Tuesday, February 14, 2017

O Caminho Que Escolhemos Seguir



Em meus quase vinte anos morando no exterior, um dos comentários mais óbvios que eu tenho que aguentar, mas ainda limito a responder "porque eu quis, oras", é "por que você escolheu permanecer aqui [no Japão] do que voltar pra sua terra natal e refazer a vida lá".

Cada um de nós escolhe seguir o caminho que mais lhe cabe bem (inclusive gente que acaba indo pro mau caminho, no sentido mais literal possível), agora se vai dar certo ou quebrar a cara, aí são outros quinhentos, mas a responsabilidade será da pessoa, não de terceiros (embora tentemos dar conselhos e dicas, se vai ouvir ou não, aí seria da pessoa que escolheu mesmo).

Mas o que mais me deixa mais chateada e vontade de sair correndo pra bem longe, é ouvir as pessoas criticando as escolhas de outras e inclusive delas mesmas. Já ouvi cada história que algumas seriam dignas de enredo de folhetim barato. Mas já ouvi histórias de superação e aceitação.

Não critico as pessoas que escolhem e acabam tendo resultados acima ou abaixo do esperado, porque todo mundo passa por fases que vão da escuridão e trevas e chegam ao arco-íris da felicidade (experiência própria). Por isso que eu prefiro ouvir quem superou as dificuldades do que aquelas que reclamam de tudo e nem se esforçam em melhorar (mas se escolheram isso, que podemos fazer?).

Por isso que sigo adiante, vou fazendo minha trilha.

Se escolhi ficar aqui, foi por minha livre e espontânea vontade.

Se escolhi trabalhar num lugar que me traz dores de cabeça, foi porque eu quis, porque tenho um objetivo e quero atingir o final.

O caminho você escolhe. Podemos te orientar, sugerir, advertir, mas o resto fica por sua conta e risco.

E a responsabilidade será sempre sua, não dos outros.

(Já conheci gente que tentou mudar de vida e acabou voltando para a casa dos pais. Literalmente.)

Mas, por favor, deixe a gente fazer nosso caminho em paz.


Imagem: Cena do dorama "Boku no Aruku Michi", cujo título do post seria a tradução do nome desse dorama (que fiquei de rever até hoje), via joyfile.kr

Tuesday, February 07, 2017

Vida Agridoce (ou porque eu não consigo entender as pessoas)

Sério: muitas vezes eu não entendo as pessoas. Se bem que, se eu começar a entender, acho que acabo tendo inúmeros nós na cabeça.

De muito tempo para cá, eu ouço/leio/vejo comentários de muitas pessoas reclamando de muitas coisas. Ok, reclamar até eu, mas parece que cada dia que passa, as coisas pioram. Não sei vocês que moram no exterior como eu, mas quando eu ouço/leio/vejo comentários do tipo "este país de *****, só vou ficar n anos e depois nunca mais", "volto para qualquer lugar, menos [insira o país aqui]", e por aí vai. Eu nem retruco para não sair briga, mas que dá vontade, eu juro que dá, mas a pessoa logo emenda que "ah, só vim pra cá porque lá a coisa anda feia e eu vim pra juntar dinheiro em dois anos e logo cair fora".

Vou falar a verdade: para quem está há quase duas décadas vivendo do outro lado do mundo, acostumou com o way of life daqui, já passou por tudo o que tinha que passar, ouvir/ler/whatever comentários como mencionados no parágrafo anterior, dá vontade de mandar a pessoa pro inferno, mas como para muitos casos a gente necessita ter paciência e cair em si que nem todo mundo tem a mesma opinião, o jeito é contar até vinte, engolir em seco e fazer meio que cara de paisagem. Ou ficar no han-han mesmo. Ou seja: melhor concordar a contragosto do que ficar duas horas brigando e não dar em nada.

Eu sei que morar no exterior é um desafio diário, mas a gente persiste e aprende com os erros. Claro que tudo tem seus prós e contras, não vou dizer que aqui seria o paraíso, mas também não seria um bicho de sete cabeças. Ou eu que tolero muita coisa, tento ser a mais natural possível, e me empenho em melhorar (especialmente na língua), ou eu que sou a diferente mesmo, tanto faz. E nem todo mundo compartilha da mesma idéia, não se acostuma, já coloca na mente que qualquer lugar que for no mundo é uma droga e não vê a hora de cair fora. E ai daquela pessoa que tentar provar o contrário.

O ruim é que pessoas reclamam, mas não fazem nada para melhorar. Acomodam-se, querem tudo mastigado, prontinho, saído do forno. E reclamam. Confesso que eu reclamo também, mas dependendo de cada caso, ou me empenho em melhorar, ou eu me empenho em ganhar mais paciência. Mudar de emprego, de casa, de cidade, etc., depende de muitos fatores, ainda mais morando no exterior. Primeiro de tudo, pensar no visto de permanência, porque pra renovar, é necessário comprovação de renda. Depois, fazer uma boa poupança, para casos emergenciais (espero que a partir deste mês eu consiga, porque olha...). E preparo psicológico para enfrentar entrevistas e estudar muito.

Apesar de ultimamente eu estar trabalhando quase direto, chegando em casa tarde, e dormindo mais tarde ainda, muitas vezes me pergunto como é que eu consigo fazer o que eu tenho que fazer (comida, limpeza, assistir meus programas favoritos, ler noticiários, dormir) e ainda aguentar uma jornada de trabalho de quase doze horas. Em pé. Fora que nos dias de folgo aproveito ou para dar um tapa na casa, ou dar uma ida na capital, ou se o tempo permitir mais ainda, ir para outra província. E ainda conseguir tirar bom proveito disso tudo.

Mas existem pessoas que reclamam e não fazem. Acham que pessoas são loucas (dependendo da pessoa, até acredito que algumas sejam mesmo), e o lado ruim para mim é que eu ouço e tenho que ficar quieta, porque ultimamente, qualquer argumento, gera discórdia.

Muitas vezes me pergunto, "por que essa pessoa está aqui sendo que não gosta?", "por que existem pessoas com tanto ódio no coraçãozinho (se é que tem um)?" O certo seria eu evitar muito contato com essas pessoas. Acho que até mesmo no Twitter (um dos poucos lugares que ainda me sinto bem), o pessoal anda meio de "ovo virado"...

Uma das coisas que faço diariamente antes de dormir e ao me levantar é agradecer por mais um dia que foi e estou viva e acordar bem para que o dia seja melhor. Agradecer por eu ter saúde e continuar trabalhando, para conseguir fazer as coisas que eu mais gosto (aka ir em shows, ir em eventos, comer, tomar café, encontrar as amigas que me fazem bem...). E olha que me faz um bem danado depois, me sinto mais leve e mais tranquila.

Espero que as outras pessoas possam fazer o mesmo, ao menos serem gratas por terem a oportunidade de trabalhar, de viver, de ter saúde, e estarem ao menos respirando e andando. Porque conheci muita gente que daria tudo para estarem no lugar delas e nem sequer podem sair da cama.