É Impossível Ler Um Só

Postagem que também faz parte do projeto BEDA em agosto, com o tema planejado pela equipe Enterblogs, "Os Guardiões da Blogosfera". Missão da semana: O Portal ~ Relembre um blog que marcou sua trajetória.



Quando comecei a blogar, em meados de 2003 no finado weblogger, onde eu tinha um blog que sumiu e nem nos arquivos eu encontro, ou seja, o servidor que não somente eu, mas muita gente usava na época, foi desta pra melhor.

Mas como sou brasileira e não desisto nunca, um tempo depois voltei a blogar, e minha fonte de inspiração mais forte foi "Garotas Que Dizem Ni". Só não me perguntem COMO eu descobri, acho que foi navegando em outros blogs para ter inspiração, porque realmente assunto aleatório é comigo mesmo haha

O blog "Garotas Que Dizem Ni" surgiu em 2003, quando eu tinha o blog antigo e foi uma das minhas fontes de inspiração para blogar e continuar até hoje. Formado por três jornalistas, elas viveram muito a infância e adolescência nos anos 80 e 90, por isso que os assuntos que estavam no blog puxam pela nostalgia, infância e "causos" do cotidiano, além de cultura pop dos anos 80 e 90 (e tinha fato de anos dos nossos pais e avós) de forma bem-humorada, e já começando pelo nome do blog que foi inspirado no filme favorito delas, "Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado", em que os cavaleiros do Rei Arthur enfrentam o monstro que diz "Ni". Era um blog gostoso de ler, tinha muita mas muita coisa que batia com o que eu vivi nos anos 80, uma criança que brincava na rua, assistia desenho animado e lia muito gibi, passou a vida escolar lendo a coleção Vagalume, ouvindo rock brasileiro dos anos 80...

Quem nunca teve prova impressa no mimeógrafo (só pra ficar "doidão" só com o cheiro de álcool), brigou para abrir um saquinho de batatinhas, lendas urbanas (minha época era a "loira do banheiro"), e que mertiolate resolvia 99% dos machucados mesmo já gritando que "vai arder vai arder vai arder" mesmo antes de aplicar? Pois é, elas resgatavam essas relíquias da - minha - infância.

O legal do blog das Garotas era que tinha um fórum onde a gente acabava lembrando exatamente de muitas coisas que elas postavam. E elas postavam praticamente todos os dias, então sempre tínhamos assuntos novos diariamente. E em 2005 elas lançaram um livro - "É Impossível Ler Um Só", onde elas reuniram sessenta posts. E esse livro eu tenho pois foi presente de minha mãe quando tirei minhas férias no Brasil no final daquele ano. O nome do livro é uma paródia do slogan de salgadinhos, quem for da minha época, vai lembrar (porque eu não sei se usam o slogan até hoje, porque tudo muda, né) e a capa é uma paródia da capa do álbum da banda Supertramp, "Breakfast in America".

Na época que o blog esteve no ar, eu conseguia entrar no fórum somente à noite, quando eu voltava para casa depois do trabalho. Só kamisama sabe quantas madrugadas eu varei na frente do PC só pra ler os artigos e participar no fórum. At[e que um dia o fórum foi derrubado e nunca mais nos recuperamos do baque, porque não conseguiram recuperar.

Eu não lembro quando foi que elas encerraram as atividades no blog, mas lembro que o último post fez muita gente chorar, porque a gente se identificava muito com os textos e, praticamente, elas faziam parte da nossa vida. E uma pena que o blog saiu do ar, dificilmente encontra naquele site de procura de blogs e sites perdidos, e alguém encontra alguma página da coluna que elas escreviam para uma revista. O livro eu creio que ainda deve encontrar à venda, eu tenho a primeira tiragem.

"Garotas Que Dizem Ni" foi um dos blogs que me inspiram até hoje sobre as postagens do cotidiano, de ver o mundo de uma forma mais otimista (embora elas tivessem alguns post-desabafo, mas fazia parte), assim como a música do Monty Phyton em "A Vida de Brian" - "O Lado Brilhante da Vida". 

Meu Emporio pode ter postagens-desabafo, sim, mas também procuro ver o lado da vida mais otimista, porque, embora a gente passe por perrengues danados, muitas vezes esses perrengues podem fazer a gente ver isso por um lado bom, de que a gente se fortalece para ver as coisas pela frente de um lado melhor.

Talvez elas continuassem a postar da mesma forma como em 2003, até então eu lia as postagens da Clarissa via substack, mas a última atualização foi em 2025, e ela mantinha o mesmo humor de sempre. Mas eu não sei se a geração atual iria conseguir entender o ponto de vista de pessoas que nasceram nos anos 70, especialmente porque, em matéria de cultura pop, elas colocavam muitas referências dos anos 80 e 90, anos em que elas viveram a infância e adolescência com muita intensidade, assim como a autora aqui, que nos anos 80 estava assistindo desenho animado e ouvindo rock brasileiro e a gente se divertia com o que tinha e a gente brincava na rua sem preocupações.

Quando quero lembrar o quanto a gente era feliz e não sabia, acabo lendo novamente o livro, porque me traz lembranças boas.

Imagem: Mercado livre.

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