Tuesday, July 26, 2016

Versão 4.6 ou Como aos poucos passei a tolerar e aceitar algumas coisas

Hoje, dia 26 de julho, além de ser dia das avós, a que vos escreve entrou na versão 4.6 da vida.




Daí se você faz parte de fã clube de seu artista favorito, ganha uma mensagem de aniversário. Sim, eu sei que é pra todo mundo, mas, pelo menos a gente tem o direito de ter momentos de plena alegria, por favor.

Como eu havia mencionado algumas postagens atrás, com o tempo eu passei a tolerar e até aceitar algumas coisas. Mas existem outras que não tolero de jeito nenhum (especialmente no assunto de DV, mas não vamos prolongar isso).

Uns bons anos atrás, eu era pior que "maria vai com as outras", fandonmente falando. Quando você faz parte de um fandom, dependendo de quem, ou você concorda ou você cai fora (ou você é mandado embora), e foi numa época em que eu estava na pior fase da minha vida. Sabe aquelas que se ninguém gostava e você acabava não gostando mesmo a contragosto? E nem poderia argumentar? Pois é...

Com o tempo e muitas traulitadas na cabeça depois, comecei a ver as coisas com outros olhos. De nada adiantava mesmo eu ficar de birra com algo e sem saber o que e como era. E eu teria que ter opinião própria, não porque fulana não gosta que você vai acabar não gostando (sendo que você adorou, mas pra não contrariar...)

O ponto mais crítico era no assunto de... música, dorama e filmes. Discordou, pronto: só falta sair no foice. Uns cinco, seis anos atrás eu era assim mesmo. Hoje, estou fazendo um pouco a egípcia e deixando pra lá. Vamos ser felizes da forma que cada um escolheu. E nem adianta criticar o gosto do outro, porque depois vem a resposta: "você também não gostaria que falassem mal do seu ídolo, certo?" Por mais que eu torça o nariz, há gente que goste. Da mesma forma que tem gente que torce o nariz para os meus. Então...

Ultimamente me andei pegando cantando "Koisuru Fortune Cookie". Só falta a coreografia.

Com o tempo a gente vai amadurecendo e começar a pensar melhor nos seus conceitos. Na verdade, a gente tem que ser feliz com que realmente gosta. Opinião alheia depende muito da situação, mas em matéria do combo música-dorama-filme, aí a coisa pega. E feio.

Chega um momento em que a gente tolera e deixa passar. Porque não vale mesmo a pena ficar irritada com o que os outros gostam. No começo incomodava? Pois é, acontece. Da mesma forma que terceiros podem não gostar do que eu gosto, mas se ninguém critica, por qual motivo eu deveria? Foi dessa forma que diminui minhas reclamações no Twitter, parei de atacar quem gosta ou não de tal coisa (porque ninguém é obrigado a gostar ou não das mesmas coisas que eu - se gosta, tudo bem. Se não gosta, acha ruim, critica, fazer o quê...)

A gente precisa evoluir, e saber aceitar e tolerar já é um avanço. Atualmente, não ligo mais para quem critica meus ídolos, minha comida, meu modo de viver. Da mesma forma que deixo as pessoas fazerem o que quiserem da vida delas, de cuidar da vida, já basta eu cuidar da minha.

Reconheço que errei e muito na minha vida. Mas foram através dos erros que procurei melhorar. Seja no trabalho, na vida, em tudo. Nunca é tarde pra correr atrás do que você procura, nunca diga que está velho(a) para fazer isso ou aquilo. Todo mundo fala para mim eu cuidar da saúde, porque sem ela, como irei trabalhar, ganhar dinheiros para poder fazer as coisas que gosto (cinema, shows, eventos)? Pois é...

Enfim, aproveitemos a vida, fazer o que gostamos e esquecer os problemas.

Fotos: printscreen direto do meu celular quando recebi os videos de aniversário do BROS. e Johnny's web e AKB Official Video no YT.



Tuesday, July 05, 2016

Beatles e Japão

Madrugada do dia 29 de junho de 1966 - Os Beatles chegam no Aeroporto Internacional de Haneda.

No final de junho e inicio de julho de 1966, os Beatles fizeram uma série de apresentações no Budokan, Tóquio. Na época, deu muito no que falar. Primeiro, já estavam meio que "queimados" perante fãs e imprensa por causa da declaração de John Lennon envolvendo as palavras Beatles e Jesus Cristo. Segundo, porque eles iam fazer show no Budokan, onde foram realizados os campeonatos de judô nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 e, o pessoal da extrema direita do país (leiam-se aqueles nacionalistas radicais) já estavam injuriados. Mesmo assim, fizeram, apesar da intensa vigilância (eles nem tiveram como pôr o nariz pra fora do hotel tamanha a vigilância que estavam para que não acontecesse nada) e cheio de seguranças.

Muita gente na época não sabia, mas 1966 era o ano em que os Beatles encerrariam as apresentações ao vivo, nos palcos e se concentrariam mais em estúdio - porque suas músicas tornaram-se difíceis de serem executadas ao vivo (naquela época). E também estavam cansados de tocar para público que mais gritava do que ouvia. Os Beatles perceberam a diferença de suas apresentações quando fizeram a turnê nipônica: quem ver os vídeos do show no Budokan, percebe-se que o público ficava mais ouvindo que gritando. E aplaudia no final de cada música.

Apresentação no famoso Nippon Budokan. Transmitido ao vivo pela TV e percebe-se a diferença do público que veio assistir e ouvir (principalmente isso) o quarteto.


Depois dessas apresentações, no Japão apareceram muitos grupos querendo parecer com os Beatles, desde o visual até tocar como eles. O que rendeu muita dor de cabeça para a sociedade local, inclusive algumas emissoras recusaram receber alguns grupos por causa do cabelo comprido e até tiveram shows que houveram incidentes. Nos anos 60, assim como nos Estados Unidos e na Europa surgiram muitos grupos de pop-rock, no Japão a coisa não foi diferente.

Um tempo atrás, fui atrás de alguns livros sobre o boom dos group sounds (ou GS), como era chamado o estilo musical dos anos 60 no Japão. Era grupo que não acabava mais, mas alguns continuam sendo lembrados até hoje, como The Tigers, The Blue Comets, The Spiders, The Wild Ones, por exemplo. Ou cantores como, por exemplo, Yuya Uchida (que escreve artigos para a Rolling Stone japonesa, no melhor estilo rock and roll). A maioria lançou um ou dois singles e depois que o fenômeno diminuiu, caiu no esquecimento (o chamado one hit wonder).

Muitos podem negar, torcer o nariz, mas é inegável que os Beatles impulsionou e inovou o pop japonês nos anos 60. Apesar que, no início dos anos 60, artistas como Takeshi Takeuchi e Yuzo Kayama já interpretavam músicas com uma "pegada" no rock - eles ficaram conhecidos como "os precursores do electric guitar" (ou "ereki"), já que eles tocavam guitarra elétrica em suas apresentações. Mas foi depois de 1966 é que o país ganhou uma diversidade de bandas.

O fotógrafo oficial do grupo entre 1965 a 1966, Robert Whitaker, acompanhou os Beatles até o término das excursões. No Tokyo Hilton Hotel (hoje Capitol Tokyu Hotel). O cantor-ator-guitarrista Yuzo Kayama foi um dos poucos artistas japoneses a visitar o grupo no hotel.

Antes dos Beatles fazerem shows no Japão, eles já eram conhecidos no arquipélago. Uma das maiores revistas especializadas em música pop, "Music Life", já dava destaque para os artistas norte-americanos e europeus. Quando o quarteto de Liverpool foi para os Estados Unidos em 1964, a revista mencionou o fenômeno Beatlemania. A editora-chefe da revista, Rumiko Hoshika foi quem conseguiu intermediar a vinda do quarteto ao Japão, tanto que ela foi para a Inglaterra diversas vezes (inclusive têm fotos dela com a banda nos estúdios) e esteve com o grupo durante a passagem deles no país.

Só que, com receio que nacionalistas radicais pudessem fazer algo de mal com a banda, tiveram que reforçar a segurança. Imaginem se acontece algo pior, além de complicar pelo lado diplomático, têm os fãs....

Daí por conta disso, muita gente começou a associar Beatles e Japão pelo lado ruim. Se mencionar sobre os cinco dias no Budokan, falam que foi ruim. E a coisa descamba quando o Paul foi pego na alfândega com a erva que passarinho não fuma.

Mas, ainda bem que, mesmo com esses altos e baixos, os álbuns dos Beatles e carreira solo são bem vendidos aqui no Japão, inclusive uma prateleira inteira é reservada para eles na maioria das livrarias e tem loja que vende goods on line (tinha a loja física, mas fechou e abre quando tiver algum evento especial). Sem falar que muito artista aqui diz ser influenciado pelos Beatles, inclusive aqueles que nem eram nascidos quando Lennon morreu.

Eu fiquei surpresa quando fui no Tokyo Dome, em novembro de 2013, no show do Paul: a maioria dos fãs eram na casa dos 30, e conheceram o grupo por causa dos pais, ou por curiosidade - ou seja, cada um tem sua história de como conheceu o grupo. E pensam que não ia lotar o Tokyo Dome? Quase 60 mil pessoas (foi possível porque o palco era no fundo e sobrou espaço na arena).

Em 2006, para comemorar os 40 anos da vinda do quarteto no Japão, foi lançado um livro de fotos, inclusive muitas delas raras, com tiragem limitada e numerada de 10 mil exemplares (na época, eu havia encomendado na loja Get Back, quando ela existia fisicamente). Agora, para os 50 anos, que acontece neste ano, houve um evento no Budokan (não tive condições de tempo - nos dois sentidos da palavra), revistas especializadas em música, na loja de departamentos PARCO abriram uma área para a loja Get Back fazer a venda de produtos e a confecção Graniph lançou uma série de camisetas com a estampa do grupo (essa empresa já fazia, apenas renovaram o estoque).

Na verdade, um tempo atrás, pensei em fazer no Empório uma pequena série sobre o quanto os Beatles influenciaram no j-pop.

Inspiração Beatles e Group Sounds na capa e PV do single do Kanjani Eito "Yellow Pansy Street": os paletós sem lapela circa 1963, as cores vivas que as bandas GS usavam e o baixo Rickenbacker modelo semelhante que McCartney usou por volta de 1967 (no PV quem toca é Ryuhei Maruyama)


Mas por que Japão??? Como eu havia mencionado antes, uma boa parte dos livros que andei lendo sobre a turnê japonesa de 1966, era um parágrafo e ainda falando (muito) mal. Mas não me entendam errado a respeito da minha intenção de fazer uma série: não é porque sou descendente de japoneses, moro quase duas décadas no arquipélago e fã do quarteto (com direito a três shows do Paul) que vou ficar defendendo. Que a turnê foi cansativa e estressante, isso todo mundo sabe. Mas o impacto que causou nos jovens daqui...

Bem, espero eu conseguir fazer a série, em postagens aleatórias e nada cronológicas. Do tipo: achou algo bem interessante, estarei fazendo postagem (com as devidas fontes, claro).


Imagens: Music Life archives; Reuters, Robert Whitaker, Kanjani Eito matome naver site.

Monday, July 04, 2016

Quando a gente quer se desligar

Muitas vezes eu me desligo do mundo real e acabo me distraindo com outras coisas, se possível, úteis e que me tragam um bem danado e me dêem energias para encarar a realidade, depois. Estranho? Para mim, não.

Ultimamente, nas redes sociais, eu só leio desgraça em cima de desgraça e, quando leio alguma notícia boa, SEMPRE tem alguém pra estragar tudo. Isso quando a intolerância toma conta do espaço.

Qualquer coisa, muita gente cai matando, fica de mimimi. Nem paro pra ler: fecho a janela e vou cuidar da vida. No que eu penso "hoje vou ler as notícias para não ficar tão desatualizada", às vezes desanimo no primeiro comentário que leio, só resta fechar a página e passar pra próxima, pra ver se as coisas melhoram. Ou descamba de vez.

Duas personalidades fofas na 5a. Edição do Waku Waku Gakkou em 2016

Confesso: tem dias que passo longe de notícias na web, especialmente de redes sociais. Eu entendo que cada um tem opinião formada, mas no calor da discussão, se fosse frente a frente, metade da população seria dizimada. E não seria exagero, não, porque, ultimamente, muita gente se irrita por qualquer coisa. Se na internet, sai tanta agressão verbal, partir pra física quando se encontrar, seria um pulo.

Procuro ao máximo possível nem comentar sobre o que passa para os colegas de trabalho, porque até o fato de ir ao cinema já gera comentários pessimisstas e de gosto duvidoso, quem dirá se comentar sobre a situação atual do mundo.

Mesmo nas redes sociais, se a gente posta foto de um DVD que a gente comprou (com grande custo), de uma paisagem de um lugar que você foi, pago com o suor do seu trabalho, SEMPRE mas SEMPRE vai ter um fulano criticando. Antes fosse criticar o enquadramento da foto...

Numa dessas e tantas que têm dias mesmo que eu fico longe das redes sociais. Já não bastasse passar raiva no trabalho, quando chego em casa, eu quero alguma coisa boa (tirando comida), como assistir algum programa que tenha ao menos 50% de notícia boa, ou acessar as redes sociais e pessoas compartilhando assuntos úteis para a vida.

Se não, faço maratona de doramas atrasados. Ué, não tem gente que faz maratona de séries? Então... (Numa dessas, acabei revendo "Yorozu Uranai Dokoro Onmyoya e Yokoso" e de quebra ainda fiz resenha...)

Trago a pessoa amada em cinco dias, mas com essa quantia que você pode me pagar, consigo trazer em vinte dias.

Quando participei de uma blogagem coletiva no ano passado, mencionei que assuntos que evito colocar no blog são política e religião, porque não são assuntos que o blog é voltado, além de que são assuntos saturadíssimos. Como eu disse: se for pra brigar, que a gente discuta sobre o assunto de biscoito e bolacha. (Pra mim, biscoito é recheado e bolacha é sem recheio e geralmente salgado, mas tem bolacha maria e biscoito de polvilho, aí seria outra história....)

Por isso que eu costumo postar mais assuntos leves, como doramas e filmes que assisti, músicas, promotion videos, fotos de lugares onde fui, comida, receitas....  E quem vê minha página do FB, raramente compartilho algum assunto polêmico, exceto se for caso muito extremo mesmo. Do resto, coisas fofas e engraçadas (agora sei porque o número de seguidores diminuiu ), e às vezes assuntos deste Empório.

Outra coisa que aprendi também depois de muito levar toco, é não comentar que consegui realizar algo na vida ou os planos deram certo. Se possível, eu comento depois que o evento já passou, que o plano já terminou, etc. Porque da última vez, foi uma decepção tão enorme que, agora eu entendo quando me disseram que  "a sua felicidade causa a inveja da outra pessoa".

Enfim, se por acaso eu ficar sem aparecer nas redes sociais, tenho dois motivos: um, devido ao meu trabalho, eu só consigo entrar nas redes sociais aos finais de semana ou logo pela manhã. E segundo, quando estou saturada de tanta falta de empatia nesse mundo, resolvo ir assistir doramas ou ler meus mangas ou revistas. Ou revisar os estudos do japonês que está em situação semi-estática.

Cuteness overloading porque a gente precisa mais de amor nesse mundo.

Porque realmente, não vale mais a pena a gente ficar se estressando lendo coisa ruim, ainda mais quando MUITA gente fica postando a mesma coisa ou similiar nas redes sociais. Fecha a página e vamos fazer algo de útil né.

Imagens: weibo (via twitter), prmc.jp, matome-naver.com