Sunday, March 21, 2010

Aniversário de Juntamento (ou nosso amor vira uma trilha sonora)

Quem me acompanha, quem teve o (des)prazer de me conhecer, sabe que há onze anos vivo em pecado com o namorido kinguio. Daí todo mundo, mas todo mundo mesmo vem com a mesma pergunta: por que não casaram no papel ainda? Por que não tiveram filhos? Como é que ele te aguenta? Bem, uma pergunta por vez...


Por que não colocamos nosso juntamento formalizado no papel? Podem achar que é comodismo, mas se há onze anos a gente se aguenta, então a gente não separa mais. Exceto recentemente, por motivo de local de trabalho e horário ingrato, só estamos nos encontrando uma vez por semana. Mas esperem aí, a gente não separou porque ninguém aguentava mais não!! Se tudo der certo, agosto (não de Deus, como tem aquele trocadalho infame) em diante, estarei mudando de residência. Ah sim. Bem que tentamos formalizar no papel há oito anos atrás, mas na época o Consulado exigia tanta coisa que desistimos. E também o ideal nosso seria formalizar diante de nossa família, pois namorido não conhece as feras... ops, meus pais pessoalmente...


Por que não tivemos filhos? Por falta de tentar é o que não foi. Só que descobrimos que 1) eu tenho problemas de natureza interna e falta de ferro no organismo, por mais que estou em tratamento a base de suplementos, agora é que não vou querer mais ter filhos mesmo. E 2) nunca falei, mas namorido tem problema de saúde, a ponto de que, se operarem, os médicos não vão garantir que ele volte inteiro ou nunca mais. Mas sendo medicado corretamente, ele leva uma vida normal até mais do que eu. Achamos que, devido pelo tanto tempo que ele toma os remédios para controlar sua disrritmia cerebral, deve ter afetado a parte reprodutiva. E o primeiro que falar "por que não adotam", eu digo: temos que pensar no futuro da nova vida, e do jeito que as coisas estão, socioeconomicamente falando, o receio de não superarmos as expectativas são altamente desastrosas.


Como ele me aguenta? Fácil. Eu também tenho que aguentar ele, oras! Pra isso nunca teve segredo. No momento que duas pessoas respeitam a individualidade e a liberdade, o relacionamento dura. Claro que existem algumas pedras no meio do caminho, senão que graça teria? Mas acho que só mesmo namorido pra me aturar certas coisas...

Desde que, como disse, por motivos de trabalho + localização geográfica + distância (ah, vá, Edogawa não fica tão longe, mas só o tempo de casa - trabalho dele), fizemos as contas, resolvemos por enquanto fazer desta forma: se tudo der certo, espero que agosto em diante eu já esteja novamente compartilhando tudo. Quando li os blogs da Bah (Romina) e da Luria (ainda quando ela estava no primeiro ano no Japão), eu entendia o fato de separação temporária por motivo trabalho e distância. Agora eu entendo vocês melhor do que nunca.

Uma das coisas que eu e namorido kinguio (a.k.a. Roberto) temos em comum é ouvir música. Principalmente quando saimos de carro. Só que ele tem o hábito de repetir a mesma música sei lá quantas vezes. Tá, eu faço, mas quando estou sozinha. Dentre muitas que a gente ouve, pelo menos quatro a gente faz questão de até cantar junto com a música (só faltam dizer que a gente acaba imaginando que as viagens acabam virando um karaokê ambulante)...

1) Koi ni Ochite ~ Fall in Love (Akiko Kobayashi): Foi o primeiro sucesso de Kobayashi, que foi utilizada como trilha sonora da novela "Kin youbi no Tsumatachi - Koi ni Ochite", em 1985. O estilo de cantar impressionou nada mais que Richard Carpenter, tanto que compôs algumas músicas para Kobayashi e a indicou para incluir na trilha sonora do filme "City of Angels". Namorido faz questão de incluir é na disqueteira do carro (e ouvir direto)...
Trecho que a gente (tenta) cantar junto: "Darling, I need you / doushite mo / Kuchi ni dasenai/ Negai ga aru no yo / Douyouno yoru to Nichiyou no / Anata ga itsumo hoshiikara..." ("Querido, eu preciso de você/ de todo jeito / as palavras não saem / Tenho um pedido a fazer / nas noites de sábado e domingo/ quero ter sempre você...")

2) Good Night (Masaharu Fukuyama): Eu sei que não ia deixar passar batido, mas acreditem - foi uma das primeiras músicas que ouvimos logo que resolvemos juntar as escovas de dente. Culpa de quem? Eu contei a história de como foi que consegui o álbum "Dear" do dignissímo Fukuyama. Só que, quem me fez ir até Tóquio atrás deste álbum foi o namorido e eu quem levo a fama de "fanática pelo Masaharu"?!
Trecho que a gente (tenta) cantar junto: "Kaeri no michi kuruma no joshuseki / mado no soto miteru kimi ni / tsutaekirenaimama / shingou wa mata ao ni kawaru..." ("No caminho de volta no banco ao lado / sua imagem do outro lado da janela/ continua a não dizer nada/até o sinal abrir...")

3) Arigatou (Smap): Além de ter usado como tema de encerramento do (belo) dorama "Boku no Aruku Michi", foi no ano que passamos por um período em que inclui aí noites sem dormir direito, emagreci cinco quilos de uma vez só, choradeira equivalente a um litro por dia. Felizmente superamos tudo o que foi de ruim e estamos o que somos hoje. Tenho que agradecer também às pessoas que me ajudaram a superar esse período que foi o mais penoso em nossas vidas, acho que só não entrei em depressão porque acreditei n'Ele.
Trecho que a gente (tenta) cantar junto: "Ano hibi ga (kowagarasu ni ima wo tsuyoku ikite ikou) / Ano ai ga (tasukerareta kotoba ima mo zutto mune ni)/ Ano hito ga (kowagarasu ni ima wo)/ Kuretamono (tsuyoku ikite ikou) / Wasurenai (tasukerareta kotoba ima mo zutto mune ni )/ Ookina, ookina aijou dakede / bokura wa kitto tsuyoku kunarerunda / Ai suru hito he arigatou" (Nós temos o dia (seja forte, não tenha medo)/ Nós temos amor (a palavra que ajuda que está dentro do coração)/ Aquela pessoa (vá sem medo)/ que faz (seja corajoso)/ nunca esquecerá (a palavra que ajuda está dentro do coração)/ aquele grande amor/ certamente dará uma grande força / que nos fará sentir-nos mais forte / Obrigado a todos aqueles que amamos")

4) Sonomama (Smap): Esta quem costuma ficar dando repeteco na disqueteira do carro é o namorido. Quando lançou, foi na época do White Day de 2008. Composta pelo quarteto nipo-canadense Monkey Magik, foi usada no tema de encerramento da novela "Sasaki Fusai Tatakai...". O PV era bem simples, com a presença do ator Ryo Kase, exceto os efeitos feitos por computação gráfica quando a cada frase cantada era mostrada no fundo do cenário, os corações flutuando ora como simbolos gráficos ora como balões. E o quinteto todo de preto para contraste do fundo azul (não reparem na aparência de Masahiro Nakai neste PV - foi na época que ele precisou emagrecer horrores e ter a cabeleira raspada devido ao filme "Watashi wa kai ni naritai").
Trecho que a gente (tenta) cantar (mas na verdade é quase a letra toda mas...): "Itsuka kimi ga hanashitetane konna koto "futari no kyori ga chikazuku hodo kowai no"/ wakarenonai deai datte yakusoku suruyo/kurikaeshi kuru asu mo/ korokurini nareta yorumo/ futari kitto deautame / shiawase na kono toki mo /Sonomama anata ga/ soba ni itekuretanara / bokurano ashita ha itsumademo kitto give you my heart / I love you (shinjite)/ sono subete wo (itsumademo) /tsuyoku sasaeruyo kimi wa beautiful..."( "Uma vez eu lhe disse que "tenho medo que a distância seje grande /prometi sempre que nossos encontros nunca fossem de despedida/a solidão repete-se dia e noite/ mas um dia ficaremos felizes em nos encontrar/ Se ainda continuar a ficar comigo/amanhã certamente terá sempre meu amor / eu te amo (acredite!)/ completamente (para sempre)/ sempre me fortalecerei pois você é linda")

8 comments:

  1. Sobre casar nem esquento em saber rs. Meus padrinhos de casamento demoraram 8 anos pra oficializar e quando o fizeram não avisaram ninguém rs continuou a mesma coisa como sempre. Por um lado, respeito isso, pelo outro, acho que deveria ter uma mínima comemoração né? Enfim, sobre filhos, perguntei pq geralmente as mulheres querem ter, no caso de vocês, Papai do Céu sabe o que faz... Não sei quais palavras seriam boas para lhe falar, porque tem tanta gente no mundo que quer ter filho e tanta gente que põe no mundo pra sofrer que fica fora da minha compreensão. De qualquer forma, obrigada por compartilhar um pouquinho da vida de vcs. Não é uma coisa fácil admitir nossos percalços e distância geográfica também não o é.

    Kisu!

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  2. Bah, eu te entendo no quesito distância: realmente, não é facil. Ainda mais você que está a 12 horas longe do Dú (eu estou a duas horas, mas sabe como é Japão né?).
    Quanto aos filhos: é uma questão difícil, pois quem quer não pode tê-los (tenho uma prima que acabou adotando), e tem gente que acaba pondo no mundo sem estrutura alguma em todos os sentidos. O resultado, já sabemos.
    Quanto a comemorar, a gente quer junto da família, pois eu sou a única filha a conseguir desencalhar, ops, conseguir um doido pra me aguentar e o Roberto foi o último da familia a desencalhar. Portanto, ambas as partes querem conhecer quem foi o mais louco hahaha
    Eu falo onze anos... E meu cunhado (no caso irmão do Roberto) já está fazendo bodas de prata e nada de oficializar?!
    Obrigada, Bah!
    Beijao e se cuida!
    ps: Adorei seu corte de cabelo, tá mais fofa!

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  3. Antes de mais nada, a Bah está bonitinha com cara de menina na foto nova, não acha?
    Fiquei comovida com o seu depoimento sincero. Obrigada por compartilhar conosco sobre a doença do Roberto, sei que é difícil escrever sobre essas coisas. Se vcs estão felizes assim sem filhos está bem, não? Na vida não é possível termos tudo. Devemos dar valor ao que temos. se te incomoda não estar casada no papel converse com o Roberto. AS vezes os homens ficam acomodados e não se mexem. Imagino que deve ter pressão familiar mesmo que velada. Vc me parece feliz e isso é que importa. Se algo te incomoda vc poderia fazer um balanço sincero e ver o que está faltando de verdade para ser realmente feliz.

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  4. Oi Elisa. Obrigada pelas palavras tambem. Na verdade, nem temos pressão alguma. Eh que muita gente pergunta porque não formalizamos, porque não tivemos filhos... E engraçado que nem é minha mãe nem a mãe dele que perguntam quando a gente vai casar no papel (mas perguntam quando a gente volta pra comer pizza de frango com catupiry ahah) Mais o pessoal que é conhecido da gente mesmo. Estamos felizes desta forma, apesar de atualmente o Roberto estar em outra cidade a trabalho, mas a gente encontra uma vez por semana. Eh quase a mesma coisa na época que ele trabalhava a noite, só eu encontrava com ele no dia de folga (do tipo: a hora que eu chegava, ele não estava, a hora que eu saía ele não chegou ainda...)
    A saúde dele vai bem, graças a Ele. E dos remédios rigoramente em dia. O receio na época de ele ter me conhecido era não aceitá-lo pelo fato de ter disrritmia, mas eu aceitei ele do jeito que é mesmo e acho que por isso ele mantem-se com saúde até hoje.
    Bom, agora falta tentar fazê-lo largar o cigarro...
    Não se preocupem, a separação físico-geográrico é temporária...
    Beijao!^^

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  5. olaaa!!
    o importante eh o amor e vcs estarem em concordancia,
    sobre cobranca ,é algo inevitavel,sempre vai ter algo que vao nos cobrar,quando namora,perguntam sobre casamento,quando casa,perguntam sobre filhos e assim por diante.Gostei muito de conhecer um pouco mais sobre vc e desejo felicidade para vcs,beijaooo.

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  6. Gostei de conhecer mais da sua história e da sua sinceridade. Acho que oficializar ou não. Ter filhos ou não. São coisas que não importam tanto se vcs estão felizes juntos. Eu sinceramente não sei se gostaria de ter filhos, o mundo anda tão louco, vejo tantas coisas por aí que muitas vezes penso que nunca terei filhos e nem por isso acho que é algo negativo sabe? E sei que a sociedade e a família criam sempre muitas expectativas em cima de nós mas quem disse que nós temos também sempre que atender essas expectativas? O que importa é estar bem e ser feliz.

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  7. Ah, o amor. Vence tudo, até as pressões. Não ligue pros outros não. Se as coisas estão indo bem assim, mantenha-as até quando você bem entender!
    Eu já estou com meu gatinho encantado há uns 7 anos e todo mundo faz essas mesmas perguntas. O problema com a gente é puramente financeiro, pois até ele quer ter um pompomzinho(nosso apelido para bebezinhos)!!!
    A Bah tá linda mesmo, ficou com cara de boneca.
    Ah, e as suas tulipas tão um espetáculo! Minha mãe iria morrer de inveja, ela é louca para ter tulipas, mas onde moramos (RJ) faz muuuuuito calor e certamente as danadinhas morreriam.

    Beijocas e felicidade para vc e seu kinguio!

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  8. Respondendo tudo atrasado...

    Andreia, enquanto o mundo for mundo, sempre vai ter as cobranças... primeiro, quando vai casar, depois quando vao ter filhos... só faltavam perguntar quando a gente se separa ou quando morre!! Mas that's life! Estamos bem assim, e como disse, será temporário essa distancia.

    Desabafando, sabe que sobre filhos nós desencanamos. Não que não gostamos, mas é que ficamos pensando se seríamos bons pais? Será que teríamos condições socio-economico-psicologicas? Vejo vários casos de pais que se desdobram em cinquenta para que o(s) filho(s) sejam bem encaminhados. E outros que infelizmente só botaram no mundo pra sofrer... Questão dificil essa...

    Fernanda, como disse, quem menos cobram da gente sobre filhos e papelada são nossos pais. Sabe aquela história se melhorar estraga? Por enquanto, estamos bem assim rs

    Quanto as tulipas, elas vão florescendo a cada hora. Pois é, de manhã estão fechadas, pensando em florescer, quando volto a noite, ja estão mostrando tudo ahahahahah

    Beijos a todas!

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