Thursday, February 08, 2007

Coisas que nunca deveríamos esquecer

Claro que a gente fala que nunca devemos esquecer de pagar as contas, fazer os deveres de casa, a chave da casa e o dinheiro pra emergência, mas existem certas coisas que a gente também nunca deveria esquecer, ainda mais que isso é passado para gerações e gerações.
Quando a gente menciona educação, o significado seria as boas maneiras, o modo de agir, pensar e falar. O bom senso. Só que tem muita gente por aí que confunde educação como grau de escolaridade com as boas maneiras.
Pra quem não sabe, fiz o curso do magistério ao invés do colegial "normal" como diziam na minha época (eita, dicionário de velho, viu...). E em muitos anos que lecionei e trabalhei, conheci tudo o que era tipo de pessoas. E comportamentos. Certo que o tempo se encarrega de mudar, mas nunca imaginei que fosse pra pior.
Claro que, quando cheguei aqui, quase uma década atrás, fui advertida que algumas pessoas realmente querem te ajudar e a grande maioria quer lhe enfiar uma faca nas costas. Em português bem claro: se vira porque você não é quadrado (a). Dependendo de alguns aspectos sou daquela que confia com um pé atrás, até que se prove o contrário. Nesse ponto, até que eu levei sorte.
Assim como em todo o lugar do mundo, a gente encontra tudo o que é tipo de pessoa e passa em cada situação que varia do cômico ao constrangedor. Confesso: de alguns anos pra cá, o nível de boa educação caiu muito.
Trabalho em um escritório há quatro anos e ouço quase que diariamente (exceto nos meus dias de sagrada folga) despautérios e desaforos, de gente de tudo o que é idade. Acham que gente de idade que variam de ser quase meu filho até meu avô (que Deus o tenha) tem educação e bons modos?! No meu tempo (olha essa expressão de velho de novo!!) se a gente falasse mais alto pros nossos pais, no mínimo era um genkotsu e sermão pra dizer pouco. Hoje, nos tempos do "politicamente correto", dar uns "croques" na cabeça de alguém pode render processo e alguns anos de terapia. Se isso fosse verdade, todo mundo da minha geração tinha virado terrorista de primeira classe...
Hoje, parece que tudo perdeu o sentido. E parece que, quanto mais grosso falar, mais poder tem. Fico decepcionada com tudo isso que convivo. Sim, teve uma vez que uma menina, quase a metade da minha idade desfilou um sem-número de palavrões pra mim e acabei perdendo a paciência: disse que se eu fosse a mãe dela, eu teria muita vergonha de chamar de filha, ia deserdar sem o menor pingo de culpa, e que nunca daria esse tipo de educação a ela. E ainda mais: que homem iria querer uma menina com esse linguajar? Só se fosse da mesma espécime. Se depois se emendou, não sei, mas gente assim não desentorta nem com martelada.
Ter curso superior aqui, não eleva status de ninguém. Estamos tudo no mesmo barco: ter que trabalhar pra pagar as contas do mês e guardar o que sobrar pra uma aposentadoria decente. Não é porque tem uma formação superior (leia-se: estudou e formou-se em uma faculdade) é que vai pisando em alguém. Devido a incompatibilidade de carga curricular e ter que estudar a língua local, quem tem curso superior não tem como exercer a profissão aqui. Exemplos, medicina, odontologia e advocacia. Pra mim, ter ou não um diploma e vir trabalhar aqui, não muda em nada. Marido é formado em Direito com especialização, mas trabalha em uma empresa. Eu sou graduada em programação de sistemas, mas estou em um escritório. E nem por isso fico pisando em alguém. Quem me conhece, sabe: trabalho pra pagar as contas do mês e ter que sobrar algo pro resto. Se tenho um diploma da Unesp engavetado, ele vai continuar lá, apesar de ter exercido a profissão por três anos e tanto.
Eu diria que tem gente que precisaria tomar um chá de simancol e acordar pra vida, pois ultimamente ela não anda tão fácil como muitas décadas atrás.
Ou acreditar que ainda existe o castigo divino e quando vem, vem em dobro.
Ou acreditar piamente que nem tudo está perdido e sempre existirão pessoas que são ainda capazes de cativar pela sinceridade e boa-educação, virtudes em extinção mas que poderão ainda durar por muitas e muitas gerações.
Isso vai depender da consciência de cada um de nós.

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