Thursday, January 31, 2008

Beatles, Rolling Stones e muito mais...

Enquanto muita gente prefere ir e voltar de trem ouvindo alguma música pra relaxar (e acabar perdendo a estação onde precisa descer ou fazer baldeação), eu e acredito eu, uma boa parte dos passageiros, prefere ter outro repertório de músicas. Já disse antes, muita gente ouve música através dos seus md-players, cd-players, i-pod e até celular. Pode ser que eu esteja enganada, mas acho que uma boa parte escuta música clássica (pra dormir profundamente, a ponto de eu chegar a escutar ronco, perdoem-me quem gosta, mas acho que eles escutam sim.).

Mas uma boa parte, assim da qual eu pertenço (confesso: eu não tenho um CD ou MD ou qualquer coisa que seja de música clássica), escuta rock, pop e outra seleta de música. Só que, quem me conhece e muito bem, escuto j-pop (Southern All Stars, ZARD, Hikaru Utada e outros variados, pois só Masaharu às vezes enjoa, temos que variar...). Mas muita gente que me conhece e não sabe, escuto também Beatles, Rolling Stones, Carpenters, e quando dá na louca, Legião Urbana e Paralamas do Sucesso da época que eles estavam no auge.

Sim, leram bem. Rock inglês, baladas e rock brasileiro dos anos 80. Qual o problema?

Tenho quase a discografia 62-66 dos Beatles gravados no MD pra ouvir melhor (ainda não gravei o álbum "A Hard Day's Night") na hora que bem quiser, porém, às vezes fica inevitável cantar junto com a música que ouço. Pior que tem vezes que faço isso em pleno trem lotado. Uai, existe melhor forma de esquecer que você está dentro de um trem, espremida como sardinha em lata, às oito e tanto da manhã indo pro serviço?!

Claro, ouvindo "Eight Days a Week" (quem me dera ter oito dias de folga), "Ticket to Ride", "Nowhere Man", "I'm Only Sleeping" (puxa, essa música encaixa nos dias que TENHO que acordar mais cedo que deveria e ir trabalhar!) e "Tomorrow Never Knows". Agora, ouvir "Good Day Sunshine", espremida no Tokaido (ou Shonan-Shinjuku ), me perdoa, Macca, mas não dá mesmo!



Os Quatro Bons Rapazes de Liverpool. Mas em 1966 não eram tão "rapazes" assim...

E dos Rolling Stones (sim, leram bem de novo) tenho o "The London Years" e "Forty Licks" devidamente gravados. No "The London Years", fica inacreditável que no início de carreira os cinco cantavam blues dos bons mesmo e até uma versão matadora de "I Wanna Be Your Man" dos quatro de Liverpool. Oras, temos que ter um equilíbrio musical nessas horas. Se os Beatles eram os "bons moços que qualquer mãe queria pra genro" (hahahaha), os Rolling Stones eram os "feios, sujos e malvados, que qualquer mãe queria que suas filhas estivessem presas em casa" (hahahahahahaha).

Intrigas à parte, porque na vida real os dois grupos se davam muito, mas muito bem mesmo. A ponto de um participar na música de outro (vide "Yellow Submarine", "All You Need Is Love" e "We Love You"). A lenda urbana que até hoje persiste que os dois grupos eram rivais, vem dos próprios fãs. Quando comecei a ouvir Beatles, quase não escutava os Rolling Stones por causa desta lenda besta. Só comecei a prestar mais atenção mais quando estava na faculdade e um amigo meu, hoje psicólogo, apresentou-me os Stones início de carreira. Levei um ano pra recuperar o tempo perdido, porque os caras são bons mesmo.

Claro que o grupo não é só "I Can't Get No Satisfaction". Ouçam também o humor negro de "Mother's Little Helper" (da dona-de-casa angustiada e viciada em calmantes), a alegre "She's a Rainbow" (toda vez que ouço, me lembra o comercial da Macintosh quando lançou o iMac de monitor colorido, não sei porquê), a sombria "Gimme Shelter" e as músicas de início de carreira, com as ótimas covers para "Off the Hook", "Little Red Rooster" e "Come On", direto da fonte do rock-and-roll - o blues.

Não importa se a rivalidade entre os fãs era tamanha, ou das confusões que já armaram. Pra mim, ouvir os dois maiores grupos dos anos 60 dentre os demais na minha ida e volta do trabalho já me faz bem.

Apesar que mesmo ouvindo "Let's Spend The Night Together" ou "Dizzy Miss Lizzy", já dormi no meio da viagem. O cansaço do final do expediente ou o sono perdido pela manhã, ninguém é de ferro.



"Paperback Writer", 1966. Ao vivo no Budokan, Tóquio. A música tinha acabado de ser lançada em compacto simples. "Naquela época" era uma das músicas meio difíceis de ser tocadas ao vivo.



"Nowhere Man",1965. Ao vivo no Circus Krone, Munique, Alemanha 1966. Outra das poucas músicas que os Beatles não cantavam ao vivo por ser "meio difícil de ser tocada em shows". Só o fizeram pois em 1966 estavam decididos a parar de excursionar e ficar só em estúdio mesmo.



"The Last Time", 1965. Uma das primeiras canções compostas pela dupla Mick Jagger e Keith Richards. Feita sob pressão, pois até eles mesmos estavam cansados de ficar gravando música alheia e resolveram se trancar por algumas semanas até que saísse alguma música composta por eles. Eis o resultado.



"Paint it Black", 1966. Ao vivo no programa "The Ed Sullivan Show". Dizem que foi a partir daí que tinha surgido a lenda urbana que "o que os Beatles faziam, os Rolling Stones copiavam dias depois". Tudo porque no ano anterior os Beatles tinham colocado uma cítara em uma de suas músicas - "Norwegian Wood"...



"Rain",1966. Essa música veio antecipando os "videoclipes" da MTV. A música teve a instrumentação gravada de trás pra diante, para dar o clima psicodélico na época. Gravado no Chiswick Park, com direito a uma passada nas estufas, foi o precursor dos vídeos. Notem o dente quebrado do Paul ao 00:49 do vídeo - tinha acabado de cair de moto, lascado o dente e foi gravar assim mesmo (será que foi a partir daí começaram as lendas urbanas de que Paul morreu?!).



"Jumpin' Jack Flash", 1968. No documentário "25X5 The Continuing Story of The Rolling Stones" (que eu tenho gravado em casa, via vídeo pelo programa da Rede Cultura), Mick Jagger comentou sobre o vídeo desta música: "Foi a partir daí que muita gente começou a chamar a gente de demoníacos e que tínhamos pacto com o demo". Já começava pela capa do single, que eles apareciam disfarçados com direito a Brian Jones segurando um garfo de jardinagem (e que muita gente pensou do tridente do coiso) e terminava com o vídeo com o grupo totalmente maquiado (inclusive Charlie Watts, o baterista mais sério que já vi) e Mick Jagger rebolando mais do que nunca. Se alguém pensou em "drag queen", vide então o single "Have You Seen Your Mother Baby Standing in The Shadow" e depois me respondam.



Sim, são eles mesmos - da esquerda pra direita: Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger e Charlie Watts. Na cadeira, Bill Wyman. Foto pra capa do single "Have You Seen Your Mother Baby (Standing in the Shadow)?"

Tuesday, January 29, 2008

Regionalismos

Já ouvi gente que faz de tudo pra perder sotaque. Tanto é que reza a lenda que um certo telejornal faz com que os apresentadores e repórteres façam aula com fonoaudiólogos para manter um sotaque só.

Mas eu não ligo pra isso, não. Da mesma forma que eu acho o sotaque de tal pessoa horrível, os outros também vão achar o meu pior ainda. Oras, é a lei da reciprocidade, claro. Por isso que nunca liguei muito em querer perder o meu sotaque característico do interior paulista.

Fica difícil descrever o jeito que o pessoal do interior fala, pois varia de cidade pra cidade, mas só do fato falar as palavras com o erre puxado e pronunciado, já denuncia tudo. Do mesmo jeito que já conheci muito os habitantes do sul, do norte, do centro-oeste... Tá, às vezes eu tento, mas nunca consigo. Como diria, é da natureza mesmo. Quando estou falando, normalmente, vai lá uma palavra e com o sotaque junto. Só não me peçam pra falar tal palavra, que acabo falando sem sotaque e perde a graça junto.

Mas a língua portuguesa do Brasil não vive somente de sotaques, vive também de palavras que para uns é um significado e outros aquelas mesmas palavras se tornam outras. Alguns exemplos?

Mandioca: paulista e do interior, mandioca é aquela raiz branca de casca marrom que a gente cozinha pra comer quase pelando com açúcar, ou corta cozido pra fritar. Ou ralar pra fazer polvilho doce ou azedo. Ou bolo de mandioca. Mas dependendo da região a mesma mandioca de paulista vira aipim pra carioca e macaxeira pro pessoal do norte. Mandioca no norte é a mandioca-brava pro pessoal do sul. Prova real foi minha prima, também paulista, que mudou-se pro norte do Brasil e pediu mandioca pra fazer bolo. Além do feirante ter ficado espantado, o bolo desandou. Ainda bem, senão ela não estaria entre nós pra contar o resultado.

Quentão: nas festas juninas, ao menos em São Paulo, vinho quente é feito de - claro - vinho, água, açúcar, maçã e cravo (ou canela, se preferir) e servido bem quente, pra esquentar mesmo durante o frio das festas. Agora, uma coisa que eu nunca soube que o quentão paulista (feito de pinga, açúcar e gengibre) é o vinho quente do pessoal do sul. Sim, os gaúchos, catarinenses e paranaenses chamam o vinho quente de São Paulo de... quentão! Só soube disso no ano passado ao conversar com dois colegas meus - uma gaúcha (que essa só falta a cuia de chimarrão) e um paranaense...

Ramona: acho que só o pessoal de onde moro sabe o que significa - grampo de prender cabelo. Sério. Não sei onde o pessoal tirou esse nome, mas até hoje me pego falando: "fulano, tem uma ramona pra me emprestar?". Talvez algum pessoal do centro-oeste que veio morar nas bandas do interiorzão paulista e trouxe essa palavra junto...

Guin-Guin: essa palavra só tem na região onde moro - significa... tampinha de garrafa, aquelas antigas (ou nem tanto assim...) de metal.

E vocês, conhecem mais algumas palavras que só têm onde vocês moram?

Thursday, January 24, 2008

Mais notícias e mais fofoquinhas - a missão

Parece-me que o ano passado foi o ano da comida adulterada. Explico melhor: sabe quando o produto foi feito com material vencido? Pois sim, foi o que mais aconteceu em 2007: marcas conhecidas dos consumidores tiveram as atividades suspensas (se não fechadas de vez) devido às denúncias anônimas de que esses fabricantes utilizavam material vencido para fazer os produtos.

E nem o grande eme amarelo escapou. E foi justo aquele que fica perto do meu trabalho. Reaproveitavam a salada que venceu e mudavam a data e vai saber se o iogurte também. Bom, se até então o pessoal que ia comer lá nunca passou mal...

(Adendo: e na terrinha foi o leite com soda caústica.)

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Falando em adulterações, até hoje está o problema dos aposentados, isto é, dados de contribuições do século passado, sumiram. Resultado: imposto residencial mais caro, a gasolina aumentou de preço (se bem que aí seria a alta do barril no exterior), alguns alimentos idem...

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Cada vez me estarreço com os conterrâneos que aqui moram (mesmo que por temporariamente) e vão parar nas páginas de jornais daqui e até na tevê. Antes fosse por algum ato de bondade ou que nos faça orgulhar, pois 90% sempre é algum ato que nos faz matar de tanta vergonha. Pra limpar nossa cara depois, nem se salvássemos Tóquio da destruição feita por Godzilla, iria resolver.

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Tem um certo ator de kabuki que ultimamente não faz sucesso pelo teatro tradicional, mas diante dos tablóides de fofocas. Cada vez que ele aparece a velha pergunta: continua com o casamento em dia? Bom, é que correram boatos (ou verdades?) que teria se separado, a mulher pegou as trouxas e se mandou e por aí vai. Seja como for, acho que teria melhor coisa pra ficar em evidência. Se empenhar melhor no teatro em si e não "fazer teatro" no sentido "drama da vida real".

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Falando em fofocas, será verdade mesmo que Ayumi Hamasaki está meia-surda? Foi o que disseram os tablóides no início deste ano. Que ela não estaria ouvindo nada do lado esquerdo devido a uma infecção no ouvido e que os médicos já diagnosticaram como "sem cura". Mas ela vai continuar excursionando. Depois disso, nunca mais falou-se no assunto. Vamos ver as notícias a respeito da tourneé deste ano. Mas, seja como for, ela continua poderosa, ainda no top one das paradas de sucesso... (e estimar melhoras!)

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Até então, quase final de janeiro e não vi neve. Será que até março verei neve? Na verdade, é sempre assim: quando não tem, reclama. E quando tem, enjoa. Se nevar, eu volto a falar novamente.

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Foto: do site AyuBrasil.Com

Monday, January 21, 2008

Coisas que só Kinguio sabe - Parte 2

Quem leu sobre meu kinguio e as coisas que só ele sabe e eu divido com ele além de casa, mesa, cama e contas a pagar, não pensem que a diversão parou naquele artigo.
Ainda tem mais desse peixão tamanho litro que me faz rir nas horas mais tristes...

1) No supermercado: Quase todo final de semana a gente costuma tirar o final do dia pra ir ao supermercado. De preferência um que fica a uma estação de casa e fica junto com uma loja de departamentos (que a gente quase não vai). Bom, farejar comida gostosa na promoção, isso até velha míope faz, mas dizer pra mim...

- Ki, não esquece de pegar o verde.
- Alface? (ou algum outra verdura)
- Não! Aquele verde que a gente coloca no lámen!
- Ah... Cebolinha?
- Isso mesmo!
- Por que não fala de uma vez que é cebolinha?
- Ué! E cebolinha não é verde? Então...

Outra também de supermercado:

- Ki, pega aquilo que você não gosta de comer mas eu gosto...
- O quê?
- Que é baratinho.
- Ah, moyashi?
- Esse aí mesmo. E vê se encontra pela metade do preço!

Isso porque eu não sou chegada a broto de feijão e o negócio custa menos que vinte ienes...

2) Lei de Murphy: Essa ficou meio de lei em casa: toda vez que ligo pra avisar que vou chegar tarde do trabalho ou quando ele tem que me buscar na estação quando tenho saideira com os colegas, ou está tomando banho, ou está no banheiro ou está cozinhando e não pode desgrudar os olhos do fogão... Agora quando está acessando a internet (o telefone fica ao lado da mesa do PC), ele espera e o telefone não toca. Mas bastou dar uma ida ao banheiro pro aparelho tocar...

3) Cinismo noturno: Como a gente dorme tarde da noite, por muitos motivos óbvios, praticamente a gente só acorda quando o despertador toca ou quando "esclarece". Ou o que vier primeiro. Só que no meio da noite às vezes acordo com um barulho estranho ao meu lado. Sim, marido ronca tanto, por causa da sinusite que temo que vai ter um treco naquela hora mesmo. Resta dar um chacoalhão pra ele virar do outro lado e parar de roncar. O duro é no dia seguinte ele chegar pra mim e falar: "Ki, você ronca, hein?". Olha quem fala...

4) Quase toda quinta a mesma coisa... Quase toda quinta-feira é o dia que eu folgo. Mas quando é véspera de minha folga, fico até mais tarde no trabalho e fico até mais tarde navegando na internet. Vou deitar-me quase o sol raiando e mesmo assim deixo o despertador pra tocar por causa do kinguio.
O que acontece? Cansaço acumulado dos dois, kinguio acorda em cima da hora e toca eu levar de carro pro trabalho, pois até trocar de roupa e pegar o ônibus...

5) Dorme no meio do filme: Já desisti de insistir kinguio ir ao cinema comigo. Ele mesmo fala que dorme no meio do filme. Prova disso é até em casa, quando às vezes loco alguns filmes. Pode estar o maior tiroteio, a cena de maior suspense... Já está dormindo!!!

6) "Só de respirar, acho que já estou pagando...": Essa frase ele sempre solta quando a gente sai e no meio do caminho a gente acaba passando em alguma loja de departamentos. Principalmente aquelas das grandes marcas. Quando a gente vai a uma pizzaria em Yokohama, a gente tem que passar no meio desta loja de departamentos. Ele chega pra mim e fala: "vamos sair logo daqui, pois só de respirar já estou pagando...". Tá, mas bem que gosta de perfume "de marca" né?



My love.

Sunday, January 20, 2008

Roteiro Gastronômico: Ishiyaki Biiruen

Pra quem está fora do Japão, esse nome pode soar estranho, mas para quem mora aqui, os restaurantes de yakiniku - um tipo de churrasco japonês - estão espalhados aqui e acolá, com uma variedade de carnes e preços. Pros leigos na culinária, o yakiniku se compõe de variedade de carnes (seja de frango, vaca ou porco) cortados em fatias mais finas que papel e você vai pondo na grelha que fica no meio da sua mesa e vai assando. Quando estiver no ponto, é só comer com molho apropriado. Do mais adocicado ao ardido.

Costumamos ir ao Ishiyaki Biruen, que fica na cidade de Odawara, próxima à estação de Hotaruda (linha Odakyu-Odawara). Quem descobriu esse local, foi um colega meu com quem trabalhei três anos e ele indicou pra nós. Motivo da gente ter voltado (muito) mais vezes mesmo morando em Yokohama? Bom, gostoso e barato!

O lado bom: o local é espaçoso, porém não aconselhamos muito ir no horário de pico, ou seja, hora da janta, por volta das sete ou oito da noite, principalmente nos finais de semana - corre o sério risco de ficar na lista de espera por uma hora, ou mais se esquecer de marcar seu nome na lista de espera. Já fomos aos sábados e sabemos como é. Vamos antecipando que é um restaurante família.

Ao contrário que muita gente pensa - lugar de yakiniku, sinal de fumaceira e voltando pra casa cheirando churrasco -, o Ishiyaki Biiruen não fica com a fumaça pairando no ar - as grelhas que ficam nas mesas, têm um sistema que "suga" a fumaceira para dentro da mesa. O único cuidado que os visitantes têm que tomar cuidado é pra não espirrar o molho na roupa, isso nem detergente sai.

A comida: além de carne muita carne de vaca, de porco e espetinhos de frango, também temos a escolha de legumes, cogumelos, verduras, frutas e gelatinas. Além de poder fazer sua própria salada, fazer seu lámen, um curry semi-apimentado com arroz, sushi, sopa... Sobremesa? Sorvete de massa ou sorbet e balcão de bolos. Nham! E às vezes, em épocas sazonais pode ter foundue de chocolate com morangos, algodão-doce e kakikoori (o que no Brasil a gente chama de "raspadinha de gelo"). Ah, pra digerir tudo isso, claro que temos a escolha das bebidas - self service ou cerveja ou coquetéis (atenção: se estiver de carro, NUNCA beba e dirija depois! Se for beber, vá com alguém abstêmio. Melhor do que pegar 5 anos de cana e pagar 5 milhões.).



Como chegar:

De trem: Estação de Hotaruda, linha de trem Odakyu-Odawara, dois minutos à pé. Fica ao lado da loja de conveniência Seven Eleven.

Por que a autora recomenda: Um dos poucos lugares que você pode comer um pouco de tudo e sair satisfeito. E também com a vontade de voltar mais vezes. Apesar do tempo ser restrito (limite de permanência, 90 minutos no jantar), dá pra comer na maior calma sem risco de passar mal depois. Recomendo ir na janta, pois além do tempo ser maior, têm mais variedades de alimentos. O preço é barato, favorecendo nós, mulheres, nos dias de semana, cujo preço sai mais em conta. Quem me conhece sabe que se volto mais vezes é devido ao point-card! Na primeira vez, ganha um cartão "regular" - preenchendo quatro carimbos, na quinta ida, ganha uma bebida de graça e sua cotação vai para "prata" e depois para "ouro". No ouro, cada ida ganha quatro bebidas de graça. Se forem quatro pessoas no máximo, claro...

Atenção: lugares que você paga uma quantia e come o quanto quiser, cuidado para não pegar muito e deixar sobrar. Além de desperdício, falta de etiqueta, tem que pagar a mais.

Saturday, January 19, 2008

Voltamos a Programação Normal - Parte 3

Desde que comecei a trabalhar em Tóquio, volta e meia, às sextas-feiras ( ou quase ) o pessoal do escritório resolve ir a um izakaya (tipo de bar, estilo japonês) e tomar e comer alguma coisa. Se bem que o pessoal mais bebe do que come.

Reza a regra da etiqueta de escritório, ao menos aqui, que não é bom recusar sempre um convite do pessoal em matéria de gastronomia. Eu vou quando posso, pois como já disse e repito, dependo de condução pra voltar pra casa. Claro que não posso ficar pedindo toda santa sexta-feira pro kinguio vir me buscar, senão onde a gasolina vai parar?

Ano passado acho que perdi as contas de quantas sextas-feiras saí com o pessoal do escritório para os ditos happy-hours num izakaya que fica entre a estação e o escritório. Ou às vezes num pub estilo irlandês, com direito a Guinness com colarinho e fritas. Mas a ressaca é a mesma: no dia seguinte, no sábado, acabo acordando muito mais tarde do que deveria. Claro que eu estou de folga nesse dia, mas também dormir até o sol se pôr é o cúmulo!

Engraçado que até uns três anos atrás costumava tomar - às vezes - vinho. Depois que a gente começou a freqüentar os pubs em Ikebukuro, a Guinness tornou-se algo mais... hã... revigorante. Do tipo: não me dá dor-de-cabeça. Mas meu limite são três half-pint e pára por aí. Passou disso, já me dá sono. O efeito colateral da cerveja digamos, é a vontade de ir ao banheiro toda hora.

O lado bom de ir com o pessoal nos izakayas da região é além das novidades de gastronomia ( se bem que toda vez eu como um pastelzinho de queijo fundido e um sem-número de yakitori - espetinhos de frango), a gente vai pra esquecer o dia terrível que passou em nossas vidas.


Ou: Guinness, um recorde em ressaca

Pra encerrar a semana que foi um sem-número de pessoas mandando a gente ir passear (não nestes termos, mas comentei com um colega meu ontem que, se da próxima vez alguém mandar a gente ir praquele lugar, não esquecer de perguntar se é tão bom assim por isso estão nos recomendando...)



Mais uma dele!

Thursday, January 17, 2008

Tuesday, January 15, 2008

Voltamos a Programação Normal - Parte 2

Ou: Continuando a ter desigualdade funcional

Fiéis (nem tanto) leitores deste sítio, voltei mais ou menos às atividades normais. Quando falo mais ou menos, é que estou aos poucos organizando este sítio que têm dias que fica mais abandonado que a última bala de hortelã vagaba no pote. Já começa pelo fato ainda estar me recompondo dos excessos que cometi no início do ano.

Como também saco vazio não pára em pé, dia 4 voltei ao batente, isto é, ao tronco. Claro que ano novo entra mas certas coisas continuam velhas. A começar no meu trabalho.

Vida de atendente de um departamento odiado por todos, com sério risco de acabar tendo sua cabeça exposta num poste, não é fácil. Claro que ninguém disse que seria a oitava maravilha do mundo, um paraíso. Mas ao menos deveriam ter dito que eu deveria tomar doses cavalares de chá de camomila (ou mastigar a flor de camomila pura )antes de vir ao trabalho, pois estaria mais anestesiada que meu dente quando vou ao dentista.

Desde que trabalho lá, dificilmente consigo mais do que três folgas seguidas numa semana. Só meio que implorando. Mas fica meio difícil quando somos em nove pessoas e por dia podem folgar duas pessoas. Imagine pedir para sair um pouco antes do final do expediente... O que para nós fica totalmente inviável. Acho que a última vez que pedi foi há quase dois anos atrás.

Dependo totalmente de condução pra voltar pra casa. Quando perco o último ônibus que vai próximo do meu apertamento, tenho que apelar ao kinguio vir me buscar de carro mesmo, pois andar quase uma hora à pé, é de matar. Literalmente por causa de uma ladeira que tem pra subir na volta. Isso quando é domingo, quando fico até dez da noite fazendo plantão.

Certo que isso ocorre uma vez por mês, claro que a gente faz um pequeno esforço, afinal o retorno (financeiro) é garantido. Imagine naquela época que a gente não podia pôr o carro pra rodar por causa da vistoria vencida e nosso dinheiro só dava para as despesas habituais. Sem falar no problema de saúde que kinguio teve e ficou quase um ano de cama, literalmente.

Perdi as contas de quantos domingos e feriados tive que voltar andando ou dependendo de táxi (esse, sim, cobra até o passo da minhoca!). E pra pedir pra sair quinze minutos mais cedo nesses dias? Sob risco de receber outro não sonoro na cara, fiquei na minha. Tá, podem dizer que isso é comodismo, mas também tenho contas a pagar. Eita vida essa! Só teve uma ou duas vezes, não lembro, que pedi ao meu chefe não me colocar muito até tarde na escala, quando tinha um domingo e alguns feriados.

Sorteio de quem vai entrar mais cedo ou sair mais tarde, já não entro mais. Sempre perco, é uma desgraça. Por isso que no meu Departamento, quem decide ficar até mais tarde ou entra mais cedo, é o chefe. Qualquer alteração, avisar antes...

Um indivíduo (não interessa o nome nem sexo) que trabalha lá, mal tem um ano de casa e já pediu no primeiro domingo que teria que ficar até mais tarde pra sair mais cedo. Desculpa? A mesma que a minha que dei e fui negada - dependo de ônibus pra voltar pra casa e aos domingos e feriados terminam o expediente mais cedo.

E o pedido dela foi aceito.

Claro que trabalhamos em departamentos diferentes, mas que puxa, é o mesmo escritório! Agüentei até certo ponto quando desabafei com um colega meu, dizendo que era a maior injustiça do mundo, por que uma pessoa pode e a gente quando solicita é negado? Tudo bem que agora estamos com carro e marido pode vir me buscar, mas imagine se não tivesse?

Iriam falar pra mim: "Muda de casa, oras!"

Como se fosse fácil...

Sunday, January 13, 2008

Eu e os Quadrinhos

Pouca gente sabe, mas desde que me conheço por gente sempre fui leitora fiel, nem que seja de tiras de quatro quadrinhos num jornal, de histórias em quadrinhos. Parte da culpa seja do meu pai, que mensalmente trazia para nossa casa gibis da Mônica, Cebolinha (quando ainda eram da Abril), Pato Donald e Zé Carioca (quando era quinzenal, fininho e de papel de segunda) e algumas novidades. Só que a condição para ler era quando a gente tinha os deveres de casa feitos, isto é, tirar boas notas na escola.

Apesar disso, gostava muito de ler também jornais. Meu pai assinava ( e até hoje assina ) o "Estadão". Só que nos anos 70~80 quase não tinham tirinhas, por isso aos domingos me contentava e me esbaldava com o suplemento de quadrinhos que a "Folha" trazia. E olha que era coisa boa, como Peanuts (vinha como "Peanuts - Charlie Brown e sua Patota"), Hi and Lois, Recruta Zero, Hagar o Horrível e muitos outros personagens que agora fugiram da minha memória. Mas eu me divertia.


Peanuts, década de 50, por Charles M. Schulz

O tempo passa, a gente vai pro ginasial, colegial e decide que curso fazer. Mesmo gostando de ler quadrinhos diariamente, gibis e começando a descobrir o mundo das Graphic Novels (por influência do meu irmão mais velho). Mas lendo as tirinhas da Folha na biblioteca pública era o meu ritual diário depois que eu voltava do Magistério. Só pra ler as tirinhas.



Groo, o Errante, por Sergio Aragonés. Da série Graphic Novel, Abril.

Foi por aí que conheci os quadrinhos do Angeli, Glauco, Laerte, Fernando Gonzales. Humor ácido e corrosivo, mas era uma das melhores formas de se rir de tudo que a gente considerava imoral, sujo e perverso. Existia melhor forma de ridicularizar a política, a vida, os falsos morais sem ser perseguido pela censura? Humor, of course.


Luke e Tantra, por Angeli.

Mesmo estando aqui do outro lado do fuso horário, ainda tenho a chance de ler as tirinhas de muita gente antiga e de muita gente nova. O que a gente não encontra nas melhores (e piores) lojas do ramo, a gente encontra na rede. Claro, pra gente encomendar o melhor do melhor dos quadrinhos nacionais, só implorando para alguém que vá a terrinha e traga na bagagem. Como presente, claro. Mas enquanto não marco minha volta de férias, fico somente via on rede mesmo.



Níquel Nausea, de Fernando Gonzales.

Sim, porque livro nacional aqui, somente de auto-ajuda e olhe lá. Por que essas lojas não vendem algo novo, como os livros do Laerte (o último, Laertevisão, é uma bela lembrança do tempo em que éramos felizes e não sabíamos), do Glauco, do Angeli, bem como de gente nova, como Allan Sieber (colaborador na Folha com a hilária "Vida de Estagiário"), André Dahmer (da corrosiva "Malvados") e Benett (ganhador do Salão Internacional de Humor de Piracicaba em 2005).


Allan Sieber self-worker-portait.

Faria uma sugestão para as livrarias nacionais daqui investirem em vender quadrinhos. Por que não? Melhor que livro de auto-ajuda, só revista de humor. E dos bons.


Malvados, tirinha (de teor ácido e corrosivo) de André Dahmer.

Efeitos colaterais? Nunca mais vai parar de rir. Contra-indicado para pessoas de que não possuem senso de humor, acham que a vida é uma droga e que quadrinhos é só pra gente inútil.


Benett-o-matic, de Benett. Seria o cara do boné seu alter ego?!

A autora indica e recomenda!

Favor clicar em cada autor para saber o que tem dentro.

Adão Iturrusgarai
What's Pop Up, Aline, Rocky and Hudson, tudo num site só!

Allan Sieber
Vida de Estagiário, Preto no Branco, Detalhes tão Gigantes de nós Dois.

André Dahmer
Os Malvados, Escola da Vida. Humor corrosivo para pessoas ácidas.

Angeli
Um dos mestres do cartum nacional pré e pós abertura.

Benett
Poltergeists grouchianos, filosofia a la Woody Allen, e jura que o cara do boné não é seu alter ego.

Fernando Gonzales
Veterinário que uniu o útil ao agradável com Níquel Nausea e outros personagens.

Laerte
Piratas do Tietê, Gato e Gata, Overman...

Pryscila Vieira
Tá pensando que mulher não faz humor? Divirta-se com as histórias de Amely, a mulher (inflável) de verdade!

Thursday, January 10, 2008

Voltamos a Programação Normal - Parte 1

Ou: a São Silvestre made in Japan

Depois de ter passado a virada do ano se empanturrando de tanta coisa gostosa, trocando o dia pela noite, dando umas voltas por aí (na verdade, fizemos uma viagem bate-e-volta para Shizuoka e uma rápida ida para Tóquio), caí na real e desde dia 4 estou no batente. Do cubículo do Departamento, claro.

Janeiro mal começou pra gente e tivemos nosso carro "levemente" batizado por algum desatento no estacionamento a céu aberto de um estabelecimento. Claro que se a gente tivesse visto, já chamaria a polícia, a seguradora... O pior é que além do desatento ter sumido, nosso seguro não cobre, o estacionamento não tem câmera externa e nosso bolso este mês ficou abalado. Bom, ao menos ninguém se feriu.

Voltando, nos dias 2 e 3 de janeiro no trecho Tóquio-Hakone tem a maratona chamada Hakone Ekiden, que compreende mais de uma dezena de universidades daqui com revezamento dos corredores, todos jovens e universitários. O bom é que passa do lado da minha casa. O ruim é que nunca consigo ir ver. Quando peguei alguns lances pela TV, impressiona-me pelo fato dos corredores percorrerem quase toda a província de Kanagawa num frio de gelar ossos, de camiseta e calção. Haja preserverança.

Essa corrida é tradicional no início de cada ano. Os corredores se revezam nos dez setores que dividem a prova (cinco pra ida e cinco pra volta ).E quando chegam na parte do revezamento, o que chega tem que passar a faixa para o que vai sair. E cada faixa tem a indicação da universidade que participa (além de ser identificado pelo brasão-símbolo e pela côr).




Depois tem a volta: o revezamento novamente entre os corredores de cada universidade ganha mais ares de disputa quando se trata na corrida da volta Hakone-Tóquio. Nessa hora é pega pra capar, pois a volta é que dará a vitória a universidade que participa. Sem falar que a distância é maior que a ida (não me pergunte porquê!).

Muita gente pode achar que parece a corrida da São Silvestre que é disputada anualmente em Sampa, mas o diferencial é que a Ekiden é exclusivamente disputada por estudantes universitários, tem revezamento (se houver algum maluco disposto a correr sozinho mais de 100 quilômetros de percurso, eu não duvido) e leva dois dias. Uma das coisas que as duas provas têm em comum é ter corredores quenianos mas no Ekiden só teve dois e mesmo assim o que vale é a equipe vencer. Eis o motto da prova, que faz parte da tradição nipônica - além de mostrar os pontos turísticos do local (vamos dizer Hakone), incluem o espírito de preserverança individual, identificação no grupo e a importância de estar na mais alta hierarquia, que seria estar na Universidade (leram isso?).

A volta parece ser mais excruciante do que a ida: entre as cidades de Kawasaki e o distrito de Ota, em Tóquio, houve três corredores que tiveram que parar a prova quase na final: músculos das pernas distendidos, fadiga e uma perna torcida (quando passou no cruzamento da linha férrea da estação de Keikyu-Kamata, que passa no meio da rua ) tudo isso registrado em câmeras de TV e espectadores ao vivo. Imagine a tristeza e desespero das equipes quando sabem do ocorrido.




Sabemos que em toda disputa é assim mesmo: uns perdem. Outros ganham. Uns choram de tristeza. Outros choram de alegria. Mas final do ano tem mais, bem como nós, patrícios do outro lado do fuso horário torceremos pelos nossos atletas a desbancarem a hegemonia queniana (que cá pra nós, já está dando um saco, perdão da palavra) e provarem que nosso país ao menos tem algo de bom.



Adendo: por coincidência, quando nós nos mudamos para cá no final de 2002, logo a seguir na Nippon TV, a mesma que transmite a corrida, passou um especial sobre um corredor que lutava entre a vida e a morte e tendo como tema a prova Hakone Ekiden. Quem souber um pouco de japonês e gosta de drama da vida real, pois foi baseado em um livro escrito pela mãe do ex-corredor, se chama "Tengoku no Daisuke".

Tuesday, January 08, 2008

A Outra Metade do Ano

Ou: Carai! O ano já acabou!

No meu texto referente ao primeiro semestre de ano, fiz uma pequena retrospectiva que aconteceu e que fiz (ou deixei de fazer). Agora, meio com atraso, porque eu também merecia descansar de tudo, ao menos uma semana de folga, carambolas, eu venho terminar o ano que passou. Lá vai...

Julho: Mês que fico um ano mais velha, fico com mais cabelos brancos e neurônios de menos. Torna-se cada vez mais perigoso viajar de avião, vide o que aconteceu em São Paulo. Verão com sol de rachar. Em Saitama chegou a mais de 40 graus. Não fui me esturricar na praia de Enoshima por dois motivos: o trauma que sofri há seis anos atrás que quase fui parar no pronto-socorro por insolação e não encontrei biquini que me caísse bem. Só caíam as banhas.

Agosto: Ainda comendo mais pão, e o sol a pino. O ruim de morar perto da praia é que o ar fica com ares de melado. E haja banho. E sorvete também. Aliás, passei o verão todo tomando sorvete. Mês de finados aqui. Só que a gente trabalhou pior que coveiro em dia de enterro coletivo. Como disse no Golden Week - melhor garantir o piggy-bank forradinho do que chorar por ter gasto tanto e não sobrou nem pro café.

Setembro: Estou tentando lembrar o que fiz neste mês. Lembrei: fui no Festival do Brasil com a galera mais kinguio perto do Meiji Koen. Primo do kinguio internado com a perna engessada. O fenômeno "oshirikajiri mushi". Pintei sozinha os cabelos, mas retocar é um... E o outono chegou, as folhas mudam de côr, como todo ano.

Outubro: Não vi a Grande Abóbora, acho que não fui uma boa criança neste ano. Pudera, foi o mês que quase perdi a paciência no Departamento. Com os ouvintes que ligavam mandando a gente praquele lugar. Fico me perguntando se lá é tão bom assim. Mas de quem foi a culpa afinal? Nunca tomei tanto chá de camomila em toda a minha vida. O duro foi depois que tive que ir ao banheiro direto.

Novembro: Meu velho e bom celular sofreu um pequeno acidente envolvendo usuária desastrada e pressa. Acabei trocando por um que tem até transmissão de TV. Só que assistir a novelinha do Masha foi um martírio: segunda-feira dia da novela com ele, foi o dia que eu saía do trabalho depois que a novela acabou! Troquei de óculos e criei vergonha na cara e comecei a freqüentar academia. Uma pena que no meio do mês seguinte tive que mudar pois onde ia fechou pra reforma geral até março de 2008. Ah, sim. Fui na liquidação em Ikebukuro e como sempre nunca aprendo, saí pisoteada, amassada e descabelada. Lembrei: Tricolor é Penta!

Dezembro: Oba, o ano está acabando, mas o serviço e reclamações continuam piores do que nunca. Haja chocolate. Agora pra aplacar a Catarina que me habita e reclama quando não é saciada. Não consegui comprar ingresso pra ver o Brasil fazer muito mais bonito no vôlei masculino em Tóquio! Confratenização de final de ano numa boa churrascaria em Shibuya. Voltei com uma baita dor-de-cabeça devido a uma combinação de cassis-orange com caipirinha. Nunca mais. Assisti "Tropa de Elite". Assisti "Ratatouille". Não consigo locar "Little Miss Sunshine". Trabalhei no dia de Natal, ninguém merece. Tirando kinguio e meus amigos, os clientes não nos desejaram Feliz Natal. Trabalhei até o dia 30. Peguei resfriado mas mesmo assim fui ao Minato Mirai ver o projeto de fogos e comer MegaTomato do méqui no Yamashita Koen. E no meio do caminho assistindo o "Kouhaku Utagassen" quando a gente parava nos semáforos ( e os homens ganharam. Bem que achei que botar um grupo de 48 meninas vestidas iguais parecendo as Momosu coisa boa não ia dar). Dormi pra acordar no ano seguinte com esperança de vida nova e de que tudo vai dar certo.

... até que justo no primeira noite do ano um #$%&\*@ dos infernos acertou a traseira do nosso carro no estacionamento e fugiu. Se estivéssemos por perto, juro que chamava a polícia.

Monday, January 07, 2008

Feliz 2008!

Ano entra ano sai, sempre acabo fazendo as resoluções de ano-Novo... E como sempre também, 70% deles nunca dão certo, 20% deles ficam meia-boca e o saldo final é que os 10% que restam são as mesmas de sempre que já ficam manjados.

Pensei em não fazer planos para este ano, tirando economizar e trabalhar. Todo ano que eu penso em planejar e pôr na prática, há uma pedra no meio do caminho. O ano passado, quem disse que eu planjeva trocar de carro? Mas convenhamos que as idas para a academia de ginástica para manter a forma (se queimar as gorduras localizadas e não localizadas fica a longo prazo, ao menos ganho mais resistência física...) estou cumprindo. Só não fui nos dias que folguei porque estava fechado devido feriado final de ano. Afinal, esteira também sofre.

Voltando, referente a planejamento, lembrei-me de uma frase de Lennon um pouco antes de deixar este mundo, "o tempo passa enquanto você faz planos". O que é dolorida verdade: enquanto a gente pensa no que fará no futuro, por que não agir hoje?

Enfim, o ano chegou e estamos na primeira semana. O importante é garantir o futuro e seguir em frente, pois os erros que cometemos no passado, faremos o possível para não repetí-los no futuro. E as conquistas que obtivemos no passado, é a força para seguirmos adiante.

Feliz 2008 para todos, mesmo sabendo que é ano bissexto, ano das Olimpíadas em Pequim e o ano do rato.

Finalmente voltamos a nossa programação normal!

Saturday, January 05, 2008

O Preço da Vaidade

Aqui no Japão, nunca pensei que as mulheres ( e agora os homens ) tinham essa obsessão por salões de beleza e estética. Quando cheguei, há quase oito anos atrás, onde eu me escondia, era apenas salões de cabelereiro e olhe lá. Também, fui morar num lugar onde tinham mais tambo (plantações de arroz) que casas. Vez em quando, comprava alguma revista de moda para saber como se vestiam as mulheres locais, pois a necessidade de aprender mais a língua-avó era maior que a necessidade de tentar juntar algumas lascas. Justamente se precisasse de algo, teria que saber falar e entender a língua ou eu passava fome ou vergonha. Ou as duas coisas.
Bom, comprava de vez em quando as revistas "an-an" e "More". Ficava impressionada como as meninas de Toquio e Osaka se vestiam. Achava uma coisa meio... hã... descoordenada. Sabe do tipo usar uma blusa vermelha, calça laranja e tênis verde e achar que está abafando, sendo que mais parecia um semáforo ambulante. Se bem que em poucas idas para Osaka, realmente senti um pouco o drama. Poderia usar uma blusa verde limão e calça azul e passar despercebido na multidão, ainda mais que tenho mais cara de japonesa que qualquer nativo por aí ( e olha que sou 100% nikkei, passaria perfeitamente por um morador local, desde que eu entrasse muda e saísse calada, pois meu sotaque característico do interior denuncia).
As últimas páginas destas revistas ( e de muitas que já andei lendo ) ficam abarrotadas de anúncios de clínicas de estéticas. Do tipo - fazer dobrinhas nas pálpebras dos olhos para aumentar os olhos, desentortar pernas, eliminar gorduras locais, peelings e tudo o mais que imaginarem. E também a variedade de produtos de beleza, como cremes, loções e sabonetes, cosméticos para ficarem mais bonitas. Ou tentar, pois milagres dificilmente acontecem...
Pois bem, quando juntei as escovas de dente com meu kinguio encantado e mudamo-nos para Kanagawa (onde estamos há sete anos), a segunda vez que fui para Toquio (a primeira não conto, pois nem deu pra ver bem a cidade ), minha nossa, caí de costas! O jeito do pessoal se vestir, as inúmeras clínicas de estética, salões de beleza que você pode escolher à vontade, a preços variados.
Quando digo preços variados, você tem que saber escolher bem onde cortar o seu cabelo. Em quase oito anos, por três anos cortava meu cabelo em um salão dentro de uma loja de departamentos. O tratamento era excelente, direito até a massagem pra aliviar as dores nas costas. Se bem que os salões que frequento, seguem a mesma cartilha. Ultimamente frequento um na cidade onde moro, há dois anos. Ao menos parece que novamente acertei o corte após um ano sendo cobaia de alguns salões cujo resultado custou-me alguns fios de cabelos brancos. Uma coisa aprendi - ir em salão conceituado, pode levar algumas horas para ser atendido, mas o resultado é satisfatório. Ou em outras palavras, ir por indicação de pessoas que já frequentaram o dito salão.
Produtos de beleza, como os ditos cremes e loções, também aprendi na tentativa e erro. Teve produto que me ressecou a pele e teve outro que deixou a dita oleosa. Mas com o tempo aprendi a distinguir qual o produto que seria ideal para minha pele, indo em lojas de departamentos e conversar com a consultoria de beleza. Já indicaram produtos meio caros, mas também os mais simples. Se bem que acho que acertei, mas tenho que ter uma paciência de Jó e tempo disponível para fazer a limpeza de pele. E cabelo também.
Um belo dia, passando na estação de Ikebukuro, uma mocinha deu para mim um folheto que era uma promoção de uma clínica de estética. Mil ienes para massagem e tratamento facial. Resolvi marcar hora e ir visitar a clínica. Começa assim - um blablabla com a esteticista, limpeza com produtos da clínica deles, exame de pele para ver como ela estava, massagem, máscara, limpeza.... Pra depois na hora final, eles oferecerem os produtos (deles, claro) e tentarem empurrar para você na tentativa de vender e você utilizar. Tudo bem, se não fosse o preço.... O equivalente a meio mês de meu salário! Agradeci a oferta dizendo que eu ia pensar e retornaria.
Quem disse que retornei???
Chego a seguinte conclusão, conversando com minhas colegas: melhor pagar cerca de 30 mil mas vem a linha completa, mas completa mesmo de uma marca famosa ( vamos dizer: Chanel, Lancome, Estee Lauder, Christian Dior) do que 170 mil de uma marca que não sei se o pessoal já ouviu falar?
Atualmente utlizo os produtos desta marca! (Pelos menos eles também são 100% naturais e minha pele agradece.

Este texto é uma reedição. A autora está tentando perder os quilos ganhos, criando vergonha na cara e fazendo tratamento de choque, ou seja, limpeza de pele e esfoliando as celulites. Ela acredita em milagres e a partir de sete de janeiro ela volta com tudo novo mas com a mesma cara velha.

Friday, January 04, 2008

Comilança Informatizada

Quem trabalha em um escritório ou tem um computador em casa, sabe muito bem do que se trata. Assim como eu, você e a vizinha do andar térreo, temos a dita mania de ficar beliscando algum petisco enquanto consegue teclar, não exatamente ao mesmo tempo, mas tem gente que sei que consegue.
Até agora não sei de onde veio a (péssima) mania de ficar comendo enquanto se tecla. Ou bebendo. Ou as duas coisas. No meu serviço, bem que tento, mas quando um chocolate aterrissa na minha mesa, para alegria do meu estômago e tristeza do meu teclado, fica impossível resistir aquele petisco empacotado num papel celofanado. Em menos de segundos, só se vêem papéis amarrotados na cesta do lixo. Além da embalagem, uma ou duas folha de lencinho de papel que todo dia ganho da mocinha que fica diante da estação para divulgar alguma loja ou game center, que seja...
Claro que na hora do "pega pra capar", quando o telefone toca sem parar, fica impossível comer algo. Ou ter uma bala na boca, ato não recomendável quando se pega algum cliente com o ânimo exaltado e na hora do nervosismo a bala escorrega garganta abaixo, provocando uma tragicômica situação de crise de tosse a fim de, ou expelir a dita ou engolir de vez. Resolvido ou não o assunto, toca ir para a cozinha e trazer para a mesa uma xícara, digo, uma caneca de café sem açúcar pra ver se acorda de vez.
Quando faço plantão aos sábados, geralmente não tenho pausa pra almoço, mas minha mesa vive com um pacote de biscoitos ou um pão recheado e uma garrafa de suco. Ou café de alguma cafeteria que fique perto do local do trabalho. Não aconselhamos batatas fritas ou pipoca, pois as pontas dos dedos ficam engordurados e o teclado fica uma meleca só! Argh!
Já teve casos que alguém deu banho de Coca-Cola, café, ou alguma iguaria líquida no coitado do teclado. E que vez por mês a gente vai limpar o teclado, pois quando a gente sente que está meio que travando, a gente resolve passar o ar comprimido e o que a gente vê é um monte de migalhas de biscoitos e pão. Se bobear até uma miçanga que descolou da unha decorada (difícil acontecer, imagine teclar com aquelas unhas decoradas a la Ayumi Hamasaki...). Não sei como nunca apareceram formigas naquele prédio, a não ser que nós somos aquelas formigas. Daquelas esganadas mesmo.
A coisa não muda em casa. Sempre quando estou teclando alguma coisa, geralmente tem um saco de batata frita ou um xícara de café. Ou as duas coisas juntas. Só tomo cuidado para não entornar a dita xícara no teclado, pois já ouvi cada história....
Agora, por que essa compulsão de comer e digitar ao mesmo tempo? Tem dias que consigo ver o noticiário e digitar ao mesmo tempo.
O negócio seria investir num PC com TV junta? Meu Deus, haja money pra tanta coisa!
Pensando melhor, estou pensando em estourar uma pipoquinha. De microondas, claro. Ah, sim. E um café com leite pra digerir isso...

Este texto é uma reedição. A autora está tentando se recuperar das guloseimas que andou comendo durante o curto feriado de final de ano. Mas ela retorna em plena forma a partir do dia sete de janeiro.

Thursday, January 03, 2008

Final de Ano


Sim, a mesma coisa de sempre. Final de ano. Serviço corrido e segurando a carteira para não gastar mais do que se deve, pois janeiro seria o mês da ressaca. Muitas vezes não gosto dos finais de ano porque a gente nunca tem o quê realmente fazer. Ainda mais no Japão, que tudo fecha cedo, sem trem pra voltar pra casa. E pra completar, inverno. Um frio de rachar pedra. Imagine você resolver sair de casa num frio destes! Ainda por cima tem que ir trabalhar até dia 28.
Resolvi neste ano não ir ao bonnenkai por motivos mais do que óbvios - cai numa quinta-feira, unico dia que o kinguio encantado folga; problemas particulares, que não convém explicar... Melhor assim, não tenho que ficar agüentando piadinhas e tentar beber o que não consegue mais. Isso se você beber. Decisão feita, véspera de Natal dar uma geralzinha no lar doce lar e passar com o kinguio encantado, se bem que ambos terão que trabalhar no domingo de Natal. Enquanto alguns estão fazendo a ceia, outros estão no batente. Por um lado é bom, a gente não gasta. Outro lado é ruim - pelo fato do Japão não ser país católico (diferente de uma anta tamanho galão que me disse certa vez que aqui ninguém tem religião... Minha nossa, tem um templo a cada esquina!), feriado aqui não há...
Shoganai, vamos olhar o futuro e esquecer o passado...

Este texto é uma reedição. A autora está ainda se recuperando da ressaca do final de ano, fazendo a digestão de tanta coisa gostosa que comeu e recuperando o sono perdido de um ano todo em quatro dias. Ela só retorna a partir do dia 7 de janeiro com novas fresquinhas saídas do forno!