Friday, October 12, 2012

Não é nada fácil...



Eu sei que vai ter gente que vai querer me matar, uma parte querendo arrancar minhas vísceras e pendurar num poste, e outra parte querer me espetar num rolete pra assar e alimentar metade de uma nação faminta, mas cada um tem seu modo de pensar e eu não sou diferente.



Afinal, o Empório (como eu chamo aqui) é meu e eu faço o que quiser e eu pago minhas contas.

De algum tempo pra cá, acho que fiquei muito ácida demais ou realista demais, ou as duas coisas juntas, porque talvez meio se deva devido ao meu estado atual. Apesar de eu estar trabalhando e ter mudado de cabeça pra baixo minha vida, tendo que começar literalmente do zero (quando digo do zero, é do zero mesmo), passei a ver muitas coisas de outro ângulo...

Muitas pessoas (especialmente no twitter) acham que, pelo fato de eu estar morando no Japão, eu tenho acesso muito fácil das coisas, como eu havia mencionado nesta postagem. A verdade é que não seria bem por aí.

Tirando algumas pessoas que me conhecem muito bem, sabem como é difícil viver aqui, algumas outras nem sabem como seria. Como vou dizer? Em se tratando de conseguir goods, revistas, livros, DVDs, CDs e outros itens de artistas favoritos? O ponto crucial seria isso mesmo.

Quem me conhece, sabe que tenho a principal tríade de artistas que gosto, ouço, tento acompanhar (quando digo "tento", é porque meu horário livre nunca coincide com os programas de TV que gosto), compro álbuns, singles, DVDs, algumas revistas (porque se comprar tudo o que vejo deles, haja dinheiro e lugar no cafofo), alguns goodies (que sejam de utilidade geral, como bolsas, camisetas, uchiwas, álbuns de fotos, strap pra celular, chaveiros e vamos parar por aqui senão não terei lugar pra guardar as coisas) e tentar ir em shows quando consegue ser a felizarda no sorteio.

Tem gente que sabe o quanto batalho pra caramba para conseguir obter essas coisas (quem é fã, vai me entender), mas eu procuro não me exceder, porque tenho que ter dinheiro para pagar minhas contas, minha compra de supermercado da semana, impostos e ainda sobrar pro meus momentos de distração, porque afinal, sou filha de Deus e mereço um dia de descanso semanal, né?

Geralmente eu obtenho alguns itens (especialmente CDs e DVDs) em lojas de segunda mão, como a rede Book Off (que em breve vai merecer uma postagem sobre isso, porque nunca economizei tanto em minha vida), mas já teve (muito) item que comprei em dia de lançamento, fiz reserva, foi na hora mesmo, já cheguei a usar todos os pontos do cartão de fidelidade porque bateu o desespero, paguei pelo preço real, sem desconto nada... Okay, vai ter gente aqui falando "ah, mas isso é supérfluo, bla bla bla". Pergunto: você trabalha? Ganha seu dinheirinho suado? Paga minhas contas? Então, se não agrada, tem um "X" no lado direito da tela do seu monitor, sabia?

Voltando: quando sai alguma notícia de alguém da minha tríade, minha timeline lota de gente lamentando "porque não isso, porque não aquilo, porque não sou como (nome aqui) que mora no Japão e consegue tudo fácil, porque não moro no Japão", bla bla bla... Como se morar aqui seria a oitava maravilha do mundo...

Nem tudo que sai sobre minha tríade, eu compro, eu vou, eu consigo. Primeiro, porque quando sai, nem sempre tenho fundos (a.k.a. dinheiro) para comprar na hora, só depois mesmo. Segundo, eu preciso ter tempo para ir nesses lugares, o que atualmente nem isso estou tendo direito, porque trabalho de segunda a sábado, folgo aos domingos e isso no período noturno. E isso quando aos domingos não me chamam de última hora pra cobrir gente que falta (na verdade, da próxima vez que me chamarem, vou ter que ir de qualquer jeito, porque duas vezes me chamaram e não deu pra ir, ou eu dormiria em cima do bolo).

Quando vou para comprar alguns goodies, vou porque tem sempre algum item útil (ecobags por exemplo). E compro prazamiga porque pelo menos as poucas que me pediram, foram quem mais me ajudaram, apoiaram, ampararam, ficaram do meu lado nas horas mais difíceis da minha vida e até hoje sou imensamente grata à elas. E elas sabem o quanto eu sofri em setembro passado ficando mais de dez horas plantada em uma fila imensa para comprar, sem dormir, sem comer, a base de água e chá, debaixo de sol e chuva. E ainda voltar pra casa e encarar dez horas de trabalho sem ter dormido nada. Quando reconhece o quando é difícil, vale a pena. O duro é quando existem pessoas que pedem e nem sabem o quanto a gente sofre ficar na fila (não aconteceu comigo, mas já ouvi histórias assim).

E se tratando de edições especiais e limitadas, acho que nunca recebi tanta reclamação indireta em toda a minha vida...

E pra conseguir ir em shows? Se não for membro do fã clube, tiver sorte no sorteio ou ter uma amiga que seja sócia e consiga um ingresso pra você (isso se ela conseguir ser sorteada também), suas chances são zero. Das vezes que consegui ir em shows conforme contei no Empório, foi na sorte mesmo. Teve show que tive que esperar a segunda rodada. Teve show que fui porque não esperava ser sorteada.

O que mais me deixa até com raiva é gente na minha timeline fica reclamando "porque não tem show de (nome de artista/banda/grupo) aqui, porque não trazem pra cá, porque isso porque aquilo". Raiva, porque ninguém (salvo exceções) pensou o quanto sai caro um show internacional no Brasil. O mesmo talvez aqui no Japão (talvez eu agora entenda melhor porque desde 2002 Sir Paul McCartney até agora não faz shows aqui), apesar de ter artista (e "artista") que vem pra cá todo ano porque sabe que o retorno é grande.

Sobre shows internacionais no Brasil, especialmente de artistas asiáticos, estava comentando com uma outra amiga minha em off. Certo que teve artista nipônico que veio para uma série de shows, mas não precisava de superproduções, talvez lotasse um lugar equivalente a um Credicard Hall, eu acho (leitores, relevem, não sei a dimensão do tamanho das casas de shows do Brasil porque fazem anos que não volto pra ficar uma boa temporada aí). Mas como fazer no caso de artistas que, aqui no Japão lotam lugares equivalentes ao Yokohama Arena (cerca de 20 mil pessoas), Yokohama Stadium (cerca de 40 a 50 mil, inclui aí o lugar do gramado), Nissan Stadium (50 a 60 mil, inclui o do gramado também), Ajinomoto Stadium (teve um septeto que conseguiu um público de 50 mil pessoas), Tokyo Dome (50 a 60 mil pessoas, inclui o do gramado), Estádio Olímpico de Toquio (chega até a 70 mil pessoas, inclui pista e gramado também)? Será que no Brasil teria público para compensar gastos de transporte/ pessoal/ equipamentos/ e muito mais? Para um certo grupo, teria que ser um lugar como o Estádio do Morumbi, por exemplo. Agora vem a pergunta: será que teria gente o suficiente para lotar um lugar como o Morumbi? Será que alguém pagaria mais de 700 a 1000 dólares para assistir? E será que teve mais gente da minha timeline que pensou nisso tudo?!

Não basta ficar querendo que traga tal artista (tal como fizeram uma enquete no FB, se não me engano, e foram artistas que talvez não tenham tantas despesas de transporte e produção, e teve gente que reclamou porque não incluiram tal artista na enquete), tem que pensar se compensa.

Certo que participei de uma enquete para trazer um quarteto ao Brasil (pra apoiar duas amigas minhas), já que fizeram uma série de shows internacionais (inclui aí no Madison Square Garden, em Nova Iorque), mas depois fiquei pensando ~ onde será que eles fariam os shows? No Madison foram quantas mil pessoas para ver? Esqueci desse detalhe na hora (mas depois que acessei alguns sites do assunto, deu mais de 20 mil pessoas).

Claro que eu quero que outras fãs no exterior tenham o mesmo prazer de ver seus artistas favoritos da mesma forma que a gente aqui. Nunca neguei que fazem anos que sonho em ir novamente no show do Sir Paul McCartney (porque ele veio em novembro de 2002 para dois shows no Tokyo Dome, e não fui porque não sabia que tinha que comprar com muita antecedência), porque a última vez que eu fui, ainda estava no Brasil, em abril de 1990. Depois disso nunca mais consegui ir e quando pensei que ele nunca mais viria ao Brasil fazer shows...

Eu gostaria muito que as pessoas entendessem que, nós que moramos do outro lado do mundo, onde o dia pra vocês seria noite e vice versa, onde agora estamos no outono pra vocês seria a primavera, podemos ter uma "certa facilidade" em obter isso ou aquilo, mas se não estiver trabalhando e garantindo o suado dinheirinho nosso de cada dia, fica difícil, ainda mais pra quem não tem pai ou mãe que possa te sustentar (e mesmo se meus pais estivessem comigo aqui, imagina se eu ia ficar pedindo pra eles, acho que pagariam era uma diária eterna num sanatório).

Da mesma forma que eu sei que muita gente que mora aqui no Japão deve pedir muita coisa pro pessoal do exterior, e nem sempre às vezes consegue (devido às taxas de envio, produtos que não são permitidos, etc.) e o pessoal que mora no exterior sofre mais ainda devido alfândega e taxas.

(Nota: na verdade, ajudar, a gente quer, mas queremos que entendessem que nem sempre conseguimos o que queremos. Nem temos tempo disponível para isso. Nem sempre o dinheiro dá na hora por mais que falem "a gente paga", mas demora muito para chegar aqui.)

Ah... para quem não sabe, minha tríade de artistas favoritos seriam Masaharu Fukuyama, SMAP e Arashi.


Fotos: via google.


3 comments:

  1. Nada é fácil nessa vida. Tudo é conquistado com algum ou mto esforço. EU acho que já vi esse post por aqui.

    Kisu!

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