Wednesday, August 24, 2011

Saideiras (ou: Não Esquece a Cabeça porque está Grudada e outras Toupeirices)


Comece seu dia com uma Guinness... bem é o que dizia um certo cartaz que me passaram a foto uma vez....

Na minha postagem "Eu confesso, eu fiz (o Retorno)", acho que, o que chamou muito a atenção dos meus poucos mas fiéis leitores e comentaristas (e mais quem quiser visitar), é o fato de eu apreciar uma cerveja. Não vou mentir e já teve postagem (e fotos comprovando) o quanto uma cerveja é bem vinda. Tá bom, mojitos e coquetéis de mulher também entraram nessa mistureba. Mas deixando claro que não sou alcóolatra e não fico desesperada por uma lata de cerveja diária. Quando me dá vontade, passo no mercado, compro uma lata ou uma garrafa pequena e bebo em casa e acabou. Na verdade, posso ficar meses sem uma gota de álcool na boca, mas já tive época que toda sexta-feira era sagrada os nomikais de fim de expediente.

Acho que nunca comentei, mas antes de vir ao Japão, trabalhei três anos seguidos em uma cervejaria, mas não na parte de fabricação, mas como auxiliar de analista de sistemas, o que não me impediu de saber todo o processo de fabricação de cerveja - desde a compra de grãos até o produto final. O porém foram os primeiros meses que o cheiro do cozimento do malte e cevada era tão terrível que fiquei quase um ano sem beber nada de cerveja. No máximo vinho nos finais de semana com as amigas e olhe lá.

Com o tempo a gente acostuma com o cheiro, mas lembrando que não deixa ninguém embriagado. Senão ninguém conseguiria trabalhar lá.

Mas minha relação com o "suco de cevada fermentada" vem desde os tempos de faculdade, onde eu era uma alminha semiperdida no campus da universidade. Fatalmente, quase toda sexta-feira era dia de saideira com meus colegas de curso no barzinho que tinha perto do campus. Tudo bem uma ou duas cervejas, mas o detalhe era que no dia seguinte eu tinha aula logo de manhã (ter quatro aulas de Estudo dos Problemas Brasileiros oito da matina em pleno sábado era querer morrer e o problema era que a gente era aprovado por frequência, não por nota). Resultado: acho que um semestre do curso, assistia a aula com um olho aberto e outro fechado.

Quando aos sábados tinha aula mais séria, aí evitava ao máximo possível as saideiras de sexta-feira. Sábado à noite, era vez ou outra. Durante o tempo que cursei e me formei, foram poucas as ocasiões que eu saía com o pessoal do curso para uma rodada de cerveja no bar, devido às aulas que eu tinha no dia seguinte. Só quando dava mesmo. (Em compensação virei uma viciada em café que nem te falo...)

Mesmo quando fiquei fazendo alguns freela pós formada, raramente saía com os amigos para uma cerveja. Motivo maior era que, o que eu ganhava nos freela, eu tinha que ajudar a pagar as contas de casa e manter meus gastos pessoais (leia-se: livros, revistas, CDs e locações de filmes e a gasolina do carro emprestado do pai para poder fazer os freela). E se perguntarem "e na sua casa?". Pra falar a verdade, só quando tinha festa em família a base de churrascada caseira...

Chegando aqui, treze anos atrás, na primeira semana que estava em Hikami (a "cidade no meio das montanhas"), já me convidaram para uma churrascada no parque ddvido despedida de uma funcionária. E inevitavelmente um copo de cerveja. Era a primeira vez que experimentava cerveja nipônica, acho que era da Kirin, não lembro, mas era bem diferente. Não achei amarga, e não me deu efeitos colaterais (leia-se: sono). Isso porque bebi o equivalente a uma garrafa. Mas também intercalando entre um pedaço de carne e salada, foi um bom acompanhamento. A outra vez foi a noite do malfadado lamen de pimenta vermelha que jurava que era de tomate - bebi o equivalente a um litro de cerveja e ainda era da Asahi Super Dry, que nem sei como não me deu outros efeitos posteriores (exceto um mas foi por causa do lamen).

Agora vamos aos fatos inusitados que eu cometi durante o tempo que trabalhei em Tóquio e minha intimidade com a famosa cerveja irlandesa Guinness... Comecei a apreciar mais essa cerveja escura, amarga e um tanto "cremosa" quando fui pela primeira vez em um pub quase tipicamente inglês. Na verdade, eu prefiro mais as cervejas escuras que as claras, talvez porque as escuras nunca me deram problema, exceto o fato de que, qualquer cerveja é um poderoso diurético.

O caso de ter esquecido a chave de casa na gaveta da minha mesa no escritório: costumo sempre deixar a chave dentro da bolsa. Naquele dia, eu saí de casa e coloquei a chave no bolso da calça. E no serviço, ao invés de guardar a chave na bolsa como sempre faço, coloquei na gaveta da escrivaninha onde eu trabalhava e ali ficou. E naquela época, eu e digníssimo trabalhávamos em turnos invertidos, portanto, eu chegava em casa e encontrava vazia. E vice-versa. E justamente naquele dia, o pessoal me chamou pra um nomikai (bebedeira) num izakaya perto do local de trabalho e eu fui. Mas tinha hora pra ir embora por causa do trem. Da estação pra minha casa pegaria o último ônibus. Entre um yakitori e um gole de cerveja, e muita conversa fiada, lembrei do horário, paguei minha parte e fui embora. A hora que estava chegando na estação de Yokohama, último trem, do nada fui checar minha bolsa pra deixar a chave num lugar mais fácil de pegar e... CADE A CHAVE??? Daí lembrei que deixei na gaveta da mesa no escritório e só ia poder pegar a chave somente na segunda-feira!!! E a outra chave reserva ficou em casa... Resultado: desci em Yokohama mesmo, procurei uma internet cafe, paguei o night pack (seis horas) e dormi do jeito que estava até pegar um dos primeiros trens pra casa - ou esperar digníssimo chegar com a chave ou chegar depois dele. Acabou sendo a segunda alternativa.

Até hoje digníssimo não entende como é que fui esquecer a chave de casa no escritório sendo que sempre eu guardava na bolsa... Até esquecer telefone celular, ainda vai...

Mistura Explosiva: O Coquetel de Litro: Apesar de meu histórico de saideiras a base de cerveja ou coquetéis de "mulherzinha" (como cassis orange ou cassis soda ou qualquer bebida que inclua frutas, o que eu adoro), eu nunca passei mal. No máximo dava um pouco de sono, mas lembrando que era sono acumulado durante a semana meio mal dormida. Desculpa meio furada pra alguns, mas é verdade. Efeito diurético não conta, porque até chá em excesso dá aquela vontade imensa de ir ao banheiro sempre. Mas teve uma despedida de uma colega de trabalho que essa pra mim ficou na minha memória até hoje.

Geralmente despedidas de colegas de trabalho acabavam em choradeira, discurso e saideira. Fomos mais de vinte pessoas para um pub que ficava uma estação de onde eu trabalhava. Nada demais, era o pub onde eles serviam a cerveja Guinness de modo adequado (lembrando que realmente, a Guinness tem um ritual para colocar a cerveja no copo, acreditem), tinha uns aperitivos muito bons e a cerveja de litro, essa eu dispensava por causa da Guinness - eu costumava tomar dois a três half pints. Houve quem me dissesse "pede logo one pint de uma vez". O problema era que one pint de Guinness pra mim era muito e como eu bebo muito devagar, chega na metade, a cerveja esquenta. Estava muito bom, eu estava bem, apesar de que, naquele dia eu ter bebido quatro half pints de Guinness, algo meio anormal de minha parte, até que o lesado de um de nossos chefes resolve encerrar a noite com "One Litre Cocktail". Pelo nome, diz tudo.

Eu, particularmente, não gosto de ficar misturando as bebidas - se eu começo com cerveja, é cerveja até o fim; se eu vou de vinho ou coquetel, vai um dos dois até o fim - porque eu me conheço: a probabilidade de no dia seguinte eu nem conseguir sair da cama é enorme, o que não acontece quando bebo somente um tipo. E por mais que eu insistisse ao pessoal de que eu odeio fazer misturebas, acabei cedendo por ser despedida de uma amiga minha e no dia seguinte era minha folga (desconheço o estado posterior de quem esteve na festa e no dia seguinte foi escalado pra trabalhar).

Antes eu tivesse mantido firme na minha recusa.

Logo que eu experimentei o malfadado coquetel - que era de vodca, suco de laranja, abacaxi, grapefruit e sei lá mais o que tinha - eu tive que ir embora. Felizmente esse pub você paga na hora que pede sua bebida e comida e o tal coquetel quem pagou foi um dos chefes lesados (falo isso porque, pagar um coquetel de litro sendo que 90% dos convivas ficou na base de cerveja mesmo, tem que estar faltando senso de simancol), então não tive que pensar muito. Ainda eu tinha tempo de chegar em casa mesmo sendo o último trem. Mas foi aí que durante o percurso alguma coisa estranha aconteceu comigo.

Como o balanço e as paradas constantes do trem, comecei a ficar meio enjoada. Algo que nunca tinha acontecido comigo, mesmo quando às vezes eu passava da minha cota de cerveja ou dos cassis orange que eu costumava beber com os amigos. Estava era com medo de coisa pior acontecer dentro do trem como acontece com algumas pessoas especialmente nas sextas-feiras à noite, felizmente eu sou meio prevenida e tirei uma sacola plástica de supermercado dentro da bolsa e com fiquei com ela aberta caso acontecesse o pior (nota da autora: eu costumo carregar uma sacola plástica de supermercado mesmo ou para jogar o lixo ou no caso de faltar sacola na hora de carregar as compras). Quando cheguei na estação onde precisava fazer a baldeação pro trem que me levaria de volta pra casa, no meio do caminho senti que não ia aguentar mais e corri foi para o banheiro mais próximo que tinha e... bem, o resto nem preciso comentar.

Saldo final: perdi o último trem direto pra casa. Mas ainda tinha a opção de chegar até Yokohama, mas na estação de Sakuragicho e pedir pro digníssimo vir me buscar de carro lá. Felizmente, aquele dia ele estava de folga e como ele havia dito "se perder o trem, me avisa que eu vou te buscar", então... E como de casa pra Sakuragicho é bem mais fácil que na estação de Yokohama, telefonei em casa e pedi pra que me buscasse de carro tal estação em tal hora. Ainda bem que o resto do percurso eu estava bem melhor, mas queria logo chegar em casa para um banho, misoshiru e cama.

E antes que coloquem a culpa das quatro half pints de Guinness, eu comprovo: algumas saideiras depois, fiquei somente na Guinness e não me deu mais esses efeitos desastrosos. Já falei que, o efeito diurético não conta...

Depois desses episódios, passei a controlar mais nas doses. Apesar que nas festas de finais de ano da firma, como era valor único e tempo limitado, já fiz uma bela mistura de mojito + marguerita + duas cervejas Corona + dois shots de tequila Don Cuervo e o máximo que aconteceu era eu querer abraçar o cacto que ficava na entrada do restaurante e outra de mojito + cerveja Kirin Kuronama (escura) + dois cassis orange e voltei pra casa tranquila. Nem perguntei pros sobreviventes... ops, quem ficou até o fim naquele dia do coquetel molotov, ops, coquetel de litro, os efeitos do dia seguinte ou imediato...

Ah sim, nunca mais esqueci a chave de casa no escritório (mas já esqueci telefone celular, cartão de entrada da firma, sacola de compras, mas carteira com dinheiro jamais).
Vergonha Alheia: Tequila Don Cuervo, um shot com limão e sal de uma virada só. Vai encarar? Eu encarei....

11 comments:

  1. amei o post!
    sou como vc, adoro uma cervejinha!
    Aqui no Br é normal, a mulherada vai pro bar e pede mesmo uma 600 ml com copinhos de bar, mas percebi que nos EUA não é assim.
    Elas bebem frescurites mesmo, cosmopolitan e etc.
    eu já fiz coisas feias, vomitei na balada no meu niver de 22 anos, vomitei várias vezes em casa, agora aprendi a ter equilibrio.
    beber a mesma coisa a noite inteira, comer uma coisinha junto e beber uma garrafa de água antes de sair do bar!
    ressaquinha mais leve!

    beijusss

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  2. Oi JuMinako!
    Aqui já servem direto na caneca mesmo. No caso da Guinness, tem que ser no copo deles mesmo e tem um ritual meio besta mas faz sentido. As japonesas bebem cerveja também, apesar de tambem pedirem "bebidas de mulheres" como cassis orange ou alguma coisa que vai fruta, mas de teor alcoolico leve.
    Tirando essa vez que tive que fazer uma verdadeira lavagem estomacal no banheiro, o resto dava mais era um leve sono e vontade de ir ao banheiro toda hora. Cerveja é otimo diurético...
    Comer algo junto, geralmente eu vou nos bolinhos, espetos de frango, comida que sustente. Tambem peguei o habito de beber água na hora de ir embora do bar e em casa tomar sopa de missô, nunca falha!
    Se bem que a ultima vez que tomei algo com álcool foi na semana passada em casa enquanto assistia filme na net... (uma lata de cerveja da Kirin Green Label, levinha, levinha)

    Beijao!!!

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  3. Ah meninas diferente de vcs eu não gosto de cerveja, achei amarga, um gosto estranho não gostei não, eu gosto de um bom vinho é a unica bebida que acho realmente boa, mas num sou muito chegada a bebida com alcool, pois meu 1º e ultimo porre foi desastroso, falei bobagens, fiz bobagens e no outro dia uma baita de dor de cabeça, isso pq eu misturei, rum com coca-cola, vodka com fanta laranja e o vinho que eu ja estava tomando...resultado foi que prometi para mim mesma não beber mais e quando saio com amigos tomo no máximo um copo de vinho que ja esta de bom tamanho...

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  4. Dinha, quem ler vai pensar que vivo toda semana no bar, mas a ultima vez que fui foi no mes passado pois coincidiu conhecer uma amiga do twitter e duas japonesas amigas dela que gostam de comida brasileira. Fomos em um bar em Yokohama e ficamos até tarde da noite comendo, bebendo e conversando muito. Quando é assim, eu gosto.
    Na verdade, por eu ter hipoglicemia, eu teria que tomar pelo menos um cálice de vinho ocasionalmente durante alguma refeição, mas até hoje não acerto o vinho e ainda sonha ser sommeliere.
    Mas calma: não sou aquelas que bebe até cair ou fazer vexame homérico, mesmo porque passou do segundo copo já estou rindo demais da conta... XD

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  5. hahaha... bebum!!! brincadeirinha... sabe, eu não bebo nadinha de álcool e cerveja me enjoa só do cheiro! Por isto NOSSA bebida oficial é o café, viu? ^^

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  6. Gesiane, com certeza, a gente vai se acabar no cafe... hahaha

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  7. Vc tá se saindo uma bebum de primeiro hein? ahahahah brincadeira...

    tin tin! Oopsss não pode falar isso ai no Nihon rss

    Kisu!

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  8. Rô, mas nunca neguei que gosto de uma cervejinha (Guinness rules), mas coquetel, vinho e ate mojito sao bem vindos... Desde que seja com moderação para não repetir as besteiras que cometi hahaha

    Beijao!!!

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  9. Nossa, cada história, Kiyomi XD!

    Como foi isso de dormir num internet café? Pegou no sono na cadeira mesmo LOL?

    E não abrace cactos, é ruim XDDD

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  10. Oi Felipe. Talvez eu tente fazer um post sobre internet cafe, mas como faz muito tempo que nao vou em um mesmo quando perco o trem, deve ter mudado muita coisa.

    Internet cafe seriam as LAN Houses do Brasil, paga-se tanto por hora para acessar a internet, ler revistas e jogar games no cubiculo. E soft drinks a vontade.

    No meu caso, quando aconteceu esse imprevisto, passei a noite na internet cafe, pois como fica 24 horas aberto, tem o 6 hour night-pack, pode ficar esse tempo por um precinho mais barato. Muita gente faz isso quando perde o trem.

    Poderia dormir, mas o cubiculo que peguei, a cadeira era bem desconfortavel. Hoje em dia tem lounges. Alguns tem ate lugar pra tomar banho.

    Se bem que de 2008 para ca, muitos jovens passam a noite na internet cafe como opcao de economizar moradia e fazer trabalho temporario...

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  11. Olá Kiyomi,
    Você aguenta bem bebida hein...eu sou fraco...tomo pouca coisa e já me dá sono...rsrs...ao invés de ficar alegre como a maioria, fico relaxado e com vontade de dormir...vai entender...rs...

    Não sou muito de cerveja mas tenho curiosidade de experimentar a famosa Guinness...a única cerveja que desce pra mim é a Erdinger, que não é tão amarga (não gosto muito de cerveja justamente pelo amargor)...Ainda prefiro uma caipirinha de cachaça ou vodka...

    Abs,
    Carlos

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