Tuesday, June 12, 2007

A Simplicidade nas Mensagens

Sempre disse que gosto é que nem traseiro, cada um tem o seu. Claro que assim como eu não gosto de música sertaneja (pra mim, tem que ser da raiz, como Tonico e Tinoco, mas daí é outra história), tem gente que não gosta de j-pop. Faz sentido. O que seria do azul se todo mundo gostasse do amarelo e por aí vai?

Não desista, aguente mais um pouco
Continue correndo até o fim
Não importa o quanto distante estejamos
Meu coração estará sempre perto de você
Procurava por aquele sonho distante


Pra quem está há muito tempo aqui, acostuma-se meio que a duras penas a gostar de música japonesa, mesmo porque pra onde você vai, a maioria das lojas, estabelecimentos e alguns restaurantes toca. Tá, cafeterias não contam. Um jeito mais fácil de aprender a língua local? Por que não? Se tem gente que escuta música americana ou britânica, e aprende o inglês "meio nas coxas"...

Quando cheguei aqui, nove anos atrás, quase nem escutava música japonesa. Comecei a ouvir pois as pessoas com quem eu dividia o apartamento, só ouviam música japonesa. Claro que tive que ouvir em doses homeopáticas, pois se fosse tudo de uma vez, seria meio chocante. Entre singles do SMAP, Tube e alguns outros que nem me lembro, uma de minhas colegas tinha um single de uma cantora. E o nome da música era "eien" (eternidade).

Lembro-me da capa, até hoje (só que como minha memória às vezes falha e como falha, não lembro se eu tenho ou não este single aqui). E quando cheguei, essa música fazia muito sucesso. Pelo menos nas lojas de CDs que andei freqüentando. Passado alguns meses depois, conheci o meu kinguio encantado que até hoje me agüenta. E quando chegou a época do aniversário dele, a gente indo bater perna naquela cidade minúscula de Hikami (Hyogo), paramos em uma loja de CDs (acho que era o Tsutaya), e eis que ele viu o seguinte CD....
Sim. A mesma cantora. Depois que (futuro) marido kinguio disse que ela é a banda. Quase não aparecia em mídia, quase não fazia shows. Comprei esse CD de presente de aniversário para o marido e depois disso quem acabou gostando da cantora, fui eu. Pra vocês verem como são as coisas...
A cantora se chamava Izumi Sakai. Compositora e líder vocal de um grupo chamado Zard. Só que ninguém sabia direito quem eram os integrantes. E nas capas dos singles e CDs somente Izumi aparecia. E sempre quase de perfil. Teve gente que diria que o grupo não existe. O mistério tinha sido, aos poucos, revelado: a vocalista era muito, mas muito tímida mesmo e tinha medo de fazer feio nos shows e apresentações em TV. Isso porque muito antes de ser cantora, Izumi foi modelo e chegou a fazer sessões de fotos que nada tinham a ver com a cantora que se tornou.
E sabe que ela foge totalmente do estereótipo das cantoras de ontem e hoje: discreta, sempre de roupas casuais (leia-se: jeans e camiseta), cabelo longo e quase sem maquiagem. Mas a voz e as canções eram pra ficar: simples, sempre com um toque de otimismo.
Porém, tamanho mistério mesmo ficou com sua partida em 27 de maio deste ano. Quem poderia imaginar que Izumi estava fazendo tratamento e planejava um show e novo álbum para provar que não estaria derrotada? Que estava se recuperando e voltaria em breve, pra nos brindar com um show surpresa, tal como ela fez no Budokan, ano passado, com o show "What a Beautiful Moment"? Restou-nos a saudade e o consolo em ouvir sua voz nas músicas que compôs para o grupo a qual ela pertencia e para outros, como Deen, Field of View e até para Teresa Teng.



Agora que estamos ao lado um do outro
Será que conseguiremos nos ver na eternidade?
Quando eu passo através deste portão
Procuro me apoiar em seus braços
Até o dia em que eu sonhar novamente


Em tempo: quando freqüentava um fórum sobre os Beatles, a foto do meu avatar era... de Izumi Sakai! (Bem como meu antigo blog que se perdeu no mundo louco da internet)

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