As Postagens se tornaram mais pessoais?!

Ué, mas não era isso o propósito do blog quando tudo aqui era mato?

Quando comecei a minha vida blogueira, em meados de 2003 (quando a gente usava o finado weblogger), minhas postagens era sobre o que eu vivia nos princípios de minha vida trabalhando no Japão, e na época eu tinha cinco anos morando e três mudanças nas costas (agora, quase trinta anos aqui, pode elevar isso ao quadrado), a realidade de como Tóquio era distante do que muita gente vê nas revistas quando está do outro lado do mundo, a vida que eu levava viajando todo dia de trem, e tudo o mais. E a realidade também de quem trabalha num mundo corporativo, ser multitarefa, descascar abacaxis e processar os pepinos. Certo que no Brasil eu trabalhei anos em escritório, mas no Japão, pode botar no nível hardcore.

E foram quase nove anos nessa vida que confesso que hoje sinto falta.

Voltando à vaca congelada: quando muita gente começou a criar blogs, eles eram BEM pessoais, como se fosse um diário mas de forma mais aberta, onde muita gente acabava se identificando. E blog japonês também não foge à regra, não, tanto que acompanhava alguns no aleatório, eram postagens das impressões que tinham indo em lugares, cotidiano, etc. Tanto que até hoje acompanho uma que é fã assumida do mesmo artista que eu, e posta TODO DIA alguma coisa. Claro que ela posta sobre outros assuntos, como seus gatos, suas viagens, seu cotidiano.

Quando o weblogger foi de arrasta da noite pro dia, eu perdi TODOS os meus arquivos, tinha uma postagem que eu lembro que deu o maior trabalho para pesquisar, mas era o que eu mais gostei de fazer foi sobre as "tribos japonesas de Shibuya e Harajuku", porque na época eram os bairros que eu mais ia quando eu trabalhava (eu trabalhei em Ikebukuro, que fica mais adiante, é que Shibuya e Harajuku ficam no meio do caminho). Mas como sou brasileira, leonina e lado materno de Hokkaido (como se tudo tivesse a ver, mas que seja), não desisti e criei outro blog, este que mantenho até hoje.

Por eu, por exemplo, ter um blog com diversos assuntos randômicos (tanto que acabei adotando o subtítulo - "Coisas Randômicas desde 2005"), se fosse classificar, não daria, ou teriam que criar uma categoria de "assuntos aleatórios" porque é isso que meu blog é. E olha que, quando criei (pela segunda vez), eu nem pensava e nem penso até hoje em postar assunto definido, como têm blogueiros que postam somente resenhas de livros e derivados, somente resenhas de doramas, somente resenhas de filmes... Eu trato o Emporio como se fosse um diário, compartilhando o que pouco sei para que outras pessoas leiam para diversão, entretenimento, curiosidade, que seja. Tem desabafo? Quem, nunca? Tem cultura pop do Japão que nem eu sabia? Bora eu pesquisar e postar pra quem ler ter suas impressões. Vivo à base de cafeína? Sempre caio no conto das bebidas sazonais (e chegando o outono japonês, A MAIORIA DAS CAFETERIAS TACARAM BATATA-DOCE NO CARDÁPIO, amo batata-doce assada no carvão, mas ao ponto de ter bebida, essa eu passo. Isso quando os family restaurants daqui colocam sobremesa de uva mascate ou de castanhas).

Teve uma época que os blogs escassearam, teve muitos que descontinuaram (saudades das Garotas Que Dizem Ni, que foi uma das minhas inspiradoras e força para eu continuar blogando), outros que entraram em hiato... Mas de alguns anos para cá, os blogs voltaram, muitos no estilo old school que muita gente ama. Aquele blog descompromissado, sem se preocupar tanto com estética (mentira, um blog organizado, ajuda muito também), mas com cursores de pisca-pisca, layout retrô, que me fez lembrar dos primórdios dos blogs (só blog que quando você abre e toca música ainda não me acostumei). E assuntos mais pessoais também.

Tem gente que talvez fique incomodado pelo fato de vários blogs com postagens mais recentes serem mais pessoais. Mas aí que é interessante nos blogs - o cotidiano, os perrengues, as conquistas, coisas descompromissadas. É assunto mais autêntico, real e pessoal, que muitas vezes outras pessoas acabam se identificando. Desde uma receita que deu errado até sagas médicas. Temos dias ruins? Temos. Mas também temos dias perfeitos. E isso é válido em qualquer lugar do mundo, porque levamos a vida normal como qualquer um, só muda o lugar e a forma que temos que nos adaptar a isso.

Particularmente, eu gosto de acompanhar e ler blogs de temáticas variadas também. Como elas enfrentam o cotidiano, cada dia é um desafio a ser enfrentado, as tristezas, as alegrias, os momentos difíceis, as superações. É como se fosse um diário, como mencionei, mas de forma mais aberta (porque diário que a gente escrevia quando era mais nova, era trancado com cadeado e chave e escondido de uma forma que até a gente esquecia onde guardou).

Mesmo quando um blog é de um assunto específico, eu consigo notar que aquela resenha é a visão pessoal da pessoa que está fazendo a resenha. É a opinião dela, a impressão que ela teve sobre tal tópico. Exceto quando se trata de assunto científico, aí não tem como dar a impressão dela, a não ser que o assunto seja muito espinhoso demais e a pessoa queira dar sua opinião, mas que não altera o assunto (por exemplo, uma linguagem de programação, a gente pode dar a opinião de que programar é um saco, mas a forma de construir não tem como mudar completamente).

Agora, se a gente vai ter a mesma opinião ou não, isso é de cada um, porque cada um de nós têm uma visão diferente sobre o mesmo assunto. Pode gostar, pode detestar, pode elogiar, pode criticar, mas desde que ela saiba dizer o porquê de sua opinião. Se for convincente, né...

A resposta para a pergunta do título, a minha eu digo sim, as postagens dos blogueiros ultimamente se tornaram mais pessoais. Porque somos humanos, temos sentimentos, temos vida atrás de uma tela de computador (celular, tablet, que seja). E muitas vezes, a gente quer desabafar porque a gente sabe que existem pessoas com coração e sensibilidade que podem estar na mesma situação, podem entender e podem compartilhar - é isso que os blogs servem também, compartilhar não somente conhecimentos e experiências, mas também sentimentos, encontrar e dar soluções, nem que seja uma palavra de conforto.

Já tive fases ruins também, mas tive apoio de muita gente, que tirava alguns minutos para dar uma palavra de apoio (palavra de desânimo eu deletava sem dó mesmo). Sou grata com elas até hoje e espero muito que elas também tenham superado muita coisa na vida. Mas também temos que dar apoio, palavras de conforto em dias bons, também. 

Em alguns lugares, a primavera está chegando. Em outros, o outono que deixa o clima mais agradável também. 

Foto: da autora, já testando a câmera do novo smartphone Sharp AQUOS R10, na cafeteria Tully's, onde uma das mascotes é um ursinho - que já está em clima de Halloween, pendurado no quadro de avisos que tem na cafeteria.

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