Sunday, November 08, 2009

Entre Tapas e Beijos


Não. O assunto não é sobre música sertaneja!

Existia um velho ditado, que deveria cair por terra: "Em briga de marido e mulher não se mete a colher", mas isso dependendo de cada caso. Se uma das partes estiver já em caso de quase-morte, vamos dizer assim, já pode chamar o esquadrão de segurança máxima, digna dos filmes de ação. O problema seria: se algum transeunte ou até mesmo a família tentasse apartar a peleja, sobraria pra eles que nada teriam a ver com a briga.

A violência doméstica existe em qualquer lugar do mundo. Neste exato minuto pode ter uma mulher ou marido sendo maltratado. Violência doméstica não significa somente a agressão física. A agressão psicológica também conta. Muitas pessoas acham que agressão física caracteriza a violência doméstica. E a agressão psicológica, que seria as ameaças? Existem outras formas de violência doméstica, mas as mais comuns são as duas que mencionei.

Sabemos que todos nós (tanto homens, como mulheres) estão sujeitos a isso. Casos anônimos, casos famosos. A maioria não denuncia por medo de represálias. Outras, mais corajosas, no Brasil virou lei (a famosa Lei Maria da Penha). Aqui no Japão, sei que existe sim, a maioria entre mulheres, mas estas a grande maioria acaba se reprimindo. Sob o medo da recusa perante a sociedade.

As que conseguem denunciar, mesmo com os conselhos nada adequados da polícia (no caso de uma mulher, que era constantemente espancada pelo marido e temia pela sua vida e dos filhos, denunciou à polícia e a mesma disse que "era melhor ficar com ele e conversar"), elas seguiram adiante, algumas procuraram abrigo para mulheres e filhos vítimas de violência doméstica.

Domingo que passou, em Omotesando, bairro de Tóquio, houve uma passeata deveras diferente, apoiada pela empresa inglesa de cosméticos - The Body Shop - de "Não à Violência Doméstica", onde as manifestantes trajavam como odaliscas, com véus a esconder/descobrir a verdade e com máscaras ora para esconder a identidade (a maioria não quer que saibam de seu paradeiro) ora para mostrar que por trás das máscaras, existe um rosto humano. Foi a primeira passeata que mostra abertamente que existe a violência doméstica numa sociedade conservadora e fechada.

A empresa The Body Shop, desde 1994, apoia a campanha "Quebre o Silêncio, Fale com um Amigo", para que vítimas de violência doméstica percam a vergonha e denuncie. Nem que seja para desabafar com um amigo, que pode ajudar. Muitas vezes, desabafar com alguém, pode ser a mão que conduz para a salvação.
Post feito depois de ler o texto de hoje da Elisa, sobre "Homens que Traem", lido a matéria do Japan Times e estar meio cheia de tanto que a cantora Rihanna fala do espancamento que sofreu do namorado. Se ele já está pagando pelo que fez, o negócio era seguir em frente e investir mais na carreira de cantora, e não ficar ainda batendo na mesma tecla...
A figura que ilustra este post, é da campanha da matriz da The Body Shop de Londres. No Japão é mesma campanha, bem como no mundo todo.

3 comments:

  1. No Brasil estamos tão acostumados a ouvir esse tipo de denúncia, que virou muito comum. No Japão a situação é a mesma, mas acredito que as mulheres sofrem bem mais por ficarem caladas.

    Gostei dessa campanha ai, principalmente no Nihon. Legal tb que vc conheceu a Elisa. Também um dia gostaria de conhecê-las.

    Kisu!

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  2. Bah, quando eu vier pra Sampa (vai ser mais que preciso, pois quase toda minha familia mora na capital, contando a do namorido tambem...), quero te encontrar sim... Nem que esteja em SC, tu vais estar num vidão, hein?
    A verdade que aqui no Japão, são raras as mulheres que denunciam a agressão. O problema é que elas acabam tendo medo de represálias, serem mal vistas, coisas semelhantes.
    Ah sim. A passeata foi no dia 1o de novembro, mas eu estava impossibilitada de ir ver (se dar apoio). A campanha da Body Shop do Japao eu já conhecia, sim.

    Beijos!

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  3. Agora sim sou ainda mais fã da Body Shop!
    Homem que bate em mulher pra mim é homem sem caráter.

    Acredito eu, até pela natureza das japonesas, que elas devem guardar muito sofrimento resignadas. Não só o tapa físico, mas o tapa na alma, no coração.

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