Sunday, August 08, 2010

Do porquê eu falo de amenidades (ou assuntos aleatórios)

Quem me acompanha desde 2005, deve ter percebido que a maioria dos meus assuntos são mais de amenidades ou assuntos aleatórios. Já teve gente enviando e-mail para mim perguntando porque eu não falo tanto do way of life daqui mais do que necessita; porque não abordo temas polêmicos; porque eu falo muito de música, outrora cinema, outrora coisas de passado que nunca voltarão e outras coisas mais. Eu respondo o porquê.

Apesar de eu estar aqui no arquipélago nipônico há mais de uma década (pra ser mais exatamente chata, estou há exatos doze anos, dois meses e dezoito dias, só não coloco as horas porque nem eu lembro que horas cheguei aqui), eu levo minha vida da forma mais normal possível, de acordo com a etiqueta local. Ou quase, porque toupeirices existem e Murphy [1] sempre acompanha. Se perguntarem para mim como é meu dia a dia aqui, eu diria que seria normal como quase sempre levei no Brasil. Hábitos daqui, como tirar os sapatos ao entrar na casa, não fazer barulho em tal hora, vêm desde minha criação. Só que a pergunta de "como é sua vida aqui" teria que dar um exemplo.

Não gosto muito de abordar temas polêmicos. Tenho meu ponto de vista e opinião pra muitas coisas, mas não gosto muito de ficar expondo em um blog. A última vez que fiz um artigo, não lembro qual, bastou um comentário infeliz ou mal interpretado, que seja, para derrubar vinte que entenderam a lógica do assunto. Se é pra dar dor de cabeça entre os participantes, prefiro nem postar para não dar prejuízo depois com farmácia. Ou acabar fechando o blog. Que eu posto sobre assuntos aleatórios, tudo bem o pessoal comentar, aceito críticas mas de forma construtiva, como "só existe um ponto que há divergência assim, assim e assado, mas cada um tem a opinião formada, a minha pode ser diferente da sua, da forma que a nossa pode ser diferente dos demais. Se todo mundo fosse igual, o mundo em si perderia a graça."

A princípio, quando comecei o blog, pensei "postarei sobre o quê? Dia a dia? Trabalho? O que a gente vê? Coisas do passado que a gente acaba lembrando? Como passar tudo isso sem chocar alguém?" Acabei foi fazendo uma salada disso tudo. Mais um pouco. Do cotidiano banal até resenhas; indicando assuntos de outros blogs que eu conheço; algumas particularidades do que presencio; tudo bem: variedades de entretenimento.

Que eu falo pouco do local onde moro, é vero. Mas para isso, quando vou em determinado local, eu acabo perdendo um certo tempo pra pesquisar a fundo (sim, existem pessoas que depois ficam perguntando "como, quando, porquê). E acaba sempre faltando alguma coisa. Na medida do possível, eu posto. Como fotos.

Muitas vezes, quando vou postar alguma coisa, fico pensando: "será que os poucos leitores vão gostar?", "que assunto vou abordar hoje?", "utilidade pública?", "discoteca básica?". Não é fácil atualizar aqui, com meu tempo tomado pra trabalho, casa e também preciso repôr as energias.

Daí acabo falando sobre cotidiano, sobre entretenimento (no meu caso, como gosto de assistir noticiários, alguns programas de variedades, ouvir música, ler livros e revistas, já sabem,né?), sobre alguns lugares. Pra descontrair um pouco também os leitores. Lembro sempre de uma coluna fixa da revista "Seleções de Reader's Digest" - rir é o melhor remédio. Tento às vezes (quando não sempre) expôr de uma forma bem humorada, pra ficar mais fácil de digerir. Eu penso: o mundo já está difícil de viver, cheio de problemas, dos problemas já bastam os meus, a troco de quê ficarei postando de desgraças, polêmicas, problemas? Vamos rir um pouco, já que é natural e faz bem.

Tá, eu sei que às vezes posto sobre algumas fofoquinhas, sobre o que acontece, óbvio que ninguém sai incólume. Mas também não ficaria postando o mesmo assunto o mês inteiro, o que afastaria os poucos leitores que eu possuo. Procuro no máximo possível ao menos fazerem os leitores se entreterem, tentar ouvir (ou ver ) as músicas, trechos de programas - antes que o iuchubi retire do ar, tal como fizeram com os tomates, com o karaokê, com a muralha da China.

Escrevo sobre amenidades (ou como queiram: assuntos aleatórios) porque como disse: o mundo já anda cheio de problemas, pra que aumentar mais? Por que não tirar algumas horas que seja, para esquecer um pouco dos problemas, como sair de casa, dar uma volta, ler um bom livro, assistir a um bom filme, ouvir música...

Ou fazer um bolo, tentar fazer aquela receita que queria tentar mas nunca teve coragem, tricotar, bordar, fazer algum curso relâmpago de algumas horas de artesanato, culinária, dança...

Ou visitar aquela(e) amiga(o) que faz um bom tempinho que não se vêem, combinar de ir tomar um café, caso ambos tiverem tempo sobrando e sem o quê fazer, bater um papo, rir, até um ser ombro amigo de outro, com conselhos...

Mesmo fazendo uso da internet, tecnologia que em determinadas horas nos salvam, que possibilita ler artigos interessantes, descobrir novos blogs, assistir a alguns programas do fundo do baú...

Apesar de estar sempre me atualizando sobre o que acontece, aqui e acolá, existem assuntos que evitemos de abordar a fundo sob risco de alguma represália, mas que existem pessoas que podem fazer tal matéria. No meu caso, como sei que o assunto por fim acaba sendo top trends no twitter (o qual de vez em nunca dou as caras por lá) e em quase todos os blogs possíveis, prefiro ler, se possível comentar no(s) blog(s) e, sei lá, podem me chamar de naïve, estranha, esquisita, que seja, mas prefiro a um certo ponto tentar fazer os leitores se divertirem.

Para não dizerem que quase nem apareço nas fotos (mesmo porque fotogenia nunca foi meu forte e não quero ninguém morrendo de medo depois), eis um self-portrait improvisado que fiz em 2006, em uma de minhas andanças em Tóquio. Mais exatamente, em Roppongi, onde de dia é um bairro pra bater perna, mas a noite de lá, bem, quem já foi, sabe. Descobri um prédio espelhado e olha o (desastroso) resultado.
Fotos: da própria autora. O que abre o post é de um templo (Hetsumiya) que fomos em Fujisawa há quatro anos atrás. Fica em Enoshima, mas numa ilha e em cima de uma montanha, onde pra chegar no Enoshima Jinja, tem que subir uma escadaria que haja pernas... A segunda foto, tirada do alto do mirante deste morro, é do pier de Enoshima, e ao fundo a praia famosa, que neste verão deve estar megaultrahiper lotada...

[1] Murphy, ou "Lei de Murphy" - tudo o que tem que dar errado, dá errado.

11 comments:

  1. Eu entendi o que vc quis dizer. E sim, se vc prefere dar um tom ameno ao blog, qual é o problema?
    É um blog, não é página de hard news nem de "análises profundas e debates intensos sobre o japanese way of life".

    O blog é seu, vc tem que falar do que te faz bem, do que vc se sente bem ao falar, do assunto que gosta.

    Eu pego nos polêmicos. Pq é o assunto que estou pensando no momento. Então gosto de botá-lo para debate, qdo acho o assunto forte. Mas está lá, colocado. E debate quem quer.

    Comentários agressivos? Recebo de monte. Ao lado do comentário há o botão da lixeira. Simplesmente apago e não dou crédito.

    O blog tem que te dar prazer, senão nem tem fundamento tê-lo. Se o seu assunto preferido for macarrão, então que fale de macarrão. Quem não gostar, vá pra outro blog,não é?

    bjs e bom feriadao

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  2. olaa!
    concordo com vc em relacao a escrever sobre assuntos que te dao prazer.
    Afinal a gente ja se desgasta tanto no dia a dia que nao vale a pena fazer um blog que traga dor de cabeca.
    A nao ser se a pessoa gostar,afinal blog eh pessoal e cada um escreve sobre o que quiser,e viva a democracia,haha...
    beijaoo

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  3. Alexandre, é verdade: volta e meia eu recebo e-mails de muita gente curiosa em saber como é a vida de um brasileiro morando aqui. Eu tenho que enviar e-mail de desculpas porque eu não tenho como explicar, pois na verdade eu acho que vivo como qualquer um, não sei dizer...

    Quando eu digo que não gosto muito de criar post polêmicos, quero dizer que não tenho dom pra coisa. Eu prefiro ler e refletir, como eu faço com os seus.

    Por isso que o meu tem de tudo um pouco, muitas vezes pensando em passar o que vejo/leio/ouço para que outros possam [tentar] conhecer.

    Mas continuo gostando dos seus posts rs

    Beijos, mas feriado que é bom não terei... :(

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  4. Andréia, é verdade: escrever sobre o que gostamos, mas que não passe do bom senso e não assassinemos a nossa gramtica. O bom de ter blog e um conhecer o outro é isso: diversificação e democracia. Além de conhecer gente legal, obvio.
    Bom feriado pra vocês!

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  5. Vou reforçar a ideia. Também acho que um blog deve falar sobre aquilo que o autor quer e se sente à vontade para escrever (esceto talvez aqueles blogs profissionais, feitos exclusivamente para gerar receita, mas não o caso do seu, né?).

    Aliás, os blogs não surgiram com essa proposta, de serem "diários virtuais"? Então tá certíssimo mesmo. A diferença é que é aberto, então sempre vai aparecer quem se interesse pelas coisas postadas e eventualmente clicar em "seguir".

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  6. Kiyomi,
    Quando comecei o blog, queria falar de vários assuntos, por isso, fiz 4 blogs, mas no fim, percebi que posso falar do meu dia a dia, de passeios e das minhas guloseimas num blog só.
    Também tenho vontade de falar sobre assuntos polêmicos, a fim de desabafar, mas prefiro mesmo comentar sobre o tal assunto em outros blogs.
    confesso, que muitas vezes, pensei em dar uma pausa no blog, por causa do tempo, ou melhor, do pouco tempo.
    Mas aprendi a dançar conforme a música, venho...posto , visito alguns blogs amigos e quando tenho um tempinho, paro para comentar.
    Mas o bom, é isso, fazer e escrever o que gosta.
    Ser feliz!!!!!
    bjs
    ah, e agora sim, com a fotinho, conheço a dona do blog.

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  7. Ah, eu gosto do seu blog do jeito que é e escreve. Gosto tb dos seus posts...confesso apenas que fico sem entender muito quando faz referências aos artistas japoneses porque me faltam conhecimentos sobre o assunto mas continue escrevendo sobre o que quiser.

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  8. O segredo desse blog é: Ser espontâneo.
    Falar daquilo que gosta, sem forçar a barra. Por isso que gosto desse blog.

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  9. É por essas características que sempre há comentários em seu blog. Gostamos desse jeito de como aborda o dia-a-dia...
    Beijos

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  10. Felipe, quando pensei em fazer este blog, acho que foi uma forma de "escapismo" e sei lá se alguém iria ler. Comecei a variar os assuntos, e deu no que deu.
    Ah, se meu blog gerasse receita... iria continuar do mesmo jeito! Meu blog gerou foi amigos, isso eu tenho certeza.

    Fabiana, na verdade este é o meu segundo blog que tenho. O primeiro, sumiu, desapareceu, sei lá onde foi parar. Quando montei este, era algo desprentensioso que acabou virando - sei lá eu - fonte de assuntos aleatórios. Talvez porque eu não fico presa a um assunto só rs
    PS: A foto da autora é de quatro anos atrás...

    Desabafando, eu também gosto de seus artigos. Mas não se preocupe se não ficar por dentro dos artistas daqui, mas é bom saber que existem, existem rs

    MP Kouhaku, ainda tem quem goste dos meus vexames involuntários, dos textos humorados... rs

    Fabi Yoko, se eu contar o dia a dia meu, vão me chamar de lesada pelo resto da vida, porque, o que faço de foras...

    Beijos e abraços a todos!!!

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  11. NUss, vc postou há tempos (sim, pq eu estou atrasada pra comentar rs) sua foto e agora eu te conheço! Não que faça muita diferença pq cá entre nós, vc passa por japa mesmo e isso dificultaria um reconhecimento específico rs mas acho que vc deveria ter sorrido... tava séria demais rs...

    Sobre o blog, concordo com o Lelê, o blog é seu e faz o que tu queres pois é tudo da lei e eu adoro visitar aqui justamente pela essência dele..

    Kisu!

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