Thursday, November 27, 2008

Desenho de mulherzinha??? (ahahahah!)

Não sou feminista, mas sempre achei o fim da picada associarem o desenho (seja cartum, quadrinho, charge) feito por mulheres como "desenho de mulherzinha". Nair de Teffé assinava como "Rian" para que a sociedade machista não descesse o malho ao saber que, quem fazia os cartuns de época República Velha era uma mulher.

Não se esquecendo de Tarsila do Amaral e seus quadros do Modernismo brasileiro nos anos 20 ( o famoso Movimento Cultural de 1922 em São Paulo, lembram? Se não, estude mais História Moderna e Contemporânea do Brasil.).

Mesmo ao passar da décadas, a tal emancipação feminina a ponto de queimar sutiã em praça pública, as mulheres cartunistas/desenhistas eram muito poucas, e se tivessem algum destaque - mesmo que mínimo - eram "massacradas" pela sociedade machista que insistia em desenhar e ver o mundo feminino pelos olhos deles (uma das exceções a regra seria a Mafalda, do argentino Quino).

De alguns anos para cá, as mulheres estão ganhando espaço próprio no cartum, quadrinhos, o que for relacionado a desenho para o público em geral. E não seriam cartazes fofinhos em tom pastel como muita gente pensa hoje.

Mesmo eu estando do "outro lado do fuso horário" ou "aqui é noite enquanto no Brasil ainda é dia" (daí a piada pronta "deve ser ruim dormir com o sol na cara"), eu acompanho o que temos de novo nos quadrinhos atuais, seja no Brasil, seja no mundo, apesar que o quadrinho brasileiro aqui não ganha espaço, exceto nas revistas e jornais da comunidade.

Aqui, mesmo a sociedade ser extremamente machista, existem sim mulheres que trabalham com a arte do mangá. Um pouco me dói em saber que a maioria faz aqueles traços delicados demais, cara de coitadinha demais (que até seduz para outras coisas, se é que me entendem), muito infantis demais, muito açúcar demais. Mas claro que existem exceções como Ai Yazawa com "Nana", Moyoco Anno com "Hatarakiman" e Chica Umino com "Hachimitsu to Clover" (um dia desses comento sobre esses mangás e porquê).

Eu conheci - via internet mesmo - dois quadrinhos que me surpreendem não só pelo fato de serem desenhados por mulheres, mas pelo conteúdo que é apresentado. Desenho de mulherzinha? ah-ah-ah...


Leia as histórias de Amely, a mulher de verdade no: http://pryscila-freeakomics.blogspot.com/

1) Amely, a mulher de verdade: Pryscila Vieira, designer de Curitiba, além de desenhar para livros, fazer vinhetas, cartazes de publicidade, faz também quadrinhos das aventuras da boneca Amely, a mulher de verdade. Só que diferente da música "Amélia", Amely já vê o mundo pelos seus próprios olhos mas de forma totalmente crítica e como a própria autora já disse que "Amely é o porta-voz de todas as mulheres que se sentem traídas pelas próprias conquistas".

Seus quadrinhos também são publicados no jornal Metro Magazine de São Paulo, que faz parte da rede internacional que leva o mesmo nome.

Leia a entrevista que ela (Pryscila) concedeu a UOL aqui e conhecerão melhor a criadora e criatura.


O sonho a ser realizado (Caramelo), o mau-humor (Maria Joaninha), o silêncio (Meleca) e a inocência infantil (Mauro). Só faltou a Brigitte purpurinada. Acesse: http://www.bichinhosdejardim.com/

<2) Bichinhos de Jardim: Descobri os quadrinhos da designer Clara Gomes, de Petrópolis, através de um meio nada convencional - a postagem deles (era a série "Horóscopo dos Bichinhos")num album de fotos de uma amiga minha no... Orkut! Já vi que o humor crítico, ácido e debochado era realmente o que eu gostava e fui visitar o site, já que nos quadrinhos vinha o endereço eletrônico.



E não é que realmente valeu a visita? Os desenhos, redondinhos, simples e cativantes dos bichinhos também trazem por trás dessa fofice toda, a visão do cotidiano - variando entre o inocente ao mais debochado possível, mas sempre com um fundo de verdade mesmo.

O grupo principal, formado por Caramelo (um caramujo otimista mergulhado na filosofia da vida, apaixonado por uma borboleta e que um dia sonha voar, por isso quer ser astronauta. Seu melhor amigo é o Mauro Minhoca), Brigitte (a borboleta patricinha e esperta, por quem Caramelo era apaixonado, no início das historinhas. Não, a autora já explicou que Brigitte não é caolha), Mauro (uma minhoca - ou minhoco, como queiram - inocente a ponto de acreditar em todas as lorotas do amigo Caramelo. Uma minhoca de bem com a vida, gosta das coisas mais simples, se trata com homeopatia e tem orgulho de suas origens - seus pais eram de cores diferentes, de famílias rivais, por isso nasceu listradinho de verde e amarelo), Maria Joaninha (uma joaninha "cascuda", de personalidade forte, sempre mal-humorada, constante vítima de malas-diretas, e-mails de propaganda e atura amigos sem-noção, mas é realista, talentosa e pensa em se apaixonar. Uma representante direta de todos nós que temos que encarar a parte mais irritante do nosso dia-a-dia) e Meleca (uma lagartixa minúscula e muda, tal como Carlitos, o silêncio seria a melhor forma de enxergar o mundo sem pronunciar uma palavra sequer. Seu olhar cativante e seu silêncio, traz o equilibrio no mundo caótico e transtornado que nós vivemos).

Recentemente, Clara e seus bichinhos foram indicados pela revista Epoca na reportagem "Os 80 Blogs que você não pode perder". Quem tiver a revista, dá uma olhada!!

Wednesday, November 26, 2008

O que é tragédia vira notícia

(Mas o que aconteceu, isso sim tem que ser comentado)

Para quem acompanha as notícias do Brasil (seja por internet, tv a cabo, parabólica, jornal, sinal de fumaça), recentemente, devido às chuvas que continuam a cair no Sul do País, a situação já chegou a calamidade pública. A ponto a sair na tevê japonesa? Até a ponto até ser manchete principal da BBC, CNN e outras emissoras mundiais.

Na verdade, para não cair na redundância, melhor acompanhar os jornais via internet e também de pessoas que lá moram:

Pega No Meu Blog, os autores são de Santa Catarina.
O da Rosinha, paulistana que mora em Camboriú já faz tempo.

E quer saber sobre doações? Acesse o site do Inagaki que ele passa as dicas.

Pausa pro comercial...

Um dos comerciais mais legais que vi há dois anos atrás e só saiu na tevê japonesa.



(PS: gostei do comercial apesar de não ter gostado do modelo do carro...)


Ah, sim! A autora deste sítio volta logo, loguinho.

Sunday, November 23, 2008

... e também o final de ano



Quando chega junho, eu diria "nossa, já estamos no meio do ano".

Quando chega julho, quando eu fico mais velha, "carai, o ano está acabando!!"

Agora, quando estamos no final de novembro, o ano finda, e passa mais rápido ainda.

Pra dizer a verdade, não gosto quando chega o final do ano. Ainda mais que a gente está em um país estrangeiro, com outros costumes e afins. Certo que eu já disse que "em Roma faça como os romanos", mas passar o dia 25 de dezembro enfurnada no cubículo do escritório, aí ninguém merece. E a probabilidade de a gente desejar um "Feliz Natal" pra fulano do outro lado, e a resposta vir "Feliz Natal o..." é a mesma do que o seu pão com manteiga (ou algo similar) cair sempre com o lado da manteiga (ou algo similar) pra baixo.

E também quando chega dezembro onde trabalho fica a maior correria, não é bom deixar pendências pro ano que vem, reuniões... e a tal festa do final do ano da empresa, que muita gente sugere um lugar assim ou assado mas ninguém decide nada e acaba sempre no mesmo lugar dos anos anteriores. Dá vontade de sugerir encomendar pizza de variados tipos e a gente comer no escritório mesmo. Ao menos sai mais barato, ainda mais no dia de hoje...

Sim, as bolsas de valores despencaram, o dólar despencou e o trabalho idem. Agora, seria a melhor hora de pensar dez vezes antes de pensar em comprar algum mimo caro e ir fazer algum curso de atualização. O mercado vai começar a ser concorrido.

Já estou providenciando os meus. Cursos de atualização, claro.

Saturday, November 22, 2008

This is the end

O que é bom dura pouco: assim como uma caixa de chocolates, quando chega ao fim, bate aquela tristeza.

Quando aquele filme legal acaba, você queria que não acabasse.

Quando seus amigos têm que partir (em todos os sentidos possíveis da palavra), a saudade bate.

Quando um site muito bom chega ao fim, você dificilmente vai encontrar outro.

Quando recentemente comprei uma de minhas revistas favoritas, no editorial já informa que "após dois anos e três meses de edições, encerraremos nossas atividades..."

Dizem que o fim de algo pode ser o começo de uma coisa nova.

Esperemos.

Thursday, November 20, 2008

Sem novidades (ou: ô semana...)

Depois que você volta de dois dias de (merecida) folga, parece que a semana passa e você não fez nada. Para dizer a verdade, foi isso que me aconteceu.

Um final de semana de folga, o que você resolve fazer?

Dormir até sabe lá que horas permitir. Do jeito que eu estava, dormir até sabe lá que horas ia me fazer bem. Eu digo "ia" porque depois meu relógio biológico (que já não anda tão certo quanto eu) fica mais desajustado do que já está, ou, em outras palavras, vou acabar dormindo às cinco da manhã no dia seguinte.

Dar uma geral na casa. De fato eu faço quando folgo, pois "dar uma geral na casa" não se restringe a passar o aspirador na casa e tirar o pó em cima dos objetos, mas vai para lavar o banheiro, a banheira, lavar roupa, fazer a contabilidade da casa...

Fazer alguma receita inédita. Bem que eu tento, mas sabe quando a semana toda você fica na cozinha e chega no dia da sua folga você quer mais é ficar longe dela. Exceto para ir à geladeira e ver o que sobrou do dia anterior. Resultado: acho que depois que mudamo-nos pra Yokohama, raras foram as vezes que fiz uma receita mirabolante. Bom, o ratatouille sem o tomilho e o doce de abóbora que virou pasta de abóbora com açúcar foram as últimas aventuras na cozinha...

Assistir a algum filme. Já falei que a locadora mais próxima de casa fechou e fico com preguiça de pegar o carro e ir na locadora que fica a dez quilômetros daqui? E o primeiro que falar "aluga na net", ou "baixa da net", apanha.

Incrementar meu iPod. Em julho, antes do meu aniversário, a empresa onde trabalho presenteou, não só a mim, mas todos os funcionários, um iPod nano color da segunda geração. Ora, pra quem estava com um MP3 que começou a desandar, pra mim foi ótimo! Só que desde outubro, se não me falha a memória, não inseri mais nada nele e conto com quase trezentas músicas pra ouvir no trem.

Mandar tudo às favas e bater perna por aí. Bom, quase toda folga a gente faz isso mesmo...

Sunday, November 16, 2008

Colocando a casa em ordem

Literalmente.

Quando a gente fala que vai tirar dois (ou mais) dias de folga, muita gente entende como "ah, vai viajar", "vai passear", "tu andas muito folgada, hein?". Mas até hoje nunca ouvi alguém dizer: "vai tentar pôr a casa em ordem?".

Não culpo ninguém em não me dizer isso, mesmo porque eu moro na mesma casa há quase seis anos e entende-se que "a casa já está arrumada". Mas pra quem nunca veio me visitar, não sabe o quanto minha casa precisa ser arrumada. E tem que ser aos poucos. Só de pouco em pouco, vai chegar ao ponto de que, quando você achou que a casa já está arrumada, vai ter que se mudar. Espero que não seja pra ontem.

Muitas vezes, quando eu e marido kinguio saimos por aí, eu comento com ele quando vejo um sobrado (eu adoro!) ou um prédio novo de apartamentos: "quem me dera morar aí..." Mas só não concretizamos por vários motivos, mas o maior deles seria que eu não tenho coragem de pagar três a quatro meses de aluguel adiantado.

Nosso apertamento fica um tanto longe da estação, portanto, muita gente que eu conheço já perde a coragem de vir de tão longe pra ir mais longe ainda. Mas um dos motivos porque dificilmente convido alguém prum cafezinho com biscoitos é que se entrar mais do que três pessoas na casa, alguém ficará de fora.

Sem falar que a casa, bom, sempre precisa acertar ali e aqui.

E por acaso alguém já viu casa com cozinha encarpetada? (Eu estou louca para arrancar o carpete da minha e tacar um linóleo ou aquelas placas quadradas pois não suporto mais passar aspirador na cozinha!)

Como ser Famoso(a)



Tem muito mais aqui!

Saturday, November 15, 2008

Eu e os Quadrinhos - Descobrindo coisa nova

(Para quem não lembra, leia aqui e também aqui)

Sim, mesmo chegando aos "enta" eu gosto muito de histórias em quadrinhos. Desde antes de começar a ler (segundo minha mãe). Mesmo estando aqui há uma década, eu continuo lendo, seja os mangás, seja via internet. Sim, porque encontrar livros com "as melhores tiras" só em livrarias que trabalham com importação e olhe lá (como a Tower Records , Kinokuniya...). E tem que saber bem ler inglês, pois a maioria dos quadrinhos que costumo ler, são "do estrangeiro".

Agora vem a pergunta: e nas lojas de produtos brasileiros você não encontra? Resposta: depende muito do que eu quero. Por exemplo, se eu quero as reedições do Snoopy, não vou encontrar. Se eu quero os livros de Calvin e Haroldo, não vou encontrar. Se eu quero os da Turma da Mônica, talvez encontre. Agora, se eu não quero os livros de auto-ajuda (perdoem-me quem goste), aí isso a gente encontra de monte!

Já falei que pra mim, livro de auto-ajuda é um bom livro que contenha as melhores tiras de tal personagem. Tenho as dominicais do Charlie Brown e cia., parei no sétimo livro (de dez). Deixei no Brasil os três livros do argentino Quino. Sim, da personagem "Mafalda". Deixei também minha coleção da "Vertigo", aquela coleção que continha histórias do John Constantine. E muito mais, que agora, para encontrar só nas duas lojas que mencionei. E o preço é literalmente de matar.



Existe livro de auto-ajuda melhor que as tiras de Liniers?

Acompanho dois sites especializados em quadrinhos e muitas vezes lendo o que está chegando agora ao Brasil, eu digo que lá, em matéria de quadrinhos, a coisa evoluiu muito. E pra melhor.

Nunca tinha visto tanta loja trazendo artistas para divulgar livros contendo seus desenhos. Enquanto eu estava lá, raramente tinham esses eventos. Agora é nessas horas que eu gostaria de estar lá para participar. E quem sabe ganhar um autógrafo.

Eu não entendo porque aqui, em matéria de quadrinhos "do estrangeiro", se restringe muito ao super heróis da DC e Marvel. Se procurar muito, encontre algumas obras primas, mas como disse, o preço é de matar. Agora, se vai numa loja de produtos brasileiros, não encontra nada. Uma vez, perguntei por que não se vendem livros do Snoopy ou do Calvin, por exemplo. A resposta: "o pessoal aqui não lê 'essas coisas'".

Senti-me ofendida e decepcionada. Muita gente que está aqui, desconhece até os quadrinhos que talvez tenha lido na infância. Ou se eu falar de quadrinhos atuais, a probabilidade de eu apanhar em praça pública é muito grande. Exceto se eu falar com gente que entenda muito do assunto.

Estou lendo (via internet mesmo):

Macanudo, por Ricardo Liniers. O autor, argentino, é um dos melhores da atualidade. Suas histórias, com um misto de Peanuts, Calvin e Haroldo e Krazy Kat, são de uma qualidade impressionante. Recentemente, esteve no Brasil para divulgar o primeiro álbum lançado lá. Hoje, mantém o site e as tiras diárias no jornal argentino "La Nación", e também pôr à venda a quantidade de 5000 livros com as capas desenhadas à mão, uma a uma pelo próprio.



(Pra quem não sabe, Liniers (o coelho) é casado com uma brasileira. E essa tira, conta como surgiu um dos personagens...)

Detalhe: nas histórias em que ele próprio conta seu cotidiano, ele aparece em forma de um coelho. Vale a pena perder tempo para ler tudo sim. Afinal, a Argentina não vive só de Maradona, Boca Juniores e economia vacilante.

Bichinhos de Jardim, da brasileira Clara Gomes. Descobri através de uma amiga minha via orkut mesmo. Ela postou algumas tirinhas dessa série e resolvi ir a fundo. Eis que encontro tiras quase diárias de insetos nada comuns com situações divertidas, como o caramujo sonhador, a joaninha cínica, a minhoca (ou minhoco) inocente, a borboleta vaidosa e o lagarto charmoso. Se ela publicar um livro com as melhores tiras (ou todas elas), quero garantir o meu!



Caramelo, o caramujo e Mauro Minhoca.

Claro que se eu descobrir mais, eu vou comentando neste sítio.

Monday, November 10, 2008

A Folga dos que não Folgaram

Muita gente diz que três dias de folga dá pra fazer muita coisa: viajar, bater perna por aí... Isso pra quem está com tempo sobrando (nos dois sentidos da palavra), pois no meu caso, não tinha uma coisa nem outra.

Tirei três merecidos dias de folga mas como foi antes de receber a cebola, devo considerar que por um lado é bom: não gasto. Mas por outro lado é ruim, acabo ficando em casa (que também tem um lado bom: resolve pôr ordem na bagunça).

Nestes três dias que folguei...

Sábado: logo cedo ir para a casa de uma amiga minha buscar uma cama. Sim. Comprei a cama e um armário de cozinha. Certo que meu apertamento é um apertamento, mas já estávamos cansados de dormir no chão. Ortopedicamente falando, hoje já está me deixando toda torta. E alergicamente falando, por mais que eu passe o aspirador quase todo dia, eu continuo com esse problema de nariz coçando.

Voltando, eu e marido kinguio fomos até o outro lado de Yokohama buscar uma cama e um armário de cozinha. Um breve bate-papo com minha colega de seis anos trabalhando no mesmo escritório e ela vai de vez (ela jura que sim) para começar nova vida na terrinha. Boa sorte pra ti! De volta pra casa, até três da manhã montando a cama e ajeitando o que precisa ajeitar.

Ah sim, a cômoda que ganhei de outra ex-colega de trabalho nos tempos em que eu mais comia pó, vai virar lenha. Literalmente.

Domingo: segundo tempo para ajeitar nosso lar apertado lar. Enquanto marido kinguio acertava as coisas dele, eu ajeitava a cozinha. Não falei do armário? Nada se perde, tudo se aproveita. O armário novo sobrou espaço para a despensa. Estou até pensando em otimizar mais o espaço, mas justo neste dia marcamos uma festa de misto de chá-do-bebê e despedida temporária de outra amiga e eu teria que levar doce de abóbora. Eis que as abóboras daqui, quando cozinham, viram pasta.

A festa? Foi muito divertida. Já faziam seis anos que eu não ia mais a um chá-do-bebê. O último foi da minha prima, que por sinal, preciso criar vergonha na cara e ir visitá-la. Daqui a pouco a filha dela já está pegando o carro da família e necas de eu ir vê-la. Voltando a festa, nunca comi tanta pizza, minha amiga diz que a torta de frango é receita feita "à olho" e o doce de abóbora ao menos não matou ninguém.

Fui dormir tarde, quem manda ficar até sabe lá que horas no PC?

Segunda-feira: Marido kinguio foi trabalhar e eu acordei pra lá das nove e meia. Esqueci de jogar o lixo, agora só sexta-feira e ficou o saco lotado na varanda. Terceiro tempo na limpeza doméstica: como arrumar o canto da Dona Piggy Sakura. Isso no que dá ficar tanto tempo aqui: a gente acaba juntando tanta coisa que depois fica pensando se joga fora. Bom, a tal cômoda já não penso mais.

Minha nossa, quanto CD que eu e marido kinguio juntamos em comunhão de bens. E livros? A maioria para aprender a falar japonês. Eu juro que esta semana eu volto a estudar, nem que seja para começar do zero. Não custa nada. Literalmente. E minhas revistas que comprei para saber como otimizar espaços na casa ( ahahahah ), culinária (ahahahah), finanças (hummmmm...), maquiagem (eu, um dia vou falar sobre isso) e Masaharu...

Dicionário, mangás (hoje só estou com "Mahookishi no Rayearth", "Hachimitsu and Clover" e "Piku-Piku Sentarou"), Seleções do Reader's Digest... Aí vocês vão me dizer: pô, não dá pra se livrar deles não? Meus caros, mesmo estando no Japão, ler a língua mãe pra não esquecer e acabar cometendo erros gravíssimos na língua portuguesa, ainda mais num sítio de respeito, pra mim seria imperdoável.

Se saí de casa depois disso? Primeiro, ficou muito tarde. Segundo, tenho quinta-feira, ainda dá pra dar uma olhada nos home-centers da vida procurar um fundo novo pro gaveteiro da cama nova (bem, minha amiga já avisou que estava torto), lençol para uma cama e uma gaveta para guardar as coisas que a gente não vai usar e não sabe se joga fora e esconder debaixo da cama.

E terceiro: às vezes, ficar em casa num dia de folga faz bem. Afinal, folga também foi feito para tirar um dia e ficar em casa quase sem fazer nada.



Tem mais aqui, dá uma olhada!

Thursday, November 06, 2008

Quando a autora surta de vez

... e acaba escutando música estranha de músicos mais estranhos ainda.

Quem me conhece pessoalmente, acompanha este sítio, está até o topete de saber que gosto de Beatles, Rolling Stones, Carpenters, Monkees, Masaharu Fukuyama e Southern All Stars. Mas quem não conhece muito bem o meu "lado B" (exceto marido kinguio, mas às vezes ele finge que não sabe de nada), quando dá na telha, acabo escutando e se deixar, comprar o CD da música do tal músico.

(E pra quem não me conhece, eu costumo comprar o CD a fazer download. Primeiro que posso ouvir quando quiser, até no carro; segundo, já falei que meu PC é de segunda mão e já foi pro conserto duas vezes porque a mula empacou?)

Pois é, um desses meus surtos deu-se na semana passada, quando criei mais do que vergonha na cara e resolvi ir à minha rede de locadoras predileta e de uma vez só acabei passando pro meu iPod...

1 - The Best of Blur, do grupo britânico Blur. A primeira vez que eu ouvi algo desses caras, foi quando a MTV pegava firme e forte na minha cidade por meios... hã... nada convencionais. "There's No Other Way" tocava direto nas rádios e passava o vídeo no top 20. Acompanhei mais ou menos até "Parklife", nos quais a faixa-título, "The End of The Century" e "Girls and Boys" faziam sucesso. Depois, não consegui mais acompanhar o grupo.

2 - Stop The Clocks, do também britânico Oasis. Se perguntarem pra mim quem veio primeiro nos anos 90, o chamado "britpop", se foi o Blur ou o Oasis, seria a mesma coisa do ovo e a galinha, pois os dois grupos (rivais) apareceram na mesma época. Só que o Oasis continua firme e forte apesar dos irmãos Liam e Noel Gallagher sairem toda vez no tapa (literalmente) e mudarem constantemente de músicos, o último álbum que saiu "Dig Out the Soul" promete. Valeu a pena ouvir novamente "Lyla", "Morning Glory", "Wonderwall". Uma pena que na coletânea não tinha UMA música do famoso "Be Here Now".

3 - The Single Collection Vol. 1, da Hikaru Utada. Quando ela surgiu, em 1998 com o single "Automatic", foi sucesso enorme. Primeiro, ela nem tinha dezesseis anos. Segundo, ela nasceu nos Estados Unidos, de pais japoneses, famosos musicalmente, portanto, Utada é fluente na língua inglesa. O ano seguinte, com "Movin'On Without you" garantia a Utada caminho para recorde de permanência nas paradas. "First Love", impulsionado devido a uma novela de grande audiência, foi o single mais vendido. Mesmo hoje Utada não tendo aquele impulso de antes, ela continua tendo fãs fiéis, e suas músicas mesmo ora com batidas eletrônicas, ora com raízes no R&B. Apesar desta colêtanea ir até 2003, vale a pena tê-lo.

4 - Forty Licks, dos Rolling Stones. Esse grupo dispensa qualquer comentários. O CD duplo traz o melhor do melhor do grupo desde 1963 até 2003. Só de ter "Gimme Shelter", "Miss You" e "It's Only Rock and Roll" já tá valendo a locação.

Mas também quando se está fazendo limpeza na casa, tentando organizar mais de cento e vinte cds (incluindo os maxi-singles) que comprou em comunhão de bens com o marido kinguio, se prepara: eu acabo ouvindo:

1 - Quase tudo o que tem a praia como tema: pra quem tem a praia de Enoshima como quintal de casa (tá, não exageremos), não seria difícil a gente ter no meio da cdgrafia algum CD de algum cantor ou grupo cujo repertório tem sol-praia-mar-amor-de-verão. Southern All Stars, TUBE e até Yuzo Kayama fazem parte do nosso CD-player, mas quem pensou Beach Boys, acertou. Oras, qual é o problema?! A gente não pode ouvir "Tsunami", "Shonan My Love", "Black Sand Beach" e a música toda "Surfin' USA"?!

2 - SMAP, TOKIO ou alguma coisa do Johnny's do passado: só pra resumir, os dois grupos citados, fazem parte da agência de entretenimento Johnny's Jimunsho, que descobre artistas antes da adolescência e depois que passa da idade, pode tratando de fazer algo diferente que só de música não vai pra frente não. O quinteto SMAP começou como grupo tal como o Menudo nos anos 80, hoje eles possuem seu próprio programa de TV (que faz mais sucesso que eles cantando), os cinco individualmente participam em novelas, filmes, comerciais (principalmente: vide o Kimura na Fujitsu; Kusanagi na Toyota Rent-a-Car; Nakai na Dunlop; Inagaki na Glico e Katori na Ajinomoto; e os cinco quando a NTT faz divulgação de provedora de internet). A última do SMAP, que eu ouvi, foi "Dear Woman". Depois disso, esquece.
Já o outro quinteto TOKIO, segue quase o estilo SMAP, mas com o adicional de que eles tocam também. Pelo menos ao vivo. Eles também tem programa próprio de TV (o "Mentore G" e "Tetsuan DASH!", este é o mais legal - as aventuras num carro movido a energia solar é o quadro mais engraçado), mas quesito música, eles só lançam quando um deles faz alguma novela ou quando tem que renovar a música de encerramento dos programas deles. Ah, sim. Comerciais. Eles mais aparecem em comercial de TV/revistas do que divulgando música. Os mais populares hoje são o Tomoya Nagase na propaganda da FujiFilm (junto com a veterana atriz Kiki Kirin) e Taichi Kokubun no comercial de café enlatado "Wonda".



TOKIO - "Love You Only", versão 2004 quando eles fizeram 10 anos de carreira.

Sunday, November 02, 2008

Marunouchi virou um curral



Ou: quando as vacas novamente vieram pastar em Tóquio.

Dois anos atrás, postei aqui sobre a Cow Parade (em português, quando teve em Sampa, aqui), uma exposição na rua, de caráter itinerante e filantrópico que acontece o ano todo em vários lugares no mundo, inclusive no Brasil, claro.

O festival, vamos dizer assim, é feito simultaneamente em várias partes de uma cidade, em qualquer lugar do mundo. As estátuas das vacas em três posições (em pé, sentada e comendo capim) são distribuidas em várias partes da cidade escolhida, de preferência em lugares de grande movimento. Só que o critério para as vacas pintadas (literalmente) é que os artistas sejam do país onde está tendo a exposição.

E também elas são escolhidas pelo comitê organizador. Pra quem não sabe, a Cow Parade é um dos poucos eventos que consegue, ao mesmo tempo, interagir com o povo, ter patrocínio das empresas e expôr novos artistas.

Muita gente pode achar entre o divertido e o absurdo, mas a Cow Parade faz com que a rotina visual da cidade mude e esquecemos da mesmice do dia a dia.

A exposição já foi, mas quem quiser ver as vacas que estiveram em Tóquio entre setembro e outubro, aqui entrada é franca.



A autora deste sítio quem tirou as fotos do texto, mas se quiserem ver mais, ela depois passa o sítio onde ela tenta postar as fotos. Aliás, não tem todas as vacas, pois tirar um rebanho de setenta e três cabeças, nem nos dias de folga que ela teve não dá pé.