Friday, April 30, 2010

Férias?!


Desde que estou aqui no arquipélago, um mês de férias eu tirei quando fui na formatura do meu irmão mais novo, ver minha família, conhecer a família do namorido e regularizar papelada. Antes e depois disso, no máximo que tirei foi uma semana e olhe lá. Isso quando consigo, pois recentemente, com as mudanças no trabalho, nem minhas férias abonadas não consegui tirar.

Quando muita gente pergunta pra mim "onde vai passar o Golden Week" ou "Natsu Yasumi" ou final de ano e eu respondo "trabalhando", o pessoal arregala os olhos e olham pra mim como se tivessem visto um E.T. de cinco cabeças e trezentas pernas. Ou seja: pensam que sou workaholic ou viciada em trabalho. Tudo bem, preciso trabalhar para pagar o aluguel do apertamento, as contas do mês e juntar pra mudança de cafofo novo em breve. Mas não sou viciada em trabalho. Pelo menos atualmente.

Uns bons pares de anos atrás, eu realmente era bem workaholic: levava jornada dupla e arrematava meus finais de semana dando aulas de informática e escrevendo matérias para o jornal da cidade. Uma pena que o último não era remunerado (mas recebia o jornal de graça). Isso significava que, para sair com o pessoal do trabalho ou tinha que ser em férias escolares ou quando tirava férias de tudo mesmo.
Hoje, bem, trabalho em um lugar só, mas bem que eu queria ter como hobby aprender a arte de cafeterias ou de desenho gráfico. Como o fator horário-local-tempo ficam meio inviáveis, o jeito é aguardar mais um pouco e usar namorido kinguio como cobaia pra experiências culinárias, mas como desde março a gente se vê uma vez por semana e olhe lá, terei que arriscar com o pessoal do meu trabalho.
Voltando assunto férias: o problema é que, se eu tiro dois a três dias de folga, falam "que folga, hein!", mas quando levo uma semana de dez dias sem folga, falam que eu vou estar pirando. Vai entender. Bem, desde que o mundo é mundo, ninguém fica satisfeito.
Mas podem deixar: quando conseguir o apertamento conforme consta nos nossos planos, querendo ou não, terei que pedir pelo menos uma semana longe de tudo, só arrumando o cafofo.
Isso se o escritório me aceitar de volta depois de uma semana...

Wednesday, April 28, 2010

Quando Falta Assunto...

Armou barraco, agora aguenta: Mal a semana começou e a (encrenqueira e encrencada) a sei-lá-atriz-e-cantora Erika Sawajiri virou notícia no jornal de novo: divórcio, depois de um casamento de um ano e pouco. Pra quem não lembra, muitos anos atrás era a doente terminal em "1 littoru no Namida" (1リットルの涙) e cantora que sofria de xerodermia (não podia se expor a luz solar) em "Taiyou no Uta". Até aí, parecia ser uma boa atriz com futuro. Se não fosse a cara feia que fez durante a coletiva do filme "Closed Note", talvez a agência não a tivesse demitido, teria feito mais novelas, comerciais (depois do barraco, fez uma aparição na campanha da linha Coffret D'or, da Kanebo) e não estaria como hoje: fez uma cerimônia de casamento cheio de pompa (no Meiji Jingu), abriu sua própria agência com um monte de restrições, acusada de envolvimento de substâncias nada lícitas, foi riscada da lista para fazer o filme "Space Battleship Yamato" (se bem que ainda bem, do jeito que ela é, até o Kimura iria era perder a paciência), ganhou a antipatia da mídia e depois fica falando que "a imprensa tinha mais o que fazer do que meter-se com a minha vida". Mas se foi ela quem causou, né... Será que o ex-marido foi quem pediu as contas porque era ele que não aguentava o gênio dela?

Nada se cria, tudo se plagia: Desde semana passada, a Shangai Expo, a ser realizada na China, em Shangai mesmo, ganhou mais destaque na mídia. Principalmente aqui. Tudo por causa da música-tema que foi um plágio da música (bem velha por sinal) da cantora Mayo Okamoto, que está meio sumida do meio artístico, mas que estará lançando uma coletânea dos melhores sucessos, só que a música que causou celeuma - entre os chineses mesmo - não fazia parte da coletânea e resolveram colocar nas pressas. A música? "Sonomama no kimi..." que acabou indo nas paradas de sucesso sem gastar quase nada com divulgação. Quem disse que propaganda boca-a-boca não funciona? E depois a Expo Shangai foi feita para divulgar o que teria de moderno e criativo...

Sigam a Ayu: Essa alguns amigos meus que gostam da Ayumi Hamasaki, vão gostar: seguir a cantora no Twitter. Se ela (ou a Avex) não retiraram ou cancelaram, sigam-na e twittem pelo @ayu_19980408. Isso porque ninguém sabia que era ela até o Max Matsuura, presidente da Avex ter divulgado em seu próprio twitter. Pra quem não sabe, a account da Ayumi, é a data em que ela debutou na carreira musical profissionalmente. Que estão esperando?

Novela interrompida? Não sei se eu entendi direito (êêêêê falta de treinar mais o japonês), mas uma novela coreana que está (estava?) sendo exibida pela rede TBS toda quarta as nove da noite, estaria para ser interrompida no meio por causa de pendenga da agência coreana e problemas de direitos autorais da transmissão da novela (o ator principal, o Lee Byung Hun, é um dos preferidos das senhoras). Eu só queria saber se hoje vai passar o segundo capítulo ou não para tirar a prova da notícia, mas devido ao meu horário de trabalho, sem condições. Se for isso mesmo, a TBS vai ter que apostar em novela de verão muito boa ou esperar até o outono para a novela (ou minissérie, não lembro) "Japanese Americans".

Se o nome já diz... Dia 29 de maio, sairá o último filme da saga de "Zatouchi", o samurai cego. Como o nome diz "Zatouchi, the Last", o público ainda perguntou pro elenco todo se vai ter continuação! Na coletiva ontem, Shingo Katori, que faz o protagonista, junto com Takashi Sorimachi e Hideo Harada, já avisou: "Não vai ter continuação, portanto confiram no cinema!". Então, tá....

Desculpem este post meio corrido, mas foi o que lembrei no momento enquanto estou assistindo ao noticiário e terminando de tomar café. Aliás, leite com café...

Monday, April 26, 2010

Quem Canta, Seus Males Espanta (Inclusive quem estiver junto)

Traduzindo: Conseguir 100 pontos em 24 horas dentro de um karaokê!!

Gosto de ir em karaokês, mas como ultimamente quem eu conheço e gosta não vai comigo porque o fator tempo e folga não coincidem ou porque resolveu levar uma nova vida (pois é, uma parte de meus amigos da mesma faixa etária que eu, ou casaram e tiveram filhos, ou juntaram mas não tiveram filhos mas estão morando longe ou estão solteiros mas fazem outras coisas) ou porque foram morar longe mesmo. Dá pra contar nos dedos quantas vezes eu fui com amigos e primos.

Acho que meio que entendi porque a primeira vez a gente vai e depois sabe lá quando vamos de novo.

Eu sei que karaokês têm dois tipos de público: o que adoram, tentam ir esporadicamente e quem sabe tentar ser um novo astro no pedaço. E os que odeiam, a ponto de colocar o criador e a criatura num espeto e assar em rolete. Eu sei que existe aquele ditado: quem canta os males espanta, mas dependendo de quem for e onde for, espanta até quem estiver junto. Principalmente aqueles sem-noções que, achando que pode ser um novo cantor no pedaço, pode soltar o gogó em festas de casamento, de aniversário, de despedidas de solteiro, de confraternização de firma (só não falo em velórios, pois o infeliz que resolver cantar "Ave Maria" a capella pode correr o risco de acabar realizando o próprio velório na salinha ao lado).

Na postagem que falei do desafio do Takuya Kimura e os três dias e quatro noites comendo tomate em cima de tomate com tomate e mais tomate ainda (isso está virando piada entre a gente no mundo dos blogs....), mencionei do desafio do Goro Inagaki ter que ficar 24 horas trancado numa salinha de karaokê para ver se consegue 100 pontos em uma música. O que seria tarefa difícil, digamos. (Coitada da produção do programa que teve que ficar 24 horas junto pra fazer o VTR)

No aquecimento. Tentando ver se com "Ai wa Katsu" (Kan) consegue desempenho melhor. Detalhe da pose de Inagaki feito açucareiro (depois de pedir pra ajustar o telão) e o Shingo Katori (o quinto, da esquerda pra direita no alto da tela) tirando sarro...

Digo difícil pois conseguir 100 pontos em uma música, ou o indivíduo é bom mesmo ou a máquina que pontua estaria com defeito. Sim, os karaokês possuem um aparelhinho para medir seu desempenho, que ficaria entre "Oh, meu Deus!", "Se esforça mais" e "Incrível!!" (a última vez que fui, não tinha isso. Tá, faz tempo sim). Quem conhece o quinteto, Goro ainda é o que "maiomeno" canta bem, porque se o líder Masahiro Nakai escolhesse esse desafio, estaria até hoje trancado na sala do karaokê.

Inagaki inconformado com a máquina que pontua: "Se eu não conseguir 100 pontos, esta máquina não está estranha, não???"

Tudo bem que na primeira ninguém consegue 100 pontos, mas ficar entre 60 a 70 pontos, pode desanimar até os mais fortes. Quando falo até os mais fortes, porque, pra "dar uma colher de chá", a produção chamou reforços: as veteranas do enka Sayuri Ishikawa e Harumi Miyako, pra ver se ao menos a prova acabasse logo... ops, pra ver se conseguia ajudar Inagaki a conseguir 100 pontos.

Colher de chá 1 - Sayuri Ishikawa com "Amagi Koe", um dos maiores sucessos dela. Se o queixo do Kimura (extrema esquerda) quase caiu, no vídeo quando ela canta o refrão...

Colher de chá 2 - Harumi Miyako (a pinta debaixo do olho esquerdo dela não nega) chega quase no final do primeiro tempo pra dar outra ajuda...

Mesmo com Ishikawa interpretando "Amagikoe" (天城越え) e Miyako com "Kita no Yado kara" (北の宿から), a máquina deu 74 pontos para a primeira e 61 para a segunda. Vai saber se realmente a produção, antes do Inagaki entrar na salinha, sabotou a máquina pra nunca dar 100 pontos, ou a máquina estava de safanagem mesmo até para as cantoras.

Inagaki não é brasileiro (é doido de pedra mesmo), mas não desistiu: continuou em frente, mesmo repetindo algumas músicas (do tipo: pra ver se na segunda, na terceira, na quarta consegue algo), cantando música do tempo que nem ele pensaria vir ao mundo (as bem antigas "Donguri korokoro" e "Zousan"), até do animê preferido dele (a música-tema do animê "Gundan"), mas mesmo assim, até por volta das três da matina, a maior pontuação que obteve foi 89 pontos com "Yoake no Bless" (夜明けのブレス) do septeto Checkers (uma das músicas favoritas dele).

Resolveu arriscar com o sucesso de Naotaro Moriyama - "Sakura" (lembram?). Quando conseguiu 90 pontos, já se animou, o que significa que...

Exatamente: Inagaki interpretou a música de Moriyama por vinte e seis vezes seguidas, com direito a pausas pra cochilar, comer e cochilar de novo, pra desespero da produção, da máquina e rendendo muitas piadas posteriores dos seus colegas quando o VTR foi exibido no programa (por isso que no canto esquerdo aparecem os cinco olhando pro vídeo - na verdade, ninguém sabia do resultado de ninguém, talvez as dos tomates só Nakai talvez não sabia, e das 50 ladeiras só o Kimura sabia), pra ver se conseguia 100 pontos.

Nota: as piadas foram cortesia do Kimura, pois toda hora tirava uma da cara do Inagaki durante o programa enquanto passava o VTR. Será que estaria dando o troco por causa do episódio dos tomates, porque eles tiraram uma dele nos ensaios do Kouhaku?

Lá pras oito e tanto da matina, depois de muita pizza e ronco (não exatamente nesta ordem), não sei se a máquina já estava batendo pino, se resolveram dar uma colher tamanho litro ou se foi bom mesmo, mas na 26a. interpretação de "Sakura", conseguiu... 100 pontos!!!
Oito e vinte da manhã, faltando três horas e quarenta minutos pra terminar o desafio e a surpresa conforme assinalado... (Só faltou o queixo do Kimura ter despencado de vez!)

Apesar do esforço e quase sem dormir (vai saber se não deu uma boa dormida) mas se empanturrado de pizza, conseguir 100 pontos de novo seria difícil. Depois disso, conseguiu 84 pontos no final com "Asahi wo Mi ni Ikouyo". O que leva a acreditar que, se o grupo resolver fazer carreira solo, pode tirar o cavalinho da chuva... (Puxa, nem com "Sakurazaka" conseguiu?!)

Simples: conhece aquele ditado? A união faz a força? Portanto, se resolver se aposentar, melhor investir em uma vinícola ou ser sommelier mesmo...

As 132 músicas cantadas por Inagaki por 24 horas trancado na salinha (contando os repetecos, pra ver se na segunda ou terceira ou pela vigésima vez conseguia), com os verdadeiros intérpretes, exceto o que já repetiu pela segunda vez ou mais. Consegui em partes dando pause no vídeo e o que não consegui foi via seo gugol. Os vídeos, se não retirarem ou bloquearem, são os intérpretes originais, mas como este post ficou longo pra danar e eu sei que muita gente leu pela metade, então ficará pro post logo logo a seguir.

Se ninguém resolver tirar os vídeos, eis a tortura... ops, o desafio de ficar 24 horas trancado na salinha de karaokê pra ver se consegue 100 pontos. O legal foi eles terem colocado como fundo musical, as músicas dos Rolling Stones ("Harlem Shuffle", "Jumpin' Jack Flash" e "She's a Rainbow"):

Parte 1 - O final da saga dos tomates, com Takuya Kimura distribuindo tomates para os colegas e para a apresentadora Yuko Oshita. O início do desafio de Goro Inagaki.

Parte 2 - Ajuda das cantoras Sayuri Ishikawa e Harumi Miyako pra ver se conseguiam 100 pontos e darem como a prova completa. A surpresa das duas e dos outros quatro quando viram o VTR (Goro não conta, pois ele quem foi a cobaia, ops, a vítima). Quando conseguiu atingir 90 pontos e a surpresa inesperada...

Parte 3 - Bem que tentou, mas chega-se a conclusão: tentar carreira solo nem pensar. A lista das 132 músicas cantadas.

Fotos que ilustram o post de hoje, retiradas do iuchubi e uso de Paint for Windows mesmo, pois não tenho Photoshop.

Saturday, April 24, 2010

Passeios Aleatórios ou a Vantagem de um Aparelho Celular com Câmera Fotográfica (2)

Center-kai, sentido Dogenzaka para estação de Shibuya, Tóquio, dia 13 de março.

Pra quem gostou das fotos (muito mal focadas por sinal) tiradas via meu pobre mas funcional aparelho celular no mês passado, agora segura que vem mais.

Também nem posso exigir muito do meu aparelho celular (um HTC da DoCoMo metido a iPhone), afinal, a função do meu atual recebe e envia e-mails via GMail, acessa o seo gugol, posso fuçar... ops, ler os blogs dos meus amados amigos, ouvir música, assistir aos vídeos do iuchubi e telefonar (é a última coisa que meu celular faz: eu sou ruim pra ficar telefonando, no máximo é ligar pra alguém e dizer: "oi, fulano(a), tá sem fazer nada tal dia? Vamos nos encontrar no lugar x pra tomar um café e bater papo?" Agora entendo porque quase ninguém telefona pra mim ahahah).

Meu aparelho possui câmera fotográfica bem simples, no máximo é deixar no modo pra indicar onde você tirou fotos (sabe aquela pessoa lesada que tira a foto do lugar mas esquece onde era?), porque, se contar a parte técnica, até máquina descartável possui mais funções que a do meu celular. Já começa que meu aparelho tem 3.2 megapixels, o que significa que a definição não fica aqueeeeeeeeeeeelas coisas... e se for tirar foto em close, só se eu esticar o braço, provas maiores foram as fotos do Zoológico de Edogawa...

Conheço pessoas que querem modelo de aparelho celular x porque tem infinitas funções. Só falta dar o resultado da Mega-Sena, o segredo da juventude eterna e responder a pergunta "Tostines vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por isso vende mais?"

Bem, pode ser que a câmera do meu não seja lá aquelas coisas, mas pelo que percebi, as fotos noturnas até que saem melhor do que eu imaginava...

O famoso telão de Shibuya, onde fica o cinema, o Tsutaya, e o Starbucks Cafe, um dos mais frequentados em Tóquio, na saída do Hachiko, onde tem aquele cruzamento maluco, o "Scramble Kousaten" (スクランブル交差点). Detalhe: a autora lesada aqui costuma passar semanalmente pra comprar as revistas no Tsutaya pra acumular pontos...


O paraíso das patricinhas nipônicas - o famoso Shibuya 109 (ou "Tokyu", ou tem gente que fala "ichi-maru-kyu"), onde tem as lojas de marcas mais badaladas entre elas. Dizem que, trabalhar nesta loja de departamentos, seria o equivalente em Sampa, trabalhar na Daslu nos tempos aureos... Na torre, sempre tem um enorme cartaz de propaganda de tal produto ou divulgação de algum álbum. No dia que eu tirei esta foto, eram dos caramelos mastigáveis "Hai-chu".


Uma das maiores lojas da SoftBank em Tóquio. O maior fica na saída de Harajuku. Este fica em Dogenzaka, Shibuya. Eram seis e meia da tarde, olha o movimento de pessoas na rua.


Dogenzaka, sentido estação - rota 246. Desculpem a foto desfocada...


Uma das formas das gravadoras divulgarem os álbuns dos artistas, é o uso de caminhões-baú com o poster e anúncio. Este era o de Mai Kuraki, que no dia que tirei a foto, já estava a venda. Mas já vi de muitos artistas, inclusive também divulgação de filmes, produtos...

Apresentação em frente a um pachinko para atrair frequentadores. Ou pra dizer que tem promoção. Na verdade gostei mais da forma que se apresentaram do que a propaganda em si.

Mural dentro da estação de Roppongi, na saída da linha Toei-Oedo. Só que agora não lembro se era incentivo cultural da Panasonic ou Toshiba...

A continuação do mural. Desculpem, tive que dividir em dois porque se eu quisesse fotografar inteiro, a foto ia ficar nada nítida.
Fotos tiradas pela própria autora lesada via celular HTC da DoCoMo e não estou ganhando nada para dizer do produto!

Thursday, April 22, 2010

Mais curtinhas (longas) ou pra encheção de Linguiça

Vontade de pôr trema em linguiça, preguiça, cinquenta, pinguim...

Final de semana que passou, a cantora-perfomática-e-que-seja-o-que-definir norte-americana Lady GaGa fez dois shows no Yokohama Arena (sim, o mesmo lugar que o ídalo-mor da autora aqui fez em 2007). Metade de meus conhecidos foram, com ingressos disputado no tapa, horas de insônia pra tentar via internet. No dia seguinte disseram para mim que o show foi muito bom, muito lotado. Eu acho que esqueci de falar pra eles darem uma lida antes nos meus dois artigos do ano passado: "Lições de quem vai a um concerto qualquer" (quando fui pela terceira vez no show do Masaharu Fukuyama) e "The Dark of The Matineé" (quando fui no show do quarteto escocês Franz Ferdinand).

Bem, pensando melhor, foi bom eles nem terem dado uma espiada (pois se nem a autora aqui aprendeu, né....)

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Depois que namorido kinguio volta pra casa duas vezes por mês (ou dependendo da leitoa rosada aqui que vai pra lá), decidi tentar perder alguns quilos extras que ganhei. Decisão tomada depois que duas calças sociais que antes entravam meio que puxando, acabaram nem passando nas coxas, se bem que me entenderam. Comecei a caminhar. De casa pra estação. Lembra que falei que, dependendo da disposição levo cerca de 50 minutos andando? Como o tempo não está tããããão quente como pensei, pelo menos não passo calor. Mas isso não quer dizer que dentro da minha bolsa não tenha além de tudo, uma camisa, desodorante, lencinhos úmidos e meus sapatos pra trabalho, o qual troco quando chego na estação. Ou pensaram que ando de salto alto 50 minutos direto???

Comparação besta, mas pelo menos quatro dias tirei a prova: de casa até a estação de trem, ouvindo música sem ter que mudar, dá o álbum inteirinho de "Drink! Smap!" do começo ao fim ou o "Best of" da Cyndi Lauper, ambos no meu iPod. Se um dia acontecer de ouvir tudo e voltar para a primeira música, sinal que algo está errado... Mas, se um belo dia, me pegarem cantarolando de cor e salteado a dita "Sekai ni Hitotsu dake no Hana" e dançando "Girls Just Wanna Have Fun" na plataforma da estação, o menos avisado vai me internar.

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Uma das coisas que me deixa indignada , é o fato de alguns conterrâneos nossos que aqui residiram não terem consciência das consequências dos atos que causaram. Como se não bastassem abandono de objetos, de carros, de animais de estimação, também de contas a pagar, como aluguel, telefone, prestações...

Como disseram meus colegas e participantes do mundo da blogsfera: quem faz tudo certinho, acaba pagando pela c****a dos outros ( desculpe, mas não encontro outra palavra adequada pra isso). No nosso caso (meu e do namorido kinguio), foram as dificuldades de encontrar o primeiro apertamento, de comprar um carro, e agora procurar um outro apertamento.

Muita gente não sabe, mas atualmente muitas empresas, especialmente de telefonia aqui, estão tentando correr atrás do prejuízo. Que até os próprios habitantes da ilha também fazem, claro, ninguém é 100% perfeito, mas eles sabem que existe uma "lista negra", e uma vez nesta lista, ficam impossibilitados de adquirir uma linha telefônica, de ter um cartão de crédito, de financiar um carro ou casa própria...

Algo que muitos estrangeiros não sabem disso. Inclusive algumas empresas daqui estão recorrendo até acordo com o famoso (e temido) Serviço de Proteção ao Crédito. Muita gente acha que não se pode fazer cobrança de uma dívida internacional, mas experimente ficar devendo numa operadora de cartão de crédito internacional como o Amex ou Visa e depois me contem. Mas como existem pessoas descrentes e se acham invulneráveis como o Super Homem, saibam que até os super heróis também ficam suscetíveis a um ponto fraco (um dia desses farei um post sobre isso).

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Pra ver como ando bem atualizada: já começou o circo da Fórmula Um, faltam alguns meses para a Copa na Africa do Sul, Brasília faz 50 anos (mas sem show do Rei Roberto e do Sir Macca, que cancelaram por motivos, bem, políticos), e aqui estamos na primavera, mas está parecendo inverno, afinal, sábado de manhã até dizem que nevou!

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Muito se falou do vulcão islandês que quase parou os voos de todo o mundo né? Até os aeroportos voltarem a rotina normal...

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Se estou assistindo doramas desta estação? Bem que eu queria acompanhar, mas fator trabalho-horário que chego em casa - dia que não coincide, vai me fazer torrentar tudo. Tenho duas que quero assistir: "Mother" e "Moon Lovers". Detalhe: a segunda novela só entrará no ar dia 10 de maio, depois do Golden Week...

E isso porque realmente hoje estava sem inspiração pra nada. Esses dias de tempo estranho e eu naquele estado que "nessas horas queria ter nascido homem", matam a inspiração de qualquer uma.

Tuesday, April 20, 2010

Edogawa Shizen Zoo - Tóquio

Primeiro, meus agradecimentos às pessoas, leitores deste amado sítio (pobre mas limpinho), que pacientemente aguardaram o meu retorno e me apoiam na via crucis da procura de um novo cafofinho pra rejuntar as escovas de dente e, bem, falar de família margarina aí é pedir muito, mas como a gente fala: somos brasileiros e não desistimos nunca... depende do que for...


Quem pensou que nestas duas semanas que fiquei em Tóquio, fiquei entre casa do namorido e trabalho, enganou-se. Nos dias que folguei (que se for contar foram cinco dias mas não seguidos), também tivemos nosso direito de ir bater perna na região pra conhecer melhor o local onde (talvez futuramente, quem sabe) iremos fixar nova residência até resolvermos nos aposentar (o que pra mim, faltam alguns parezinhos de anos, eu juro) e ir de vez pra terrinha.

O distrito de Edogawa, faz parte dos outros 22 que compõem o famosos "23区" da área metropolitana de Tóquio. Fica ao leste, quase dividindo com a província de Chiba. Os mais exagerados ou afoitos, dizem que "passou tal ponte já está na Tokyo Disney", mas ainda nem fui conferir se indo de bicicleta é mesmo verdade. Apesar do nome, que vem do antigo nome da capital (Edo), o bairro é bem residencial, com muitos prédios altos e novos. Quanto ao quesito parte comercial, ainda estou em vias de exploração.

Perto do prédio onde provisoriamente namorido está morando (falo assim porque em breve, sabem), tem um campo de yakyo (baseball), um parque para fazer piqueniques e um minizoo. Esperem! Cuméquié? Um mini zoológico em plena área metropolitana? Uai, se tem o Ueno, porque não?

Dentro do parque, tem um outro com um lago e algumas casas estilo japonês (postagem oportuna, pois não tirei tantas fotos assim no dia que fui ao zoo) e esse zoológico, chamado "Edogawa-ku Shizen Doubutsuen" (江戸川区自然動物園). Gratuito, aberto das dez da manhã até quatro da tarde. Não é um local grande, claro, mas tem-se variedades de animais de pequeno e médio porte. Bom para distrair, levar a prole, o companheiro (ou companheira, que seja), os pais. Enfim: programa família pra todas as idades.


Acreditem: mas até pinguins e um leão marinho têm no local. Só que fui tirar algumas fotos deles, mas parecem que eles estavam a fim de ficar mais na água e ficou difícil de tirar uma foto decente.

Principalmente do leão marinho, que mais queria ficar na água que mostrar a cara!

Como o local é pequeno, a variedade de animais não é grande, mas dá pra passear com a família.


Têm alguns macaquinhos, mas qual zoológico não tem?

O guaximim, mais conhecido aqui como "lasser panda". Bom, semelhança com o panda seriam as manchas nos olhos, porque do resto...


O dia da marmota já passou, mas temos essas simpáticas que estão curtindo um solzinho de primavera (nota: o dia que eu fui, estava um clima quentinho, porque depois fez um frio que pareceu que estávamos no inverno!!!).

Um tucano de bico duplo. Fiquei de voltar pra pegar o nome e uma foto decente.




Cangurus. E é a segunda vez que vejo em zoológicos (não lembro se Ueno tinha, mas o Zoorásia, em Yokohama, tem, óbvio). Dizem que uma patada de um deles pode até matar.

Enfim, um passeio divertido, alegre e melhor: sem precisar gastar nada!

Como chegar: de Tóquio: pegar o trem da linha Sobu sentido Chiba, descer em Bakurocho e pegar o metrô da linha Toei-Shinjuku sentido Moto-Yawata. Descer na estação de Funabori, sair do lado à sua esquerda da saída da catraca (só tem uma catraca...) e ir andando sentido Udagawa. Andando, bem, dependendo da pessoa, leva dez minutos (eu levo quinze). O parque inteiro se chama Gyosen Koen (行船公園).Maiores informações, a página oficial do Distrito de Edogawa.

Fotos: tiradas pela lesada aqui através do celular HTC, pois justo neste dia esqueci a máquina fotográfica em Yokohama, vê se pode...

PS: Desculpem a hora de estar postando, mas agora quando embalo, me segurem rs

Sunday, April 18, 2010

Em Busca do Cafofo Desejado

Boa noite, pessoal, amigos leitores deste pobre mas limpinho sítio. Demorei um pouquinho, mas agora retornei pro lar apertado lar que fica escondido nos confins de Yokohama, depois de duas semanas (não seguidas, claro, teve dias que voltei pra casa pra ver outras coisas) em Tóquio com o namorido kinguio. E o primeiro que pensar que daqui a alguns meses a contingência vai aumentar, enganaram-se.

Como mencionei, desde início de março namorido está trabalhando em Tóquio, na área metropolitana. Só que, de nosso apertamento de Yokohama até o Distrito de Edogawa (quase indo pra província de Chiba), fizemos a prova indo de ônibus-trem-metrô, levamos quase duas horas!! Eu sei que muita gente vai dizer que "mas você faz a mesma coisa". Sim, mas no meu caso eu não preciso pegar um metrô. E a firma onde trabalho, paga o transporte, algo que onde namorido trabalha, não. Fizemos as contas e resolvemos, por enquanto, ficarmos em cidades separadas até encontrarmos um cafofo novo e rejuntar as escovas de dente. Por enquanto, algumas peças de roupas minhas estão lá pra emergência (do tipo: perder o último trem pra Yokohama quando esquece do horário após ter tomado cinco half pints da Guinness).

Bem que me disseram: nunca foi fácil encontrar um apertamento. Ainda mais quem é estrangeiro como eu e namorido kinguio, por mais que 1) tenhamos cara de japoneses e 2) tenhamos nome de japoneses, as imobiliárias acabam por colocar tanto empecilho que o indivíduo acaba desistindo.

Muitas vezes saio das imobiliárias tão injuriada que às vezes penso por que acabam por ser assim. Afinal, tirando o fato de não votar em eleições por eu não ter cidadania japonesa, o resto praticamente faço o que um nativo aqui faz: paga impostos (o meu é descontado rigorosamente todo mês do meu salário), paga contas de telefone, aluguel, imposto do carro anual, revisão bianual, paga aposentadoria, seguro-saúde, faz compras como qualquer um. O que acho fim da picada é no caso de imobiliárias, que quando meu sotaque denuncia, já vem "ah, não sei se o dono do apartamento vai aceitar estrangeiros..."

Domingo passado, tirei o dia para dar uma olhada em algumas imobiliárias. Inclusive no famoso Urban Residence, onde tenho muitos amigos (estrangeiros) que moram nos apartamentos desta rede. Uma das imobiliárias que fui em Edogawa, eu tinha gostado do prédio, do local e do preço. E dava justamente para um casal sem filhos que possui um, aham, carro. Na verdade, estava apenas pesquisando, pois a intenção de mudança é pra depois de agosto (sem piadas infames, por favor), pois ter que pagar três a quatro meses adiantado de aluguel, teremos que fechar não somente a mão.

Voltando ao episódio: na tal imobiliária, vendo os apertamentos e preços, a atendente saiu para perguntar se queria alguma coisa. Como queria somente informações, perguntei quanto sairia o apartamento x no lugar y caso fosse mudar hoje. Sabe a resposta? Nem falou que ficaria tal valor, simplesmente disse: "ah, não sei se o dono do apartamento vai aceitar estrangeiros..." A sorte dela é que eu não estava de TPM e o dia estava lindo, simplesmente agradeci e fui para outra imobiliária, porque do contrário eu já teria lançado mão de que "aceitam-se até animais de estimação (atenção, leitores, nada contra ter cães, gatos e hamsters, hein!), mas eu pago meus impostos, minhas contas, seguro saúde como todo mundo... qual o problema?"

Claro que não gritando, mas num diálogo normal. Mas que saí decepcionada, isso foi.

Soube depois, por um amigo meu, que geralmente existem imobiliárias cujo dono do apartamento a ser alugado não aceitam estrangeiros. O porquê, bem, quem já sabe daqui, nem preciso dizer para não dar mais polêmica.

Voltando a saga do cafofo perdido: noutra imobiliária, a atendente foi atenciosa. Até demais a ponto de ficar mais de uma hora comigo batendo papo, desde mostrando as fotos dos apartamentos sugeridos até queria saber se eu gosto das novelas que o Kimura atua. E estou falando sério! Com direito a chazinho... Gostei do atendimento, da sinceridade da atendente, que ela ofereceu os apartamentos que os donos aceitam inquilinos estrangeiros, mas o que matou naquela hora foi o preço pra pagar caso fechasse o contrato. Se bem que eu estava preparada mas nunca imaginei que ia ser tão caro assim. Agradeci e disse a atendente que assim que estivesse com a certeza de mudar estaria retornando. E que assistiria a próxima novela do Kimura (se meu horário der).

Na Urban Residence, a atendente também foi atenciosa, achou incrível não parecer nada de brasileira, aquelas coisas. O triste foi saber que o apertamento que eu tinha gostado só iria estar disponível pra depois de setembro, pois estavam reformando. Do resto, ela não restringiu a nada, exceto fato de que a maioria dos apartamentos dessa rede não permitirem animais de estimação. Menos mal, pois como teríamos tempo de cuidar de um (se bem que tinha cuidado de um hamster por um ano pois meu amigo foi embora e não tinha com quem deixar, eu acabei ficando com a pestinha, ops, com ela. Mas como hamster tem vida curta, sabe né?).

Claro que dicas de amigos que já passaram por essa via crucis de procurar um cafofo pra si mesmo ou pra juntar escovas de dente com seu bem querido (independente de sua opção ) ou até pra room share (estilo república de estudantes: dois ou três amigos para dividir as contas, desde que eles tenham muito algo em comum, senão dá confusão) ajudam muito. Meus amigos contavam as dores de cabeça que tiveram em procurar um lugar novo pra morar. E olha que as histórias eram sempre parecidas pelo que eu estou passando agora:

1) A maioria das imobiliárias cujos proprietários dos apartamentos a serem alugados, já nem oferecem para estrangeiros. Por mais que você tenha uma boa renda;

2) Ter que pagar de dois a três meses de garantia e agradecimentos (shikikin e reikin) logo de cara, dói o bolso até de quem sabe que vai poder bancar. O shikikin ou garantia, ainda a gente meio que engole porque é devolvido (quase) integral ao sair do apartamento. O que mata é que o reikin ou agradecimento nunca retorna. Sem falar da taxa de imobiliária que vai metade do valor do aluguel.

3) Fiador ou garantidor: a maioria hoje, tem as empresas especializadas, os hosho gaisha. Algumas cobram anualmente, outras, uma taxa mensal. Até aí, menos mal, melhor se nem precisasse de uma coisa nem outra, pois encontrar um fiador para isso, nessas horas ninguém quer sê-lo. Pra dizer a verdade, nem eu.

4) Estacionamento. Do meu trabalho, atualmente sou a única que possui carro. Quem sabe muito bem, se onde me escondo em Yokohama, o valor do estacionamento costuma ser de dez a vinte mil ienes por mês, em Tóquio, dependendo do lugar e da sorte, encontra de quinze a quarenta mil ienes. Estou falando sério. Onde pretendemos morar, em Edogawa, por menos de quinze mil, o estacionamento é de terra batida, coberto por pedriscos e quando chove vira um lamaceiro só. Mas lá, a média seria de dezesseis a dezoito mil. Bom, Tóquio, área metropolitana, sabem...

5) Tamanho. No nosso caso, queremos um de pelo menos de 45 a 50 metros quadrados. Acham grande? Moramos em um que é de 40 metros quadrados e bem, do tipo, se vier muita gente em casa pra um jantar, metade vai ter que ficar na varanda. Mas alguns que eu vi, até daria para acomodar nossas coisas e chamar alguns amigos pra jantar. Mas sabem: o valor do aluguel às vezes varia conforme o tamanho...

6) Por favor, nem muito velho, nem muito novo: pra quem sofre de alergia como eu e namorido tem sinusite, casa com "cheiro de velho", fora de cogitação, por mais que usemos aqueles produtos para eliminar o cheiro. Nem muito novo também, porque o aluguel sai caro pra danar. Se for um apartamento reformado, ainda tudo bem. Como os da Urban Residence.

Existem outras histórias de procura de apertamentos, casas, um cantinho pra morar. Por enquanto, até agosto ou setembro, ficarei em Yokohama, com idas e vindas esporádicas para Edogawa. Mas se tudo der certo, esperamos montar nosso QG até retornarmos de vez pro Brasil, o que no nosso caso, parece que vai demorar um pouco mais.

Muito Obrigada, tudo atrasado ...

Amigos leitores que comentam no meu sítio, desculpem pelo atraso nas postagens anteriores, e nem pra dar um oizinho pra vocês nos sítios, mas estou fazendo aos poucos.

Retornei hoje pro lar apertado lar depois de duas semanas na correria. Mas aos poucos também este pobre mas limpinho sítio voltará as atividades normais. Ou quase, dependendo do estado físico da autora aqui.

Só passando aqui, porque daqui a pouco volta a saga da leitoa rosa e as toupeirices que sempre causa.

Pra esclarecer:

1 - Não, não fiquei confinada numa casa com decoração de tomates e tampouco numa dieta de tomates.

2 - Nossas tulipas só ficaram no vermelho e amarelo mesmo. Vou mandar uma carta pro local que cultiva essas batatas cuja embalagem constavam outras cores. Se eu encontrar a embalagem.

3 - Estou em processo de renovação de permanência aqui, por isso que ainda só estamos a procura de um cafofo novo, depois que sair, acerto tudo e mudo. Esperamos...

4 - Pessoal, coragem, muita calma nessas horas.

5 - E na casa provisória do namorido, sim, teve salada de tomate.

Friday, April 16, 2010

A Noiva Que Restava Um Mês de Vida - O Filme


Quem lembra do meu post do outubro do ano passado que falei sobre a campanha do câncer de mama (e uterino), lembra também do filme que em novembro do mesmo ano foi lançado em DVD - "Yomei Ikkagetsu no Hanayome" (余命1ヶ月の花嫁) - que foi baseado numa história da vida real de Chie Nagashima, uma jovem comum como as outras, mas que aos 24 anos descobre ter câncer e já em fase terminal.

O filme, dirigido por Ryuichi Hiroki, com as interpretações dos atores Eita (que faz o papel do namorado Taro) e Nana Eikura (Chie Nagashima), conta como o casal se conheceu, a convivência feliz do jovem casal nos arredores de Tóquio, a descoberta do tumor e a separação (pois a própria Chie não queria manter mais o relacionamento pois não saberia o quanto tempo restaria de vida mesmo sendo submetida a masectomia).

Mas quem disse que acabaria naquela hora? Taro, o namorado devotado e esforçado, acaba se reencontrando com Chie, em Yakushima (Kagoshima). Ela revela a masectomia achando que ele iria largá-la de vez, foi o contrário: ficaram cada vez mais unidos, mesmo durante a internação (Taro chega até a "morar" no quarto do hospital). Só que ele, o pai e a tia de Chie teriam que esconder dela a triste verdade: o tumor se alastrou a ponto de deixá-la com apenas um mês de vida.

Eis que eles deixam Chie aproveitar a vida enquanto pode: desde ir ao cemitério visitar a mãe falecida do mesmo mal até um nomikai com as amigas que mesmo enquanto internada, a visitavam. Como a família sabia que ela não iria aguentar mais tempo, Taro resolve casar-se com Chie, o que seria na verdade, o maior desejo dela - casar-se com vestido de noiva , troca de alianças e com fotos. (Tanto que, no início do filme, Chie fica em frente a uma vitrina de alianças enquanto esperava Taro vir buscá-la).

Resolveram correr contra o tempo: com a ajuda das amigas da noiva, Taro providenciou tudo - o vestido de noiva, as alianças, o local do casamento...

Quem for assistir ao filme, se for uma manteiga derretida como a autora aqui, que chora até quando uma formiga torce a patinha, prepara a caixa de lenços ao lado.

O nome em inglês pro filme - "April Bride" (Noiva de Abril, devido ao mês que Taro e Chie casaram-se) - acabou virando um projeto no Japão da campanha de prevenção ao câncer de mama - o que outrora muita pouca mulher sabia sobre o exame preventivo, hoje, faz-se exames periódicos. Muito embora as campanhas daqui sejam muito pouco divulgados (o que na verdade não deveria ser somente em outubro, mês oficial).

Teve um ano (estou tentando lembrar quando foi) que na saída da estação de Harajuku, do lado do Takeshita Doori, tinham oito outdoors de vários artistas (inclusive homens) falando sobre a prevenção do câncer feminino (de mama e uterino), do projeto "Pink Ribbon", que a empresa de vestuários Wacoal faz anualmente. Uma pena que colocaram os outdoors num lugar ingrato (só dava pra ver quem vinha do Takeshita Doori para a estação), mas a campanha era bem intencionada.

Yomei Ikkagetsu no Hanayome (2009). Direção de Ryuichi Hiroki. Com Eita e Nana Eikura.

Sunday, April 11, 2010

Da Série: Novas Pílulas de Papo Furado para uma Conversa num Mesa de Bar (ou quando acabaram os assuntos)

Quando falamos de homônimos (palavras e nomes iguais), aqui no Japão também seria a mesma coisa. Falando, pois escrevendo, saibam que os ideogramas (kanji) diferem conforme a região e seu significado.

Se não especificar quando se fala, provavelmente geraria confusão, como foi o caso recente do ex-jogador (e era atualmente auxiliar) do time de baseball daqui, do Yomiuri Giants, Takuya Kimura. No dia 2 de abril, em pleno jogo, desmaiou devido a um AVC (ou derrame cerebral) e cinco dias depois faleceu. Claro que eles têm que especificar que se trata do jogador e coach interino, pois se não especificar, 90% de chances de probabilidade de terem matado o ídalo Takuya Kimura, sendo que ele está vivinho da silva (mesmo depois de ter se empanturrado de tomates) e gravando novela em Taiwan. Também pudera: o nome (falando) é o mesmo, idade a mesma (37 anos), apelido o mesmo, só difere os ideogramas dos nomes (do ex-jogador escrevia-se 拓也 e o do ator-faz-comercial seria 拓哉), complicado não?


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Essa o meu amigo Leosan (que agora está na terrinha) vai ficar muito mais triste ainda: quando fiz a matéria do 60o. Kouhaku Utagassen, mencionei sobre o grupo sul coreano mais japonês Tohoshinki, que estava numa pendenga contra a produtora deles da Coréia do Sul (do tipo: explorando e não repassando o que devia), e consta a história que, se não tivessem boas vendas no Japão dos seus álbuns, o grupo acabaria. Bem, boas vendas tiveram, mas devido a esse problema com a produtora coreana, o grupo está em férias permanentes. Especula-se o término do grupo, mas tenho minhas dúvidas. Se bem que no Japão, suspenderam as atividades alegando "investimento em carreira solo".

Um deles, JeJung, estreará em uma novela criada via Twitter: "Sunaoni nare nakute" ("Difícil dizer Eu Te Amo"), que entrará no ar pela FujiTV dia 15 de abril (com também os atores Eita, Juri Ueno e Megumi Seki).


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Falando em especulações: entra a primavera e trocam-se os programas da TV daqui. Teve muito programa que faziam anos que estava no ar e encerraram (como Wasurebumi, Utaban e Enta no Ouji) mas teve outros que entraram no lugar. Um dos programas que encerraram e fazia um bom par de anos no ar era o "VVV6" que passava na FujiTV as sextas tarde da noite. O programa, apresentado pelo sexteto V6 (formado por Masayuki Sakamoto, Hiroshi Nagano, Yoshihiko Inohara, Junichi Okada, Go Morita e Ken Miyake), trazia sobre o roteiro gastronômico de um determinado prato (lamen, yakiniku, etc.) e os três melhores locais de onde se poderia comer o melhor prato. Só que o programa acabou no final de março deste ano, o que levou muita gente a imaginar que o grupo estaria acabando de vez mesmo. Uns dizem que é a diferença muito grande de idade entre eles (ah, vá! Nem tanto assim!), outros porque faz muito tempo que não lançam material novo (acabaram de lançar um novo álbum, "READY?"), outros porque se dedicam em outras atividades solo, principalmente Junichi Okada, Go Morita e Ken Miyake e também o líder Masayuki Sakamoto vai casar-se (se outras atividades solo e casamento fossem motivos pra acabar um grupo, o Smap e o TOKIO tinham acabado no meio dos anos 90, pois ambos os dois grupos tem projetos solo e Takuya Kimura e Tetsuya Yamaguchi já constituiram família com prole e tudo!).

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Até que ponto pena capital é válida? Em 1972, quando China e Japão retomaram as atividades diplomáticas e "meio que" esquecer o passado negro de ambas as partes ( digo assim porque existem fatos que vão ser difíceis de serem esquecidos), a guerra era mais no sentido econômico. Mas todo mundo sabe que a China ainda tem lá seus ressentimentos com o Japão, mas também quem acompanha noticiário e jornais sabe que na China a censura pega pesado pra tudo, tanto que o são Gugol não opera mais lá porque proibiram tanta coisa, que se for pesquisar no site não ia achar nada. Mais pesado ainda foi a execução de um senhor japonês na China por tentativa de tráfico de entorpecentes. O que aqui seria uns bons pares de anos recluso, na China, acima de um quilo, pode dar adeus. ( Cá pra nós, se fosse no Brasil, não ia sobrar um vivo pra contar a história!). O que poderá abalar as relações diplomáticas entre os dois países...

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Antes que me perguntem se fui assistir ao badalado, comentado (mas não levou o prêmio máximo da Academia) "Avatar", eu respondo: não fui e podem me chamar de afrescalhada, mas confesso: filme de ficção científica nem Guerra nas Estrelas e nem Jornada nas Estrelas assisti, pro desespero dos meus irmãos.

A lesada autora avisa: se eu demorar pra postar novamente, responder comentários, e tudo o mais (twitter não conta, esse eu demoro mesmo), não chorem e continuem com os fogos de artifício guardados pro matsuri de agosto ou na virada do ano, pois eu volto depois do dia 18. O motivo todo mundo já sabe, portanto, tentem assistir aos vídeos enquanto estão disponíveis (se assistirem ao do Kimura e tomates, se tiver relacionado o vídeo do karaokê, não custa nada assistir. Bem, pensando melhor, não...)

Friday, April 09, 2010

Delirios de uma Bebida de Sabor A Ser Descoberto ou Promovendo Produto Conhecido de Sabor Exótico

Das duas, uma: ou acredito mesmo que é uma boa propaganda do produto ou preciso diminuir o consumo de Fanta Uva aos domingos...

Infames a parte, na verdade, a banda Fanta foi criada para divulgar o produto, coincidentemente, usando as iniciais de seus nomes ( Marty Friedman; o vocalista e guitarrista do Kishidan, Shou Ayanocozey; a cantora Nana Tanihara; o guitarrista do The Alfee, Toshihiko Takamizawa e o ex-yokozuna Akebono). Bom, se está dando certo, eu não sei, mas que foi um bom comercial, isso eu não nego...

Wednesday, April 07, 2010

Não é a mesma coisa...


Se vocês, leitores (e leitoras) deste pobre mas limpinho sítio lembram de um post que falei de uma cerveja que não tem uma porcentagem de álcool e que a lesada aqui tomou e disse que parecia suco de capim quando acabou de ser cortado. Pois é, lesêra pouca é bobagem, pois novamente fui eu de novo tomar esse... essa... bebida!

A verdade é essa: como estou de terça a domingo sozinha no apertamento devido namorido kinguio estar trabalhando em outra cidade, muitas vezes bate aquela vontade de tomar uma Guinness. Só que tenho que me conter pois vai que namorido liga no meio da noite e é pra buscar ele na estação e por azar acabei de esvaziar uma lata? O primeiro que falar "manda ele subir de táxi" vai levar uns genkotsu no meio das idéias pra ver se toma tento, pois sabem quanto custa a corrida de táxi da estação pra casa?!

Eu sei que falarão que comodismo muito é bobagem, mas na verdade, até então namorido vinha me buscar quase toda santa noite na estação, quando eu volto do serviço. Claro que seria mais justo eu retribuir o favor, ainda mais que eu posso carteira de habilitação. Tenho que valer a pena ter ido mais de quatro vezes em Futamatagawa, perdido meus domingos pra fazer exame...
Voltando ao suco de capim, ops, Kirin Free. Quando dizem que a primeira impressão é a que fica, muita gente não me tirará a razão. Resolvi tirar a segunda prova pra ver se tira pra mim a má impressão que ficou. Afinal, se a gente não experimentar, nunca saberemos.
Pois é: a segunda prova foi a mesma coisa: fiquei por dois dias com um leve gosto de capim cortado na garganta mesmo tendo escovado os dentes e ter tomado café da manhã, almoçado e beliscado. Se eu repetir pela terceira vez, aí podem chamar de lesada mesmo, pois persistir no erro nem os mais fortes encaram...

Monday, April 05, 2010

Tudo o que é em Excesso...

Trocadilho meio infame de "Yamato" (novo filme de Kimura) com "Tomato"...

Tadaima! Eu voltei, I'm back! Como se comportaram na minha ausência? Eu visitei os sítios de vocês, mas não deixei comentário no dia mesmo pelo motivo - furado, eu sei - de que meu celular, apesar de ser tipo smarfphone que se assemelha ao (desejado por todos) iPhone e posso até ver vídeos do iuchubi, eu não tenho é paciência de ficar digitando. Pra isso prefiro até um notebook mesmo.

Bom, voltando pro lar apertado lar depois de uma semana com namorido kinguio, matando saudades e procurando um outro cafofo pra nós dois. Pois é, em breve teremos que rejuntar nossas escovas de dente em outro lugar, pois pagar dois apertamentos nem os mais fortes conseguem, mas não tivemos culpa se a empresa onde namorido trabalha pediu para ele mudar pra Tóquio... E pra sair de um apertamento para mudar pra outro, quem mora ou morou aqui sabe que vai uns bons cobres.

Vou demorar um pouco para pôr este sítio em ordem, mas tem que ter qualidade.

No post anterior, postei uma foto do (galã, onipresente em comerciais, líder de audiência de novelas) Takuya Kimura numa casa decorada com tomates. Deixa eu explicar que teve gente que perguntou se eu estaria indo numa casa deste estilo, já que mencionei que onde ficaria alguns dias nem internet teria.

Não. Não fiquei uma semana numa casa decorada com tomates e comendo tomates. Mesmo porque, apesar de eu gostar de tomates, ficar uma semana comendo pratos feitos de tomate com tomate, eu teria um treco.

Desde o ano passado, o programa semanal "SmaStation!!", comandado todo sábado pelo Shingo Katori e Yoko Oshita (apresentadora da Asahi TV), tem o especial "Gambarimasu!!", protagonizado pelo quinteto Smap. O programa especial, no ano passado, deram tarefas distintas para o quinteto efetuar - individualmente. A tarefa mais comentada, inclusive entre os geek brasileiros, foi a interpretação de Goro Inagaki como Kamen Rider G, um episódio especial que infelizmente nem em vídeo sairá (e olha que foi bem convincente, apesar do henshin que deram pra ele foi uma garrafinha de vinho acoplada no cinto e a arma ser um abridor de garrafas).

Este ano, devido a campanha do final do ano ("Chanto shinai to ne!"), novamente a emissora Asahi resolveu fazer o repeteco, mas com outras tarefas, claro (exceto o quadro em que percorrer 50 ladeiras do distrito de Minato, em Tóquio...). Este ano, parece que resolveram caprichar, do tipo "quando é com os outros, rir é o melhor remédio, mas vai você mesmo encarar": colocaram o Masahiro Nakai pra correr dentro de uma ilha deserta (antigamente, uma base de guerra) para não ser pego em 24 horas; fizeram o Goro Inagaki ficar 24 horas numa sala de karaokê até conseguir 100 pontos (a situação foi tão engraçada, que em breve um post a parte); puseram o Shingo Katori numa ilha vivendo no tempo bem antes da era Kamakura (exemplo: modo primitivo de se viver) e Tsuyoshi Kusanagi correr as 50 ladeiras do distrito de Minato (Kimura tentou fazer no ano passado, mas perdeu na corrida final).

Ah, sim. O desafio "sorteado" pro Takuya Kimura foi passar três dias e quatro noites da semana do Kouhaku Utagassen numa dieta a base de tomates. Que tomate faz bem pra saúde, anticancerígeno e além disso é uma fruta, todo mundo sabe. Que suco de tomate é bom pra cortar ressaca, também. Mas imagine comer tomate com tomate e com tomate o dia inteiro!!!
Não dêem sugestões para as empresas automobilísticas, senão ressurgem a Kombi anos 60 versão tomate.

Pois é: foi o que o coitado do Kimura teve que se submeter a essa dieta, comendo tomate, tomate cru, tomate assado, suco de tomate, tomate grelhado, tomate frito, gelatina de tomate, tomate a milanesa com molho de tomate... E neca de um arrozinho pra acompanhar.

Novo conceito para decoração de interiores. Resta saber quem seria o corajoso que iria querer morar aí...

Pra melhorar a situação, fizeram essa prova faltando três dias pro Kouhaku Utagassen. Imagine como ficou o estado dele: nos ensaios, passando mal (no primeiro dia, sentia calafrios, depois nem conseguia se manter em pé). Comendo tomate até na saída do NHK Hall, tanto que tinha uma vendinha de tomates, pra não ter o risco de Kimura comer outro alimento a não ser tomate.

E toda manhã exame de sangue pra não ver se teve algum efeito colateral.

Só pra tirar uma da cara do Kimura: enquanto ele na base de tomate com tomate, Shingo Katori beliscando um senbei na frente dele e Goro Inagaki só rindo da situação...

O que obviamente era de se esperar que, nos bastidores do Kouhaku Utagassen, os companheiros tirarem uma da cara dele (como Shingo Katori comendo um senbei na frente do Kimura e falar que está delicioso; Goro Inagaki avisando que tinha um convite pra jantar e Tsuyoshi Kusanagi oferecendo chirashi sushi ).

Pra garantir tomate até na saída do NHK Hall, nos ensaios do Kouhaku Utagassen: o chef já com uma banquinha de tomates. Inagaki (sim, ele usa óculos, sim), Katori e Kusanagi só vendo, porque comer que era bom...

Tomate no estômago dos outros é refresco: vamos dividir a desgraça alheia (no dia do Kouhahu Utagassen. Ah, sim. Por que Masahiro Nakai não apareceu neste episódio? Primeiro, ele também estava fazendo o desafio de 24 horas numa ilha abandonada e segundo, ele foi o supporter do time branco do Kouhaku Utagassen, por isso que enquanto seus colegas estavam nos bastidores, ele estava no palco).

Sim, durante o Kouhaku Utagassen do ano que passou, Kimura ficou a base de tomates. E ninguém sabia. Quando deu meia-noite, a dieta se encerra e o último exame de sangue, que foram cinco no total ( um antes da dieta, três durante e o após meia-noite), teve uma revelação surpreendente.
Sim, na legenda: Não Mudou NADA!!!


Mas um conselho, pessoal: não tentem fazer isso sem consultar primeiro o nutricionista.

Se não tirarem os vídeos, eis a saga do Space Battleship Tomato... ops, Yamato em três partes:

Parte 1: Atenção, tem um pouco da pergunta dos telespectadores.

Parte 2: Os efeitos colaterais.

Parte 3: O final surpreendente.

Sunday, April 04, 2010

Sim, eu fui no Kanamara Matsuri

Domingo, dia 4 de abril, frio e nublado, cerejeiras floridas e mesmo assim o pessoal vem..


Piggy Sakura adverte: leia sem preconceito, pois se tiver, pode parar de ler por aqui, e fazer outra coisa. Só não falo proibido pra menores de 18 anos porque no local o que tinha de criança...

Feliz Páscoa, pessoal! Atrasado, mas já expliquei o motivo. O lado ruim é que novamente terei que me ausentar por mais alguns dias, pois como eu disse, estamos procurando lentamente um cafofo novo para um casal composto de um kinguio e uma leitoa rosa. Portanto, se eu estiver ausente até nos comentários, não é que eu esqueci de vocês, mas eu volto com tudo, depois do dia 15, eu espero. Mas ainda em Yokohama.

Bom, porque logo no primeiro parágrafo já tasquei esse aviso: hoje, dia 4 de abril, domingo, fui a Kawasaki Daishi, em Kawasaki (Kanagawa). Uma estação da linha Keikyu que vai para um dos maiores templos de Kawasaki. Até aí, nada demais. Só que, o menos avisado, iria estranhar porque tanta gente, casais com e sem filhos, um monte de estrangeiros e uma boa parte de mulheres, resolveu ir para o mesmo lugar.

O pessoal querendo entrar e também querendo sair. Olha como fica o templo no dia de festival...

Aí vem a surpresa pros menos avisados: no templo de Kanayama (Kanayama Jinja), anualmente, todo primeiro domingo de abril, tem-se o famoso, concorrido e desprovido de preconceitos o Kanamara Matsuri.

Logo na entrada, os primeiros souvenires. Não respondam pra mim pra que servem ...

Pra quem mora há muito tempo no Japão, mora nas proximidades e já ouviu falar do evento, o Kanamara Matsuri, na era Edo, era tido como uma benção para fertilidade e saúde (e também as prostitutas iam pedir proteção contra doenças como herpes, sífilis e gonorréia). Há uma lenda de que uma jovem que nunca conseguia casar porque na noite de núpcias, havia um demônio dentro das partes íntimas que, na hora "H", castrava os pobres rapazes. Desesperada, a jovem pediu ajuda a um monge que ajudasse a tirar o demônio dela. Foi quando ele usou um falo de metal e quebrou os dentes do demônio na hora "H".

Kanamara ou falo de ferro: foi o salvador da donzela que queria casar e ter a primeira vez mas o demônio dentro dela castrava os pobres mancebos ávidos pra consumar o fato...

Outra história que corre era o fato de sabe lá quem foi nos anos 70 deixou um pênis de gesso na porta do templo. E cor de rosa. Dizem que era de um clube chamado Elisabeth, que ficava em Asakusa. Desde então, unindo o útil ao agradável, o pênis rosa faz parte do festival, devidamente carregado pelo pessoal da comunidade através do mikoshi.
Elisabeth, o famoso falo cor de rosa deixado na porta do templo nos anos 70 e hoje faz parte do ritual.

Hoje, o Kanamara Matsuri atrai muita gente. Desde crianças até idosos, para dar saúde e fertilidade e também arrecada fundos, com a venda de souvenires exóticos, roupas e produtos, cuja renda será revertida para pesquisa contra a AIDS e outras doenças. Há também os turistas que vão por curiosidade, tal como a escriba aqui, que depois de cinco anos que soube deste festival, conseguiu ir por motivo citado e também para ter saúde, pois ultimamente estou com um resfriado e uma tosse que às vezes me incomoda.

Esse é o mikoshi do Kanayama Jinja. Sim. Na entrada do torii um falo pequeno e atrás fica o maiorzinho...

Quando eu falo que é pra ir desprovido de preconceito, é porque ao chegar na estação de Kawasaki Daishi, logo já encontramos drag-queens, pessoas fantasiadas e tudo o mais. E tudo na maior tranquilidade, sem confusão, tudo num alegre e divertido evento. E dentro do Kanayama Jinja, apesar de MUITA gente querendo entrar e sair, já começam os visitantes experimentando pirulitos em forma fálica, comprando souvenires exóticos, tirando fotos dos monumentos, principalmente o da Elisabeth, vendo o senhor esculpindo nabos em formas fálicas, todo mundo tendo que passar a mão no falo de madeira, as meninas mais desinibidas subindo em cima de um (calma, não é isso que estão pensando!)...

Nabos (daikon) esculpidos em forma fálica. Tinha horário pra ver a performance do senhor sexagenário que faz isso com a maior naturalidade do mundo...

Antes que perguntem pra mim se eu passei a mão em cima do falo, eu respondo : sim ( e também acabaram tirando uma foto minha da minha câmera eu segurando um enorme de madeira a pedido de um senhor da banquinha onde estava tirando as fotos, mas não vou publicar aqui porque não sou fotogênica) e dane-se as piadas internas. Só não subi em um que o mais famoso e muita mulherada quer tirar fotos, porque o local estava muito concorrido...

Existe gente corajosa pra tudo. Dizem que subir em cima deste falo poderá trazer coisas muito boas. Em todos os sentidos. E é tão concorrido, que até pra eu conseguir tirar essa foto, tive que erguer muito bem o braço e seja lá que Kamisama quiser...

Como em todo matsuri sempre acontece algo inusitado, se não digno de ignorância, um diálogo curioso que ouvi entre um casal de jovens brasileiros que estava atrás de mim enquanto eu (tentava) tirar as fotos do local. O rapaz, vestido como aqueles "manos" da periferia, barba por fazer, boné virado e panca "sou macho sim e daí" e a mocinha com aquelas calças de cintura que, se abaixar enxerga o cofre inteiro:

Ele: - Isso é coisa de viado!
Ela: - Mas você não quer tirar uma foto junto ao templo?
Ele: - Tá louca? Não tou a fim de passar vergonha!
Ela: - Tem que aproveitar, pois ano que vem você nem vai estar mais aqui....
Ele: - Prefiro perder isso do que me chamarem de boiola a vida toda.

Tive que ouvir isso porque no local, era tanta gente que pra andar era um passo a cada dez minutos. Por pouco eu não virei pro "mocinho" e falei que "se acha que aqui é coisa de viado, boiola, que seja, então porque está aqui, num lugar sagrado, num evento que existe centenas de anos? A porta da saída fica logo ali...", pois não estava a fim de criar confusão, ainda mais que, quem me conhece acha que sou japonesa mesmo.

Ah, mas que deu vontade, isso deu.

Kanamara Matsuri (かなまら祭り): ocorre todo primeiro domingo de abril, no templo de Kanayama, na cidade de Kawasaki, Kanagawa. Para chegar lá, na estação de Keikyu Kawasaki (linha Keikyu), pegar o trem sentido Kojima Danchi. Descer na estação de Kawasaki Daishi (川崎大師) e logo na saída, fica o templo ao atravessar a rua. Mais fácil de achar, é só encontrar um monte de gente, drag-queens, simpatizantes, assumidos, estrangeiros e gente fantasiada se aglomerando no local...