é que não vou pagar mais táxi pra voltar pra casa! Sem falar que se formos de trem, dependendo pra onde, temos que pagar tudo dobrado e depender da hora da volta pra não perder o ônibus citado.

Tá, vamos dizer que ir de trem, pode aproveitar mais andando no local, sem precisar pagar estacionamento, não gasta gasolina, essas coisas. Concordo, principalmente quando se vai para Tóquio. Se a gente vai pra um lugar e decide na hora pra ir em duzentos lugares, claro que de trem compensaria, basta a gente comprar o "one-day pass" e a gente desce tudo o que é estação da linha do passe e visita lugares inusitados. Mas se a gente já decide ir para aquele lugar e nada mais, a gente acaba indo de carro mesmo.

Ontem tivemos que pôr em prova se o navegador funcionava mesmo. Antes a gente usava bússola, depois mapa. Até ano passado, a gente tinha que se virar na base do mapa e da cara-de-pau, isto é, parar algum transeunte e perguntar se conhece tal local, porque aqui no Japão, como rua não tem nome, a gente tem que pôr em prática o ditado "quem tem boca vai a Roma".

Fomos para o nordeste da área Metropolitana de Tóquio visitar o primo do kinguio encantado que estava imobilizado num leito de hospital. Acidente e a perna engessada. Como eu peguei o endereço do dito hospital, telefone e estação de trem mais próxima, bastaria inserir um destes dados no navegador e ir embora.

Só que aviso aos apressadinhos: os navegadores estão tudo em japonês, e como parece que precisaria atualizar o CD-Rom, existem estabelecimentos que não existem mais (como o tal do Banco Mitsubishi que ficava no cruzamento no navegador e deparamos com um Banco Sumitomo), novas rotas e tudo o mais.

Da próxima vez, vou ter que carregar um dicionário de kanji-hiragana, pois a gente pensa que é aquilo que você aprendeu mas depois lê-se outra coisa...

Ed Sullivan Show

Pra quem não sabe, mas também não deve ser da época de (quase) todos os leitores deste sítio, inclusive da escriba que tecla aqui, o "Ed Sullivan Show" foi um patrimônio da TV americana. Semelhante ao nosso Sílvio Santos. Sullivan trazia "ao vivo", atrações musicais, teatrais, senão atores de cinema e se apresentavam para todos os telespectadores de todo o continente americano.

Claro que houveram algumas controvérsias, tais como mostrar Elvis Presley cantando da cintura pra cima, pois "naquela época", o requebrado do Rei do Rock era tido como "indecente", "imoral" e que "não condizia com a conduta familiar" (bom, é que naquela época não tinha a dança da garrafa...). Uma pena que ainda não encontrei o vídeo, mas quem encontrar, me avisem e passem o link pelo post mesmo, a autora agradece e publica o (a) autor(a) do feito.




The Beatles - "All My Loving": Apesar de eu ja ter postado anterioremente a vinda dos Beatles na América, vale a pena ver os quatro de Liverpool pela primeira vez no solo americano e morrendo de medo das coisas não derem certo. Não prestei atenção na minha primeira postagem, mas quando a câmera focaliza o John, tem uma legenda - "Desculpem, garotas, mas ele é casado", mas nesta que posto agora, nada tem. Pra quem não é muito fã dos quatro, vale uma outra curiosidade extra: George Harrison estava gripado, mas tão gripado, que não foi aos ensaios e na apresentação estava a base de remédios pra ver se não tossia ou espirasse no meio da cantoria....




The Blue Comets - "Blue Chateau": Um dos primeiros grupos de rock japonês (nos anos 60 chamavam de "Group Sounds") a se apresentar no Ed Sullivan Show, em 1968. A versão original é toda em japonês, claro, mas na apresentação cantaram a primeira parte em inglês. Detalhe para o uso do o-koto no início da música, que na original não tem. Em tempo: o grupo Blue Comets era considerado um dos grupos de rock japonês mais "família" que a TV japonesa comentou, fizeram o show de apresentação quando os Beatles foram no Budokan e tocaram na música "Makkana Taiyou", interpretada por Hibari Misora, a diva da música enka da era Showa!



The Rolling Stones - "Let's Spend Some Time Together"???? Pois é. Quem conhece bem as músicas dos Rolling Stones, sabe que a música apresentada se chama "Let's Spend The Night Together", mas como "naquela época", pegava muito mal (bando de pervertidos, passar a noite juntos pode significar ver a lua, escalar o monte Fuji, entre outras coisas!), o grupo foi obrigado a mudar o refrão, a contragosto, como pode se ver no jeito que Mick Jagger interpretava, mas em contra-partida, a vingança é doce e se come cru, a dança e os trejeitos, passaram batido...
(Desculpe pela qualidade, mas não encontrei outra melhor!!!)



The Doors - "Light My Fire": Tudo por causa da palavra "higher", que significa - para muita mente perversa - estar num estado de euforia sob efeito de alguma substância alucinógena. Mas pode ser excitação, alegria, que seja. Mas essa apresentação do grupo rendeu muita dor-de-cabeça naquela época, e diz a lenda que o tecladista, Ray Manzerek só soube que o grupo ia apresentar no programa por acaso, assistindo à TV e ninguém avisou antes!

Thursday, August 16, 2007

Membros perdidos, relatos amorosos e outras coisas mais

Mais atrasada que trem da central e querer sentar na janelinha. Eis que esta autora volta depois de alguns pares de dias sem atualizar este sítio. Pensam que tá fácil pensar num calor beirando o mesmo que o Deserto do Saara nos seus melhores dias?

Bom, sabe que desde que o mundo é mundo e o Senhor criou o primeiro homem, o ser humano adora uma fofoquinha. Confesso que também não resisto a uma, por isso tenho o prazer (eh, eh, eh) de compartilhar essas pérolas do showbiz daqui. Oras, aqui também temos os Nelsons Rubens de plantão bem como as revistas de fofocas, como em qualquer lugar do mundo.

A Crise dos Sete Anos: Julho foi mês quente no sentido literal da palavra. Bem no finalzinho do mês, eis a bomba que cai no meio artístico. O "casal mais enrolado dos últimos tempos", Ayumi Hamasaki e Tomoya Nagase (do grupo TOKIO) separou. Segundo conversa de salão, dizem que foi ela quem tomou a iniciativa de acabar de uma vez por todas. Disse inclusive no site oficial dela, que, já estavam mais pra irmãos do que amantes. Como dizem, a fila annnnnnnnnnda....



Rapazes e Garotas, agora o passe está livre (eh, eh, eh)!

E no auge da fama...: Dificilmente acompanho jogo de baseball,mas como aqui é o segundo (se não o primeiro) esporte mais popular daqui, fica difícil é não ver os lances na hora do noticiário. Claro que também, com tanto jogador e muitos times, a gente também não decora os nomes. Só se o cara for muito famoso, seja como performer (como o Tsuyoshi Shinjo, ex-jogador da Nippon Ham), seja como recordista de home runs (como o Hideki "Godzilla" Matsui e Ichiro Suzuki, que agora fazem o recorde pros americanos). Mas na semana passada, o que a imprensa ficou em cima (e depois passou) foi no outro jogador da Nippon Ham, o pitcher Yu Darvish, de apenas 20 aninhos. Que ele e junto com o time todo levou o clube à vitória, isso pode não ser novidade, mas que vai casar com uma atriz da mesma idade porque na hora do pega-aqui-que-eu-pego-ali esqueceram do principal...



Yu Darvish e Saeko, o mais novo casal nas páginas dos jornais (que novidade!)

Era só o que faltava.... No começo falei da Ayumi, né? Quem acompanha o showbiz daqui, sabe que falou nela, lembram da outra hipermegaultra peruaça Kumi Koda (sim, aquela que cunhou a palavra "erokawaii" no vocabulário local). Tá, a mulher pode ser bonita, posar de mulher sexy e tudo o mais, mas resta saber quem é que teve o "bom gosto" nessa história toda. Tudo bem também que o Masahiro Nakai (líder do grupo SMAP) tem carisma pra apresentador, garoto-propaganda, mas como cantor, sinceramente, não dá mesmo! Mas imagine juntar a Koda com o Nakai: esqueçam a diferença de idade entre eles, esqueçam o mesmo gosto pelo beisebol... Definitivamente, é nessas horas que acredito mesmo que o amor é mesmo cego, mas se gostam, fazer o quê?




Imagine se perdesse a cabeça.... Perdão pelo humor negro, porém o que aconteceu foi verdade: um motociclista percebeu que perdeu a perna depois de dois quilômetros quando parou num cruzamento. Isso foi verdade e a história completa (em inglês) está aqui, mas só pra resumir: um cara anda de moto numa via expressa, bate a perna no canteiro central e não sente nada?

Thursday, August 09, 2007

Sintomas da Idade....

"...é uma desgraça envelhecer..."

Na música "Mother's Little Helper" dos Rolling Stones, circa 1965, já no início já solta esse lamento que narra a história de uma dona-de-casa entediada viciada em calmantes. Tirando o vicío de calmantes, envelhecer, para muitos pode ser uma verdadeira desgraça. Dependendo do ponto de vista, claro.

O lado ruim de envelhecer, seria quesito saúde: começam as tais dores estranhas e exames médicos mais complexos, tais como o do estômago, ir ao ginecologista a cada seis meses (pra mim, a cada dois anos, dependendo da sensação pós-consulta), eletrocardiograma e se deixar, eletroencefalograma (ou como diria um amigo meu, exame pra ver se não falta ou sobra parafuso na minha cabeça).

Depois, o quesito aparência: os cabelos brancos que começam a aparecer. Dependendo de cada um, prefere deixá-los do jeito que está, pois significaria "amadurecimento". Mas no meu caso (e do meu kinguio encantado), a cada dois meses (ou dependendo da situação) tenho que gastar quase dez mil (ienes) pra cobrir os cãs que me aparecem. E tem horas que fico pensando se compensa, pois a tintura custa a pegar no meu cabelo.

Rugas não me preocupo, acho que tá pra existir mulher mais desleixada no quesito tratamento facial: lavo o rosto pela manhã e só uso sabonete facial. E do mais simples (o da Shiseido). Vez em quando uso tônico (da minha marca predileta, a "The Body Shop") pra limpar a pele, e neste calor dos infernos que assola a região, tenho que usar um protetor solar. Fator 25. Para a noite, a mesma coisa, tirando o protetor solar. Detalhe: não tenho nem um vinco no rosto dedurando a minha real idade...

Agora, o que estou cismada, é que engordei mesmo. Em questão de cinco anos, engordei cinco quilos, o que seria um quilo por ano. Se eu não tomar providências drásticas, daqui a dez anos vou parar com quantos quilos??? Sem falar que não é qualquer roupa que está me servindo, apesar que não saio do meu básico calça e camiseta ou camisa, quando vou trabalhar.

Se bem que, todo dia, ao me olhar no espelho, não aparento ter 37 anos (a não ser que muito amigo meu candidato ao engraçadinho do ano dizer que aparento 38 ). Vamos dizer: mesmo se eu usar um vestido simples, ou jeans e camiseta, tão cedo não aparentarei tão velha assim.

Depois que eu retocar as madeixas que teimam em clarear para quase-transparente.

Hiroshima e Nagasaki

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

(Rosa de Hiroshima, por Vinícius de Moraes)



Sessenta e dois anos depois, um símbolo para não esquecer.

Saturday, August 04, 2007

Já li isso antes...

Estava acessando a net, eis que me deparei com um site chamado "Pagina da karin", sobre cinema, e tudo o mais (pena que está desatualizado) e encontrei esse texto, que eu também já me passaram, mas não lembro onde e quando foi. Mas vale a risada, pois depois que eu soube que vou ter que fazer exame de sangue novamente, somente rindo pra não chorar...


Dieta

[Encontrei esse texto, da Patricia Daltro de autoria - ainda - desconhecida, no blog da Carol. Muito educativo.]


Querido Diário,

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta a adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.

Primeiro dia de dieta. Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.

Segundo dia de dieta. Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça doi um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.

Terceiro dia de dieta. Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito... Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.

Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.

Quarto dia de dieta. Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor.
A Diana comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio a Diana.

Quinta dia de dieta. Juro por Deus que se eu vir mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a Jane. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.

Sexto dia de dieta. Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro...

Sétimo dia de dieta. Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250 gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais a emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha!

Anotação: Procurar outro médico.

Oitavo dia de dieta. Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.

Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, Jane diz que é porque estou parecendo o Jack do Iluminado...

Nono dia de dieta. Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduiche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.

Décimo dia de dieta. Eu odeio Gisele B.

Décimo primeiro dia de dieta. Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.

Décimo segundo dia de dieta. Sopa.

Anotação: Nunca mais jogo poquer com o frango assado. Ele rouba.

Décimo terceiro dia de dieta. A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado o médico sugeriu um psicologo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será porque eu o ameacei com um bisturi?

Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.

Décimo quarto dia de dieta. O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.

Décimo quinto dia de dieta. Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.

Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo sexto dia. Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce.

rascunhado por Paula Foschia. | Comentários (2)

Agüentando a barra com o bico calado

Desde que eu me conheço por gente, estava quase recebendo o apelido de "seven-eleven" por eu trabalhar neste horário. Leia-se que onze eram onze da noite, quando ainda na minha cidade natal, trabalhava como programadora de CPD numa empresa das sete às cinco e lecionava das sete às onze a noite. E sem reclamar, apesar de alguns protestos por parte familiar por motivos de que eu não dormia direito e pegava meia hora de estrada para lecionar.

E olha que ainda sobrava um tempinho para escrever num jornal e dar aulas de informática aos sábados.

Quando cheguei aqui há nove anos, fui direto pra fazer verificações de celulares. Serviço leve, tudo bem. Nos dias de folga eu aproveitava para conhecer a minúscula cidade e aprender a me virar sozinha. Como saber ler, tentar falar a língua dos meus antepassados e reaprender a viver, de forma mais tranqüila possível.

Leia-se: ir a livrarias e lojas de CDs. Já lia muito manga quando estava na terrinha e meu vício virou hábito. Confesso: não consigo deixar de passar em uma livraria para folhear as novidades. Ainda bem que aqui ninguém fala "vai comprar ou vai ficar ensebando".

Na mudança pra estes lados de Kanto (i.e., Kanagawa), com mala, cuia e kinguio, nova aprendizagem: como viver a dois, saber se virar em conduções como trens e ônibus e criar vergonha na cara e procurar um curso de língua japonesa, pois como Hikami, Minamiashigara tinha brasileiro a contar nos dedos. Portanto, pra pedir ajuda, quem tem boca vai à Roma, então tive que me virar com o pouco que sabia de japonês e aperfeiçoá-lo.

Mesmo tendo que encarar um serviço empoeirado das oito às oito, sexta-feira tinha carta branca para poder sair mais cedo e ir para o curso de japonês que fazia na prefeitura das seis às oito da noite, com direito a uma passada na livraria ao lado pra alimentar meu hábito de "rata de livraria". Aliás, se não fosse por isso, nunca teria encarado tirar carteira de motorista aqui. Claro que depois de três tentativas furadas, na quarta tinha que dar certo.

O maior desafio foi quando decidi largar tudo (menos o kinguio, claro!), e encarar um novo trabalho. Em Tóquio, escritório. Entrevista, testes e conversa frente a frente com a diretoria. E procurar nova casa, pois a relação distância-tempo era meio trabalhosa.

Eis que hoje, quatro anos e meio depois, ainda estou no mesmo serviço, mesma casa e mesmo kinguio. E dia-a-dia aprendendo novas coisas, mesmo tendo que levar muito tombo e engolindo muito sapo (argh!). Mas estou feliz com a vida que temos - um apertamento alugado por nossa conta (compra de casa aqui, só se depois pagar via mesa-branca, e aí?), um 525 no nosso estacionamento, nossa TV de terceira mão mas com jeito de nova bem-conservada, nossa coleção de mais de uma centena de CDs (Beatles e Masha inclusos), nosso PC simples mas que nos traz as novidades via on-line...

Ah, sim. Encaro uma hora de trem ( ou mais, se ninguém resolver ter um passeio só de ida do lado de fora do vagão) e quinze minutos (ou mais, depende do trânsito da rota um ) de ônibus todo dia e noite. E não reclamo, pois dentro da minha agnes (minha bolsa preta do dia-a-dia) carrego meu MD-Player com vários MDs (varia: Beatles, Stones e até Legião. Passando por Masha, ZARD e diversos j-singers) e um livro pra aperfeiçoar mais um pouco de língua japonesa.

E nesta semana tive que ficar ouvindo de uma fulana que mora longe pra caramba, que era bom se pudesse vir de carro (tá, eu também queria, mas eu é que não vou pagar quarenta milhas por mês fora o pedágio pra um estacionamento no centro de Tóquio!), que não agüenta... Oras, se aceitou o trabalho, é que estava ciente dos riscos que teria... Ou achavam que tudo na vida vem de bandeja???

Fortes emoções na blogsfera!

Acessando o site das três garotas geniais, eis um site que me chamou a atenção. Acessei e estou doida pra saber o final!! Quer suspense? Fortes emoções? Conhecer num site uma festa estranha com gente esquisita e muitos suspeitos com experiências nunca dantes vistas?
Eis o local ideal: "Austregésilo Foi para o Céu?

Novas emoções a cada visita.