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Saturday, April 17, 2021

[J-Dorama] Higuma (悲熊, 2020)

O cotidiano de um urso pardo órfão que mora em uma cabana no meio da floresta e trabalha num pesqueiro local. Sempre que acontece algum infortúnio, acaba dizendo "que tristeza", mas nem tudo é triste para o pequeno urso.

Ficha técnica: Direção de Shigekatsu Honda. Original do mangá "Higuma", de Q Rais (LINE Digital Frontier). Roteiro adaptado de Mori Hayashi. Elenco: Daiki Shigeoka (Higuma), Yuina Kuroshima (Noriko Kuribayashi), Katsushige Komatsu (Chefe do Pesqueiro), So Takei (Professor Sangue-Quente), Yukiya Kitamura (Mestre Shimadera), Tateto Serizawa (Kumakari Gonzo). 

"Higuma" é um mangá estilo 4-koma, os chamados "tirinhas de jornal" que a gente conhece no Brasil, nos jornais (e nas redes sociais). Ilustrado por QRais (pronuncia-se kyuraisu) e publicado na rede social LINE Manga de 2017 a 2019, as historinhas do cotidiano do pequeno urso pardo foram compiladas em formato mangá em outubro de 2020 pela editora LINE Digital Frontier.


Entre 18 a 24 de  dezembro de 2020, a emissora NHK transmitiu 10 capítulos em forma de live-action com 5 minutos cada, tendo como protagonista Daiki Shigeoka (do grupo Johnny's WEST). São histórias do cotidiano do urso, que vai desde o trabalho em uma empresa pesqueira, tirar uns trocados vendendo salmão na rua, assistir seu programa de TV favorito, ir comer um fast food e até conhece sua salvadora, a jovem universitária Kuribayashi (Yuina Kuroshima). 

Não tem muito como resumir esse mini-dorama, que dá pra assistir de uma vez só, e não tem ordem cronológica dos fatos. Mas são episódios levinhos que aquecem a alma e o coração, como dizem.

Personagens:

- Higuma (Daiki Shigeoka). Filhote de urso-pardo que ficou órfão dos pais e não sabe onde seu irmão mais velho sumiu. Mora numa cabana no meio da floresta e trabalha em um pesqueiro junto com ursos e humanos. Mesmo com o orçamento apertado, leva uma vida confortável. Toda vez que aparece algum infortúnio em sua vida, diz "que tristeza". Mas quando come algo gostoso, suas orelhas mexem de alegria.


- Noriko Kuribayashi (Yuina Kuroshima). Estudante universitária que encontra o urso num fast-food, cujo pedido dele não tinha chegado em três horas de espera. Kuribayashi se torna a amiga mais direta do urso, ajudando-o nas dificuldades. Ela tenta saber o nome do urso, mas acontece alguma coisa que não deixa ele falar.

- Chefe do Pesqueiro (Kazushige Komatsu). Um dos funcionários do pesqueiro onde o urso trabalha. Talvez um dos poucos que sente compaixão por ele (como no episódio do trabalho e do Natal).

- Professor Sangue-Quente (So Takei). Personagem do mini-dorama que o urso costumava assistir na TV. Era o professor que liderava uma turma de alunos de artes marciais com palavras de motivação.

- Mestre Shimadera (Yukiya Kitamura). Revende os salmões no calçadão da cidade onde fica a fábrica. Para aumentar seu orçamento, o urso faz arubaito com ele. Apesar de ser meio grosseiro, Shimadera se mostra amigável com o urso, dando um café enlatado e até uma bandeja de salmão fatiado.

- Kumakari Gonzo (Tateto Serizawa). O lendário caçador de ursos da floresta que tenta abater o urso, mas o mesmo sempre acaba escapando. Seu ponto fraco é medo de trovões.

Trivia e Curiosidades:

- Q-Rais é o pseudônimo do mangaka Yusuke Sakamoto. Seu pseudônimo vem do feitiço do shinigami, no rakugo. Desde 2002 trabalha com animações e 4-koma via web. Seus trabalhos podem ser vistos no seu blog oficial - http://qrais.blog.jp/

- "Higuma" significa "urso pardo", comum em algumas regiões no mundo. No Japão ele é frequentemente visto nos rios gelados de Hokkaido, pescando salmão. O autor fez um trocadilho com os kanjis, que acabou virando "urso triste".

- No episódio 4, quando o urso vai preso por engano, na foto do noticiário em que Kuribayashi assiste no celular, ele segura uma placa "K74-9M", que no japonês lê-se "Kanashi(i) Kuma".

- Injustiças da vida - no episódio 5, o urso recebe imposto para pagar mas não pode ter o direito de ir votar.

- Boa ação indireta - no episódio 9, indiretamente o urso salva um homem de tentar suicídio na floresta.

- Fazer o bem sem olhar a quem. Esse ditado serve no episódio 10, em que o urso presenteia até quem o tentou matar. Entrega um presentinho para Kumakari Gonzo depois de milagrosamente escapar do tiro que recebeu.

- Daiki Shigeoka, que interpreta o urso, é membro do grupo Johnny's WEST. Do grupo, ele é o centro. Ganhou destaque ao atuar no dorama da NHK em 2019 - "Kore wa Keihi de Ochimasen!", como Taiyou Yamada. Protagonizou em "SHARK 2nd Season" e "Setsuyaku Rock".

- Yuina Kuroshima, que interpreta Noriko Kuribayashi, protagonizará o asadora (drama matinal da NHK) "Chimu don don" em 2022, em comemoração aos 50 anos da devolução de Okinawa ao Japão. Kuroshima é nascida em Okinawa.

- O diretor Shigekatsu Honda foi o mesmo quem co-dirigiu o dorama da NHK "Kore wa Keihi de Ochimasen!".

- O mini-drama foi transmitido pela NHK geral nos dias 18, 20, 21 e 24 de dezembro de 2020, nos horários das 22:30 a 22:40 (no dia 18, capítulos 1 e 2), 22:40 a 22:50 (no dia 20, capítulos 3 e 4), e das 23:00 a 23:15 (dias 21 e 24, capítulos 5, 6 e 7, e 8,9 e 10 respectivamente). Mas no reprise, no dia 28 de fevereiro de 2021, somente os capítulos 6 a 10.

Fontes: site oficial do mini drama da NHK, amazon, Asian Team Fansub e site oficial do autor Q Rais. 

Imagens: NHK, amazon e blogger.

Thursday, April 15, 2021

Interação Zero


Não é de hoje que eu falo que ultimamente minha interação nas poucas redes sociais que pertenço está reduzindo e nem posso reclamar, já que eu tenho uma parcela de culpa. Mas também, quando comento alguma coisa ou tento esclarecer alguma dúvida, sou ignorada (bem, melhor do que receber alguma resposta mal-educada)...

Talvez as interações que estou tendo mais receptividade seriam aqui neste Empório e no Instagram, quando lembro de compartilhar ou postar alguma foto interessante (comida, por exemplo). Lembrando que não ganho nada com os likes e/ou comentários

Um dos exemplos em que "fui buscar lã e saí tosquiada" foi explicar - em inglês - para uma pessoa no Twitter sobre cobertores. Explicando melhor: vários artistas incluem na lista de concert goods vários tipos de "lembrancinhas", e cobertor faz parte da lista, especialmente quando o concerto cai na época de inverno. Aí uma menina ficou se perguntando se lavando o cobertor, o mesmo não sairia danificado.

Como eu tenho vários cobertores (do tamanho pra cobrir as costas ou as pernas), e tenho que lavar quase toda semana, eu tomo cuidado na hora de colocar na máquina - coloco no saco próprio para roupas de lã e lavo no ciclo normal. E estendo no varal normalmente. E continuam como novinhos. Expliquei para ela e... simplesmente ignorou, nem um "muito obrigado" pela informação.

Mesma coisa aconteceu recentemente quando uma outra pessoa na mesma rede social ficou se questionando sobre um grupo favorito dela participar de um festival de música do estilo Summer Sonic e ser massacrado pela crítica e público. Tentei tranquilizá-la porque nesses festivais tem de tudo um pouco.

Novamente fui ignorada e nem agradeceu.

Bem, eu também não posso esperar mais das pessoas. Eu ajudo no que posso, para não pesar na minha consciência, mas nem posso esperar mais que elas retribuam a gentileza. Salvo exceções. 

Existem horas que eu fico me perguntando porque tento ajudar as pessoas e ao mesmo tempo às vezes recuso. Do tipo... melhor eu mesma fazer as coisas do que depender das outras...? Pois é.

Talvez seja isso o motivo pelo qual minha interação se reduz a nada. Nas redes sociais, salvo algumas pessoas, deixei de interagir porque muitos assuntos não me interessam e sequer tenho vontade de saber. Mas depende de muita coisa (e da minha paciência também). Por mais que as pessoas com quem antes eu trocava algumas idéias tenham mudado o jeito de pensar, eu cheguei a conclusão de que cada um encontra a felicidade do jeito que achar melhor.

Agora penso mil vezes antes de tentar ajudar em alguma coisa, especialmente nas redes sociais. Por mais que eu saiba e quero ajudar, estou evitando isso. Não porque eu quero algo em troca, mas ao menos um "muito obrigado" me faz acreditar um pouco na humanidade. Bem, pelo menos eu agradeço, digo bom dia e bom descanso até pra quem nem olha pra minha cara, mas ao menos tento ser educada.

Nas redes sociais eu também tento (desculpa se eu esqueci de agradecer por algo!), mas se esqueci, é muito por causa dessa vida corrida e atribulada. Muitas vezes atraso, mas raramente esqueço.

Seja como for, às vezes ficar alheia a algumas coisas faz bem para a mente. Porque muita coisa em excesso, acaba deixando a gente saturada e perdendo a paciência até para tentar dormir em paz. Mas também não dá pra fechar os olhos para tudo e ver somente o que lhe convem.

Mesmo não interagindo, ao menos tento acompanhar algumas coisas para não ficar tão desatualizada em certos aspectos.

Sunday, April 11, 2021

O Florescer das Cerejeiras

Desde que essa pandemia surgiu, ir em algum parque para apreciar a beleza das flores de cerejeira tornou-se uma distração supérflua.


Cada um sabe o que fazer, desde que cumpram todas as normas de prevenção. E isso inclui evitar aglomerações (algo meio difícil de controlar em dia de fazer compras no supermercado, mesmo o do bairro). Na verdade, a última vez que saí de casa pra apreciar as cerejeiras e também passear, foi em 2019, e no Tsuruma Koen, que fica em Nagoya. 

Teve ano que fui até Okazaki numa campanha da companhia de trens que tinha um passe de ida e volta, a um preço camarada com direito a bebida e comida na faixa. E que valeu muito a pena, porque a paisagem florida no rio perto do castelo, é muito linda. Dava para muita gente passear de barco na maior tranquilidade.

Do ano passado para cá, o máximo de ver as cerejeiras em completa floração, é uma cerejeira que fica no bairro de onde eu moro. E só registrei em foto porque foi um dos poucos dias que saí de casa para fazer compras e ainda foi antes do período de jishitsu, quando fiquei 45 dias em casa tentando fazer atividades para manter minha sanidade mental.

Existem pessoas que fazem pouco caso delas, e existem outras que fazem questão de tentar fazer piquenique (prática por enquanto abolida devido ao covid), mas também existem outras que preferem passear no parque para esquecer os problemas do cotidiano, o bombardeio diário das notícias da pandemia, e como se acostumar com o novo estilo de vida. Se bem que o uso de máscara já vem desde faz tempo por causa de influenza e alergias. Mas voltemos às cerejeiras.

Quando elas começam a florescer, sinal que o inverno deixou seu lugar para a primavera. E marca um novo ciclo da vida. Renovação de uns e início para outros. Pelo menos aqui - mudança de vida, novo emprego, novo ano escolar. Período para muita gente tentar parar para pensar o que fazer daqui por diante. 

Não nego que quarta-feira passada tirei o dia de folga para tentar colocar minhas idéias no lugar, além de resolver algumas coisas. Caminhando no bairro, algumas árvores ainda floresciam, mas algumas já estavam perdendo suas flores. Afinal, as cerejeiras não duram tanto tempo (fora o fato de que ultimamente andou chovendo).

Algumas vezes eu tiro um dia para espairecer a mente (afinal, eu tenho folga remunerada sobrando), porque existem aqueles dias em que você quer esquecer de tudo e divagar, antes que eu acabe perdendo a [pouca] paciência de vez mesmo. 

Estamos chegando no segundo mês da primavera, as cerejeiras já perderam suas flores mas ainda temos as tulipas (que adoramos mas todo ano esquecemos de comprar os bulbos e deixar hibernando no inverno para que elas floresçam no finzinho do inverno). 

Mas tudo bem, a gente aproveita o máximo que puder e sabendo que ano que vem elas vão estar novamente floridas e enfeitando a paisagem. 

Lembrando que nos dias atuais, temos que nos cuidar, ou corremos o risco de não podermos presenciar a nova florada.

Foto da própria autora, via smartphone, e essa cerejeira fica a uma quadra de casa.




Friday, March 19, 2021

Experiências Adquiridas e Tenho Muito a Aprender


Embora eu tenha duas décadas e um pouquinho morando aqui no Japão, tenho muito a aprender ainda. Acredito eu que, assim como muita gente que resolve mudar de vida no exterior, mesmo vivendo muito mais tempo do que na sua terra natal, sempre aprendemos algo novo a cada dia. Desde a língua local até coisas que nunca tinha feito antes na sua vida. 

Existem coisas que aprendi morando um tempo sozinha, e mesmo dividindo quase tudo com o namorido há duas décadas, temos algumas surpresas cotidianas. E olha que nem falo de ambiente de trabalho (porque lá também a gente acaba aprendendo algumas coisas completamente diferentes do que a gente estaria acostumada e nem sei se levo em consideração de algumas coisas serem da cultura local ou que muitas vezes a ficha demora a cair).

Gafes todos nós cometemos. Se até mesmo os nativos cometem, imaginem os estrangeiros. Mas como dizem, é errando que a gente aprende a não cometer a mesma besteira de novo. Sei...

Algumas pessoas me perguntaram como consigo assistir aos programas locais sem legenda, ler revistas e conseguir comprar ingresso de cinema. Bem, já começa que a primeira cidade que vim parar aqui, dava para contar o número de brasileiros em todos os dedos das mãos. E a cidade era três ou quatro vezes menor que a minha cidade natal, onde o comércio fechava cedo e o trem semi-local passava a cada meia hora. 

Eu tinha uma certa noção da língua japonesa (graças aos três anos de estudo na associação), ao menos ler hiragana e katakana eu sabia. O duro era kanji e se fossem aqueles que nem tinha estudado no nível intermediário...

1. Nem todo molho vermelho é de tomate. Logo no terceiro mês, as vizinhas do prédio me convidaram para comer um lamen num estabelecimento que depois fui saber que era de uma famosa rede de lamen no Japão. Estava correndo tudo bem até chegar o menu - tudo em kanji e nada de tradução em inglês. Ou seja, era ver a foto, escolher e seja lá o que meu estômago quiser.

Eu vi justamente um que tinha o molho vermelho. Pensei que fosse lamen de tomate. E que tomate estivesse escrito em kanji. No que fui comer a primeira porção...

Era lamen com molho de pimenta vermelha e kimchi! Togarashi para ser mais exata. E tive que comer tudo porque era desperdício, e mesmo bebendo quase um litro de cerveja gelada e duas jarras de água que eles serviam de cortesia, aquele ardor não passava.

Foi a partir desse incidente que decidi aprender mais a língua japonesa para não passar mais vexame na hora de pedir qualquer coisa. Claro que ainda tem algumas coisas que custo a entender, mas pelo menos consigo ir para qualquer lugar (diferente de 22 anos atrás que nem conseguia pegar um trem com medo de me perder porque romaji não tinha chegado no interior naquela época).

2. Superando o medo de pegar o trem na direção errada ou descer na estação errada. Sei que seria besteira, mas no Brasil eu quase não andava de trem ou metrô. Antes que pensem errado, eu morava no interior e raramente ia para a capital, e quando ia, era para ficar dois dias e olhe lá. Portanto, eu quase nem explorei direito o metrô de São Paulo (e mesmo tendo voltado duas vezes, andei muito pouco). E quando fui parar no interior de Hyogo, piorou. Muito embora eu morasse bem perto da estação, raramente pegava o trem para conhecer outras cidades. Em um ano, dava para contar nos dedos quantas vezes eu fui para Osaka. Motivo bem besta: morria de medo de me perder e não saber voltar pra casa, e ainda por cima perder o dinheiro da passagem.

Esse medo foi superado quando conheci o namorido e mudamo-nos para Kanagawa. Quase todo final de semana íamos de trem para outras cidades como Odawara, Hadano, Hiratsuka, Machida e Tóquio. Em questão de meses, eu já estava indo de trem sozinha para outros lugares. E olha que nem toda estação tinha placa em romaji. Isso foi melhorado na Copa do Mundo de 2002.

Felizmente, com a evolução da internet e celulares, o risco de se perder é menor.

3. Cozinhar sem levar a casa pros ares. Podem rir a vontade, mas foi isso que aconteceu no momento que vim parar sozinha. Apesar que eu já cozinhava muita coisa enquanto estava morando com meus pais, uma das coisas que eu tinha pavor e tive que superar esse trauma, era... cozinhar em uma panela de pressão.

Desde criança eu tinha medo que um dia a panela estourasse e poderia nos matar. E o trauma se consolidou quando uma conhecida de minha mãe foi parar no hospital com queimaduras no rosto porque a dita panela explodiu na cozinha. A mulher sobreviveu, mas por meses ela vinha em casa com o rosto todo enfaixado. 

Toda vez que minha mãe usava a panela de pressão, eu rezava para que não acontecesse algum acidente. No que resultou que, até meus 27 anos eu não sabia cozinhar feijão. E só fui superar esse trauma quando mudamos para Kanagawa e imaginem duas pessoas que faziam um bom tempo que não comiam feijão. Pois é, se estou aqui hoje digitando, sinal que todo mundo saiu incólume até no preparo de feijoada. Sim, aprendi a fazer a iguaria aqui.

4. Não depender dos outros para assuntos pessoais. Certo que nos primeiros anos a gente dependia da empresa terceirizada para resolver algumas coisas, como renovar o visto de permanência e assuntos da prefeitura. Mas quando mudei de emprego e fui contratada diretamente pela empresa, eu tive que fazer tudo sozinha - atualizar endereço na prefeitura, registrar estacionamento do carro na delegacia e renovar visto de permanência. No que a gente acha que seria trabalhoso e complicado (a primeira vez a gente entra em desespero, mas depois passa), depois acostuma. Hoje praticamente consigo fazer tudo sozinha - renovar o visto de permanência, pedir documentos na prefeitura, pedir renovação da vistoria bi-anual do carro. Só uma coisa que me incomoda é na hora de procurar um apartamento que a maioria das imobiliárias pedem um fiador.

5. "Se vira, você não é quadrado". Embora nos tempos de TCC eu ouvia direto essa frase que me doía até o fundo da alma, porque eu tinha que literalmente me virar para fazer o TCC em uma linguagem de programação que mal tinha entrado no mercado, e era uma versão de uma outra linguagem que tínhamos aprendido mais ou menos. E tínhamos que nos virar nos trinta para aprender a linguagem em três livros. Ou seja, a gente tinha que correr atrás de tudo. Aqui foi a mesma coisa, ainda mais que vim sozinha e o pessoal me ajudou só no básico...

6. Cinema, Concertos e Eventos. Para quem ia toda semana ao cinema no Brasil, mesmo tendo que encarar 20 minutos de carro para ir na outra cidade, vim parar aqui e nem tinha noção de nada. Passei muito tempo assistindo a DVDs alugados nos finais de semana para suprir a falta de ir ao cinema ver o filme na tela grande acompanhado de pipoca. Fui aprender a como comprar ingresso depois de muitos anos. Mesma coisa foi ir em concertos e eventos. Talvez eu faça uma postagem sobre como consegui ir ao cinema, concertos e eventos aqui.

Tenho mais coisas que aprendi e encarei mesmo arriscando a apanhar na saída, mas como aqui e em qualquer lugar fora de sua casa, estamos aprendendo coisas novas todos os dias, mesmo sendo surpresas agradáveis ou não.

Foto: da autora, em 2010, no Bayside Marina Yokohama.

Saturday, March 13, 2021

Sobre coisas aleatórias


Este Empório é bom exemplo disso.

Eu reconheço e admito que sou muito aleatória em muitas coisas, e isso não é bom sinal, muito embora pessoas próximas a mim não ligam para minhas aleatoriedades. Numa conversa normal, de repente eu acabo mudando de assunto do nada, e acabo voltando para o que estávamos falando anteriormente. Isso quando eu acabo falando coisa que não tem nada a ver.

E muitas vezes eu acho que estaria sendo inconveniente em muitas coisas e no final acabo afastando as pessoas (isso quando não sou eu quem toma a decisão de me afastar delas). Pela minha inconsistência de assunto e também acabo sendo uma pessoa incômoda (por mais que as outras pessoas achem que não, mas eu tenho a impressão que sim).

Mesma coisa este Empório: ninguém consegue classificar este lugar porque tem de tudo um pouco - desde receitas culinárias até aleatoriedades do cotidiano. Se alguém me falasse porque eu não falo sobre a vida aqui no Japão, eu diria que podem tirar essa sugestão da lista, porque tem aos montes, e tudo o que é versão, então nem adianta eu postar algo que muita gente já sabe. Posso até abordar, mas alguma coisa que muita gente desconhece.

Por isso que acabo postando um pouco de tudo.

E isso acontece nas conversas com as pessoas mais conhecidas. E por essa "peculiaridade", acabo me afastando delas e elas de mim.

Sabe que muitas vezes eu tento ser consistente, mas sempre meu lado aleatório grita mais forte, e acabo misturando tudo...

Tento organizar um pouco minhas idéias, fazer planejamento, lista de qualquer coisa. Mesmo lista de compras de supermercado que, na hora acabamos de levar algum item fora dela, mas cumprido 70% dela já era lucro. Acho que eu deveria ter feito o mesmo quando iniciei o blog - fazer um tema específico e não uma salada completa e bagunçada que até hoje ninguém sabe como classificar. 

Na verdade, eu criei o blog de postar coisas que eu via e gostava, quem sabe teriam pessoas que gostassem também. O que menos eu falava era sobre como viver aqui, como eu já mencionei, muita gente posta aos montes em tudo o que é rede social (seja de forma positiva ou negativa). E se eu falar da minha experiência de morar aqui no Japão...

Muitas vezes acabo postando sobre música, curiosidades do mundo maluco do showbizz aqui (que sempre há um monte de controvérsias), os filmes e j-doramas que ainda tento assistir os da encarnação passada, lugares alternativos (ou não), cafeterias, enfim, o que vier na hora e quando a inspiração chega, inclusive alguns muitos momentos de que nada na vida é tão perfeito assim.

Mas sei que ainda existem pessoas que amam essas coisas aleatórias e sem sentido que eu vivo postando, acho que por isso eu ainda mantenho este lugar, apesar de eu não postar com aquela frequência de antes, e olha que costumava postar muito mais, mesmo quando eu chegava em casa quase meia-noite e tinha que acordar seis ou sete da manhã.

E no fim das contas, acabo chegando a conclusão que, ter esse lado aleatório, me dá a chance de ver as coisas pelo outro modo, pensar um pouco e diversificar nos assuntos, mas eu preciso me reaproximar das pessoas nem que seja via videoconferência nos dias de pandemia (e esperando chegar a minha vez de ser vacinada).

Sunday, February 28, 2021

[Cine-Pipoca] Restart wa Tadaima no Ato De (2020)


Sinopse:
Ao retornar a sua cidade natal depois de ter saído dela dez anos atrás para tentar a sorte em Tóquio, Mitsuomi Kozuka (Yuki Furukawa) encontra o filho adotivo do agricultor Kumai, Yamato (Ryo Ryusei). Enquanto tenta recuperar a confiança de seus pais, Mitsuomi ajuda Yamato e Kumai na colheita e venda, e aos poucos a amizade entre os dois jovens vai se desenvolvendo.

Ficha técnica: Direção de Ryuta Inoue. Roteiro adaptado: Kumiko Sato. Baseado no mangá original "Restart wa Tadaima no Ato De", de Cocomi (Canna Comics). Elenco: Yuki Furukawa (Mitsuomi Kosaka), Ryo Ryusei (Yamato Kumai), Masahiro Komoto (Takatoshi Kozuka), Yukijiro Hotaru (Haruo Kumai), Eri Murakawa (Ryoko Shinano), Gaku Sano (Hiromu Ueda), Hiroko Nakajima (Yoshiko Kozuka), Rina Miura (Kana Mizushima). 

Baseado no mangá do mesmo nome, da mangaka Cocomi, e publicado de 2016 a 2018, quadrimestralmente pela revista Canna (revista voltada a temática "BL"), a história chama a atenção por um romance puro, sem nada explícito, tanto que o relacionamento entre os personagens se desenvolve de forma natural, nada forçado. 


A história se passa numa cidade do interior do Japão (no filme, foi ambientada em Nagano), onde Mitsuomi e Yamato moravam. E inicia com Mitsuomi de volta à cidade natal depois de dez anos tentando a vida em Tóquio e ter sido demitido e como conheceu Yamato, que foi adotado pela família Kumai durante o tempo em que morou fora. Quando passaram a andar juntos, Mitsuomi começou a sentir algo mais em Yamato, além de perceber que era a hora de encarar a realidade com seus pais, já que ele "fugiu" para Tóquio, pois não queria assumir os negócios da família. 

A verdade era que Mitsuomi estava fugindo das responsabilidades e, quando foi demitido do último emprego, resolveu voltar para sua cidade natal para poder pensar melhor em suas atitudes do passado, reconciliar com seu pai e resolver algumas pendências do passado. E eis que conheceu Yamato Kumai.


Yamato se mostra uma pessoa alegre e otimista demais para quem foi abandonado num banco de um parque logo no nascimento e passou por alguns orfanatos até ser adotado pelo velho Kumai. Os dois jovens eram completamente opostos mas ao mesmo tempo estavam tentando fazer as pazes com o passado, viver o presente e encarar o futuro.

Os sentimentos que um sente pelo outro aparecem de forma espontânea, sem pressão nem falta de consentimento. Um amor puro e natural. Inocente e bonito.

Personagens:

- Mitsuomi Kozuka (Yuki Furukawa): Ex-salaryman que tentou a vida em Tóquio por 10 anos e depois de ter sido demitido do seu último emprego, volta para a cidade natal, no interior do Japão para tentar reconciliar com seus pais e assumir os negócios da família, algo que tinha recusado no passado. Geralmente age antes de pensar, chega a ser agressivo com as palavras, mas começa a ser mais racional ao conhecer Yamato.

- Yamato Kumai (Ryo Ryusei): Tem a mesma idade que Mitsuomi (26 anos). Abandonado em um banco de um parque em Tóquio, passou por alguns orfanatos até ser adotado por Haruo Kumai, um agricultor sem filhos, já no ensino médio. Passou a ajudar na colheita e venda dos produtos depois que terminou o colegial. Apesar do passado difícil, Yamato estava sempre sorrindo e sendo otimista.

- Haruo Kumai (Yukijiro Hotaru): Agricultor que adotou Yamato na adolescência. Um mês depois que formalizou a adoção, sua esposa faleceu depois de uma longa enfermidade. Yamato seria o filho que nunca teve, mesmo sendo chamado de "avô" por ele.

- Takatoshi Kozuka (Masahiro Komoto): Pai de Mitsuomi. Tem um estabelecimento que vende produtos para funerais. Ressentido com a decisão de Mitsuomi em não querer assumir os negócios, depois que o filho retornou, teve uma certa resistência em aceitar que ele poderia herdar o estabelecimento.

- Hiromu Ueda (Gaku Sano): Ex-colega de colegial de Yamato. Sua família possui um pequeno comércio na cidade. 

Trivia:


- A realização do filme foi possível graças a crownfunding e colaboração da agência HoriPro, a qual o ator Yuki Furukawa faz parte.

- O cenário escolhido para o filme foram as cidades de Ueda e Chikuma, na província de Nagano. O Hotel Route Inn Kamiyamada Onsen, situado em Chikuma, foi usado para simular um hotel em que Mitsuomi e Yamato ficaram quando foram para Tóquio.

- Algumas diferenças entre o manga e o filme - o sobrenome de Hiromu no mangá era Harada; o pai de Mitsuomi no mangá era dono de uma loja que vendia artigos para funerais, no filme, era reformador de móveis antigos; no mangá, Mitsuomi já se encontrava na casa de seus pais no início da história, mas no filme, ele é recepcionado por Yamato logo ao chegar na estação.

- O ator Yuki Furukawa é conhecido pela sua atuação na série "Itazura Kiss", mas já trabalhou em filmes como "Eien no Zero" e dramas como "5 to 9", "Yae no Sakura" e "Beppin-san".

- O ator Ryo Ryusei era conhecido nos filmes da série "Super Sentai" (2013 a 2015), mas também atuou em filmes como "orange" e "Yowamushi Pedal", e dramas como "unnatural", "Otona Koukou", "Teseus no Fune".

- O ator Masahiro Komoto é irmão mais novo do músico Hiroto Komoto (ex-líder da banda The Blue Hearts). 

- O mangá teve uma sequência, publicada pela mesma revista - "Restart wa Onaka o sukasete", volume único, lançado em agosto de 2020.

- O filme estreiou em rede nacional no dia 4 de setembro de 2020.

Fontes e imagens: site oficial do filme, revista Canna Comics, Secretaria de Turismo da cidade de Chikuma, Prefeitura da cidade de Ueda.

Saturday, February 27, 2021

Parando para pensar muito em algumas coisas e menos em outras


Se tem uma coisa que eu preciso fazer e muito, é parar para pensar sobre muitas coisas que andei (e continuo) fazendo da minha vida. Não é porque bati meio século de vida, eu vou ficar sossegada no meu canto. Mas têm horas que eu deveria (e muitas vezes eu faço).

Esses dias, durante o trabalho, estava me perguntando "que raios estou fazendo da minha vida, afinal?", e se eu ficar pensando demais, os anos voam e praticamente não fiz nada que prestasse nessa vida. E meu defeito é procrastinar e muito, sabendo que tenho vários nós para serem atados e eu vou desatando mais ainda.

Sobre os exames do TOEIC e JLPT que eu era para ter feito no ano passado, boa parte da culpa foi da pandemia, mesmo. Provas canceladas e, quando permitiram, era na base do sorteio, ou seja, pra realizar uma das provas, teria que se submeter a um sorteio devido ao distanciamento social. Mas fui pesquisar no site oficial do TOEIC, e pode escolher um dos dois turnos (até onde lembro, era só um turno, e começava depois do almoço).

Obviamente, muita gente vai preferir fazer a prova logo de manhã.

Eu não prestei o JLPT em dezembro mais por motivos de que estava com receio que fosse cancelado e para pedir o reembolso é um processo meio demorado, sem falar que, quando as inscrições abriram, estava no período em que eu estava correndo com a documentação e quitando meus impostos para renovação do meu cartão de residente aqui. Resultado - acabei ficando lisa pior que quiabo e perdi a inscrição, ou seja, eu estava mais para tentar fazer o exame e correr o risco do mesmo ser cancelado.

Claro que este ano tenho que prestar os dois exames, mesmo abrindo mão de muita coisa (mais do que estou fazendo atualmente).

Nas redes sociais, estou bem parada e interação quase zero. No twitter, cantinho onde eu postava e interagia bem mais, estou mais observando do que dando RT em muita coisa que antes eu fazia. E olha que uns 10 anos atrás foi uma das ferramentas mais úteis nos acontecimentos de 11 de março de 2011. Quem eu sigo, tem a liberdade de postar o que quiser, eu entendo o lado fangirl/fanboy da coisa, e outras opiniões sobre qualquer assunto, mas sabe que muitas vezes fica aborrecido demais e não dou unfollow ou mute por consideração. Então só corro a timeline para procurar o que me interessa - sobre entretenimento aqui (j-doramas, anime e mangá).

No twitter, muitas vezes eu parava para pensar em que postar sem causar conflitos ou acharem que seria maldade, mesmo sendo opinião contrária a dos outros. Já li comentário de gente descendo o malho em um filme/drama/anime/mangá/música/artista que eu gosto/gostei muito, afinal, gosto é que nem b*nda, cada um tem a sua. E nem vou sair mais nas redes sociais defendendo isso ou aquilo, ou botar meu ponto de vista em certas coisas. Comodismo ou conformismo? Parei de ficar discutindo com as pessoas sobre isso ou aquilo, porque a última vez que fiz isso, nem faz muito tempo atrás, só me desgastou. Imaginem como era circa 2011, quando eu era bem ativa em alguns fóruns e redes sociais...

Pensando no meu futuro daqui por diante. 

Estou na versão 5.0 completados em plena pandemia, e ano passado eu tentei aproveitar o tempo sobrando para estudar, já que ficar saindo por aí naqueles dias nem era a melhor opção. Mesmo assim, eu ainda continuo parada no mesmo lugar, tentando sair, mas toda vez que aparece alguma oportunidade, eu acabo esbarrando em diversos obstáculos que me impõe. Teve uma vez que nem quiseram marcar entrevista, já retornaram e-mail alegando que meu currículo não foi aceito porque não preenchia os requisitos necessários (mais connhecido como você não é bonita o suficiente para a vaga, porque o emprego era atendimento ao cliente em uma imobiliária para estrangeiros). 

Atualmente, para eu poder dar o outro passo, eu tenho que ter uma certa estabilidade financeira, porque mudar demanda custos, até receber seu primeiro salário, tem que ter alguma reserva para se manter até colocar tudo nos eixos. Sem falar que, a adaptação demora um pouco mais (pra mim nem é novidade depois de 5 mudanças em 22 anos aqui). E para ter essa estabilidade, eu tenho que reduzir muito meus gastos, seja em coisas do cotidiano, inclusive nos meus hobbies. Nem ir para tão longe como eu fazia, estou fazendo mais.

Leio muito relatos de pessoas que largaram tudo e foram ter outra vida, mas como sei que cada pessoa tem um passado diferente da outra, não posso ficar muito me comparando com elas. O fato de ter alguma especialização na vida, sim, isso conta e muito. E isso vem sendo meu mantra de todo dia quando acordo: preciso me especializar em alguma coisa, especialmente na minha área, que era programação de sistemas...

Na verdade, o título da postagem seria um recado para mim mesma que, eu deveria agir mais em muitas coisas, especialmente no âmbito pessoal e profissional, e pensar muito antes de fazer algum comentário nas redes sociais (porque bem ou mal, as redes sociais podem te ajudar em alguma coisa).

E também parar de ficar reclamando do que os outros fazem (ou deixaram de fazer) e olhar para mim mesma, porque eu também acabo deixando de fazer muita coisa e nem eu mesma percebo isso.

Wednesday, February 24, 2021

[Discoteca Básica do Empório] Kanjani ∞ - "JAM" (2017)

Entre as janiotas (fãs de grupos da Johnny's and Associates, só que mais hardcore) e até as mais moderadas, o grupo/banda Kanjani Eight sempre vai ser comparado com os seus colegas do grupo Arashi, só que de modo depreciativo - enquanto o Arashi tinha a imagem de "bons meninos que a mãe queria pra genro", o Kanjani Eight era completamente o oposto. Já começa pelo fato do grupo todo ser de Kansai (região onde ficam as províncias de Osaka, Hyogo, Kyoto, Nara e Wakayama), falam até hoje o dialeto local, possuem postura "grosseira" e zero padrão de beleza. Mas a diferença é que o Kanjani Eight investe mais em apresentações divertidas, banda de rock e sem medo de serem originais (desde os cabelos até as roupas).


Sem contar que até hoje detém a proeza de ser o único grupo de toda a agência a conseguir fazer uma turnê compreendendo as 47 províncias do Japão (em 2007), o segundo grupo a se apresentar num festival de rock (o Tokyo Metropolitan Rock, em 2017) e ainda ter um programa dedicado a divulgar compositores e produtores musicais (KanJam Kanzennen Show, TV Asahi). E no quesito musical, o Kanjani Eight mais investiu em outros ritmos, como blues, soul music, funk, folk music, rock, ska e até arriscou um pouco em technopop. Isso porque o grupo começou com... enka!!

Formado em 2002 mas debutaram com o primeiro single "Naniwa Iroha bushi" em 2004. Até 2007, todos seus singles eram temática de Osaka (isso porque dois membros nasceram fora dessa província), e faziam sucesso mais em Kansai do que no resto do Japão todo. A virada de mesa foi a partir de "Zukkoke Otokomichi", em que foi sucesso imediato e tornou-se obrigatória em todos os shows que se prezasse.

Desde que resolveram investir como banda, o grupo dividia os shows em três partes - uma parte de dança, uma parte com skits de comédia e outra parte como banda. Houve gente que disse que o Kanjani perdeu parte de fãs quando resolveu ser mais banda, mas que ganhou novos fãs que curtiam a parte em que era banda, porque eles eram mais autênticos.


A banda era formada por You Yokoyama (percurssão e trumpete), Subaru Shibutani (guitarra e harmônica), Shingo Murakami (teclados), Ryuhei Maruyama (baixo), Shota Yasuda (guitarra), Ryo Nishikido (guitarra) e Tadayoshi Okura (bateria). E quem pensava que o grupo era só banda pra impressionar, errou feio - bastam ver as apresentações desde a tour "8 Uppers" pra ver a evolução tanto como instrumentistas como intérpretes. Claro que em um álbum e outro tem aquelas músicas meio "tapa-buraco" ou solos somente pra diversão, mas em se tratando do Kanjani Eight a gente perdoa.

O nono álbum de estúdio - "JAM" - foi lançado em junho de 2017, logo depois da apresentação no MetRock. Pelo menos oito faixas já eram conhecidas do público pois tinham saído em singles e como tema de três programas de TV. Não seria exagero dizer que "JAM" seria equivalente ao "White Album" dos Beatles - porque o álbum trazia um pouco de tudo - rock, surf music, soul music, folk, ska, hip-hop - e colaborações de artistas conhecidos como BEGIN, Gen Hoshino, Unicorn e Yoshiki Mizuno (ikimonogakari), além de composições dos próprios membros do grupo. 

"Tsumi to Natsu", faixa que abre o álbum, é bem surf music no estilo dos anos 60, com a introdução de guitarra lembrando a banda Ventures, um dos nomes da surf music instrumental. Foi o 35o. single do grupo, lançado no verão de 2016 e foi um dos poucos que não foi usado como tema de algum programa de TV, comercial ou algo similar.

"Ima", que seria lead track (música que seria usada para divulgar o álbum), foi tema do programa anual da emissora Fuji Television, o "FNS 27 Hour TV Nihon no Rekishi". Foi composta por Yoko Kanno e Akira Nise, aka Gen Hoshino (tem bem o estilo das músicas de Hoshino da época do "Yellow Dancer").

"DO NA I" (usada como tema do programa "Pekojani Eight!") lembra muito o estilo da soul music dos anos 60, com uso de metais e piano. 

"Nagurigaki BEAT" (do filme "Hamon - Futari no Yakubyougami", protagonizado por You Yokoyama e Kuranosuke Sasaki) começa com estilo lounge jazz e logo descamba para um divertido e animado ska e reggae, influenciado pela banda Tokyo Ska Paradise Orchestra - por sinal, a banda colaborou na versão 2018 de "Musekinin Hero". Nas apresentações ao vivo, Yokoyama toca trumpete na introdução e no meio da música.

"Yume e no Kaerimichi", balada folk-rock composta pelos membros da banda BEGIN, é uma das poucas vezes em que Kanjani se dá bem com esse ritmo, e de forma bem limpa - violão, órgão e harmônica (tocada por Shibutani). Excelente para amenizar a parte agitada que o grupo tem.

"Egetsunai" traz no meio da faixa um tipo de "rap battle", ou seja, três duplas se desafiando em forma de rap (Yasuda X Okura, Shibutani X Yokoyama, Nishikido X Maruyama. Murakami faz o papel de MC). Ou seja, já anteciparam o boom do anime "Hypnosis Microphone" uns anos atrás. (Pelo menos teria que ter alguma música no estilo Kanjani de ser, senão não teria graça)

"Panorama", animada e dançante, foi usada como tema de abertura nos episódios 1 a 48 do anime "Monster Hunter Stories RIDE ON". Segundo o site oficial da Capcom, empresa que licencia o game do mesmo nome, foi porque Yokoyama, Shibutani e Murakami são fãs do game e resolveram colaborar com a música. Murakami participou no episódio 26, dublando o personagem Ledan.

"Never Say Never", composta por Shota Yasuda, foi usada como tema de encerramento do filme "Spiderman Home Coming" na versão japonesa. O ritmo, lembra um pouco "ER2", rápido e de batida pesada. Anos depois, segundo os próprios membros do grupo, disseram que Yasuda compôs uma música muito difícil de acertar o tom logo no primeiro take.

"Samurai Song", tema do dorama "Samurai Sensei", protagonizado por Nishikido em 2015, tem estilo de folk-rock music, estilo adotado por Nishikido quando partiu em carreira solo (embora já adotasse o estilo nos solos que fazia nos outros álbuns, como "Scarecrow" e "Watashi Kagami"). 

"S.E.V.E.N. korobi E.I.G.H.T. oki", composição da banda Unicorn (liderado por Tamio Okuda), tem jeito de punk-rock estilo Ramones. O título é um trocadilho do provérbio japonês - nana korobi - yaoki -, que seria "a vida tem altos e baixos, toda vez que cair, levante-se e siga em frente".

"NOROSHI", usado como tema de encerramento do segundo filme da série "Mogura no Uta", protagonizado por Toma Ikuta, é tida como a "música mais pauleira que Kanjani já fez em toda a sua vida", daquelas que faltava botar fogo no palco em todas as apresentações que fizeram, especialmente como banda.

"Seishun no subete", balada composta por Yoshiki Mizuno (guitarrista do trio ikimonagakari), foi a segunda lead track do álbum. 

"Ikiro", composta e musicada por Subaru Shibutani, é uma das poucas faixas que traz o grupo todo tocando todos os instrumentos - Shibutani no violão, Yasuda e Nishikido nas guitarras, Maruyama no baixo, Murakami nos teclados, Yokoyama nos tímpanos e trumpete, e Okura na bateria. Outra música que trouxe o grupo todo tocando foi a instrumental "High Spirits", do álbum anterior, "Genki ga Deru CD!!".

"JAM LADY", composta por Yasuda, mistura ritmos de ska, soul music, rock e hip-hop, fazendo uma faixa animada e às vezes sugestiva, mas divertida.

"Traffic", composição de Nishikido, é uma mistura de rock e funk-jazz, abusando de sons de trumpete, guitarra e baixo, com algumas passagens mais calmas e culminando em jam-session, improvisado.


O título do álbum traz dupla interpretação - de jam session, algo que o grupo vem fazendo desde 2015 no programa "KanJam Kanzennen Show" e de geléia, já que as capas das três versões trazem imagens de frutas (e os rostos dos membros escondidas entre as sementes). Mesmo sendo três versões - a regular, que traz todas as faixas mencionadas; e as versões A e B, que não trazem as faixas "Ikiro", "JAM LADY" e "Traffic", mas trazem "Nostalgia" (interpretada por Maruyama, Yasuda, Nishikido e Okura) e "Answer" (interpretada por Yokoyama, Shibutani e Murakami( respectivamente. 

"JAM" é tido como um dos melhores álbuns do Kanjani Eight, e um dos mais criativos musicalmente, pois o grupo ainda tem a liberdade de chamar quem eles quisessem para participar nas músicas e nos programas que possui. E também o epitáfio do grupo, pois foi o último álbum a ter os sete membros.

Embora musicalmente o grupo tem evoluído e muito, graças ao programa KanJam, eles ainda continuam sendo um dos grupos mais injustiçados da agência (os outros dois grupos seriam NEWS e KAT-TUN), mas por outro lado, fez com que eles descobrissem estilo próprio e não se prenderem no estereótipo de serem idols lindos e fofos. 

Trivia e curiosidades:

- Embora sejam atualmente "Embaixadores do Turismo de Osaka", dois membros nasceram fora da província - Maruyama é de Kyoto e Yasuda, de Amagasaki, Hyogo.

- O grupo todo não era exemplo de beleza idol que o Johnny's impunha na maioria dos grupos - por exemplo, Murakami tem dentes tortos (que não arrumou até hoje), Yokoyama tinha visual de delinquente (volta e meia pintava o cabelo de loiro) e Shibutani chegou até a ter uma tatuagem ridicularmente feia na mão (feita na fase mais emo dele, bem antes do debut). O que o grupo ganhava pontos era o entretenimento e sem ter vergonha alguma de falar o dialeto de Kansai.

- Antes do programa KanJAM Kanzennen show", na mesma emissora eles tiveram o "Kanjani no shiwake eito", no qual impulsionaram a carreira da cantora May J., e Okura ter sido campeão no game "Taiko no Tatsujin".

- Em um espaço de seis meses, depois da tour "Kanjani's Eightertrainment", logo já sairam em outra tour, o "Kanjani's Eightertrainment JAM", o que fez o grupo fazer o five-dome tour em um espaço de tempo muito curto entre uma tour e outra. Um dos motivos é que durante os meses de novembro a janeiro, os cinco Domes ficam disputados por muitos artistas, mas durante o verão tem que dividir o espaço para os campeonatos nacionais de baseball.

- Quem comprasse as edições limitadas no dia do lançamento, ganhavam posteres originais. As duas edições vinham em embalagem cartonada, com booklet ilustrado e visual card, ilustrados por vários artistas. A edição normal vinha somente o booklet ilustrado e o poster.

- A capa da edição limitada A, era de um morango; a do B, era metade de uma laranja; e a regular, a salada completa. 

- Fato revelado em julho de 2018 - em fevereiro de 2017, Shota Yasuda foi submetido a uma operação - de alto risco - para retirada de um tumor no cérebro. Embora sua recuperação foi rápida, com o tempo trouxe sequelas - como ter que usar óculos com lentes fotocromáticas para evitar claridade em excesso. 

- Devido a boa vendagem do álbum, boa recepção da crítica e turnê bem-sucedida, pela primeira vez, uma das revistas especializadas para baixistas, a BASS Magazine, trouxe um membro da JA na capa e reportagem - Maruyama.

Fontes: line notes do site oficial do álbum JAM, oricon e capcom

Imagens: pinterest

Monday, February 15, 2021

[Cine-Pipoca] Last Letter (ラストレター, 2020)


"Você acreditaria se dissesse que ainda te amo?"

Last Letter (ラストレター, 2019)

Sinopse: Numa reunião de ex-colegas de uma escola, Yuri (Takako Matsu) é confundida pela irmã dela, Misaki, já que ninguém sabia que ela havia falecido havia pouco tempo, e ambas eram bem parecidas. Inclusive reencontra Kyoshiro Otosaka (Masaharu Fukuyama), escritor e professor, que gostava de Misaki nos tempos de colegial (nem Misaki nem Yuri tiveram contato com ex-colegas desde a formatura, muitos acharam que Yuri fosse Misaki). Devido a um acidente doméstico com seu celular, Yuri começa a se corresponder com Otosaka via carta, já que ele havia dado seu cartão à ela com o endereço. Mas como se fosse Misaki escrevendo para ele.

Quando Otosaka encontra o antigo endereço de Misaki, ele passa a enviar cartas para ela, mas quem recebe as correspondências são Ayumi (Suzu Hirose), filha de Misaki e sua prima Soyoka (Nana Mori). Elas passam a responder as cartas de Otosaka mas de forma inocente, até que, ele repentinamente aparece na casa do ex-professor da sogra de Yuri, onde ela passou a endereçar as cartas. A partir desse momento que o escritor descobre sobre Misaki.

Ficha Técnica: Direção, e roteiro original: Shunji Iwai. Elenco: Takako Matsu (Yuri Kishibeno), Masaharu Fukuyama (Kyoshiro Otosaka), Suzu Hirose (Ayumi Tono/ Misaki Tono (jovem)), Nana Mori (Soyoka Kishibeno/ Yuri Tono (jovem)), Ryunosuke Kamiki (Kiyoshiro Otosaka (jovem)), Hitoshi Kimuro (Shozo Hatoba), Keiko Mizukoshi (Akiko Kishibeno), Midori Kiuchi (Junko Tono), Keiichi Suzuki (Kokichi Tono), Hideaki Anno (Sojiro Kishibeno), Etsushi Toyokawa (Yoichi Ato), Miho Nakayama (Sakae). Música: "Kaeru no Uta" de Nana Mori.



A intenção do diretor e roteirista Shunji Iwai era mostrar que, mesmo com o constante uso de SMS para enviar mensagens, ainda existem pessoas que preferem se comunicar via carta. Não podemos dizer que o hábito de escrever e enviar cartas morreu, mas a freqüência diminuiu, apesar nos finais de ano ainda prevalece o envio de hagaki (cartão postal) para pessoas próximas e parentes. 

Personagens:

- Yuri Kishibeno (Takako Matsu/ Nana Mori): Irmã mais nova de Misaki. Casada com o ilustrador Sojiro Kishibeno, e tem dois filhos - Sotoka e Akito. No colegial, gostava do recém-chegado colega Kyoshiro Otosaka. Devido a uma confusão no dia da reunião de ex-colegas da turma do colegial onde sua irmã estudou, muitos achavam que Yuri era Misaki (sendo que esta havia falecido dias antes). Passou a enviar cartas para Kyoshiro, se passando por Misaki.

- Misaki Touno (Suzu Hirose): Irmã mais velha de Yuri, que faleceu devido a uma enfermidade. No colegial, Kyoshiro gostava dela, e ajudou Misaki a escrever o discurso de formatura. Deixou a filha Ayumi morando com os pais.

- Kyoshiro Otosaka (Masaharu Fukuyama/ Ryunosuke Kamiki): Escritor de um livro apenas, e professor de uma escola preparatória em Tóquio. No passado, era aluno transferido de outra escola. Yuri gostava de Kyoshiro, mas ele gostava de Misaki. No reencontro de ex-colegas de colégio, encontra Yuri achando que era Misaki, e passa a receber cartas dela, até saber da verdade.

- Ayumi Touno (Suzu Hirose): Filha de Misaki, que após o falecimento da mãe, passa a morar com os avôs.

- Soyoka Kishibeno (Nana Mori): Filha de Yuri e prima de Ayumi. Resolve passar as férias de verão com Ayumi, depois do funeral da tia.

- Sojiro Kishibeno (Hideaki Anno): Esposo de Yuri e pai de Soyoka e Haruto (Nagi Furuya). Ilustrador e trabalha em casa. Achava que Yuri estivesse traindo com Kyoshiro devido a essa confusão no encontro da antiga classe de Misaki.

- Shozo Hatoba (Hitoshi Komuro): Ex-professor de Akiko Kishibeno na época de colegial. Ele quem empresta o endereço para que Yuri receba as cartas de Otosaka.

- Akiko Kishibeno (Keiko Mizukoshi): Mãe de Sojiro, que passa alguns dias na casa do filho, mas acabou ficando mais tempo devido a um acidente. 

- Junko Tono (Midori Kiuchi) e Kokichi Tono (Keiichi Suzuki): Pais de Misaki e Yuri e avós de Ayumi e Soyoka. 

- Yoichi Ato (Etsushi Toyokawa): Ex-namorado de Misaki (e pai de Ayumi).

- Sakae (Miho Nakayama): Atual namorada de Yoichi. Gerencia um snack bar em um bairro de Sendai.

Trivia:


- É história original do diretor Shunji Iwai. Tem um filme chinês do mesmo nome, de 2018, dirigido pelo mesmo Iwai, mas o enredo difere do de 2020.


- Qautro atores já trabalharam com Iwai anteriormente - Miho Nakayama, Etsushi Toyokawa e Keiichi Suzuki ("Love Letter") e Takako Matsu ("Shigatsu Monogatari").

- Suzu Hirose, Nana Mori e Ryunosuke Kamiki interpretaram os papéis de Misaki, Yuri e Kyoshiro quando ainda estavam no colegial. No presente, Hirose interpretou a filha de Misaki e Nana, a filha de Yuri.


- Fukuyama e Kamiki pertence à mesma agência, a Amuse (falar dos dois seria chover no molhado, pois ambos possuem carreira bem prolífica - Fukuyama na música e Kamiki na atuação). Os dois atuaram juntos no dorama "Shudan sasen" e nos dois últimos filmes da trilogia "Rurouni Kenshin".

- Suzu Hirose já atuou com Fukuyama ("Sandome no Satsujin") e com Kamiki ("Gakkou no Kaidan"). Sua irmã mais velha, Alice, também é atriz.

- Para quem não sabia, Fukuyama é fotógrafo também. As fotos que ele tirou no colégio desativado e da Ayumi e Sotoka são dele mesmo.

- Keiko Mizukoshi (que interpreta a mãe de Sojiro), é cantora, compositora e ensaista desde os anos 70. Era a primeira vez que atuava.

- Hideaki Anno é ilustrador e diretor de animação. Seus trabalhos mais conhecidos são "Neon Genesis Evangelion", "Kare Kano", "Cutie Honey", "Shin Godzilla" e "Shin Ultraman", mas foi com a franquia de "Evangelion" que o tornou conhecido. Sua esposa é Moyoco Anno, conhecida mangaka com obras como "Happy Mania", "Sakuran" e "Hatarikiman".

- Nagi Furuya, que interpreta o filho de Yuri, é filho da atriz MEGUMI e do músico Kenji Furuya (membro da banda Dragon Ash).

- Exceto onde Kyoshiro morava, em Tóquio, o restante das locações foram nas cidades de Sendai e Shiroishi (Miyagi-ken). No panfleto do filme, tem uma página com um mapa indicando os principais locais das filmagens.

- A música "Kaeru no Uta", interpretada pela atriz Nana Mori, foi composta e musicada por Shinji Iwai e Takeshi Kobayashi.

- O filme estreiou no dia 17 de janeiro de 2020 em todo o Japão.

- A atriz Nana Mori ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante no 42o. Festival de Cinema de Yokohama, em 2020. Já foi indicada para atriz revelação no 44o. Nihon Academy, que será em março de 2021.

- Na 12a. edição do Tama Eiga, dentro do festival Tama Cinema Forum, o filme levou os seguintes prêmios - melhor filme (incluindo diretor, staff e elenco), melhor ator (Masaharu Fukuyama), melhor atriz coadjuvante (Nana Mori).

- O DVD saiu no dia 15 de julho de 2020. A edição especial traz vários bônus e a réplica da carta de Misaki para Ayumi. Quem havia feito pre-order da edição limitada, ganhava uma cartela de adesivos com ilustrações inspiradas no filme em forma de selos. Só que o filme vem legendado em japonês para ajudar pessoas com problemas auditivos.

Fontes: site oficial do filme, panfleto oficial, site Tama Cinema Forum e Nihon Academy.

Imagens: Last Letter Official Site.

Sunday, February 14, 2021

Upgrade


Faz um bom tempinho que não estou atualizando aqui, né? Nem tanto pelo trabalho, porque desde que o ano começou, estou saindo cedo todos os dias. Eu tinha dado um tempo no curso que estou tentando terminar, mas acho que agora as coisas vão andar.

Eu havia mencionado que, sem o material necessário para trabalhar/estudar, eu não consigo render nada. Mesma coisa quando vou querer traduzir alguma coisa, ao menos tenho que ter dois dicionários de kanji e gramática. Agora imaginem eu fazer um curso de design gráfico tendo em casa um notebook de processador lento e desatualizado. Eu sei que vai ter muita gente tacando pedras em mim dizendo que eu nem deveria reclamar de barriga cheia porque tem gente que faz curso sem material nenhum, mas cada caso é um caso, e no meu, eu que deveria ter criado vergonha na cara e ter investido em um equipamento melhor (pra quem não sabe, eu me graduei em programação em computadores, mas ter seguido a carreira que era bom...).

Pois bem, eu estava perto de desistir do curso e começar do zero caso abrissem novas turmas, mas quando dei por mim, adquiri um equipamento um pouco mais atualizado e finalmente conseguimos instalar o programa para eu poder acompanhar as aulas, porque estou realmente bem perdida mesmo.

Na postagem passada, realmente eu estava bem desanimada em muitas coisas, já pensando em desistir, e olha que eu sou bem persistente até onde aguento. Mas aos poucos fui começando a me animar, como pesquisar um novo notebook (nem precisava ser novo mas também nem tão velho), instalar os programas e voltar àqueles tempos em que eu varava noites em claro tentando resolver os problemas (mas isso seria outra história).

Já faziam anos que eu estava procrastinando pra caramba em comprar um outro notebook, porque meu desktop PC foi pro céu dos computadores, um notepc que tinha ganho da operadora de celular há quase 10 anos acabou travando e nem ressuscitou e estava usando um outro notebook compartilhado com o namorido. E eu pra criar vergonha na cara e comprar um outro somente para mim, com a configuração que eu quero, essas coisas...  Antes tarde do que nunca, depois de mais de um ano pesquisando em algumas lojas da capital (aka Nagoya), finalmente consegui comprar um notebook decente. 

Se é pra eu ter um notebook para começar a estudar, então já procura um de configuração e desempenho desejáveis, certo? Pois é, nesse ponto eu sou bem exigente, embora sistemas e programas atualizam a cada momento, pelo menos eu já adquiri um com Win10, processador Core i7 de terceira geração (ok, já está na décima, mas ainda está bom) e drive Blu-Ray. Ok, memória RAM de 8GB e HD de 750GB (ia pegar o de 1TB, mas o problema foi a configuração do sistema, ou seja, nem tudo o que a gente quer, consegue 100%), porque memória é essencial, senão nem tem como armazenar os programas.

Uma vez adquirido produto novo, bora passar final de semana configurando, instalando e testando, sem falar que depois de duas semanas tentando instalar o bendito do programa de AutoCad (cheguei ao ponto de levar o note para o professor instalar direto)... Mas como essas coisas eu tenho que fazer aos poucos, certeza que vou demorar para ajustar aqui, especialmente as tarefas do AutoCad, que estou muito atrasada.

Quando coloquei o título, é sobre melhorar de nível. Na verdade é em todos os aspectos da minha vida, desde trabalho até estudos. Estou tentando obter alguns certificados para melhorar, algo que venho almejando há anos. Não adianta a gente querer fazer tudo de uma vez, tem que fazer por partes, como eu aprendi a ser assim depois de quebrar muito a cara. Sim, eu ainda sou um pouco aquelas pessoas que querem fazer tudo de uma vez e no final nada se aproveita. Mas nesse aspecto, eu estou melhorando.

Espero que a partir de agora eu melhore a cada dia, especialmente como pessoa.

Foto' da autora, do novo notebook - NEC LaVie L series 750, que ainda está sendo customizado aos poucos.


Thursday, February 04, 2021

Recomeço


Muitas vezes acho que é melhor parar e voltar à estaca zero para ver se faço as coisas direito.

Dificilmente sou uma pessoa que desiste no meio do caminho, e das vezes que tive que parar no meio era por outros fatores que me impediram de continuar. Mas quando percebo que não vale a pena continuar, melhor eu parar ou piorará cada vez mais. Porém existem situações em que "vou tentar até onde dá". 

Pois é...

Já me perguntei diversas vezes, a maior parte durante o trabalho, que raios estou fazendo da minha vida. Poderia estar fazendo algo diferente, poderia ter me empenhado mais, aproveitado muito mais do meu tempo livre para procurar mudar minha vida, e isso estou arrastando por anos. 

Como não adianta chorar pelo leite derramado e o passado não volta mais, então eu teria que "mexer os pauzinhos" nesse exato momento. A começar por este Emporio que fazem semanas que não atualizo direito, tenho até os temas rascunhados na agenda, mas na hora em que sento diante do notebook, toda a inspiração que eu tinha durante o trabalho, fugiu. E quando consigo fazer a resenha de algum filme que assisti, nem percebo a hora e quando termino, já está na hora de acordar pra ir trabalhar.

Aliás, falando em trabalho, na verdade eu estou nesse emprego até hoje porque eu preciso realmente ter uma boa reserva para dar o próximo passo. Se me perguntarem dos anos anteriores, vou resumir - pagamento de contas, mudança de endereço duas vezes, um mês de férias (tivemos que juntar quase um ano de trabalho para podermos viajar e retornar com folga monetária), renovação de cartão de residente. Eu sei muito bem que, se eu deixar alguma oportunidade escapar, nunca mais vou recuperar, mas todas as oportunidades que me apareceram, eu aproveitei, não tenho culpa se a outra parte não quis. Mas vamos tentando.

Eu falei em tentar, certo? Muitas coisas eu tentei fazer, até onde deu, mas percebi que para algumas coisas eu preciso ter muito foco e material para acompanhar. Por isso que alguns cursos que andei frequentando, mesmo sendo uma aula experimental, eu resolvi parar e esperar nova turma para começar da estaca zero, até lá eu já terei material apropriado para estudar melhor. (Para não dizer no quesito financeiro, porque nem todos os cursos que quero fazer são gratuitos, e também quesito horário, porque dia de semana nem pensar)

Confesso que, o que me fez tirar do foco, foi a pandemia. Aliás, isso não foi só comigo. Mas fico admirada em saber que existem pessoas que mesmo nessa pandemia e tudo o mais, continuou mantendo o foco e não deixou a peteca cair. No meu caso, foram uma série de fatores que desandaram meu ritmo - salário, cancelamentos, e muitas incertezas (principalmente no trabalho, pois desde que a pandemia atingiu o pico ao ponto de ficarmos 45 dias em casa, quando retornamos, o quadro de pessoal foi reduzido em 15%).

Eu deveria dar graças a Deus por eu ainda estar empregada? Claro que sim, sei que tem muita gente que venderia os rins para estar no meu lugar, mas também não dá mais pra ficar estagnada no mesmo lugar. Mas também para eu mudar de vez, eu teria que me esforçar em muitas coisas, desde conseguir o famigerado N2 no JLPT até certificados de, sei lá, até de como cuidar de plantas e não deixá-las morrer de sede. É, eu bato sempre na mesma tecla, virou um mantra, sei lá, mas é o que o pessoal do grupo dos Brasileiros de T.I. (Tecnologia de Informação) no Japão vive dizendo nas lives do FB - estude mais a língua japonesa para conseguir um bom emprego. Ainda mais se for na área de informática.

Confesso que têm horas que a minha energia se esgota, tive uns finais de semana que eu nem queria sair de casa, nem pegar nos livros, até pra assistir meus programas de TV favoritos deixei pra depois. Gostaria que não fosse assim pelo menos nos meus dias de folga, que costumo reservar alguns momentos para me dedicar, ter um tempo para mim mesma, dar uma "limpada" na mente, mas às vezes é difícil e eu acabo fugindo do foco.

Falando em fugir do foco...

Eu admito que fujo muito do foco, faço coisas aleatórias e isso não é bom, porque acabo não terminando nem uma coisa nem outra. Do tipo: ao mesmo tempo que estou tentando terminar esta postagem, estou assistindo o capítulo da semana passada de um j-dorama que estou acompanhando nesta temporada de inverno, e a caneca de café esfriando aqui ao lado. Daí acontece que eu não terminei de escrever e o café ficou frio, mas os doramas desta temporada estão em dia.

Janeiro foi um mês que tive que abrir mão de algumas coisas mas foi necessário para que este mês em diante eu comece de forma "decente", como voltar ao ritmo normal do curso, estudar de novo e ver se encontro o fio da meada, porque realmente, desde o ano passado, tudo foi torto não somente comigo, mas para muita gente. E espero que muitas pessoas consigam encontrar o caminho certo.


Foto: da autora via smarphone novo (AQUOS R5G) na saída do trabalho. Cinco e quarenta da tarde de janeiro.

Tuesday, January 12, 2021

[Cine-Pipoca] Os Filmes Que Andei Assistindo Antes, Durante e Depois do Kinkyuu (Estado de Emergência)


Em abril de 2020, quando foi instituído o Estado de Emergência em todo o Japão devido a pandemia do COVID-19, todos os lugares que não fossem essenciais, ficaram fechados (e aproveitaram para adaptar conforme as exigências do Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-Estar Social daqui), e isso significou que, nada de concertos, nada de eventos, nada de teatro, nada de cinema, enfim, todos os lugares que houvessem aglomeração de pessoas.

Um pouco antes de entrar o Estado de Emergência em todo o país, ainda deu para eu ir no cinema. Depois disso, até agosto, quando os cinemas foram abrindo aos poucos, nunca fiz tanto uso dos aplicativos que tenho de filmes e j-doramas, já que teve muito filme adiado para sabe lá até quando, e ainda passei 45 dias em casa, só saía pra comprar comida.

Vou listar os que eu assisti desde 2019. Resenha mesmo, eu era para ter feito ano passado, mas acabei esquecendo. Sinal que preciso fazer bom uso dos meus cadernos com as folhas caindo e usá-las pra rascunho, anotações... (alguns eu fiz resenha, mas alguns nem vou arriscar ou vou ficar com raiva).

No cinema (antes do kinkyuu):

- The Fable (2019)

- Matinee no Owarini (2019)

- Last Letter (2020)

- Wotaku ni Koi wa Muzukashii (2020)

No cinema (depois do kinkyuu):

- Given (2020)

- Jiko Bukken Kowai Madori (2020)

- Restart wa Tadaima no ato de (2020)

- Kyuso wa Cheese no Yume o Miru (2020)

- Midnight Swan (2020)

- Tsumi no Koe (2020)

- The Promised Neverland (2020)

Durante o jishiku (aka em casa):

- 100 kai naku koto (2013)

- Dakishimetai (2014)

- 8uppers (2008)


Como eu havia postado um tempo atrás, os filmes que consegui assistir no cinema, foram porque eu havia comprado bem antecipado (meses antes de sair em rede nacional, mas já com data de estréia já anunciada) e outros porque eu conseguia desconto (indo nos dias que tenho direito a desconto) e até gratuito - ou quando conseguia ingresso gratuito no cartão de fidelidade do cinema que costumo ir, ou via aplicativo da operadora de celular que possuo. 

Quem vê pensa que eu vou ao cinema toda semana, se bem que, nos meses de agosto e setembro, praticamente fui quase todos os finais de semana, mas um filme estreiou atrás do outro (Given foi dia 22 de agosto; Jiko Bukken, dia 28; Restart foi dia 4 de setembro; Kyuso foi dia 11; e Midnight Swan foi dia 25), por causa da pandemia, porque a maioria estava programada para maio em diante.

Normalmente eu assisto filmes quando a sinopse ou o trailer me chama a atenção. Claro que muitas vezes os atores principais contam, apesar de alguns filmes nada se salvou, mas isso acontece. Até mesmo adaptação de algum mangá conhecido, nem sempre a versão live-action salva, por mais que tenham artistas bem conhecidos, mas quando a adaptação e direção erram a mão...

Da lista que postei, dois eu diria "vá assistir por sua conta e risco", porque não valeram o valor do ingresso e ainda que fui no dia em que eu pagava mais barato. Claro que a opinião varia de pessoa pra pessoa - de repente o que eu não gostei, tem gente que amou e vice-versa, então a minha opinião não influencia ninguém, bem como a de terceiros para mim. E outra: não sou crítica de cinema e nem quero.

Wotaku ni Koi wa Muzukashii (2020) - Conhecido como "WotaKoi" para muitos, é um mangá que é publicado na plataforma pixiv, comunidade onde muitos artistas amadores postam suas obras on line. A história chamou a atenção da editora Ichijinsha que começou a publicar no site como manga on line e logo compilado em forma física. É a história de Narumi Momose e Hirotaka Nifuji, que eram amigos de infância e se reencontram no mesmo ambiente de trabalho. Os dois são otakus - Narumi gosta de otome games, BL manga e faz doujinshi para vender em eventos do gênero; Hirotaka é gamer. Apesar desses gostos diferenciados, eles possuem vida normal - trabalham, saem para beber após o expediente. 

O manga fez tanto sucesso que a produtora A-1 Pictures resolveu fazer um anime seriado que foi transmitido pela Fuji Television na temporada de primavera de 2018, na grade do programa Noitamina (destinado para animes). Foram exibidos 12 episódios, que seguiu fielmente ao manga (na época que foi transmitido, o manga estava no quinto volume).

Só que o live-action que estreiou nos cinemas em fevereiro de 2020 - opinião minha quem leu o manga e assistiu o anime: saí do cinema decepcionada. Do tipo: ao invés de mostrar que os otaku são gente igual a gente (só que gosto bem peculiares em excesso, mas até aí nem posso falar muito porque eu também sou mas de j-doramas, de idols, de mangá...), esculachou a imagem deles. E de onde veio a idéia de botar como musical? E fora que o casal secundário que também seria principal - Koyanagi e Kabakura -, foi desperdiçado, sem falar que muita coisa fugiu do original. Quem faz cosplay ficou horrorizado a forma da Koyanagi produzir o visual, socorro.

Eu sei que deve ter muito fã de j-doramas que deve ter gostado por causa do ator principal, o Kento Yamazaki (ele está ainda em alta, graças à série "Alice in the Borderland"), mas esse filme vá assistir por sua conta e risco, porque esse foi um dos live-actions que não deu certo.

Matinee no Owari ni (2019): Confesso que assisti esse filme por causa do meu ídolo-mor Masaharu Fukuyama, ainda mais que no filme ele mesmo toca violão clássico e fora a divulgação que fez. Só que fui assistir, saí do cinema com um gosto amargo, mas felizmente compensou em "Last Letter" que saiu em janeiro de 2020, que ele também seria protagonista. "Matinee no Owari ni" pra mim compensou as músicas, porque o enredo (era bem clichê, mas se era pra ter um final meio vago, então tivesse algo mais trágico, que seja)...

Prova de que não dá pra gostar de tudo o que seu artista favorito faz.

Em breve, farei logo a resenha dos filmes que andei assistindo, porque faz um bom tempinho que não faço algo parecido, acho que o último foi "Jiko Bukken" e antes e depois disso eu já tinha enfileirado mais filmes...

Foto: da autora, tirada em setembro de 2020, na Toho Cinemas Tsushima. A rede Toho Cinemas é tida, no Japão, o "lar" das animações da Illumination, empresa que tem filmes da série Minions.



Monday, January 11, 2021

Redes Nada Sociais - O Retorno e Outras Considerações

Ano passado eu tinha feito uma postagem sobre redes (nada) sociais e que o poder negativo que elas possuem. Eu já estava interagindo muito pouco nas poucas redes sociais que tenho conta, mas desde que fiz a postagem, piorei. Eu nem compartilhava direito as postagens, tampouco comentava assuntos que mais me interessava. Era um ou outro e olhe lá. No que as redes sociais seriam para trocar informações e conhecer as pessoas, confesso que não esperava que isso acabou se tornando um lugar de muita discórdia. 

A gente nem pode falar sobre alguma coisa aleatória que vem tacando duzentas pedras. Imagine se a gente posta seu ponto de vista...

Interajo mais ou menos no Instagram quando se trata de j-doramas, felizmente mesmo tendo opiniões diversas, a gente entra num acordo, afinal nem dá pra agradar a todos. O que não acontece em outras redes sociais que tenho. Já havia comentado que muitos anos atrás eu participava em alguns fóruns e, por causa de um comentário que eu discordei, resultou na minha suspensão e eu pedi minha retirada no grupo horas depois. E que, em 2011 o Twitter foi um dos melhores meios de comunicação para a comunidade que nem sabia o que estava acontecendo em Tohoku (na época, eu morava em Yokohama e trabalhava em Tóquio. Se lá tudo parou, imaginem o que aconteceu no epicentro), tanto que um ano depois fizemos uma reunião para nos conhecermos pessoalmente.

Eu diminui muito a freqüência nas redes sociais depois que voltei a trabalhar, entrava mais à noite. Até postava muito na outra conta, mas com o tempo eu parei. Instagram eu aderi bem depois porque o aplicativo demorou para ter quem tem sistema android no celular. De uns dois anos pra cá, para não dizer que sumi, eu aparecia esporadicamente pra comentar, ou dar RT (retweet), mas só ficava observando, mas cada olhada no feed da timeline, mais eu tinha vontade de excluir a conta, mas como ainda tenho pessoas de bom senso e amor no coração, continuei (e aos poucos fazendo a faxina nas contas).

Quesito fandom (um dia eu posto como fui parar em muitos), eu já estou virando (se já não virei) "o bloco do eu sozinho", porque nem todo mundo consegue acompanhar o ritmo como eu consigo, e muitas vezes eu não consigo também. E ultimamente nas redes sociais saem tudo junto e misturado, então fica difícil processar as coisas e ter foco em algo. Na verdade, estou abrindo mão de muita coisa para priorizar outras coisas para mim (cursos de especialização, JLPT e procurar outro emprego), e as coisas que eu costumava seguir, terei que deixar pro segundo plano. Afinal, preciso voltar ao foco que dei uma desviada no final do ano passado...

Mas não posso deixar me abater nas redes sociais passando em feeds desmotivadores e brigas de foice no escuro. E olha que fiz uma varredura nelas. O negócio é ignorar ou deletar marcando como "sem sentido algum", essas coisas. Melhor ainda: fechar o aplicativo e fazer algo melhor, como sempre eu digo mas às vezes acabo esquecendo. 

Só que não dá pra ficar de olhos vendados, ignorar tudo, esquecer do mundo para sempre. Como estamos em mudança constante, temos que tentar acompanhar, seja algo bom ou algo ruim. O jeito é filtrar o que é válido e não ficar só vendo a mesma coisa, ainda mais nos dias de hoje, senão piramos de vez e não tem volta.

E eu nem sirvo para dar auto ajuda para outros.



Saturday, January 02, 2021

Misheard songs, Virunduns, Soramimi - O tempo todo a gente cantou errado

Quem nunca cantou algum trecho de uma música e, depois de muito tempo, foi descobrir que não era aquilo que você pensava? O mais clássico entre o pessoal da minha faixa etária é a música "Noite do Prazer", da banda Brylho, no verso "Na madrugada, a vitrola rolando um blues/ tocando B.B. King sem parar", muita gente entendia (e cantava) "trocando de biquini sem parar". Sim, eu também entendia dessa forma e a gente cantava assim mesmo. Só fui descobrir a letra correta depois de muitos anos, leia-se, quando li o (finado) blog Virunduns (isso em 2003 por aí...).

Virundum é um termo criado por Paulo Francis na revista Pasquim nos anos 70~80, que seria uma brincadeira pela má interpretação da primeira estrofe do Hino Nacional Brasileiro, que seria "Ouviram do Ipiranga..." mas acabou que muitas pessoas cantavam "O Virundum Ipiranga..."

Mas essas interpretações equivocadas em músicas (em sua maioria), já não é de hoje. A famosa música "Purple Haze", de Jimi Hendrix, a frase "Scuse me, while I kiss the sky" (com licença, enquanto beijo o céu), muita gente ouvia como "kiss the guy" (beijar o cara) - tanto que, até o próprio Hendrix cantava essa versão e apontava para o baixista de sua banda, Noel Redding.

Mas atire a primeira pedra quem nunca cantou errado e nunca percebeu. Se na nossa língua-mãe a gente comete essas trocas, imaginem quando se trata de música de outro idioma (muitos chamam de soramimi, do japonês "soramimi kashi", ou letras alteradas). Existem muitas, mas talvez a mais conhecida (entre o pessoal da minha faixa etária) seria a versão que a banda Nenhum de Nós fez para a música "Starman", do David Bowie, que acabou virando "Astronauta de Mármore". Se a versão original já nem fazia tanto sentido (dizem que Bowie compôs e gravou a música completamente doidão), a versão da banda gaúcha ficou mais sem sentido ainda, e mesmo assim ambas ficaram boas.

Aqui também a situação não difere muito, não. Se não fazem a versão japonesa de algumas músicas estrangeiras (como "Daydream Believer" na versão da banda The Timers), outras, por causa da fonética, acaba tendo outro sentido, como a famosa música "Dragostea Din Tei", do trio moldávio O-Zone. A letra original em romeno, acabou viralizando aqui no Japão como "Noma-Noma Yey" por causa da fonética. Se procurarem no YT, tem a versão anime de dois gatos enchendo a cara, com direito a legenda (em japonês) e se levar mais sorte, a versão do programa SMAP X SMAP no quadro "Host Club Blues" com direito a coreografia.


O mais surpreendente foi quando o grupo O-Zone foi no programa, todo mundo acabou cantando a versão soramimi da música.

Se a gente vai para algum outro país e não dominar 100% do idioma logo de cara, não precisa entrar em pânico, porque é errando e cometendo gafes (desde que não sejam prejudiciais a terceiros, no máximo é matar a pessoa de vergonha) que aprendemos. 

Quando a frase "Is it possible to return this" (É possível devolver isto?) vira "pasupooto toritai" ("Tirar o passaporte) ...



Na primeira fase do programa "Kanjani Eight Chronicle", tinha um quadro "Eikaiwa Dengon Time" ou "Inglês por Telefone Sem Fio". Eram três membros do grupo (You Yokoyama, Ryo Nishikido e Shingo Murakami) com três estrangeiros, que um tinha que passar a mensagem para o outro... em inglês. Era bem interessante o quadro porque os três do Kanjani tinham que se esforçar ao máximo para entender e passar a frase em inglês para a outra pessoa. E sempre a última pessoa entendia completamente diferente o que a primeira falou. E isso gerava - literalmente - um ataque de risos.

O quadro fez tanto sucesso que o assunto mais comentado era o do famoso "pasupooto toritai" e o Yokoyama tendo um ataque de riso tão grande que nem ele conseguia se conter.


Mal a pessoa repassa pro Yokoyama e o próprio começa a rir, então imaginem o caos que virou esse quadro (e a situação fica mais cômica quando o recado chega pro Murakami. Agora entendi porque recentemente ele comentou que já fazem dois anos e tanto que está estudando inglês).

Se quiserem mais sobre Virunduns, aconselho seguir o Alexandre Inagaki no Instagram (@popcabeça) que nos stories tem uma porção deles e bem conhecidos.

Videos: via YT

Imagens: tumblr Learn Kanji with Johnny's

Friday, January 01, 2021

Nenhum plano para 2021


Com grande custo, finalmente entramos em 2021.

Se eu fosse fazer um balanço do que foi 2020 para mim, foi satisfatório. Eu sei que diante de muita gente eu estaria numa posição privilegiada, mas a pandemia afetou todo mundo, sem exceção. Estou com emprego e com saúde, o que é mais importante (porque sem saúde, não conseguiria arranjar outro emprego, fazer minhas especializações e viver).

Confesso que passei boa parte do ano em estado de animação suspensa. Interação nas redes sociais foi quase zero, raramente postava no Instagram e no Twitter, rede social que antes eu interagia muito mais (e foi graças ao Twitter que pudemos informar para outras pessoas o que realmente acontecia durante o terremoto de Tohoku em 2011, conheci muita gente boa, enfim), mas fui percebendo que, quanto mais eu tentava passar informações no mundo j-pop que muita gente desconhecia, mais eu era ignorada. Por isso que muitas vezes ficava no monólogo. No fim, só acompanhava o que realmente me interessava.

Na real, interagi mais no Instagram, com algumas pessoas que curtem j-doramas daqueles que ninguém lembrava, gente do meio otaku (embora eu não seja completamente uma, porque gosto de um pouco de tudo), ouvindo podcasts, e outras coisas aleatórias.

Depois que voltei do jishiku, eu deixei de fazer muita coisa, e voltei aos poucos. Culpa da minha procrastinação, e nem era porque estava trabalhando muito, porque onde trabalho ainda folgo nos finais de semana, fiquei quase seis meses sem aulas presenciais (não tive nem EAD - educação à distância - porque meu professor ficou esse tempo internado), eventos e concertos cancelados...

O que me ajudou muito em manter minha sanidade em ordem foi resgatar filmes e j-dramas que eu havia encostado e, graças aos aplicativos das emissoras e de um que pago mensalmente da operadora de celular que possuo, consegui assistir a maior parte deles. Isso porque fiquei meio ano sem ir ao cinema por motivos que nem preciso explicar.

Aprendi que não adianta muito fazer um monte de planos para depois acontecer o que aconteceu no ano passado e ficar frustrado por um bom tempo. Melhor frustrado mas com saúde do que realizado e acabar na cama de um hospital (ou numa urna). Algumas coisas temos que planejar, sim (no sentido financeiro), mas eventos e outras finalidades, acho que tem que ser na hora mesmo.

Para este novo ano que entra, o que eu quero além dessa pandemia sumir da mesma forma que apareceu, é o que muita gente quer - mais empatia, mais compreensão, mais amor ao próximo. E isso vai depender muito da gente tentar fazer com que as pessoas sejam mais tolerantes e compreensivas, mesmo nos dias atuais. 

Que 2021 seja um ano infinitivamente melhor do que o anterior, e que possamos viver sem medo.


Foto: da autora, no Studio Reiho, Hamamatsu, em novembro de 2020, durante um evento beneficente para ajudar uma ONG que resgata e cuida de gatinhos abandonados, para serem adotados depois.