Wednesday, April 27, 2011

Momento (Nada) Fashion...

Muito embora de vez em quando (quase nunca) compro revistas de fashion aqui no Japão, geralmente eu compro quando tem algo que me interesse (leia-se receitas culinárias, Masaharu Fukuyama, assuntos de cinema,  Smap, como organizar sua casa...), e umas das revistas que costumo comprar, assim como em muitos posts eu já falei, é a an-an (o que muita mulher que conheço costuma dizer "ah, aquela que de vez em quando traz ensaios fotográficos de mancebos mostrando quase tudo que vieram ao mundo", mas deixa pra lá), que traz de tudo um pouco, mas também não compro toda semana senão haja espaço no meu apertamento, que já nem tem espaço direito, volta e meia eu desfaço de muitas coisas ou outras. A outra revista que compro - também quando me interessa, até pensei em assinar, já que é mensal, seria a Nikkei Woman, que é tudo sobre a mulher que trabalha fora e quer conseguir - ou conseguem - bons cargos em diversas áreas. Sem falar a TV Guide, pois j-doramaleira como eu, tenho que estar atenta sobre novos programas, j-doramas e outras coisas mais.
Minhas revistas da semana para ler nas horas de folga: a última TV Guide (Atenção: não tive culpa se era o Shingo Katori na capa!) e a Nikkei Woman de Abril
Muita gente me pergunta se eu costumo comprar revistas de moda mesmo, de novas tendências, de penteados, maquiagem, etc. Vou confessar: não consigo. Nesse ponto sou muito, mas muito destrambelhada para seguir alguma moda, mesmo porque precisaria de dinheiros, como diz a @mikan_ponkan. Mesmo garimpando boas ofertas, seguir moda aqui, significa 50% das roupas são sazonais e 50% ainda dão pra aproveitar para a próxima estação. Já tive muita roupa sazonal que acabei passando adiante, seja em lojas de segunda mão ou recycle shops, se estiverem em bom estado até dá pra ganhar uns trocos, ou doando mesmo. Mas como eu trabalho em escritório (para horror de muita gente que mora aqui), tenho que ser adepta ao básico do básico - conjunto de calça e paletó pretos e camisa (de diversas cores, digamos). Mas quando a vontade de jogar o salto alto longe é muita, especialmente quando chega ao final de semana, aí vou de vestido, legging e sapato bailarina.

Pose de xícara em Fujinomiya e o sol
refletindo bem na minha frente: vestido da
RetroGirl, leggings Uniqlo e sapato da
Vingt-trois. Ah, ao fundo o Fujisan...
Nos meus day-off (porque ninguém é de ferro), gosto mesmo do prático e confortável, mas não desleixado. Como o eterno jeans, camiseta, leggings e túnicas. Só quando tenho evento especial (algo muito raro de ir), é que já tenho que usar algo bem mais diferente, um vestido clássico, uma blusa mais trabalhada... Como eu vou e volto de Yokohama-Tóquio-Yokohama todo santo dia, eu reparo no que a mulherada anda usando muito:

- leggings: Essa roupa seria o terror de muita mulher (no Brasil), mas aqui a mulherada, inclui eu nesse meio, usa e abusa, com saias, shorts, vestidos... Seja com ou sem pedaleira, coloridas ou pretas, torna-se roupa obrigatória seja no dia a dia como no final de semana. Vou confessar: eu tenho pelo menos três pretas iguaizinhas compradas na Uniqlo.
- Estampas: seja de flores, listrinhas ou bolinhas, que seja, elas estão em vestidos e túnicas.
- Inspiração marinha: sabe blusas, vestidos retos ou túnicas de algodão branco listadinhos de azul marinho ou preto, ou vermelho, ou azul marinho e vermelho? Continua sendo moda, sim.
- Cáqui: ou khaki como se diz aqui. Nunca sai de moda até no inverno.

Jardim Botânico de Kamakura: blusa da Mary Quant,
calça Gap, casaco RU. Outono de 2009, quando estava
a alguns quilos bem acima do normal...
Na verdade, o bom daqui é que ninguém repara o que você veste, a não ser que esteja usando aquelas calças que ao abaixar aparece a zona do aconchego ou camiseta de alcinhas decotada e apertada, a ponto de toda aquela pelanca pedindo socorro, querendo sair da roupa (detalhe: as meninas aqui podem usar minissaia, mas camiseta de alcinhas, por mais calor que esteja, nem pensar! Elas usam com um colete de crochê ou cardigã de mangas curtas em cima, que por sinal, está sendo um dos hits da estação...)

Normalmente eu gosto de fotografar, mas muitas vezes eu não gosto muito de aparecer em fotos, pois nunca saem do jeito que a gente quer. A não ser que eu compre uma câmera melhor (leia-se: Nikon D-3100, porque se eu quiser a recente D-5100, aí tem que vir o garoto propaganda de brinde) eu perca mais a vergonha na cara e tente encontrar algum freela de assistente de fotógrafo, quem sabe melhora de ambos os lados (pessoal e financeiramente falando), porque eu tentar ser modelo mesmo daquela agência que fica em Harajuku (Tóquio) em que aceitam estrangeiros de toda nacionalidade para todos os gostos, seria o mesmo que ganhar sozinha no Nenmatsu Jumbo Takarakuji (loteria do final de ano, o prêmio máximo que o felizardo leva).

Ainda bem que, pelo menos aqui ninguém repara (tanto) no que você veste, exceto, como disse, se a roupa chamar muito a atenção, porque existem lugares apropriados para tal tipo de roupa.

Fotos: das revistas, da própria autora. Da autora, fotografadas pelo dignissimo kinguio.

Monday, April 25, 2011

Nossos Desastres Culinários: Para Comer aos Poucos ( ou Não, o Retorno)


Depois que deram as dicas de que, comer bolo em forma de muffin fica melhor (no meu caso, o risco do digníssimo kinguio devorar metade da assadeira em minutos seria menor) e mais prático pra levar caso precise de algum petisco fora de hora, sei lá, passei a assar meus bolos em formas de muffins. Isso porque numa de minhas idas ao Tokyu Hands (uma das maiores lojas que tem tudo na região), comprei um caixa contendo 120 forminhas de muffins. Eu sei que vão falar que, "mas forminhas de papel é um desperdício, gastou dinheiro só pra isso, bla bla bla", tá, eu sei que agora tem as forminhas de silicone, mas se quero fazer pra presentear alguém, como fica?

Difícil agradar todos, mas cada um tem uma forma de fazer o bolo que melhor convém.

Voltando, eu sei que ontem foi Páscoa e logicamente teria que ser alguma coisa com chocolate, mas fazia um bom tempo que estava querendo fazer um bolo que vi no site Sócia da Light, da jornalista (e Garota que Diz Ni) Flavia Pegorin, e ela quem confessou que prefere fazer os bolos em forma de muffins para controlar a gula, ops, para não atacar a assadeira de uma bocada só. Quando resolvia fazer, faltava um ingrediente, e quando tinha o ingrediente, faltava era vontade. Pior que o bolo é facinho facinho de fazer, sem pensar muito. E é um de meus bolos favoritos, costumava comer quando tinha na cafeteria Tully's, perto do meu trabalho, e ainda acompanhado de café fresquinho, feito na hora... (olhae a desculpa pro meu vício em cafeína). Originalmente, era para assar naquelas formas retangulares e fundas, para pound cake, mas como essa minha forma é pequena demais para o conteúdo da receita, fiz em forminhas de muffins mesmo, mas a cobertura pra mim seria opcional. (Cupcake pra mim, tem que ser o bolo tradicional e depois recheado e decorado).

Bolo de Limão com Sementes de Papoula (ou "Lemon Pound Cake with Poppy Seeds")


Ingredientes:
2 xícaras de farinha peneirada
1 xícara de açúcar
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
1/4 de xícara de leite
4 ovos (usei 3)
1 colher (chá) de essência de baunilha
200 gramas de manteiga
1/3 xícara de sementes de papoula (poppy seeds ou no Japão "keshi no mi")
1 colher (sopa) de casca de limão ralada


Ingredientes da calda (opcional):
1/2 xícara de açúcar
1/3 xícara de suco de limão


Modo de preparo: Em uma tigela grande, misture a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Reserve. Na batedeira, bata rapidamente o leite, os ovos e a baunilha. Acrescente a manteiga em temperatura ambiente e os ingredientes secos aos poucos, batendo até misturar bem. Acrescente as sementes de papoula e a casca de limão, mexa mais um pouco e coloque nas forminhas ( ja forradas com forminhas de papel; senão deve-se untar com manteiga). Leve para assar em forno moderado (180゙C) por cerca de 25 minutos. Misture os ingredientes da calda em uma panela e leve ao fogo baixo, mexendo somente até derreter o açúcar. Quando retirar os bolinhos do forno, pincele a superfície com a calda. Deixe amornar e sirva. Rende cerca de 14 muffins.


Não sei vocês que estão lendo no Brasil, mas segundo a Flávia, as sementes de papoula estão sendo difíceis de serem encontradas, com a alegação da vigilância sanitária de que elas seriam alucinógenas!!! Mas como as sementes não são germinadas e são para uso culinário, então nem dariam para terem substâncias ilicitas, quem diria pra plantio!!!

Receita tirada daqui: http://sociadalight.blogspot.com/2011/02/bocaditos.html

Fotos da própria autora, antes que mesmo assim o digníssimo kinguio e cobaia acabasse com tudo.

Notas da autora:
- As sementes de papoula ou "poppy seeds" aqui encontra-se em lojas de produtos importados, embora a marca que eu usei seria daqui mesmo, da Mama's Kitchen. Comprei no Kaldi, chama-se aqui de "keshi no mi". E não custa caro, paguei 157 ienes por um pacote de 30 gramas.
- Não usei a calda de limão, da próxima experimentarei.
- Quem tiver a dita forma americana, aquela que faz pound cake ou pão de forma, também serve, mas como disse, tenho essa forma, mas ela era inversamente proporcional a quantidade da receita feita.
- Fiz uma receita normal e deu mesmo 14 muffins.
- Mais sugestões de muffins e cupcakes, recomendo The Cookie Shop (acho que esse site eu descobri no da Fabiana, do Sonho Doce Sonho): http://thecookieshop.wordpress.com/

Sunday, April 24, 2011

Por uma boa causa

Ou: Gosto é que nem traseiro, todo mundo tem o seu.

Primeiro, uma Feliz Páscoa a todos, tanto leitores do Brasil como no Japão. Pra falar a verdade, desde que estou aqui no Japão, perdi a noção dos feriados móveis, como Carnaval, Páscoa e Corpus Christi, só para terem uma idéia. Só lembro depois que passou ou muito em cima, graças aos blogs que frequento. Tudo bem, vão falar: e calendário pra que serve? Lembrando que aqui, como o país é 99% xintoísta e budista, feriados religiosos como no Brasil, não são inclusos. Cada país tem o seu calendário de feriados, claro. Da mesma forma que o pessoal no Brasil já teve seu feriado prolongado, semana que vem aqui vai ter também, o famoso "Golden Week".

Do alto da passarela doYoyogi Koen, olha a fila...
Como eu havia falado uns dois posts atrás, sim, no primeiro domingo de abril, fui até o Yoyogi Koen, em Tóquio. Sim, pro evento Marching J, promovido pela agência Johnny's Entertrainment (sim, muita gente sabe que é a agência que mais contrata rapazes para criar boybands), para arrecadar fundos para as vítimas do terremoto de Tohoku. Durante três dias de abril (1, 2 e 3), todos os rapazes - veteranos e novatos - se revezavam para conversar com o público, mas cantar mesmo, só foi no terceiro dia, no final.

Visão frontal da autora, na passarela.
Daí, como o evento foi aberto ao publico, imagine como foi: uma filaaaaaaa. E quem pensar que 100% do público era somente de mulheres, enganaram-se. Vi pessoas do sexo masculino de todas as idades, desde de colo até senhores que poderiam ser meu avô. Não estou brincando. Obviamente que uma boa parte vinham com as ecobags dos artistas de shows anteriores e atuais, leques (uchiwa), usando camisetas, carregando toalhas... A maioria, no dia que eu fui, só vi do último show do Kanjani Eito, o "8 Uppers" (confesso que eu imaginei ver um monte de meninas com a ecobag do Arashi, dos últimos shows, mas vi muito pouco em comparação do Kanjani). Acredito que a maioria prefere ir com as ecobags quando tem show mesmo.

Visão da passarela, mas sentido ao portão de entrada
E olha que fui cedo, hein. E para chegar ao palco principal, fizeram a fila de um modo que era pra demorar mesmo, pois nunca dei tanta volta em toda a minha vida, mas o lado bom daqui é que, mesmo a fila não tendo tantos cordões e cercas de segurança (somente para indicar o caminho), o pessoal não furava (tanto) a fila e quando acontecia, ninguém achava ruim.

Logo depois que entrava no portão principal, eles entregavam um cartão com o informativo e no verso todas as assinaturas de todos os membros da agência. Bem, só quem entende bem kanji mesmo para decifrar (os mais óbvios eu matei na hora, imagine se não ia conhecer os kanji dos meninos do Smap, do Arashi, do V6, do TOKIO, do NEWS, do Matchy, mas os outros....).

Tente descobrir de quem são as assinaturas, depois eu tento também com muito mais calma...
E olha que muitas vezes eu fui nesse parque, mas do lado oposto, quem vem de Shibuya e passa pelo NHK Hall, mas como para o evento tinha que entrar de quem vinha de Harajuku, vai imaginando como foi a fila pra complicar, digo, para que muita gente comparecesse e não perdesse a viagem, pois poderia colaborar financeiramente para as vítimas e de quebra ver algum dos artistas (mas claro que muita gente foi pra ver ao vivo e a cores e de perto). E como era rodízio conforme o tempo deles e agência, então teria que ser na sorte mesmo. E por volta das duas da tarde, meus ídalos favoritos, sim, o quinteto Smap, ficaram por um tempinho no palco conversando e cumprimentando. E no sábado eles também estiveram, como é que dá pra saber?

Quem prestar atenção ao lado direito, o Hinomaru está ao
meio mastro, em respeito às vítimas de Tohoku.
Muita gente que deve estar lendo deve estar pensando que todos nós que comparecemos ao evento (nos três dias somaram-se 370 mil pessoas, mas se foram as mesmas, vai saber) "devem ser um bando de malucos que perdem seu dia de folga só pra ver uns meninos sem sal nem tempero, que não sabem cantar, um bando de rostinhos bonitinhos, etc.", mas como a gente sempre fala: gosto nunca se discutiu, cada um tem o seu. Se fomos pra ver eles ao vivo? Ninguém vai negar. Mas que também fizemos nossa parte: fora de casa, economizaria energia nos lares, já que a região Kanto estava até então no rodízio de energia. Doamos financeiramente para quem estava precisando, para reconstruir as províncias de Miyagi, Fukushima e Iwate, já que muita matéria prima vinha dessas províncias e quanto mais rápido elas se recuperarem, mais rápido elas poderão voltar às vidas normais.

Se um dos artistas foram pra Fukushima (a mais atingida) ver os estragos do que só falarem, falarem, falarem? Que eu saiba, sim. Por exemplo, Masahiro Nakai (o líder do Smap) foi logo na mesma semana do evento para Fukushima em um dos abrigos e ficou mais de horas conversando com as pessoas e crianças e doou pessoalmente uma cadeira de massagem e vários brinquedos, jogos de videogame e os aparelhos para as crianças. Na entrevista que concedeu ao jornal Sankei Sports, Nakai disse que ao ver o estado que ficaram as cidades, teve muita vontade de chorar. E que os brinquedos que doou seriam para fazerem as crianças voltarem a sorrir. Bem, só faltou ele jogar beisebol com elas, já que ele adora (e já praticou muito quando ele era criança). Mas final de maio, ele participará com certeza do evento do Johnny's Sports Day - para angariar mais fundos para a reconstrução das províncias.

Eis a prova de que consegui alguma coisa: na hora que cheguei, quatro e meia: estavam no palco 1/3 do Arashi (Jun Matsumoto, Satoshi Ohno e Masaki Aiba - no FB falei que era o Kazunari Ninomiya) e Masahiko "Matchy" Kondo (que está no meio). Se saiu meio desfocada, é que eu estava a nem sei quantos metros dali, usando zoom da minha precária câmera e na pressa, pois acho que nao podia fotografar (mas 100 pessoas na minha frente estavam fazendo o mesmo).

Eu digo: pode ser loucura ter "perdido" meu dia de folga, saindo de Yokohama para Shibuya e ficar mais de quatro horas na fila para tentar ver alguém e doar, muita gente interprete como quiser, mas eu fiz minha parte que é também contribuir financeiramente, nem que seja um pouquinho, para ajudar quem precisa, sem falar que em minha própria casa também contribuo, como economizar energia elétrica, separar e reciclar materiais, pois quem sabe podem ser fontes de energia alternativa...

Felizmente, neste momento, muitos produtos que antes faltavam, voltaram às prateleiras, como papel higiênico, produtos de higiene feminina, fraldas, leite, enlatados, arroz, iogurte. Mas água ainda fica restrito a quatro litros (duas garrafas de dois litros) por pessoa. Sinal de que está tudo voltando ao normal, apesar que no verão pode ser que precise voltar ao rodízio de energia, mas se a população ajudar como está fazendo até agora, pode ser que nem precise cogitar essa possibilidade.

Fotos: todas elas tiradas pela autora, no dia 3 de abril de 2011.

Saturday, April 23, 2011

Sessão Pipoca: "Kuroi Ame" (Chuva Negra)



Muitos devem saber sobre a explosão atômica de Hiroshima em agosto de 1945, o durante e suas trágicas consquências, mas eu acredito que muitos não sabem (ou procuram evitar falar) seria as consequências bem posteriores da tragédia, durante a reconstrução. Traumas da pós guerra, doenças adquiridas, preconceito.

"Kuroi Ame" (黒い雨) ou "Chuva Negra", do diretor Shohei Imamura (falecido em 2006), retrata a história da família de Shigematsu Shizuma, que presenciou a explosão em 1945 e passando em 1950, em que ele e sua esposa Shigeko, sendo tutores da sobrinha Yasuko Takamaru, que estava com eles durante a explosão e acabaram por serem atingidos pela "chuva negra", que foi que precipitou logo após a bomba, que continha traços de radioatividade. Só que nem eles e muitos dos sobreviventes, saberiam quais seriam as consequências da chuva.

Yasuko já estaria "na idade de casar", mas devido ter tomado a "chuva negra", teve sua proposta de casamento negada três vezes mesmo estando aparentemente sadia. Em uma de suas idas e vindas ao médico, acaba ficando amiga de um rapaz chamado Yuichi, que, traumatizado com a guerra, toda vez que passa um veículo, sai do seu porão e faz parar como se estivesse parando um tanque. Aos poucos, Yasuko e Yuichi acabam compartilhando o drama e consequências da explosão e da guerra, ao mesmo tempo em que sua família começa a ver seus amigos próximos e até parentes próximos (como a sua avó e sua tia Shigeko) sucumbirem aos poucos com os efeitos da "chuva negra".

Quem sobrevivia, eram "excluídos" da sociedade, acreditando que poderiam trazer algum mal a sociedade. No caso de Yasuko, cujos pretendentes, ao saber que ela havia tomado a "chuva negra", tinha seu pedido de casamento negado. E com o passar do tempo, ela começa a sentir os efeitos - como a queda de cabelos e fraqueza. Como seria o futuro dela daqui em diante? Como Shigematsu poderia superar a dor da perda da esposa e da mãe? E dos demais sobreviventes, teriam uma vida normal, sem retaliações? O final do filme, fica a incógnita, para que cada um dos espectadores dessem a conclusão.

O filme, que passou nos cinemas em 1989, no exterior foi confundido com o filme de Ridley Scott, que tem o mesmo nome (saiu no exterior como "Black Rain"), mas o filme de Imamura passou nos cinemas em maio e do Scott foi em setembro. Ganhou a menção especial no Festival Internacional de Cannes, em 1990 e foi premiado em vários festivais no Japão.

Curiosidades:


- O diretor Shohei Imamura já tinha sido premiado anteriormente em Cannes com o filme "A Balada de Narayama" (Narayama Bushiko), com os atores Ken Ogata e Sumiko Sakamoto.
- A atriz Yoshiko Tanaka, que fez o papel de Yasuko, ganhou o Blue Ribbon, prêmio máximo do cinema japonês em 1990. Quem viveu os anos 70, ela era a Sue, do trio Candies, que terminou em 1978, no auge da carreira delas. O apelido veio devido ao seu nome, que em kanji era igual a "suki". Após o fim do grupo, dedicou-se ao cinema e teatro, mas também sofria de câncer de mama, o qual fez tratamento por quase vinte anos. Faleceu recentemente, dia 21 de abril.
- O filme foi inteiramente feito em preto e branco, para que desse mais realismo as imagens da época. Foi filmado na cidade de Bizen, província de Okayama.
Yoichi (Keisuke Ishida), o único que conseguia manter-se normal com Yasuko (Yoshiko Tanaka).
Kuroi Ame (黒い雨) - "Black Rain" ou "Chuva Negra" (1989)
Direção: Shoei Imamura
Baseado no livro "Kuroi Ame", de Ibuse Masuji
Roteiro: Ibuse Masuji e Toshiro Ishido
Elenco: Yoshiko Tanaka (Yasuko Takamaru), Kazuo Kitamura (Shigematsu Shizuma), Etsuko Ishihara (Shigeko Shizuma), Keisuke Ishida (Yoichi Okazakiya).


Concorreu ao Melhor Filme no 42o. Festival Internacional de Cinema de Cannes, sendo que levou o prêmio especial do júri de Menção Especial de Juri Ecumênico em 1989.


Festival Internacional de Cinema de Cannes, 1989 - a atriz Yoshiko Tanaka e o diretor Shohei Imamura.


Fotos: retirados do site Uno Port Art Films http://unoportartfilms.org/

Thursday, April 21, 2011

Quando A Falta de Inspiração Bateu e Ficou...

Quando se inscrever num clube pra conseguir sua cara-metade pode acabar dando uma reviravolta em sua vida...

Lá vem mais outra desculpinha furada...

Eu sei, eu sei, amigos fiéis leitores deste sítio, estou atualizando bem menos que no mês passado, mas convenhamos que no mês passado, fui obrigada a ficar quase 10 dias em casa (nem preciso explicar de novo), por isso que estava postando quase todo dia, pra desespero dos leitores e do meu teclado.

Voltando aos poucos a normalidade, trabalhando, dando umas voltas por aí, tentando assistir aos novos j-doramas da temporada (que por sinal preciso fazer as resenhas das que estão já indo no segundo capítulo e se eu demorar muito, logo loguinho entram as de verão). Problema é que depois que voltei ao ritmo normal de trabalho (graças a Deus), estou com o tempo mais corrido. Sei que "tempo a gente não tem, a gente arruma", mas agora preciso dar uma organizada em tudo depois da reviravolta.

Esqueci de falar que encarei uma fila de mais de quatro horas no Yoyogi Koen para o evento "Marching J", cuja foto - de longe - postei no FB (Facebook) e várias pessoas queriam saber 1) como consegui tirar a foto e 2) porque não fiquei até o final? Farei um tópico sobre isso logo que eu puder, mas nem pensar em demorar muito.
Reunidos por uma causa nobre - confesso que só consegui reconhecer o trio Perfume, Juri Ueno, Keisuke Kuwata, Masaharu Fukuyama, Southern All Stars, Haruma Miura, Takeru Sato, The Badwies (porque o resto, só se alguém legendar, porque no site oficial não tem)


Ainda vou ter que ouvir e ver o novo promotion video de "Let's Try Again" do Team Amuse (reunido por Keisuke Kuwata, tendo mais de 50 pessoas da agência Amuse, inclui aí Masaharu Fukuyama, Juri Ueno, Perfume, Takeru Sato, Haruma Miura, BEGIN, Southern All Stars....) que fizeram para vender e a renda ser revertida para a Cruz Vermelha e tentar a versão digital de "Not Alone - Shiawase ni naruyo", do Smap, que só vai ser desta forma por questões de economia de energia (prensar CDs gasta uma energia...), mas cada download pago, boa parte vai para também às vitimas de Tohoku.

Terei que pedir a devolução da taxa de inscrição do TOEIC que era para ser feito em 13 de março, mas cancelado por motivos que já estou esgotada de falar. Só preciso enviar um documento, simples assim. E usar esse dinheiro para fazer novamente a prova.

Desculpem esse texto mais torto que a própria autora, mas quando a falta de inspiração pra postar alguma coisa chega e fica, não sai nada que preste, mas pelo menos entende-se que ainda estou vivinha da silva e vivendo a cada momento da vida.


Fotos: a que abre o post, site oficial do novo j-dorama da segunda a noite pela FujiTv, "Shiawase ni naro yo" (ou: Sejamos Felizes), com Shingo Katori, Meisa Kuroki e Naohito Fujiki. Spoilers, ops, resenha em breve. E a do Team Amuse, do site oficial da agência.

Sunday, April 17, 2011

Nunca Planejarás!

Olivia, minha companheira e fiscal de controle de qualidade de noites insones enquanto navego/blogo/twitto/qualquer coisa

Se existe uma coisa que sempre falo e nunca deu certo, porque nunca consigo cumprir direito, é "nunca planejar nada porque sempre dá uma guinada de 360 graus". Muitas vezes planejo alguma coisa e no meio do caminho, acontece alguma coisa que tenho que mudar tudo e começar quase do zero. Muitas vezes, do zero. Pior ainda, que eu sei que durante toda minha vida quase tudo que planejei, quase tudo tive que mudar. E muito.

1) Planejei fazer pós graduação em informática: Logo que consegui me graduar em Processamento de Dados, eu perdi meu emprego fixo, mas fazia alguns trabalhos de free lance de tradução e aulas em escolas em dias espaçados, o que rendeu-me mais tempo em casa estudando. Quando fiz minha inscrição pra pós graduação em sistemas de informação em uma cidade a 250 quilômetros da minha e encarei a prova, duas semanas depois consegui emprego como assistente de analista de sistemas na minha cidade. Conclusão: não passei na seleção da pós porque o curso e a faculdade eram uma das mais concorridas na época (100 candidatos por vaga, sentiram o drama?).

2) Planejei ficar apenas dois anos aqui no Japão: Como sempre digo e faço questão de esclarecer - eu vim parar aqui por vontade própria, porque eu quis e pronto. Solteira, sem ninguém (estilo Hotaru Amemiya do dorama "Hotaru no Hikari"), já graduada e trabalhando, resolvi passar dois anos aqui, conhecer o país e voltar. Daí no meio da história inclui aí um miai, mudança de emprego, mudança de província, mudança de emprego novamente, mudança de cidade de novo, e lá se vão treze anos...

3) Planejei fazer um curso de web design aqui mesmo: Basta eu criar vergonha na cara, juntar grana nem que seja fazer um freela, sei lá, mas tenho que ver se o horário se ajusta no meu de trabalho que a cada dia que passa, nunca sei quando vou ter folga, quando vou trabalhar ou se vou ter que fazer hora extra. Mas ainda esse curso continua na minha pauta, esperem só. (aconselho esperarem sentados...)

4) Planejei mudar de casa: Essa história muita gente já nem deve acreditar mais, desde faz algum tempo, estava querendo mudar para um outro cafofo mais perto da estação, mais espaçoso e mais barato, porque onde moro, apesar do lugar ser bom, é muito apertado e muito caro em relação ao local x tamanho. E foi a época em que eu e o digníssimo kinguio ficamos quase quatro meses em cidades diferentes devido ao trabalho dele. No que estaria indo ver outra imobiliária que me indicaram, o digníssimo é transferido de volta pra Yokohama. Dos males o menor: livraria ele de pagar outro apertamento. Só que agora, mudar de apertamento só se for em caso muito, mas muito extremo mesmo. Como, "de tanta sacudida que teve ultimamente, terão que mudar porque a estrutura está abalada" (sem trocadilhos).

5) Planejei ficar um mês de férias (forçadas) e depois batalhar de novo: Nem queria comentar, mas acho que posso. Desde janeiro deste ano, 90% do pessoal que trabalha comigo (incluindo a autora aqui), estava de aviso prévio até março. Depois disso, como meu chefe costuma dizer "ato de, kamo shirenai" (depois disso, só Deus sabe)... Na real: estava mesmo precisando tirar um período de férias, descansar, dar uma espairada, estudar e depois voltar a novo trabalho renovada. Até a tarde do dia 30 de março, estava já muito mais do que conformada,contando as horas finais e descansar, quando um telefonema e um e-mail...

Bem dizia John Lennon, na época em que deu uma pausa na carreira para ser "dono de casa" - "A vida passa enquanto você faz planos". Uma coisa eu estou tendo certeza: o jeito é apenas planejar os gastos do mês, juntar uma graninha pras emergências e se pintar uma oportunidade na hora, correr atrás, porque estou vendo que, planejar até o quê vou fazer de jantar/almoço/que seja nunca deu certo.

Foto: da própria autora. Para quem não sabe quem é a Olívia, minha leitoa de pano, é criação do designer Ian Falconer. Descobri os livros - para crianças - numa de minhas idas (quase constantes) na Tower Records. Site oficial: http://www.oliviathepiglet.com/

Saturday, April 16, 2011

De Nomes e Suas Origens...


Tá difícil esta semana atualizar alguma coisa aqui... *corre*

Eu falo: toda vez que entro no twitter, acabo tendo material suficiente para alguns posts interessantes (dependendo do ponto de vista do leitor). Tinha comentado há algum tempinho atrás que, durante uma tarde, eu, a @luhidemi, a @herika e a @romina_sato confabulamos sobre nossos nomes. Tudo começou quando a Herika (sim, com "H" mesmo) descobriu que seu nome na Indonésia, é nome masculino. Sim, usado por homens. Daí para confabularmos sobre nossos nomes, foi um pulo.

Como disse, nome aqui no Japão, não basta ser bonito, tem que ter significado. Obviamente nenhum pai em sã consciência colocaria o nome de seu rebento de "demônio" ou "câncer" porque o ideograma em si é complicado ou "bonito" (como muita gente costuma tatuar ideogramas e sem saber o significado, quem sabe e lê, ou morre de rir ou se compadece com a toupeirada do tatuado). Mas eles levam em consideração uma série de fatores que, de tanto pensar, acaba virando um nome comum como os outros. Ou unissex.

Sim, aqueles nomes que servem tanto pra homens como pra mulheres. No Brasil, até onde sei, seria Darcy (ou Darci), que já vi de ambos os sexos, inclusive a mãe de uma colega dos tempos do Magistério, ficava constrangida quando na reunião de pais e mestres, a diretora chamava "Senhor Darcy [sobrenome de solteira][sobrenome de casada]", porque dificilmente ela vinha nas reuniões... Se souberem de outros, por favor, me falem, porque agora a memória falhou.

Acredito que em muitos lugares do mundo, certo nome que você pensava ser "só pra mulheres", acaba sendo "só pra homens" e vice versa.

Mesmo no Japão! Acreditem!

Quando eu era criança, meus pais sempre diziam: "geralmente nome de mulher em japonês, tudo que termina em 'ko' (de kodomo, isto é, criança) ou "mi" (o kanji geralmente vem de "utsukushii", bonita)". Tá, acreditei nisso por muiiiiiiiitos anos, até que, o dia que entrei na faculdade. Sabe como é faculdade, ainda mais que cursei na Unesp - encontra gente de tudo o que é lugar, país (Porque não? Conheci gente da Bolívia, Peru, Japão...) e claro, nomes. Eis minha primeira surpresa quando descubro que na mesma classe da aula de Cálculo, ao assinar a folha de presença, um nikkei chamado... [fulano de tal] Kiyomi...

Foi um choque! E durante meus dezessete anos de vida (sim, entrei na faculdade aos dezessete, ninguém manda nascer em julho), acreditava que meu nome era de mulher, ainda mais que o significado era "beleza imaculada" (pronto, podem rir). Depois de frequentar semanalmente as aulas de língua japonesa na Tenrikyo Dendotyo, é que o meu professor explicou que, no Japão tem muito nome que você acha que é pra mulher ou pra homem, mas depende muito do ideograma e seu significado. Por exemplo, o rapaz que era meu homônomo (que tem o mesmo nome, tá?) pode ser que o ideograma dele final poderia ser de "fruta" ou "visão" (見), diferente do meu que é de beleza (美).

Esse mesmo professor disse-me que é um tanto complicado dar nome aos filhos no Japão. Como disse, ninguém em sã consciência, daria um nome "feio" ao filho. Tem que ter significado. Claro, não adianta juntar as letras do nome do pai e as letras do nome da mãe que o significado fica nulo. Nem orna, como diz minha mãe. Por isso que aqui, existem livros e livros com o significado de cada nome tanto pra meninos como pra meninas. Uma amiga minha, ela usou a numerologia para dar o nome dos filhos, mas não foi nome exótico, não, muito pelo contrário - foram nomes simples, simples!

Assim como a Herika, que descobriu que seu nome é usado por homens na Indonésia, o nome Yuri, na antiga União Soviética, é a mesma coisa (lembra do cosmonauta Yuri Gagarin?). Só que Yuri no Japão é nome para mulheres (e nome de flor também, o lírio). Prova disso é que tenho uma prima e inúmeras amigas com esse nome. Tamanha foi a confusão no Brasil, que muitos achavam que minha amiga (nikkei) se chamava Yuri porque o pai dela viveu a época da corrida espacial...

A coincidência na Time Line do twitter naquele dia em que nós quatro confabulamos sobre nomes, era porque nossos nomes "do meio" (tirando a Herika), já vimos na versão masculina! Outro nome unissex que descobri foi Hiromi. Costumava ler a finada revista "Heibon" (que seria a Myojo atualmente) e tinham dois artistas com o mesmo nome - a cantora Hiromi Iwasaki (não, infelizmente não sou parente dela) e o cantor Hiromi Go (e o nome real dele é Hiromi Haratake).

Gostaria de saber, fiéis leitores deste pobre mas limpinho sítio, se vocês sabem de nomes unissex tanto no Brasil como em outros países, pois tenho curiosidade de saber e que compartilhem comigo sobre essa curiosidade, pois afinal, um nome a gente carrega pra sempre (ou quase: existem casos de que, se o nome torna-se constrangedor, alvo de chacotas, piadas infames e tudo o mais, pode mudar mediante pedido no tribunal, mas pode demorar muito, e até lá, a pessoa pode ter dado um fim drástico nisso tudo), portanto, futuros papais e futuras mamães, pensem bem em dar o nome aos seus rebentos, porque depois eles vão amaldiçoar vocês pelo resto da vida.

Ilustração: via gugol, as usual as ever.

Wednesday, April 13, 2011

Elas Roubam as Cenas!


Cena do j-dorama "Mother", com Yasuko Matsuyuki e Mana Ashida. Para assistir com lenços na mão...

Em qualquer novela, filme ou seriado, sempre tem algum ator ou atriz de pouco destaque que no meio da trama acaba roubando a atenção que era voltado ao astro principal. Nos j-doramas também a coisa não muda. Mas desta vez vou falar de atores e atrizes que "roubam" o espetáculo e a atenção do telespectador ainda mais que você chora de tanta meiguice e fofice. Animais de estimação? Nããão.

São elas, as crianças.

Em todo j-dorama é possível notar a presença delas, sejam como figurantes ou como coadjuvantes. Ou até como principais (como na série "Kid's Wars" que passava nas reprises do início de tarde). Qualquer que seja a trama, ter crianças no meio pode ter certeza que vai amar. A atuação delas.

Que tem muito mas muito j-dorama em que as crianças aparecem e roubam a cena, tem aos montes. Depois a gente pergunta "mas que destino tiveram esses atores mirins? Será que eles continuam atuando ou pararam para serem outros profissionais, já que ser artista tem vida meio curta?" Uma parte continua na ativa mesmo depois de crescidos, outra parte preferiram ficar no anonimato. Na postagem sobre "Pais que acabam sendo mães", mencionei os cinco atores que "roubaram" a novela. Desta vez, vou mencionar alguns mais conhecidos que aparecem também em outras formas de mídia...

Seishiro Kato: Talvez o mais conhecidíssimo devido ao comercial da Toyota como o "Kodomo Tencho" (sempre de paletó vermelho e já contracenou com o famoso golfista Ryo Ishikawa e Takuya Kimura), hoje tem 9 anos, mas começou desde os treze meses de idade!! Apesar de ter atuado em j-doramas conhecidos como "Manhattan Love Story", "Saito-san" e "Fuurin Kazan", em 2009 foi o ano mais prolífico deste jovem ator - foi o Naoe Takematsu criança em "Teichijin" (o protagonista era Satoshi Tsumabuki); Ryota Hatori em "Ninkyo Helper" (em que ele se simpatiza com o yakuza Hiroichi, interpretado por Tsuyoshi Kusanagi) e Takeru Nakahara em "Yamato Nadesico Shichi Henge". No cinema, esteve em "Zatouichi The Last", com Shingo Katori. Recentemente, foi escolhido entre 120 crianças para a peça teatral "Les Miserables". Apesar de estar com a agenda lotada, tem tempo para ser uma criança normal como as outras - estuda, brinca, assiste desenho animado e seu sonho é ser jogador de beisebol.
Curiosidades:
- Embora tivesse feito comercial da empresa de entregas Yamato Takkyuubin como um gato, Seishiro não gosta de gatos;
- Torce para o Hanshin Tigers (quando foi no Bistro Smap com o ator Ken Matsudaira, Masahiro Nakai perguntou para que time Kato torcia, ele ficou meio constrangido, pois todo mundo sabe que Nakai é torcedor fanático de carteirinha do Yomiuri Giants);
- Fez par com a atriz mirim Nozomi Ohashi na versão infantil do Kouhaku Utagassen em 2009.
J-doramas que vale a pena ver com Seishiro Kato:
- Teichijin (2009), taiga dorama da NHK com Satoshi Tsumabuki.
- Ninkyo Helper (2009), j-dorama de verão de 2009 da FujiTV, com Tsuyoshi Kusanagi, Meisa Kuroki e Ken Matsudaira.
- Yamato Nadesico Shichi Henge (2010), j-dorama de inverno da TBS, com Kazuya Kamenashi, Yuya Tegoshi e Reiko Takashima.
Kouhaku Utagassen 2009:  Nozomi Ohashi e Seishiro Kato, quem sabe os substitutos da dupla Yukie Nakama e Masahiro Nakai daqui a alguns anos?

Nozomi Ohashi: Com 12 anos, ela começou aos três anos a atuar, mas ganhou mais destaque em 2008 ao interpretar a canção tema do desenho animado de Hayao Miyasaki "Gake no Ue no Ponyo", com Fujimaki Fujioka. Foi a representante da equipe vermelha em 2009 no "Kodomo Kouhaku Utagassen", junto com Seishiro Kato. Nos j-doramas, seu papel mais conhecido como protagonista foi em "Shiroi Haru", em que ela era a menina que fica amiga do ex-yakuza interpretado por Hiroshi Abe. Como Sachi Murakami, Nozomi ganhou o prêmio especial no 61o. Television Drama Academy Awards em 2009. Também foi a protagonista no especial da FujiTV em "Happy Birthday" e apareceu em "The Quiz Show 2" e na recente j-dorama "Juui Dolittle". Em comerciais, ela já disputou o game "Super Mario Bros" com Kazunari Ninomiya, na campanha de salgados da Calbee e para Family Mart.
Curiosidades:
- Apesar de receber cachê como artista, ainda recebe mesada de 400 ienes da família. Junta essa mesada para comprar um telefone celular pra ela;
- Apareceu no 59o. Kouhaku Utagassen com "Gake no Ue no Ponyo", o que repetiu a dose no ano seguinte mas no quadro "Kodomo Kouhaku";
- Esteve no ano passado na Rússia, como reporter especial pela FujiTV para divulgar o desenho animado Cheburashka;
- Fã da atriz Mirai Shiida e também dos jogadores de beisebol da Yomiuri Giants Yoshinobu Takahashi e Hayato Sakamoto.
J-doramas que vale a pena ver com Nozomi Ohashi:
- Shiroi Haru (2009), j-dorama da FujiTV, com Hiroshi Abe e Miho Shiraishi.
- The Quiz Show 2 (2009), j-dorama da NTV, com Sho Sakurai, Aya Matsuura, Miki Maya e Yu Yokoyama.
- Hagane no Onna (2010), j-dorama da TV Asahi, com Michiko Kichise, Jun Kaname e Nanami Hinata (que foi a filha de Enzo em "Hotman", lembram?).
- Juui Dolittle (2010), j-dorama da TBS, com Shun Oguri, Mao Inoue e Hiroki Narimiya.
Juui Dolittle - Shun Oguri e Nozomi Ohashi, no j-dorama que passou no outono de 2010

Tatsuomi Hamada: Tem dez anos, mas começou com sete anos. Quem assistiu ao taiga dorama "Ryomaden" (2010), Tatsuomi fez o Ryoma Sakamoto na infância (eu diria que ele seria o Masaharu Fukuyama quando era criança, tamanha ficou a semelhança de ambos, inclusive no cabelo). Também esteve na mesma novela que Seishiro Kato - "Yamato Nadesico Shichi Henge" -, mas fazia o papel de Morii quando criança. Ganhou destaque na versão live action para o mangá e anime "Kaibutsu-kun", como o humano Hiroshi Ichikawa, amigo de Kaibutsu-kun. Tatsuomi pode ser visto no comercial da campanha da Tokyo Denki e na campanha da primavera da emissora Nippon TV. Estará nas telas do cinema com a versão cinematográfica de "Kaibutsu-kun", a ser exibida ainda neste ano.
Curiosidades:
- Esteve no musical "Rody" no ano passado.
J-doramas que vale a pena ver com Tatsuomi Hamada:
- Ryomaden (2010), taiga dorama da NHK, com Masaharu Fukuyama, Teruyoshi Kagawa, Takeru Sato.
- Kaibutsu-kun (2010), j-dorama da NHK, com Satoshi Ohno.
Quando um "taiga dorama" termina e começa um novo, os artistas principais trocam presentes típicos onde passam as novelas da anterior e a seguinte. Nesta foto, quando "Teichijin" terminou, Seishiro Kato (direita) entregou uma cesta com produto típico de Yamagata, onde passou a trama, para Tatsuomi Hamada (esquerda) que estava com produtos de Kochi, província onde passou a maior parte da trama de "Ryomaden". Hamada e Kato fizeram respectivamente Ryoma Sakamoto e Naoe Takematsu (papéis que foram na fase adulta por Masaharu Fukuyama e Satoshi Tsumabuki)
...que fizeram a mesma coisa!

Mana Ashida: Com seis anos de idade, já ganha o título de "a mais jovem atriz a participar de programas de variedades" (no Bistro Smap, foi a convidada mais jovem a participar do programa, com direito a brincadeira de esconde-esconde com o quinteto no cenário). Embora tivesse aparecido no episódio 3 do j-dorama "Tokujo Kabachi!!" (2010), roubou a cena em "Mother" (2010), em que ela era a filha "adotada" da professora de sua classe. Com isso, ganhou o 65o. Television Drama Academy Awards como destaque da temporada. Quem assistiu "Kokuhaku" ("Confissões"), ela era a filha da professora interpretada por Takako Matsu. Recentemente está no taiga dorama "Gou - Himetachi no Sengoku" e no comercial da campanha de "volta as aulas" pela rede Ito Yokado.
Curiosidades:
- Seu prato favorito é pepino. No Bistro Smap, seu pedido foi qualquer prato que tivesse pepinos. Mas não gosta de berinjelas nem abóboras.
- Nascida em Hyogo, região Kansai, teve que aprender a falar a linguagem comum em todo o Japão, mas ainda mantém o sotaque característico de kansai-ben;
- Sabe andar de monociclo.
J-doramas que vale a pena ver com Mana Ashida:
- Tokujo Kabachi!! (2010), j-dorama da TBS, com Sho Sakurai e Maki Horikita.
- Mother (2010), j-dorama da NTV, com Yasuko Matsuyuki e Koji Yamamoto.
- Kokuhaku (2010), filme que tentou concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro, com Takako Matsu, Masaki Okada e Yoshino Kimura.
Até Takuya Kimura se derreteu com a fofice de Mana Ashida no Bistro Smap (novembro 2010)

Muito embora, como disse, podem existir centenas de crianças que atuam, eu citei as quatro porque são elas que estão em evidência hoje na mídia. Diferente de muitas que a gente ouve por aí em outras mídias, ao menos essas crianças priorizam os estudos, não deixam de brincar (na frente e por trás das câmeras) e viverem como crianças normais, tendo amigos, porque têm certeza que vida de artista pode ter vida curta.

Fotos: todas elas pesquisadas via Google.
Estará na quarta-feira no Portal Nippon, na seção de Entretenimento, como sempre!

Monday, April 11, 2011

Quando Falta de Senso em Moda Faz Ganhar a Fama

Abertura do site oficial, finalmente a agência deles liberaram eles para fazerem as fotos... (da esquerda pra direita - Kazunari Ninomiya, Masaki Aiba, Sho Sakurai, Jun Matsumoto e Satoshi Ohno)
Um dos programas de TV japonesa que eu gosto de assistir além dos j-doramas (tudo atrasado), noticiários (matutino e noturno da FujiTV e Nippon TV) e quase todos os de variedades (inclui aí os primeiros na minha lista o SMAPXSMAP, SmaStation! e KinSuma por motivos óbvios), seria o que passa toda quinta-feira dez da noite na rede TBS "Himitsu no Arashi chan!", com o quinteto Arashi (formado por Satoshi Ohno, Sho Sakurai, Jun Matsumoto, Kazunari Ninomiya e Masaki Aiba).

O programa estrelado pelo quinteto, traz vários quadros como o VIP Room (sempre uma atriz ou cantora como convidada especial), Ranking Derby (em que eles aparecem fantasiados de cavalos de corrida, numa esquete feita pelo público em que escolhem, por exemplo, quem levaria para uma ilha deserta ou o exemplo dos yankees) entre outros, mas o quadro que eu particularmente gosto e me faz dar boas risadas é o Mannequin Five.

Geralmente no mês, pelo menos duas vezes tem esse quadro - em que lança-se um tema escolhido pelos telespectadores e eles têm que fazer a coordenação das roupas, sem que um saiba o que outro fez, por isso eles aparecem no palco cobertos do pescoço aos pés com uma capa. E normalmente com convidados especiais, até o septeto Kanjani Eito já participou. Eles são julgados por atrizes e cantoras que examinam os modelitos e escolhem se o modelo vai para a "venda" ou "volta pro estoque". Nessa hora é que começa a sessão comédia, pois as combinações das roupas que todos fazem ou você acha lindo lindo ou morre de dar risada.

Mas o "quente" do quadro Mannequin Five é quando eles fazem o programa especial (já fizeram três) em que eles vão em uma loja de departamentos e têm três horas para fazerem as compras e coordenar as peças. Depois eles fazem as coordenações e colocam em exposição no Akasaka Sacas (que fica em frente aos estúdios da emissora TBS) por duas semanas para o público escolher o manequim e comentar. Quem tiver menos votos, acaba tendo que se submeter a um castigo. Detalhe: ninguém sabe de quem é o manequim exposto, vai pela lógica (quem conhece o grupo vai saber, mas conhecem Kinder Ovo, sempre tem uma surpresa).
Perdão, mas a qualidade ficou ruim. Da esquerda pra direita: Sho Sakurai, Masaki Aiba, Kazunari Ninomiya, Satoshi Ohno e Jun Matsumoto - exibindo os modelitos de como conquistar logo no primeiro encontro...

A primeira edição, em 29 de abril de 2010, foram no Gotemba Premium Outlet para fazerem as coordenações de roupas para o tema "Como Conquistar num Encontro". O local é bem espaçoso, tem lojas a meio que perder de vista, ainda mais que são duas partes (eu fui e mesmo ficando o dia todo, parece que ainda faltou loja pra ver). E ninguém fica sabendo quem comprou o quê. Depois de três horas quebrando a cabeça e correndo em quase todas as lojas, eles aparecem no local marcado, já com as roupas e cobertos para mostrarem em primeira mão às apresentadoras Tomoko Nakajima e Naomi Matsushima (a dupla comediante Othello). Depois é que os manequins com as devidas roupas são expostas para votação do público, no Akasaka Sacas. Nesta primeira edição especial, o mais votado foi a combinação do líder Satoshi Ohno e quem teve que se submeter a "pagar mico", posando para fotos para aqueles caminhões de propaganda que circulam em Tóquio para divulgar o programa (os rapping trailers) foi Jun Matsumoto.
Jun Matsumoto, que foi quem teve a pior combinação, mantendo o humor na sessão de fotos...
... porque depois, tem que fazer bonito nas ruas de Tóquio, para espanto dos demais (vide a cara dos quatro à direita)

A segunda edição, em 26 de agosto do mesmo ano, fizeram a mesma coisa, mas no famoso Aeon Lake Town de Koshigaya (Saitama), que muita gente que eu conheço que foi, ficou o dia todo e não conheceu nem a metade das lojas, pois o local é maior que o Tokyo Dome em quesito de metro quadrado de espaço.
Os trajes de verão feitos no Aeon Lake Town de Koshigaya, em exibição em Akasaka para votação do público que comparecer. Ninguém sabe de quem é de quem, mas no programa exibido, foram: 1- Masaki Aiba; 2 - Satoshi Ohno; 3- Jun Matsumoto; 4 - Sho Sakurai e 5 - Kazunari Ninomiya
O tema foi "Traje para um encontro no Verão". Mesmas regras, mesmo processo de escolha e o castigo só ia ficar sabendo na hora também. A gente imagina "roupa de verão é mais fácil", mas quem puder encontrar o vídeo do programa citado nos iuchubis da vida, vai perceber que não foi fácil. E mesmo esse shopping center ser enorme pacas, aconteceu de um encontrar outro no mesmo andar e querer saber onde comprou (foi o caso do Ninomiya com o Matsumoto - tanta loja para escolher e foram se encontrar no mesmo andar!), de ficar numa dúvida enorme a ponto de comprar um monte de roupa para coordernar (caso do Ohno) e apelar até pra um manequim mesmo para não perder tempo de ficar tirando e colocando roupa no provador (Sakurai, que carregou um manequim debaixo do braço). Na votação do público, o mais votado foi a combinação de Sho Sakurai (que muita gente achou que fosse do Matsumoto) e quem teve que se submeter ao castigo de posar pra fotos novamente para o rapping trailer foi novamente Jun Matsumoto.
Pela segunda edição consecutiva, Jun Matsumoto teve o privilégio de divulgar seu modelito nas ruas de Tóquio novamente. E olha a cara dos quatro como se dissessem: "Meldeus, como é que pode uma coisa dessas?"
Nessa terceira edição (dia 31 de março deste ano), fizeram o especial "Traje de Primavera" na loja de departamentos Marui Annex, que fica em Shinjuku. Além do público que for em Akasaka, desta vez também teria votação via internet no site oficial do programa, aí todo mundo poderia participar.
As combinações feitas que apareceram na internet pra votação, e muita gente nem imaginou de quem seria de quem na realidade...
O porém é que essa loja de departamentos é bem menor do que os outros que eles foram (tem o Marui Honbankan que fica na mesma rua, que é maior, mas é para o público feminino), e as chances de um descobrir o que outro comprou seriam grandes. Caso foi o Ninomiya que foi espiar o que um comprou em tal loja (um fazia a compra e logo que saía, ele ia perguntar pros vendedores o que comprou) e fez a coordenação dele. Foi o último a se apresentar, o que os outros quatro ficaram danados da vida com ele - pegou um item de outro.
Num falei que ia ser surpresa? Da esquerda pra direita: Sho Sakurai, Satoshi Ohno, Masaki Aiba, Jun Matsumoto e Kazunari Ninomiya - nova coleção de primavera.
Mas foi Ninomiya quem ficou em primeiro lugar (depois de sempre ficar em terceiro lugar) e para surpresa de muita gente, a combinação de Sho Sakurai foi a menos votada possível. Surpresa porque, pra quem foi capa da revista GQ em dezembro do ano passado como "Man of the Year", é comentarista às segundas-feiras no News Zero, e chegou a quase mostrar como veio ao mundo na revista "an-an", a coordenação dele foi decepcionante. Castigo? Posar pra fotos para ser exposto no prédio da loja de departamentos Marui em Shibuya!!

Só que, pela lógica, quem ganhasse era quem teria o privilégio de posar pra fotos, mas aí é que está a graça nisso tudo - quanto mais ridículo estiver, mais bem que tem que aparecer para divulgar o produto. Neste caso, seria o programa semanal deles. O mais engraçado é que os outros quatro que ganharam mais votos, ficam "escondidos" fazendo cara de espanto...

A estranha combinação de Sakurai e ao fundo os quatro tentando entender como é que pode uma coisa dessas...
Himitsu no Arashi-chan! (a.k.a. Secret Arashi's TV Show)
Horário: todas as quintas-feiras, a partir das 22 horas, pela TBS
Página Oficial: http://www.tbs.co.jp/arashi-chan/

Fotos: via gugol, exceto a última da própria autora, tirada em Shibuya, onde está o cartaz.


Postagem dedicada especialmente para Cacá, do The Doramas (fã declarada do Jun Matsumoto) e às meninas (e meninos) do Sekai Johnny's.


Se quiserem relembrar sobre ter que pagar um castigo por ser muito ruim em alguma atividade, leiam o episódio em que, ao perderem na prova S-1 "Dangan Fighter!" no programa SMAPXSMAP, Tsuyoshi Kusanagi e Shingo Katori tiveram que percorrer uma parte da Muralha da China de uma forma nada convencional...

Saturday, April 09, 2011

Tuítadas, Nomes e Nossos Desastres Culinários...


Nunca pensei que do ano passado pra cá eu iria ficar acessando o twitter quase que direto. Digo quase, porque tem dias que não entro (e depois a Time Line - "TL" - fica lotada e tenho que ficar vendo desde quando foi minha última visita), e quando entro é na hora que estou indo ao trabalho, na hora do almoço, quando volto pra casa e em casa antes de ir fazer naninha.

O lado bom do twitter é que conseguimos muitas informações em real time, principalmente quando deu o terremoto/maremoto do dia 11 de março - pra mim ajudou e muito a comunicar os outros e tranquilizar os demais, porque sabe como são as notícias... Também saber sobre eventos, sobre algum site interessante, muitos links de utilidade pública (inclui aqui este pobre mas limpinho sítio rs), trocar informações... Mas o lado ruim (e muitas vezes triste) são alguns tweets que beiram a desinformação, boataria (nunca vou esquecer, por um triz que não fechei minha conta de desgosto)...

Aos poucos estou tentando me acostumar com esse site, mas sabe que apanhando (metaforicamente falando, por favor!) se aprende. Mesmo assim não deixo de dar meus foras...

Estou conhecendo gente muito legal. Alguns conheci pessoalmente antes do twitter. Outros, conhecia devido aos blogs e sites que frequento, mas também antes do twitter. Outros conheci pessoalmente entre uma tuítada e outra... E numa dessas que geraram textos recentes como o dos estagiários (quando eu, o @mauj77 e a @PriAmelie confabulávamos sobre a imprensa e estagiários) e das canecas (tudo começou com uma foto do @Preda2005 que ele tomava café numa caneca do Mickey Mouse que eu jurava que era o Pateta).

Nesta semana, a @herika (do blog Fragmentos) descobriu que seu nome, na Indonésia, é nome pra homens!!! Daí pra eu, a @luhidemi (do blog Dekassegui) e a @romina_sato (Bah Blog) e a @herika confabularmos sobre nossos nomes, principalmente os do meio (são japoneses) foi meia tarde na Time Line. Sim, acreditem se quiserem, mas nossos nomes do meio, japoneses, tanto faz homens ou mulheres terem, aí varia muito do significado dos ideogramas (os temíveis mas não impossíveis kanji), porque nome que tanto faz pra homem ou mulher, tem que ver o kanji. Vai virar postagem muito em breve, quanto menos tempo se imaginar. Ou não.

Pra completar o ciclo da semana, no dito twitter, a tarde toda minhas queridas e digníssimas amigas da Time Line trocaram idéias culinárias. E a lesada autora aqui, foi resolver ver justo na hora de voltar pra casa, dentro do trem a caminho de Yokohama, via celular (sim, eu tenho o twitter no meu projeto de iPhone) e era pudim de chocolate, torta de banana, bolo de cenoura. E ainda pra completar, estava morrendo de fome, pois só tinha almoçado (cedo, por sinal) e me entupido de café a tarde toda, pois no novo canto onde trabalho, nem pensar em petisco pra enganar a solitária, e só ia comer quando chegasse em casa mesmo.

Só que fiquei num dilema: qual bolo fazer, pois eu ia chegar em casa dez da noite e não podia fazer muito barulho, pois sei lá se os vizinhos iam reclamar do barulho da batedeira ou liquidificador, se bem que depois do tremor de quinta-feira, antes da meia noite e ninguém se abalou (sem trocadilhos, por favor), e volta e meia na avenida perto de casa os motoqueiros passam a mil por hora na maior sinfonia de escapamento aberto, o barulho da batedeira nem ia ser nada. Fiquei entre o bolo de banana e o bolo de cenoura.

Decidi fazer o de cenoura, pois tinha que aproveitar logo as cenouras que estavam na gaveta da geladeira. Ainda mais que a Páscoa está perto. Se bem que até hoje eu tento descobrir o que o coelho tem a ver com os ovos, algo que nem no tempo de catecismo souberam me explicar, mas deixa pra lá.
Bolo de cenoura com cobertura de chocolate. As formigonas de casa agradecem.

A receita é facinha, facinha, daqueles "põe tudo no liquidificador e seja lá o que Deus quiser". Bom pra aquelas horas em que a paciência de separar clara pra bater em ponto de neve vai pras cucuias, ou não precisa tanto ingrediente assim. E nutritivo também, pois a cenoura é rica em fibras dietéticas, antioxidantes, minerais e betacaroteno, que dá a cor alaranjada da raiz e responsável por ser rica em vitamina A, essencial para manter boa visão.

Não lembro de onde copiei a receita, tenho um caderninho escrito a mão desde os tempos que morava na cidade no meio da montanha, quero dizer, em Hikami (Hyogo) e foi deste caderninho que eu tenho esta e algumas outras receitas básicas (o bolo formigueiro e o bolo de banana também são deste caderno).
Saiu meio torto, mas vai pro estômago mesmo...

Bolo de Cenoura


Ingredientes:
3 cenouras grandes picadas em tiras finas (piquei em cubos grossos)
1 xícara de óleo (usei 3/4 de um copo de medida, e de colesterol zero da Nissin Ollio)
4 ovos
1 limão espremido (não tinha limão, a fruta, usei 30 ml de suco de limão da Pokka)
2 xícaras de farinha de trigo peneirada
2 xícaras de açúcar
1 colher (sopa ) de fermento em pó

Modo de preparo: Preaqueça o forno a 180゚C (aproveite para torrar uns pães antes, nesta época de economizar luz...). No liquidificador, bater os quatro primeiros ingredientes. Despejar a massa em uma tigela e juntar aos poucos a farinha de trigo e o açúcar e misturar bem (aconselho usar uma espátula para misturar a massa), sem deixar empelotar a farinha. Juntar o fermento e misturar sem bater, colocar em uma forma untada e polvilhada com farinha e assar por 35 minutos. Retire do forno e cubra com calda de chocolate conforme a receita abaixo:

Cobertura:
8 colheres (sopa) de açúcar
6 colheres (sopa) de chocolate em pó
6 colheres (sopa) de leite
6 colheres (sopa) de margarina

Modo de preparo: Ferver até desgrudar da panela e colocar no bolo assim que o retirar do forno.

Nota: a receita é para quem usa formas do tamanho que têm no Brasil. Como aqui no Japão as formas são menores, se sobrar massa, obviamente aproveite e asse em forminhas de muffins, assim aproveita o calor do forno e também sobra mais bolo pra comer. Ou também pode assar em formas de muffins, e cobrir com a calda. Minha receita deu uma assadeira quadrada (é a única que possuo e que cabe no forno que tenho) e seis mini bolinhos...


Fotos: a que abre o post, via seogugol, era a mascote Zumin, do finado programa matinal da Nippon TV - "Zoomin Super". A do bolo de cenoura, da autora mesmo, via celular. Os pratos foram adquiridos na padaria Andersen/Little Mermaid, na promoção mensal: todo dia 15, na compra de ¥630 em pães desta rede, troca-se por um brinde - ou uma louça ou um vidro de geléia.

Wednesday, April 06, 2011

Sessão Pipoca: "Kobe Shimbun No Nanokakan"


Comercial da TV sobre o documentário, com os atores que protagonizaram os personagens principais
Eu sei que deveria parar no momento de falar de terremotos e outros desastres naturais, ainda mais agora que a vida está se normalizando, mas recentemente assisti - em DVD mesmo - um especial da FujiTV feito em janeiro de 2010 especialmente para lembrar os 15 anos do terremoto de Hanshin-Awaji (o que muita gente conhece como o "Terremoto de Kobe"), baseado em relatos de quem esteve na hora exata onde ocorreu o tremor, mais precisamente, a redação inteira do jornal Kobe Shimbun, um dos maiores da província.

"Kobe Shimbun no Nanokakan ~Inochi to Mukiatta Hisaikishatachi no Tatakai" (神戸新聞の7日間~
命と向き合った被災記者たちの闘い ou "Os Sete Dias do Jornal de Kobe - Vida e Luta, Afetados pelo Desastre") foi um especial produzido pela FujiTV e foi transmitido no dia 16 de Janeiro de 2010. Conta os sete dias que o maior jornal da província - Kobe Shimbun - teve que enfrentar as consequências de um dos maiores terremotos que o Japão teve.
A caminho de Kyoto - quando resolvem parar no alto das montanhas e viram a dimensão da tragédia
Devido ao impacto, a sede do jornal acabou sendo seriamente danificado, somente uma linha telefônica funcionava e o computador principal, que recebia e repassava as informações para as gráficas imprimirem os jornais e distribuir, acabou sendo quebrado, impossibilitando de transmitir qualquer dado. Com um acordo feito com o Kyoto Shimbun no ano anterior - que em caso de calamidades poderiam utilizar os serviços e equipamentos dos escritórios -, os diretores de ambos os jornais, concordaram que alguns repórteres e fotógrafos de Kobe utilizassem o escritório do Kyoto Shimbun para dar prosseguimento às notícias, nem que fossem três folhas.

Estradas destruídas, incêndios, falta de necessidades básicas. Isso os repórteres e fotógrafos teriam que registrar e passar para os jornais, para que a população saiba do que realmente aconteceu (lembrando que emm 1995, a internet não era o que é hoje em dia). Em Kyoto, os repórteres recebiam as informações por telefone dos outros funcionários que ficaram em Kobe. E os fotógrafos tiveram a dolorosa missão de registrar em fotos a real situação, sofrendo represálias, agressões e caindo em choro compulsivo, pois as imagens eram dolorosas.
Mesmo o prédio em risco de desabar e com apenas uma linha telefônica funcionando, o trabalho não pode parar

Durante uma semana, o jornal circulou de forma provisória, com seis páginas e muitas distribuidoras, especialmente em locais mais afetados, distribuiram os jornais a todos os moradores em locais improvisados de forma gratuita. Por volta do quarto ou quinto dia que a direção do jornal resolveu dar mais ênfase ao lado de depoimentos da própria população que sobreviveu, como era a vida nos abrigos, a dor da perda de familiares. Partiu a iniciativa de um dos editoriais-chefe de escrever uma crônica sobre o que passou nos dias seguintes ao desastre, pois ele mesmo perdeu o pai. O diretor-chefe da redação também havia dado um basta em falar somente da tragédia em si e repensar sobre o futuro do jornal.
O prédio do Kobe Shimbun, tirada quase duas semanas depois da tragédia.
Com o editorial de Yasuhiro Miki, contando o que passou nos dias seguintes do terremoto, e os fotógrafos visitando os sobreviventes, conversando e vendo o lado mais humano do desastre, o jornal, que já tinha uma boa tiragem, passou a ser um dos mais vendidos na região de Kansai ao mostrar nas páginas principais durante a tragédia, uma ponta de esperança.

O drama-documentário foi baseado em fatos reais e depoimentos dos ex-funcionários que estiveram no momento do desastre. Intercalando o filme e os relatos dos personagens reais, este documentário tem grande valia também sobre jornalismo.

Kobe Shimbun no Nanokakan - Inochi to Mukiatta Hisaikishatachi no Tatakai (2010)


Direção: Go Shichitaka e Yuji Mobara


Elenco: Sho Sakurai (Tomohiko Mitsuyama), Kazue Fukiichi (Kaoru Kofuji), Masato Hagiwara (Mitsuyoshi Kanai), Kei Tanaka (Yuiku Chin), Takehiko Ono (Takayuki Hirata), Kei Yamamoto (Yasuhiro Miki), Masahiro Takashima (Manshuji Shudo), Takashi Naito (Hideo Yamane), Keisuke Horibe (Akiyoshi Watanabe), Dankan (Tadao Sasa), Kenichi Yajima (Nagatomi Norimoto).


Exibido dia 16 de janeiro de 2010, no especial "Douyobi Premium" pela Fuji Television.


Audiência: 19,3% (região Kansai) e 15,3% (região de Kanto).


Baseado também no livro publicado pela mesma Kobe Shimbunsha - "Kobe Shimbun no 100 nichi".


Geralmente em todo site oficial do programa ou novela tem este gráfico de personagens e suas relações com outros.


Notas:
- Foram baseados também em fatos reais, em depoimentos feitos por Mitsuyama (fotógrafo do Kobe Shimbun), Kofuji (na época, era trainee de fotógrafa), Hirata (ex-diretor do Kyoto Shimbun, que ajudou os reporteres, cedendo o espaço para que o jornal prosseguisse), Yamane (ex-diretor do Kobe Shimbun), que apareceram no documentário.
- Os quatro funcionários do Kobe Shimbun que foram para Kyoto para continuar com o jornal circulando perante a tragédia foram o editor-chefe Manshuji Sudo, o revisor Akiyoshi Watanabe, o fotografo Tomohiko Mitsuyama e o motorista Tadao Sasa.
- Foram inseridos cenas de arquivos de muitos documentários filmados na época.
- Os pais do ator Masahiro Takashima (que interpretou Shudo, um dos revisores do jornal que deu segmento em Kyoto) tiveram a casa destruída no terremoto, como o ator descreve no site oficial do programa.
- Este especial saiu em DVD em junho de 2010.
O prédio onde atualmente situa-se a redação principal do Kobe Shimbun, proximo ao Kobe Harbor
Fotos que ilustram a postagem: via google. 
Texto baseado no Wikipedia, DramaWiki, site oficial do programa: http://wwwz.fujitv.co.jp/kobe/index.html

Postagem publicada na seção Entretenimento no Portal Nippon dia 6 de Abril de 2011: http://portalnippon.com/entretenimento/cinema-e-tv/j-dorama-kobe-shimbun-no-nanokakan.html