Inspirado na postagem da Renata, desta vez eu postarei dez fatos bem randômicos que tive na minha vida mas todas elas são verdadeiras, que envolvem experiências paranormais na madrugada, entrevistas de emprego, "traumas blogueiras", banimentos e causos capilares.
1. Quando era universitária, eu e mais quatro colegas de curso fizemos um "teste paranormal" na madrugada, na praça da cidade (onde fica a faculdade). Era tentar levantar uma pessoa usando somente o indicador, posicionado debaixo dos braços e dos joelhos (por isso que precisava de cinco pessoas). Não lembro bem como fizemos, acho que os quatro iam empilhando as mãos acima da cabeça da quinta pessoa (que tinha que ficar de olhos fechados) e ir recolhendo uma por uma, na ordem de cima para baixo. Querem saber mais? Deu certo. Mas nunca mais repetimos, porque ficamos com medo depois.
2. Na minha vida recém-formada na universidade, fui atrás de emprego na minha área. Era uma empresa até conhecida (para quem é do ramo de informática) e me candidatei à vaga. Cada semana era uma fase, parecendo um RPG, só faltavam as arcas de moedas e conseguir uma espada, que seja - teste de conhecimentos gerais, teste em inglês, digitação, teste psicotécnico... E cada fase era eliminatória, para chegar à entrevista. Se eu cheguei na entrevista, então faltava ser aprovada na dita cuja, e éramos duas meninas. Claro que a entrevista foi em dias separados. Não fui aprovada e, pelo que fiquei sabendo depois, a outra foi aprovada por ser muito bonita e ter um QI alto (QI = Quem Indica). Até onde sei, a empresa fechou anos depois...
3. Perdi uma vaga de emprego em um banco em que tinha atendimento em português porque chegou na hora da entrevista, travei inteira - minha voz não saía, tremia feito vara verde, suava frio, e, segundo uma das staffs que me acompanhou, estava pálida ao ponto de que achavam que eu tinha ido desta pra melhor. Mas há males que vêem pra bem - uma ex-colega do tempo que trabalhamos em Tóquio (e que tinha me indicado a vaga), meses depois pediu demissão daquele banco porque o ambiente era tão tóxico, mas tão tóxico que precisou tirar um ano sabático para se recuperar.
4. Já fui suspensa em um fórum em que era um fandom de um grupo idol, porque por uns dois meses eu vivia dando respostas atravessadas para alguns membros - mas também eu passava por uma fase muito ruim da vida (a empresa onde trabalhei, faliu e todo mundo foi demitido, e só vivia recebendo não na cara quando fazia entrevista de emprego) e isso ninguém entendia. Quando recebi a advertência por e-mail dizendo que "problema seu se está nesse estado", enviei e-mail resposta para as moderadoras solicitando minha retirada no grupo, porque ao invés de entender o problema, eu era humilhada. O fórum fechou e daquele fandom, acho que mantenho contato com meia dúzia até hoje (a meia dúzia que entendeu meu estado emocional e psicológico naquela época).
5. Ainda no quesito banimento em alguns blogs - comentário deletado quem nunca teve, não é mesmo? Mas no meu caso, tentei defender não somente a mim mas para algumas pessoas que comentaram e foram criticadas por um anônimo. Resultado, o anônimo continua postando seus comentários e a gente (eu, inclusa) foi bloqueada de comentar no blog. Em outro que eu acompanhava e chegava a comentar (uns bons anos atrás), de repente a pessoa deletou TODOS os meus comentários e outras coisas que aconteceram que nem vou comentar porque já virei essa página.
(Já vão pensar que sou problemática, mas eu reconheço que no passado eu "batia de frente" com muita coisa, hoje penso dez vezes antes de postar qualquer comentário. Portanto, pessoal do Entreblogs, se eu não posto algum comentário direito, é porque ainda não superei alguns traumas que tive com blogs alheios.)
6. No primeiro ano em que obtive minha habilitação aqui no Japão, fui multada por excesso de velocidade - estava com a velocidade a menos de 45 km/hora em um trecho que era no máximo 30... em um trecho que era uma descida repentina e tinha que ser muito rápido para diminuir a velocidade. Naquele mesmo dia, creio eu, mais de dez motoristas foram multados pela mesma infração. Detalhe: era um trecho tão deserto que, quem conhecia aquele caminho, era pessoal da região mesmo. Ok, eu entendo, e se viesse alguém de repente atravessando a pista...
7. Quando trabalhei em uma outra cidade aqui, geralmente nos finais de ano, tinha uma turminha que costumava comemorar em um karaokê, onde pode levar a comida, e convidava meio mundo. No primeiro ano, fui e tudo bem. Mas a partir do segundo ano em diante, até quando pedi demissão (fiquei nessa empresa por seis anos), nunca mais me chamaram para os karaokês. Depois caiu minha ficha - era raro eu ir em karaokes, e quando ia, era mais do que óbvio que eu metia algumas músicas dos Beatles. Só que essa turma ODIAVA o quarteto de Liverpool por causa de um incidente e não vou me estender , mas essa turma a maioria era de outra nacionalidade (não vou falar qual era para não dar problema, mas quem for fã dos Beatles vai entender).
8. Já fui confundida por uma lésbica por causa do comprimento do meu cabelo - como faz muito tempo que eu peço para cortar bem curto (já tive o pixie cut), até então não tive problemas, porque na época que eu aderi ao pixie cut, tinham algumas atrizes japonesas que eu gosto que também tinham esse corte. Em um dos meus trabalhos aqui, teve uma mulher (de outra nacionalidade) que perguntou pra mim quem era MINHA ESPOSA. Respondi que não tenho esposa, moro junto com namorido (tanto que ele trabalhava no mesmo lugar que eu na época), mas perguntei porque ela achava que eu era lésbica. Ela explicou que no país dela, mulher que tem cabelo curto demais, é "o homem na relação lésbica"... Nada contra, mas julgar a opção sexual pelo corte de cabelo logo de cara...
9. Mais assunto capilar: por anos eu tive cabelo longo, quase no meio das costas, mas com o tempo eu pedia para cortar um pouco abaixo dos ombros porque começou a ficar quebradiço (culpa minha que demorei anos para acertar xampu e tratamento ). Daí tinha uma ex-colega de trabalho que estava estudando para se tornar cabelereira no Japão e abrir seu próprio salão (porque para ser cabelereiro, tem que ter certificado), disse que dava um jeito no meu cabelo "de graça" porque precisaria treinar os cortes. Pois é, saí de lá com o cabelo curto com visual que pareceu que envelheci trinta anos. Até meu cabelo voltar ao comprimento ideal e digamos decente, nunca usei tanto arquinho e grampos em toda a minha vida.
10. Falando em "corte gratuito", nunca neguei para ninguém que já fui em salões em que cortavam seu cabelo de graça ou valor simbólico, pelo menos aqui no Japão. Muito porque tive uma época em que precisei literalmente cortar muitos gastos, tanto que fiquei anos sem ir ao cinema, comer fora, e até cortar cabelo era tido como gasto supérfluo. Quando passei em frente a um salão onde tinha o cartaz "model cut price free", fui saber naquele lugar o que era. Eram estagiários que usavam o salão para treinar cortes, tinturas e penteados, gratuitamente. Só que se o corte ou a tintura não ficasse bom, o risco era seu. Pelo menos, fui cinco vezes em lugares diferentes para cortar o cabelo, porque tintura eu comprava na drogaria.
Um dia eu explico melhor sobre essas sagas capilares, porque compartilhar essas experiências também fazem parte da vida, porque não?
Foto: da autora, no lado mais interior da cidade onde estou morando em Nagano, onde tem as montanhas, arrozais e poucas casas, num dia nublado que tinha acabado de chover.

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