Saturday, April 14, 2012

Ecletismo ou Fanatismo?

No momento que chega a estudar a língua pátria do seu artista favorito somente para saber o que fala...


Eu posso dizer isso, porque muitos, muitos, mas muitos anos atrás mesmo, eu quase cheguei - se não fui - a ser uma fã extrema a ponto de nem querer saber de outra coisa.



Sim, quem me conhece, sabe: desde meus doze anos, sou fã dos Beatles. Tamanho fanatismo que tive pelo quarteto de Liverpool, que cheguei ao extremo mesmo. Daquelas que nem queria saber de ouvir outro artista. Ainda colecionar discos (sim, década de oitenta eram discos de vinil), reportagens, revistas, livros, a gente releva. Mas respirar e viver 100% da sua vida aí...

Felizmente, quando entrei na faculdade, as pessoas me fizeram abrir os olhos e expandir meu gosto musical. Acho que, se não fossem as pessoas com quem estudei e convivi, nem estaria escrevendo esse texto.

Até onde sei, ser fã de algum artista, é um ato saudável. Mas quando esse "gostar" passa a ser obsessão, gente, pode chamar uma ambulância e mandar internar. E pior que conheço gente assim e nem posso falar nada - o roto falando do esfarrapado.

Eu sei que muitos vão querer esfolar minha pele e regar com sal e limão, mas depois que abriram meus olhos para outros gêneros musicais, vamos dizer que acabei virando quase eclética. Digo "quase", porque existem gêneros musicais que pra mim não desce nem com água (e parece que, quando você detesta tal música, a dita cuja toca o dia todo).

Esta semana, no twitter, acompanhei o assunto sobre fanatismo nos fandons que conheço. Pertencer a um fandon, sabemos que seria (quase) sobre o grupo ou artista que gostamos, mas nada nos impede de termos um gosto variado. Bom, desde que seja de bom senso, mas claro que sabemos que gosto é que nem traseiro: cada um tem o seu. E obviamente, o respeito.

Acontece que, se a gente assume que além de um grupo ou artista, gostamos de outros... Nada contra, mesmo porque eu também tenho lá - que seja! - meus guilty pleasures também. Mas pelo que entendi no twitter com minhas amigas do mesmo fandom que eu pertenço, teve gente que condenou as minhas amigas mais chegadas pelo fato de gostar de outros artistas fora do fandom, acusando-as de traidoras do movimento, etc., etc., etc. Ah, faça-me o favor, né! Nem duvido que deve ter sobrado - e muito - pra mim também, vai saber.

Como disse minha amiga (e companheira do Omedetakami, Arigatamaki) Gabs, "no fandom, sempre vai ter um doente que vive a vida só pro artista". E isso a gente percebe em qualquer fórum fechado. Como disse, ser fã é uma coisa. Mas beirar ao fanatismo, a ponto de nem admitir que outros cheguem perto do seu artista favorito...

Quando li os comentários das minhas amigas, fiquei pensando se era pecado ou crime (ou os dois juntos) gostar de outros artistas. Ou se no fandom a gente nem pode mencionar os outros artistas como meio de referência ou porque tem algo a ver com outro. Pior ainda quando a gente tenta explicar o motivo de tal artista fazer parte ou atuar junto com o seu favorito...

Eu sei, eu sei. Eu sei muito bem que cada um sabe o que faz ou deixa de fazer. Mas o que mata na gente é que outras pessoas acabam nos afetando. E muitas vezes acaba nos machucando.

No meu caso, percebi a tempo antes que eu acabasse perdendo os poucos amigos que me aturavam. Mas eu digo hoje que, apesar que foi "momento de adolescência", "hormônios em confusão" e outras coisas mais, a época que fui "fanática por uma coisa só", sinto que parte de minha vida deveria ter sido melhor aproveitada. Não que eu não tenha aproveitado, mas eu deveria ter feito muito mais.

Embora hoje existam coisas que deixei de fazer e estou fazendo aos poucos, tais como ir ao cinema e passear muito mais. Conhecer coisas novas, como a música do momento, o livro mais vendido, um manga interessante, um lugar diferente.

Acredito que com isso, estou recuperando parte do que deixei de fazer no passado.

8 comments:

  1. ai, Kiyomi...esse seu post tá tao bom...devia ser espalhado em mtos lugares. pq tem TANTA coisa boa na vida. e dá pra ser feliz comendo um cachorro quente, um prato chiquérrimo no frances e uma gororobinha caseira, pq nao rs?

    é legal mesmo se abrir, conhecer coisas novas, não ter receio de gostar do que é considerado "menos"... e descobrir um mundo novo que nos cerca, pq tem tanta coisa pra gente ver, apreciar. não vale a pena levar a vida como se fosse futebol, no sentido de torcer apenas por um time (coisa) e em nome disso se acabar. viva a amplitude!
    bom fim de semana

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  2. Eu não sou fanática por absolutamente ninguém !A não ser por doramas o que já vejo ser um enorme problema certas vezes.
    Mas vai dizer a um fanático que isso não é bom! Ele não aceita e não vai aceitar .

    Não considero fanatismo uma coisa boa . Isso na minha visão é mente fechada , desculpa se vou ofender a alguém que vá ler esse comentário depois, porém é minha opinião.

    Prefiro me deter no talento do artista . Por isso não sou fanática. Não guardo foto , não tenho poster , não guardo cds , absolutamente nada.

    Acho lindo e fofo o Matsuda , mas é só! Não conseguiria ser uma fã maluca e alucinada só conseguindo olhar para um artista.

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  3. Alexandre e Elaine, estou de pleno acordo com os coments de vocês!

    E Kiyomi, parabéns pelo post! Vai de encontro com o que também eu penso. Não gosto de fanatismo. Como já disse por aí, gosto mais de MÚSICA do que de CANTORES. Se olhar as músicas do meu celular, verá que sou bem, ou "quase" eclética.

    Claro que gosto de cantores, mas isso não é fator determinante para eu gostar ou não de uma música, hihi.

    Beijos♥

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  4. Ecletismo na cabeça!!
    Eu acho que se seguir os padrões "fanáticos"(?)não sou mesmo uma fã. (essa frase ficou estranha, fã/ fanático, rsrs!)
    Eu não me mato por algo, nem só falo sobre aquilo, pode ser que eu fale mais sobre aquele assunto, mas só... rsrsrs!
    E sempre que alguém me apresenta algo novo, eu recebo de bom coração, aí depois julgo se gostei ou não... E não acho que conhecer e comentar de outras coisas me fará deixar de gostar de determinado artista ou coisas em geral...
    O mundo é tão vasto, eu estou no Brasil e gosto dos orientais... mas tb gosto dos americanos, dos espanhóis, e é claro do nosso samba!
    Muita gente tem tb que respeitar o outro né...
    Adorei o post!!!

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  5. Alexandre, é verdade: a partir das pequenas coisas do cotidiano, tidas como bobas, é que nos fazem sentir bem melhor.
    Da mesma forma ser uma pessoa eclética ~ gostar de tudo um pouco e saber respeitar também. Ser eclético não somente na música, filme, mas em outras preferências!
    Bom feriado!

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  6. Elaine (Mundo Doramas), eu passei por isso - fui tão fanática a não aceitar que eu estava me tornando uma. Estava fechando em meu mundo sem saber o que acontecia ao redor.
    Obviamente a gente sempre tem o seu preferido, mas se a gente sabe tambem gostar de outros, é um ato saudável. Eu tenho os meus favoritos, principais, mas não desprezo os demais (salvo exceções).
    Beijao!

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  7. My Carol, obrigada pela visita sempre!
    Boas décadas atrás eu era fanática. Hoje eu me considero fã, porque preferidos eu tenho, aqueles que mais admiro, mas não deixo de apreciar os demais, diferente de antigamente que eu vivia por um somente.
    Atualmente, eu gosto mais da música que do artista, mas ja aconteceu de eu gostar das duas coisas!!!
    Beijão!!

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  8. Tamara, é verdade ~ no momento que a gente respeita o gosto do outro, torna-se melhor. Embora eu fale que eu não gosto, torço o nariz para algumas coisas, se a outra pessoa gosta, que posso fazer, né?
    Nunca neguei que eu vivia somente por um assunto só. Por isso que hoje eu falo que eu sei o lado de fã consciente e lado de fanática.
    Beijao!

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