Saturday, May 28, 2016

A Arte de Saber Puxar (ou não)

Da page "Minions Sinceros" do FB


Sério.

Não parece, mas eu sou péssima pra puxar conversa. Nem quando eu estava no Brasil, e ia para a faculdade e trabalho todo dia, pegando coletivo, nunca consegui começar uma conversa, a não ser para perguntar onde ficava tal lugar para algum transeunte. Mesmo assim, eu procurava algum posto policial ou alguma loja, bar, qualquer estabelecimento comercial pra perguntar onde fica.

A situação piorou quando vim morar aqui no Japão. Eu sei que, para aprender a conversar em japonês, o ideal seria fazer amizade com algum nativo, o que ESTA ATE HOJE SENDO MUITO DIFICIL conseguir puxar papo. Alguns vêm tentar puxar conversa, mas quando eu falo que sou brasileira, acho que quase todo mundo sabe quais as perguntas que eles fazem. E eu pra explicar que 1) nasci no Brasil apesar da minha ascendência nipônica? 2) que nem todo brasileiro gosta de carnaval e futebol? Isso vale para qualquer pessoa estrangeira, porque não foi somente japonês que faz essas perguntas, não....

Já sei: e se fosse algum assunto de seu interesse, você ficaria dias e dias conversando sobre isso. Verdade. Mas aí depende muito, especialmente da pessoa com quem você iniciou a conversa (e depende da conversa também). E quem me conhece muito bem, sabe que assuntos eu costumo tentar puxar conversa.

Puxar o saco de algum superior para conseguir algum benefício, é algo que também não sei e não consigo.  Sei lá, sempre achei que pra conseguir o que queria, era a base de esforço, trabalho e ser "certinha" demais. E' nessas outras e tantas que já tomei tanto na cabeça...

Conheci e conheço muita gente no ambiente de trabalho que faz de tudo pra conseguir um cargo alto ou até ser líder ou chefe. Quem é mais ou menos da minha idade (ou menos), vai lembrar de um personagem do programa "TV Colosso", o Capachão, que era o maior puxa-saco do chefe. Ou talvez do Fagundes, personagem das tiras do Laerte. Naquela época eu achava até exagerado demais o chamado estereótipo do puxa-saco que eu via no programa e no jornal, mas quando você entra em uma empresa onde tem mais de 50 funcionários e duzentos departamentos, aí cai tua ficha e presencia cada coisa... Se bem que até hoje presencio alguns momentos de puxa-saquismo na cara de pau mesmo. Uma coisa é você fazer seu trabalho bonitinho, direitinho e procurar não faltar (mesmo porque depois faz uma falta na carteira no final do mês). Outra coisa é ficar bajulando o chefe e não mostrar qualidade no seu trabalho.

Sei que muitas vezes esse tipo de ato (o puxa-saquismo) incomoda e como. Mas eu procuro ficar no meu canto e fazer meu trabalho conforme o que foi informado. E', e tentar interagir com o grupo porque nesse ponto temos que pensar no coletivo e não no individual, por mais que você odeie essa ou aquela pessoa. Afinal, estamos todo no mesmo barco.

"Violação: Impossível" era um texto da Clarissa "Clara McFly" Passos no finado blog "Garotas que dizem ni!", que eu amava e muito eu devo a esse trio de blogueiras. Era sobre como abrir embalagens de produtos sem ter que apelar para meios violentos. O famoso "abra aqui" ou "sistema abre fácil" pra muitos produtos, exige uma certa dose de destreza, cálculo e muita, mas muita paciência. Inclusive nos produtos daqui do Japão, que muita gente diz que é superfacinho de abrir. Não nego, mas também já tive meus momentos de fúria de abrir um pacote de batata frita na fé e a sala ficou com uma bela decoração de farelo de batata frita.

O tal da "fitinha vermelha pra abrir o pacote" (aka biscoito Passatempo), já me fez chegar ao ponto de pegar uma faca e cortar o pacote no meio. Você puxa a fita e acontece de tudo - a fita arrebenta no meio do percurso, a fita escapa e o pacote nem abre, quando consegue abrir, o pacote arrebenta e o conteúdo voa pela casa toda, isso sem falar quando as primeiras bolachas (ou biscoitos, tanto faz, vai comer mesmo) estão moídas e na hora de abrir o pacote, além de acontecer todas essas alternativas, você fica coberto de farelo de bolacha. 

Ou biscoito. 

Ou o que estiver escrito no pacote, tanto faz, porque na hora da vontade de comer, o importante é conseguir abrir. 

Agora, se não conseguir fechar o pacote decentemente, qualquer pote vazio serve...

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