Monday, June 30, 2008

Minhas (curtas) férias - Parte 2

Bom, depois de quatro dias de merecidas férias, cá estou de volta, neste sítio e também no trabalho propriamente dito. Tá, muita gente vai me dizer que estou ficando folgada, mas dêem um desconto - quem me conhece, sabe que há muito tempo que não tiro férias (tirando um mês que estive fora e início de fevereiro...) e já estava quase endoidecendo, então, antes que eu acabasse esganando alguém de graça, tive mais que folgar mesmo, tenho direito, uai!

1o. Dia: Quinta-feira, maravilha! Poderia dormir até mais tarde, mas lembrei-me da roupa que deixei acumulada por uma semana e pus pra lavar de uma vez só. Até aí, tudo bem, se não fosse o fato do clima não colaborar comigo: nublado com previsão de.... chuva!!! Carai, nem no minha semana de folga?! Como teria mais três dias e meio de folga pela frente, então, ficaria em casa ajeitando o que teria que ajeitar.

Fui assistir os DVDs que comprei no Amazon e descobri que eles não funcionam no meu DVD convencional. Moral: tive que instalar o DVD-RW que comprei no mês retrasado pro meu velho PC e deixei na caixa por pura preguiça. Mas ao menos assisti quase a 1a temporada de dois dos Monkees. Ah, sim. E na minha semana de folga, seria minha semana de fazer o almoço e janta desta casa. E a noite passei a metade da roupa que tinha secado na lavanderia. Choveu o dia todo e não saí de casa.

2o. Dia: Sexta-feira. Fui na academia de manhã depois que deixei marido kinguio no trabalho. A academia que estou indo é uma beleza, tem até a simulação de como se cavalga, sauna, hidromassagem e piscina. Só não me sinto à vontade nesses três ultimos lugares, não por causa da vergonha de ficar como vim ao mundo, mas - Deus que me livre falar isso, pois também ficarei - nessa academia, 90% das freqüentadoras têm idade acima de 60 anos ou mais. O que isso tem a ver? Um dia desses explico.

Dei uma passeada por Yokohama (centrão, mesmo), mas final de tarde ninguém merece - as lojas lotadas e pra tomar um simples sorvetinho no Baskin-Robbins peguei fila só por causa da promoção que estavam fazendo - sim, três bolas de sorvete pelo preço de duas. De tamanho pequeno, claro. Compra só se foi no supermercado e lembrei da jarra de café, pois a que eu possuia, quebrou faz algum tempo.

Só que esqueci de levar o carro para fazer o orçamento do ar-condicionado que deu de deixar a gente na mão na quinta passada. Lembrei disso quando estava voltando pra casa e passando calor e ter que dirigir o carro de janela aberta.

3o. Dia: Não fui na academia, deixei a roupa de cama lavando, levei kinguio pro trabalho e criei coragem e avisei meu bolso que teria que levar de qualquer jeito o carro pra arrumar o maldito ar-condicionado quebrado. Se ainda estivesse na garantia, logo que pifou, tinha levado. Levei na concessionária, com direito a tratamento personalizado, café gelado e revistas da semana (daquelas pra quem tem salário acima de seis dígitos, mas isso é outra história).

Voltei pra casa vinte mil a menos na carteira mas que não iriamos mais passar calor neste verão. Ou frio no inverno.

Dei uma passada no escritório e ganhei um iPod, envolvendo reconhecimento da operadora e dos nossos chefes pelo trabalho que a gente faz.

Nada demais, só mais a noite que eu e marido kinguio fomos passear pelas bandas de Yokohama só pra ele sentir o ar condicionado consertado.

4o. Dia: Domingo, último dia de minha folga. E chove adoidado. Confesso que dormi até meio-dia e ao sairmos quando estava garoando, pegamos fila pra ir ao mercado, fila pra tentar entrar no mercado e fila pra tentar estacionar em outro mercado. A maioria dos japoneses receberam bônus de verão e foram torrar em tudo o que é loja de departamento, que por sinal estava fazendo os bargain sales de verão. Felizmente, eu espero, não cai na tentação.

Resumo da semana de folga: choveu, minha roupa acabou sendo estendida em tudo o que é canto da casa, passei um cesto inteiro, fiz um bolo, cozinhei três dias seguidos, compra de supermercado pra quinze dias, assisti metade dos episódios, paguei contas e o mais longe que fui passear foi pra Ikebukuro. E só.

Na verdade, folga também foi feito pra não fazer nada.

Wednesday, June 25, 2008

Aviso (não muito) importante

Devido a autora tirar a sua merecida meia semana de férias, ela manda avisar que é melhor dar uma lida nos textos anteriores só pra matar ou não a saudade.

Ela diz que volta, mas não sabe dizer se pra melhor ou pra pior.

Se bem que pior do que está, ela não fica.

Sunday, June 22, 2008

Wait!

A paciência seria uma virtude obrigatória - não adquirida.

Tá, confesso que nestes últimos dias andei emburrada, impaciente, estressada. Mas a gente não é de ferro, certo que problemas não se misturam, mas não tenho culpa se meus hormônios que me acompanham desde que nasci, estão fazendo a festa. Sem falar da Catarina que volta e meia encasqueta de se contorcer toda e dar em mim efeitos colaterais.

Agora vão falar que a culpa é minha só por causa que não sei controlar meus hormônios e acostumei muito mal a Catarina?!

Ainda bem que faltam poucos dias para minha merecida meia semana de folga, quem sabe volto renovada.

Ou pior ainda.





Ah, se eu tivesse o tal caderninho do Kira... Acho melhor, não.

Wednesday, June 18, 2008

Kasato Maru, 100 anos depois...

Escrever algo sobre o Centenário da Imigração Japão-Brasil de minha parte fica meio complicado. Não que eu nada saiba sobre isso, longe disso, mas pensar que os primeiros japoneses que desembarcaram em Santos com a promessa de uma vida melhor, faz-me lembrar de hoje mas com uma certa diferença de que cem anos atrás era mato e mais mato, condições precárias de trabalho, saúde, quem dirá de moradia.

Cem anos depois a gente percebe o quanto nossos antepassados lutaram e conseguiram um espaço na imensidão do país que é o Brasil, lugar para muitas raças, nacionalidades e credos. Mesmo durante a Segunda Guerra que muitos descendentes da "Turma do Eixo" foram perseguidos e humilhados, deram a volta por cima.

E hoje aquela pessoa que debochava da gente, hoje diz que tofu e sushi is the best.

Tuesday, June 17, 2008

Gold Fish in a Piggy Bank

Toda noite, antes de dormir, agradeço ao Senhor pelo dia que passou, por mais que seja atribulado, confuso, estressante, mas ao menos estamos vivos, com saúde e que podemos continuar a trabalhar nossa vida. E agradeço também por ter encontrado pessoas a quem posso confiar, conversar.

A gente pensa, né, que hoje em dia não se pode confiar em mais ninguém. Quem me conhece, na verdade eu sou desconfiada ao infinito. Demoro para fazer amizade com alguém. Mas sabe aquele ditado - "Não se julga um livro pela capa".

Até hoje continuo desta forma, o que às vezes me prejudica um pouco, sabem. Quando descubro que tal pessoa é assim ou assado, levou meses e nessa altura já a tal pessoa tem a certeza de que sou... desconfiada!

Mas como também sou ser humano e tenho lá minhas falhas, também não nego que tem muita gente achando que sou isso ou aquilo sem antes me conhecer. E quando me conhecem realmente (e vice-versa), ou a gente acaba rindo disso tudo quando a gente comenta na roda de bar ou a gente chora por ser tão cego(a).

Há quase dez anos atrás, conheci a pessoa que me atura quase o dia todo (digo quase porque trabalhamos em lugares diferentes), me acompanha onde dá (menos shows ao vivo, cinema e loja de departamentos)...

Foi responsável por eu gostar mais de música japonesa, comer mais sashimi, gostar de polvo, me trazer pra Yokohama (a segunda maior cidade do Japão), conhecer lugares diferentes, por eu ser mais pão-dura, por fazer acreditar que o passado foi feito pra lembrar do que fez e não fazer de novo no presente e no futuro.

Mas também fui cumplíce dele na aquisição de um 525.

Apesar de já termos chegado ao fundo do poço, conseguimos nos reerguer e seguir adiante com nova perspectiva de ver o futuro. Podemos estar com pouca grana perto de receber o salário? Mas estamos trabalhando, temos comida, temos saúde, temos um apertamento, isso é que importa. Ah, sim. E as contas pagas em dia.

O importante é estarmos vivos.

Por mais que enfrentemos tempos ruins, sempre vemos que o sol vai estar brilhando e enxergaremos a luz no fim do túnel e que nossos passos serão iluminados.

Feliz aniversário, meu peixinho dourado!

Sunday, June 15, 2008

O dia da preguiça

As vezes, pareço que estou nos dias de pefeito personagem do Mario de Andrade - Macunaíma - exceto pelo item "herói sem caráter". Mas que muitas vezes a preguiça bate à minha porta, isso não tenho como negar.

Chega dia da minha folga, depois que deixo marido kinguio no serviço, vou pra academia para [tentar] queimar os quilos extras, chego em casa para estender a roupa que deixei na máquina programada para lavar, e depois bate aquela maldita preguiça, que não dá vontade de sair novamente de casa.

Por que eu volto pra casa depois que saio da academia ou depois que deixo o maridon no serviço, sendo que poderia sair direto? Primeiro: tem roupa pra lavar, casa pra limpar, e quem me conhece sabe que não vou passear sem antes deixar a casa. Segundo, sabem quanto custa o preço de um estacionamento? Eu é que também não vou ficar pagando 30 mil pilas de multa por estacionar onde não se deve também.

Ultimamente andou sendo assim - volto da academia, faço o que tenho que fazer em casa e... acabo assistindo vídeos no famoso YouTube da vida ou quando resolvo alugar alguns... Se bem que depois que a locadora perto da estação de onde moro, fechou, não loquei mais nada.

Resumindo: isso eu mesma admitiria que estou ficando velha!

Thursday, June 12, 2008

Quando não se cutuca onça com vara curta...

Ou: nunca contrarie uma mulher em TPM

Quando uma mulher está naqueles dias em que tudo irrita, escrevam embaixo, pois é batata: TPM. Sim, pra algumas e quase toda a população masculina do mundo, pode significar coisa inútil, mas experimenta contrariar uma nesse estado e depois me contem, isso se escapar vivo.

Faltando algumas pouquíssimas semanas para nós, mulheres, ficarmos literalmente no vermelho, o humor de uma grande maioria oscila entre a choradeira e a vontade de esganar o primeiro que irritar. Sei disso porque eu também passo por isso todo santo mês. Já tentei de tudo: leite de soja (que eu não gosto puro), ouvir música, fazer regime, ir a academia... Mas nada desse TPM diminuir.

Eu mesma já sinto os sintomas: quando me irrito por qualquer coisa, eu fico mais irritada ainda. E as coisas que em "dias normais" passam batido, nos dias de TPM parece que incomoda. Sem falar que, se passo uma semana ou duas sem comer um chocolate, na semana crítica me esbaldo naquelas barras de meio-quilo sozinha. E não precisa ser necessariamente aqueles tradicionais, até aquele 99% de quase puro cacau eu aceito numa boa.

Uma das coisas que mais me irritam é o fato da pessoa saber que estou de TPM, irritada e mal-humorada e vai lá e me irrita mais ainda e fico mais mal-humorada. Das duas uma: ou me "adoram" ou adoram é levar bronca.

Seja como for, felizmente estes dias críticos passam logo.

Tuesday, June 10, 2008

Contra o Mundo e Todos

Sei que depois de muito tempo sem postar aqui, já chega o mês de junho e ter que postar coisa nada agradável. Mas é que existem certas coisas que a gente, por mais que tente, acaba por lembrar.

Há sete anos atrás, oito de junho de 2001, um desequilibrado mental (assim que dizem?) entrou numa escola primária em Osaka e matou oito pessoas, a maioria crianças. O acusado confesso foi condenado a pena capital e executado três anos depois.

Coincidência ou não, domingo passado, também um oito de junho, em Akihabara (conhecido por muita gente, especialmente turistas, como "o paraíso dos eletro-eletrônicos"), em pleno meio-dia, horário de muito movimento, um inconformado com a vida e tudo o mais, resolve sair de uma pacata cidade, aluga um caminhão, vai pro centro da cidade e, além de atropelar, esfaqueia (e mata) pessoas a esmo.

Como se era de esperar, claro que foi premeditado: na noite anterior ao crime, o acusado enviou mensagens via celular para um site do tipo "twitter" informando a cada instante o que ia fazer até a hora fatal.

Certo dizer que pela proporção contigente populacional x criminalidade, poderia-se dizer que o Japão seria um dos países mais seguros do mundo, mas o aumento de crimes à faca cresceu. No início do ano, um rapaz matou oito numa estação de Ibaraki; ano passado, em Asakusa, um adolescente ameaçava os transeuntes com duas facas (este, felizmente, não feriu nem matou ninguém). Aí fica a pergunta: o que está acontecendo?

Seria uma forma de expressar o descontentamento com o mundo?
Como disse o pai de uma das vítimas - "se não está contente com o mundo, não precisa sair matando qualquer um".

Pode ser que muita gente depois esqueça, mas ao passar no centro de Akihabara, sempre vai ter um ramalhete de flores e/ou uma garrafa de chá no local do incidente e aí fica difícil não lembrar.