Monday, August 22, 2016

Dekamori Haikaropa [Itadaki High Jump - 4 de Novembro de 2015]

De alguns bons anos para cá, em alguns programas de TV japonesa, mencionavam muito de pessoas que conseguiam comer grande quantidade de comida. Quantidade o suficiente para alimentar uma família de 10 pessoas, mais ou menos.

Lembro de um dorama que passou em 2000, chamava-se "Food Fight", onde um simples funcionário de uma empresa participava de um campeonato de quem consegue comer mais em um certo tempo. Se bem que campeonatos de quem come mais, existe desde o século passado.

Aí, apareceu uma garota que conseguia comer muito. Quando digo muito, é o que mencionei no primeiro parágrafo: se descuidar, ela comeria o prato dela, o seu e do vizinho. E aquele tipo de pessoa que muita gente tem raiva: come, come, come e a danada não engordava. 

Natsuko Sone, mais conhecida como "Gal" Sone, apareceu em um programa de TV em meados de 2006, como competidora de quem consegue comer muito. A fama dela cresceu tanto que, em 2007 o verbete "Oogui" (glutão/glutona) ficou no top ten pela empresa U-can, no dicionário de verbetes e frases do momento.

E também o famoso Takeru Kobayashi, que quase todo ano ganhava o campeonato de comer cachorro-quente, promovido pela rede Nathan's. Além da youtuber Yuka Kinoshita, que é como a Gal Sone: come pra caramba e não engorda. Por favor, passe-me o segredo, porque eu só de pensar já engordo.

Achei que essa história de comer muito e ainda pedir sobremesa porque não está satisfeito, tinha diminuido (mesmo nos programas de variedades, o máximo era buffet restaurant...), até um belo dia eu pegar pra assistir alguns vídeos do programa Itadaki High Jump (vide aqui e inclusive mencionei alguns episódios sobre o assunto)...

A produção chama alguns membros do grupo (podem ser em dupla, trio e quarteto) para realizar uma determinada tarefa solicitada pelos telespectadores. Obviamente ninguém sabe do que se trata até quando as cobaias, digo, os membros recebem o quadro devidamente coberto contendo o que irão fazer...

As felizes cobaias, ops, membros escolhidos para realizar a tarefa do dia: Daiki Arioka, Yuri Chinen, Ryosuke Yamada e Hikaru Yaotome, chegando às nove da matina em Shibuya...
No programa do dia 4 de Novembro de 2015, no estúdio, somente Ryosuke Yamada, Yuri Chinen, Daiki Arioka e Hikaru Yaotome sabiam o que haviam realizado - tanto que o restante achou que era muita gente pra fazer a tarefa (porque normalmente vão em duplas ou em trio). Os quatro disseram que faltou é gente devido a missão que tiveram que cumprir...


Tem que estar cheio de motivação para começar o dia sem saber O QUE vai fazer....
"Apetite de Outono! Dentre muitos lugares que servem DekaMori [grande quantidade de comida], diga qual é a que possui HaiKaropa [Alto Indice Calórico]"

HaiKaropa ou "High Calorie Performance" é o quanto você consegue sentir-se satisfeito e empanturrado com o quanto você come um item com maior índice calórico por iene. Daí os telespectadores que enviaram a enquete via site do programa, queriam saber qual o melhor lugar e qual o prato que tem maior indíce calórico por iene para que possa ir sem pestanejar.

A condição para que os quatro realizem essa missão é encarar alguma iguaria com grande quantidade e altamente calórica sem deixar sobrar nada (seria falta de educação deixar sobrar comida). E seriam os quatro a cumprir a tarefa (para alívio de Arioka, pois da última vez que encarou comida a vontade, teve que fazer sozinho).

Tentarei descrever o que cada restaurante possui de peculiaridades, pois obviamente ainda não cheguei a ir (porque eu precisaria chamar pelo menos 10 pessoas pra encarar toda aquela quantidade de comida), e deixarei as observações pro final. Antes disso, esclarecendo:


  1. A tarefa que Arioka, Chinen, Yamada e Yaotome realizaram, foi enquete dos telespectadores que enviaram no site do programa. Não significa que é uma pessoa sozinha que vai comer tudo isso de comida, o que dá pra entender é que a pessoa quer saber qual o lugar que serve grande quantidade de comida a um preço razoável, ou seja, se sai mais em conta ir em mais gente e dividir o prato (todo mundo sabe que compensa dividir um prato em mais gente, né?).
  2. Tudo foi feito com antecedência. Alguns estabelecimentos não funcionam logo de manhã ou no horário de almoço. Eles abriram em horário especial somente para a gravação. Caso quiser ir no local, consulte antes. Por exemplo, izakaya só funciona depois das cinco horas da tarde e aconselha-se fazer reserva devido ao tamanho do lugar X quantidade de pessoas que frequentam no horário.
  3. Nem os próprios membros sabiam do valor calórico da comida. No programa (dividido em duas partes), todos teriam que adivinhar qual o prato mais calórico por iene. Valendo um prêmio muito valioso quem acertar. (em japonês: 高価賞品プレセント, ou "kouka shouhin puresento").
  4. Uma dica do programa para os membros saberem mais ou menos quantas calorias o prato possui. Baseando na quantia de uma tigela de arroz branco de 150 gramas, que equivale a 250kcal.
  5. A regra do programa para o dekamori haikaropa era comer sem deixar sobrar (seria muita da falta de educação desperdiçar comida). Caso não conseguirem, das duas uma: ou eles comeriam tudo mesmo que levasse o dia todo; ou apelariam para um food-fighter.
  6. Para requisitar a ajuda de um food-fighter, os quatro teriam que participar de um jogo conforme escolhessem no quadro (devidamente tapado). O quanto eles conseguissem cumprir o jogo, era o tempo que dariam para o food-fighter ajudar a terminar de comer. ATENCAO!!! EM HIPOTESE ALGUMA TENTE FAZER ESSES JOGOS EM CASA!!!! Foi feito somente para o programa e sob supervisão de gente responsável.


Só mesmo aqui no Japão para comer um prato de macarronada logo de manhã (será que os costumes mudaram tanto assim?), porque logo que explicaram o motivo dos telespectadores pedirem para resolver o caso do haikaropa, os quatro já foram para o primeiro restaurante.

SPAGHETTI NO PANCHO (Shibuya, Tóquio):

Localizado no Center Gai, em Shibuya (dá uns 3 minutos andando da estação), uma das filiais da rede Spaghetti no Pancho fica em uma das ruas próximas ao famoso prédio Shibuya 109. Como o nome do lugar diz, é servido somente espaguete, especialmente a napolitana. Os complementos variam - desde o tradicional, com salsicha, frutos do mar, carne moída, bacon, queijo, curry e até tudo o que tem direito.

Os valores vão de 690 ienes (o napolitan simples) a 1240 ienes (o napolitan zembunose). Só que no site não informa se pedir tamanho médio ou grande, o valor muda (o que seria normal), mas se acessar o site, às vezes eles colocam promoções (o Meat Sauce Napolitan chega a custar 390 ienes).

No que os quatro pensavam que iriam servir macarronada em quantidade suficiente para eles, a surpresa veio quando chegou a comida:


Não parece, mas o Napolitan Seijin Mori Zembunose (com tudo o que tem direito: espaguete a napolitana - salsicha, pimentão e molho de tomate - com queijo flambado, hamburguer, um tira grossa de bacon e ovo frito em cima) pesa quase DOIS QUILOS E MEIO e serve tranquilo para... DEZ PESSOAS!!!

No caso do programa, cada um acabou comendo o equivalente para duas pessoas e sobrava. Ou seja, 600 gramas de espaguete para cada um. Teriam que estar de estômago vazio para conseguir encarar logo pela manhã.

Conseguiram limpar o prato, apesar da quantidade enorme de macarronada, cheio de molho e complementos, mais uma tira grossa de bacon, hamburguer caseiro e ovo frito (de gema mole, o famoso "medama"), apesar de estarem quase passando mal. E olha que estavam comendo bem devagar.


(Nota: o Napolitan Seijin Mori Zembunose, custa 2200 ienes e possui 8000 calorias, o que daria 3,6 caloria/iene. O que fez ter esse índice, foi devido ao hamburger e bacon incluso.)

TAISHU SAKABA CHIBACHAN KASHIWA (Kashiwa, Chiba-ken)

A segunda etapa, era karaage, ou frango frito, estilo japonês que muita gente (inclusive esta que vos escreve) gosta. E um dos lugares que muita gente resolve apreciar essa iguaria, é num izakaya (bar estilo japonês).

Normalmente, os izakaya daqui, abrem depois das 5 da tarde para receber os salarymen e office ladies na maioria, que voltam do trabalho, mas antes de ir embora, param nesses estabelecimentos para tomar algumas cervejinhas e comer alguns petiscos... O estabelecimento Chibachan, que fica a um minuto da estação Kashiwa (na cidade do mesmo nome, província de Chiba) abriu excepcionalmente na hora do almoço para a gravação do programa, e serviu um dos pratos principais da casa: Wakatori no karaage oobakamori.


Enquanto eles conversavam a respeito de que tipo de dekamori haikaropa seria servido num izakaya, notem a expressão de Yaotome...


Imagine uma barca cheia de frango frito colocada na sua frente. Com quantidade suficiente para dez pessoas. Supondo que cada pessoa coma sete pedaços, tudo é relativo.

A iguaria consumiu cerca de 2,5kg de frango para fazer karaage, o que deu equivalente a 69 pedaços de carne em forma de petisco. Além de ter deixado o frango marinado em molho de soja, saquê, e vinagre de arroz, depois de frito, coloca-se um molho que é segredo do estabelecimento.

"Taishu Sakaba" significa "estabelecimento barato", ou seja, comida mais em conta. Tanto que os quatro se surpreenderam com o valor do Oobakamori": imaginaram comer 69 pedaços de frango frito por 1280 ienes? (Já fui em lugares onde uma porção com cinco pedaços custava 400 ienes)

Pelo que entendi no site da gurunabi (o estabelecimento não tem homepage própria ainda), as porções e bebidas são servidas em 3 tamanhos: normal, baka e oobaka. Do tipo: só mesmo doido de pedra pra pedir o que tem mais quantidade (apesar que, se chamar o grupo todo, talvez fique faltando) ou porque a quantidade é exagerada mesmo.

Também existe a opção de escolher o "baka set course", ou seja, muitos pratos são servidos do tamanho "baka" e o valor não sai caro: 3000 ienes por pessoa e são sete itens (inclui o karaage) mais o course de bebidas (por duas horas).

(Claro que pode perguntar se pode ser um para duas ou mais pessoas.... Por isso pede-se reserva antecipada.)

Pra ajudar, na hora de pedir bebidas (porque comer no seco é difícil), todos pediram Cola (a produção não permite que menores não consumam álcool e... não, pera....). A surpresa foi o tamanho "baka" (equivalente a um litro), tudo porque o atendente achou que eles pediram esse tamanho, mas Arioka se referia era ao diretor (Kenji Kuroda, aka "KeKeKe").

Ou seja, tem que tomar cuidado na hora de falar baka nesse estabelecimento, ou vão achar que está pedindo esse tamanho/quantidade de comida/bebida/whatever.

(Nota: o Oobakamori Wakatori Karaage possui cerca de 7000kcl, ou seja, cada pedaço tinha 100kcl. Como custava 1382 ienes, saiu 5,1kcal por iene. Até o momento, está sendo o prato mais calórico do programa.)

Curiosidades no programa:

- Curiosamente, chamaram dois membros do subgrupo Hey! Say! 7 (formado pelos membros mais novos, coincidência que nasceram no mesmo ano) - Ryosuke Yamada e Yuri Chinen. E dois do Hey! Say! BEST (formado pelos membros mais velhos) - Hikaru Yaotome e Daiki Arioka.

- Arioka e Yaotome são MCs de terça-feira no programa diário da NTV "Hirunandesu!!", inclusive o primeiro costuma visitar vários lugares que envolva comida e dá um de gourmet reporter, comentando sobre o que comeu e o lugar que frequentou. Tanto que no programa até mencionou o fato, tendo o tema do programa "Hirunandesu!!" tocando no fundo. (Prova que na TV japonesa, não tem essa de uma emissora proibir de mencionar a outra)

- Para quem não sabia, eles fazem um trocadilho com o famoso bordão do comediante Atsukiri Jason "Why Japanese People" quando comentam da fatia de bacon ("Atsukiri Bacon" e logo respondem "Why Japanese Omise").

- Kenji Kuroda, o diretor do programa que sempre acompanha nas locações ganhou o apelido de "Kekeke" por causa da risada que faz toda vez que sai algum fora por parte do grupo. O que deixa Yamada irritado (isso vem desde o episódio das pontes suspensas que tiveram que acordar de madrugada).



- Lá pelas tantas no episódio do karaage, os quatro começaram a mencionar a ausência de um certo membro do grupo que poderia estar junto com eles pra ajudar a comer todo esse frango...

Yaotome: "Por que o Keito [Okamoto] não está aqui hoje?"
Yamada: "Ele me disse: 'Yamachan, estou com quatro dias de folga, que eu faço?!' EU E' QUE SEI???"
Yaotome: "VENHA PRA CA, ENTAO!!!"

(*para quem não sabe, Okamoto é o glutão do grupo. Aí explicado o motivo de que, no início do programa o Hikaru ter comentado que gostaria que Keito estivesse com eles.)

- Por não aguentarem de tanto comer, tiveram que apelar para um food-fighter, pessoa que come muito em pouco tempo e chega a participar de concursos do tipo. Mas para chamar essa ajuda, os quatro teriam que participar de um jogo que teria que escolher o item no quadro. O que eles conseguirem cumprir, será o tempo que será dado para o food-fighter tentar acabar com o restante da comida.

- Takuya Yamamoto, que já participou de concursos de food-fight inclusive a nivel internacional, atualmente trabalha como chef em um izakaya em Hamamatsu (Shizuoka) chamado "Osakana ni koishite".

- Uma das provas que os quatro tiveram que fazer para ganhar tempo pro food-fighter Yamamoto, era pular corda em cima de um tapete massageador para os pés. Sim, isso mesmo. A cada seis saltos, equivaleria a um minuto. Para dar 10 minutos, teriam que pular 60 vezes, ou seja, 15 saltos cada um. E quem disse que eles conseguiram?

Arioka e o quadro contendo os quatro jogos que teriam que escolher para ganhar minutos pro food-fighter ajudar a comer o resto do karaage. Escolheram o número 3, que era pular corda em cima de um tapete massageador para os pés. Quem iria primeiro, decidiram apelar pelo meio mais eficaz que, quem conhece os grupos da JE, sabe qual é.

Na primeira parte, conseguiram 5m40s, mas não foi tempo suficiente para Yamamoto conseguir comer tudo. E os quatro também não estavam aguentando mais ver tanta comida. Apelaram de novo conseguir pelo menos 10 minutos, que era o tempo suficiente para o food-fighter conseguir comer na folga. E, pelo visto quem conseguiu salvar o grupo, foi Chinen (na ordem, ele foi o último a pular corda, e como ele tem muita habilidade pra coisa mesmo...).

Todo mundo empanturrado, mesmo com a ajuda de um food-fighter no final, descobrem que a saga do Dekamori Haicaropa ainda não tinha terminado. "Que sentido tem em fazer isso???"

Só que havia um pequeno porém: depois que eles terminaram de gravar, os quatro ainda foram encarar mais comida. No estúdio, todos acharam que eram somente dois pratos, tanto que já tinham até escolhido, até que Yamada interrompeu e disse que "ainda tem mais". E que ficou para a segunda parte do programa na semana seguinte.

- Fontes: wikipedia, U-Can, Fuji Television.

- Imagens: via YT janino.


Saturday, August 20, 2016

Eu e as Olimpíadas



Sendo muito sincera: eu estou acompanhando os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro por osmose, ou seja, nas redes sociais e quando assisto ao noticiário. Primeiro, o horário que me ajuda muito (durmo de dia e trabalho à noite, e a transmissão ao vivo, vara a madrugada, então já entenderam o drama, né?).

Daí que eu pra torcer em alguma modalidade, eu sou daquelas que vai pra fora da tangente. Eu costumo torcer para esportes que deveriam ser valorizados, como ginástica artística, esgrima e até hóquei. Tal minha surpresa que teve até rúgbi (a bem atualizada: eu não sabia que tinha time de rúgbi no Brasil, fiquei sabendo porque uma conhecida minha me contou). Se eu torço pra esportes coletivos? Voleibol e olhe lá.

Ao mesmo tempo que eu evito entrar nas redes sociais para não ler o que não se deve, eu acabo entrando para me atualizar devido ao motivo que mencionei no primeiro parágrafo. E têm horas que dá vontade de fechar o programa e ir fazer algo que preste, como ler um livro, assistir um dorama atrasado... Isso porque pra acompanhar os atletas brasileiros, eu tenho que usar as redes sociais (não, não tenho TV a cabo), porque, quem me conhece, sabe que eu assisto somente programação japonesa e, obviamente, vão falar dos atletas japoneses, quando não muito de quem se destacar mais (eu já disse que eu não tenho TV a cabo?).

Numa dessas, eu lembrei de um texto no finado blog Garotas que Dizem Ni!, e felizmente eu tenho o livro dos melhores textos, o "E' Impossível Ler um Só" que tinha a postagem da Clarissa Passos (a Clara McFly no blog) sobre as Olimpíadas (acho que foi nas Olimpíadas de Atenas, em 2004), o texto se chamava "Esporte de Macho". Apesar que muita coisa mudou nos últimos anos, eu tenho que dar o braço a torcer que esporte de macho mesmo é ginástica artística.

"Quer saber? Esporte de macho, mas macho mesmo, é a ginástica olímpica. Precisa ter colhão para aguentar um treinamento dolorido, até ser capaz de se dobrar toda; dar saltos mortais em cima de uma barrinha de dois dedos e, especialmente, escolher essa carreira num país que não dá a mínima para tal modalidade. Parabéns às nossas ginastas. Isso sim é que é esporte de macho - no bom sentido, claro."

Tem muita gente que me pergunta até hoje pra quem eu torço no caso de jogos da Copa do Mundo e nas Olimpíadas. Por eu ter nascido no Brasil, valorizo muito os atletas brasileiros, especialmente nos esportes que muita gente não conhece. Já nos coletivos, sou mais o voleibol (futebol eu não tenho interesse, até na Copa do Mundo eu meio que passava batido porque nunca conseguia acompanhar. Uma das minhas frustrações é eu não ter conseguido até hoje ir assistir a um Mundial de Voleibol que acontece anualmente em Tóquio.). Mesmo assim, devemos incentivar nossos atletas após os jogos, porque eles participam de outros campeonatos espalhados pelo mundo (e ninguém nota).

Ah sim. Quando o Japão disputa algum campeonato, meus dois lados nipônicos gritam mais forte. O duro é quando tem Brasil X Japão, aí acabo torcendo meio a meio (e confesso que muitas vezes, especialmente no futebol, torci contra).

Seja como for, duas semanas de eventos esportivos deu pra ter de tudo um pouco, para deixar o evento inesquecível. Em todos os sentidos da palavra, eu quero dizer.




Procuram-se: esses dois newscasters e um fotógrafo perdidos na cidade olímpica. Fora outros que estão brincando de "Onde Está Wally?" no meio do público. E com direito a "boa noitiiiii" logo de cara.

Fotos: screencaps via twitter.

Tuesday, July 26, 2016

Versão 4.6 ou Como aos poucos passei a tolerar e aceitar algumas coisas

Hoje, dia 26 de julho, além de ser dia das avós, a que vos escreve entrou na versão 4.6 da vida.




Daí se você faz parte de fã clube de seu artista favorito, ganha uma mensagem de aniversário. Sim, eu sei que é pra todo mundo, mas, pelo menos a gente tem o direito de ter momentos de plena alegria, por favor.

Como eu havia mencionado algumas postagens atrás, com o tempo eu passei a tolerar e até aceitar algumas coisas. Mas existem outras que não tolero de jeito nenhum (especialmente no assunto de DV, mas não vamos prolongar isso).

Uns bons anos atrás, eu era pior que "maria vai com as outras", fandonmente falando. Quando você faz parte de um fandom, dependendo de quem, ou você concorda ou você cai fora (ou você é mandado embora), e foi numa época em que eu estava na pior fase da minha vida. Sabe aquelas que se ninguém gostava e você acabava não gostando mesmo a contragosto? E nem poderia argumentar? Pois é...

Com o tempo e muitas traulitadas na cabeça depois, comecei a ver as coisas com outros olhos. De nada adiantava mesmo eu ficar de birra com algo e sem saber o que e como era. E eu teria que ter opinião própria, não porque fulana não gosta que você vai acabar não gostando (sendo que você adorou, mas pra não contrariar...)

O ponto mais crítico era no assunto de... música, dorama e filmes. Discordou, pronto: só falta sair no foice. Uns cinco, seis anos atrás eu era assim mesmo. Hoje, estou fazendo um pouco a egípcia e deixando pra lá. Vamos ser felizes da forma que cada um escolheu. E nem adianta criticar o gosto do outro, porque depois vem a resposta: "você também não gostaria que falassem mal do seu ídolo, certo?" Por mais que eu torça o nariz, há gente que goste. Da mesma forma que tem gente que torce o nariz para os meus. Então...

Ultimamente me andei pegando cantando "Koisuru Fortune Cookie". Só falta a coreografia.

Com o tempo a gente vai amadurecendo e começar a pensar melhor nos seus conceitos. Na verdade, a gente tem que ser feliz com que realmente gosta. Opinião alheia depende muito da situação, mas em matéria do combo música-dorama-filme, aí a coisa pega. E feio.

Chega um momento em que a gente tolera e deixa passar. Porque não vale mesmo a pena ficar irritada com o que os outros gostam. No começo incomodava? Pois é, acontece. Da mesma forma que terceiros podem não gostar do que eu gosto, mas se ninguém critica, por qual motivo eu deveria? Foi dessa forma que diminui minhas reclamações no Twitter, parei de atacar quem gosta ou não de tal coisa (porque ninguém é obrigado a gostar ou não das mesmas coisas que eu - se gosta, tudo bem. Se não gosta, acha ruim, critica, fazer o quê...)

A gente precisa evoluir, e saber aceitar e tolerar já é um avanço. Atualmente, não ligo mais para quem critica meus ídolos, minha comida, meu modo de viver. Da mesma forma que deixo as pessoas fazerem o que quiserem da vida delas, de cuidar da vida, já basta eu cuidar da minha.

Reconheço que errei e muito na minha vida. Mas foram através dos erros que procurei melhorar. Seja no trabalho, na vida, em tudo. Nunca é tarde pra correr atrás do que você procura, nunca diga que está velho(a) para fazer isso ou aquilo. Todo mundo fala para mim eu cuidar da saúde, porque sem ela, como irei trabalhar, ganhar dinheiros para poder fazer as coisas que gosto (cinema, shows, eventos)? Pois é...

Enfim, aproveitemos a vida, fazer o que gostamos e esquecer os problemas.

Fotos: printscreen direto do meu celular quando recebi os videos de aniversário do BROS. e Johnny's web e AKB Official Video no YT.



Tuesday, July 05, 2016

Beatles e Japão

Madrugada do dia 29 de junho de 1966 - Os Beatles chegam no Aeroporto Internacional de Haneda.

No final de junho e inicio de julho de 1966, os Beatles fizeram uma série de apresentações no Budokan, Tóquio. Na época, deu muito no que falar. Primeiro, já estavam meio que "queimados" perante fãs e imprensa por causa da declaração de John Lennon envolvendo as palavras Beatles e Jesus Cristo. Segundo, porque eles iam fazer show no Budokan, onde foram realizados os campeonatos de judô nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 e, o pessoal da extrema direita do país (leiam-se aqueles nacionalistas radicais) já estavam injuriados. Mesmo assim, fizeram, apesar da intensa vigilância (eles nem tiveram como pôr o nariz pra fora do hotel tamanha a vigilância que estavam para que não acontecesse nada) e cheio de seguranças.

Muita gente na época não sabia, mas 1966 era o ano em que os Beatles encerrariam as apresentações ao vivo, nos palcos e se concentrariam mais em estúdio - porque suas músicas tornaram-se difíceis de serem executadas ao vivo (naquela época). E também estavam cansados de tocar para público que mais gritava do que ouvia. Os Beatles perceberam a diferença de suas apresentações quando fizeram a turnê nipônica: quem ver os vídeos do show no Budokan, percebe-se que o público ficava mais ouvindo que gritando. E aplaudia no final de cada música.

Apresentação no famoso Nippon Budokan. Transmitido ao vivo pela TV e percebe-se a diferença do público que veio assistir e ouvir (principalmente isso) o quarteto.


Depois dessas apresentações, no Japão apareceram muitos grupos querendo parecer com os Beatles, desde o visual até tocar como eles. O que rendeu muita dor de cabeça para a sociedade local, inclusive algumas emissoras recusaram receber alguns grupos por causa do cabelo comprido e até tiveram shows que houveram incidentes. Nos anos 60, assim como nos Estados Unidos e na Europa surgiram muitos grupos de pop-rock, no Japão a coisa não foi diferente.

Um tempo atrás, fui atrás de alguns livros sobre o boom dos group sounds (ou GS), como era chamado o estilo musical dos anos 60 no Japão. Era grupo que não acabava mais, mas alguns continuam sendo lembrados até hoje, como The Tigers, The Blue Comets, The Spiders, The Wild Ones, por exemplo. Ou cantores como, por exemplo, Yuya Uchida (que escreve artigos para a Rolling Stone japonesa, no melhor estilo rock and roll). A maioria lançou um ou dois singles e depois que o fenômeno diminuiu, caiu no esquecimento (o chamado one hit wonder).

Muitos podem negar, torcer o nariz, mas é inegável que os Beatles impulsionou e inovou o pop japonês nos anos 60. Apesar que, no início dos anos 60, artistas como Takeshi Takeuchi e Yuzo Kayama já interpretavam músicas com uma "pegada" no rock - eles ficaram conhecidos como "os precursores do electric guitar" (ou "ereki"), já que eles tocavam guitarra elétrica em suas apresentações. Mas foi depois de 1966 é que o país ganhou uma diversidade de bandas.

O fotógrafo oficial do grupo entre 1965 a 1966, Robert Whitaker, acompanhou os Beatles até o término das excursões. No Tokyo Hilton Hotel (hoje Capitol Tokyu Hotel). O cantor-ator-guitarrista Yuzo Kayama foi um dos poucos artistas japoneses a visitar o grupo no hotel.

Antes dos Beatles fazerem shows no Japão, eles já eram conhecidos no arquipélago. Uma das maiores revistas especializadas em música pop, "Music Life", já dava destaque para os artistas norte-americanos e europeus. Quando o quarteto de Liverpool foi para os Estados Unidos em 1964, a revista mencionou o fenômeno Beatlemania. A editora-chefe da revista, Rumiko Hoshika foi quem conseguiu intermediar a vinda do quarteto ao Japão, tanto que ela foi para a Inglaterra diversas vezes (inclusive têm fotos dela com a banda nos estúdios) e esteve com o grupo durante a passagem deles no país.

Só que, com receio que nacionalistas radicais pudessem fazer algo de mal com a banda, tiveram que reforçar a segurança. Imaginem se acontece algo pior, além de complicar pelo lado diplomático, têm os fãs....

Daí por conta disso, muita gente começou a associar Beatles e Japão pelo lado ruim. Se mencionar sobre os cinco dias no Budokan, falam que foi ruim. E a coisa descamba quando o Paul foi pego na alfândega com a erva que passarinho não fuma.

Mas, ainda bem que, mesmo com esses altos e baixos, os álbuns dos Beatles e carreira solo são bem vendidos aqui no Japão, inclusive uma prateleira inteira é reservada para eles na maioria das livrarias e tem loja que vende goods on line (tinha a loja física, mas fechou e abre quando tiver algum evento especial). Sem falar que muito artista aqui diz ser influenciado pelos Beatles, inclusive aqueles que nem eram nascidos quando Lennon morreu.

Eu fiquei surpresa quando fui no Tokyo Dome, em novembro de 2013, no show do Paul: a maioria dos fãs eram na casa dos 30, e conheceram o grupo por causa dos pais, ou por curiosidade - ou seja, cada um tem sua história de como conheceu o grupo. E pensam que não ia lotar o Tokyo Dome? Quase 60 mil pessoas (foi possível porque o palco era no fundo e sobrou espaço na arena).

Em 2006, para comemorar os 40 anos da vinda do quarteto no Japão, foi lançado um livro de fotos, inclusive muitas delas raras, com tiragem limitada e numerada de 10 mil exemplares (na época, eu havia encomendado na loja Get Back, quando ela existia fisicamente). Agora, para os 50 anos, que acontece neste ano, houve um evento no Budokan (não tive condições de tempo - nos dois sentidos da palavra), revistas especializadas em música, na loja de departamentos PARCO abriram uma área para a loja Get Back fazer a venda de produtos e a confecção Graniph lançou uma série de camisetas com a estampa do grupo (essa empresa já fazia, apenas renovaram o estoque).

Na verdade, um tempo atrás, pensei em fazer no Empório uma pequena série sobre o quanto os Beatles influenciaram no j-pop.

Inspiração Beatles e Group Sounds na capa e PV do single do Kanjani Eito "Yellow Pansy Street": os paletós sem lapela circa 1963, as cores vivas que as bandas GS usavam e o baixo Rickenbacker modelo semelhante que McCartney usou por volta de 1967 (no PV quem toca é Ryuhei Maruyama)


Mas por que Japão??? Como eu havia mencionado antes, uma boa parte dos livros que andei lendo sobre a turnê japonesa de 1966, era um parágrafo e ainda falando (muito) mal. Mas não me entendam errado a respeito da minha intenção de fazer uma série: não é porque sou descendente de japoneses, moro quase duas décadas no arquipélago e fã do quarteto (com direito a três shows do Paul) que vou ficar defendendo. Que a turnê foi cansativa e estressante, isso todo mundo sabe. Mas o impacto que causou nos jovens daqui...

Bem, espero eu conseguir fazer a série, em postagens aleatórias e nada cronológicas. Do tipo: achou algo bem interessante, estarei fazendo postagem (com as devidas fontes, claro).


Imagens: Music Life archives; Reuters, Robert Whitaker, Kanjani Eito matome naver site.

Monday, July 04, 2016

Quando a gente quer se desligar

Muitas vezes eu me desligo do mundo real e acabo me distraindo com outras coisas, se possível, úteis e que me tragam um bem danado e me dêem energias para encarar a realidade, depois. Estranho? Para mim, não.

Ultimamente, nas redes sociais, eu só leio desgraça em cima de desgraça e, quando leio alguma notícia boa, SEMPRE tem alguém pra estragar tudo. Isso quando a intolerância toma conta do espaço.

Qualquer coisa, muita gente cai matando, fica de mimimi. Nem paro pra ler: fecho a janela e vou cuidar da vida. No que eu penso "hoje vou ler as notícias para não ficar tão desatualizada", às vezes desanimo no primeiro comentário que leio, só resta fechar a página e passar pra próxima, pra ver se as coisas melhoram. Ou descamba de vez.

Duas personalidades fofas na 5a. Edição do Waku Waku Gakkou em 2016

Confesso: tem dias que passo longe de notícias na web, especialmente de redes sociais. Eu entendo que cada um tem opinião formada, mas no calor da discussão, se fosse frente a frente, metade da população seria dizimada. E não seria exagero, não, porque, ultimamente, muita gente se irrita por qualquer coisa. Se na internet, sai tanta agressão verbal, partir pra física quando se encontrar, seria um pulo.

Procuro ao máximo possível nem comentar sobre o que passa para os colegas de trabalho, porque até o fato de ir ao cinema já gera comentários pessimisstas e de gosto duvidoso, quem dirá se comentar sobre a situação atual do mundo.

Mesmo nas redes sociais, se a gente posta foto de um DVD que a gente comprou (com grande custo), de uma paisagem de um lugar que você foi, pago com o suor do seu trabalho, SEMPRE mas SEMPRE vai ter um fulano criticando. Antes fosse criticar o enquadramento da foto...

Numa dessas e tantas que têm dias mesmo que eu fico longe das redes sociais. Já não bastasse passar raiva no trabalho, quando chego em casa, eu quero alguma coisa boa (tirando comida), como assistir algum programa que tenha ao menos 50% de notícia boa, ou acessar as redes sociais e pessoas compartilhando assuntos úteis para a vida.

Se não, faço maratona de doramas atrasados. Ué, não tem gente que faz maratona de séries? Então... (Numa dessas, acabei revendo "Yorozu Uranai Dokoro Onmyoya e Yokoso" e de quebra ainda fiz resenha...)

Trago a pessoa amada em cinco dias, mas com essa quantia que você pode me pagar, consigo trazer em vinte dias.

Quando participei de uma blogagem coletiva no ano passado, mencionei que assuntos que evito colocar no blog são política e religião, porque não são assuntos que o blog é voltado, além de que são assuntos saturadíssimos. Como eu disse: se for pra brigar, que a gente discuta sobre o assunto de biscoito e bolacha. (Pra mim, biscoito é recheado e bolacha é sem recheio e geralmente salgado, mas tem bolacha maria e biscoito de polvilho, aí seria outra história....)

Por isso que eu costumo postar mais assuntos leves, como doramas e filmes que assisti, músicas, promotion videos, fotos de lugares onde fui, comida, receitas....  E quem vê minha página do FB, raramente compartilho algum assunto polêmico, exceto se for caso muito extremo mesmo. Do resto, coisas fofas e engraçadas (agora sei porque o número de seguidores diminuiu ), e às vezes assuntos deste Empório.

Outra coisa que aprendi também depois de muito levar toco, é não comentar que consegui realizar algo na vida ou os planos deram certo. Se possível, eu comento depois que o evento já passou, que o plano já terminou, etc. Porque da última vez, foi uma decepção tão enorme que, agora eu entendo quando me disseram que  "a sua felicidade causa a inveja da outra pessoa".

Enfim, se por acaso eu ficar sem aparecer nas redes sociais, tenho dois motivos: um, devido ao meu trabalho, eu só consigo entrar nas redes sociais aos finais de semana ou logo pela manhã. E segundo, quando estou saturada de tanta falta de empatia nesse mundo, resolvo ir assistir doramas ou ler meus mangas ou revistas. Ou revisar os estudos do japonês que está em situação semi-estática.

Cuteness overloading porque a gente precisa mais de amor nesse mundo.

Porque realmente, não vale mais a pena a gente ficar se estressando lendo coisa ruim, ainda mais quando MUITA gente fica postando a mesma coisa ou similiar nas redes sociais. Fecha a página e vamos fazer algo de útil né.

Imagens: weibo (via twitter), prmc.jp, matome-naver.com


Sunday, June 26, 2016

[Promotion Video] "TAKOYAKI In My Heart" ~ Kanjani ∞ (2013)

Tentemos levar a sério esses sete jovens que já passaram dos 30: da esquerda pra direita: YouYokoyama (preto); Ryuhei Maruyama (laranja); Subaru Shibutani (vermelho); Tadayoshi "Tacchon" Ohkura (verde); Ryo Nishikido (amarelo); Shingo "Hina" Murakami (roxo) e Shota Yasuda (azul).

Um dos grupos da JE que a gente não sabe se chora de rir porque a irreverência é tanta (porque chorar de chorar mesmo, por enquanto conheço "Namida o koete", que ficará pra um post oportuno), é o septeto Kanjani Eight (mas se pronuncia "eito" e se escreve ∞).

Tuesday, June 14, 2016

[J-Dorama] Yorozu Uranai Dokoro Onmyoya e Yokozo (Fuji TV, 2014)

ATENCAO!!!! TEM SPOILERS SOBRE O ENREDO TODO!!!!

(Se não quiser ler, então feche a página. Obrigada.)




Sinopse: No bairro comercial de Ouji (Tóquio), um jovem chamado Shoumei Abeno abre uma casa onde ele lê a sorte e prevê o futuro das pessoas, mas o problema é que ele não possui esse dom, mas consegue "sentir a atmosfera" da situação graças a sua experiência passada como o número um de um host club e resolver problemas das pessoas que o procuram.


Sunday, June 05, 2016

Balcão de Reclamações



Uma das coisas que eu consegui diminuir aos poucos, foi reclamar demais de tudo. Não somente do trabalho, mas no geral. Até se o dia estava lindo e maravilhoso e estava de folga com dinheiro na carteira. Mas também tive que levar um monte de bronca em tudo o que era lado, desde em casa até em redes sociais (o que já custou para mim até unfollow, essas coisas acontecem). Depois a gente para e pensa: não vale a pena ficar se queixando por coisas que você pode resolver.

Mesmo porque, só reclamar da vida não leva a nada. Ainda se resolvesse... Agora, se reclamar e AGIR, aí a história é outra. Nada adiantava eu ficar reclamando que minha vida era uma droga se eu não fazia nada para melhorar. Da mesma forma quando reclamei uma vez que o almoço do refeitório estava com a carne dura através da folha enquete que deixam para a gente dar sugestões. Resultado: melhoraram (um pouquinho) a comida. Ao menos nunca mais comi carne requentada pela 12948482 vez. Daí, por que eu não poderia ao menos tentar me melhorar?

Como eu havia dito em alguns posts: um bom tempo atrás eu passei por uma fase muito ruim tanto profissional como pessoal. Daí eu vivia reclamando e chorando pelos cantos, e bem que eu tentava me reerguer, ter um pouco mais de ânimo, mas foi difícil. Com o tempo, eu passei a tolerar algumas coisas e aceitar outras. Depois de tanto "levar na cabeça pra ver se toma jeito".

Foi duro aceitar as condições na época. Cheguei a perder peso, ganhei sei lá quantas alergias, só faltou eu ficar desidratada de tanto que chorei. Mas se eu não tivesse fé, ia ser mais complicado ainda. Talvez não tivesse me recuperado e permanecesse na modorra.

Hoje talvez uma das coisas que eu reclamo muito é quando está MUITO quente (sofro horrores no verão, e pelo visto, aqui em Inazawa, vai fazer um calor daqueles, e olha que venta pra caramba) ou viro comida de pernilongo (já providenciei aqueles repelentes de insetos pra pendurar na varanda e na entrada da casa). Sono e estar com fome são coisas normais, mas reclamar da vida, pelo menos eu não estou reclamando tanto no Twitter como antes.

Tá, existem coisas que a gente fica indignada, decepcionada, com raiva, e não tem como disfarçar e passar batido, mas ultimamente estou contando até 20 e ignoro. Mais fácil fechar a página e ir cuidar da vida, né?

O duro pra mim é no trabalho. Conheço gente que reclama de tudo, pior do que eu. Teve horas que eu fiquei me perguntando "por que raios está aqui, entào?". Ou gente que generaliza (prática comum: onde um faz a c*gada, todo mundo acha que o grupo todo faz também, da mesma forma que muito estrangeiro acha que todos os brasileiros gostam do combo samba-futebol-carnaval). A gente sabe que nem todo mundo age da mesma forma que uma acaba agindo, mas...

Um tempo atrás, um antigo colega de trabalho do namorido vivia se queixando de tudo. Desde o lugar de trabalho até o modo de vida daqui. Concordo que ninguém é perfeito, nada acontece como a gente quer, cheio de flores e purpurina, mas generalizar porque não deu certo (incluindo tratamento xenófobo, etc.), aí, até pra quem ouve, vai dizer "então por que está aqui?"

Acho que se tive tratamento diferenciado por ser estrangeira (apesar da minha cara e aparência de japonês, mas esperem quando eu abro a boca), passei muito batido porque pra eu pegar as coisas no ar, eu sou um zero à esquerda. Ou ignorei mesmo e nem percebi.

"Se eu soubesse falar , eu falaria um monte para tal pessoa para deixar de ser idiota. Sou estrangeiro, mas não sou burro!", é o que eu ouço e muito. Para evitar que eu passasse por constrangimentos e saber reivindicar o que teria direito, tive que abrir algumas brechas no meu horário já apertado e aprender o idioma. Não sou fluente, mas ao menos consigo dialogar em alguns lugares. Mesmo em inglês quando eu tive que pedir para que mudassem o endereço de entrega de uma encomenda e a atendente foi curta e seca, e pedi solenemente para um grupinho de estrangeiras no trabalho que não entendem um pingo em japonês para diminuirem a algazarra na sala de descanso porque tinham outras pessoas que estavam morrendo de dor de cabeça.

Por essas e tantas que fui percebendo que não vale a pena mesmo ficar reclamando pelos cantos se o atendimento é ruim, se nada dá certo, se o mundo conspira ao seu redor. Aos poucos fui caindo em si e ver as coisas por outro lado, mudando minha postura e meu ponto de vista. Mas também se a pessoa ao meu lado não pára de reclamar, melhor eu ficar quieta senão a situação piora (porque de boas intenções o inferno está cheio). Mas que às vezes isso incomoda, isso eu sei.

Ultimamente estou preferindo estar no meu canto, lendo meus mangas atrasados, assistindo meus filmes prediletos e encontrar com pessoas com quem a gente já conhece, confia e pode passar horas trocando conversa fiada. A gente já leva uma vida muito estressante aqui, é óbvio que a gente quer alguns minutos de paz e serenidade, e não ficar se estressando mais do que já está.

Pelo menos aqui existe um cantinho nos estabelecimentos onde podemos responder as enquetes e dar nossas sugestões e reclamações mesmo de forma anônima. Por que existem esses questionários? No fundo, para que as empresas tentem se conscientizar da qualidade de atendimento e do produto que estão vendendo/oferecendo. Bem, se é verdade ou não, da maioria das enquetes que respondi (aquelas que precisam se identificar), uma boa parte tive resposta (e até amostra grátis eu ganhei).

Depende de cada um, mas se a gente faz a reclamação de forma mais educada, sem gritar nem se alterar (mas ser firme e forte), talvez as coisas se resolvam de forma um pouco mais fácil.

Mesmo porque ter um pouco mais de tolerância e paciência, talvez melhore um pouco a qualidade de vida (em todos os sentidos - tanto pessoal, quanto emocional).

Imagem: eu tinha salvo do site snoopy.co.jp muitos anos atrás.

Wednesday, June 01, 2016

Quando não tem como disfarçar... (Itadaki High Jump)


Da revista TVnavi quando o programa tornou-se regular. Da esquerda pra direita: Hikaru Yaotome, Yuya Takaki Yuri Chinen, Kei Inoo, Ryosuke Yamada, Keito Okamoto, Daiki Arioka, Kota Yabu e Yuto Nakajima.


A gente costuma achar que os ídolos do mundo do entretenimento são todos perfeitinhos, que estão sempre sorrindo, tudo bem pra eles, que têm que agradar o público 24 horas por dia, e ai se pegar a pessoa saindo pela tangente...

Saturday, May 28, 2016

A Arte de Saber Puxar (ou não)

Da page "Minions Sinceros" do FB


Sério.

Não parece, mas eu sou péssima pra puxar conversa. Nem quando eu estava no Brasil, e ia para a faculdade e trabalho todo dia, pegando coletivo, nunca consegui começar uma conversa, a não ser para perguntar onde ficava tal lugar para algum transeunte. Mesmo assim, eu procurava algum posto policial ou alguma loja, bar, qualquer estabelecimento comercial pra perguntar onde fica.

A situação piorou quando vim morar aqui no Japão. Eu sei que, para aprender a conversar em japonês, o ideal seria fazer amizade com algum nativo, o que ESTA ATE HOJE SENDO MUITO DIFICIL conseguir puxar papo. Alguns vêm tentar puxar conversa, mas quando eu falo que sou brasileira, acho que quase todo mundo sabe quais as perguntas que eles fazem. E eu pra explicar que 1) nasci no Brasil apesar da minha ascendência nipônica? 2) que nem todo brasileiro gosta de carnaval e futebol? Isso vale para qualquer pessoa estrangeira, porque não foi somente japonês que faz essas perguntas, não....

Já sei: e se fosse algum assunto de seu interesse, você ficaria dias e dias conversando sobre isso. Verdade. Mas aí depende muito, especialmente da pessoa com quem você iniciou a conversa (e depende da conversa também). E quem me conhece muito bem, sabe que assuntos eu costumo tentar puxar conversa.

Puxar o saco de algum superior para conseguir algum benefício, é algo que também não sei e não consigo.  Sei lá, sempre achei que pra conseguir o que queria, era a base de esforço, trabalho e ser "certinha" demais. E' nessas outras e tantas que já tomei tanto na cabeça...

Conheci e conheço muita gente no ambiente de trabalho que faz de tudo pra conseguir um cargo alto ou até ser líder ou chefe. Quem é mais ou menos da minha idade (ou menos), vai lembrar de um personagem do programa "TV Colosso", o Capachão, que era o maior puxa-saco do chefe. Ou talvez do Fagundes, personagem das tiras do Laerte. Naquela época eu achava até exagerado demais o chamado estereótipo do puxa-saco que eu via no programa e no jornal, mas quando você entra em uma empresa onde tem mais de 50 funcionários e duzentos departamentos, aí cai tua ficha e presencia cada coisa... Se bem que até hoje presencio alguns momentos de puxa-saquismo na cara de pau mesmo. Uma coisa é você fazer seu trabalho bonitinho, direitinho e procurar não faltar (mesmo porque depois faz uma falta na carteira no final do mês). Outra coisa é ficar bajulando o chefe e não mostrar qualidade no seu trabalho.

Sei que muitas vezes esse tipo de ato (o puxa-saquismo) incomoda e como. Mas eu procuro ficar no meu canto e fazer meu trabalho conforme o que foi informado. E', e tentar interagir com o grupo porque nesse ponto temos que pensar no coletivo e não no individual, por mais que você odeie essa ou aquela pessoa. Afinal, estamos todo no mesmo barco.

"Violação: Impossível" era um texto da Clarissa "Clara McFly" Passos no finado blog "Garotas que dizem ni!", que eu amava e muito eu devo a esse trio de blogueiras. Era sobre como abrir embalagens de produtos sem ter que apelar para meios violentos. O famoso "abra aqui" ou "sistema abre fácil" pra muitos produtos, exige uma certa dose de destreza, cálculo e muita, mas muita paciência. Inclusive nos produtos daqui do Japão, que muita gente diz que é superfacinho de abrir. Não nego, mas também já tive meus momentos de fúria de abrir um pacote de batata frita na fé e a sala ficou com uma bela decoração de farelo de batata frita.

O tal da "fitinha vermelha pra abrir o pacote" (aka biscoito Passatempo), já me fez chegar ao ponto de pegar uma faca e cortar o pacote no meio. Você puxa a fita e acontece de tudo - a fita arrebenta no meio do percurso, a fita escapa e o pacote nem abre, quando consegue abrir, o pacote arrebenta e o conteúdo voa pela casa toda, isso sem falar quando as primeiras bolachas (ou biscoitos, tanto faz, vai comer mesmo) estão moídas e na hora de abrir o pacote, além de acontecer todas essas alternativas, você fica coberto de farelo de bolacha. 

Ou biscoito. 

Ou o que estiver escrito no pacote, tanto faz, porque na hora da vontade de comer, o importante é conseguir abrir. 

Agora, se não conseguir fechar o pacote decentemente, qualquer pote vazio serve...