Wednesday, September 30, 2009

[Discoteca Básica do Empório]: The Checkers All Songs Request


Os anos 80 foram marcados pela vinda de um som totalmente diferente no mundo todo. Se nos Isteites Madonna e Michael Jackson estavam no topo das paradas junto ao advento da MTV, na Europa, a new wave revelou grupos, no Brasil o rock tomava conta desde o alternativo (Circo Voador, SESC Pompéia ...) até grandes eventos (Rock in Rio e Hollywood Rock), no Japão, bem, a coisa foi bem diferente mesmo.

Enquanto surgiram inúmeras aidorus (mocinhas de ar "inocente", cara de boneca...) nos programas de música tentando seus quinze minutos de fama (de inúmeras, as que fizeram mais sucesso e que até hoje estão em evidência muito embora não lancem uma música há trocentos anos são - as manjadas - Seiko Matsuda, Akina Nakamori, Shizuka Kudo, Miho Nakayama...), os meninos eram mais grupos de três ou cinco (ou mais) inspirados descaradamente nos porto riquenhos Menudo (alguém aí lembra?).

Porém, bem no comecinho dos anos 80, eis que aparece um grupo vindo de Fukuoka (região Kyushu, bem no sul da ilha), formado por sete colegas de escola e da mesma cidade, sendo que três dançavam e cantavam e quatro tocavam. Até aí tudo bem, se não fosse a marca registrada do septeto ser ... o traje inteirinho estampado em xadrez!!!

The Checkers, formado por Fumiya Fujii (lider vocal), Tooru Takeuchi (lider do grupo e guitarra), Yoshihiko Takamoku (vocal), Yuuji Oodoi (baixo), Masaharu Tsuruku (vocal), Yoshiya Tokunaga (bateria) e Naoyuki Fujii (sax, flauta, guitarra e irmão mais novo de Fumiya), começou como grupo em 1981, mas debutaram em 1983 , quando o grupo se mudou de mala e cuia pra Tóquio e com "Giza Giza Haato Komori no Uta" (que em 1985, no "Live Aid" feito no Japão, o septeto interpretou a mesma).

Com uma mistureba de rock e baladas, o grupo ganhou admiração das fãs, pelo modo de vestir e de dançar. Além das músicas serem agitadas sem perder o tema, sempre falando de amor. (E precisa mencionar que os meninos eram bem bonitinhos, destaque pro vocalista principal Fumiya Fujii?)

Daí foi um sucesso atrás do outro. "Namida no Request", de 1984, garantiu ao grupo a primeira vez no famigerado programa de fim de ano da estatal NHK "Kouhaku Utagassen". "Julia ni Heartbreak" (famoso pelo refrão "oh my Julia"...) foi numero um nas paradas da Oricon.

Mas como nem tudo sai como se espera, a mesma rede que acolheu-os no Kouhaku Utagassem, foi a mesma que proibiu que a música "NANA" (1986) devido ao teor nada comportado do grupo, mas acabou sendo primeiro lugar no programa "The Best Ten" por quatro semanas consecutivas.

O grupo encerrou as atividades em 31 de dezembro de 1992, com a última apresentação no "Kouhaku Utagassen", com o "Farewell Medley" - "Giza Giza Haato Komori no Uta", "Namida no Request", "I Love You SAYONARA" e "Present for You". Na verdade, era para eles fazerem o encerramento do programa, mas "pela tradição tem que ser cantor(a) de enka" (protocolo quebrado em 2003).

Do grupo, quem mais se destaca até hoje, é Fumiya Fujii, que, no dia 23 de setembro, fez uma apresentação gratuita no Marunouchi Hall, em Tóquio. Pensavam em fazer uma reunião pelos 25 anos de início de carreira, mas devido ao falecimento do baterista Yoshiya Tokunaga em 2004, os membros resolveram não fazer alguma reunião em respeito a ausência de um.

"All The Songs Request", de 2003, reuniu 30 sucessos escolhidos pelos fãs, através de uma enquete. As mais óbvias como as citadas "Giza Giza...", "Namida no Request", "NANA", "Julia ni Heartbreak", "I love you SAYONARA", "Song for USA", teriam que estar. Mesmo com 31 singles, 10 álbuns e um paralelo como "Cute Beat Club Band" (onde os sete se esconderam com pseudônimos, e descaradamente divulgaram como "NOT CHECKERS - This is THE CUTE BEAT CLUB BAND SHOW", pra não confundirem as coisas, mas não teve jeito).

Querem lembrar dos anos 80 mas não as aidorus de penteado a la Lady Di quando casou ou os grupos imitando o Menudo? Peça emprestado, compre, alugue, mas dá uma escutada nas 30 músicas do "Best of" do Checkers. Impossível alguém que fique parado com "Giza Giza Haato Komori no Uta" (veja o vídeo , gravado para o Live Aid em 1985, fica difícil tentar não rir com a coreografia descoordenada ou com a roupa ) ou embalar com "I love you Sayonara"...
Nosso passado nos condena: capa de uns dos primeiros singles do septeto, com o visual que deu origem ao nome do grupo e perguntem se hoje Fumiya (segundo à contar da direita) usaria algo semelhante (ou se alguém saísse com alguém de pijama)....

Tuesday, September 29, 2009

Onde Kanagawa Termina


Ou começa: vai depender do ponto de vista de cada visitante do lugar.

Em uma década que residimos em Kanagawa, seria tempo suficiente de conhecer Kawasaki a Yugahara, Tsukui a Enoshima. Mas pra falar a verdade, nesse tempo todo, nós (eu e namorido kinguio) conhecemos nem a metade da província e olha que ela nem é tãããããão extensa assim a ponto da gente se perder. Talvez seja mais fácil a gente se perder na cidade de Yokohama, mas aí fica pra outra história.

Um dia desses, enquanto me aprontava para sair com o namorido kinguio, estava com a TV devidamente ligada num programa (não lembro qual era) e estava mostrando algumas pessoas à beira da praia colhendo conchas e pescando camarões, ostras e outros frutos do mar (desde quando tem árvore no mar? Ah, deixa pra lá...). Achamos o lugar muito bonito e perguntei ao namorido: "Onde será que fica?" e... plim! No programa mostrou o mapa e como chegar ao local.

Sim, Misaki Kaigan e Jogashima ficam em Kanagawa. E perto (em termos, vai) de casa. Bastaria pegar a rota de Enoshima sentido Zushi e ir embora.

Mas quem disse que logo naquele mesmo dia a gente foi?

Até semana retrasada ficávamos mais no "quase", pois toda vez que a gente pensava em ir até Misaki, batia aquele desânimo quando passávamos por Hayama-machi e a placa: Misaki - 12 km.

Aí era parar em um mirante, dar meia-volta e voltar pra Enoshima. Eis que um sábado que milagrosamente folguei, do nada, namorido kinguio diz: "Já que ainda nem é meidia, simbora pra Misaki".

Cerca de uma hora e meia de carro, via rota 134 (Enoshima-Kamakura-Yokosuka) e apreciando a praia - agora lotada de surfistas doidinhos pra uma onda. O mar estava bravo naquele sábado. Perfeito pros surfistas praticarem. Ondas nem tão altas como em Hawaii, mas melhor do que nada.

Prato cheio pros surfistas praticarem o esporte. Isso porque o tempo estava fechado...

Chegando em Miura, a última cidade nos confins de Kanagawa. Cidade típica de litoral: restaurantes cujos pratos típicos a base de peixe e frutos do mar. (Até hoje nunca entendi porque lula, polvo, ostras e afins são chamados de "frutos do mar". Quando pequena, achava que tivesse um pomar no fundo do mar....) Barcos pesqueiros, casas de madeira... e a brisa fresca com o cheiro do mar (dãããã... acabei de falar que Miura Kaigan fica no litoral?).

Porto de Misaki, onde barcos de pesca misturam-se com os navios de passeio...

Tá vendo aquela ponte? Pra lá que vamos! A ponte que divide o continente da ilha de Jogashima. Imagine Florianópolis, mas sendo que a ilha, bem, sei lá se tem habitantes lá...

Em Misaki Kaigan, tem um porto, onde barcos pesqueiros dividem o pier com navios de passeio. Não pegamos pois o tempo não estava lá muito bom e o mar estava quebrando muito nas rochas. Resolvemos deixar para uma outra oportunidade...

A ponte que une a ilha de Jogashima com a cidade de Miura, tem que pagar a entrada. Afinal, se tiver gente morando lá, seria uma forma de "arrecadação de fundos pra manter a ilha". Isso porque a ilha "divide-se" em duas partes: a parte onde fica o farol, que seria a parte gastronômica e pousadas, onde os barcos de turismos atracam. Infelizmente, devido ao fato da gente não ter estudado melhor como era a ilha, resolvemos ir do outro lado, onde fica o parque estadual de reserva natural de Jogashima.

Cada caverna, um nome. Não me pergunte se a gente decorou o nome de todas elas!!!

O mar visto do alto do parque. Cenário perfeito praqueles filmes de mistério que envolvem assassinatos na praia... (frase macabra off)



As ondas. A maré estava bem agitada naquele dia. Previsão de taifu (ciclone)? Talvez...

O outro lado da ilha, é um misto de parque natural, com área de piqueniques, mirantes para ver o mar e encostas para chegar próximo ao mar. Quase na ponta, outro farol. Os visitantes vão para colher conchas para decoração ou usarem como enfeites, adereços... O lugar é cheio de pedras, portanto, vá preparando as pernas, pois as escadas feitas parte pela ação natural pela erosão marinha, são de perigo constante.

Depois fica morrendo de sede e tem que disputar com o bichano da foto o bebedouro.

Em Jogashima, como tem muita área verde e espaçosa, a contigência de felinos, aumenta. Isso porque os gatos são tão mal acostumados que eles nem procuram mais comida. A comida chega até eles..."

Vale a visita, o passeio e a caminhada. Pra quem gosta de paz, sentir a brisa fresca (e salgada) e conhecer melhor o "outro lado de Kanagawa", vamolá ...

Site da prefeitura de Miura, Kanagawa: http://www.miura-info.ne.jp/recommend/stroll/02.html (em japonês)

Monday, September 28, 2009

O Futuro Quase Incerto de Shin-chan

Luto nos Quadrinhos.

Eu sei que muita gente já deve ter comentado, saiu até na Folha de São Paulo, no Estadão e até na Revista Veja, a morte do desenhista Yoshito Usui, autor dos quadrinhos de "Crayon Shin-chan".


Pra quem não sabe: o personagem protagonista dos quadrinhos mencionado, Shinosuke Nohara é um menino comum da pré escola que apronta das suas. Do tipo: chama a mamãe pelo nome, tira um do pai, é o terror da escola onde estuda, e ainda tem o hábito do "bundalelê" em qualquer lugar. Quase um Bart Simpson mais novo e mais abusado. Mas a criançada gosta, pra horror dos pais, que tentaram tirar o desenho animado do ar, o que não deu certo. Tanto que o personagem é símbolo da cidade onde as histórias são passadas (Kasukabe, província de Saitama).

No final de semana retrasado, Yoshito Usui avisou a família que ia nas montanhas de Arafune, em Gunma e voltava no mesmo dia. Só que não retornou e logo foram a procura. O corpo de Usui foi encontrado nove dias depois, num local de dificil acesso. Obviamente a primeira coisa que veio na cabeça de muita gente foi "suicídio", mas depois que encontraram a máquina fotográfica contendo fotos do local, foi dado como acidente, ao ter escorregado do alto da montanha para fotografar.

Uma semana antes, nos cinemas, estreiou o filme baseado em uma das histórias de Shin-chan, "Ballad". Logo na primeira semana já foi um dos sucessos de bilheteria. Com sucesso do filme, o mangá é um dos mais lidos, e o anime é bem popular, suicídio era algo já descartado. Mesmo porque o autor gostava mesmo de escalar montanhas e era curioso, tal como o personagem.

Quando souberam da notícia da morte de Usui, os atores protagonistas do filme "Ballad" comentaram sobre o assunto. "Eu não acreditei quando soube" (Yui Aragaki, que é a mocinha no filme). "Achavámos que ele voltaria são e salvo, mas a perda dele vai fazer falta, pois ele dava alegria para crianças e adultos (...) assim como eu nasci [em Kasukabe] ele amava a cidade que adotou, a morte dele é muito triste, rezaremos pela sua alma" (Tsuyoshi Kusanagi, protagonista do filme e também nasceu na cidade onde a história do anime se passa).

Sobre o futuro de Shin-chan: a editora Futaba, que publica os tanko-hon do autor, informou que em novembro sairá - talvez seja - o último álbum de "Crayon Shin-chan", já que Usui já tinha enviado o material para lá.


Quanto ao anime, como algumas histórias não são totalmente baseadas no mangá, os roteiristas ainda vão dar corda semanalmente, toda sexta-feira na Asahi TV. Comparando longevidade, será como a série "Sazae-san": desde 1969 no ar, todo domingo. Mesmo a desenhista, Machiko Hasegawa, tenha parado com os desenhos nos anos 70 e falecido em 1992, a série animada continua no ar. A mesma coisa com o Doraemon (passa toda sexta, pela Asahi TV), mesmo o autor principal, Fujiko Fujio também já falecido, o desenho continua no ar.


Pode ser que o comportamento de Shin-chan não seja lá apropriado para as crianças, mas qual criança já não cometeu ou comete travessuras? Se os pais conseguem fazê-la discernir entre o que é certo ou errado, muito bom. O difícil se acharem graça nisso tudo e não explicar.


Seja como for: tem horas que é melhor esquecer o politicamente correto e assistir pelo uma vez um desenho do Shin-chan. Bom pra esquecer o estresse, bom pra rir muito com as travessuras de um menino que é como as outras.


Só um pouco mais espivetado.

Uma família quase perfeita: pai, mãe, dois filhinhos e um cachorro. Se não fosse o filho...

Sunday, September 27, 2009

"Silver Week" ou Respeito aos Idosos

A semana demorou pra passar, pelo menos foi a impressão que eu tive. Até pra chegar a hora do show de ontem, a hora não passava nem com ferro. Enfim, esta semana, como poucos sabem (inclusive a lesada autora deste sítio), ficou conhecida como "Silver Week". Que significa? Vamos lá...

Se aqui tem o "Golden Week" porque não o "Silver Week"?

Do dia 29 de abril a 5 de maio, dependendo do ano, todo mundo que mora no Japão está cansado de saber que esta semana se chama o "Golden Week" pois seria um dos feriados mais prolongados de todo o ano. Acho que cheguei a explicar como era...

Pra quem está com preguiça de procurar, ou não lembra, explicando novamente...

Do dia 29 de abril a 5 de maio, é chamado de "Golden Week" pois, dependendo do calendário e de cada empresa, acaba sendo um dos feriados mais longos que o Japão já teve. Cai durante a primavera, o pessoal aproveita esse feriado que acaba ficando prolongado e viaja pro interior, exterior...

Ah, sim. Os dias de cada feriado da semana....

Dia 29 de abril, era o aniversário do imperador Showa, Hiroito. Mesmo depois de sua morte, em 1989, o feriado manteve. Tido como o imperador que mais permaneceu no Trono do Crisântemo, mesmo na derrota durante a Segunda Guerra, Hiroito ainda continua sendo lembrado como o imperador que mudou a época. Mais conhecido também como "Dia do Verde", já que o imperador era amante da natureza.

Dia 3 de maio, dia da Constituição Japonesa, feriado desde 1947.

Dia 4 de maio, não tem comemoração específica, mas foi criado para que o Golden Week se tornasse uma semana de feriados contínuos ( kokumin no kyujitsu). O famoso "emendar feriado", pois...

...Dia 5 de maio é o dia das Crianças. Antes era conhecido como "Dia dos Meninos", devido as meninas terem o "Hina Matsuri" mas não é considerado feriado. Neste dia, os pais estendem nas varandas e quintais das casas os "Koinobori", pipas em forma de carpas, reprensentando a força e saúde.

Refrescado a memória, voltando a vaca congelada, como eu digo sempre.

O "Silver Week".

Pois bem, esta semana que passou, do dia 20 a 23 de setembro ficou conhecida como "Silver Week": dia 20, como caiu domingo, seria folga do mesmo jeito (pra alguns); dia 21 feriado do dia de Respeito aos Idosos; dia 23, o início do Outono (sim, é feriado nacional assim como no dia 20 de março que seria o início da Primavera). E dia 22? Como dois feriados nacionais ficou um intervalo, eis que resolveram emendar (vide explicação anterior). Estão pensando que é só no Japão que não fazem essas coisas?! E por que "Silver Week"?

Sei que, quem tem mais de sessenta anos vai me bater, mas "silver" vem de prata. Ou também um eufemismo japonês pra dizerem pessoas acima dos sessenta (devido a cor dos cabelos, que lembra algo prateado, mas como já vi várias senhoras e senhores com o cabelo devidamente tingido de lilás, azul, rosa e verde, bem, esse eufemismo pode perder o sentido)...

Como o feriado acabou iniciando dia 19 de setembro (sábado) e foi até dia 23 de setembro (quarta), imaginem o fluxo de pessoas e malas nas estações, aeroportos, estradas... Quem pensar que no feriado, os trens estariam menos cheio, ledo engano: mais lotado que em dia de semana qualquer, em horário de pico. Imaginem o Tokaido ou Yamanote lotado as oito da manhã num dia de semana qualquer. Agora imaginem o que falei incluindo malas e crianças.

Vira o caos generalizado.

E as estradas, ainda mais que o pedágio, depois dos 100 primeiros quilômetros, fica mil ienes (se tiver o famigerado cartão e aparelho ETC...), ficam congestionadas, trânsito parado e acidentes adoidados. Sério. Pra falar a verdade, eu e namorido kinguio preferimos nem chegar perto da estrada num feriado assim. Mesmo porque já faz muito tempo que eu nem sei direito o que é um feriado prolongado (final de ano eu nem conto). Como sábado e domingo são dias tido como feriado, aproveitamos estes dias.

Vou apanhar, eu sei que um dia chegarei lá, mas não tão lesada assim, mas gente idosa no volante, perigo constante. Sério. Quem dirige aqui, enfrenta trânsito todo dia, vai entender porquê. Graças a Deus, meu pai tem uma saúde de ferro pela idade que ele tem, dirige carro ladeira acima e morro abaixo na cidade, apesar de detestar guiar na cidade grande (leia-se: cidade como São Paulo), que ele se estressa. Mas nunca, nunca em cinquenta anos que ele possui carta, bateu o carro. Só bateram nele, mas nada aconteceu com ele, mas o que lhe causou uma bela duma dor de cabeça (de falar com a seguradora, com a concessionária, com a oficina, com a causadora do acidente)...

Pra entender o trânsito aqui, tem que ter habilitação (dããããã...) e dirigir. Quem está acostumado com o trânsito estressante de São Paulo, acaba tendo o dobro do estresse aqui. Isso eu explico oportunamente, podem me cobrar. Imagine se é gente idosa, acima de 75 anos guiando. Sai de perto, se não quiser ter dor de cabeça em chamar a seguradora depois. Certo que gente nova ou mais ou menos da minha faixa etária, costuma fazer (muitas) barbeiragens, mas quando já vejo um carro com um adesivo laranja e amarelo, eu passo longe.

Motivos de sobra eu tenho. Tudo bem que eu não sou aquela às no volante, mas noção do perigo eu tenho. Sabido que uma parcela de cerca de 10% das pessoas acima de 70 anos que dirigem, sofrem de demência, já tomo meus cuidados. Mas talvez pelo excesso de zelo que temos ao dirigir, podemos causar um acidente sem saber. Estou falando sério...

Assisto diariamente aos noticiários, e quando acontece acidentes automobilísticos, uma boa parte envolvem pessoas acima de 70 anos. Um pouco falta de noção, outro pouco falta de reflexos devido à idade. Ou as duas coisas juntas. Meu pai falta pouco pros 70 anos, mas segundo ele próprio, ainda pega estrada para ir ao Hospital para seu check-up trimestral... e vai sozinho, pro desespero contido de minha mãe, e preocupação à distância dos três filhos (dois rapazes perdidos em Sampa e uma mulher em Yokohama).

Ah, falei no título que seria Respeito aos Idosos, né?

Todo mundo sabe e está cansado de saber que o Japão, a cada dia que passa, o contingente de idosos aumenta. Motivos não faltam: a população jovem escasseia pois não querem ter filhos. Principalmente as mulheres, na situação atual, elas estão enfrentando o mercado de trabalho. E a taxa de natalidade cresce em sentido inverso ao de taxa de velhice, se é que me entenderam. Aí começa: aumento de pessoas solicitando aposentadoria, aumento no valor de seguro saúde, seguro de vida...

Daí ao dia dedicado a eles.

Pra falar a verdade: pra mim, todo dia é dia pra todo mundo. Seja jovem, criança, homem, mulher, idoso ou idosa... E respeito, não precisa uma data pra isso. Digo que é uma virtude adquirida de acordo com a educação de cada um.

Ou de bom senso mesmo. Vide situações no nosso dia a dia. Como ceder seu lugar a uma pessoa idosa, dizer bom dia...

Mesmo sabendo que muitas vezes a recíproca nunca é a mesma. Sinceramente? Tem gente idosa que abusa. E como.

... já vi furarem a fila do ônibus sem pedir licença...
... chegam a dar cada bolsada na gente em liquidação de alguma coisa...
... atropelam - sentido literalmente falando - com o carrinho do supermercado pra pegar o caixa que tem menos fila. Lembrando que o carrinho só tem um item.

... nem agradecem a gente por ceder o lugar pra eles...

... e quando a gente cede, é recebido na pancada. E isso não estou exagerando: um belo dia de semana, indo pro trabalho, oito da manhã e o Tokaido (trem cuja linha pego todo santo dia e noite) lotado feito lata de sardinha. Um rapaz, que estava sentado no assento "preferencial", foi ceder o lugar a uma idosa. Naquele aperto todo. Não sei se foi erro de interpretação, pois a senhora (devia ter uns 80 anos, acho) tinha acabado de entrar e o rapaz estava justamente na posição parecendo sentar, sendo que ele estava era se levantando. Resultado: a senhora que pensei que fosse aquelas bem velhinhas desceu a bengala no rapaz que estava tentando ser gentil e o pobre coitado saiu do trem chorando de dor, nem vendo se a estação era onde ia realmente descer.

Quando falaram a ela que o rapaz estava era cedendo o lugar e não tomando, fez uma cara de "nem tô nem aí".

Depois ficam falando que a juventude de hoje cresce revoltada...


(Post de hoje sob cortesia do selo oferecido por Elisa - do "Elisa no Blog, Uma Brasileira no Japão" - falando sobre... sinceridade, o que muitas vezes, minha sinceridade em excesso pode me causar dores de cabeça...)

Friday, September 25, 2009

Lições de quem vai a um concerto qualquer

"Pra premiê?? Não, não levo jeito pra coisa, mas tivemos um show gratuito em Nagasaki..."

Desculpem a ausência neste sítio, nos comentários e tudo o mais. Depois de sábado que folguei, esta semana foi corrida. Quinta-feira, ontem, foi minha folga. Mas quem disse que eu parei em casa? Logo pela manhã tenho aula de conversação em japonês. E pra quem estava em Marte e chegou agora, ontem foi o show do (cantor-ator-fotógrafo-produtor-faz-tudo-e-um-pouco) Masaharu Fukuyama no Yoyogi Gymnasium.

Sobre o show: pra quem pensa que show no meio de semana não lota, então me expliquem porque eu tive que encarar ingresso na loteria via internet. Imaginem como estava o ginásio: lotado. Inclusive na arena que estava mais lotado que Yamanote em horário de pico.

Aprendi algumas lições de como ir em shows depois de ter ido pela terceira vez, mas perguntem se eu seguirei para o próximo...

1) Nem sempre o ingresso mais caro te garante o melhor lugar: Estou tentando até agora entender por que cargas d'água resolvi comprar o ingresso via internet. No show que fui no Saitama Super Arena, eu comprei via internet, mas era a primeira vez, oras. E por sorte peguei um lugar bom. Seria melhor mais na frente, mas como a gente não escolhe lugar, fazer o quê... No de Yokohama Arena, comprei em cima da hora, na conveniência e acabei ficando em pé as cinco horas de show. Deu pra assistir. Mas espremida. Desta vez resolvi comprar bem antes que fosse vendido em conveniência (geralmente é o que sobra), encarei duas rodadas de loteria e acabei ficando na arquibancada, o que dava pra ver o Masaharu, desde que eu forçasse muito a vista. Antes ter comprado na conveniência e ficar na arena...

2) Não precisa chegar tão cedo... Mas também não precisa chegar em cima da hora. Salvo se o ingresso não for lugar reservado, pode chegar meia hora antes do show começar que seu lugarzinho estará garantido. Só que eu nunca aprendo e cheguei uma hora e meia antes do show começar e fiquei esquentando o banco, lendo um livro e ouvindo música no iPod. Pra decorar as músicas do último álbum.

3) Vá com roupa confortável: Essa lição eu aprendi quando fui no show do U2 no Saitama Super Arena e quase morri de calor, espremida e com as pernas doendo. Embora tinha sido quase no final do ano, pensei que fosse esfriar e fui de camiseta de manga comprida e casaco. Resultado: estava doida pra sair logo e entrar numa banheira de gelo. Mesmo ontem ter ido de camiseta de manga curta (e uma blusa na bolsa pra emergência), passei um calor danado. De tanto pular nas músicas mais animadas...

4) Não venha com pacotes, sacolas, e tudo o que atrapalha: Deixe a compra do supermercado, a liquidação, os souvenires pra depois do show. Antes, nem pensar. O lugar já é meio apertado e onde vai colocar as coisas?

5) Prepara a garganta: Sei que não pode (por medida de segurança. Vai que algum(a) revoltado(a) resolve brincar de arremesso de peso, mas o pessoal aqui é tranquilo; só que logo na entrada pra arquibancada tinha quatro maquininhas de bebida...), mas trazer uma garrafa de água dentro da bolsa seria ideal pra molhar a garganta. Experiência própria: nas duas vezes que fui no show do Masaharu, saí com a garganta ardendo. De tanto gritar (confesso: em show eu me animo), cantar...

6) Não ter pudor algum de gritar, acenar, pular... Ninguém te conhece mesmo. Exceto se estiver acompanhado(a), mas se sua companhia também já estava chegando ao ponto de pular no meio do palco e agarrar o cantor, então pra quê você ter vergonha?

7) E prepara pras surpresas: Vocês pensam que show de artista japonês costuma ser parado? Pelo que vi pelos YouTube da vida, o show costuma ser bem animado. O público costuma ser muito calado nas baladas, aplaudindo no final, mas nas mais animadas, o pessoal pula e canta junto. Eu sei que, se o Masaharu não colocar no repertório duas músicas que, apesar de ter quase vinte anos, faz o público delirar, o público invade o palco e faz ele cantar na marra. Exageros à parte, "Peach!!!" geralmente ele canta bem no meio do show e no meio da música a produção joga tiras de papel laminado no público pra usarem como "pompons de cheerleader" no acompanhamento da música.

Pra quem lembra a capa do single: sim, era a foto de um traseiro com um fio dental. Tá, agora vão me dizer o que tem a ver no show.

Se sair em DVD esse show, peça emprestado de alguma doida que comprou: na música, Masaharu canta de fio dental. Peraí!!!! Explicando: apenas um tipo de molde que as lojas de lingerie costumam usar pra demonstrativo do produto. Não é que ele pega esse molde, coloca no seu próprio traseiro com um fio dental (roxo) e fica rebolando e tudo o mais???

Eu falei duas músicas né? A segunda, é o primeiro single que lançou na vida: "Tsuyoku ame no Naka", mas essa todo mundo já sabe o resultado final: só falta jogar um balde de água no público, pois enquanto ele canta, ele vai correndo de um canto pra outro no palco e jogando copos de água no público pra refrescar. Ah, eu falei que o ar condicionado nesses lugares nunca está ligado?

8) Nunca dizer "nunca mais vou a show algum": Eu ouvi de muitas pessoas que vão a qualquer show e no dia seguinte falar que nunca mais vai a show algum, devido às experiências sofridas no anterior. No meu caso: dia 9 de novembro lá estarei eu no Tokyo International Forum me esgoelando no show dos escoceses Franz Ferdinand.

9) Esperar diminuir o contingente pra depois (tentar) ir embora: O lado ruim do Yoyogi Gymnasium é que uma das saídas que vai pra estação de Harajuku, é que a calçada é estreita e tem que atravessar uma passarela pra atravessar a rua. Sem falar que os trens vão estar lotados. Saída de show é assim mesmo: acaba dez da noite e todo mundo quer voltar logo pra casa. Cansado, suado e quase sem voz, mas com a cara de quem se divertiu muito.

Agora, estou tentando me recuperar de tudo de ontem: cansaço, pernas e braços doloridos, garganta quase sem voz, mas a emoção de estar vendo tudo ao vivo compensa qualquer coisa.

Wednesday, September 23, 2009

Sobre perdas irreparáveis


Confesso: quando o filme "Ghost" (com o devido completo no Brasil, "Do Outro Lado da Vida") entrou em cartaz por volta de 1989, eu acho, não fui assistir de imediato; não assisti nem nas reprises da "Tela Quente", nem aluguei em fita cassete ou DVD. Só fui assistir mesmo uns cinco ou seis anos depois numa reunião de primas e primos. Com direito a choradeira explicita.

Não assisti ao "Dirty Dancing", que era assunto obrigatório na minha adolescência. Mas bem que ouvi a música-tema direto nas rádios...

Mas eu assisti a comédia "Para Wong Foo, Obrigada por tudo, Julie Newmar". Mesmo não ter sido tão falado tal como a comédia "Priscilla" que saiu na mesma época, o primeiro foi mais divertido.

Quando fiquei sabendo da morte do ator dos filmes citados acima, Patrick Swayze, é que agora eu vou chorar litros e litros de lágrimas quando assistir ao filme "Ghost" de novo, caso namorido kinguio lembrar de passar na locadora. Só de saber que o ator foi para "o outro lado da vida" na vida real, o impacto será maior. Talvez nem o filme "Para Wong Foo..." no qual ele aparece travestido como Vida Bohemè, de fino trato e elegância, vai me fazer rir um pouco se eu assistir.

Sabia que ele já estava bem enfermo, mas quando o próprio tinha vontade de continuar vivendo e teria a certeza de que iria escapar dessa e de repente acaba indo de vez. Podem me chamar de insensível, mas no estado em que ele se encontrava, seria melhor descansar para não ter mais sofrimento. Em ambos os lados.

Lembrou-me também que um dia antes do Michael Jackson ter ido também, a atriz Farrah Fawcett (quem for mais ou menos da minha faixa etária, vai lembrar do seriado "As Panteras". Sim, eu assisti ao seriado quando passava, qual o problema?), que, da mesma forma que Swayze se encontrava, ela também travava uma batalha contra o câncer. O mais tocante na história toda é que seu ex-companheiro Ryan O'Neal ficou com ela até o fim.

Existem fases na vida que têm que serem vividas. Por mais que muita gente alegue "falta de tempo", ou "não tenho tempo para as outras coisas", lembrei-me também do que o professor, interpretado por Robin Williams no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", diziam sempre aos alunos "carpem diem" ou, "aproveite a vida".

Não sabemos o que o destino nos espera. Hoje estamos aqui, trabalhando, vivendo, fazendo alguma coisa (dormir também é um ato, não esquecemos disso), mas e amanhã? Será que estaremos ainda aqui fazendo as mesmas coisas (e mais um pouco)?

Não é fácil aceitar a perda de alguém querido. Já presenciei vários. Na hora é muito difícil. A aceitação acontece aos poucos, e leva anos. Isso se aceitar. Conheci pessoas - inclusive no meu meio familiar - que até hoje não aceita a perda. Talvez dependa muito da situação.

Pra dizer a verdade: nem eu gostaria de pensar se um dia eu perdesse alguém da minha família, por mais que a gente saiba que ninguém fica pra semente. Se um dia acontecer, espero que meus conceitos sobre perda estejam errados.

Saturday, September 19, 2009

Roteiro Gastronômico: Salgados de Botequim


Apesar de onze anos e poucos morando no Japão, gostar de comida japonesa (exceto natto, sorry pessoal que gosta da iguaria, mas tenho meus motivos pra não gostar: 1) como 50% de descendência parte de Kumamoto, 25% de Kagawa e 25% Hokkaido, por parte de meu pai natto nunca entrou em casa e 2) já tentei comer, mas sabe quando a primeira impressão é a que fica?), eu confesso e pra que ter vergonha? Eu a-doooooo-ro feijoada, churrasco (bem passado, picanha sanguinolenta é pros fortes), brigadeiro, bolo de fubá e salgados de boteco.

Salgados de boteco??? Pára tudo.

Não sei vocês, mas como sou do interior, eu pelo menos falo que coxinha, risoles, quibe e outros acepipes populares que agora me fugiram pois faz muito tempo que não os como direito, de "salgadinhos de boteco". Boteco pra quem não sabe interiorês, é botequim. Aqueles bares de interior, com direito a batata em conserva e tremoço (olhaí a iguaria que dez entre nove leitores deste sítio dificilmente conhece), coleção de garrafas de pinga de procedência suspeita e o cartaz "Fiado só amanhã". Ah, essas lembranças da vida interiorana, vou te falá...

Voltando às iguarias que se vendem nos melhores botecos.

Coxinha com recheio de frango, risoles de queijo, quibe (esturricado), batata recheada, pastel com vários recheios (mas não se vende em feira?). Empada de frango com azeitona. Croquete de carne. A maioria que vai na fritura (cujo óleo já foi reutilizado várias vezes) e recheado de calorias. E daí? No tempo que se vendiam salgadinhos na cantina da escola, no botequim da esquina, acompanhados de tubaína, ninguém se preocupava com calorias, vigilância sanitária, procedência do local...

Ah, sim. Lembrando das esfihas de carne moída, enroladinhos de salsicha e torta de liquidificador... Os assados, juntos com a citada empada, são mais carinhos, mas também não deixam de serem devidamente devorados.

Um dos salgadinhos que muita gente que conheço e dizem que dificilmente conseguem acertar é o ponto da massa de coxinha (de frango). A massa empelota ou desanda. Principalmente quem faz a massa de batata (uma delícia). Confesso: a primeira vez que eu fiz uma coxinha na minha vida, só faltou usar como bola de beisebol de tão dura que ficou (esqueci de cozinhar a massa, pode?).

Aqui, ainda fazer coxinha, quibe, risoles, empada e esfiha dá certo. O que é dificil mesmo de acertar no lar doce lar é a bendita massa de pastel. Se quando ainda morava com meus pais no interior, minha mãe fazia massa de pastel a custa de muitas rodadas naquela "máquina de fazer pastel" (era eu quem virava a manivela daquele equipamento), aqui, dizem que o clima não colabora bem como a farinha. E eu achando que farinha fosse todo igual...

E eu adoro pastel. Existem lojas especializadas que vendem massa para pastel. Basta abrir o rolo, rechear, fechar e fritar. Mas como nada é barato nesses locais, eu e namorido kinguio apelamos pela massa de gyoza, aquele "pastelzinho chinês". Dá pro gasto.

Embora no Brazilian Day que teve no Yoyogi Park no início do mês pude tirar o atraso (sim, comprei e comi risoles e coxinhas), ainda fica aquele gosto de "quero mais". O lado ruim disso é que salgadinho aqui custa caro.

E como.

Acompanhadas de uma tubaína ou guaraná, caem bem numa conversa de bar...

Update hoje, dia 19 de setembro as 10:19 da matina: post inspirado na breve aventura de Rick, que está de férias (permanentes?) no Peru e tentando fazer uma coxinha de frango. Coragem, Rick, que uma hora você acerta... E olha que o post dele nem era sobre a iguaria...

Thursday, September 17, 2009

Notícias Passadas

...mas que servirão pr'uma conversa fiada de botequim num happy-hour de sexta-feira.

Ok, ok (como diria Nelson Rubens, alguém aê lembra?). Já passamos metade de setembro, o verão se finda e chega a época maiomeno do ano, e junto as chuvas. Pra ter conversa na rodinha numa mesa quadrada de boteco, alguns assuntinhos pra animar (ou pedir a saideira):


- Influenza (ou a "gripe suína", mais conhecida como H1N1): ninguém fica impune. Se no Brasil a influenza está dizimando (mas eu também não entendo porquê ninguém toma alguma providência...), aqui por um tempinho a gripe deu uma pausa. Mas também, chegou agosto, voltou com tudo. Agora, quem pensar que gente famosa não pega doença, aqui, vira notícia.... Exemplos?

Logo depois do programa de caridade "24 Hour Television", nos dias 28 e 29 de agosto, dois dos membros do grupo NEWS (que apresentaram o programa o dia todo) foram parar no hospital. Motivo: shin kata influenza ou a tal gripe H1N1. Ao sentirem os primeiros sintomas ( a febre altíssima, já é motivo pra ficar de molho um bom tempinho), Tomohisa Yamashita e Ryo Nishikido ficaram uma semana de cama. Felizmente não houve alterações nas novelinhas que eles protagonizam (Yamashita, no "Buzzer Beat" e Nishikido, no "Orthros no Inu"), mas resta saber se o público que acompanhou ao vivo o programa "24 Hour" no Tokyo Big Sight não ficou contaminado...


Até onde sei também, a metade da dupla de humoristas "Audrey" (formado por Masayasu Wakabayashi e Toshiaki Kasuga) foi parar no hospital pelo mesmo motivo, mas já voltou as atividades. Ah, sim. Quem foi parar no hospital foi o Kasuga (aquele que usa colete rosa e faz aquele olhar demoníaco...), e coincidência ou não, a dupla também estava no mesmo programa que Yamashita e Nishikido... (Na foto, Wakabayashi e Kasuga)


- Show de graça? Também queria ir... No dia 28 e 29 de agosto também, em Nagasaki (bem ao sul do Japão), o cantor, ator, fotógrafo, faz-tudo-e-um-pouco Masaharu Fukuyama, fez um show gratuito na cidade. Primeiro, ele nasceu lá, nunca negou as raízes, e ao comemorar 20 anos de carreira musical, resolveu fazer um agradecimento aos fãs da cidade: show gratuito. Isso porque quando faz shows, encaixa Nagasaki no meio. Lembrando que, ano que vem ele fará o papel do líder político Ryoma Sakamoto. Acho que agora explica o visual novo do Fukuyama...

- Descanse em paz? Finalmente, depois de mais de dois meses, Michael Jackson foi enterrado. Ah, aquele funeral todo que fizeram com transmissão em rede nacional, com os artistas e tudo o mais, sabiam que o caixão estava vazio? E onde estava o corpo? Dizem que estava congelado para estudos médicos (não tiraria a razão deles não...), já tinha sido cremado, toda aquela história toda. E também aquela história que vai ficar mal contada seriam os filhos que não seriam filhos dele, descobriram os supostos pais, as dívidas... ô meu sais, será que vai passar o final do ano e ainda vai ficar batendo a mesma tecla?

- Eleições pra premiê: mudanças radicais. Depois de cinco décadas o partido conservador que outrora levantou o país, mas também agora passa por uma ressaca pós crise, o povo resolveu virar a mesa. Num país onde o voto é facultativo, nunca houve eleição com o maior número de eleitores na história política japonesa. Yukio Hatoyama ontem foi empossado como novo primeiro-ministro. Agora vamos ver se ele cumprirá uma boa parte das promessas que fez na campanha. E também ver se as relações exteriores, economia, imigração, saúde, previdência privada, etc., as coisas vão melhorar...

- O circo (literalmente falando...) na Fórmula Um... Se depois de 1994 as corridas de Fórmula Um nunca mais foram as mesmas (da pior forma possível), todo mundo falava sobre o circo deste esporte. Mas nunca pensei que fosse levar isso ao pé da letra. O caso Renault-Piquet, cuja corrida em Cingapura em 2008 foi tudo armação pra favorecer o outro piloto, veio a tona depois que a escuderia Renault resolveu dispensar Nelson Piquet Junior alegando nenhuma pontuação em dez corridas. Vai saber se isso não foi vingança pra se desforrar de algo...

Pode ser que a vitória de Barrichello em Monza no domingo que passou tenha baixado a poeira, mas que Briatore (da Renault) foi demitido. Agora torceremos para que Barrichello ao menos consiga ser campeão da temporada deste ano, faltam quatro corridas, mas pela matemática, pra sê-lo, ou ele vai ter que ganhar todas as corridas e Jenson Button não pontuar, ou pontuar e Button não pontuar...

Ah, não, pessoal, nem me façam lembrar de mais assuntos, que senão este bendito post de hoje vai ficar longo demais e eu sei que ninguém vai ler tudo mesmo...

Tuesday, September 15, 2009

Vale a Pena Ler de Novo (ou: as Dez Postagens mais Comentadas, o Retorno) - Parte 2

Bichinhos de Jardim, por Clara Gomes
Foi mal aê, leitores, da semana passada ficar devendo a segunda parte das postagens que mais comentaram desde junho. E olha que eu pensei em fazer no final do ano, mas pelo jeito não sei se vai dar. Tudo bem, até o final do ano pode acontecer um monte de coisas. Como na propaganda do (saudoso) Kinder Ovo: cada chocolate tem uma surpresa. Ou melhor, no filme "Forrest Gump": a vida é uma caixa de chocolates... (só não vou falar de novo do stand-up comedy dos Melhores do Mundo, a frase de Joseph Klimber senão os leitores me jogam pedras)

Vocês não pediram, mas a autora insistiu: agora, a segunda parte das postagens mais comentadas de junho deste ano pra cá (se bem que depois da primeira parte, ainda teve mais postagens).

6) Turistando: esturricando em Enoshima e momento zen em Samukawa (9 comentos): Todo mundo que me acompanha, sabe que eu moro a meia hora (de carro, sem trânsito) da praia de Enoshima (cidade de Fujisawa, provínicia de Kanagawa), tanto que eu falo que, se um dia houver um tsunami, prazer em conhecer vocês. Exageros à parte, a postagem sobre a praia rendeu comentários. Só que a autora aqui passou o verão é fugindo do sol como o vampiro corre do alho. Resultado: mais um ano como Branca de Neve.

Como nem só de praia e sol vive o verão. Temos os matsuris, os hanabis e... visitas ao templo. Sei que visitas aos templos o auge é no início do ano, mas visitar templos e agradecer pela graça alcançada pode ser qualquer época do ano. Foi até melhor a gente ter ido para Samukawa (Kanagawa) pra (re)visitar o templo e tirar algumas fotos, pois quando fomos há sete anos atrás, nem deu pra tirar alguma foto decente pois estava lotadíssimo (quem manda ir em janeiro?).

Bônus: Exame médico, somente pros fortes (ou masoquistas) (8 comentos que surgiram entre um episódio e outro): Eu tinha contado no ano anterior o drama e sufoco que passei no exame médico anual que sou obrigada a fazer. Este ano, eu diria que das duas uma: ou eu já acostumei ser amassada, virada e espremida tal como massa de pizza, ou de tanto passar por uma bateria de exames pra uma simples consulta "de mulher", passou meio que batido. Vocês não acreditam, né... De brinde, uma passada pra exames nas intimidades mais profundas...
5) Dia de folga, desastre à vista (11 comentos): Sempre que folgo, acontece alguma coisa. Ou chove, ou fico com uma baita duma cólica mensal, ou acabo dormindo demais e atraso nos afazeres domésticos. Mas o mais grave no dia que escrevi sobre meu dia de folga, foi o fato de que meu chefe resolve ligar pra mim e meu celular, pra não variar, estava no manner mode ou, seja, não faz barulho algum!!! Toda vez que eu folgo, esqueço de destravar essa função e já levei varios esporros por causa disso.

4) Agenda lotada e Como ser feliz no trabalho: Na verdade, minha agenda lotada deve-se além do trabalho em si, meu curso de conversação em língua japonesa e dois shows pra assistir devidamente agendados desde agosto. O pessoal não acreditou quando disse que pra conseguir ingresso pro show do Masaharu Fukuyama, tive que encarar sorteio. Eu não sei se ingresso pra algum show no Brasil o preço é barato (bom, depende do show), mas um show internacional no Brasil quanto custa? Do Franz Ferdinand equivaleria hoje, aqui, a 150 reais, mais ou menos?

Nos dias de hoje, ser feliz no trabalho não basta ter força de vontade. Tem que ter uma baita duma auto-estima violenta pra encarar os pepinos do dia-a-dia. Além do mais, encontrar um serviço que seja 100% perfeito, é impossível. Nem mesmo trabalhando em casa. Se souberem de um serviço assim, me avisem.

Eu quis dizer trabalhar em casa. Imagine, trabalhar em casa, poder ficar no conforto do lar, e... bem, aí quanto a parte de ter a disciplina de horário, fica algo a se pensar...

Semana que vem, se tudo der certo, a parte final. Mas quem acompanha, já sabe qual é o recorde de comentários...

Sunday, September 13, 2009

A Nuvem Negra que paira sobre a gente ou: Todo dia de folga, sempre chove!

Cartaz do evento deste verão.


Sempre assim: a semana toda trabalho, trabalho, pepinos, trabalho, trabalho, abacaxis... E faz um tempo lindo, maravilhoso, ensolarado. E a gente sempre esperando o dia de folga para sair e distrair um pouco. Nem que fosse um dia apenas, mas só pelo fato da gente esquecer o estresse da semana, acho que bastaria.

Parece piada, mas quase toda vez que eu tiro dois dias ou mais de folga seguidas, o tempo revolta-se e despenca a maior chuva. Dependendo do que teria que fazer, eu saio na chuva mesmo. Guarda-chuva tem pra quê mesmo?

Mas sabe quando desde o mês passado os amigos programam um passeio e a gente fica esperando o dia chegar?

Desde o mês passado, meus amigos de trabalho falavam de um passeio de barco na baía de Tóquio, com direito a bebida (devidamente incluso no precinho do ingresso) e o legal ir com yukata, aquele quimono apropriado pra verão e festivais. O bendito do traje fiquei enrolando o verão todo pra comprar e quando faltava uma semana pro passeio, fui comprar na pressa. Felizmente encontrei.

Voltando ao passeio de barco: todo ano, o Tokai Kisen, firma especializada em navegações para todo o Japão, promove o tal passeio de barco de 1 de julho a 23 de setembro. Melhor dizendo: enquanto durar o verão. Mas são passeios diários, ops, noturnos, pois o horário do passeio é das 19:15 as 21:15. Eu tinha ouvido falar deste passeio através de um colega meu, que vivia falando todo santo verão pra todo mundo ir, mas nunca que as folgas coincidiam.

Eis que coincidiu, mas faltando uma semana pra irmos, uma colega acabou ficando literalmente de cama (gripe) e outro teve que resolver alguns problemas "pra ontem". Bem, como todo ano tem, se der certo a gente se reúne e vai novamente.

Só que ninguém esperava que logo pela manhã despencasse aquela chuva, a ponto de chegarmos no local da saída do navio debaixo de um aguaceiro e por alguns instantes pensarmos que o passeio tivesse por água abaixo (sem trocadilhos). E sem falar que levamos mais de quatro horas para nós nos trocassemos com trajes adequados (alguém aí disse que vestir um yukata sozinho é fácil???)

De qualquer forma, pudemos aproveitar o passeio. Comendo, bebendo e bem, reparando nos trajes alheios... Bem, a maioria estava de yukata, até os estrangeiros. Tá, eu também sou, mas pela minhas feições, passo como japonesa até eu abrir a boca...

Thursday, September 10, 2009

Agenda lotada

Normalmente não costumo postar duas vezes no dia, ainda mais um post seguido do outro, mas lembram que eu falei que teria dois motivos de arrebentar o meu (pobre) piggy bank e daí por diante eu terei que fechar a mão pra tudo, inclusive liquidações?

Pois é, eu esqueci de mencionar, mas foi só no Twitter: em agosto, num momento de insanidade e "dane-se porque sabe lá quando eles virão de novo", detonei as economias e torrei quinze mil em dois ingressos de shows.

Sim, dia 24 de setembro (já está chegando...) estarei no Yoyogi Taishokan (Tóquio) sendo novamente espectadora no show do (quarentão, vitaminado, cantor, ator, faz-tudo) Masaharu Fukuyama. Pela terceira vez. Lembram que eu fui em janeiro de 2007 no Saitama Super Arena e em março do mesmo ano no Yokohama Arena? Pois é, acho que se eu não fosse desta vez, eu iria me arrepender por um bom tempo, ainda mais que seria a turnê dos vinte anos de carreira.

E pensam que o ingresso eu consegui facinho facinho? Tive que encarar sorteio via internet!!! Consegui na segunda rodada. E depois falam que show de artista "do estrangeiro" é pior ainda pra comprar (tenho dois colegas de trabalho que vão no da Beyoncè e disseram que também foi por sorteio)... E do jeito que eu tenho sorte, eu vou acabar é vendo o Masaharu no telão, só pode!

Outro show que vou, mas o ingresso eu comprei bem antes que do Masaharu, porém vai ser bem depois - dia 9 de novembro - é do grupo escocês Franz Ferdinand. Se eu perdi quando eles vieram em fevereiro (eu fiquei sabendo depois que eles fizeram o show, no Zepp Tokyo), não deu pra ir no Fuji Rock (já expliquei o motivo), quando soube via Twitter que eles conseguiram encaixar na apertada agenda três shows no Japão: em Tóquio, Nagoya e Osaka.

Claro que fiquei de plantão no dia em que o site abriu para conseguir o ingresso em Tóquio (no International Forum, Yurakucho), e logo que saiu o código, fui correndo pra garantir o meu. Só que depois que eu vi o mapa do Forum A, onde vai ser o show, e onde irei ficar (sim, os ingressos são numerados), se eu conseguir ver algo vai ser um milagre.

Milagre vai ser se depois disso eu estarei ainda viva pra contar o resultado. As provas do estrago feito pela autora: os ingressos dos shows que irei em breve!

Eita força do hábito...

Como sempre falo neste pobre mas limpinho sítio que, no apertamento que moro, divido cama, mesa, sofá, geladeira, computador com namorido kinguio, mesmo sendo em regime de pecado. Dividimos as tarefas domésticas, mas como ultimamente namorido está no processo de trabalho 4x3, a maior parte das tarefas está sobrando para ele. Leia-se: cozinhar, jogar o lixo e tirar as ervas daninhas das nossas plantas, assunto pra algum post oportuno.

Claro que existem tarefas domésticas que eu tenho que fazer, mesmo trabalhando direto, como separar o lixo não queimável (algo que namorido não tem paciência), limpar o banheiro, banheira, lavabo, ar condicionado e lavar as nossas roupas. Se bem que namorido lava a roupa dele. E tirar o pó em cima dos objetos, pois eu espirro direto.

Aqui no Japão, o pessoal tem o costume de usar um aparelho para esquentar água. Se até onze anos atrás, pra fazer uma sopa instantanea ou chá, eu tinha que pegar um bule, encher de água e ferver no fogão mesmo, hoje eu faço uso de um "pot denki", um aparelho doméstico que onze entre dez casas daqui possuem. Basta colocar água e deixar ligado que a água esquenta e nem precisa esquentar é a cabeça pra ferver água no bule.

Obviamente que precisa limpar o aparelho de vez em quando. Se bem que eu costumo limpar duas a três vezes ... por mês!!! Se me chamarem de relapsa ou que raio de dona-de-casa sou eu, nem posso reclamar, pra falar a verdade, nem sei qual é a frequencia pra limpar aquilo.

Mas, por via das dúvidas, faço uso de um produto pra limpar o "pot denki", que consiste num comprimido semelhante ao Sonrisal tamanho familia. Desligando o "pot denki" e com água ainda quente, jogar o comprimido e deixar por uma noite. Depois, só limpar.

O produto em si que costumo utilizar chama-se "Tadaima potto senjouchuu", cuja caixa vem três comprimidos. Para mim, funciona que é uma beleza. Desentope até a redinha que fica no fundo do pote.
Produto recomendado pela autora. Encontra-se nos supermercados, home-centers e farmácias de qualquer cidade no Japão.

Só que, enquanto o produto age no pote, coloca-se a etiqueta avisando que "esta água não é pra beber". Pra quem tem família, divide apertamento com mais gente, se faz necessário.

O detalhe é que, no apertamento onde moro somos dois, o que seria desnecessário a etiqueta, pois a tampa do pote fica aberta. Sabe quando junta a força do hábito e dois moradores que às vezes esquecem o que comeram no café da manhã?

Font size Legenda: Produto pra limpar potes. Cuidado! Deixe desligado. Deixe a tampa aberta. E não é pra beber...

Wednesday, September 09, 2009

The Beatles Day - 9 de Setembro de 2009

Como eu havia dito em algum post perdido, hoje dia 9 de setembro, as lojas de CDs, DVDs, livrarias e similares, já estão abarrotadas do relançamento da discografia completa dos Beatles, devidamente em remasterização digital, com alguns bonus a mais.

Sem falar do game "RockBand"... Que trará junto com o game os controles na forma do baixo do Paul McCartney e a bateria do Ringo Starr. Quem quiser a Rickenbacker do John Lennon e a Gretsch Country Gentleman do George Harrison, vai ter que comprar a parte.

Se eu conseguir a discografia novamente, eu diria que meu piggy bank vai ficar devidamente falido até o final do ano...

Tuesday, September 08, 2009

Manteiga Derretida

Tive esse (infame) apelido nos tempos de escola primária, devido ao fato que, qualquer coisa eu chorava. Levava bronca da professora, eu desatava a chorar. Colega insultava, eu chorava. Ia ao matinê, assistia ao filme, se fosse muito triste, eu chorava (sim, eu chorei horrores quando assisti ao "Bambi"). O que causava uma série de constrangimentos para minha querida mamãe quando ela ia na reunião de pais e mestres. Não por ser uma aluna ruim (por sinal, eu era muito CDF, mas se eu não tirasse nota boa, ficava sem sobremesa, sem desenho animado, sem gibi), mas porque por qualquer coisa eu chorava.
Os anos passaram e ainda continuo sendo daquelas pessoas que choram por qualquer coisa. Muitos dizem que existem pessoas muito sensíveis demais. Outros dizem que é frescurite das bravas. Mas que alivia o estresse, eu garanto, dane-se a fama depois.

Pior fase pra mim da choradeira é a temida (pelo namorido kinguio) TPM. Quando estou nessa fase, qualquer coisa além de ser motivo de ficar estressada, choro muito fácil.

Bem que eu tento controlar, mas quando assisto a algum filme ou algum documentário que mexa com a sensibilidade alheia, não tem jeito: começam a verter lágrimas.

Principalmente àquelas novelinhas que o programa anual que Nippon TV costuma fazer em agosto com a finalidade de arrecadação de fundos para serem doados a entidades locais e no exterior (o equivalente ao "Criança Esperança" do Brasil), o "24 Hour Television". Não lembro mais como é o do Brasil, mas o "24 Hour..." os artistas que apresentam (os personality supporters) não se restrigem a mesma emissora: todo ano fazem revezamento, pelo menos não cansa.

A novelinha deste programa é baseado em fatos reais. Se no ano passado ao menos teve um final feliz, a deste ano, quem assistiu já me advertiu, já que não pude assistir no dia e só consegui pra torrentar alguns dias depois: assista com uma caixa de lenços ao lado.

"Niini no koto wo wasurenaide" (Não esquecerei do meu irmão) conta a história verídica de um jovem comum, prestes a entrar na universidade e descobre que tem um tumor cerebral sem chances de cura e nem de retirada. E convive com isso por vários anos. Só não vou contar o final senão estraga. Se bem que não consigo assistir nem durante o meio, que já choro.

E ainda tenho uma série de doramas e dois filmes pra assistir ainda... Haja caixa de lenços de papel...

Monday, September 07, 2009

No Food, No Drink, No Life - O Retorno


Continuação da saga do ano passado sobre o exame médico...

Desde 2003, quando me inscrevi no Shakai Hoken (Seguro-Saúde que vem no pacote o seguro-desemprego e aposentadoria) da firma onde trabalho, religiosamente tenho exame médico anual. O que pra muita gente seria um "desconto desnecessário", o seguro para mim e muitos outros, seria um alívio. Desconta-se uma paulada no holerite, mas sabendo que futuramente, quando eu resolver voltar de vez, eu posso garantir uns trocos bons a mais.

Voltando à vaca congelada.

Todo ano, eu e todos os colegas da empresa onde trabalho, somos submetidos a fazer esse exame. Afinal, estamos pagando, portanto, temos uma infinidade de benefícios, desde cupons de academia de ginástica até parque de diversões com precinho bem camarada (mesmo)! Como eu mencionei no post do ano passado, tem um exame que eu detesto fazer, se bem que, quem gostar de fazer esse exame das duas, uma: ou é masoquista ou adora emoções fortes.

Sim: o temido exame estomacal, que consiste no paciente ficar doze horas na véspera do exame de jejum, engolir um granulado com um golinho de água e depois um líquido espesso feito farinha com leite e ai se arrotar enquanto engole aquele treco (tem que tomar tudo de novo)!

Imaginem a cena: no dia anterior, depois das oito da noite, nada de comer, nada de beber, exceto um gole d'água só pra não ficar com a boca seca. E ir pro local do exame sem comer n-a-d-a. Certo que no domingo eu fiquei até mais tarde no trabalho, melhor, assim eu não pensaria em comida, mas sabe quando a Catarina reclama até dizer chega? Fui dormir mais cedo assim eu não pensaria em comida novamente. Acorda cedo, faz tudo o que precisa fazer, menos tomar o café da manhã. Pega aquele trem da linha Tokaido mais Yamanote e metrô, e morrendo de fome.

Fica mais de três horas naquela clínica, responde o questionário, entrega os fluidos (se é que me entenderam), veste um roupão, pesa, mede, tira meio litro de sangue, conversa com o clínico geral, eletrocardiograma, raio-x, ultrassonagrafia, mamografia e... o temido exame estomacal.

Alguém gosta de ser virado numa mesa até ficar de cabeça pra baixo? E é um tal da médica ficar do outro lado da cabine pedindo para você virar pra direita, pra esquerda, ficar de costas, contorce que nem minhoca... E com aquele líquido branco que tomou antes de ser submetido a esse exame no estômago e você passando mal. Não é a toa que a palavra paciente acabou sendo de cunho médico.

Após essa sessão de tortura, a médica pede: um comprimido de purgante agora e dois depois que almoçar. E vocês pensam que terminou por aqui?

Ano passado não tinha feito o segundo exame temido por mim: sim, aquele que o/a médico/a pede pra abrir as pernas e seja lá o que tudo quiser. Pra mim seria "abra as pernas e feche os olhos", pois toda vez que faço esse bendito exame, nunca consigo ficar relaxada. E pra esquecer o que se passa, eu tenho que conversar com o/a médico/a. Qualquer coisa: se o tempo está bonito, se assistiu a novelinha, jogo de beisebol, mas que me faça esquecer que estou numa posição totalmente constrangedora e nem tenho nem como fugir.

Pois é, deixaram pra fazer esse exame por último. Caramba, depois de eu ter tomado aquele treco branco intragável, ser sacudida, virada, espremida por causa da câmera e engolido um comprimido de purgante, ainda por cima o exame ginecológico fica por último??? E se me dá aquele aperto no intestino, o "chamado da natureza forçada" e eu na cadeira naquela posição? Eita pessoal sem noção...

Resultado do dia: passei a tarde toda indo ao banheiro para expelir tudo. Inclusive o lanchinho que a clinica oferece pros pacientes depois do exame, o risoto que almocei depois... Lembram que falei que depois do exame estomacal deram três comprimidos?

Agora, daqui a um mês já chega o resultado. Mas eu me conheço e até sei: pressão baixa, seis quilos acima do peso normal, falta de ferro no sangue, paciente estressada, toda vez que se submete ao exame estomacal a paciente sempre se atrapalha na hora de virar aqui e ali, gosta de conversar com a ginecologista...

Thursday, September 03, 2009

Procura-se Urgente: Como Ser Feliz no Trabalho

Quase todo mês costumo comprar a revista Nikkei Woman, da Nikkei BP, a mesma do jornal Nihon Keizai Shimbun, especializada em economia. Geralmente compro essa revista por vários
motivos: ideal para mulheres que trabalham em escritório, economia, way of life, dicas de vestuário, comida, beleza, dicas de como aproveitar a vida, mesmo trabalhando 9 to 5 (bem, este não seria meu caso. Por enquanto). E as seções de cinema, livros, música.

A que comprei recentemente, cuja capa publiquei no post aqui, com a atriz e cantora Koh Shibasaki, além de uma pesquisa entre 1500 mulheres (sempre perco essas enquetes!) sobre o quê elas carregam nas bolsas - sabem aquela história que todo homem quer saber o que tanto a mulherada carrega dentro... Sobre como conseguir uma boa pontuação no TOEIC (Teste de Lingua Inglesa para Comunicação Internacional, em inglês)... e o mote principal: "Inicie uma nova vida aproveitando as manhãs". Como?

Explicando: para ter melhor aproveitamento da vida, acreditam-se que, tendo atividades off-work pela manhã, literalmente falando: entre cinco ou seis da matina, o trabalho em si renderá. E aí à noite poderá aproveitar mais para atividades leves e até dormir melhor. Exemplos: ioga, ouvir música, cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa... Tudo bem, eu sei que vocês, leitores, vão me vir com essa: mas isso eu faço quando eu consigo acordar cedo, mas se feito diariamente, bem, acostuma.

Em Tóquio, existem lugares que as pessoas se reunem desde sete da manhã em cafeterias para bater um papo e discutir sobre literatura, música e afinidades, antes de trabalhar, além de já tomar um lanchinho. Até pensei em me inscrever, mas para isso terei que acordar cinco da manhã quase sempre que eu quiser ir. Isso porque dependendo da comunidade, tem que pertencer a uma pelo site de relacionamentos mixi (o equivalente Orkut ou Facebook).

Tem uma universidade que, por três meses, das sete às nove da manhã, as pessoas frequentam para aulas de ioga, agricultura e outras atividades. Vagas limitadas. Pra quem mora mais ou menos perto, vale a pena (agora, eu, pra chegar em Tóquio, levo quase uma hora...).

Sem falar de cursos de inglês, meditação e até participar de limpeza coletiva no bairro.

Outra revista que compro de vez em quando também, é a an-an, que fala de tudo um pouco. Sei que existem assuntos que sei lá eu se seriam hoje adequados à minha faixa etária, mas como trabalho, cinema, música, atividades off-topics eu gosto e muito, eu compro quando tem algo de meu interesse. A revista é semanal, toda quarta nas bancas, semana passada comprei sobre fotografia (que tem o ator Eita na capa). Claro que, nas últimas páginas tem um resumo sobre a próxima edição.

Como ser feliz no trabalho.

Ontem, antes de pegar o trem pro meu trabalho, passei na conveniência e comprei um exemplar. Metade da revista fala sobre como ser feliz no ambiente de trabalho e dicas de como contornar certas situações. Não li a revista toda, mas pelo meu entender (precário) de leitura japonesa, deu para perceber que, não é tão fácil assim. Principalmente nos dias de hoje. Para isso, teria que dedicar mais ao potencial que si próprio possui e tentar administrar seu tempo para outras atividades, como outros cursos para aperfeiçoamento (no meu caso: inglês, japonês, voltar aos estudos de programação e computação gráfica...).

Agora, se a situação no trabalho parecer insuportável, o jeito é se preparar com três meses de antecedência, juntar uma boa grana pras despesas, ao mesmo tempo preparar o terreno para procurar algo melhor (ou pior, vai saber depois, pois como no Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas). Conversar com amigos que passaram por essa situação também é aconselhavel.

De quebra, uma (longa) entrevista com Tsuyoshi Kusanagi, que responde às perguntas das leitoras sobre trabalho, problemas, e como contorná-las. Na entrevista, ele admite que trabalho por mais que seja penoso e com a agenda lotada, tem que fazer o que realmente gosta. Ter uma visão otimista e olhar para si mesmo e dizer que "não sou uma pessoa ruim" e se perder a autoestima, ser conformista com isso ou aquilo, pode levar a ruina. Taí um exemplo dele próprio quando ficou 35 dias de férias forçadas...

Bem, depois do que passei na quarta no meu ambiente de trabalho, vou ter que repensar melhor no futuro...

Duas edições que serão leituras obrigatórias para a autora por um bom tempo...

Wednesday, September 02, 2009

Vale a Pena Ler de Novo (ou: as dez postagens mais comentadas, o retorno) - Parte 1

Bichinhos de Jardim, por Clara Gomes.

Nem bem fez três meses desde meu post sobre os artigos mais comentados, e nem lembro como foi, como aconteceu, mas minha caixa de comentários disparou. Desconfio que foi o fato de eu visitar, comentar, adicionar blog de um que puxa o outro e por aí vai...

Agradeço mesmo as pessoas que costumam visitar, comentar e mesmo se não comentar, a visita é sempre bem-vinda. Até de pessoas que visitam este pobre mas limpinho sítio por acidente. Também, quem manda batizar um blog que malemal fala de Yokohama?! Já me deram sugestões, mas um deles dá muito duplo sentido e eu sentiria muito constrangida.

Bom, vamos lá, parafraseando aquele programa do canal cinco do Brasil... "Vale a pena ler de novo" (ou: vale a pena rir de novo, ou melhor ainda: vale a pena ter desgosto de novo, vai de cada um) os dez mais comentados, começando do menos para o mais comentado...

10) Como fazer um bom videoclipe sem gastar muito (5 comentos): Enquanto tem muito artista por aí que torram horrores para fazer um videoclipe (eu costumo falar PV, de promotion video) de cinco a dez minutos e sabe lá eu se vai cair no gosto do pessoal, tem artista que com poucos recursos consegue fazer um PV jóia, joinha. No dia que postei, foi logo depois que o quarteto Franz Ferdinand disponibilizou no site da gravadora a versão de "Can't Stop Feeling", no qual precisaram de uma filmadora, um bom editor de imagens, criatividade e muita cara-de-pau de utilizarem desde um secador de cabelos a uma frigideira.

9) O significado do Ochuugen, como entender comerciais, nossa amada Lingua Portuguesa, memes, momentos de meditação e quando a autora pão dura resolve quebrar o cofre (6 comentos): No Japão, o pessoal aqui costuma presentear as pessoas as quais prestaram favores em duas épocas do ano: no verão e no inverno. Pra falar a verdade, não sei se é hábito que vem de minha mãe, mas até hoje não consigo ir na casa de alguém de mãos vazias, sinto-me mal pra caramba, dando a impressão de que além de ir estorvar, não traz nada. Nem um pacote de beliscão de goiabada.

Os comerciais daqui, pra muita gente, são de dificil compreensão. Ainda mais que se fazem trocadilhos, como a do Cup Noodle, que mostrei aqui, pois tem que assistir e muito programação japonesa para sacar que como na hora de falar "corocha" (cubos de carne) pode-se entender "Goro-chan" (apelido que foi dado ao Goro Inagaki) ou "Golgo-san" (um personagem de mangá que mais parece um assassino de aluguel).

Falando em pronúncias e afins, com essa mudança na ortografia, às vezes me pergunto se estou acentuando errado ou colocando hífen onde não precisa mais. Resumindo: preciso urgente ler e estudar mais sobre a nova ortografia. Se bem que, depois de eu ouvir e ler certas barbaridades que já presenciei até então, colocar trema nas palavras como pinguim e linguiça porque fui alfabetizada desta forma, não seria caso de mandar escrever mil vezes no quadro negro.

Memes seriam do tipo "corrente" mas uma corrente saudável para quem possui blogs. Uma forma de um conhecer mais sobre o outro. Muita gente que me conhece pessoalmente (e muito bem) não acredita até hoje que, na hora de falar diante do público, eu quero é me esconder atrás de um clipe de papel, tamanha a vergonha que tenho. E olha que depois que me formei, pra garantir alguns trocos a mais, eu lecionava...

Mas, para querer esquecer que tudo estressa, fui mesmo para o Sankei-en, um parque que fica em Yokohama, cidade onde moro (e pouco falo dela), ideal para conhecer como eram as casas no início do século 20. O parque é enorme, muita área verde, e um lago para ver as tartarugas, patos, carpas... Recomendado pela Elisa, que ainda não voltou de suas (merecidas) férias.

No meme mencionado, eu disse que sou contraditória mesmo. Economizo em liquidações de roupas e compro sapatos a 70% do valor original, mas na hora de comprar CDs, DVDs e revistas, aí o que eu economizei foi tudo pro espaço. Em miúdos: acabo trocando seis por meia dúzia....

8) Noveleira nikkei e o cotidiano segundo Ricardo Liniers: Tudo bem, eu confesso: virei noveleira. Mas noveleira de doramas, como se chamam as novelinhas japonesas. Podem me tacar pedras, mas odeio novela enrolada. Perguntem pra mim qual foi a última novela brasileira que assisti e depois eu respondo o porquê de não ter paciência pra novelas brasileiras. Tem os sitcoms americanos ou britânicos e até alguns brasileiros que se salvam? Assim que eu encaixar um tempinho na minha apertada agenda, eu assistirei a alguns que a divertida Bah indica a cada duas postagens. Agora tenho três doramas na fila: Ninkyo Helper (toda quinta no canal oito, ops, Fuji Television), Aishiteru (passou na temporada passada, mas eu admito também: estou fazendo uso de torrents) e Orthros no Inu (passa toda sexta, mas como trabalho, também torrento).

Ricardo Liniers é um dos poucos cartunistas que a vizinha Argentina tem de melhor. Eu gosto do Quino, criador da contestadora Mafalda. Comecei a acompanhar a arte de Liniers quando ele foi ao Brasil num evento no ano passado. Muito embora algumas tiras são surreais, quando ironiza seu próprio cotidiano, é o melhor que há. Recentemente, quando comprei dois CDs, por pouco não quebrei as caixas de raiva. Só não chegou ao extremo porque não estava de TPM.

7) Agitando o pedaço (8 comentos): Na segunda semana de agosto, Japão foi sacudido por tremores causando pânico entre os nativos e turistas. Godzilla ressuscitou? A volta do Ultraman e Ultraseven? A autora caiu da cama? Todas as alternativas erradas, o que aconteceu foi numa semana só três tremores que aumentou os rumores de que o Grande Terremoto de Tokai já está fazendo uma pré estréia...

Próxima semana: a saga continua, do numero 6 ao 4. Tchans!!!!