As histórias por trás dessas quatro fotos, mostra o quão organizada eu tento ser...
O quê a exposição das fotos do Paul McCartney, a visão da área metropolitana de Tóquio do 52o. andar, Doraemon e Tokyo Big City têm em comum?
Para mim, foi o dia que consegui fazer as quatro coisas num dia só, bastando ter feito a inscrição de um evento num horário adequado.
Dia 18 de agosto de 2024, eu ainda morava em Kisarazu e namorido prestes a vir novamente morar comigo devido aos nossos trabalhos. Neste dia, acabei indo em dois eventos no mesmo dia, mas ainda bem que consegui fazer milagres com horário e locomoção.
Eu acompanho uma mangaka desde que ela publicava e lançava doujinshi em eventos como Comic Market, Comic City e outros menores, e como eu gosto muito do traço dela, quando soube que ela havia se profissionalizado, consegui adquirir todos os mangas que ela publicou. Mas sabe que muitos mangakas ainda fazem doujinshi para divulgar mais o trabalho, porque, dependendo do gênero e editora, precisa dos eventos também. Aí que entra o COMITIA, um evento onde muitos autores independentes divulgam seus trabalhos, e como eu acompanho essa mangaka nas redes sociais, ela postou sobre um novo trabalho que ia ser divulgado nesse evento - no dia 18 de agosto, no Big Sight Tokyo.
Só que aí que também entra a exposição "Eyes of the Storm" do Paul McCartney. Não é novidade para ninguém que eu sou fã do Paul faz décadas. Quando ele lançou o livro de fotografias que ele tirou durante o período de 1963~1964, encomendei o livro original que, não sei como, chegou no mesmo dia que foi o lançamento (eu havia pedido meses de antecedência). Até aí, tudo bem, até que o dia que ele anunciou que a exposição fotográfica que já estava sendo feita nos EUA e Inglaterra, chegaria no Japão durante os meses de julho a setembro. E o anúncio foi feito em maio.
Como eu já estava para ir pro COMITIA no dia 18 de agosto, quando fui reservar meu ingresso, escolhi para esse dia, depois das duas horas da tarde.
Como é que a doida aqui resolve marcar DUAS coisas num dia só??? E tempo?? Os dois lugares são longe??? Para quem mora há tanto tempo aqui, pelo menos eu consigo fazer muita coisa num dia só mesmo tendo horário, basta ter foco no que pretende fazer. Eu acho, né, porque imprevistos podem acontecer.
O evento COMITIA tem o horário das 11:00 às 15:00, no Big Sight Tokyo, que fica perto de Ariake. De onde eu morava, eu tinha duas opções, vai da seu bolso e paciência:
1. De Kisarazu, sai um ônibus intermunicipal que vai direto para a estação de Tóquio e leva cerca de uma hora. De Tóquio, tem um ônibus circular que vai direto para o Big Sight Toquio, mas com algumas paradas. Dependendo do horário, tudo pode levar cerca de duas horas e tanto, especialmente aos domingos.
2. De Kisarazu, na estação da linha Japan Railway, dependendo do horário, tem um trem que vai direto para Tóquio, a linha Uchibo que, na estação de Soga vira a linha Keiyou. Tem que descer na estação de Shin-Kiba e mudar de trem para a linha Rinkai (que na estação de Osaki vira a linha Saikyou). Demora um pouco mais que o ônibus intermunicipal, mas aos finais de semana e feriados, é mais conveniente adquirir o Holiday Pass da JR que pode usufruir de todas as linhas da rede na região de Kanto o dia todo no valor único. É o que eu mais usava quando morei na região de Kanto.
Como neste dia especificamente eu já tinha a intenção de ir somente no espaço dessa mangaka, era eu chegar no horário que abre, conversar um pouco com ela, comprar os mangas que ela estaria vendendo no dia, incluindo o lançamento e ir embora. Fiz isso em questão de quinze minutos, porque tinha que respeitar os demais visitantes também. O motivo de eu ir logo que o horário abre para o público? Dependendo do mangaka, esgota muito rápido demais, o que aconteceu com ela, porque ela postava no Twitter. Meio-dia ela já tinha vendido tudo.
Onze e meia eu já estava indo para Roppongi, onde fica o Tokyo City View, dentro do Roppongi Hills Mori Tower, onde estava tendo a exposição.
Mas do Big Sight Tóquio até Roppongi é longe, como deu tempo??
Felizmente as linhas de trem e metrô funcionam bem aqui, e no Big Sight Tokyo pelo menos tem duas linhas férreas (a linha Rinkai e o Yurikamome. Se tiver o Holiday Pass, só serve para a linha Rinkai) e ônibus. Pela linha Rinkai, tem que tomar cuidado com o ponto final, porque para ir até Roppongi, tem que descer na estação de Ebisu e pegar metrô, o Hibiya Line. Se o ponto final da linha Rinkai for Osaki, de lá tem que pegar o Yamanote Line (que vive sempre lotado), agora se for até Kawagoe, dá pra ir tranquilo e conseguir ir sentado também até Ebisu. De lá, é pegar o metrô da linha Hibiya e são duas estações. Não levo menos de meia hora, ou seja, cheguei em Roppongi mais ou menos meio-dia e meia, porque conta um pouco a hora que os trens chegam.
Como agosto estamos no auge do verão, Roppongi Hills, que é um complexo de prédios comerciais e residenciais, fica próximo à emissora TV Asahi, que promove muitos eventos, especialmente no verão, onde são realizados shows, comes e bebes e exposição ao ar livre, no caso, mais de cinquenta bonecos de um metro e tanto de altura do personagem Doraemon - cujo anime é transmitido semanalmente pela TV Asahi desde 1979 - e é um dos maiores personagens-símbolo da emissora. E cada boneco traz algum detalhe dos anime movies que a emissora produziu.
Eu bem que tentei fotografar todos, mas é missão impossível, nem tanto por causa da quantidade, mas porque todo mundo teve a mesma idéia, e era MUITO difícil eu conseguir tirar uma foto decente sem gente ao lado fazendo pose pra botar no Instagram. Se fosse em dia de semana, talvez eu conseguisse, mas o mês de agosto coincide com as férias escolares e, já sabem né, tudo fica lotado mesmo em dia de semana. Então era tirar a foto muito rápido, tanto que não consegui nem um quinto dos Doraemons.
O 66 Square, fica bem em frente (de quem sai da escada rolante) do prédio do Roppongi Hills e da escultura da aranha, e é onde, anualmente, a TV Asahi coloca os bonecos do Doraemon durante parte do mês de julho e agosto, como uma das programações do evento do Summer Festival.
E como eu estava indo no Mori Museum (que fica no 52o. andar do prédio do Roppongi Hills), claro que aproveitei para tentar tirar fotos do Doraemon, que é um dos personagens que gosto desde a adolescência ainda no Brasil, graças ao pessoal da colônia que trazia alguma coisa do Japão quando iam a passeio. Mas só fui conhecer bem a fundo quando vim parar aqui.
Eu vou precisar ir MAIS UMA vez no Fujiko Fujio Museum que fica em Noborito, Kawasaki. Quando fui, foi naquelas que decidi em cima da hora e não sabia que tinha que comprar ingresso antecipado, o que aconteceu de que comprei no dia mas para entrar NO ÚLTIMO HORÁRIO. Nem preciso explicar mais nada, quando acontece de entrar no final né.
O horário para entrar no Tokyo City View, onde estava tendo a exposição, era a partir das 14h, mas já fui um pouco antes porque tem que ir de elevador e esperar na fila, porque o 52o. andar é o observatório. Tem gente que foi só no observatório (que é pago), mas no dia que eu fui, pouca gente foi na exposição, o que para mim foi muito bom, porque eu poderia ficar à vontade olhando as fotos, lendo as descrições... Sim, quando vou em exposição, sou aquela pessoa que pára e fica lendo a descrição.
É que para entrar na exposição, tem que pegar na entrada (no primeiro andar, antes de entrar no elevador) o bilhete para entrar no observatório e no museu. Embora eu já tenha comprado antecipado para ganhar o bilhete especial (são três, um em cada período que solicitou), tem que apresentar o ingresso (que comprei pelo Ticket Pia) na entrada do primeiro andar.
Como uma parte da exposição foi dentro do observatório, claro que a gente une ao agradável, antes de entrar na exposição fiquei no observatório, que dava uma visão bem do alto da cidade de Tóquio, onde conseguia ver da cidade, inclusive consegui ver o novo estádio olímpico. É bom para ver a cidade e também tirar boas fotos (desde que tenha uma câmera muito boa, o que até hoje não sai da minha lista de cem coisas a fazer todo ano).
Creio eu que, no Tokyo City View foi o lugar que tive muito mais aproveitamento, por motivos mais do que óbvios, e não sei como no dia que eu fui, num domingo, nada estava lotado, pude demorar na exposição e pude aproveitar bem as duas coisas.
Quando eu vejo que no mesmo dia eu consigo fazer várias coisas para aproveitar o tempo, a viagem (e o dinheiro investido), mesmo saindo de casa e pegar o primeiro horário de trem e retornando depois que muitos lugares já fecharam (oito da noite, né), eu consigo fazer muita coisa, desde que eu já tenha os lugares certos para ir. Mas já teve dia que no mesmo dia acabei fazendo mais coisas em cima da hora porque na hora eu decidi - caso que no mesmo dia que fui na pop-up store do King & Prince no TSUTAYA de Shibuya (aquele que fica no famoso cruzamento maluco onde todo mundo quer ir ao mesmo tempo), fui na exposição da Tove Janssen que foi no mesmo lugar onde foi a do Paul McCartney porque vi o cartaz na estação e, sim, fui depois de ter feito estrago financeiro na loja e fiz outro estrago financeiro na exposição.
Quem diz que por trás de uma simples foto não tem história, está enganado, porque existe algum motivo por ter fotografado, seja um "olha que lindo" e clique, seja um momento que aquela paisagem merece registro porque traz alguma lembrança.
Fotos: todos da autora, via smartphone (na época, eu tinha um smartphone da Sharp cuja lente era do mesmo fabricante DA LEICA e no final daquele ano, o touch panel dele travou de um jeito que não houve conserto).
Postagem que também faz parte projeto BEDA em Agosto, planejado pela equipe Entreblogs com a temática RPG de "Guardiões da Blogosfera" onde lutamos contra críticas, falta de inspiração, procrastinação e reels verticais, e olha, minha gente, tem cada postagem bacana que dá muito mais vontade de continuar blogando sempre, e provando que o mundo da blogosfera ainda continua muito mais vivo do que nunca.
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