Tuesday, November 08, 2016

[TAG: Cine Pipoca] Dos filmes que andei vendo...

No popcorn, no life, no movie, no fun.




Mesmo morando perto de um cinema e a 10 ou 15 minutos de Nagoya (a capital), para eu ir assistir a algum filme, o mesmo tem que me chamar a atenção e demais. Em setembro e outubro fui assistir 3 filmes, o que já seria bom. Conheço gente que vai quase toda semana, mas meu problema seria a parte de tempo literalmente falando, porque trabalho à noite e só dá pra ir ao cinema no final de semana. Ok, muitos vão dizer que aqui o ingresso é caro e não entendo nada.

Ingresso, se conseguir pegar desconto, melhor ainda. E sobre o idioma, aprendi muita coisa assistindo filmes e doramas, porque depender dos outros, pra algumas coisas, torna-se constrangedor. Isso seria uma outra história...

Voltando: os filmes que andei assistindo, aproveitei desconto (cupons que ganhei do cinema) e dia de folga. Mesmo assim, quase não consegui lugar no horário que eu queria.



Chokosoku Sankinkoutai Returns (2016): Assisti porque de tanto que alguns colegas de trabalho (japoneses) comentaram do filme anterior, de 2014. Fora a divulgação, que teve a presença de atores como Kuranosuke Sasaki e Kyoko Fukada. Cheguei a ver o trailer, pensei que fosse mais aqueles filmes de época, guerra feudal, etc., mas tem tudo isso, somado com comédia.

Sankin-koutai foi uma política de governo durante o período Edo onde os shoguns tinham que controlar os daimyos (senhores de terras) das províncias, fazendo com que eles residam por um tempo no seu respectivo han (o que seria a província) e no ano seguinte na cidade de Edo, a capital do shogunato. Para isso, os shoguns tinham que se locomover de um lugar para outro, e com isso, era necessário muita gente para acompanhá-lo - servidores e guerreiros -, e isso custava muito para eles, pois a quantidade implicava na importância de cada han. E um dos objetivos do sankin-koutai era a obrigação imposta aos daimyos também significava reduzir sua solidez financeira.

Masaatsu Naito (Kuranosuke Sasaki) é o quarto daimyo de Yunagaya, hen que antes estava sendo disputado pelo shogunato de Edo por possuir uma grande mina de ouro. Ao retornar para sua terra, Naito descobre que a mesma foi tomada e desconfia que foi vingança de Matsudaira pois o daimyo havia conseguido cumprir o trajeto de seu han até Edo em cinco dias (porque o normal seria oito dias, mas ia custar o dinheiro que o daimyo não tinha). Novamente, Naito convoca seus seis ajudantes para ter a propriedade de volta, já que até o castelo sumiu.

Daí o teaser do filme: "Sem dinheiro, sem pessoas, sem tempo... e ao voltar sem castelo também?"

Eu disse que tem comédia nesse filme porque existem situações que se tornam muito cômicas, como a discussão doméstica entre Naito e Osaki (Kyoko Fukada) em plena batalha, como conseguiram levantar fundos para a festança, a forma que encontraram para burlar a vigilância, o treinamento, as flechas nada comuns do Yoshinosuke Suzuki (Yuri Chinen) e a macaquinha Kikuyo. Claro que batalha tem, voa sangue pra tudo o que é lado, mas nada que seja um filme dramático.

Sete contra mil soldados de Matsudaira, para conseguir sua terra de volta.


Nota: assista o primeiro antes (fui tentar locar mas estavam todos fora de estoque), senão fica difícil entender como o grupo foi formado.

Curiosidades: 

- O filme foi quase rodado em Iwate. Tanto que antes do filme entrar em cartaz, teve até campanha para conhecer o lugar.
- Manteve quase todo o elenco principal, inclusive a macaquinha Kikuyo.
- Quem conhece Yuri Chinen, sabe que ele é canhoto e não tem medo de altura (é o que mais faz acrobacias em shows). Mas para interpretar o arqueiro Yoshinosuke Suzuki, teve que aprender a manejar arco e flecha com a mão direita e pra ajudar, o personagem morre de medo de altura.



Ikari (2016): Foi de tanto que comentaram nas redes sociais, vi o trailer e logo me interessei. Dirigido por Lee Sang-Il, o mesmo diretor de "Akunin", o filme tem três histórias em lugares diferentes mas a mesma questão: quem foi o assassino de um casal na cidade de Hachioji (Tóquio)? O elenco é excelente - Ken Watanabe, Aoi Miyazaki, Satoshi Tsumabuki, Go Ayano, Kenichi Matsuyama, Suzu Hirose, Mirai Moriyama.

Em uma cidade portuária de Chiba, Yohei (Ken Watanabe) desconfia de Tatsuya (Kenichi Matsuyama), namorado da filha Aiko (Aoi Miyazaki), por ele ter fornecido nome falso no currículo de trabalho.

Em Tóquio, Yuma (Satoshi Tsumabuki), um publicitário, começa a desconfiar do namorado Naoto (Go Ayano) por não encontrar trabalho.

Em Okinawa, Izumi (Suzu Hirose) começa a ter amizade com um andarilho que mora em uma ilha distante, Shingo (Mirai Moriyama).



Quem assistiu "Akunin", vai ficar mais tenso com "Akari". Aviso que as cenas são fortes, daqueles que, quem não for preparado psicologicamente, sai um pouco traumatizado (já começa logo no início do filme a cena do crime, estupro e violência inclusos).

Curiosidades:

- Não é a primeira vez que Satoshi Tsumabuki trabalha com o diretor Lee Sang-Il. Foi o protagonista do filme "Akunin" (2010), em que ele interpretou um jovem que acaba assassinando uma jovem que conheceu via site de encontros. 
- Assim como Tsumabuki, Ken Watanabe também já havia trabalhado com o diretor Sang-Il, na adaptação do filme norte-americano "Os Imperdoáveis".
- O filme teve três locações - Tóquio, Chiba e Okinawa.
- Suzu Hirose e Takara Sakumoto foram escolhidos mediante seleção para atuar em Okinawa.
- Takahiro Miura, que faz um dos investigadores, é filho do ator Tomokazu Miura e da cantora Momoe Yamaguchi. Também já havia trabalhado com o diretor no filme "Os Imperdoáveis".




SCOOP! (2016): Shizuka Miyakonojo (Masaharu Fukuyama) é um fotógrafo freelancer, que outrora trabalhou para uma revista especializada em fofocas no mundo artístico. Apesar de ser bem experiente e saber no que faz (conseguir grandes furos em celebridades), vive sempre endividado por causa de jogos e bebida. Junto com a novata Nobi Namekawa (Fumi Nikaido), Shizuka consegue atingir seu alvo, mesmo usando de práticas nada convencionais.

O filme mostra o lado do trabalho dos paparazzi, fotógrafos que fazem de tudo para escarafunchar a vida alheia com fotos, a fim de muita grana e os executivos das revistas especializadas faturarem e ganharem fama (nem sempre boa, mas aquelas "falem mal, mas falem da gente").



A atuação de Fukuyama como o paparazzi Miyakonojo está ótima (confesso que eu prefiro ele atuando como um personagem frio, sem vergonha e malandro do que como ator romântico, porque eu não consegui engolir até hoje. Por isso que até hoje gostei da série "Galileo" /foge), uniu o útil ao agradável - pra quem chegou agora, Fukuyama é fotógrafo e gosta tanto do que faz que chegou a dar um tempinho na carreira pra estudar e desde 2000 a TV Asahi convoca o moço pra fotografar os eventos nas Olimpíadas...

Claro que o elenco ajuda e muito - Fumi Nikaido, como a novata Nobi Namekawa, dá conta do recado mesmo sendo cobaia e faz-tudo do Miyakonojo; Yu Yoshida, que interpreta Sadako Yokogawa, a editora-chefe da revista Scoop!, Kenichi Takito, como Baba, o outro editor-chefe da revista (mas na divisão gravia, aquela parte onde parece a Playboy americana), Lily Franky (o amigo inseparável do Fukuyama na vida real) como Charagen, o amigo de Miyakonojo.

Certo que tem um certo exagero e Fukuyama meio que estereotipa um paparazzi decadente (todo desalinhado, bigode de malandro, camisa de brechó e roupa surrada), mas a graça do filme é o tom de comédia, aventura e o submundo. Por isso que o filme não é aconselhável para menores de 12 anos.

Curiosidades:

- Em setembro de 2015, logo após ter anunciado que havia casado, Fukuyama apareceu de bigode e cabelo com permanente. Foi devido ao personagem.
- Fumi Nikaido, natural de Okinawa, começou como modelo e logo depois passou a atuar. Devido a sua atuação no filme "Himizu", ganhou o prêmio Marcello Mastroianni de melhor atriz no Festival de Veneza, junto com Shota Sometani. Suas últimas atuações foram no filme "Nanimono" e no dorama "Soshite, daremo inakunatta" (como Sanae Kuramoto).
- Lily Franky, natural de Fukuoka, ficou mais conhecido pelo seu livro "Tokyo Tower", pelos seus personagens Oden-kun e atuação na TV, cinema e teatro. Desde 2006, ilustra o panfleto do fã-clube do Masaharu Fukuyama, seu amigo.
- O filme seria um remake de 1985 - "Tou utsushi 1/250 byou", de Masato Harada.

Fotos: dos sites oficiais dos filmes, exceto o que abre o post que é da autora.







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