A Mudança, Um Mês Depois

Passado mais de um mês desde que vim parar no meio das montanhas de Nagano (para terem uma idéia, dá pra ver o Monte Asama dependendo para onde vou, se é para a estação ou quando pego o ônibus intermunicipal para Ikebukuro), acho que dá para ter uma idéia do que estou passando aqui.

A cidade e comércio: 

Embora tenha menos de 100 mil habitantes, a cidade foi construída em cima de um morro, porque andar na cidade de bicicleta, só se eu trocar a minha de seis marchas por uma mama assistant, mais conhecida como bicicleta elétrica, aquelas movidas a bateria recarregável. E sabem como é cidade pequena do interior japonês - quase tudo fecha cedo, tipo oito horas da noite, supermercado, livraria e outras lojas já fecharam as portas. Exceções seriam as lojas de conveniência, alguns restaurantes de bairro e as drogarias. 

Falando em comércio, ao menos o supermercado do bairro é um dos melhores que a gente já foi - nunca vi tanta variedade de comida pronta, pão saído do forno no momento, frutas e verduras com preços menores do que as outras cidades onde moramos. Tirando o fato que ele fecha muito cedo (oito da noite), é o que nos abastece nossa geladeira.

Para minha felicidade otaku que quer economizar, na rua abaixo de casa, tem uma loja da famosa Book-Off, onde posso garantir mangas de segunda mão mas de excelente qualidade a um preço excelente. Acho que agora eu posso comprar a coleção completa da primeira tiragem de "X" da CLAMP a um preço de banana (pelo menos aqui em Nagano, as bananas são mais baratas, eu juro).

Ainda não consegui explorar a cidade no completo porque, como disse, o que mata são as ladeiras, porque toda descida, tem uma subida, e nem bicicleta com marcha, sobe de boas. Agora descobri porque a maioria do pessoal que mora aqui raramente anda de bicicleta...

No máximo de distância que fui mais longe até agora, foi a cidade de Ueda, que fica a uns quarenta minutos de trem, com direito a baldeação na cidade de Komoro. Mas andei indo muito para os arredores da estação de Sakudaira, onde o comércio é melhor (home center, Aeon Mall, Tsutaya Bookstore) e também por motivos de consultas recentes ao oftalmologista... 

Transporte público:

Tirando trem, cujo horário é ingrato pra caramba (se perder naquele horário, tem que esperar quase uma hora para o próximo, por isso, use muito o aplicativo de horários de trens, especialmente se for ou para a estação de Nagano ou para Karuizawa), ônibus circular nem procurei saber, porque a maioria não funciona aos finais de semana. Ou seja, se eu quiser ir para algum lugar, ou tenho que depender de trem e ir andando, ou vou ter que fechar a mão e tentar comprar um carro bom a um preço razoável (o que eu tinha na época que morei em Kisarazu, foi de arrasta pra cima depois que ele "morreu" no estacionamento da livraria).

Pelo menos em Sakudaira, é a estação onde posso ir para Tóquio via trem-bala ou pegar o ônibus intermunicipal. Para mim, compensa eu ir de ônibus intermunicipal até Ikebukuro ou Shinjuku e voltar de trem-bala. 

Gastronomia:

Ainda não explorei os cafés locais, por conta que muitos não funcionam aos domingos, a maioria fica entre Iwamurada e Sakudaira (ou seja, tenho que pegar trem de qualquer forma). Sem contar que os family restaurants que costumamos ir, ficam em Sakudaira. Mas do jeito que estamos saindo entre sete e oito da noite quase todo dia, o negócio mesmo é ir aos finais de semana, se estivermos menos cansados. Mas no meu caso, que gosto de frequentar cafeterias diferentes, vou ter que ir aos finais de semana sem antes consultar as home pages oficiais como Instagram.

Antes que me perguntem, nem todo delivery chega no bairro onde moro, ou seja, Domino Pizza ou méqui, só se eu mudar de bairro, o que agora é muito inviável.

Diversão:

Tirando fazer trilha nas montanhas locais e alguns onsen em hotéis (inclusive tem um perto de onde moro), para eu ir ao cinema, tenho que ir até a cidade de Ueda, que fica a uns quarenta minutos de trem, onde no departamento da rede Ario, tem a TOHO Cinemas, um dos melhores que já frequentei (pelo menos a pipoca é muito boa) e, como tenho o aplicativo, posso juntar pontos e ter desconto no ingresso. Mas, se eu quiser ir ao cinema como eu fazia em Kisarazu, só aos finais de semana e preferencialmente, pegar logo a primeira sessão. 

Ainda preciso ir para Karuizawa, porque além de ter muitos lugares para passear e comer, é outro Beatles Seichi Junrei, porque foi nessa cidade onde John Lennon passava as férias durante o período de cinco anos que ficou afastado da carreira artística.

Outros:

Claro que muita gente perguntaria sobre o trabalho. Na real, eu não gostei (por ser quente e muito corrido, fora que o acesso é muito ruim, tem que subir dois lances do morro), mas na minha atual situação etária, se a gente recusasse, hoje sabe-lá-emos onde estaríamos, ou poderíamos ainda estar em Kisarazu, ou procurando emprego no desespero. Como foi transferência e a empresa "arcou" com as despesas, reclamar nem posso, mas é uma situação que hoje me fez tomar muitas decisões. 

Primeiro, estou em processo de renovação de visto de permanência, e para isso, eu preciso estar trabalhando e com os impostos em dia. 

Segundo, depois do exame médico anual que a empresa faz, fui intimada na cara dura que eu teria que ir urgentemente ao oftalmologista, algo que eu já tinha até feito a reserva antes disso, porque eu já estava sentindo os sintomas desde março, mas nunca conseguia vaga para consulta na clinica perto da residência anterior (acho que se eu tivesse conseguido em Kisarazu, estaria lá até hoje). Conclusão: cirurgia marcada perto de eu mudar de versão.

Um mês e tanto depois no trabalho, ainda estou em processo de aprendizado, mesmo levando broncas quase todos os dias, às vezes esquecendo alguns detalhes, mas depois que estou tentando manter a calma nas tarefas do trabalho, parece que as coisas estão fluindo bem. 

Confesso que sou uma pessoa muito desesperada, e manter a calma nunca foi o meu forte. Mas um mês depois, estou tentando controlar isso, fazer o trabalho sem pressa, porque muita coisa começa a se desenrolar. Vez ou outra a gente acaba esquecendo algum detalhe, mas é tanta coisa que, tenho que respirar fundo e enfrentar. E aos poucos estou perdendo o medo de fazer as coisas, acho que, no meu caso, eu tenho que pegar um fim de semana e esquecer de vez o trabalho, tanto que, depois que fui no Nippon Budokan e no cinema, esta semana foi mais tranquila de levar, se levei bronca, foi mais para tomar cuidado para não me machucar. 

Por mais que pessoas achem estranho e chegam a falar para mim que como é que eu tenho coragem de viajar quase três horas para ir a um evento ou concerto, mesmo no dia anterior eu estar morrendo de dor no corpo. Simples, quando vou para aqueles lugares, eu esqueço trabalho, esqueço das broncas, esqueço de tudo. Preciso esvaziar a mente, porque assim meu corpo esquece da dor também.

Fora que só agora que estou conseguindo colocar meus doramas, programas, filmes e animes em dia, porque ler manga, aproveito a hora do almoço para ler pelo menos um capítulo ou dois dos mangas que tenho em casa né.

Foto: da autora, da plataforma da estação de Sakudaira.

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