Saturday, September 16, 2006

Here we come...

Que os Beatles pra mim continuam no topo do meu Pedestal de Bandas Favoritas, isso não nego. Bom, eles só perdem no meu top top das coisas favoritas que é meu kinguio encantado, mas isso é outra história.
Caham, voltando.
Além dos Beatles como Banda Favorita, tenho outras também. Quem me conhece, até hoje tem gente que não acredita que eu também gosto dos... Monkees! Sim, outro quarteto - que não é de Liverpool - que até hoje carrega o título de "banda pré-fabricada".
Tá, que os quatro foram escolhidos por testes e seleções, isso ninguém nega. Mas que eles demoraram pra provar que sabiam REALMENTE tocar instrumentos e compôr...
Muita coisa se confunde, se a série foi criada pra vender discos ou se os discos foram o que puxaram pra elevar o ibope do seriado. Sinceramente, não sei. Mas nunca neguei que, enquanto estava começando a descobrir os Beatles, a série dos Monkees passava semanalmente na antiga Rede Bandeirantes, nas tardes de sábado (faz tempo, hein?) e depois de mais de quinze anos fui encontrar as séries quando a Rhino relançou, mas encontrar novamente... E eu nos meus dez ou onze anos, escutando "She Loves You" e assistindo os seriados. Tudo a ver, né?
Poderiam os Monkees serem a "resposta americana aos Beatles"? Depende da interpretação de cada um, ou do gosto de cada um. Obviamente cada fã ia defender o seu peixe. Afinal, os anos 60 estavam aí e o que viesse de novidade era lucro. Claro que depois dos Beatles terem ido aos EUA em fevereiro de 1964, surgiram várias cópias, muitas delas "one-hit wonder" e depois sumiam, para depois aparecerem em sites alternativos, vamos dizer assim. Tá bom, Rolling Stones e The Who eram um caso à parte...
Voltando ao tópico. Podem dizer que os Monkees era uma cópia fabricada dos Beatles, devido ao critério de seleção, por serem quatro e usaram quase a mesma roupa, sem falar das músicas que um pouco se assemelhavam aos Beatles circa 1963. Mas, muita gente veio a descobrir que dois deles realmente tocavam de verdade e dois deles eram realmente atores. Por mim, os produtores já tinham as pessoas certas, fizeram a tal da seleção somente por puro marketing.
O que dizer das séries? Beirando ao nonsense e paródias de alguns sitcoms da época, de mais de 50 episódios, sempre um ou outro beira ao sono, não me pergunte quais. Só não fizeram paródia com "Star Trek" até onde eu sei porque os produtores da série, sabendo que ia perder ibope na onda dos Monkees, resolveram pôr o russo Chekov pra ver se a audiência levantava. Bom, é que ele, novo e com aquele cabelo a la Beatle, imaginem se não era pra competir com os Monkees, vai!
As músicas, bom, achei que foram compostas somente pra animar as séries, porém depois eram lançadas em disco, pra aumentar o cofrinho do Kirschner, o produtor que manipulava tudo, que depois de 1967 foi literalmente tirado de cena. Que os dois primeiros álbuns eram 90% compostas por outros artistas, era inegável, afinal, todo mundo fazia a mesma coisa. Mas tinham lá suas pérolas, como "I'm a Believer", "I Wanna Be Free", "Last Train to Clarksville" além da faixa título. A surpresa foi quando veio uma música composta por um deles, Michael Nesmith, "Mary Mary" (que depois foi regravada pelo grupo Run DMC), que foi também sucesso devido ter aparecido em um dos episódios.
Depois de 1967, eles nunca mais foram os mesmos. Quem escuta "Headquarters", o terceiro álbum, já dá pra notar o ínicio da independência do quarteto. A começar pelas músicas, que já não soavam tão grudentas no ínicio. Sem falar do encontro dos quatro com os Beatles durante as gravações de "Sgt. Pepper's", quando os Monkees foram à Inglaterra. Uma das provas está no vídeo "A Day In The Life", onde Michael Nesmith aparece ao lado de John Lennon, em uma das cenas. Passa rápido, mas usando o efeito quadro-a-quadro, dá pra ver nitidamente! Mas o álbum seguinte "Pisces, Aquarius, Capricorn and Jones Ltd." é o pico da carreira dos quatro, que apesar da série ter declinado um pouco, o álbum é tido como um dos melhores deles. O primeiro álbum a ter uso de sintetizadores Moog, o ínicio da psicodelia... Mas também marcou o fim da inocência dos episódios.
Mesmo depois do grupo ter se desmantelado no final dos anos 60, volta e meia eles aparecem pra vários shows ao vivo, pontas em episódios, participações de fã-clubes... E a reprise dos episódios ( até hoje não vi! ), relançamentos dos álbuns pela Rhino (especializada em resgatar raridades obscuras dos anos 60) e um box-set que reuniu canções inéditas.
Algumas curiosidades, pra quem não sabia e elevar (um pouco) a credibilidade desta banda:
- Micky Dolenz era filho do ator George Dolenz, que participou em filmes como "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse". Como um pouco era de esperar, Micky também foi ator aos 8 anos na série "The Circus Boy".
- Davy Jones estava no elenco de "Oliver" no papel de Artful Dodger, cujo musical esteve no "Ed Sullivan Show", no mesmo dia em que os Beatles iam fazer sua primeira aparição na TV americana!
- O mesmo Davy nasceu na Inglaterra, em Manchester. Notem bem quando ele fala, devido ao sotaque.
- Falando em sotaque, Michael Nesmith tem um sotaque muito bem acentuado. Tudo porque ele nasceu em Houston, Texas (precisa explicar mais?).
- O ano correto de nascimento de Peter Tork é 1942. Os produtores divulgaram 1944 para ninguém achar que ele é o mais velho dos quatro.
- "Daily Nightly", de 1968, foi a primeira música a usar sintetizadores Moog, pioneiro nessa área.
- "Randy Scouse Git" teve seu título mudado na Europa pois "scouse" é gíria para "pervertido", na Inglaterra. Quem comprar algum CD prensado na Europa, vem como "Alternative Title".
- Peter Tork é autodidata em música - aprendeu sozinho durante a adolescência a tocar banjo, piano e guitarra. E os produtores cismaram de pôr ele a tocar baixo!!
- Michael Nesmith é um dos três músicos do mundo a possuir a raríssima guitarra Gretsch de 12 cordas. Os outros dois eram Chet Atkins e George Harrison.
- O que Davy Jones e David Bowie têm em comum? O nome. Apesar de David Bowie se chamar David Robert Jones, foi obrigado a mudar de nome quando entrou na carreira artística para não ser confundido pela mídia.
- Sabe aquele corretivo Liquid Paper que a gente usava para apagar eventuais erros de escrita? Pois é, foi criado pela Bette Nesmith-Graham, que era a mãe de Michael Nesmith.
- Pouca gente sabia, mas existem poucas (e raras) fotos de um show que eles fizeram na Inglaterra em que Micky Dolenz e Michael Nesmith estão usando faixas pretas nos braços. Alguém de luto? Não, protesto contra a sentença dada a Mick Jagger e Keith Richards naquela batida policial, que muita gente do meio artístico diz que foi implicância das autoridades só porque eram os Rolling Stones.


Alô? Somos um quarteto querendo marcar hora pra uma gravação de um disco...
Não, nós não somos de Liverpool!

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