Thursday, March 27, 2008

[Discoteca Básica do Empório]: "Carpenters - From The Top 1965-1983"



No passado, os irmãos Carpenters tinham um público dividido - o daqueles que queriam ouvir para "abafar" os loucos anos 70 que tinham de tudo um pouco e o daqueles que achavam que não iam durar muito pois o som deles era como se um diabético comesse açúcar e passasse muito mal. Divisões à parte, vinte e cinco anos depois do falecimento da vocalista-baterista Karen, a mesma continua sendo referência de muitas cantoras atuais.

Embora as músicas sejam baladas românticas, no meio de tudo tinham várias músicas instrumentais (por conta do irmão Richard, que além de compositor, era arranjador e pianista também), interpretações de outros artistas favoritos deles (incluindo Beatles e Beach Boys) e... algumas curiosidades, tais como aparecem no álbum quadruplo - "From The Top 1965-1983".

Lançado em 1995, o box-set contendo além de quatro CDs e booklet contendo datas e informações de cada música e observações do próprio Richard Carpenter, que passou boa parte do tempo pesquisando, procurando e remixando músicas tido como até perdidas, pois do início de carreira - ainda como "Richard Carpenter Trio" - muito acervo havia se perdido num incêndio que acabou com a casa do ex-produtor Joe Osborn.

Claro que tem muito colecionador que não sei como consegue, possui acetatos originais, fitas demo e gravações direto de rádio ou tv da época. O box-set mencionado neste artigo, além das músicas mais do que conhecidíssimas dos ouvintes, traz raridades como "Caravan" (gravada em 1965 via gravador doméstico), "I'll Be Yours" (uma das poucas músicas que Karen gravou solo circa 1967 no estúdio de Joe Orbison), "Iced Tea" (instrumental que ganhou o concurso "Battle of The Bands" no Hollywood Bowl - mas uma pena que não contém a instrumental "Girl From Ipanema"), "Good Night" (dos Beatles, gravada num programa de rádio), jingles para a TV japonesa, a versão em espanhol para "Sing", a segunda versão de "Top Of The World", a versão da música de Paul Simon "Still Crazy After All These Years".

Apesar que o booklet não trazer as letras e conter poucas fotos (uma pena, apesar que uma das fotos tiradas por Annie Leibowitz traz Karen circa 1973 com o penteado semelhante ao que a Amy Winehouse usa hoje) - o box-set vale a pena também pela raridade atualmente - não se encontra mais em catálogo. Na verdade, consegui o meu quando, em 2000 já morava em Kanagawa e comprei numa de minhas (inúmeras) passadas na Tower Records.

Veja também do mesmo tema:
The Beatles Live at the BBC

Thursday, March 20, 2008

Chegamos na Primavera... chuvosa ?!

Quando lembro da música "Aguas de Março" (de novo?), caio na realidade que aqui em março fecha o inverno e começa a primavera. Porém "a promessa de vida" mantém, pois como sempre falo, março fecha um novo ano pra iniciar o outro. O ano fiscal, claro.

Até o ano retrasado, jurava que este país tinha as quatro estações do ano bem definidas. Só que janeiro do ano passado, não vi neve, quase não fez frio. O verão não foi tão quente e abafado como de sempre. Mas, em contrapartida, este ano despencou tanta neve que até teve uns desocupados de bom humor que fizeram um monte de bonecos de neve. Só faltou a cartola e a cenoura.

Já não agüentava ir pro serviço todo dia com medo de escorregar na escadaria do prédio e estatelar lá embaixo sem falar que as ruas parecem um rinque de patinação. Holiday on Ice só no Yokohama Stadium, por favor. Claro, a gente tem essa péssima mania de reclamar de tudo - se esfria reclama, se esquenta também reclama. Vai entender...

Vinte de março e chega a primavera. Claro que o kafunshoo veio antes. Porém, as cerejeiras e ameixeiras floresceram BEM antes do tempo previsto. E junto a chuva. Sim. Chuva. Nunca vi início de primavera mais chuvosa em toda a minha vida, sem falar que ficar aquele tempo ameno sem precisar andar de casacão, necas de pitibiriba (ou nicas, que seja).

Só sei que esta primavera ainda estou saindo de casa de casaco e cachecol, parecendo inverno. Só falta a neve. Mas na falta de, temos chuva.

Pelo jeito estou vendo que o verão deste ano, promete. Muito calor e ar abafado como de sempre na região onde moro - trinta minutos da praia.

Saturday, March 15, 2008

... e eu, uma pedra

Fez-me lembrar de um episódio do desenho do Charlie Brown, na qual ele e seus amiguinhos, fantasiados para o Dia das Bruxas para ganhar prendas na vizinhança. No final, quando vão fazer a contagem do que ganharam, o pobre coitado do Charlie dizia:

- E eu, uma pedra.

E várias pedras.

Por que lembrei disso num dia como hoje? Bom, como no dia 14 de fevereiro, que a gente presenteou os meninos, hoje seria a retribuição. Mas quem não quer compromisso, ganha marshmallows. Claro que no meu caso, já tenho quem me dê marshmallows, chocolates e até pedras em qualquer dia.

Claro que as pedras no meu caso, são aquelas de chocolate.



Ganhou pedra este ano? Mas pode ser útil, como peso para papéis, apoio de porta, calço de mesa bamba, para jogar em alguém que te torra os pacovás...

Thursday, March 13, 2008

No Meio do Caminho havia um Poste...

Estava lendo o blog de um artista plástico brasileiro radicado no Japão e uma das coisas que chamou a atenção dele foi o fato que aqui, os postes de iluminação daqui parece que ficam quase no meio da rua, se não BEM no meio mesmo.

Para falar a verdade, desde que tirei carta de motorista aqui, sempre reparei neste detalhe. Antes disso, como era uma mera ciclista, nem reparava, pois evitava pegar grandes ruas e avenidas e "cortar caminho" no meio do arrozal mesmo. Só teria que tomar cuidado para não cair dentro de um.

Quando a gente está dentro de um veículo de quatro rodas e motor, temos que ter atenção triplicada - você, o carro do vizinho e os pedestres desavisados. Porque aqui, aconteceu alguma coisa, acaba ficando aqui pelo resto da vida pagando todas as despesas possíveis - desde o carro até o pedestre, assunto que depois tocarei oportunamente.

As ruas daqui - tirando as rotas principais e as expressas, claro - são tão estreitas, que nem sei como um carro até de pequeno porte passa por ali. Eis que foi um dos meus vários temores de tirar carta aqui e pegar um carro. Se na minha cidade natal já era um martírio dirigir por causa da fila dupla e das ladeiras que tinha que enfrentar que nem tendo um carro 2.0 subia direito e ainda carro de mecanismo manual (sabe aquela que você tem que ter controle com os dois pés e freio de mão ao mesmo tempo?), imagine aqui que as ruas são estreitas.

Oito anos depois de ter tirado carteira de motorista aqui, ainda fico pensando dez vezes ao pegar o carro nos dias de folga (pois o resto da semana o carro só sai quando kinguio vem me buscar na estação ou quando perde a hora mesmo). A começar pelo trânsito que tem dias que fica caótico. Depois, os postes no meio da rua. Os pedestres que atravessam FORA da faixa. Juro. Por isso que quando eu falo que a gente aqui tem que ter cuidado triplicado, não estou exagerando.

Guiar carro aqui em Yokohama, pra mim, tudo bem. Só que às vezes não tenho paciência de ficar procurando lugar para estacionar, mas claro que também não posso ficar largando o carro em qualquer lugar, depois a multa que você leva, acaba por fim chegando à triste conclusão que antes ter pago mil pilas por uma hora de estacionamento do que pagar doze mil de multa, mais ou menos um dia de trabalho ganho ou uma bela compra no mercado. Nesses casos, já deixo o carro em casa mesmo e vou de trem mesmo.

Agora, guiar pra além Yokohama, antes de trocar o antigo Skyline pelo 525, o mais longe que fui (sozinha) foi para Saitama. E tudo pela rodovia local, uma viagem que de trem levaria uma hora e meia, mais ou menos, de carro me levou TRES horas. Sério. Fora o medo de errar o caminho, fazer alguma conversão errada e tomar outra multa.

E dirigir na área metropolitana em Tóquio, então? Tirando vez ou outra que eu e kinguio nos aventuramos na Tokyo Disney, mas era tudo pela expressa, a chance de erro era de 1% (só se a gente entrasse pelo lado errado e parar em Nagano), pegamos pra ir em Tóquio três vezes com o 525. Com o kinguio de motorista e eu lendo o navegador.

Eis que um belo dia não sei (e nem kinguio sabe) porquê, resolvi pegar o 525 e ir até meu trabalho. No meu dia de folga, claro.

Resultado: eis que também sabe lá quando voltarei para lá de novo. De carro. Não sei como o pessoal de Tóquio não erra, pois mesmo com o navegador, minhas chances de errar, bater o carro e/ou a polícia me parar eram grandes. Errar, já era óbvio, pois nada conheço nas ruas e avenidas de Tóquio. Bater o carro, ainda bem que não aconteceu, mas a polícia me parar...

E foram cinco vezes - não porque estava correndo, ou fiz algo errado (eu acho), mas era averiguação mesmo. Será que porque achavam estranho uma mulher com metro e meio de altura dirigir um 525? Ou porque que raios aquela mulher de carro cuja placa de Yokohama está perdida no meio de Tóquio? Ora, nada a ver. Já vi cada catatau dirigindo aqueles off-road maiores que nosso carro... Não, era rotina mesmo. Chegou na quinta vez, perguntei onde ficava a primeira entrada da expressa para voltar pra Yokohama, pois mesmo com o navegador, estava mais perdida que cachorro no meio do mato...

Quando encontrei a rota 1 que leva para casa, fiquei mais aliviada, mas o trânsito que peguei eram outros quinhentos.

E cada ruazinha que pegava para encontrar o caminho de volta, encontrava um poste quase no meio da rua...

Monday, March 10, 2008

Dia da Mulher e Outros Assuntos

Em se tratando do dia da Mulher (8 de março), a data não deveria se resumir em comemorações, lembranças e só neste dia lembrar que nós, mulheres, tivemos até que morrer para ter nossos direitos de trabalho, de voto, de emancipação.

Conheço muita gente que ainda diz que "lugar de mulher é esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque". Quer dizer que é para a gente levar um baita dum choque térmico e terminar na cama, com quase quarenta graus de febre em estado de semi-coma?

E quando falei no primeiro parágrafo que as mulheres tiveram até que chegar ao extremo dos limites da vida, refiro-me ao episódio das mais de cem mulheres que morreram queimadas (e algumas suicidaram-se) no prédio de uma confecção de roupas. Incluindo fatos como jornada de trabalho superior a 15 horas, péssimas condições de trabalho, menores de idade, patrões desconfiados, porta de emergência trancada e um incêndio, digam-me depois se não foi motivo grande o suficiente para as mulheres protestarem para melhores condições de trabalho.

(E olha que a gente briga até hoje para ter um salário digno também.)

As sufragistas já encararam alguns dias atrás das grades para terem o direito de voto. As insatisfeitas conseguiram o direito de divórcio e ter uma nova vida. As liberadas tiveram a pílula para controle de natalidade.




Aqui, ainda muita coisa engatinha num país de machistas. Porém existe um clube chamado "Associação dos Maridos Devotados do Japão", que instituiu o dia 31 de janeiro como o Dia da Esposa Amada. Por mim teria que ser o ano todo. Bom, se tem o dia do Tom Cruise, por que não o da Esposa Amada, né?

Nem tudo pode estar perdido. Ou está?

Sites Relacionados:
Dia Internacional das Homenagens Infames
Repitam comigo: eu-te-amo
O Mistério das Cinzas

Thursday, March 06, 2008

Se não é uma coisa...

Semana passada, praticamente fiquei sem voz. Para tristeza de poucos e alegria de muitos no tronco onde trabalho, era uma das poucas oportunidades de me verem entrando muda e saindo calada. Culpa do quê? Uma gripe que me atacou a garganta e como eu não fico sem tomar sorvete mesmo no frio de dez graus negativos, deu no que tinha que dar.

Passei meu dia de folga em casa, sem poder sair direito pois a garganta me coçava. E tinha que ter voz pra encarar a semana que viria com direito a pedradas e pauladas. Mas como minha dose diária de leite estava em dia, passei a semana em recuperação a base de leite fervente com mel. Sim, fervente. Não esquentado no microondas (que ando fazendo no meio da pressa).

Você está sarando da gripe, eis que março entra e com ele o maldito do kafunshoo, alergia ao pólen que só neste país pra ter isso mesmo. De dois ou três anos pra cá, meus olhos coçam, meu nariz vive entupido e espirro a cada meio segundo. E toca a Piggy aqui ter que passar aspirador na casa toda três ou quatro vezes por semana, borrifar produto pra matar ao menos 70% desses vermes todo dia, pingar colírio três ou quatro vezes por hora e enfiar cotonete com gel polencida no nariz a cada cinco minutos. Argh!



Humm... 'xa ver... Colírio que arde mas refresca, spray ultramegahipercaro mas que é eficaz contra pólen, bebida a base de iogurte, sei lá, lencinhos macios pra não ralar o nariz, pomada pro nariz e... uma dose cavalar de cotonetes pra enfiar a tal pomada DENTRO do nariz. Acho que até maio estarei prevenida.

Links Relacionados:

Alergia, alergia
Novamente a vinda da... alergia!!!

Tuesday, March 04, 2008

Eis o final de ano... fiscal!

Vou falar a verdade: chega março, além da primavera e do kafunshoo, chega também o desespero de muita gente. Sim, o final do ano fiscal.

Acreditem, só aqui mesmo para dizer que o ano começa em abril e termina em março do próximo ano, parece calendário criado por Julio Cesar, ou Gregório, que seja. Mas voltando, chega março, parece que muita gente quer se matar de uma vez. Talvez seja porque o fim do ano fiscal pode determinar o destino do funcionário da empresa x.

Ou sai ou entra novo. Mas todo ano é a mesma coisa, então a gente só espera e... reza. Mas não somos acomodados, eu espero...

Da mesma forma que este post de hoje só criei pra encher lingüiça sem tempero, argh!