Monday, February 14, 2011

Sessão Pipoca: "Boku to Tsuma no 1778 no Monogatari" (2010)


Home page oficial:http://www.bokutsuma.jp/index.html de onde, bem, peguei a foto...
"Minha esposa tem apenas um ano de vida... Que eu posso fazer?"


Sakutaro Makimura  (Saku) e Setsuko Kataoka (Se-chan) se conheceram no primeiro ano colegial durante as férias de verão. Dezesseis anos depois, casaram-se e viviam em plena harmonia. Sakutaro tornou-se escritor de contos de ficção científica, seu local de trabalho (um quartinho nos fundos da casa) era repleto de miniaturas e coleções de robôs, sua fonte de inspiração, tanto que a entrada da casa era decorada deles. Setsuko era bancária e admirava o trabalho e a criatividade do marido, dona de casa dedicada e amorosa. Apesar da editora onde Sakutaro enviava os manuscritos insistir que ele também escrevesse contos de amor como o colega de faculdade e também de editora Ren Takizawa, Makimura insistia era em continuar escrevendo histórias de ficção científica.
"Faça sua esposa contente. Se ela ficar contente, a doença poderá estacionar."
Um dia, Setsuko sente-se mal e a vizinha (e proprietária da casa onde o casal Makimura moravam) leva-a ao hospital, achando que estaria grávida. Ao saber que a esposa estava internada e sofrendo uma intervenção cirúrgica, Sakutaro vai ao hospital e tem uma conversa com o médico responsável por ela, Dr. Matsushita. Sakutaro descobre que Setsuko na verdade estava com câncer colorretal em estágio adiantado e teve que extrair boa parte do intestino e útero, porém estava se alastrando e a esposa teria apenas um ano de vida.


Mas o médico dá um conselho ao casal ao sair do hospital - se a esposa sempre ficar contente, a doença poderá estacionar (e ganhar mais alguns anos de sobrevida). Foi a partir daí que Sakutaro começou a escrever contos de três folhas por dia para que Setsuko lesse e se divertisse. Nos primeiros contos, não foi tão bem sucedido, mas foi criando histórias misturando ficção científica com fatos do cotidiano que ela começou a se divertir com os contos de três folhas por dia. 


Quando completou um ano e vendo que Setsuko estava melhor, ela, o editor Kentaro Niimi e o casal Ren e Mina Takizawa fizeram uma festa surpresa pelo fato de Sakutaro ter conseguido fazer a esposa continuar viva. Mas logo depois, a doença regrediu nela e foi necessário tentar junto com outro tipo de medicamento. Mesmo assim, Sakutaro continuou a escrever três folhas por dia para Setsuko ler. Mesmo recebendo via fax no hospital onde fazia o tratamento.
"... é tão bom poder sempre te acompanhar..."
Apesar da doença ter estacionado, o casal Makimura resolve ir para Hokkaido, onde Setsuko queria encontrar a árvore que tinha visto no quadro que eles tinham na casa - e descobriram que a árvore existia, numa planície verde e tempo bem claro. Que ela poderia esquecer que estava doente e que cedo ou tarde poderia ser a última vez que poderia estar contemplando essa beleza com Sakutaro.


Ao retornarem para Yokohama, algo muito inesperado acontece para os Makimura, o que poderá mudar a vida deles e as de que os acercam por alguns meses...


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No ano passado, quando soube do que era o filme, fiquei esperando pela estréia, no dia 15 de janeiro deste ano. Cheguei a ver o trailer quando fui assistir ao "Space Battleship Yamato", daí já tinha certeza mesmo de que, se eu fosse assistir ao "Boku to Tsuma no 1778 no Monogatari", poderia já levar pelo menos uma caixa de lenços de papel no cinema.

A tradução livre - "1778 Histórias Minhas e de Minha Esposa". Soube também que era uma história verdadeira e que saiu em livro mesmo. Era a história do escritor de ficção científica Taku Mayumura, que, quando soube que a esposa estava com câncer em estágio bem adiantado, escreveu 1778 contos de três folhas para ela ler e se divertir, pois o médico aconselhou-lhes que ela tivesse diversão e ficasse contente, pois teria talvez uma sobrevida maior do que um ano diagnosticado.

As histórias que Sakutaro escrevia para Setsuko eram mesmas do Mayumura - que foi um dos roteiristas do filme. Alguns contos dele foram transmitidos no filme, como o encontro com os robôs, a misteriosa mulher que dava trotes aleatórios dando conselhos, o polvo cor de rosa e a viagem espacial, por exemplo.

Sabendo que a história era baseada em fato real, foi o suficente para eu sair do cinema chorando. Se só de ver o trailer já me deu um nó na garganta...

O filme, dirigido por Mamoru Hoshi, encerraria a série iniciada em 2003 - a famosa série "Boku..." ("Eu", pronome pessoal dito por homens). Coincidentemente, as quatro histórias foram dirigidas por Hoshi e quatro atores participaram da série toda - Tsuyoshi Kusanagi, Ren Ohsugi, Kazuyoshi Asano e Fumiyo Kohinata. Para quem não sabe, os três episódios seriam:

1) "Boku no Ikiru Michi" ("A Vida que Escolhi"/2003): Um professor universitário de apenas 28 anos descobre que tem uma doença fatal e deram-lhe um ano de vida. Repensa na vida que ele não pôde aproveitar durante os 28 anos. O tema aborda sobre "Amor e Morte".

2)  "Boku to Kanojo to Kanojo no Ikiru Michi" ("A Vida que Nós Escolhemos"/2004): Um casal separa-se e a filha passa a viver com o pai. Que efeitos podem acontecer após a separação? O tema aborda sobre "Laços".

3) "Boku no Aruku Michi" ("O Caminho que Resolvi Seguir"/2006): Um rapaz de 31 anos com mente de 10 anos vivendo em seu próprio mundo. A chance de integração na sociedade e amizade com uma amiga de infância para quem escreve pequenas cartas. O tema aborda sobre "Pureza".

Outras curiosidades:


- Era o segundo filme em que Tsuyoshi Kusanagi e Yuko Takeuchi protagonizaram juntos. O primeiro, foi "Yomigaeri" (2003).

- O filme começou a ser rodado em novembro de 2009 (um ano depois de Takeuchi ter tido um divórcio traumático com Shido Nakamura; e sete meses depois do incidente com Kusanagi).

- Muitas das cenas se passam em Yokohama (o banco onde Setsuko trabalhava era o Yokohama Shinyo Kinzo; a editora ficava num prédio em Nihon-doori, perto do Yamashita Park; uma das cenas em que Sakutaro escreve um dos contos, é a famosa roda gigante, o Cosmo Clock, em Minato Mirai; a cena da mulher que passa trotes, um dos locais é o Akarenga Soko), mas teve locações no Tobu Dobutsuen (onde Sakutaro e Setsuko lembram do tempo de universidade, onde tem uma foto com a girafa), Tóquio (a cena da livraria, em que Sakutaro e Setsuko se fotografam é a livraria Junkudo, dentro da loja de departamentos Mitsukoshi, em Shinjuku) e Hokkaido (onde ficava a árvore que Setsuko queria encontrar).
Uma das cenas mais lindas - e triste também - do filme.
- Nos dois primeiros dias de estréia (15 e 16 de janeiro), em 315 salas exibidas em todo o Japão, teve bilheteria de 1 bilhão, cinquenta e nove milhões e seiscentos e noventa e cinco mil e duzentos ienes com um público de mais de 120 mil pessoas. Detalhe: em todas as salas exibidas. (Apesar que no mesmo dia foi exibido o filme "A Rede Social", teve arrecadação maior em 328 salas, mas foi para um público de mais de 110 mil pessoas).

- A imperatriz Michiko assistiu ao filme no dia 20 de janeiro, no cinema Toho de Yurakucho e elogiou as atuações de Kusanagi e Takeuchi - que fazia o casal principal da história e que estavam junto da imperatriz na sessão - e que ambos disseram que "foi uma grande honra ter a presença da imperatriz conosco".

Boku to Tsuma no 1778 no Monogatari (2010). Baseado nos contos reais de Taku Mayumura - "Boku to Tsuma no 1778 no Monogatari". Direção: Mamoru Hoshi. Co-roteiro: Taku Mayumura. Elenco: Tsuyoshi Kusanagi (Sakutaro Makimura), Yuko Takeuchi (Setsuko Makimura), Shosuke Tanimura (Ren Takizawa), Michiko Kichise (Mina Takizawa), Tai Kageyama (Kentaro Niimi), Fumiyo Kohinata (o coletor de taxas), Kazuyuki Asano (o dono da loja de brinquedos), Ren Ohsugi (Dr. Teruo Matsushita), Jun Fubuki (Asako Kataoka).
Em Hokkaido, uma das últimas fotos de Sakutaro e Setsuko juntos (foto tirada de forma bem peculiar)


Fotos: a que abre o artigo, foi direto do site oficial. O restante, do panfleto que a autora comprou (e como minha impressora foi desta pra melhor, acabei fotografando pelo celular, daí algumas fotos meio tortas, embaçadas...)


(Na verdade, pensei em postar o artigo para o dia dos Namorados no Japão, mas como muita gente costuma associar a data com filmes de amor com finais felizes também, achei deixar pra lá. Mas antes do lançamento do filme, no trailer, Tsuyoshi Kusanagi e Yuko Takeuchi fizeram uma campanha para incentivar casais a irem ao cinema, se não retirarem o vídeo, acho que ainda dá pra ver...)

2 comments:

  1. Kiyomi
    Acho que adoraria ver esse filme. Como aqui no Brasil é provável que não passe, vou aguardar a oportunidade surgir (baixando...).
    Não sei se li todas as suas postagens, mas pelo jeito o filme Norway não fez sucesso né? vai ser dificil ver na telona e eu adoro ve-los na telona... que fazer?

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  2. Oi, Nozomi. Acredite se quiser, não consegui assistir ao Norway no Mori por pura falta de tempo mesmo! Vou ter que esperar em vídeo. E o lado ruim é que pouca gente que conheço, assistiu, e quem assistiu não acharam "lá aqueeeeeelas coisas como falaram".

    Agora, o "Boku to Tsuma...", esse eu falo: você chora uma boa parte do filme, principalmente quase no final. Nao vou contar, senao vai ser um spoiler e não sou disso rs

    Esse estou esperando sair em video, pois eu tenho os tres doramas gravados!!!

    Beijao!

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