Saturday, February 06, 2010

Um Saco de Papel, peloamordeDeus...

Ou: CUIDADO! Texto altamente polêmico e vai dar muita briga...

Sou estabanada. Pronto, falei.

Muitas vezes, em alguma roda quadrada de colegas numa mesa redonda (ou retangular, que seja) no bar, restaurante, bate papo, acabo cometendo algumas gafes. Algumas leves, como confusão de palavras, fatos e locais. Mas algumas acabam sendo dignas de comédia pastelão que acaba ficando assunto pra semana toda.

Pensei em andar com um saco na cabeça, tal como a menininha Shizuku do dorama "Bara nai no Hanayasan", que vivia andando com uma fronha com furos estratégicos na cabeça. Pra evitar tamanha vergonha que às vezes passo. Doze anos vivendo num país estrangeiro, bem, qualquer lugar que não fosse nosso lar doce lar, vira prato cheio pra uma sucessão de gafes. Se bem que até no nosso lar doce lar também não escapamos de inúmeras toupeirices. Desde fazer nossa sagrada refeição diária até cair do banquinho ao trocar uma lâmpada.

No final de semana que passou, ao assistir noticiário (alguém aí percebeu muito bem que vivo assistindo noticiários, né? Tenho culpa se, ao acordar na TV passa o noticiário da matina e ao chegar o noticiário da noite?), o hoje comentado acidente automobilístico no centro de Nagoya (província de Aichi) com saldo de um carro danificado e três pessoas mortas. Quando vi o noticiário pela primeira vez, pensei que as três vítimas estavam no carro.

Eis que logo pela manhã, presto atenção melhor na notícia e na verdade as três vítimas tinham sido atropeladas. E quem estava no carro danificado, causador da tragédia, evadiram-se do local. Pra completar, a testemunha disse que, quem estavam no carro pareciam estrangeiras. Aí, pronto. Primeira coisa que eu penso: "quer ver que no noticiário da noite quando eu voltar pra casa vão falar que os estrangeiros eram brasileiros?"

Não precisou o noticiário da noite: meu colega de trabalho, japonês, se encarregou de me dar a notícia, dizendo que encontraram um aparelho celular dentro do carro e parece que pertencia a um brasileiro. Imagine se nessas horas eu não queria me esconder dentro da gaveta da minha mesa.

Agora, vocês vão me tacar pedras como se fosse malhação de judas em praça pública (e olha que sexta-feira santa ainda tá longe), ou condenação muçulmana, vão lotar de comentários na minha caixa deste post (e nos outros) dizendo que eu sou puxa-saco de japonês (pra não dizer outra coisa, já que meu sítio é um sítio família), que eu não tenho orgulho do país onde nasci, mas quando acontecem essas tragédias - sim, eu digo TRAGEDIA mesmo -e provocadas por nossos conterrâneos, eu tenho vontade de dizer que sou tudo, menos brasileira.

Eu falo sério: apesar da minha cara de japonesa (quem me conhece pessoalmente, sabe), meu nome japonês, mas na hora de uma conversa quando perguntam pra mim "okuni desuka?" e minha resposta é Brasil, as reações são as mais variadas possíveis: desde espanto (do tipo: "não acredito, com essa cara??"), surpresa ("não sabia que no Brasil tivessem nikkeis") e termina com o comentário: "Brasil é Carnaval e lugar perigoso né?". Aí a gente termina a conversa por aí, porque pra eu convencer esse pessoal que Brasil não se limita a Carnaval e desgraças, vou levar alguns pares de anos.

Estudo conversação em uma escola em Tóquio, onde a maioria das alunas (sim, minha classe é altamente feminina) são coreanas ou chinesas. Tal espanto delas quando digo que sou brasileira. Aí volta aquele comentário no parágrafo anterior. Como o devido complemento: "mas brasileira não é kurombo??" Aí eu tenho vontade de sentar e chorar. Mas eu não as culpo por isso, pois quando nos pacotes de turismo mostram sobre o Brasil, podem ter certeza que são fotos de Carnaval com direito a muita mulher voluptosa (a base de silicone, diga-se de passagem), quando não muito do Pantanal. E só.

Tá, vocês vão mais uma vez tacar pedras em mim. Dizendo que só porque sou baixinha, cheinha, branquela e míope fico execrando de vez o país onde nasci. Não quis dizer isso. Eu quero dizer que o Brasil tem tanto lugar bonito e diversificado para mostrar como: a cidade de São Paulo e suas variedades culturais, a cidade que não pára, a Wall Street brasileira; a culinária e acervo histórico de Minas Gerais; a arquitetura de Brasília; as dunas do Nordeste (e olha que um programa japonês - o Itte Q, com a aventureira Imoto Ayano, aquela dentucinha de sobrancelhas pintadas que se veste de colegial, foi até Maranhão!), o Ver-o-Peso de Belém, os pampas gaúchos, a colônia alemã de Santa Catarina... Mas não...

Eu sei que o Brasil tem o lado ruim (e põe ruim nisso), como a falta de caráter de alguns políticos por aí, as diversificações de renda (ou a má distribuição dela), falta de segurança, falta de educação (de algumas pessoas), falta de bom senso ( de algumas pessoas )... Temos o lado bom? Sim, somos otimistas. Somos criativos (pelo lado bom).

Mas, infelizmente não só aqui, mas como já li ( muito ) sobre o fato de muitos brasileiros tentarem ir "pro estrangeiro" para algum congresso importante, fazer algum doutorado numa universidade sob indicação de uma grande entidade, trabalhar numa multinacional, fechar negócios importantes, e chegaram na imigração, tiveram a entrada barrada porque "brasileiro não é bem vindo aqui". Mas como? Se um terrorista fortemente carregado consegue entrar, um inocente armado de um diploma, de um certificado de indicação de (coloque aqui uma multinacional de sua preferência) é barrado a troco de quê?

Sabe que num cesto de frutas, sempre vai haver uma que está podre. E justamente essa fruta podre, se não for eliminada a tempo, contaminará todo o resto. Não lembro que revista li, mas havia depoimentos tristes e revoltantes de mulheres brasileiras, batalhando arduamente para conseguir uma vaga na sociedade altamente machista e conseguem um convite pra trabalhar/estudar/fazer carreira em uma empresa multinacional no "estrangeiro" para melhorarem o desempenho e poderem fazer algo para melhorar nosso país, o que acontece quando chegam na Espanha, Itália, e outros países?

São barradas. Discriminadas. Chamadas de prostitutas. Sim. De prostitutas! Tudo porque algumas, no desespero ou na má fé mesmo, resolveram vender o corpo no "estrangeiro", fazendo com que os estrangeiros misturem tudo e generalizem a mulher brasileira de... prostituta!!! E de nada adianta elas terem na bolsa o diploma de médica especializada em infectologia, dentista especializada em correção palatolabial, administradora de empresas que saiba ler e falar mandarim se a (cruel) sociedade estrangeira aponta o dedo para elas e chamem injustamente de prostitutas!!!

Meu namorido, certa vez, no trabalho, estava conversando com um colega de trabalho (japonês) e eis que no meio da conversa sai a mesma coisa que acontece (muitas vezes) comigo quando a gente fala que é brasileiro: "o Brasil é perigoso né?" Como namorido já é daquele tipo de pessoa que, quando contraria, prepare-se que leva chá de cadeira. E sai com os ouvidos vermelhos de tanto ouvir. Levou uma hora pra fazer o colega entender que "o Brasil não é somente Carnaval, roubo, assalto, mas deveriam conhecer as outras pessoas, que trabalham neste país, conseguem viver aqui..."

Perante estas e outras vergonhas que nós passamos em inúmeras situações, eu tenho vontade de enfiar um saco de papel na minha cabeça.

Porque eu acho injusto mesmo tanto de nós, fazermos as coisas tão certinhas, sermos educados, esforçando-se ao máximo pra sermos aceitos na sociedade num país que estamos "de visita", sermos discriminados, execrados, vistos com maus olhos por causa de meia dúzia de frutas podres que resolvem fazer a casa dos outros um verdadeiro bordel.

Para meus amigos blogueiros brasileiros, certinhos, batalhadores, justos, educados, e que infelizmente, eu, eles e muitos de nós pagamos pelos grandes erros e c***das de outros que cada hora que passa, nossa imagem no "estrangeiro" fica cada vez mais manchada, que nem usando o mais poderoso tira-manchas resolveria...

Post inspirado no artigo escrito por Alexandre, no dia seguinte do Setsubun e a tragédia que houve neste dia. Desculpem o texto pesado e carregadíssimo e hoje, mas não dava pra segurar.

11 comments:

  1. a única vez que escrevi no seu blog foi naquela vez da gripe suína, gostaria que não achassem grosseria o que vou escrever aqui. vamos por links.
    - alemão mora 13 dias no aeroporto de campinas.
    http://cosmo.uol.com.br/noticia/46489/2010-02-05/ialemao-de-viracoposi-e-enviado-de-volta-para-casa.html

    este é só um dos exemplos dos estrangeiros no brasil, tivemos mais:
    - dois alemães que trocaram roupas no saguão do aeroporto de salvador.
    - um turista belga foi acusado de matar uma pessoa e ferir mais três no recife em 2009.
    - mais um link com mais uma noticia (estes são da série "os franceses são gente boa")
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u690260.shtml

    o engraçado é que muitos descendentes se acham japoneses aqui no brasil , mas são brasileiros quando chegam ao japão.
    será que isso causa um trauma psicológico?
    quanto dos crimes praticados no japão são feitos por brasileiros não descendentes?
    não quero discutir quem é melhor ou pior, o ponto que quero chegar é que tem muita gente ingrata e pouco patriota que além de não defenderem o brasil ainda nos envergonham. um dia vou ter a oportunidade de sair do brasil para uma viagem e vou fazer questão falar sobre as partes boas do brasil.
    o que sabemos sobre o Iraque? será que lá todo mundo gosta de guerra? ou todos querem matar os americanos?

    não somos nós, todo mundo se transforma quando não estão em casa.

    jeferson

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  2. Ahahahah acho até que vc foi polite demais rs... Entendo perfeitamente o seu ponto de vista e cá entre nós, eu vi a foto do cidadão que tava no meio dessa tragédia e digo: primeiro pq o cara tem mó cara de baiano daqueles do centro de SP, que primeiramente nem sei o que foi fazer no Japão. No mínimo casou por contrato. TEm mesmo é que meter pau nuns filhos da puta que nem ele que nãos sabe honrar a bandeira brasileira. Se é que podemos chamá-lo de brasileiro, porque no país do carnaval e do samba até consideração e a soliedariedade existem. Li no noticiário que esse IMBECIL com letras bem garrafais criou um blog postando fotos dele com inúmeros carros e roupas de marcas. O que dizer de um ser INFERIOR desses, que nem pão provavelmente tinha pra comer aqui? Poder e dinheiro subiu à cabeça desse INFELIZ. Pode chamar de xenofobia, mas sinceramente, esses tipos de brasileiros que deviam ser expulsos e sem ajuda nenhuma do governo. Puta sem-vergonhice desse bando de LADRÃO.

    #prontofalei

    rs

    Kisu!

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  3. olaaa!!!
    eu entendo a sua revolta,realmente eh triste quando uma coisa dessas acontece,primeiro pq ja somos meio que marcados aqui, as pessoas tem uma ideia a respeito do brasil,como vc mesmo disse, muitos veem o brasil como um lugar perigoso( eh so da uma olhada nos noticiarios sobre o rio de janeiro,a maioria fala sobre o que?sobre o trafico de drogas,sobre bandidos armados,sobre policia ineficiente,sobre policiais entrando armados e matando civis inocentes na favela...),
    no brasil muitos metem o pau nos politicos,na corrupcao,no grande numero de bandidos impunes,na falta de seguranca e por ai afora,muitos criticam as mulheres frutas e periguetes,mais nao se cansam de assistir aos programas de auditorio onde mostram as garotas quase peladas,...e quando alguem de fora fala algo,todo mundo se doe(como foi o caso do robin willians).
    Claro que no brasil nao eh so esse lado sinistro,tem diversas coisas maravilhosas,milhares de pessoas integras e batalhadoras.
    E nao vou defender brasileiro pelo fato de ser brasileira,acho que a justica deve ser feita,e se os brasileiros foram os responsaveis pela morte das pessoas,devem arcar com as consequencias,afinal quando saimos da nossa terra e entramos em territorio estrangeiro,devemos nos adaptar nao apenas ao salario,as mordomias,ao conforto,devemos nos enquadrar principalmente nas leis e costumes do pais,afinal na casa dos outros,o direito eh deles, ne?
    e quem nao gostar das regras do pais,quem nao consegue se adaptar,entao eh so pegar o aviao de volta,afinal ninguem esta preso aqui,
    é o mesmo caso de algum turista matar alguem no brasil,quem nao vai clamar por justica,se forem diversos casos de turistas matando brasileiros,quem nao ficaria com medo e tentaria manter distancia dos estrangeiros?
    eh um assunto delicado esse,e nao acho q vc seja puxa saco dos japas,mais muitas pessoas q leiam esse post,pode nao entender o quanto eh duro sentir olhares acusadores ou assustados,por algo q vc nao fez.
    um beijaooo.

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  4. Bom, como eu avisei que este post ia ser altamente polêmico, vamos por partes...
    Jeferson, eu sei que também tem o ponto de vista dos estrangeiros também aprontam (e como) no Brasil, é inegável e quem está aí e presencia sabe como é.
    O paradoxo que você menciona que os descendentes de japoneses no Brasil não são chamados (ou não se acham) brasileiros. E no Japão, por mais que tenhamos nome e sobrenome japoneses somos estrangeiros porque aqui só é japones porque nasceu no Japão (obvio ne?). Mas um nativo que imigrou e volta pra terra de origem, nunca é bem visto.
    Mas se tiver oportunidade de conversar com um estrangeiro (não importa a nacionalidade) no Brasil, mostre a ele as coisas boas que o Brasil oferece. A hospitalidade, a cultura (sem ser carnaval), os outros pontos turisticos desconhecidos por nós mesmos.
    Quanto ao Iraque, nem todos querem a guerra. E nem todos querem ver os americanos espetados no rolete pra serem assados.
    Abraços.

    Bah, você e a Andreia Inoue sintetizaram bem o que aconteceu aqui. Só quem morou, viveu e presenciou aqui sabe o que a gente passa. Tudo bem que eu moro numa região onde encontrar um brasileiro na rua é como uma formiga de dieta, mas quando tem as festas em Yoyogi, imagine a cena (confesso: nas duas vezes que fui, uma porque uma amiga minha que estaria fazendo plantão no evento estaria lá e queria conversar com ela; e outra porque eu adoro pastel de feira).
    Existem pessoas muito boas sim, que trabalham, respeitam, sabem das regras daqui. Não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo.
    Existe um ditado "Em Roma, faça como os romanos". Como Alexandre disse no artigo dele: estamos como visita. Da mesma forma no Brasil: será que gostamos quando os estrangeiros falem mal, depedrem, machuquem, ferem das nossas coisas, cultura, patrimônio, etc.?
    Lembram do caso do jornalista do The New York Times e o Lula? O desenho dos Simpsons e o Brasil (o episódio "Blame it on Lisa")? O comentário do Robin Willians e as Olimpíadas? Quando sairam isso, o pessoal achou ruim e como né? E nossa imagem no exterior, viram como anda?
    Só quem mora/morou, vive/viveu no "estrangeiro" como costumo dizer, pode dizer o que achou. Vai ter opiniões diversas, claro.

    Como Andréia comentou: ninguém é obrigado a morar aqui. Quem não gostar, então pegue o avião de volta pra casa.

    A verdade é que o assunto que postei realmente vai ter opiniões diversas, uns concordarão, outros jogarão pedras, é vero, mas uma coisa podem ter certeza de mim é que nunca haverá resposta tããããão longa como esta aqui...

    Beijos e abraços, pessoal!
    Se cuidem no Brasil, se cuidem aqui.

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  5. Não sou descendente de japoneses, mas me esforço (E MUITO) para compreender a cultura e a sociedade japonesa de forma ampla. Aí vem esses indivíduos e resolvem atrapalhar o esforço de quem se mata de estudar para conseguir algo realmente bom.

    Tenho muita raiva desses sujeitos, verdadeiros espíritos de porco, com todo respeito aos porcos.

    Se um dia eu conseguir ser embaixador do Brasil no Japão ou mesmo cônsul do Brasil em alguma cidade japonesa, esses BANDIDOS não terão a menor compaixão vinda da minha parte. Porque além da punição vinda do Código Penal japonês, vai ter a punição que eu determinar. E aí esses vagabundos não só vão se arrepender do crime que cometeram, mas vão se arrepender também de terem nascido.

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  6. Antes de tudo, eu achei excelente o seu post.
    Cada vez mais os brasileiros vão tendo consciência de suas qualidades...e defeitos. Já passou a fase do Brasil "ame-o ou deixe-o", o jornal não tem mais censura, não temos mais ditadura, a verdade pode ser dita.

    Vou comentar o comentário rs.
    O MP Kouhaku, que comentou anteriormente. Esse tipo de brasileiro que eu acho que deveria vir aqui: tem interesse pela cultura local (então é certeza que vai respeitar os valores locais e se integrar de maneira adequada na sociedade), vem com conhecimento na bagagem. Se é ou não descendente, isso deveria ser um detalhe, o importante é ter pelo menos alguma semente de conhecimento/respeito pelo pais que se visita (seja a passeio ou trabalho).

    Eu confesso que é difícil a gente dizer que é brasileiro. Aqui todo mundo acha que sou de outra etnia que não a brasileira. Sabe por que? Me dizem: vc é educado, eu não pensei que era brasileiro. Ou então: vc anda bem vestido, não parece brasileiro. Falam tb "Vc fala baixo, não parece brasileiro", "vc pede permissão, não parece brasileiro".

    Alguma coisa tá muito errada quanto temos uma comunidade com 200 mil brasileiros aqui e mais de 30 mil crimes cometidos por brasileiros.

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  7. Não mudaria uma única palavra do post, foi muito completo, um desabafo caprichado do que sentimos.

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  9. Ahhhh... eu coloco o saco na cabeça contigo... é incrível, como uma única fruta pode estragar todo o resto... o Brasil tem tantas coisas maravilhosas, mas infelizmente o que as pessoas de foras conhecem é o que nos mais dá vergonha...

    Beijão

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  10. Boa noite (ou bom dia, depende a que horas vocês estarão lendo):
    Não pensei mesmo que teriam tantos comentários sobre esse assunto que torno a dizer: causa polêmica e inúmeras opiniões diversas.

    MP Kouhaku, eu lembro de você dos aureos tempos do uwasa.br, gostávamos de seus comentários e caso raro mesmo de quem gosta e quer mesmo conhecer a cultura daqui. E não mede esforços pra querer vir pra cá. Nem que seja pra estagiário de um ano.

    Alexandre, concordo sobre a dificuldade de sermos brasileiros aqui. Sabe aquela história da identidade indefinida né? Embora tenham pessoas que ao sabermos que somos brasileiros acabam o papo por aí, têm pessoas que não acreditam pelo fato do diferencial que temos perante "aquela minoria": somos educados, respeitamos o outro, participamos...
    Acho que seu post da tragédia do Setsubun foi o mais post desabafo possível, pois você presenciou tudo.

    Gesiane, e a gente pra tentar reverter a história? Que nosso país não é o que pensam, somente samba, futebol e mulher nua? Eu bem que tento no meu curso, mas um pouco que consigo mostrar acho que fiz um bem para a uma parcela da classe (somos em dezoito mulheres, fora os orientadores) que não acreditavam que eu fosse brasileira e nikkei e que o Brasil é um país rico em cultura (mas infelizmente não sabemos aproveitar e mostrar esse lado, né?).
    Se bem que meu professor assistiu ao "Haru to Natsu" e chorou muito, perguntou se era verdade mesmo, e como meus pais passaram por essa fase, disse que sim.

    Beijos e abraços e bom domingo (ou o que restou dele).

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  11. Eu tinha lido esse artigo do Alexandre e ficado abismada como certos zé-povinhos brasileiros conseguem fazer a má-fama deste país.
    Mas não é somente no Japão. Como vc disse, na Espanha, em Portugal, em qq lugar. Outro dia mesmo li um artigo (não lembro aonde) que uma brasileira que mora em Portugal estava processando um colega de trabalho por assédio sexual pois este pensava que, sendo brasileira, daria chance de ter sexo com ele. Essa infelizmente é a imagem que os estrangeiros tem do Brasil, que é um aís onde todas as mulheres estão dispostas a dar sexo, que todos os homens são baderneiros e preguiçosos...Mas sabe, até mesmo aqui esses zé-povinhos pertubam nossa existência, por exemplo, quando ficam fazendo barulho em eventos formais, quando roubam coisas (por exemplo, qdo houve um jogo-teste para os eventos do Pan-americano, várias torneiras foram roubadas dos banheiros do estádio do Engenhão, só pq eram torneiras com o timbre do evento futuro e por isso, pensaram, poderia ser um bom souvenir. Sem falar daquelas pessoas que usam nextel num volume absurdo, como que quisessem que todos soubessem de sua conversa, num tipo de BBB da vida real(pq eu acho que BBB é totalmente fora da realidade).
    Eu acho que a maioria dos brasileiros não está realmente se importando com a sua imagem no estrangeiro, pois pensam que sempre serão bem recebidos, porque tem samba, sol, futebol, e etc.
    Por isso, eu espero que quando a copa do mundo vier pra cá, eu tenha dinheiro suficiente pra dar o fora daqui.

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