Thursday, November 11, 2010

Como se encontra determinado lugar...


Em meus doze anos no arquipélago, até hoje fico imaginando como é que carteiros, entregadores de encomendas, e de jornais conseguem encontrar o endereço e o destinatário, pois como todo mundo sabe, aqui não tem nome de ruas. Basicamente o endereço constitui-se de código postal, província, cidade, distrito, bairro, quadra e nome do prédio, se houver. Faltou um destes componentes, nem o melhor carteiro encontra.

As casas possuem um número e é necessário identificar o morador, pois os carteiros são instruídos a entregarem as correspondências se estiver com o nome do(s) morador(es) na porta ou na caixa do correio!!! Estou exagerando? O primeiro que falar "ah, mas eu nunca precisei e minha correspondência chega direitinho", então é sorte de principiante, como diria o Mestre Miyagi. E atire a primeira carta quem nunca teve correspondência extraviada ou colocada por engano!!

Muitas vezes fico pensando em fazer um servicinho temporário de entregas só pra matar essa curiosidade (mas como sou estrangeira, tenho que às vezes tirar essa idéia de fazer serviço de carteiro, entregador de encomendas ou de jornais). Mas tenho uma amiga brasileira - descendente de Okinawa - que arriscou a entregar jornais cinco da matina no bairro onde ela mora. Só que esqueci de perguntar como é que conseguia encontrar as casas e saber quem era assinante (ou não). Agora que está chegando final de ano, a procura de temporários nos correios é maior, devido ao hábito dos japoneses enviarem cartões postais desejando feliz Ano Novo (os nengajo, mas digo mais tarde sobre isso).

Uma das coisas que cansei de ouvir de muita gente é que "tal empresa não envia minhas correspondências", "a tal empresa está de complô comigo", "frescura essa de ficar colocando nome na caixa do correio do meu apartamento" e por aí vai. Primeiro que a empresa x, y ou z encaminha as correspondências para o correio, serviço de entrega... O que acontece no meio do caminho - do correio pra destinatário - aí ninguém sabe. Segundo, sobre identificação do morador, é necessário, pois como disse, aqui não tem nome de rua como no Brasil (em Brasília, como Bah mencionou no post dela, por siglas e o carteiro encontra!). Tá, no prédio onde moro, de dez apertamentos, quatro estão vazios e três têm identificação dos moradores (inclui aqui a autora), porque o resto...

E quando muda-se de casa, a primeira coisa que deve-se fazer, é ir na agência do correio mais próxima do bairro e preencher o formulário tenkyo todoke comunicando seu endereço atual e o endereço antigo. Por seis meses (ou dependendo um ano), suas correspondências que iam no endereço antigo, automaticamente são encaminhadas pro atual, mas claro que nesse tempo tem que comunicar sua mudança de endereço para as empresas prestadoras de serviço, jornais, revistas, família, etc., senão depois as correspondências voltam pros destinatários e volta aquela história reclamando que "a empresa tal está de complô comigo".
Modelos diversos de tenkyo hagaki para serem enviados para parentes e amigos mais chegados comunicando o seu endereço novo. Não recomendo para enviar para empresas sérias, como de telefonia, cartão de crédito e até onde você trabalha, a não ser que seu serviço seja fabricante ou distribuidor desses cartões postais...

Falando em tenkyo todoke, se quiser, pra família e amigos mais chegados, pode também enviar um tenkyo hagaki que seria um cartão postal comunicando sua mudança. Além do mais, os desenhos são uma gracinha (mas não vá enviar esse tipo de cartão pra uma empresa que não ficaria bem).

Pra dizer a verdade, até hoje eu fico me perguntando como eu consegui também encontrar certos locais somente com o endereço. Claro que eu obtenho mais informações com os postos policiais (koban), porque perguntar pra lojas ou transeuntes, pra mim - pelo menos - quase nunca deu certo.

Bem que o Wikipedia explique, muitas vezes a gente tem que fazer na prática mesmo. E só morando aqui para tentar entender como funciona o sistema de endereçamento bem como os entregadores (dificilmente) erram. Quem já viu nos postes ou nas paredes de algum prédio (ou casa, ou no muro) uma placa na vertical (alguns lugares pode estar na horizontal, não sei), pela ordem seria o bairro, vizinhança e bloco, respectivamente.
Exemplos de gaiku-hyoujiban (街区表示板) ou placas indicativas da cidade, eis o de Tóquio. Leia-se "Kita-ku Oji Honcho ichoume ni" (a esquerda) e "Kita-ku Oji rokuchoume ichi". Seria o bairro de Ojihoncho, quadra um e bloco dois, por exemplo. Essas placas geralmente ficam em postes, muros ou paredes de prédios.


Exemplo de placa residencial - ao lado esquerdo seria o nome do bairro e vizinhança, o choumei-ban (町名板) e à direita, o número da residência ou joukyo-bangou-ban (住居番号板). No exemplo, seria da cidade de Osaka - Fuchu-machi, ni-choume 7-5.


Portanto, sempre que for procurar algum lugar, tenha sempre o endereço completo em mãos, pois se faltar algum dos itens mencionados, nem o navegador de última geração vai conseguir encontrar.

Fonte de pesquisa: Wikipedia. Fotos: via seogugol, exceto a que abre o artigo de hoje que namorido kinguio me fotografou no Yokohama Bayside Marina.


Update em 13 de Novembro: eu não tinha reparado, depois que a Cacá, do The Doramas comentou que estou parecendo a capa do novo single do Arashi - "Hatenai Sora" - que tinha acabado de ser lançado (e confesso que nem tinha visto a capa ainda!)...
Qualquer semelhança eu juro que foi mera coincidência!!! (Antes que me espanquem, do quinteto, eu gosto muito do Sakurai Sho (o segundo da esquerda pra direita): inteligente, engraçado sem ser irritante e com quase trintinha nas costas mas parece que tem vinte)

13 comments:

  1. Nossa, Kiyomi, que difícil!
    Nunca imaginei. Já sou péssima para achar os lugares, caminhos e endereços, imagina então aí no Japão.

    Beijos, sempre aprendo por aqui.

    Carla

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  2. Carla, põe dificil nisso! A gente sofre na hora de escrever tudo isso, em letras romanas... (em ideogramas aprendi na marra, mas também precisei aprender mesmo senão passaria fome!)
    Se falar pra me encontrarem em tal lugar, eu tenho que descrever a cor do prédio, perto de tal lugar, estou usando certa roupa...
    Beijao!

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  3. Olá Kiyomi,
    Muito bom o post! Bem explicado e de muita importância para os brasileiros que moram aqui. Quando cheguei não sabia como era formado o endereço e um primo meu que fazia arubaito todos os finais de ano entregando nengajo me explicou. Os carteiros e entregadores de jornais são ninjas mesmo né :D

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  4. Joia, Hide! Depois no site do PN você informa sobre isso (o que seu primo te explicou)!
    No Wiki consta também que em Kyoto e Ishikawa é pior ainda...

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  5. Olá Kiyomi! Tudo blz?

    Nossa, imagine eu aí no Japão. Ficaria perdidinha, rs. Nos doramas (minha fonte de referência, rs), vejo que nos portões das casas tem sempre o nome do morador, ou estou enganada? Ah, tb lembrei que um dia, minha mãe me falou que os cartões de Natal que ela enviou aos parentes aí no Japão não tinham chegado. Onde será que foram parar?

    PS: quando vi a sua primeira foto, lembrei da capa do novo single do Arashi =)

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  6. Nossa, adorei!

    Deu até uma vontade besta de, se algum dia eu conseguir visitar o Japão, escolher um endereço aleatório e sair tentando localizá-lo! XD

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  7. Cacá, tudo bem?
    Isso mesmo: aqui no Japão é normal os moradores identificarem-se na porta das casas ou apartamentos. Senão ninguém encontra. Já ouvi tanto absurdo de que "não coloco nome na caixa do correio porque a proprietária não deixa" que eu acho o fim da picada!
    Quanto ao fato dos cartões não terem chegado do Brasil, fica muito dificil saber. Final do ano, os correios acabam contratando funcionarios temporários e pode ser que tenham errado em algo.
    PS: pior que eu nem tinha visto a capa do novo single do Arashi antes de tirar a foto?! (No Outlet não tem loja de CD/DVD, fui ver DEPOIS que tiramos a foto quando passamos no Tsutaya de Shinsugita!!)
    Beijao!

    Felipe, se conseguir encontrar... Aqui, faltou algum item, esquece. Nem o GPS ajuda!!
    Abraços!

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  8. Olá Kiyomi,
    No pouco tempo que fiquei aí também ficava imaginando como é que os carteiros localizavam os endereços...rsrs...Depois de um tempinho consegui um mapa da cidade e percebi que existiam diversos números em cada "quadrado" (as quadras) aí me dei conta que era por aí que eles identificavam o local...mesmo assim não é fácil...

    Em relação ao nome na caixa de correio, colocamos logo no início pois pensamos que se os carteiros não estão muito acostumados com letras em romaji (era o que o pessoal mais antigo falava), imagina sem nosso nome na porta...

    Abraço e bom fim de semana,
    Carlos

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  9. Ola Gostei muito do tema!
    So fiquei com uma duvida e desculpe minha ignorancia.
    Gostaria de saber se na porta se coloca apenas o sobrenome da familia ou de todas as pessoas que moram na casa!?
    Obrigado e tudo de bom!

    Gasparzinho

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  10. Carlos, eu também reparei nos mapas do bairro que em cada quadrado tem um número e até eu ter assimilado que aqui é assim mesmo, já me perdi muito!
    Quanto ao nome na residência, tivemos que pôr bilingue (em kanji + katatana e romaji pois a maioria das nossas correspondências vem desta forma!)
    Abração!

    Gasparzinho, não precisa se desculpar porque isso é uma dúvida comum mesmo: quanto a colocar todos os nomes dos moradores ou somente o sobrenome da família, varia de casa pra casa. No meu caso, como não sou casada, temos que colocar o meu e nome do namorido. Já vi residências que colocam o sobrenome da familia apenas; ou sobrenome da familia com os moradores; ou se tiver outro membro da familia mas sobrenome diferente tambem vão os dois.
    No caso de home-shared (tipo "republica" no Brasil), identificam-se todos os moradores daquela casa.
    Abraços!!!

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  11. Quando eu for ao Japão, meu senso de direção vai realmente ter um desafio à altura. E olha que eu não me perco em São Paulo nem no Rio de Janeiro.

    Já sabia mais ou menos como eram os endereços japoneses, mas agora ficou tudo mais esclarecido. Realmente lembra um pouco a forma de organização de endereços de Brasília (só conheço o aeroporto, devido às conexões).

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  12. MP Kouhaku, no blog da minha amiga Bah, ela explica como os endereços de Brasília são divididos. E incrível que lá os carteiros encontram!
    Aqui, com o tempo acostuma-se com esse sistema de endereçamento. Isso porque eu falei o básico do básico, porque nas cidades pequenas, vilas e interioranas, têm outras subdivisões que a gente fica maluco!
    Abraços!

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  13. Na verdade o que me disseram é que no Japão não precisa ter necessariamente o nome da pessoa que mora escrito na porta. O fazem por costume, para não errar a entrega e até mesmo para saber quem mora ali. NO caso do Japão e de Brasília, eu acho muito mais eficiente. Localizar endereços por siglas ou quadras é muito mais fácil do que por nomes de ruas, porque temos o problema de homônimos e qq viela é uma rua que pode estar ou não identificada. É muito mais trabalho para o carteiro do que ele saber exatamente onde se localiza uma determinada quadra e o que se localiza nessa quadra.

    Kisu!

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