Eu espero MUITO DE CORAÇÃO E MUITA FÉ ENVOLVIDA EM MIM que desta vez essa mudança TEM QUE SER PRA MUITO MELHOR porque chega de passar nervoso, meldeus.
Uma coisa eu tenho que botar na cabeça que, eu tenho que parar de procrastinar em fazer meus testes de proeficiência para conseguir algo melhor e ficar num mesmo lugar por anos (como aconteceu em Yokohama, que eu era CLT e lá fiquei por quase dez anos), porque ficar mudando, isso não é de kamisama, mesmo quando se é transferência.
Desta vez eu não posso ficar me culpando tanto porque fomos nós que pedimos para sairmos de onde estamos no momento que estou escrevendo aqui, quem me acompanha desde maio, sabe do que estou falando. É muito ruim quando as coisas não dão certo e aí é só ladeira abaixo, que nem curtir meus hobbies para esquecer o caos estava resolvendo.
O lado bom é que agora estou enxergando bem melhor, graças a cirurgia de retirada da catarata, e pude ir nos shows do meu ídolo, mas fora isso, não consegui aproveitar muita coisa da região por conta de... esgotamento físico e mental (sim, os dois juntos).
O trabalho atual sugava minha energia, e o pouco que restava, eu tinha que usar para outras coisas, como afazeres domésticos e tentar recuperar um pouco da sanidade com minhas idas à livraria (lugar onde muita gente me encontra facinho) e estudos em cafeterias (para me distrair e fazer logo os testes), porque ir para mais longe, foi cinema e nem dava para ir na mesma freqüência que eu tinha em Kisarazu (porque em Kisarazu eu morava quase ao lado, por isso que eu postava os filmes assistidos no cinema com uma boa freqüência).
Voltando ao assunto mudança.
E volto a dizer - mudar já é ruim em qualquer lugar do mundo. Mudança aqui no Japão é daqueles "pra que simplificar se já dá pra complicar". E se você é otaku com direito a mangas, livros, CDs, DVDs, material de papelaria e figures, a situação chega ao nível hardcore elevado à enésima potência (Daisuke, tamo junto, mas você em matéria de figures, ganha disparado de mim). Detalhe que eu não tenho tanta roupa como imaginam. Mas mesmo assim mudar é um perrengue desgraçado, juro que se o Otaku no Kissaten me chamarem pro quadro Perrengue Otaku, eu aceito sem pensar duas vezes (mas esperem eu comprar um equipamento decente como microfone e câmera).
Desta vez, namorido fez boa parte do trabalho de encaixotar tudo da cozinha, lavanderia e banheiro (e quarto dele), já que ele parou no início de outubro. A parte ruim, segundo ele, é desmontar estantes, mas o resto foi só colocar tudo nas caixas e acabou.
No meu caso, como eu teria que trabalhar até uma semana antes da data da mudança, aproveitei dois dias de feriado para fazer a minha parte, que já tem muita coisa como disse, mas como antes eu tinha três estantes grandes, uma delas virou pó, e tudo o que tinha nela, ficou nas caixas, então ficaram os mangas e livros para guardar. Isso porque dentro do armário tenho mais de DEZ caixas fechadas. Então os dois dias de folga que tive, consegui guardar 80% das minhas coisas em dois dias e desmontado duas estantes em uma hora e meia sem parar (tempo que inclui também amarrar as partes).
Só não dei continuidade nesta semana porque infelizmente tive que ir trabalhar e, voltando pra casa quase oito da noite. O máximo que consegui foi guardar toda minha roupa que estava em um guarda-roupa (leia-se casacos, blusas e camisas - o que já encheu uma sacola enorme de viagem), ainda faltam as roupas que estão em dez gavetas, desmontar (de novo) a escrivaninha que já está quase indo de arrasta e o varal que uso dentro de casa. Ainda bem que guardamos TODAS as caixas da última mudança (além de eu ter mais um pouco por causa das compras on line que andei fazendo, dou graças aos céus que teve item que veio em uma caixa enorme).
Fora que dentro do guarda-roupa maior, estão mais de dez caixas fechadas, só restarão as roupas dos gaveteiros e as miudezas.
Mas este final de semana - o decisivo - tirei o sábado e domingo para terminar o quarto que faço de local de estudo. De segunda a quarta, serão os ajustes finais, ida nos médicos (para obter os prontuários) e prefeitura (solicitar de novo o tenshutsu todoke, acho que isso vou fazer no mesmo dia que terei que ir aos médicos, já que um deles não funciona nos finais de semana).
Toda mudança precisa de um psicológico muito bom porque aqui é elevado ao nível hardcore e não estou brincando, ainda mais que já passei por isso várias vezes. O menor período de tempo que fiquei num lugar e logo mudamos, foi em Shizuoka, onde passei três meses num perrengue desgraçado e sorte que conseguimos mudar para Kanagawa - província onde moramos por muito tempo (quase treze anos, só não ficamos porque a empresa que eu trabalhava, foi à falência e na época era difícil de encontrar emprego em qualquer lugar).
Mas quase três décadas morando aqui, é impossível não conseguir juntar coisas, ainda mais que sou consumista de cultura otaku, como mangas e figures. E acrescenta aí que além de ser fã dos Beatles com direito a livros que podem servir de arma mortal, sou fã de idols e Masaharu Fukuyama (e olha que quase nem compro os goods quando ele faz show porque sempre acontece alguma coisa no âmbito financeiro, se me entenderam).
Vamos novamente à saga burocrática de uma mudança aqui - pela minha experiência, claro. Ok, sei que tem gente que mora aqui que não passa nem metade do que passo, mas como disse, cada pessoa é uma pessoa diferente, então nada se compara, tudo se desespera.
Atualização de endereço: No momento que você já tem o endereço novo, é o trabalho de atualizar tudo onde você tem cadastro, especialmente compras on line, cadastro em fã-clube e ir na prefeitura da cidade onde ainda está morando para solicitar o tenshutsu todoke, que tem que entregar na prefeitura da cidade onde vai morar.
Endereço novo nos documentos (zairyu card e My Number):
- só quando tiver atualizado na prefeitura da cidade onde vai morar. Antes, claro que não dá. Se for on line, depende muito da cidade.
Depois de tomar chá de cadeira na prefeitura, assim que atualizado os dois documentos, não esquecer de jeito nenhum, senão é um transtorno...
- se tiver carteira de habilitação japonesa, só depois de atualizar os documentos na prefeitura;
- conta bancária, só depois que estiver com a documentação atualizada, senão corre o risco de sua conta ser bloqueada por estar com endereço desatualizado, especialmente se tiver conta no Yuucho (aka banco do correio);
- solicitar reenvio de correspondência no endereço novo, só depois de atualizado o documento, porque tem que enviar um formulário preenchido com a cópia do documento atualizado. Portanto, antes de mudar, passe na agência dos correios e pegue o formulário, não paga nada (a não ser a cópia do documento) e já vem selado.
* O reenvio para o endereço novo tem validade de seis meses a um ano, dependendo da cidade. Nesse tempo, atualize o endereço em lugares que necessita de documento.
- Operadora de celular - no meu caso, como tenho internet móvel (a "torre" que é só ligar na tomada), tenho que atualizar o endereço, senão o sinal não pega (sim, fui descobrir depois de dois dias com a internet caindo direto em casa que, a primeira coisa depois de ter atualizado o endereço nos documentos, era ir na operadora de celular da cidade e atualizar o endereço, porque on line não dava. Claro que se desse, eu nem ia colocar esse item).
Separação de lixo: Cada cidade tem o seu sistema, isso eu aprendi logo na primeira cidade que morei. Têm cidades que cada tipo de lixo é uma cor de saco diferente, dia de coletas idem. Outras tem um dia no mês onde jogam os lixos não-orgânicos, como garrafas pet, vidros, latas, papel, roupas, pilhas... separados por caixas.
No caso de sodai gomi, ou lixo de grande porte, como cama, mesa, prateleiras, colchão... enfim, tudo o que for pesado e grande (menos geladeira, máquina de lavar, televisor e ar-condicionado, já expliquei aqui), dependendo da cidade, tem que ligar na prefeitura e marcar horário, comprar o selo correspondente e deixar do lado de fora da casa. Ou levar de carro no local que você paga por peso.
Não sei hoje, porque fazem quinze anos que mudei de Yokohama, mas lá, o lixo - tanto o queimável como não-queimável - poderia ser jogado em sacos plásticos comuns, desde que fosse transparente, mas no lugar certo. Só o sodai gomi tinha que ligar na prefeitura para marcar horário, saber o valor e comprar o selo correspondente em qualquer loja de conveniência.
Como o sistema de coleta de lixo varia de cidade para cidade, o saco de lixo pode ser comprado em lojas de conveniência, supermercados, drogarias, enfim. Mas cada tipo o valor varia. Mas confesso que, onde moro até o momento desta postagem, TEM QUE ESCREVER O SOBRENOME NO ESPAÇO ONDE ESTÁ NO SACO!!! Pior que uma vez eu joguei sem querer, um saquinho com lixo orgânico dentro do saco onde jogávamos embalagens plásticas (cansaço estava no estágio final), no dia seguinte a imobiliária mandou recado para mim - por escrito - que tinha feito descarte errado.
Pior ainda que tem gente que jogou lixo SEM IDENTIFICAÇÃO (desconfio de gente que não mora no bairro e jogou lá). Só faltou a imobiliária ter mandado recado pra mim achando que foi a gente, mas aí eu tinha como provar que o lixo não era nosso (porque não vivo comendo cup lamen todo dia).
Certo que aqui no Japão, separar lixo é necessário, dado também a falta de espaço físico, fato que todo mundo sabe. Errar dia de coleta, é normal, deixar na véspera idem, ainda mais se a pessoa trabalha à noite, volta pra casa depois que o caminhão passou. Mas identificar quem é o dono do lixo que descartou, juro que isso nunca vou superar mesmo quando uns vinte e tantos anos atrás, um dos meus primos morava em uma cidade que tinha que colocar etiqueta com o endereço!!!
Encaixotamento: Desta vez, como eu tinha metade das coisas ainda encaixotadas porque estava esperando comprar uma terceira estante (o que não aconteceu, ainda bem), foi mais fácil encaixotar o que estava fora - o feriado do Dia do Esporte, que foram três dias seguidos, dois dias foram sabáticos, porque passei esses dois dias só guardando duas estantes de mangas, livros e outras coisas (porque figures, já contei a história de que, quase todas as vezes que montei, logo aconteceu mudança, desta vez só montei os figures do Natsume Yujincho, da Fern e Stark pra agilizar o processo hahahaha), porque ainda tive que trabalhar mais quatro dias, sendo que a mudança seria uma semana depois.
Ou seja, um dos dias que cheguei mais cedo em casa, foi tirar as roupas do armário e guardar no sacolão do IKEA, porque os outros dias voltava pra casa num estado calamitoso que, sem condições físicas. Resultado: passei o sábado inteiro terminando de guardar as roupas, minha escrivaninha foi de arrasta mesmo, porque os parafusos empenaram, e ainda vão faltar guardar os acolchoados, cobertores e outras miudezas, estas vão na caixa que sobrou de forma aleatória, porque a paciência já foi pras cucuias e temos quatro dias para finalizar a cozinha (desmontar uma mesa e guardar o forno microondas e o fogão, mas isso vai ser trabalho pro namorido).
Desta vez foi no esquema - encaixota tudo e só coloca proteção só nas caixas que têm objetos que quebram. Pois é, tem caixa que eu coloquei toalhas e os papéis que vieram nas minhas encomendas para preencher os espaços.
(Ainda bem que não jogamos as caixas da última mudança no dia de reciclagem - primeiro, porque logo na primeira semana eu DETESTEI o lugar, e segundo, sempre esquecia o dia de jogar papelões e similares.)
Na realidade, falta pouco para terminar de guardar tudo, mas é coisa que faço em uma manhã, mas não pra deixar pro último dia. Felizmente namorido tinha encerrado as atividades dez dias antes de mim e ele fez grande parte da desmontagem e encaixotamento. Desta vez eu não fiquei naquelas de não guarda isso ou aquilo agora, porque a gente não ia ter tanto tempo assim e depois, a gente pode ir comprar comida pronta porque o mercado é quase ao lado de casa.
E se os pratos, copos, travessas, sei lá, quebrarem, eu já vou me conformar, porque muita coisa já está pedindo para serem trocadas (especialmente minhas travessas de vidro que usamos para assar bolos e tortas - quando fazia né) e não custam aqueeeeeeela fortuna como eram logo que cheguei aqui. Também é questão de desapegar de muita coisa, mesmo sendo da forma mais frágil possível (quebrar durante a mudança ou uma curva meio fechada).
*Alguma idéia para que eu desfaça de um monte de pratos, copos e canecas sem ser jogar fora?? Flea market é meio difícil. Eu deveria ter salvo o vídeo em que uma brasileira no Japão vai em uma loja de segunda mão que existem produtos de graça, aí mandava o que não uso pra lá.
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Agora entendo perfeitamente porque japoneses odeiam mudanças - porque dá muito trabalho, demanda muito tempo e fora despesas de caixas, material, transporte, e muito desgaste físico e mental, isso se fizer por conta própria, mas se tiver fundos para uma empresa especializada, o desgaste é menor.
E depois tem a parte de colocar tudo na casa nova, se vai entrar tudo, se não faltou caixa, se tem algo quebrado... Neste caso, só não quebrando meus figures, CDs e DVDs já está bom, porque prato, copo, caneca, travessa, a gente compra depois.
Nem digo mais "espero que demore muito para mudarmos" porque ultimamente a gente nunca sabe mais o que nos espera o amanhã. O que tenho que fazer daqui por diante, é investir no futuro, porque já estou numa fase em que o corpo já está sentindo as conseqüências e que daqui a pouco muitas portas se fecharão. Por isso que planejo um plano B para eventuais emergências.
Imagem: twitter oficial do programa Kintore.

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