Friday, April 25, 2014

Eu sou eu mesma ♥

Embora eu tenha mais de uma década morando no Japão, tento conversar na língua local, estudando conversação (um dos meus pontos fracos em matéria de aprender línguas - eu "travo" na hora de conversar), uma das coisas que até hoje nunca consegui tirar, é o meu sotaque de interior. Caipira, vamos ser mais francos.

Bem, eu não tenho somente o sotaque caipira, mas alguns hábitos de gente criada no interior. Por mais que eu tenha morado em algumas cidades de contingente habitacional muitas vezes maior que a minha, eu ainda mantenho isso em mim. 

Muitos dizem que é uma característica minha e que não devo mudar, porque não adianta querer ser igual como todo mundo. Certas coisas a gente tem que mudar, tais como ser menos explosiva, menos procrastinadora, mais decidida, seus hábitos alimentares, seu estilo de vida... 

Fora o sotaque que denuncia claramente minhas origens (quem me conheceu pessoalmente, sentiu o drama), tenho, sim, hábitos de interior. Talvez sejam vários, que eu faço no meu dia a dia e nem percebo. Mas talvez um dos mais comuns seria gostar de ir muito "na cidade grande" (como a capital, Toquio e Yokohama, por exemplo), ou como disse um leitor em um dos meus posts sobre Kisarazu - "os jecas resolveram ir cidades como Toquio e Yokohama pra gastar do que os moradores destas cidades virem gastar em Kisarazu". 

Sabe, as pessoas podem falar que somos aqueles caipiras deslumbrados pela cidade grande, mas existem pessoas da cidade grande que dariam tudo por um quinhão de terra no interior. E se as pessoas querem ir tentar a sorte na capital, uma parte porque conseguiram um trabalho fixo por lá (experiência familiar - meus dois irmãos estão morando e trabalhando na capital paulista porque ambos foram convocados a trabalhar lá). Mesma coisa gente que quer tentar a sorte no exterior, ué, deixa eles quebrarem a cara lá (ou não, depende do contexto).

Um outro leitor (acho que seria o mesmo com outro nome, não sei, não posso afirmar nada, somente supondo que seja) comentou em um post que fiz sobre o bairro Mimachi Doori de Kisarazu, dizendo que meu post teria um tom de "gente que morou em Yokohama".

Assumo mesmo que morei em Yokohama, gosto muito de lá e quero voltar a morar novamente. Não estou dizendo que não gosto de Kisarazu (muito pelo contrário, estou vendo vantagens de morar aqui, só preciso explorar as demais áreas), mas sabem o que foi ter morado quase nove anos em Yokohama? A gente acaba pegando amor pela cidade, desculpem quem não acredita nisso.

Podemos morar em vários lugares, mas quando a gente acostuma com certos lugares, a gente faz de tudo pra continuar vivendo. O importante é sentir-se bem onde você está (porque teve lugar que eu tinha era vontade de chorar, largar tudo e sair correndo). Estou bem aqui? Estou, vivendo como todo mundo, trabalhando, passeando, comendo e se divertindo.

Cada um vive da forma que quiser, desde que saiba manter a ordem, educação e respeito.

Eu sempre digo a mim mesma que, mais importante de se preocupar se seu sotaque é caipira ou não, é ter controle do meu gênio - que é dos infernos e nem sei como eu me aguento -, manter a compostura, ser educada e ter bons modos.

Lembro-me de um tempo atrás que eu estava muito, mas muito mal mesmo. Pessoas que eu conhecia de um certo tempo criticando meu modo de ser - fandomicamente falando, se me entenderam - de forma indireta. Pode ser besteira? Pode, mas quando essas críticas chegam a nível pessoal, aí a coisa fica feia. Contei o episódio para uma amiga (via e-mail mesmo, por causa da distância, infelizmente) e ela prontamente me retornou: 

"Não ligue para que os outros dizem de você.  Seja você mesma e viva feliz."

Na medida do possível, vou tentando levar minha vida como eu posso. E ser uma melhor pessoa também.

Paul McCartney sempre assumiu que é de Liverpool, mesmo tendo morado décadas em Londres e Estados Unidos, ele ainda mantém o seu sotaque da região onde nasceu. "Scouse" seria gíria inglesa para os nascidos na região de Merseyside. (Paul faz parte do projeto #IAM do site Everyone Matters Day , de onde obtive a imagem)






2 comments:

  1. Eu travava muito pra falar com os outros. Fiz faculdade de comunicação justamente por achar que isso solucionaria meus problema de comunicação, mas vi que tenho mto o que aprender todos os dias uahauahua

    Kisu!

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    1. Você, tímida, Bah?! Pelo que percebi, você tem mais cara de pau, ops, mais desenvoltura em enfrentar a barreira da comunicação...
      A verdade que aprendemos algo novo todos os dias, mesmo sem perceber.
      E'... eu tambem, mesmo sendo na tentativa e erro...

      Beijao!

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