Sunday, February 28, 2010

Sacudidas na Terra e no Mar

Antes que muita gente venha lotar minha caixa de e-mails e comentários perguntando se estamos bem devido ao terremoto ( que teve no Chile mas também em Okinawa) e também ao tsunami, devido ao fato de morarmos a meia hora (de carro) da praia de Enoshima, de Shonanko (baía de Shonan) e até de Miura Kaigan e na tevê aqui não pára de mostrar o mapa com o alerta vermelho no baía do Pacífico, vou logo avisando que estamos bem, graças aos céus, não vai ser tão cedo que irão se livrar de mim ahahahah

Elisa (do Elisa no Blog) está bem, sim. Tirando o fato de ter me aturado a hora do almoço de hoje... Alexandre (do Lost in Japan) também está vivinho (por sinal, prova disso é o post de hoje dele). Andréa (do Papiando) também. E muitos outros que moram (temporariamente permanente) no arquipélago, estão bem (eu acredito que sim, pois o pessoal já é gato escaldado).

Gostaria que não ficassem tão alarmados, pois se é pra ir desta pra melhor não precisa de terremoto ou tsunami (ou os dois juntos).

Basta estar vivo.

Thursday, February 25, 2010

[Discoteca Básica do Empório]: "Cloud Nine", de George Harrison


John Lennon era o "gênio". Paul McCartney, o "bonitinho". Ringo Starr, o "palhaço". E George Harrison? Era um beatle difícil de descrever. No palco, ficava no meio dos dois principais criadores da banda, com sua guitarra e fazendo belos solos. E quietinho no seu cantinho. Sentia-se incomodado por ter a dupla Lennon-McCartney dominando o pedaço? Tímido demais? Ou porque era o caçula dos quatro e quando se é o mais novo era "o último que fala mas o primeiro que apanha"? Piadas à parte, Harrison era o que mais poderia ter sido bem aproveitado: autodidata, sabia tocar melhor guitarra do que os companheiros. Tinha uma técnica que seria difícil explicar, mas quem ouvir os álbuns do grupo e carreira solo, fica impossível resistir.

Harrison também era aquele que, na hora certa já tinha a piada pronta. De extrema acidez mas tinha. Mesmo ter perdido a primeira mulher pro melhor amigo (no caso, o guitarrista Eric Clapton), não perdeu foi a piada. Muito pelo contrário: continuaram amigos, tanto que no álbum da resenha de hoje, fez questão que participasse.

"Cloud Nine", de 1988, quebrou o jejum de seis anos que Harrison não lançava nada de novo. Ficou recluso dos estúdios e dos palcos depois da crítica negativa do álbum anterior - "Gone Troppo", que misturava o bom humor entre o rock e baladas. Na época, sentiu-se magoado: "De que adianta gravar um disco se não vão tocar nas rádios?". Neste período dedicou-se à família, a jardinagem e ao cinema (teve uma produtora de filmes, a HandMade Films, que lançou bons filmes como "Mona Lisa" e "A Vida de Brian"), mas a vontade de voltar a tocar e cantar falou mais alto, eis que num momento de inspiração, compôs e chamou os amigos para ajudarem no álbum novo.

Apesar que desde a dissolução dos Beatles, Harrison lançou boas músicas como "My Sweet Lord" (que depois lhe deu um processo e mais uma piada pronta com a cômica "This Song"), "Dark Horse" (nome da gravadora que possuiu), "Bangladesh" (sabiam que ele foi o pioneiro de concertos pra arrecadar fundos ?), "Faster" (que declarava sua paixão por Fórmula Um. Foi tanta que em 1979 apareceu ao vivo e em cores no autódromo de Interlagos no GP Brasil). Mas desistiu de turnês depois de 1974, que apresentou-se totalmente rouco, quase sem voz e muita gente não gostou. Seu envolvimento com o Hare Krishna - uma forma que encontrou para descobrir a si mesmo na época mais psicodélica dos Beatles - foi tão forte que muita gente achou que Harrison havia surtado. Muito pelo contrário...

Ao chamar os amigos - Eric Clapton, Ringo Starr, Elton John e Jeff Lynne - para participarem do álbum, poderiam achar que "ah, vai sair mais um álbum que é ouvir uma vez numa roda quadrada de gente regada a cerveja e só", mas quem ouvir, vai entender que valeu a pena esperar tanto tempo.

A faixa título "Cloud Nine" é uma gíria inglesa para "desencanado". Acho que era o que Harrison estava ao lançar o álbum. Logo na introdução, reconhece-se os acordes da guitarra de Eric Clapton, que colaborou no álbum. A irônica "Devil's Radio" é um recado pra tablóides e revistas de fofocas que pipocam por aí. "Got my Mind Set On You" é um cover bem obscuro dos anos 50, do tipo "one-hit wonder" mas até hoje toca nas rádios. Na versão de Harrison, digamos de passagem.

Para não dizer que ainda estaria magoado com os ex-colegas de Liverpool, a mudança definitiva foi em "When We Was Fab". Fab four ou quarteto fabuloso era o apelido que os Beatles tinham no auge da carreira. Quem viu o promotion video, as evocações aos Beatles ficam bem claras, como o uniforme que usou na capa de "Sgt Pepper's...", a maçã verde e principalmente na segunda parte em que Harrison aparece ao lado de uma morsa canhota e de Ringo Starr (que tocou bateria no álbum) e um transeunte passa com o álbum "Imagine" de John Lennon, mostrando a contracapa.

Uma pena que, depois do projeto dos Travelling Willburys (falarei em uma oportunidade sobre esse projeto), Harrison acabou voltando ao low prolife em matéria musical, apesar de ter participado do projeto dos Beatles - "Anthology", em 1997. Só que, devido aos problemas de saúde que acabou tendo depois de muitas décadas de tabagismo (sem contar que em 2000 quase foi desta pra melhor por um outro doido que invadiu sua casa e o esfaqueou, mas só não foi pior porque sua esposa desarmou o rapaz com um abajur na cabeça), em 28 de novembro de 2001, Harrison acabou partindo para a eternidade.



Aos dois minutos do segundo tempo: notem a morsa canhota (seria Paul McCartney numa referência de uma música dos Beatles em que John Lennon falava "The Walrus Was Paul"?), Harrison disse que era Paul, mas vindo dele, fica a dúvida, e o transeunte passando com o álbum "Imagine" mostrando a contracapa da foto de Lennon...

O post de hoje é uma pequena homenagem a George Harrison que, se estivesse ainda aqui, "in the Material World", estaria com 67 anos.

Wednesday, February 24, 2010

Habilitado pra tudo, inclusive seguro...

Já tinha postado algumas vezes sobre dirigir carro aqui no Japão exige além de responsabilidade, bom senso e carteira de habilitação (item óbvio, né...), uma dose de paciência. Sim, porque dirigir aqui, nas ruas estreitas, com postes no meio delas, expressas que se errar acaba perdendo tempo e dinheiro, e motoristas sem noção de tempo, espaço e desconfiômetro. Quem dirigiu, dirige ou é um mero passageiro sabe muito bem do que falo.

Quem pensa que ter carta aqui é fácil, vai preparando os ienes, paciência e muita, mas muita paciência para quem não tiver carteira de habilitação e for tirar na cara e coragem. Mas tem que ter muita cara e coragem mesmo para fazer as aulas e as provas. Detalhe: tudo em japonês (eu ouvi dizer que também tem em inglês, mas...). Tenho alguns amigos que arriscaram e conseguiram, mas também o piggy bank foi devidamente limado.

Agora, como meu caso e de muitos foi diferente: quem já possuía a carteira de habilitação do país de origem, desde que estivesse válida, era pedir a tradução na Japan Automotive Federation da província, ir no Menkyo Center, entrar com a documentação necessária, prestar atenção na pergunta do examinador (pra mim perguntaram: "já dirigiu no Japão?". Se a resposta fosse afirmativa, pode dar adeus a carteira japonesa pelo resto da sua vida), responder um questionário de perguntas de duplo sentido (sem perversão, por favor), assistir a um vídeo sobre segurança e ir pra prova prática. Aí é que mora o perigo.

Eu digo por experiência própria: tive que ir seis vezes (leiam bem: seis vezes) no bendito Menkyo Center de Yokohama só pra prova prática. Do tipo: se faz uma curva meio aberta, já é reprovado. Se faz meio fechada, é reprovado. Se deixar o carro morrer, então... Detalhe: a primeira vez a gente até engole porque nunca tinha guiado um carro automático, e claro, nunca tinha guiado no Japão, então as toupeirices a gente engole. Mas quando se passa da terceira vez, aí alguma coisa estaria estranha...

Carta na mão, vambora comprar o carro, porque comprar o carro e ter carta depois, fica estranho, né? Como vai dirigir se não tem carteira? A não ser que peça para um amigo que tenha. (não esqueça de perguntar e pedir pra ele mostrar também. O cidadão vai ficar bravo? Quesito de segurança, né?) Como eu disse aqui, carro facilita mas prepara o bolso que não é ter o carro e acabou ...

Dentre muitos itens a pagar, o que eu considero nos dias de hoje um que seria mais que obrigatório do que "vou pensar", seria o seguro de veículos. Aquele que todo mês é descontado automaticamente de sua conta bancária e valor varia conforme sua idade, tipo de seguro (total, parcial, cobre tudo, terceiros, etc.). Devido ao tipo de carro que possuímos, optamos por seguro quase total (cobre o motorista, o conjuge motorista, terceiros, acidentes e batidas, exceto quando batem na gente não sabemos quem foi ou batemos num poste, muro, parede na hora de estacionar).

Graças a Deus e muito cuidado, nunca tivemos que ligar para a seguradora para informar que sofremos acidente ou batemos em alguém. Este ano certamente a seguradora vai entrar em contato conosco para uma nova avaliação referente a renovação (e mais três anos pagando), mas melhor ter o seguro para não chorar depois.


Imagine se não tivesse seguro de automóvel que cubra desde riscos de acidentes, acidentes com terceiros, assistência médica e até no caso de trancar o carro com a chave dentro, iria acontecer neste comercial da Tokyo Marine em que, num jogo de futebol com carros, pode acontecer vários riscos ( se bem que, se tivesse três motoristas doidos - manobras arriscadas, afobação e nervosismo - e um lesado a ponto de trancar o carro com a chave dentro e não estar com o reserva, até eu desmaiaria).

Monday, February 22, 2010

Pra enfrentar a semana

Pra aguentar a semana: Gianduia White Mocha (Tully's) e... vitamina (Chocola BB, indicado para quem mal voltou de folga e tem cinco dias pela frente. Digo, quatro. Aqui já é noite).

Foto tirada pelo meu próprio celular, na mesa de trabalho. Meu material de trabalho com a turma de Peanuts, é pra alegrar o ambiente, por favor... E depois eu vivo falando que eu preciso diminuir a quantidade de café que tomo no trabalho...

Saturday, February 20, 2010

Algumas "ídalas" da autora...

Esse termo "ídalas" eu peguei nos tempos que eu lia "Love and Rockets"...)

Bem, quem me acompanha, sabe que eu ouço (e muito) música. Seja em casa no meu Vaio (ou na rádio) ou no iPod (geração geriátrica mas está em boa forma) indo e voltando de trem, ou no CD-player do carro dirigindo (ou namorido kinguio dirigindo, 90% das vezes). Já que dentro do trem o pessoal entra mudo e sai calado (salvo algumas exceções, como estudantes, mulherada exaltada e gente bêbada), para enfrentar minha ida e volta (quase que) diária, ouço música. Só tirando o fato de às vezes esquecer de descer na estação certa porque não ouvi o aviso eletrônico...

Quem pensou também que no meu iPod ou no meu Vaio ou na coleção de CDs adquiridos em comunhão conjunta de toupeirices e vexames com namorido kinguio só ia ter o Masaharu ou Beatles, enganou-se. Também vario o repertório e claro, tem minha ala feminina. Não digo que teria quase toda a coleção completa, mas tenho um álbum ou outro, no caso "the best of...", pois assim não fica naqueles de ter todos os álbuns e ter um ou outro que só uma ou duas músicas se salvam (é, mas do quarteto de Liverpool e seo Masaharu tem tudo né?)

O meu porém com cantoras, é que fica inevitável associar mulher = baladas e músicas delicadas demais. A ponto de matar o mais desavisado de tamanha diabete de tanto açucar que muitas músicas que já ouvi. Se bem que, neste mundo louco que o mundo pop se encontra hoje, ouvir baladas de vez em quando nunca fez mal a ninguém, exceto se a pessoa for muito mal amada e desgostosa da vida e acaba descambando pra dor de cotovelo mesmo.

Gosto, eu já estou até o pescoço de dizer, nunca se discute ou é que nem traseiro, todo mundo tem o seu. Se eu gosto de música romântica? Gosto e têm horas que faz um bem necessário. Se eu gosto de música divertida? Rir é o melhor remédio. E rock? Depende de quem canta...

Karen Carpenter: Por mais que muita gente vai me jogar pedras, mas não me importo: ela foi a primeira cantora que ouvi quando entrei na adolescência, um ano e pouco antes de ela falecer. Culpa parte foi do meu irmão mais velho, que, pra meio que fazer birra comigo porque eu gostava (e gosto) dos Beatles. Enganou-se: as músicas entre baladas e as mais alegres casavam bem com a voz delicada de Karen. Que também tocava bateria numa época em que "bateria é coisa pra homem" e ela aparecia, no início, de vestidão, penteado bolo de noiva (muito antes da Amy) por trás de seu kit Ludwig (cujo modelo anterior era igual a do Ringo Starr) e influenciou aí muita mulher hoje, como Kim Gordon (Sonic Youth), as meninas do trio Shonen Knife e a cantora Akiko Kobayashi.
Foto: Karen, no início dos anos 70, quando nem pensava naquelas dietas malucas que a fizeram partir para a eternidade...

Cyndi Lauper: Confesso que, entre a poderosa Madonna e a divertida Cyndi, eu fico com a segunda. Quando ela apareceu com "Girls Just Wanna Have Fun", eu e minhas colegas do então Magistério, gostávamos do visual coloridíssimo e das roupas mais ainda e das músicas alegres e divertidas. Pode ser que ela fique sempre conhecida por essa música (se bem que as baladas "Time After Time", "True Colors" e a subliminar "She Bop" - que disseram que a letra falava sobre masturbação - também ficam entre as minhas favoritas), mas fica impossível ficar parado e não se divertir. Afinal, a gente quer diversão, poxa! (Será que por isso na abertura do programa semanal de rádio - pelo Nippon Hoso - Nakai escolheu sem pestanejar a música da Cyndi?)
Foto: Cyndi, nos tempos em que usar roupas coloridas, balangandãs, ter o cabelo colorido era pura diversão.

Hibari Misora: O primeiro que falar que cheguei na idade geriátrica, apanha. Nove entre dez cantores daqui já cantaram pelo menos uma música da "eterna dama do enka" em algum show ou karaokê por aí. Hibari começou a carreira muito criança, com músicas para alegrar o pessoal que sofria com a pós-guerra. Do rádio pro teatro e depois pra TV foi um pulo. Com sua voz potente e capaz de cantar músicas desde as tradicionais, passando pelo jazz (sim, ela gravou um álbum em inglês com músicas famosas americanas) até pop, mesmo depois de sua repentina morte (que coincidiu com o fim da era Showa), Hibari continua sendo referência pra muita gente desavisada. Dúvidas? Ouçam "Midare", "Yawara" (feita especialmente para os Jogos Olímpicos de 1964), passando por "Kanashii Sake", a pop "Makkana Taiyou" e a famosa "Kawa no nagare no youni"...
Foto: Hibari Misora em uma de suas últimas apresentações. Se estivesse viva, estaria ainda na ativa, com certeza...

Teresa Teng: Apesar do nome (em homenagem a Madre Teresa) e fazer muito sucesso aqui no Japão, ela era chinesa (nascida em Taiwan). Foi no Japão que tornou-se famosa (apesar de um incidente que teve nos anos 70), com suas músicas de teor romântico, mesclando folk e também de protesto, devido a invasão da China sobre Taiwan. Tanto que suas músicas foram proibidas na China (mas muitos ouviam na clandestinidade). Durante a revolução estudantil de 1989, Teng fez um show em Paris apoiando o movimento a favor da democracia. Reuniu mais de 300 mil pessoas, bem como também em Hong Kong (antes de ser devolvida à China). Teng não pôde realizar um desejo pessoal - fazer um show na China - faleceu antes que o Partido Comunista pensasse em convidá-la nos anos 90. Muito embora outras cantoras chinesas/taiwanesas vieram antes e depois, Teresa Teng é a mais lembrada, como "Toki no Nagare ni Mi wo makase", "Tsugunai" e "Aijin".
Foto: Teresa Teng no auge da (curta) carreira. Dedicado a Bah, que adora a cantora taiwanesa mais japonesa que a Asia já teve.

Suzanne Vega: Muita gente da minha faixa etária sempre vai associar a Suzanne Vega com a música "Luka". Só que ela vai mais além da música-história de uma criança que sofria maus-tratos na vizinhança onde a autora morava. A voz quase sussurante de Vega fez presença no início dos anos 90 mas, infelizmente, a cantora/compositora está meio sumida no mundo artístico, tendo aparições esporádicas. Para quem não sabia: no cult filme adolescente "A Garota de Rosa Shocking", a canção "Left of Center" era do primeiro álbum de Suzanne. Uma de minhas favoritas é "Solitude Standing", que é faixa-título do segundo álbum que a trouxe pro estrelato (e foi um dos primeiros álbuns que ouvi quase na exclusividade devido a uma amiga minha de faculdade que conseguiu a fita cassete made in Japan).
Foto: Suzanne Vega, nos anos 90. De semblante delicado, voz sussurrante e letras confessionais.

ZARD (Izumi Sakai): Eu falei dela em alguns posts passados. Há quem goste, há quem ache que seja invenção da gravadora, já que ela quase nem aparecia na TV. Esqueçam o passado suspeito de Sakai, as músicas dela continuam sendo tocadas mesmo depois de seu repentino falecimento em 2007. Canções de amor adolescente, frustações, superação e força eram temas de suas músicas. Provando que não precisa aparecer na TV com superprodução pra fazer sucesso (se apareceu duas vezes no programa Music Station foi muito). Lembrando que "Makenaide" faz parte do programa "24 Hour Television" mesmo antes de ela ter falecido (antes que pensem que, depois que morre, é que lembram que o artista era bom e ninguém sabia).
Foto: uma das maiores ídalas da autora deste sítio e de seu namorido kinguio - Izumi Sakai.

Nara Leão: Muita gente achava que eu não gosto de música brasileira. Gosto, mas com estilo. Os cantores e cantoras da Bossa-Nova foram o que mais ouvi no tempo em que era uma universitária penando pra pagar o aluguel da república. Ainda mais que dividi por dois anos uma república com mulheres que gostavam de MPB de fina classe. Aqui no Japão, MPB de fina classe ouve-se nos lugares mais chiques que tem (como cafeterias da rede Starbucks, Tsutaya de Roppongi e outras lojas de departamentos). Segundo Bah e Alexandre, já ouviram MPB em lojas de conveniência, mas desde que eu estou aqui, nunca ouvi em alguma e olha que uma delas fica em frente do nosso prédio de apertamentos! E Nara Leão é mais conhecida aqui entre os japoneses do que em sua própria terra natal. O que é uma pena.
Foto: Nara Leão, nos anos 60, no auge de sua beleza física ("os mais belos joelhos da bossa nova", segundo Caetano Veloso) e musical.

Amy Winehouse: Se não fossem os problemas de natureza etílica-ilegal-TPM-em-hora-errada, essa inglesa que surgiu de uma hora pra outra poderia estar no terceiro ou quarto álbum. Apesar do visual meio desastroso a la trash fifties com direito a delineador pesado (e topete idem), quando essa mulher canta... Parece que Billie Holiday entrou nela!!! Ignorem os vexames que Amy cometeu, ouçam os dois únicos álbuns que ela gravou e como se canta do fundo da alma (como "Tears Dry on Their Own", "Love is a Losing Game" e "You Know I'm no Good") e o lado bom dela: contribuiu para um ensaio fotográfico em 2008 para a revista "Easy Living" numa campanha contra cancer de mama.
Foto: Amy Winehouse, em início de carreira, muito antes do visual trash, do topetão, dos barracos, do uso de substâncias ilícitas e lícitas, quando ela era mais saudável...
Rita Lee: Falem mal, mas falem dela. Uma das pioneiras do rock brasileiro nos anos 60, imortalizada na música "Sampa", esta paulistana descendente de italianos e americanos, começou na fase psicodélica com os Mutantes (outra banda preferida de muito japonês aqui), passou pelo movimento Tropicália e aventurou-se na carreira solo. Entre muitos altos e baixos, Rita continua firme e forte, seja nos hits antigos e recentes. Do rock a bossa-nova. Da fase deboche ao romântico. E acreditem: Rita é cantora preferida do Principe Charles e até do Mick Jagger (tanto que, quando os Rolling Stones vieram pela primeira vez, o vocalista queria que Rita fosse abrir os shows deles no Brasil. Foi numa destas que Rita quase é foi pra melhor: nervosa de tanta emoção, se entupiu de calmantes e foi parar no hospital).
Foto: Rita Lee, em meados dos anos 2000. A pioneira do rock brasileiro, a "mais perfeita tradução", fã dos Beatles (gravou um álbum de versões em português do quarteto de Liverpool) e Rolling Stones, em todas as fases.

Kumi Koda: A princípio não tinha muito interesse nela devido ao visual "pouco" apelativo, mas com o tempo comecei a gostar dela e das músicas, muito apesar do fora que deu na rádio Tokyo FM em janeiro de 2008. Se Ayumi Hamasaki as músicas são mais de amor, Koda vai mais fundo: aborda temas de quase tudo um pouco, como homossexualismo, amor livre, por exemplo. Começou a bater ponto no Kouhaku, fica até o final e volta este ano pra continuar a turnê "Trick", que foi interrompido devido ao surto de influenza que teve na região Tokai-Kansai. O que até hoje nem ela e nem Masahiro Nakai confirmam se estão enrolando juntos (mas também não negam)... Off-topic: um dos arranjos de cabelo que Koda utilizou em um single foi um amigo meu quem fez e vendeu para uma loja. Só soube que apareceu no single e ainda da Kumi Koda quando viu num poster de divulgação... E um outro amigo meu a conheceu pessoalmente no Kouhaku e garantiu-me: Kumi é fofinha (de corpo) mas muito simpática.
Foto: Kumi Koda, em um dos singles que fez parte de um box-set reunindo alguns deles. Usando o tal arranjo que um amigo meu fez nas horas vagas (mas não vendeu diretamente pra ela, né...)

Hikaru Utada: Foi, junto com a Izumi Sakai, uma de minhas primeiras cantoras que ouvi logo que cheguei aqui. "Automatic", "Time Will Tell" e "First Love" eram obrigatórias no meu (velho mas bom) CD player. Não sei o que aconteceu com a Hikki, mas depois que casou (e depois separou) de Kazuaki Kariya, já não faz aquele grande sucesso de início. Confesso que a última música que ouvi dela foi "Beautiful World" e olhe lá. Eu também torço pela volta por cima de Utada, apesar de insistir em fazer mercado nos Isteites, sua terra natal. Uai, ninguém sabia que ela nasceu em Nova Iorque e por isso ela fala inglês fluente sem sotaque???
Foto: Hikaru Utada, na capa do álbum "Deep River", ainda no auge do sucesso... aqui.

Momoe Yamaguchi: Top idol dos anos 70 e até hoje é influência para muita cantora que tenta ser aidoru mas igualar ou ser mais que a Momoe, acho que nem a Seiko Matsuda conseguiu (mas chega perto). Em oito anos de carreira, Momoe, com sua voz firme e transmitindo grande carga sentimental, conquistou grande público com músicas como "Cosmos" (秋桜), "Yokosuka Story", "Imitation Gold" e "Playback part. 2". Desde que anunciou sua retirada da carreira artística para casar-se com o ator Tomokazu Miura, muitos fãs aguardam seu retorno. O que vai ser meio difícil, pois Momoe praticamente retirou-se até da vida pública, tornando-se uma dona de casa e mãe de dois rapazes. Porém, seus álbuns relançados continuando vendendo e uma de suas mais famosas músicas - "Cosmos", de Masashi Sada - teve várias versões, tanto que, muita gente pensa que o original é da própria Momoe.
Foto: Momoe Yamaguchi, nos anos 70, quando fazia ainda parte do chamado "Hana no Chuu Trio": era formado por Yamaguchi, Masako Mori e Junko Sakurada (lembrando que nos anos 50, tinha o San-nin Musume, que era Hibari Misora, Izumi Yukimura e Chiemi Eri).

Tem mais cantoras, sim. Mas se eu listar aqui, vai ficar longo demais a ponto de pensar em escrever um livro sobre o assunto...

A autora pede desculpas por ficar postando a estas horas da noite, mas toda véspera de sábado acaba dormindo mais tarde, mesmo sabendo que terá que fazer plantão no trabalho...

Monday, February 15, 2010

Quem disse que comercial tem que ser sério?

Já comentei em algum post meio perdido, mas rir um pouco não custa nada.

Eu sei, eu sei e não tem jeito: eu assisto muito noticiário, programas de variedade e quando dá acompanho novela. Na TV japonesa (pois no prédio onde moro não sintoniza a tal Grobo se instalar a antena e se for pra ver notícia do Brasil, vai via blog dos amigos, jornal, sites...), eu assisto sim. Mais pra ver se crio vergonha na cara e tento apurar a audição pro próximo exame de proeficiência japonesa em julho.

Eu gosto também de comerciais. Acreditem, mas desde o Brasil, eu assistia a um programa na rede Cultura chamado "Intervalo" que mostrava os comerciais do Brasil e do mundo, o making of e pesquisa de mercado. Aqui também tem um semelhante e passa aos domingos de manhã pela independente Tokyo MX (restrito na área de Tóquio e norte de Kanagawa, mas se chegar até o sul...). Oras, pra quem tem coragem (e vergonha na cara) de acordar cedo e assiste ao "Wasurebumi", porque não logo depois pegar o programa "CM Collection"?

Tá, vão me dizer: comercial japonês não tem graça, não tem sentido, não entendo nada. Depende do comercial, do produto, de que agência de publicidade faz a criação. Eu não estudei propaganda e marketing (algo que eu deveria ter feito depois que me formei, pois foi depois disso que passei a assistir mais ao programa da Rede Cultura), mas eu gosto dos comerciais, da forma que eles foram concebidos...

Um dos comerciais que achei divertido ( e já postei aqui ) foi a campanha do ano de 2008-2009 da rede de lojas de conveniência (ou "combini") Lawson. Escolheram o sexteto NEWS para fazer uma série de seis comerciais para a campanha de karagee (pedaços de frango frito), da coelhinha Miffy e de cobertores. Eles acabam parando numa ilha deserta, sem comida (o que Koyama tinha trazido num saco, perdeu-se no mar), procurando alternativas para comer (desde fazer uma fogueira pra cozinhar arroz que encontraram, caçar, pescar, catar coquinhos) até sair da ilha (via jangada meio feita "nas coxas"), quando descobrem que existe uma loja de conviência. Eu sei que como pode ter um Lawson numa ilha deserta, como arranjaram dinheiro pra comprar e porque ninguém ligou da loja pra resgatarem eles - o segredo do comercial seria "o absurdo acontece"...

Seis pelo preço de cinco: Campanha promocional em que o karagee que normalmente vende-se cinco unidades, poderia comprar seis unidades pelo preço normal de cinco mesmo. No vídeo abaixo, Ryo Nishikido estava muito chateado com os outros porque na noite anterior eles comeram o karagee e nem o convidaram...


Ryo: - Estou indo embora!
Massu: - Por quê?
Ryo: - Ontem a noite vocês comeram karagee e nem me chamaram!
Tegoshi: - Mas é que tinha só cinco...
Ryo: - AAAAAAAAAAA!!!
Koyama: - Esperaaaaaaa!!!
(Os seis caem um em cima do outro, efeito dominó)
Yamashita: - Por que não voltamos pro Lawson?

Promoção "Junte selos e ganhe um toto-bag da Miffy": Koyama não consegue dormir se não tiver alguma coisa da Miffy (a coelhinha criada pelo holandês Dick Bruna), tentaram de tudo mas nem pensar. Resta uma alternativa...


Koyama: - Eu quero a Miffy!!!!
Yamashita: - Que aconteceu?
Ryo: - Bom, é que se não tiver nada da Miffy, ele não consegue dormir.
(Massu aparece no meio das moitas pulando como coelho, com orelhas feito de folhas de coqueiro): - Pyon, pyon, pyon...
........
Koyama: - Não dá certooooooooo!!!!
Yamashita: - Por quê não irmos ao Lawson?
Koyama consegue uma sacolinha (toto-bag) da Miffy e ficam todos felizes...

Alguém aí já ouviu falar de algum seguro de vida que cubra tudo? 100% de tudo, inclusive de flechadas, foguetes e até da ilusionista Princess Tenko? A campanha da Tokyo Marine de 2004, poderia até cobrir, inclusive até acidentes com um disco-voador (algo muito impossível de acontecer, mas já que a seguradora prometia...).

Uma coisa eu teria certeza: se este comercial de veículos compactos (ou kei jidousha) Daihatsu fosse veiculado no Brasil, seria alvo de muita piada que conheço por aí. Para quem não entendeu direito o trocadilho - shikaku (四角) significa quadrado. Shika (鹿) significa cervo. Daí o motivo do simpático desenho animado e a forma do carro (modelo Daihatsu Move Conte)...


Esse de janelas, eu gostei dos protagonistas, muito fofos!


Computação gráfica ajuda em comerciais. Do ano passado, para divulgação do Mark X Zio, como conseguiriam fazer os cavaleiros alados junto com o veículo em si? E a música utilizada caiu bem.

Sunday, February 14, 2010

Quando se arrebenta seu piggy-bank (de novo)

Eu sei que vai ter muita gente lotando minha caixa de comentários com um sem número de reclamações sobre minha atitude de novembro pra cá e só agora revelo o estrago (moderado) que fiz em matéria de compras, mas eu fiz de forma consciente: usando point cards, indo em promoções, encarando filas...

Quem me conhece pessoalmente e quem me conhece pelo blog, sabe: eu costumo comprar a maioria das coisas via liquidação, uso de point cards e idas na rede da Book-Off. E desde novembro, bem, vou dizer que acho que fiz um estrago, mas que poderia ser pior...

Troquei de aparelho celular: Pra quem ficou quase sete anos com um mesmo aparelho celular, o anterior bateu recorde de menor tempo em posse da dona aqui. Só que parece que os aparelhos atuais não duram mais que dois anos, o que aconteceu da bateria do meu Sony Bravia ter ido pro espaço. Aí a TV não funciona direito, a ligação cai no meio e olha que tem sinal de linha (o chamado "tem três pauzinhos no sinal de antena"?), o que já me fez correr atrás de outro novo. Ou um pouco mais atualizado. Ah, eu falei que dependendo do site que eu queria acessar pelo meu anterior, não aceitava devido ao modelo e por aí vai? Pois é: não aguentei e numa das minhas idas no interior de Kanagawa, encontrei uma loja cujo modelo que eu queria tanto, usando meus pontinhos acumulados da operadora, saía de graça.
Eis o modelo que troquei: Da DoCoMo modelo HT-03 que dá pra ouvir música, assistir aos vídeos do YouTube, telefonar, tirar fotos, ver e-mails, se localizar pelo Google Maps, ver previsão do tempo, trens, acessar este sítio e dos amigos...

Bem, quase de graça, pois o brinquedinho em questão, se eu quebrar, danificar, cancelar em menos de dois anos, aí vou sentir a dor no bolso. Leia-se: pagar pelo aparelho. Sem falar de que como o aparelho novo utiliza outro sistema de internet, se eu tirar o cartãozinho do meu aparelho atual e inserir no meu antigo, se acessar a internet do antigo, minhas economias entrarão em estado de choque (se não em coma profundo sem volta).

Ao menos, agora minhas longas viagens intermináveis de trem casa-trabalho-casa ficarão mais divertidas, pois dá pra matar um pouco o tempinho assistindo aos vídeos. Isso se a conexão não cair (nem tudo é 100% perfeito em tudo né...)

Meu aparelho devidamente personalizado pela própria. Papel de parede e com o devido penduricalho para encontrar o aparelho: do último show do Masaharu, o pingente que veio junto em forma de palheta de guitarra e os pingentes da autora: o coração gravado o nome dela e do namorido kinguio e o Snoopy, personagem favorito dela...


Visita nas lojas de revistas e CDs usados... Em algum post mencionei de uma rede de livros, DVDs, CDs e games de segunda mão, mas que se escarafunchar bem, encontra coisa boa, novinha e bem mais barata. A rede que começou com mangas e CDs usados, hoje até elefante vende. Exageros a parte, a rede Book Off, espalhada pelo arquipélago inteiro, é o paraíso de quem quer algo bom e barato ou a base de precinhos camaradas ou a base de troca de pontos ou escambo mesmo. Sim, levar seus mangas que você não lê mais, os CDs de artistas que na hora você gostou e agora odeia (isso não é o meu caso...) e trocar pelo qual você deseja. Fiz (e continuo fazendo) esse tipo de aquisição.

Aprendam com miss Piggy: quer o álbum de seu artista favorito e está com grana curta? Vamos na Book-Off, estes três sairam pelo preço de um novinho!


Recentemente acabei indo nessas lojas e com 1000 ienes fiz uma bela duma compra (ou um belo d'um estrago como muitos vão me dizer) e acumulando mais pontinhos no point card (eu falo: o dia que eu voltar de vez pro Brasil, vou sentir falta disso...): compra de três CDs (sendo dois deles duplos: os citados "Su", "Vest" e "Zard Golden Best") e três livros de culinária (sim, comprei os três livros do Bistro Smap a preço de um). Só resta criar vergonha na cara e dedicar-me mais nos afazeres culinários...
Receitas testadas pelos chefs Kimura, Inagaki, Kusanagi e Katori, garantidos pelo maître Nakai, e aprovadas pelos convidados, mas se alguma coisa der errado, como der indigestão, faltar algum detalhe ou o forno explodir, a gente sabe em quem pôr a culpa ou vai ser da pecinha que fica em frente ao fogão...

O dia que eu fizer, eu posto a receita e o resultado final. Do prato, claro.

Quando a sua folga coincide com o "lady's day" nos cinemas... Fazia um bom tempo que não ia no cinema. Falta de tempo não seria a palavra certa, mas foi meio pão durice de minha parte, querer ir ao cinema quando tem desconto ou no "lady's day", ou seja, mulher paga 1000 ienes a entrada (o precinho normal é 1800 ienes, a não ser que compre antecipado ou use algum cartão com fidelidade de pontos). E geralmente são todas as quartas-feiras do mês, o que fica impossível, pois minha folga cai na quinta.

Como em final de dezembro tive minha semana (merecida) de descanso de final de ano, na quarta-feira fui ao cinema. Fui assistir a animação da Pixar - "Up" (aqui saiu como "Carl no Ojisan" e no Brasil como "Altas Aventuras"). Quem não gosta, me perdoem, mas não consigo assistir filme sem pipoca nem algo pra tomar. E quem for comigo, não me reconhecerão no cinema (ou teatro): entro muda e saio calada. Uai, estou pagando uma nota pra fazer o quê no cinema???

"Mas Iwa*, por que não foi assistir ao 'AVATAR'???" Explicando: fui no cinema no dia 30 de dezembro e o filme Avatar foi só entrar em cartaz um pouco depois. (* O pessoal que me conhece só me chama assim. Ah, é: meu sobrenome é Iwasaki. Pronto, falei.)

... e o pessoal aqui adora uma fila... Eu confesso. No mesmo dia que fui ao cinema, da rede Toho, que fica no complexo Roppongi Hills, na verdade, fui muito cedo (pra não dizer sete e meia da manhã) pra Akasaka Sacas (que fica em Akasaka, oras) pra pegar uma senha. Vocês leram bem: senha. Tudo porque a lesada aqui, assistindo ao noticiário em casa (shouganai, em casa só dá pra assistir programação local e notícias do Brasil via blog dos amigos que estão lá, Estadão on line, Folha on line, ligando pra meus irmãos...) e eis que o quinteto-que-mais-atua-do-que-canta Smap abriu uma loja temporária (válido por vinte e cinco dias) onde fica a loja da rede TBS. Anualmente, acho que desde 2006, não lembro bem, eles fazem acordo com a loja da TBS e a emissora cede o local por quase um mês para fazer o evento. Geralmente alguns souvenieres exclusivos de temporada.

Loja do quinteto Smap em tempo sazonal: uma vez por ano, em dezembro, a administração da loja onde fica os souvenires da emissora TBS cedem o local para 23 dias pro grupo divulgar algum produto ou campanha nova. Em 2008 o tema foi Natal junto com a turnê "super music artistic performance". Em 2009 foi inspirado em Nova Iorque...

Nunca tinha ido, confesso que nem na época de "Sonomama" (2008) que os souvenieres eram mais bonitinhos (e foi também conveniado com a marca de acessórios Samantha Thavasa) consegui ir, primeiro por falta de tempo mesmo e segundo não sabia onde ficava o Akasaka Sacas (e olha que costumo pesquisar como faz pra chegar no local...). Desta vez resolvi ir, na campanha de 2009/10 "Chan to shinai no ne!", cujos souvenires foram inspirados no comercial da SoftBank que fizeram nos Isteites (dizem que faziam dez anos que o grupo todo não ia pra Nova Iorque, só individualmente de férias, de "castigo" (quando Shingo Katori e Goro Inagaki tiveram que fazer uma apresentação em um teatro como preaquecimento da platéia), a convite (lembra que mencionei que em novembro, o líder Masahiro Nakai foi convidado pro premiere do filme que seria o show do Michael Jackson?) e apresentação especial (o musical "Talk Like Singing", de Shingo Katori que agora está no Akasaka Theatre até dia 7 de março)).
Vitrine onde ficaram expostos os produtos. A caneca não tinha mais (mas se tivesse e comprasse, eu iria era apanhar lá em casa. Motivo: mais uma caneca ???), porém o livro de fotos tinha.

Eu não sabia logo na primeira vez que fui que tinha que chegar cedo pra pegar a senha, pois a entrada no local era limitado a 100 pessoas por hora. Bem, a quantidade dos souvenieres era limitado. Tanto que a caneca (mug cup) foi o item que acabou logo na primeira semana. Mas eu queria era comprar o livro de fotos (se tivesse o strap, aquele penduricalho pra enfeitar/identificar o celular, ficaria feliz também) por isso consegui a dita senha no mesmo dia que fui ao cinema. E como tem hora marcada, acabei ficando pra entrar as oito da noite. Claro que não fiquei das oito da matina até a hora marcada esperando em fila, pra que serve senha?


Amostra das roupas que usaram no comercial da SoftBank que fizeram em Nova Iorque, final de 2009. Na foto, as roupas, acessórios e sapatos de Tsuyoshi Kusanagi e Masahiro Nakai.

Ao menos valeu a pena: podia-se fotografar dentro da loja (algo difícil aqui). Dentro, as roupas que usaram no comercial, o cartaz promocional da nova campanha da empresa SoftBank ("Color Life") devidamente assinado pelo quinteto e os produtos. Se na segunda semana já vivia lotado, não gostaria de imaginar como ficaram os últimos dias... E dá-lhe fila! E parece que japonês adora fila: fila de cinema, fila de supermercado, fila de liquidação...

Liquidações desta vez nem pensar: Diferente das outras vezes, em dezembro e janeiro nem cheguei perto de liquidações, pois estamos em fase de contenção de gastos (leia-se fechar a mão e comprar o que precisa mesmo). Pra não dizer que não comprei nada de roupa em liquidação, foram "apenas" três blusas de lã e uma para usar por baixo destas blusas na rede de lojas "bom, bonito e barato" Uniqlo. Podem achar ruim, mas a maioria das minhas blusas de lã ou linha são desta loja. Quem me conhece (bem) sabe que a maioria das minhas roupas eram de cor branca ou tom pastel. O dia que apareci usando uma blusa cor de berinjela ou maravilha, ninguém acreditou. Oras, uma cor de vez em sempre faz bem né... Cá pra nós: outono e inverno são as estações que dificilmente uso camisa, sempre essas blusas de cores ... hã... quentes. Ah, tá. Cor de berinjela é cor fria?
Faltou a blusa côr de berinjela que pus pra lavar. Na foto, púrpura, pink e lavanda...

Sessão off topic ou coisas que nem tem nada a ver com a postagem do dia... Lembrando os Beatles na interpretação (mais ou menos) de Takuya Kimura ( "In My Life") e Shingo Katori ("Ob-La-Di, Ob-La-Da"). Gravado no programa semanal "SMAP X SMAP" em 4 de dezembro de 2000, no bloco final, em memória aos 20 anos de John Lennon, uma homenagem ao quarteto de Liverpool. Uma pena que, quem postou o video, faltou a primeira parte que tinha Masahiro Nakai com "Twist and Shout", Goro Inagaki com "Yesterday" e Tsuyoshi Kusanagi com "Help!". Imagino como deve ter ficado, mas uma homenagem justa.

Fotos: do porquinho quebrado e do celular frente e perfil: via seo gugol. O resto são da própria autora mesmo, via celular novo.

Saturday, February 13, 2010

Vida em Cores pra animar o Inverno (e outras estações do ano também)


Eu sei que o inverno está quase no fim e a primavera logo chega. Desde que eu me conheço por gente, muita gente associa o inverno e usar cores como branco, preto ou cinza. Ou as três cores juntas. Mas o inverno já é um clima frio (aqui) e o pessoal insiste em usar essas três cores. Neutras, como aprendi no meu tempo de escola primária. Tudo bem, eu uso preto mas é meu motivo de disfarçar o que sobra (e como).

Inverno passa inverno chega, desta vez uma grande marca de roupas resolveu alegrar um pouco mais o clima com a coleção passada usando a cartela Pantone. Tem cor pra usar quase todo dia, pra variar o guarda roupa e não ficar na mesmice de sempre. Confesso que eu costumo comprar algumas peças de roupa desta grande rede de lojas porque, bem, elas caem bem no meu corpo e uma corzinha diferente nunca matou ninguém (é que eu acho que minha gaveta só tem peças brancas e a maioria da Mary Quant - compradas em liquidação ou quando ganhei 10 mil pontos no cartão da loja de departamentos a que às vezes compro).


"Cor é conforto" - campanha da Uniqlo para o outono-inverno em alguma temporada, mas acreditem: as cores não sairam de moda para este ano!

Bem, quando resolvi usar blusas de lã neste inverno pra trabalhar (onde trabalho, não necessariamente é obrigado a ir 100% de terno ou tailleur mas também não "avacalhado"), comprei algumas de côr bem, digamos, fortes pra quem me conhece bem e acostumava ver-me de branco ou às vezes preto - do tipo, maravilha (ou "pink"), roxo (fui chamada de berinjela ambulante ou hematoma gigante) , púrpura (lembram do Prince com "Purple Rain"?) e vermelho (se eu uso com calça preta, o que não é dificil, perguntaram se estou indo fazer algum "despacho"). O pessoal não perdoa...

Desde que a Apple (não, não é a gravadora dos Beatles) renasceu com o iMac (modelo G3), que o monitor e a CPU eram um só, mas de cores cuja consistência ficou parecendo aquelas (temidas) balas Soft(1) , não consigo desassociar a música dos Rolling Stones "She's a Rainbow" com o comercial que saiu na época (em 2002, eu acho), quem chegou a ver o comercial, vai saber do que eu falo. Depois do iMac, as outras empresas resolveram quebrar a monotonia do monocromático em relação às cores de CPU-Monitor (ou era bege ou era preto) e mandaram ver. Mas, até onde lembro, os corajosos foram a Sony (a linha Vaio) , Fujitsu e Toshiba (estas na linha de notebooks).
Tirando o azul, as cores não lembram as temidas mas nostálgicas balas Soft?
Sony Vaio (notebook), semelhança de posição com a foto da Apple, é mera coincidência da autora que pesquisou...

Ainda na parte de aparelhos coloridos, já que falei da Apple, o iPod nano, já na quarta (ou quinta, sei lá, eu nem acompanho direito esta fase) geração, resolveu apostar na cromoterapia e lançou com nove cores diferentes. Muito além do vermelho, azul, amarelo padrões, mas laranja, dourado, rosa-choque, violeta, púrpura... Pra consumidor exigente, já que cinza é meio triste e não quer pôr capinha... Mas pra esse modelo, o que tem de capa protetora com variação de desenhos (fora as meninas que a-dooooooo-ram incrementar com pedrarias, adesivos e outros penduricalhos) não está nem em Harajuku ou Akihabara...
... e eu ainda na iPod Nano segunda geração que nem sei se o pessoal aceita de graça... (mas que está me quebrando um galho, isso sim)

Dando prosseguimento a vida arco iris, os aparelhos celulares também ficaram cada vez mais coloridos. Quebrando a monotonia do preto ou branco ou cinza como é o caso de alguns modelos (é, tenho que admitir que o meu é preto, mas não tinha outra côr, que posso fazer?), as operadoras mandaram ver na guerra colorida e eis que, de um ano pra cá, nunca vi campanha tão intensa de variedades de modelos e... cores!
Aparelho laranja-laranja, rosa-glacê-de-morango, preto-bola-oito, branco-concha, azul-céu... Quinze cores para escolher (ou combinar com sua bolsa, seu humor, seu signo... vixe, se eu for seguir meu horóscopo, seria tudo VERMELHO...)

E eu pensando que a principal função do telefone celular era fazer e receber ligações...

Mas vamos lá: no Japão temos quatro operadoras de telefonia móvel sendo que três delas abocanham uma grande parcela da população usuária, inclusive estrangeiros. Quando a SoftBank (antes Vodafone e bem antes era a J-Phone logo que cheguei aqui) lançou a linha Pantone (olha a famosa tabela de cores de novo!) com a Cameron Diaz, era tanta côr que imagino que, teria que ser por encomenda. Pronta entrega só se fossem as cores mais óbvias.
Campanha da SoftBank para o modelo da Panasonic: e eu achando que o Smap fosse escolher as cores que utilizam no Bistro... (respectivamente: vermelho (Kimura), amarelo (Kusanagi), verde (Katori), azul (Inagaki) e rosa (Nakai), mas escolheram para a campanha: dourado, azul, amarelo, púrpura e branco)

Ano passado, a campanha "Color Life", trouxe 16 cores diferentes. Do tipo: a cor correspondente a algum objeto, como preto a bola 8 da sinuca, rosa do glacê do donut, dourado da bola de enfeite do Natal e por aí vai...

Este ano, inicia-se a primavera e lá vem estação nova, cores novas... Escreve embaixo que, primavera, as cores são mais em tons pastéis. Não, não falo daquela iguaria que em qualquer feira ou boteco se encontra (e diga-se de passagem, são os mais gostosos), mas de cores em tons mais suaves, mais delicados, mais para meninas que gostam de tudo "kawaii" (meiguinho).

A operadora DoCoMo (pertencente a estatal NTT), resolveu subdividir os modelos de aparelhos celulares em quatro grupos, um para cada estilo de usuário, do simples ao profissional, dos bonitinhos aos funcionais. Confesso: até hoje eu fico me perguntando para que serve tal aparelho e o que difere um do outro (exceto os modelos da linha Pro, que é mais voltado para businesswomen e men)... Eu sei que a maioria o pessoal prefere o combo telefonar-e-mail-foto-internet... Mas bem, pra atender a parcela exigente do mercado, temos também para quem quer agenda, ouvir música, fazer uso do aromaterapia, filmar...

Maki Horikita (série Style), Ken'ichi Matsuyama (série Prime), Shin'ichi Tsutsumi (série Smart) e Hitori Gekidan (série Pro): modelos para todas as pessoas, estilos e gostos...
A campanha da primavera (março logo está aí) traz as novas cores e modelos, como acontece de tempos em tempos. Para o público exigente. Detalhe: gosto de rosa, mas meu aparelho celular recente é preto ( e nem pensar em colocar pedrarias nem outros detalhes peruescos nele, nesse ponto acho que sou purista demais em customização).
Os modelos da au by KDDI para a primavera, linha au Colors a prova d'água (mas não significa que deve-se entrar com ele na piscina ou banheira)

Falando em primavera, a operadora au by KDDI investiu em deixar o display mais alegre e também inseriu mais cores para o gosto do freguês (ou freguesa), com o modelo a prova de descuidados que deixam cair água no aparelho (não sei se seria prova de mãos de manteiga que deixam cair no mar ou coisa pior).

Pra quem achava que outono e inverno as cores seriam sóbrias...

Fotos: via seo gugol, exceto o que inicia o post, da própria autora que teve que literalmente se dependurar da passarela no Tokyo Midtown para tirar a foto do alto da mesma da iluminação noturna que teve em dezembro do ano passado, por isso que tem uma "falha" branca no canto direito, abaixo...

(1) As temidas balas Soft, que de macias tinham nada. Era um perigo constante quando éramos crianças e o risco de engasgar com uma era enorme. Atire o primeiro baleiro quem nunca engasgou com uma e teve que ser estapeado nas costas ou até virado de cabeça pra baixo para expelir a dita cuja ou cortou a língua quando estava no finalzinho.

Thursday, February 11, 2010

Quando um Boneco de Neve não Basta


(Ou: foi mais ou menos assim que o Festival de Gelo de Sapporo começou...)

Cidade de Sapporo, provincia de Hokkaido, nos confins do Japão, 1950. O inverno rigoroso devido a uma privilegiada localização geográfica, bem ao extremo norte de tudo, quase perto da Sibéria, só faltando encontrar um urso polar, o que não seria muito dificil. Nevava horrores, a ponto de aulas suspensas, e neve a cobrir até o telhado, que, pra sair de casa, a mesma tinha que ter saída pelo teto, já que pela saída convencional não tinha jeito.

Sem o quê fazer em casa, com tanta neve, a não ser jogar paciência, jankenpô ou qualquer coisa pra matar o tempo, nem rádio salvava(lembrem-se que era 1950 e TV nem tinha chegado ainda), seis amigos do colegial pensaram em fazer alguma coisa diferente, pois ficar trancado em casa não dava.

Com cara e coragem (e bota muita coragem nisso, em sair de casa num frio destes, mas dizem que quando neva não fica muito frio assim, mas tenho minhas dúvidas), eles sairam da casa e se depararam com cidade toda branquinha. De neve.

Colegial #1 : - Uia! Quanta neve!

Colegial #2: - Nossa, o parque Odori tá todo coberto de neve! Não se vê nem uma única florzinha no mundo!

Colegial #3: - Vamos fazer uns bonequinhos de neve?

Colegial #4: - Ah, não! Vai ter que precisar de cenoura e nessa recessão depois da guerra, as cenouras estão racionadas! Isso se não teve um coelho safado e estocou todas neste inverno...

Colegial #5: - Ah, mas não precisamos de cenouras pra usar como narizes...

Colegial #6: - Tive uma idéia melhor! Bem, é o seguinte...

Eis que os seis colegiais munidos de pás, baldes e muito chá quente (eram menores de 20, nem pensar em servir saquê pra eles), começaram a esculpir algumas figuras em neve.

Alguns transeuntes, inclusive militares, viram o capricho e o esmero dos estudantes que contaram ao prefeito da cidade sobre as esculturas dos estudantes e o grande número de curiosos que se aglomeravam para ver os seis estudantes (loucos de pedra) esculpindo não somente um simples boneco com nariz de cenoura, mas até um castelo de neve.

Daí por diante, o que era brincadeira pra matar o tédio, deu nisso...
Jurassic Park, mas esses dinossauros de neve não botam medo em ninguém....

Oshikajiri-mushi, a mosquinha mordedora de bumbuns imortalizada em neve...


Tokyo Disneyland em Sapporo? Sim é possível recriar a magia de Walt Disney em qualquer parte do mundo, seja de que forma for...

Egito fica em Hokkaido, pra que gastar uma nota pra ir ver as maravilhas do mundo se a reprodução está nos mínimos detalhes?

E quando a gente fala em fazer castelos de neve, o pessoal nem brinca em serviço!

Tudo nos seus míííííínimos detalhes (lembram desta frase?)
Alguém leu/assistiu aos "Contos de Narnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa"?
O Castelo de Shiga, com o devido gatinho-simbolo da província. Atentem aos detalhes ricamente reproduzidos no castelo...
Nem só de neve o festival vive. Em Tsutsuki, outro bairro de Sapporo, completa-se com... gelo!
Imaginaram a quantidade de neve e pessoas para fazerem tudo isso? Com patrocínio e ajuda até de militares. O que uma simples brincadeira de criança dá em coisa séria!

Este ano, como os outros 61 anos passados, Sapporo recebe anualmente milhares de visitantes para o evento. Este ano, a neve utilizada será encaminhada para empresas de ar-condicionado, para um projeto ambiental. Afinal, em tempos de ecologia...

A lesada autora pede desculpas por postar o festival logo no último dia, mas fica a dica para planejar a viagem pro ano que vem. E a lesada aqui, doze anos no arquipélago, com 1/4 de sangue de Hokkaido, até hoje não criou vergonha na cara para ir ao menos no festival...

Página oficial do 61o. Festival da Neve em Sapporo aqui(em japonês).


Fotos via Flickr e Seo Gugol, amigo de todos os apertos quando o assunto é pesquisa.

Monday, February 08, 2010

Um parodia um que homenageia outro que...


Da série: Coincidências acontecem, parte 2...

(PelamordeDeus, depois do post pesado de sábado, vamos falar de algo mais fútil, divertido e nada a ver com o sítio desta autora pra descontrair um pouco...)

Em uma de minhas idas para a famosa loja de CDs, DVDs e artigos para audio e som em geral, a Tower Records (matriz em Shibuya, filiais em Yokohama, Shinjuku, Ikebukuro e outros centros), pra nunca variar, costumo escarafunchar livros (e quase nunca levar) e descobrir algo de novo ou diferente.

Não sei porque, mas ultimamente estou interessada mais sobre design, propagandas e comerciais em geral. E olha que formei-me em processamento de dados que, diga-se de passagem, desde que estou aqui, programar que é bom, nem passeio de final de semana. E numa dessas idas nessas livrarias, encontrei um livro ilustrando as capas de álbuns de discos originais e suas devidas cópias/paródias/homenagens, chamado "Meet The Covers!" (que também é nome de um álbum de covers dos Beatles).

Há quem seja muito xiita e condene esse tipo de atitude, acusando que um não sabe ter originalidade e acaba copiando a obra (e no final tem vários destinos, você decide e não falo daquele programa de TV da Grobo que você escolhia o final). Não vejo nada de errado, pra mim seria uma forma sutil de homenagear alguém, mesmo sabendo que "aí vem m#$%@", pode gerar processo ou constrangimento ou até gostarem do negócio.

Um dos campeões de capas parodiadas, leitores me perdoem, mas os Beatles ficam em primeiro. Nunca vi grupo que, em sete anos de carreira, treze álbuns e muitas compilações, pudesse gerar tanta paródia assim. E olha que pensei que fosse Elvis ( que também não escapou de algumas capas parodiadas). Vou ter que dividir esse assunto em sei lá eu quantas etapas e em doses homeopáticas, pra não enjoarem os leitores ficando com um assunto só a semana toda...

1) Elvis Presley ("Elvis Presley") → The Clash ("London Calling"): Fica impossível não olhar a capa do "Rei do Rock" (de 1956) e lembrar da famosa capa do primeiro álbum do quarteto britânico The Clash, um dos precursores do punk-rock (eles eram mais de protesto), de 1978.


2) Elvis Presley ("50,000,000 Elvis Presley Fans Can't Be Wrong") -> Bon Jovi ("100,000,000 Bon Jovi Fans Can't Be Wrong"): O original de Elvis era uma coletânea de sucessos antes de ele resolver ir pro exército no auge da fama. O número não era mentira mesmo. Em 1958, o fã clube oficial de Elvis contava 50 milhões de fãs! No caso do grupo norte-americano Bon Jovi, era quase a mesma coisa, mas o dobro...



3) The Beatles ("With The Beatles"→ The Residents ("Meet The Residents!"): Uma das capas mais parodiadas do mundo rock, já teve versão do Genesis ("Land of Confusion") e de Yuzo Kayama com o quarteto The Wild Ones. A paródia mais famosa é de um grupo norte-americano que ninguém sabe quem são, pois se apresentam com máscaras em forma de globo ocular, The Residents. O design da capa é a paródia da versão americana do album dos Beatles - "Meet The Beatles!" mas a foto de Robert Freeman (clássica!) é a mesma.


4) The Beatles ("Rubber Soul")→ The Monkees ("More of The Monkees"): Também fotografada por Robert Freeman, houve quem dissesse que aí começavam as pistas de que Paul McCartney "morreu", pelo fato da foto ter sida tirada de baixo pra cima e de um ângulo parecendo que estariam olhando pr'um túmulo. O segundo álbum do também quarteto anglo-americano The Monkees, lançado no ano de 1966 (um ano depois de "Rubber Soul"), na verdade seria usado como foto publicitária para um catálogo de roupas que eles foram (forçados) a fazer comercial...


5) The Beatles ("Sgt. Pepper's...") → Frank Zappa ("We're in it for the Money"): Desnecessário mencionar sobre o álbum que fica em primeiro lugar em quase todas as revistas especializadas ou não, mas a capa parodiada pelo greco-americano Frank Zappa por pouco não foi parar no tribunal. E olha que depois dele ainda tivemos as versões de Big Daddy, dos Simpsons (sim, o desenho animado, com o "The Yellow Album").


6) The Beatles ("Abbey Road")→ Paul McCartney ("Paul is Live!")→ Southern All Stars ("Killer Street"): A famosa rua onde fica o estúdio mais famoso em Londres, hoje atravessada obrigatória pra muito fã dos Beatles que passa por lá. A capa, controversa e cheia de mensagens subliminares sobre a famosa, comentada, já citada ad nauseaum "morte do Paul McCartney", teve tantas versões, que até o próprio Paul resolveu tirar a limpo no álbum ao vivo "Paul is Live" ( da turnê que fez em 1993). Tem a infame versão do grupo californiano Red Hot Chili Peppers (por motivos de ser um sítio família, eu não posto aqui, se quiserem, podem procurar no seo gugol que lá encontram) e até do quinteto japonês Southern All Stars, mas não foi em Abbey Road, mas sim, em Aoyama Doori, centro de Tóquio, onde fica a gravadora Victor.





7) The Beatles ("Let It Be")→ Caetano Veloso ("Qualquer Coisa"): Outra que também rende muita paródia e homenagem, mas a mais conhecida é a do Caetano Veloso, quando ainda estava no auto-exílio em Londres, junto com Gilberto Gil, no início dos anos 70 (melhor dizendo: quando Caetano era bem inspirado e Gilberto Gil não pensava em carreira política).


8) Beach Boys ("The Pet Sounds")→ SMAP ("La Festa"): O álbum que inspirou os Beatles a criar o citado "Sgt. Pepper's...", que não sai da vitrola do Paul McCartney, e foi um divisor de águas para o quinteto californiano Beach Boys, que saíram do combo "sol, praia e mulheres" e passaram a serem mais confessionais e maduros. Foi antes do líder Brian Wilson surtar de vez e passar um bom tempo longe dos palcos. Já o minialbum do quinteto SMAP, traz cinco músicas-solo, que gravaram entre "Viva Amigos" e "Birdman". A capa, bem, copiaram na cara de pau mesmo o design e até a contracapa de "The Pet Sounds" (sorry people, não encontrei no seo gugol).


9) The Verve ("Urban Hymns") → SMAP ("La Festa")→ ARASHI ("Izatsu, now"): O grupo formado por Richard Ashcroft, sempre vai ser conhecido pela balada "Bittersweet Symphony" (e o PV em que Ashcroft só anda, anda, tromba, anda, anda e não está nem aí). A capa de "Urban Hymns" inspirou o citado quinteto SMAP (que copiou o design de "The Pet Sounds") e por fim, o outro quinteto Arashi acabou usando a idéia dos dois citados álbuns para o single "Izatsu NOW!"...


10) It's A Beautiful Day (id)+ Rolling Stones ("Their Satanic Majesties Request ")+ Rolling Stones ("Get Yer Ya-Ya's Out")+ Led Zeppelin (I) + Bob Dylan ("Nashville Skyline")+ The Beatles ("Abbey Road") → Southern All Stars ("Young Love"): Querem mesmo ver o "samba do criolo doido"? O - na época - sexteto Southern All Stars resolveu inovar na capa do álbum "Young Love", de 1996 e, não contentes, colocaram SEIS álbuns dos anos 60-70 para ilustrar o álbum...


Yuko Hara (tecladista e mulher de Kuwata), parodia a capa de "It's A Beautiful Day", banda americana hippie dos anos 60 do mesmo nome. O percussionista Hideyuki "Kegani" Nozawa é o que está sentado na mesa com o mesmo chapéu de mago usado por Mick Jagger (Rolling Stones) no álbum "Their Satanic Majesties Request" (1967), tendo ao lado o baixista Kazuyuki Sekiguchi (que poderia lembrar também "Sgt. Pepper's").


O ex-guitarrista Takeshi Omori imita o famoso cruzamento de faixa em "Abbey Road" dos Beatles, mas de branco como John Lennon e carregando um bolo. O baterista Hiroshi Matsuda parodia quase a capa dos Rolling Stones "Get Yer Ya-Ya's Out", com direito ao jumento carregando a bateria e a guitarra e saltando quase como Charlie Watts (coincidentemente, também baterista).

A explosão do zepelin lembra o primeiro álbum do grupo Led Zeppelin, mas Bob Dylan foi devidamente homenageado (ou parodiado) pelo líder Keisuke Kuwata. Só falta dizerem que o violão é igual de ambas as capas...


E tanta salada deu nisso aí, olha só! (Na verdade, teria que ser a capa em vinil, tamanho original para maior definição).


Ah, não se preocupem que logo vem mais. Se os amigos e amigas leitores lembrarem de mais algum álbum cuja capa "parece que já vi antes", avisem-me nos comentários que eu procuro e se eu encontrar, vai ter os devidos créditos eheh.



Fotos dos álbuns: pesquisados exaustivamente pelo seo gúgol.